Use o Silencio quando Ouvir

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As Margens do Silêncio


Sento às margens do rio para refletir. A água tranquila funciona como um espelho e devolve a minha própria imagem – nítida, brilhante, revelando instintos expostos, emoções desordenadas. Sei que o tempo guarda todas as respostas, mas, mesmo entendendo o cenário ao meu redor, não consigo ouvi-las. O que escuto é apenas o silêncio, um silêncio que se acomoda ao meu lado como uma companhia serena, quase amigável.


É então que, como um filme silencioso, vejo teu semblante surgir na memória. Há tristeza, amargura, cansaço. Há um peso que não consigo explicar. Um nó, sobe pela minha garganta, apertando como se mãos invisíveis tentassem impedir que qualquer palavra escapasse. As lágrimas contidas, pedem libertação. E como finalmente permito que venham, elas deslizam pelo meu rosto e molham minha pele, levando consigo um pouco do que me sufoca. O sorriso que sempre esteve estampado em mim, desaparece – some sem aviso, como truque de ilusionista.


Sinto o frescor da manhã tocando meu rosto, como se fossem mãos suaves acariciando minha pele. A natureza ao redor transforma o espaço em um refúgio, um pequeno abrigo onde posso descansar meu corpo e aliviar a mente. Meus pés tocam de leve a água e, ao mínimo movimento, círculos se formam, desenhando imagens que lembram mandalas – figuras quase sagradas, que parecem guardar em si algo de cura.


Encontro ali um momento raro de paz, entre o vento que passa devagar e a correnteza da água. Não consigo explicar o que sinto, pois, naquele momento não preciso mostrar minha fortaleza. Continuo a observar a água, ouvindo o silêncio e pouco a pouco o mundo dentro de mim se reorganiza.

Sinais do Silêncio


Ele, também poderia se retratar – entrar em contato, dizer que a saudade consumiu os seus dias. Que o seu corpo sentiu a mesma intensidade que o meu. Dizer que tudo não passou de um mal-entendido, explicar as suas razões, de ter sumido, talvez deixar clara a situação.


Desmontar toda essa confusão e revelar o que se passa dentro do seu coração. Esses mal-entendidos poderiam ser esclarecidos. Eu poderia tentar entendê-lo. Mostrar que tudo o que se passou foi intenso, sublime. Mostrar que fui importante.


Entendo que talvez o sentimento seja apenas de minha parte. Mas então, porque há invasão em meus pensamentos? Invasão em meus dias ternos e serenos? Tudo vira uma revolução, uma guerra interior, quando, sem permissão, ele vem - sem ser convidado.


Há pendências batendo à porta. Esse estranho caminho que me conduz por encruzilhadas desconhecidas, me mantém em alerta.
Os sinais que a vida dá são claros. Dizem tudo o que eu preciso saber. Mostram caminhos.


Rita Padoin
Escritora

Falésias do Meu Silêncio


Falésias íngremes, no meio do nada, fazem morada. Meu olhar se perde entre o vazio e o instante de inspiração. As rochas parecem mortas, mas, ao observá-las atentamente, vejo que há vida, há história, há beleza, há transformação, há mistério. Isso acontece quando conseguimos abrir as cortinas internas, e captar a essência que ali habita – o verdadeiro remédio da cura.


Cada passo traz a sensação de que estamos lutando por um lugar onde possamos, enfim, nos encaixar. Nos limites do tempo, há um intervalo silencioso à espera de que compreendemos seu ensinamento e sua postura diante da pressa daqueles que tentam seguir sem perceber.


Meus passos estão, a cada dia, mais lentos. Não quero mais correr. Não quero ter pressa. Não quero tropeçar. Quero entender. Quero mudar. Quero viver intensamente, sem ter que olhar para trás e revisitar o passado. Quero um olhar voltado ao futuro – um olhar de sucesso, de vida que me espera.
Hoje, penso apenas no agora e no que está por vir...


Rita Padoin

A resiliência de quem aguenta um ambiente tóxico raramente é escolha; quase sempre é o silêncio imposto pela necessidade de pôr comida na mesa. Onde a fome aperta, o orgulho não tem vez; suportar o insuportável vira o preço que se paga pelo sustento. Poder escolher onde trabalhar é um privilégio; para muitos, o crachá é a única barreira entre a dignidade da família e o desespero da falta. Ninguém aceita o peso de um ambiente ruim por vontade, mas pelo medo de ver o prato vazio."

Carta V — O Silêncio de Deus:
Confronto com o divino e o mal


Na moldura do vazio pintei o nome de Deus.


Chamei por Ele, e não me respondeu. Gritei desesperadamente, como quem está num avião em queda: clamei, clamei, clamei… mas a resposta foi silêncio total.


Deus é cúmplice ou redentor? Foi esta a questão que me fiz.


Pois quem assiste à maldade e a tolera pratica-a indiretamente da mesma maneira.


Cada palavra que eu exprimia transformava-se em julgamento, como se tudo o que suplicasse fosse motivo de pura rejeição. Onde estás, Senhor? Dez anos já se passaram, mas a tua presença continua indetectável e imperceptível. Por que permites que os reis desta terra prevaleçam sobre os justos? Que provas de amor precisas para que o mal se torne defunto?


Somos apenas carne; a qualquer momento iremos apodrecer. E, como uma flor murcha, também haveremos de perecer.


