Use o Silencio quando Ouvir
O maior perigo do narcisismo religioso é quando a pessoa confunde a vontade de Deus com os seus próprios caprichos.
Ainda Vou Me Lembrar de Você
Quando o tempo apagar as feições que eu decorei,
e a poeira dos anos cobrir as estradas que andamos,
quando os dias passarem depressa sem nos importarmos
com os mapas rasgados e os sonhos que eu desmontei.
Mesmo que o mundo dê voltas que eu nunca previ,
e o destino me leve pra longe de onde te conheci,
ainda vou me lembrar de você.
Vai ser numa tarde qualquer de um outono distante,
ou talvez no acorde de uma velha canção esquecida.
A memória virá como um vento furtivo e constante,
trazendo um recorte de quando você preenchia a vida.
O cheiro do café quente pela manhã na cozinha,
ou o eco de um riso perdido no meio da rua vazia,
farão com que a mente, por um segundo sozinha,
retorne ao exato cenário da nossa antiga alegria.
Lembrarei de como a sua voz acalmava a tormenta,
das noites de insônia trocando palavras banais.
O tempo é um rio que corre de forma violenta;
arrasta as presenças, mas não lava os nossos sinais.
As coisas miúdas, que pareciam não ter importância,
serão os gatilhos que vão encurtar a distância:
o jeito que você olhava antes de confessar um medo,
a mania de guardar cada dor como um grande segredo.
Não será com a angústia de quem perde e não sabe aceitar,
nem com o pranto de quem implora pro passado voltar.
O luto da despedida, com os anos, se torna semente,
e o que era vazio floresce de um jeito indulgente.
Eu serei outra pessoa, com outras marcas no rosto,
construindo outras casas, descobrindo outro gosto,
mas um pedaço de mim estará para sempre ancorado
naquela versão de nós dois que ficou no passado.
A ausência, aos poucos, se veste de paz silenciosa;
já não corta como o vidro, nem fere feito navalha.
Ela vira um farol de uma luz solitária e formosa,
que não guia o meu barco, mas ilumina a batalha.
E assim seguirei, colecionando novas chegadas,
cruzando outros mares, trilhando outras estradas,
vivendo o milagre comum que é sobreviver.
Mas saiba que, no fundo do peito de quem se entregou,
a marca deixada é profunda, não pode ceder.
Quando os invernos pesarem e o meu passo cansar,
quando o último brilho do mundo ameaçar se apagar...
Ainda vou me lembrar de você.
Implícita,
o teu estado
é de se admirar;
Quantos tentáculos
cabem em tuas mãos?
Quando
era pequeno
tudo lhe proibiam,
até tocarem
a famosa rebeldia
e agora
o que sobraste?
Não quero,
não quero,
não vou!!!
Minha razão
sem pai
nem mãe:
Diz ser
bem resolvida
quando na chegada
ou na saída
resolve embirutecer;
Cala-te boca!
Não vês
que esse assunto
tornou-se sigilo
e cobra-se
erro com erro,
falta com falta,
eu seria um canalha
ao tentar
lhe esquecer!
A vida só se torna extraordinária quando a gente perde o medo de arriscar. Esperar o momento certo é bom, mas levantar e fazer acontecer é o que muda o jogo!Se você acordou hoje, você já tem a ferramenta mais poderosa do mundo: a oportunidade de tentar de novo.Não tenha medo dos desafios. A vida é um presente maravilhoso e o maior erro é deixar o medo travar os nossos sonhos. Se o plano A deu errado, o alfabeto tem mais 25 letras para você recomeçar.Você está vivo, o sangue tá correndo nas veias e o dia está só começando. Você tem tudo o que precisa,
Então faça acontecer....
*Bora pra cima*
“Quando você não está no colo de sua mãe ou pai, lembre-se: seu riso ou choro pode incomodar muita gente.” AryUchôa
OS MÉDIUNS DE EFEITOS FÍSICOS NO ESPIRITISMO BRASILEIRO. QUANDO OS FENÔMENOS OCORRIAM SEM A VONTADE DO MÉDIUM.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
O estudo da mediunidade demonstra que nem todos os fenômenos dependem da vontade consciente do médium. Desde as pesquisas pioneiras de Allan Kardec, verificou-se que muitos fenômenos surgem espontaneamente, independentemente do desejo daquele que lhes serve de intermediário. Essa realidade foi amplamente documentada em "O Livro dos Médiuns" e na "Revista Espírita", obras nas quais Kardec explica que a faculdade mediúnica é orgânica e natural, podendo manifestar-se antes mesmo de o indivíduo compreender sua origem.
