OS MÉDIUNS DE EFEITOS FÍSICOS NO... Marcelo Caetano Monteiro
OS MÉDIUNS DE EFEITOS FÍSICOS NO ESPIRITISMO BRASILEIRO. QUANDO OS FENÔMENOS OCORRIAM SEM A VONTADE DO MÉDIUM.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
O estudo da mediunidade demonstra que nem todos os fenômenos dependem da vontade consciente do médium. Desde as pesquisas pioneiras de Allan Kardec, verificou-se que muitos fenômenos surgem espontaneamente, independentemente do desejo daquele que lhes serve de intermediário. Essa realidade foi amplamente documentada em "O Livro dos Médiuns" e na "Revista Espírita", obras nas quais Kardec explica que a faculdade mediúnica é orgânica e natural, podendo manifestar-se antes mesmo de o indivíduo compreender sua origem.
No Brasil, diversos médiuns experimentaram esse tipo de ocorrência. Embora tenham se tornado conhecidos pela psicografia, pela psicofonia, pela vidência ou pelos efeitos de cura, muitos relataram que os primeiros fenômenos surgiram involuntariamente, causando surpresa, receio e, em alguns casos, profundo sofrimento até que encontrassem orientação doutrinária.
A MEDIUNIDADE NÃO SE SUBMETE À VONTADE HUMANA.
Em "O Livro dos Médiuns", Kardec esclarece que ninguém se torna médium simplesmente porque deseja, tampouco deixa de sê-lo apenas por querer. A faculdade mediúnica decorre da constituição orgânica e perispiritual do indivíduo, sendo regulada por leis naturais.
Em muitas ocasiões, o médium percebe ruídos inexplicáveis, movimentação de objetos, percepções espirituais, sonhos lúcidos, visões, inspirações ou comunicações espontâneas sem qualquer intenção consciente de produzi-las.
Esse princípio afasta completamente a ideia de fraude sistemática ou de produção deliberada dos fenômenos, distinguindo a mediunidade autêntica das manifestações provocadas pela imaginação.
CHICO XAVIER. A MEDIUNIDADE ESPONTÂNEA DESDE A INFÂNCIA.
Chico Xavier talvez seja o exemplo brasileiro mais conhecido.
Desde criança via Espíritos, conversava com eles e sofria incompreensão familiar. Não desejava tais experiências, mas elas aconteciam repetidamente.
Entre os episódios documentados encontram-se:
"Visões constantes de Espíritos."
"Comunicações espontâneas."
"Inspirações involuntárias."
"Psicografia que surgia independentemente de planejamento."
Seu desenvolvimento mediúnico ocorreu somente após estudo, disciplina e orientação em centros espíritas, conforme recomendava Kardec.
ZILDA GAMA. PSICOGRAFIA INVOLUNTÁRIA.
Zilda Gama iniciou sua mediunidade ainda jovem.
Relatava receber mensagens que não conseguia impedir de escrever. Muitas vezes, sentia intenso impulso para registrar comunicações cuja origem desconhecia inicialmente.
Posteriormente tornou-se uma das mais respeitadas médiuns psicógrafas do Brasil.
YVONNE A. PEREIRA. SOFRIMENTO MEDIÚNICO DESDE A INFÂNCIA.
Yvonne do Amaral Pereira descreveu detalhadamente suas experiências.
Desde menina via Espíritos, escutava vozes e experimentava desdobramentos durante o sono.
Esses fenômenos ocorriam sem qualquer intenção pessoal e somente foram compreendidos quando passou a estudar a Codificação Espírita.
Ela mesma advertia que a educação mediúnica era indispensável para evitar desequilíbrios.
PEIXOTINHO. EFEITOS FÍSICOS ESPONTÂNEOS.
Carmine Mirabelli e Francisco Peixoto Lins tornaram-se conhecidos principalmente pelos fenômenos de efeitos físicos.
No caso de Peixotinho, diversos pesquisadores relataram fenômenos de materialização, transporte de objetos e manifestações luminosas durante reuniões mediúnicas.
Embora esses fenômenos fossem posteriormente organizados em ambiente experimental, sua faculdade manifestou-se espontaneamente antes do completo domínio disciplinar.
CARMINE MIRABELLI. FENÔMENOS INVOLUNTÁRIOS.
Mirabelli constitui um dos casos mais estudados da mediunidade brasileira.
Desde jovem apresentava:
"Levitações."
"Movimentação espontânea de objetos."
"Escrita automática."
"Xenoglossia."
"Materializações."
Muitos desses episódios ocorriam sem que ele os provocasse conscientemente, despertando a atenção de médicos, cientistas e pesquisadores nacionais e estrangeiros.
O QUE KARDEC ENSINA.
Kardec afirma que:
"A mediunidade não representa santidade."
"Não constitui privilégio moral."
"Pode manifestar-se em qualquer pessoa."
"Necessita educação, disciplina e finalidade útil."
"O fenômeno isolado jamais basta para comprovar uma verdade espiritual."
Por isso, o Espiritismo valoriza muito mais as consequências morais do que o espetáculo dos efeitos físicos.
EXEMPLOS DE FENÔMENOS ESPONTÂNEOS.
Entre as manifestações registradas na literatura espírita destacam-se:
"Batidas inteligentes."
"Movimentação de móveis."
"Apports, ou transporte de objetos."
"Psicografia automática."
"Psicofonia involuntária."
"Vidência."
"Audiência espiritual."
"Desdobramento durante o sono."
"Curas mediúnicas."
"Materializações em reuniões especializadas."
A IMPORTÂNCIA DO ESTUDO.
Kardec jamais recomendou que alguém buscasse fenômenos extraordinários.
Ao contrário, ensinou que toda faculdade mediúnica deve ser submetida ao estudo, ao controle universal do ensino dos Espíritos, ao exame racional e à observação criteriosa.
Quando surgem espontaneamente, os fenômenos constituem oportunidade de aprendizado, jamais motivo para vaidade, superstição ou fanatismo.
Os maiores médiuns brasileiros demonstraram justamente essa postura. Em vez de explorar o extraordinário, dedicaram suas vidas à caridade, ao estudo e ao aperfeiçoamento moral, confirmando que a verdadeira grandeza da mediunidade não reside no fenômeno em si, mas no serviço prestado ao próximo.
FONTES:
"Allan Kardec", "O Livro dos Médiuns".
"Allan Kardec", "Revista Espírita".
"Allan Kardec", "Obras Póstumas".
"Hermínio C. Miranda", estudos sobre mediunidade.
"Yvonne do Amaral Pereira", obras autobiográficas e mediúnicas.
"Ranolfo Prata", biografia de Chico Xavier.
"Elias Barbosa", "No Mundo de Chico Xavier".
"Canuto Abreu", pesquisas sobre Carmine Mirabelli.
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