Os que te confrontam perecem; mas por que os reis da terra até hoje permanecem?
Houve silêncio total no céu, como se nele já não habitasse ninguém. E eu, na angústia do meu pavor, caí em tristeza. A escuridão daquele lugar parecia um eclipse.

Enterrei-me nas tumbas do meu desespero. Aflito e com medo, destruí os pedaços de esperança que ainda preservava comigo. Se ainda restassem lágrimas nos meus olhos, nada me consolaria mais do que derramá-las por desgosto. Em situações em que Deus é necessário, há ausência, há silêncio. Nos momentos menos tristes da vida, confirma-se a sua presença.


"Afinal, quem é o carrasco: aquele que provoca o sofrimento ou aquele que o observa e nada faz?"


"Pois onde não há luz, não há sombra."


Não é o crime que existe por causa da lei; caso contrário, já teria desaparecido depois da criação dela.


Ao contrário: "só existe lei porque existe crime, sendo este anterior à lei."


De igual modo, parece que só existe o mal porque existe Deus — porque Deus é anterior ao mal. Eles não coexistem da mesma maneira. O conflito espiritual sempre pressupôs antagonismos:


"O bem (a luz) e o mal (as trevas). E nós herdámo-los de quem nos criou."


Todavia, por que temos de pagar por tudo o que nos foi entregue de mal? Por que os justos sofrem nas mãos dos iníquos? Quem sustenta a maldade dentro de nós: aquele que nos criou ou aquele que nos tenta dominar?


E mesmo assim não houve respostas.


O céu assombrou-se com as minhas perguntas e retirou-se da minha face. Deus abandonou-me no vale da morte, enquanto anjos entoavam salmos de glória. Chorei, chorei, chorei… mas não caíram lágrimas, tampouco sangue. Já se haviam esgotado.


"E, enquanto rogava a Deus por uma saída, traçava-se o meu destino para a morte."

Perfeito amor,
mas com o peito em silêncio,
como um céu bonito que esqueceu de chover, carrego teu nome em cada batida escondida, mesmo quando finjo que já deixei de te querer.


Teu toque ainda vive nos espaços vazios, nos cantos da alma onde ninguém mais entrou,
e esse coração,
que por fora parece inteiro,
por dentro só sabe amar
o que já se foi.


É estranho sentir tanto e ainda faltar tudo, como se o amor fosse chama sem calor, um abraço que existe só na memória, um “pra sempre”
que não sobreviveu à dor.


Mas ainda assim,
se me pedissem de novo,
eu te escolheria sem pensar em fugir, porque até no vazio que você deixou em mim, existe um amor que nunca aprendeu a partir.

Existe uma dor que não grita… ela fica em silêncio, morando no peito todos os dias.

É a dor de saber que quem você mais ama está em um lugar onde o medo é rotina e a incerteza é constante.

Ter um filho na guerra não é só sentir saudade…
é aprender a conviver com o invisível, com o que ninguém vê, mas que machuca o tempo inteiro.

Mas, junto com essa dor, existe algo que me sustenta: o orgulho.

Orgulho pela coragem dele.
Pela força que eu sei que carrega.
Pelo homem que se tornou, mesmo em meio ao caos.

Eu sinto medo… todos os dias.
Mas também sinto um amor que nenhuma guerra é capaz de destruir.

E é esse amor que me mantém de pé.

Dra. Erica Alvim Lyra

Suportar em silêncio é virtude suprema. Nem toda luta precisa de testemunhas — basta que você permaneça fiel ao que controla: si mesmo.

⁠É difícil ter que calar, ensinar sem falar, viver sem se doar, sorrir para não chorar e em silêncio... esperar, esperar, esperar...

Tem dias que Deus não responde.
E isso dói.
Mas talvez…
Ele não esteja em silêncio…
só esteja agindo onde você não vê.
Porque nem sempre Ele tira da luta…
às vezes Ele só sustenta dentro dela.




_ João Maia _

O silêncio incomoda…
porque nele não tem distração.
Só você…
seus pensamentos…
e tudo aquilo que você evita encarar.
Mas é ali…
que a verdade aparece.



_ João Maia _

"O silêncio não é vazio; é uma armadura feita de tudo o que eu não preciso provar."

Meu silêncio contempla o que há de mais belo na natureza.
Reno Fioraso

Não é um vírus que vai acabar com a humanidade, mas sim o silêncio!

Conversem!
Conversem sempre
sobre tudo!
Porque o silêncio são pedras.
E pedras são muros, e muros dividem.

Toda árvore fala, mesmo em silêncio; seus frutos são sua voz.

Sob o espectro da perspectiva externa, muitos não enxergam o que sustenta o meu silêncio

Entre os pilares que sustentam a dignidade estão o silêncio e a discrição. Na alegria, silêncio — pois é quando menos se espera que o excesso se volta contra quem o exibe. Na dificuldade ou na ruína, discrição — porque nem todos permanecem diante do que não brilha. Saber calar e saber resguardar-se é preservar o que há de mais íntimo quando o mundo oscila entre o aplauso e o abandono.

O silêncio do afastar-se é o ensinamento de que teu “eu” merece mais do que uma contínua permanência ao lado de quem não enxergou-te como uma parte, nisso, não merece o seu “todo”.

Palavras, na maioria das vezes são mal interpretadas, por isso, faça silêncio ou evite conversar com pessoas insensíveis, ignorantes! Pare de se preocupar em mostrar seu ouro para cegos!