No Brasil, diversos médiuns experimentaram esse tipo de ocorrência. Embora tenham se tornado conhecidos pela psicografia, pela psicofonia, pela vidência ou pelos efeitos de cura, muitos relataram que os primeiros fenômenos surgiram involuntariamente, causando surpresa, receio e, em alguns casos, profundo sofrimento até que encontrassem orientação doutrinária.
A MEDIUNIDADE NÃO SE SUBMETE À VONTADE HUMANA.
Em "O Livro dos Médiuns", Kardec esclarece que ninguém se torna médium simplesmente porque deseja, tampouco deixa de sê-lo apenas por querer. A faculdade mediúnica decorre da constituição orgânica e perispiritual do indivíduo, sendo regulada por leis naturais.
Em muitas ocasiões, o médium percebe ruídos inexplicáveis, movimentação de objetos, percepções espirituais, sonhos lúcidos, visões, inspirações ou comunicações espontâneas sem qualquer intenção consciente de produzi-las.
Esse princípio afasta completamente a ideia de fraude sistemática ou de produção deliberada dos fenômenos, distinguindo a mediunidade autêntica das manifestações provocadas pela imaginação.
CHICO XAVIER. A MEDIUNIDADE ESPONTÂNEA DESDE A INFÂNCIA.
Chico Xavier talvez seja o exemplo brasileiro mais conhecido.
Desde criança via Espíritos, conversava com eles e sofria incompreensão familiar. Não desejava tais experiências, mas elas aconteciam repetidamente.
Entre os episódios documentados encontram-se:
"Visões constantes de Espíritos."
"Comunicações espontâneas."
"Inspirações involuntárias."
"Psicografia que surgia independentemente de planejamento."
Seu desenvolvimento mediúnico ocorreu somente após estudo, disciplina e orientação em centros espíritas, conforme recomendava Kardec.
ZILDA GAMA. PSICOGRAFIA INVOLUNTÁRIA.
Zilda Gama iniciou sua mediunidade ainda jovem.
Relatava receber mensagens que não conseguia impedir de escrever. Muitas vezes, sentia intenso impulso para registrar comunicações cuja origem desconhecia inicialmente.
Posteriormente tornou-se uma das mais respeitadas médiuns psicógrafas do Brasil.
YVONNE A. PEREIRA. SOFRIMENTO MEDIÚNICO DESDE A INFÂNCIA.
Yvonne do Amaral Pereira descreveu detalhadamente suas experiências.
Desde menina via Espíritos, escutava vozes e experimentava desdobramentos durante o sono.
Esses fenômenos ocorriam sem qualquer intenção pessoal e somente foram compreendidos quando passou a estudar a Codificação Espírita.
Ela mesma advertia que a educação mediúnica era indispensável para evitar desequilíbrios.
PEIXOTINHO. EFEITOS FÍSICOS ESPONTÂNEOS.
Carmine Mirabelli e Francisco Peixoto Lins tornaram-se conhecidos principalmente pelos fenômenos de efeitos físicos.
No caso de Peixotinho, diversos pesquisadores relataram fenômenos de materialização, transporte de objetos e manifestações luminosas durante reuniões mediúnicas.
Embora esses fenômenos fossem posteriormente organizados em ambiente experimental, sua faculdade manifestou-se espontaneamente antes do completo domínio disciplinar.
CARMINE MIRABELLI. FENÔMENOS INVOLUNTÁRIOS.
Mirabelli constitui um dos casos mais estudados da mediunidade brasileira.
Desde jovem apresentava:
"Levitações."
"Movimentação espontânea de objetos."
"Escrita automática."
"Xenoglossia."
"Materializações."
Muitos desses episódios ocorriam sem que ele os provocasse conscientemente, despertando a atenção de médicos, cientistas e pesquisadores nacionais e estrangeiros.
O QUE KARDEC ENSINA.
Kardec afirma que:
"A mediunidade não representa santidade."
"Não constitui privilégio moral."
"Pode manifestar-se em qualquer pessoa."
"Necessita educação, disciplina e finalidade útil."
"O fenômeno isolado jamais basta para comprovar uma verdade espiritual."
Por isso, o Espiritismo valoriza muito mais as consequências morais do que o espetáculo dos efeitos físicos.
