Vai Ficar na Memoria
"Em cada esquina, uma história. Em cada rua, uma memória. Por onde passamos, enxergamos a verdade; o mundo de verdade. Onde se encontra o desassistido, desorientado; abandonado pela insensibilidade dos homens. A história deles desaparece; inexiste, por conta da realidade do mundo onde “tanto faz". Se não é comigo, finjo que não existe. “Isto não é problema meu"
O mais fácil é colocar a culpa dos problemas nos homens que vivem os problemas, ou em qualquer outro homem. O problema nunca é nosso. Nossos olhos andam fechados para a realidade que nos cerca. Quem não busca conhecer a verdade, ou se nega a enxergar a verdade, se torna culpado da realidade, mesmo que inconscientemente.
“Não sou o culpado pelos problemas ambientais”; “não sou o culpado pela corrupção”; “não sou o culpado pela violência contra as mulheres”. Se eu não me importo em descartar o lixo adequadamente, eu sou, em parte, culpado pela degradação ambiental. Se eu não me importo em vender o meu voto, eu sou, em parte, culpado pela corrupção. Se eu vejo uma mulher sendo violentada e não denuncio às autoridades, eu sou, em parte, culpado pela violência contra as mulheres, e assim sucessivamente.
Devemos assumir nossa parte da culpa, mesmo que na realidade não sejamos os principais culpados. Se cada ser humano confessar a sua parte, daremos enfim, um passo importantíssimo para a tão sonhada transformação social."
'Culpa social: estamos todos responsáveis pelo estado atual da sociedade'
São Paulo, 22 de Julho de 2023.
Gratidão é a memória do coração, é o sorriso aberto, é a mão estendida, é a força unida, é o reflexo do amor na atitude de receber e doar, na espontaneidade de amar.
Wall de Souza.
As vozes sombrias do arrependimento ecoam nas margens da minha memória como sombras que se recusam a desaparecer.
Memórias e mais memória, para que te quero tanto?
Lá se foi mais um lindo dia
Com o meu som preferido
Elevando a poesia
E você ao meu lado
Querendo colar a sua boca na minha
Lá se foi o meu pior dia
Quando tudo parecia neblina
Com o som desligado
E você já não estava ao meu lado
Nem bocas coladas, nem abraços apertados
E talvez a memória esteja compadecendo comigo
Estou lembrando dos lindos dias
Que tudo fora tão estrelado
Dos beijos infinitos, dos abraços simétricos,
Do meu olhar ao teu, e o seu ao meu
Essas memórias sim
Que devem ser intermináveis.
Se o tempo é algo parecido com Deus, suponho que a memória deve ser o diabo.
A pele da memória torna-se surpreendentemente sensível ao toque da saudade quando está repleta de sensações voluptuosas.
Será que a memória abarrotada aumenta os olhos?
São passos que se apagaram , não restam mais pegadas , apenas uma lembrança na memória dos que estão presentes.
Tudo é passageiro!
Frase de Islene Souza
O tempo e o sentido das coisas.
Na obra de Dalí (A persistência da memória), nos deparamos com vários relógios retorcidos, quando buscamos a essência artística ali presente, entendemos que ele fala da necessidade do homem em controlar o tempo.
Por vezes, ao olhar para o espelho percebo que tudo é liquido e nada muda, apenas vem aquela sensação do "mais um dia".
Cansados do trabalhos e das pessoas, buscamos refúgio num espaço que destoa a realidade e imortaliza a nossa aparência no auge que gostaríamos de eternizar.
O capitalismo é hostil, trabalha a mente do indivíduo a ponto de fazer com que abra mão dos próprios propósitos de vida, oferece a eles a sensação de segurança e status social momentâneo, mas como disse lá em cima, é tudo líquido.
Abrir mão de propósitos e pessoas, corrobora para o senso consumista e imagético com aquela necessidade desenfreada de auto aprovação, validada por pessoas do outro lado da tela de um smartphone.
As lembranças se perdem num único clique, junto de sensações que evaporam ao simples trocar de aba.