EXEMPLOS DE FENÔMENOS ESPONTÂNEOS.
Entre as manifestações registradas na literatura espírita destacam-se:
"Batidas inteligentes."
"Movimentação de móveis."
"Apports, ou transporte de objetos."
"Psicografia automática."
"Psicofonia involuntária."
"Vidência."
"Audiência espiritual."
"Desdobramento durante o sono."
"Curas mediúnicas."
"Materializações em reuniões especializadas."
A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO.
Kardec jamais recomendou que alguém buscasse fenômenos extraordinários.
Ao contrário, ensinou que toda faculdade mediúnica deve ser submetida ao estudo, ao controle universal do ensino dos Espíritos, ao exame racional e à observação criteriosa.
Quando surgem espontaneamente, os fenômenos constituem oportunidade de aprendizado, jamais motivo para vaidade, superstição ou fanatismo.
Os maiores médiuns brasileiros demonstraram justamente essa postura. Em vez de explorar o extraordinário, dedicaram suas vidas à caridade, ao estudo e ao aperfeiçoamento moral, confirmando que a verdadeira grandeza da mediunidade não reside no fenômeno em si, mas no serviço prestado ao próximo.
FONTES:
"Allan Kardec", "O Livro dos Médiuns".
"Allan Kardec", "Revista Espírita".
"Allan Kardec", "Obras Póstumas".
"Hermínio C. Miranda", estudos sobre mediunidade.
"Yvonne do Amaral Pereira", obras autobiográficas e mediúnicas.
"Ranolfo Prata", biografia de Chico Xavier.
"Elias Barbosa", "No Mundo de Chico Xavier".
"Canuto Abreu", pesquisas sobre Carmine Mirabelli.
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A CATEDRAL DAS SOMBRAS.
Parte i
Quando a noite, em veste escura,Sepultou a velha altura,Vi a Lua, fria e pura,Sobre a torre a soluçar;Cada estrela estremecida,Parecia, adormecida,Uma lágrima esquecidaSem coragem de brilhar.
Pelas naves do silêncio,Onde o Tempo fez domínio,Cada pedra era um martírio,Cada arco, uma oração;E eu seguia, passo lento,Respirando o esquecimento,Como quem transforma o ventoNo compasso do coração.
Vi retratos sem semblante,Vi um espelho vacilante,Onde o rosto do viajanteJá não ousa florescer;Pois a face que eu fitava,Mais que a minha, denunciavaToda a dor que sepultavaO desejo de viver.
Cada porta era um mistério,Cada sino, um cemitério,Cada eco, um ministérioCelebrando a solidão;E as paredes consumidas,Feitas de eras esquecidas,Repetiam, doloridas:— "Tudo acaba... tudo em vão..."
Mas ouvi, de uma janela,Uma voz serena e bela,Como a luz de uma aquarelaSobre um campo sem calor;Não cantava a esperança,Nem promessas de bonança;Era apenas a lembrançaDo primeiro e puro amor.
Meu espírito, cansado,Como um tronco abandonado,Pelo inverno açoitado,Vacilou sem resistir;Pois lembrava, entre gemidos,Os jardins já destruídos,Onde os sonhos esquecidosAprenderam a partir.
Vi então um corvo antigo,Feito sombra e feito abrigo,Que pousou, qual velho amigo,No mais alto castiçal;Seu olhar, sem ter piedade,Conhecia a eternidadeE a secreta identidadeDe todo homem mortal.
Nada disse. Nada fez.Mas o peso da mudezEra a voz da insensatezQue ninguém deseja ouvir;Pois existem mil palavrasQue são frágeis como tábuas,Mas há silêncios que lavramA sentença de existir.
Então vi que cada abismoNasce antes no organismo,Onde o próprio egoísmoErgue alta catedral;Cada culpa alimentada,Cada lágrima abafada,É uma lâmpada apagadaNo invisível funeral.
Quem combate monstros, cedoPode tornar-se o degredoDo mais íntimo segredoQue jurava destruir;Pois o mal que nos devoraNão desperta apenas fora:É a raiz que se enamoraDo jardim por consumir.
E caminhei noite adentro,Procurando algum alento,Mas achei somente o centroDo infinito labirinto;Onde o medo, soberano,Escrevia, ano após ano,Com um dedo desumano,Cada página do instinto.
Quando a aurora finalmenteTocou o horizonte ardente,Vi que o Sol, resplandecente,Não venceu a escuridão;Pois a sombra verdadeiraNão repousa na ladeira,Nem na floresta fronteira:Faz morada no coração.
Mesmo assim, subi o monte,Onde nasce cada horizonte,E rompi, qual velha ponte,As correntes do temor;Porque a noite, por mais forte,Nunca encerra toda sorte:Há mistérios além da morte,Há silêncio além da dor.
Então, diante do Infinito,Ergui firme o meu espírito,Não em gesto de conflito,Mas de lúcida ascensão;E as estrelas, uma a uma,Dissolveram toda a bruma,Transformando a antiga espumaNa mais viva criação.
Compreendi, no último instante,Que o destino mais giganteNão pertence ao triunfante,Nem ao rei, nem ao altar;Pertence ao ser que, vencido,Mesmo em sangue consumido,Faz do próprio coração partidoUma nova forma de amar.
E a noite, antes sepulcro,Fez-se trono, fez-se fulcro;Do silêncio nasceu o músculoDa coragem sem igual.Porque toda alma ferida,Quando enfrenta a própria vida,Ergue, acima da ruína vencida,Sua imortal catedral.
PEÇA A DEUS.
Peça a Deus a serenidade quando a tempestade parecer maior que as forças do teu coração.
Peça a Deus coragem quando o medo sussurrar que já não vale a pena prosseguir.
Peça a Deus discernimento para distinguir aquilo que podes transformar daquilo que deves apenas aceitar com humildade.
Peça a Deus que não retire todas as pedras do teu caminho, mas que fortaleça teus passos para atravessá-lo com dignidade.
Peça a Deus um coração que saiba perdoar antes de julgar, compreender antes de condenar e amar antes de exigir.
Peça a Deus que teu espírito jamais se acostume com a indiferença, pois é nela que muitas almas adoecem silenciosamente.
Peça a Deus a luz da consciência, porque nenhuma claridade exterior substitui a paz de quem dorme com a própria alma reconciliada.
Peça a Deus que teu sucesso nunca seja maior que tua humildade, nem tua inteligência ultrapasse tua capacidade de amar.
Peça a Deus que tua fé não dependa dos dias felizes, mas permaneça firme quando o horizonte estiver coberto pelas sombras da dúvida.
Peça a Deus menos facilidades e mais sabedoria; menos aplausos e mais virtudes; menos desejos passageiros e mais valores eternos.
E, quando finalmente compreenderes que nenhuma oração sincera se perde no infinito, descobrirás que Deus jamais esteve distante. Era tua própria esperança que, por instantes, havia deixado de enxergar Sua presença.
Porque quem pede a Deus apenas aquilo que alimenta o corpo vive por um tempo; mas quem Lhe pede luz para iluminar a própria alma encontra um tesouro que nem o tempo, nem a dor, nem a morte poderão destruir.
MIGALHAS DA GRANDE MESA.
CAPÍTULO XXIX
QUANDO A FÉ VENCE AS BARREIRAS HUMANAS.
A narrativa da mulher cananeia, registrada em Mateus 15:21 a 28, figura entre os episódios mais profundos dos Evangelhos. À primeira leitura, a resposta de Jesus pode parecer severa. Entretanto, uma análise cuidadosa do contexto histórico, cultural, moral e espiritual revela uma das mais extraordinárias lições sobre humildade, perseverança e universalidade da misericórdia divina.
NESSE EPISÓDIO: Jesus deixa a região da Galileia e dirige-se aos territórios de Tiro e Sidom, localidades habitadas predominantemente por gentios. Tal deslocamento possui grande significado, pois demonstra que sua missão já apontava para a universalização da Boa Nova, ainda que respeitando a ordem pedagógica do plano divino.
A mulher que se aproxima é identificada como cananeia. Pertencia a um povo historicamente considerado inimigo de Israel, sendo vista pelos judeus como estrangeira e impura segundo os costumes religiosos da época. Apesar disso, ela rompe todas as barreiras sociais, culturais e religiosas para aproximar-se do Mestre.
O PRIMEIRO ASPECTO MARCANTE: consiste em sua extraordinária demonstração de fé.
Ela não pede riquezas, privilégios ou reconhecimento. Seu único objetivo é a libertação da filha, gravemente atormentada. Sua dor maternal supera qualquer orgulho pessoal.