Na vida tudo é transitivo, líquido... mesmo iluminado por essa ideia, faço-me consciente e sinto tudo evaporando dentro de mim, como a saudade, o amor, a admiração e por incrível que pareça, as mágoas.
Num mundo fetichista, o capital ostenta os sentidos e se esses sentidos da vida precisam de capital para serem sustentados, o que ganhamos é o arrependimento de abrir mão de mãos quentes e acalanto, por contatos artificiais que se preocupam com uma foto ao invés de um ser humano, amores se resumem a momentos físicos e a atenção ao que você pode proporcionar de engajamento nas redes.
E no fim, toca o despertador no dia seguinte, o mesmo ciclo, a mesma bajulação, as mesmas cobranças e o mesmo cansaço. Cansaço de tudo e todos. Esquecemos que para o sistema ninguém é insubstituível, mas entre as pessoas, somos o que construímos, os sentimentos podem até evaporar, mas num ciclo natural, formam-se as nuvens e chovem novamente. Eis aí a essência do tempo.
Independente de atmosférico ou cronológico, cabe a interrogação sobre o que fizemos com ele, quanto desperdiçamos, aprendemos e deixamos evaporar em busca de auto afirmação e constituimos, amizades artificiais, imagens deturpadas de si mesmo em prol de conquistar a tal amizade, o sentimento intrínseco de vazio e o arrependimento de derramar lágrimas de outras pessoas em busca da tal modernidade liquida.
No fundo sabemos, que no hoje tudo flui, amanhã as gerações mudam e aquele que hoje se fez um personagem "social", amanhã se torna um velho aos olhos da nova geração, careca, gordo, banguela e por fim, solitário.
O esforço e o cansaço constituído pela auto afirmação do sistema, te trará rugas e decepção, pois na vida, somos o que oferecemos aos outros, no capitalismo a bajulação aparece pela manutenção da posição e na vida pelo conforto oferecido.
Com o passar dos dias esquecemos das outras pessoas, mudam-se as prioridades é uma lei orgânica, diria. Mas efetivamente, o que difere as pessoas das coisas é poder que o tempo tem sobre a permanência nesse mundo, o sistema transforma pessoas em objetos e as próprias pessoas objetificam-se. Em miúdos, não trate pessoas pela sua utilidade momentânea, carência e necessidade, o tempo cobra na mesma moeda.
Vista chinesa, Paineiras, na memória esculpidos,
Intensidade do amor, na intimidade compartilhados.
Te amo profundamente, minha promessa inquebrantável,
A menos que me expulse, nosso laço, imutável.
Teu cheiro marcante, de ontem à noite, na minha memória permanece, um perfume que me embriaga, que me aquece. Cada vez que fecho os olhos, é como se você estivesse aqui, tão perto que consigo te sentir.
A memória é um sótão atravancado de objetos inúteis, onde tanto desejaríamos encontrar aquelas coisas perdidas que – de tão perdidas – já nem sabemos mais.
O que sejam...
Eu sei, é claro, que a memória retém tudo sem piedade, e admito minha fraqueza: tem coisas que eu não quero lembrar.
A memória não consegue restaurar fielmente os pesados caprichos da embriaguez e se esgota com o esforço.
As coisas do passado são vertiginosas como o espaço, e seu traço na memória é deficiente como as palavras.
PAI (ACRÓSTICO)
"Pensativo vou caminhando em passos lentos, a memória da minha mocidade e os doces frutos que colhi, me mantêm vivo... meus erros, e o "se" que não saem da minha cabeça me corroem o peito.
Amores que deixei partir. Sonhos e corações que despedaçaram em minhas mãos, ao toque das minhas escolhas. Memórias confusas, embaladas, tal qual a minha visão agora cansada.
Imagino minha juventude refletida no espelho do passado e as lágrimas desabam com amargura no auto julgamento. Por mais que eu escute " te perdoou ", ainda não me sinto livre para me perdoar e seguir de alma limpa."
Janilma Lins