Ela clama:
"Senhor, Filho de Davi, tem misericórdia de mim."
Ao chamá-lo de "Filho de Davi", reconhece nele o Messias esperado por Israel, revelando uma compreensão espiritual que muitos contemporâneos judeus ainda não possuíam.
O SILÊNCIO INICIAL DE JESUS: frequentemente causa estranheza.
O Evangelho informa que Jesus não lhe respondeu palavra.
Esse silêncio, porém, jamais representa indiferença.
Trata-se de um recurso pedagógico. Jesus permite que a fé daquela mulher se manifeste em toda sua intensidade, tornando-se exemplo para os discípulos e para todas as gerações futuras.
Os próprios discípulos, incomodados pela insistência dela, pedem que o Mestre a despeça.
Aqui surge outro ensinamento.
Enquanto os homens enxergavam um incômodo, Jesus via uma alma preparada para oferecer uma das maiores demonstrações de confiança registradas nas Escrituras.
A FRASE SOBRE OS FILHOS E OS CACHORRINHOS: deve ser compreendida dentro da linguagem cultural do século primeiro.
Jesus afirma:
"Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos."
Longe de representar desprezo, a expressão utiliza uma comparação doméstica comum na época. O termo empregado no texto grego refere-se aos pequenos cães da casa, e não a animais selvagens.
A mulher compreende perfeitamente o sentido da metáfora.
Ela não reage com orgulho.
Não se ofende.
Não abandona sua esperança.
Ao contrário, responde com uma humildade admirável:
"Sim, Senhor, mas também os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa de seus donos."
NESSA RESPOSTA: encontra-se um dos maiores monumentos espirituais da literatura evangélica.
Ela reconhece que basta uma única migalha da misericórdia divina para transformar completamente uma existência.
Sua confiança não depende da quantidade da graça recebida.
Ela sabe que o poder de Cristo é infinito.
Uma migalha proveniente do amor divino possui mais força do que todas as riquezas humanas reunidas.
JESUS, ENTÃO, revela o verdadeiro objetivo daquele diálogo.
Ele declara diante de todos:
"Ó mulher, grande é a tua fé. Faça-se contigo como desejas."
Na mesma hora, sua filha foi curada.
Não houve imposição das mãos.
Não houve contato físico.
Não houve cerimônia.
A cura ocorreu pela força da fé sincera aliada à vontade divina.
SOB A ÓTICA DA DOUTRINA ESPÍRITA: esse episódio adquire significado ainda mais profundo.
Allan Kardec ensina, em "O Evangelho segundo o Espiritismo", capítulo dezenove, que a fé verdadeira não consiste em aceitar cegamente determinadas crenças, mas em possuir confiança raciocinada nas leis de Deus.
A mulher cananeia exemplifica precisamente essa fé.
Sua perseverança demonstra que a oração sincera jamais se perde.
Ainda que a resposta pareça tardar, Deus jamais abandona aqueles que perseveram no bem.
Além disso, o episódio evidencia que não existem privilégios espirituais baseados em raça, nacionalidade ou tradição religiosa.
Perante as leis divinas, o mérito pertence ao Espírito.
Jesus não premia a origem daquela mulher.
Premia sua elevação moral.
Sua humildade.
Sua perseverança.
Sua confiança.
OUTRO ENSINAMENTO EXTRAORDINÁRIO: reside na simbologia das migalhas.
Muitos imaginam necessitar de grandes milagres para modificar a própria vida.
Entretanto, basta uma pequena parcela da luz do Cristo para iniciar uma profunda transformação interior.
Uma palavra.
Uma inspiração.
Uma oportunidade de recomeço.
Uma prece feita com sinceridade.
Uma atitude de perdão.
Essas aparentes "migalhas" possuem força suficiente para renovar destinos inteiros quando encontram um coração receptivo.
A MULHER CANANEIA: permanece como símbolo eterno da perseverança diante das dificuldades.
Ela não permitiu que o silêncio a derrotasse.
Não permitiu que o preconceito a afastasse.
Não permitiu que as circunstâncias destruíssem sua esperança.
Sua fé atravessou todas as barreiras humanas até alcançar a misericórdia divina.
ESSA É A GRANDE LIÇÃO DO EVANGELHO: Deus jamais mede o valor de uma criatura por sua posição social, nacionalidade, religião ou passado. O que verdadeiramente alcança o coração do Cristo é a fé perseverante, a humildade sincera e o amor capaz de permanecer firme mesmo diante das aparentes negativas da vida.
FONTES.
"Evangelho de Mateus", capítulo 15, versículos 21 a 28.
Allan Kardec. "O Evangelho segundo o Espiritismo", capítulos dezenove e vinte e sete.
Allan Kardec. "O Livro dos Espíritos", especialmente as questões relativas à Lei de Justiça, Amor e Caridade.
José Herculano Pires. Traduções e estudos da Codificação Espírita.
Léon Denis. "Depois da Morte".
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O TÚMULO VAZIO.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Quando a aurora, em véus de luz, surgiu cantando,
O céu beijou a terra em gesto sacrossanto;
As flores, em silêncio, estavam a esperar
Aquele que vencera a morte e o sepulcrar.
A pedra, antes pesada, abriu-se docemente,
Qual coração que aprende a amar sinceramente;
Não houve mão humana a romper-lhe a prisão:
Foi Deus quem escreveu a eterna redenção.
O túmulo vazio não fala de partida,
Mas canta a plenitude da imortal vida;
É o berço luminoso da esperança sem fim,
Que floresce em teu peito, em mim e em todo jardim.
Maria, entre perfumes, chorava em oração,
Levando em cada lágrima um rio de aflição;
Buscava entre as sombras o Mestre, o seu Senhor,
Sem ver que a própria Luz vestia-se de amor.
Então uma voz mansa, mais doce que o luar,
Fez toda a sua alma de alegria despertar;
"Maria!" — apenas isso... e o mundo renasceu;
O nome pronunciado abriu caminho ao céu.
Os anjos, silenciosos, guardavam o lugar
Onde a morte aprendera, por fim, a se curvar;
Ali jazia apenas o linho sem calor,
Porque a Vida vencera o império da dor.
Nenhuma sepultura consegue aprisionar
A chama que nasceu para sempre iluminar;
O Cristo não pertence às pedras do jazigo:
Habita o coração de quem o traz consigo.
O túmulo vazio é escola de esperança,
É cântico divino que a alma nunca cansa;
Ensina que a tristeza, por mais que faça o mal,
Jamais será mais forte que o Amor celestial.
Quantos vivem no mundo sepultos sem morrer,
Cobertos pelo medo, sem coragem de viver!
Mas Cristo, ao ressurgir, estende a santa mão
E desperta do sono qualquer coração.
Ressurge quem perdoa, quem sabe compreender,
Quem troca a própria mágoa pelo bem de viver;
Quem planta a caridade onde existia espinho,
Descobre que o Senhor jamais o deixa sozinho.
O túmulo vazio é altar da eternidade,
Onde repousa apenas a antiga humanidade;
O Homem Novo nasce na manhã da redenção,
Vestindo a luz celeste da sublime afeição.
Não choremos a pedra que um dia se moveu;
Celebremos a Vida que para sempre venceu.
Quem ama nunca morre, apenas muda o véu,
Prossegue iluminado nas amplidões do Céu.
Que cada dor terrestre, em sua noite fria,
Transforme-se em semente da eterna alegria;
Pois Cristo nos demonstra, com divina amplidão,
Que a morte é só a porta da ressurreição.
E quando o nosso corpo tombar exausto ao chão,
Sem força, sem palavras, sem última canção,
Lembremos do sepulcro vazio ao amanhecer:
Em Deus ninguém termina... apenas vai nascer.
QUANDO O ESPIRITISMO NÃO PODE CEDER. A FIRMEZA DOUTRINÁRIA DIANTE DAS TENTATIVAS DE DESCARACTERIZAÇÃO.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
_ESPIRITISMO NÃO É IGREJA. A DEFESA DA CODIFICAÇÃO CONTRA O IGREJISMO.
_O ESPIRITISMO NÃO MUDARÁ PARA AGRADAR NINGUÉM.
Antes de tudo, é importante estabelecer uma distinção que preserva a honestidade intelectual e o respeito à liberdade de consciência. Toda pessoa possui o direito inalienável de mudar de religião, abandonar o Espiritismo ou abraçar qualquer outra crença. Esse direito é legítimo e deve ser respeitado. O próprio Allan Kardec jamais propôs uma fé coercitiva, nem desejou discípulos presos por conveniência ou tradição. A liberdade de consciência constitui um dos pilares da Doutrina Espírita.
Todavia, uma questão inteiramente diversa surge quando alguém abandona o Espiritismo, adota outra confissão religiosa e, posteriormente, pretende reintroduzir no Movimento Espírita os conceitos, ritos, crenças e práticas da nova religião que passou a professar. Nesse ponto, deixa de existir uma simples mudança de convicção pessoal para surgir uma evidente incompatibilidade doutrinária.
Nada há contra quem escolha outro caminho espiritual. O problema não está em partir, mas em querer alterar aquilo que permaneceu. O Espiritismo não pertence aos seus adeptos. Pertence aos princípios estabelecidos por Allan Kardec mediante um método rigoroso de observação, experimentação, comparação e controle universal dos ensinos dos Espíritos. Nenhum indivíduo, por mais influente que seja, recebeu autorização para remodelar a Codificação segundo suas preferências pessoais.
José Herculano Pires advertia que a descaracterização do Espiritismo frequentemente começa de maneira discreta. Introduz-se um costume aparentemente inofensivo, acrescenta-se uma prática sentimental, incorpora-se um rito importado de outra tradição religiosa e, pouco a pouco, a identidade doutrinária vai sendo dissolvida. O resultado final é um Espiritismo apenas de nome, mas profundamente estranho ao pensamento de Kardec.
Essa tentativa de conciliar princípios inconciliáveis produz uma contradição difícil de sustentar. Quem sinceramente concluiu que outra religião corresponde melhor às suas convicções possui toda a liberdade para nela permanecer, divulgá-la e vivê-la. O que não encontra justificativa lógica é utilizar o nome do Espiritismo para difundir ideias que a própria Codificação não ensina. Isso deixa de ser evolução doutrinária para tornar-se adulteração doutrinária.
Não se trata de intolerância. Trata-se de identidade. Assim como ninguém exigiria que a matemática abandonasse seus axiomas para acomodar opiniões particulares, também não se pode exigir que o Espiritismo renuncie aos seus fundamentos para satisfazer preferências individuais. Doutrinas possuem identidade. Sem ela, deixam de existir.
A Codificação Espírita não admite a introdução de corpos estranhos em sua estrutura conceitual. Kardec construiu um edifício doutrinário coerente, no qual ciência, filosofia e consequências morais se harmonizam segundo uma lógica interna rigorosa. Inserir elementos incompatíveis rompe essa coerência e compromete todo o conjunto.
Por essa razão, Herculano Pires insistia na necessidade de uma firmeza doutrinária serena, mas inegociável. Defender Kardec não significa idolatrar um homem, mas preservar um método. O Espiritismo jamais foi apresentado como um sistema aberto à incorporação indiscriminada de ritos, sacramentos, objetos sagrados, fórmulas litúrgicas, superstições, crenças mágicas, dogmas de autoridade ou práticas exteriores herdadas de outras tradições religiosas.
Quem desejar organizar uma nova corrente espiritual possui inteira liberdade para fazê-lo. Pode fundar uma associação, um movimento filosófico ou mesmo uma nova religião. A liberdade de pensamento garante esse direito. O que não se pode fazer, intelectual e moralmente, é atribuir a Allan Kardec aquilo que ele nunca ensinou, ou apresentar como espírita aquilo que contradiz frontalmente a Codificação.
O Espiritismo não necessita adaptar-se às sensibilidades passageiras de cada época para permanecer vivo. Sua força reside exatamente na estabilidade de seus princípios. As descobertas científicas podem ampliar a compreensão dos fenômenos, conforme previu Kardec em "A Gênese", mas jamais autorizam a substituição dos fundamentos doutrinários por dogmas exteriores ou práticas ritualísticas. Evoluir não significa descaracterizar-se.
Há, portanto, uma diferença decisiva entre progresso e deformação. O progresso aprofunda a compreensão da verdade sem destruir seus alicerces. A deformação modifica os próprios fundamentos até que a identidade original desapareça. É essa segunda hipótese que Herculano Pires combateu durante toda a sua vida intelectual.
O Espiritismo jamais mudará seus princípios para agradar este ou aquele expositor, dirigente, médium ou grupo. A verdade doutrinária não se submete à popularidade nem às preferências individuais. Allan Kardec pertence à História da Doutrina, não às conveniências do momento. Enquanto existirem espíritas comprometidos com o estudo sério das obras fundamentais, permanecerá vivo o compromisso de preservar, com firmeza, responsabilidade e lucidez, a integridade da Codificação contra toda tentativa de descaracterização.
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