Urgência Emocional
Sinto a urgência de dizer as coisas antes que se percam.
A vida me parece uma despedida escrita em movimento,
capítulo após capítulo, sem rascunho definitivo.
Posso crer no que quiser — eternidade, alma, paraísos.
Mas, de concreto, só me foi dada esta travessia:
começo, meio e um único desfecho.
É o limite que torna tudo raro.
Existir uma vez exige atenção às muitas chances do agora.
Por isso, não deposito fé cega na promessa do amanhã.
Trocar o presente por uma possibilidade futura
é um investimento frágil demais para algo tão sério quanto viver.
Não adio palavras necessárias.
Digo meus “sins”, sustento meus “nãos”.
Cuido do que merece memória
e deixo o resto ir sem alarde.
Arrisco-me.
Lanço meus dados diariamente.
Escrevo-me, risco-me, reescrevo-me —
até que a carta, enfim, encontre seu ponto final.
Que amemos com a urgência com que o fogo se apaga. Na maneira como uma palavra jogada ao acaso gera um sorriso em um estranho. Como o espaço onde, por fim, tudo é possível. E esse 'ter sido', efêmero e sem testemunha, se torne nosso mais ousado ato de amor...
Se soubesses o fogo que guardo por ti, entenderias a urgência do meu silêncio.
Desejo queima como brasa viva, pede abrigo no teu abraço e encontra paz na tua pele.
Quero o calor da tua presença, o sopro que desfaz a minha solidão e acende cada canto esquecido.
Vem, mulher de fogo, acalenta esta carência com a tua proximidade; deixa que os nossos corpos falem em silêncio.
Beija-me com a pressa de quem não tem tempo a perder; risca em mim as marcas do teu querer.
Entrego-me ao impulso, sem culpa, só com a verdade crua do desejo — voraz, urgente, por ti mulher encantadora.
Eu a amo com carinho desejo
Todos os meus dias
Eu a amo com carinho desejo
Todos os meus dias
Quando tudo vira urgência na vida,
Não se tem como descansar,
Mesmo exaurida,
A alma precisa continuar.
Não é desorganização,
é desespero, não despreparo.
É viver com aquele aperto no coração
E um sentimento de desamparo.
Desratificação do Setor Público
O Brasil necessita, com urgência, de um banho civilizatório, que não se traduza em autoritarismo, mas em compromisso ético, jurídico e institucional com os valores fundantes da República. A segurança pública confiável nasce da educação, da cultura, da justiça eficiente e, sobretudo, da erradicação da corrupção que drena recursos, destrói políticas públicas e mata silenciosamente.
A “desratização” da vida pública significa retirar de circulação — pelos meios legais e constitucionais — os bandidos de todas as etiquetas: dos gabinetes refrigerados aos becos esquecidos, dos colarinhos brancos aos uniformes manchados pela desonra. Significa reafirmar que o poder público não é trincheira de privilégios, mas instrumento de realização do bem comum.
Minha maior força é estar onde a vida pede urgência: na defesa e proteção de crianças, adolescentes e mulheres. Já colaborei com o TMJ UNICEF, faço parte da Rede Mulheres do Brasil e atuo no Mapa do Acolhimento, oferecendo escuta, acolhimento e orientação a mulheres em situação de violência. É nessa missão que encontro meu verdadeiro lugar.
Desisti da urgência.
Agora eu ando no meu ritmo, atento ao chão e ao que eu sinto.
Não corro atrás de um “lá” — meu ponto de chegada sempre foi aqui.
Eu sigo e, ao mesmo tempo, sou o caminho.
Fico impressionado com a urgência do fazer. O saber não é suficiente; devemos aplicá-lo. Ter a disposição não é suficiente; devemos fazer.
“Teu corpo contra o meu dissolve qualquer pudor, e o que sobra é só a urgência de sentir, sem pressa, sem culpa, até perder o fôlego.”
O Eclipse de Mim
Eu entrei no seu mundo com a urgência de quem carrega um farol. Fiz uma promessa silenciosa — e talvez imprudente — de que nenhuma sombra sua seria maior do que a minha vontade de te ver bem. Segurei sua mão com força, acreditando que o meu calor seria suficiente para dissipar o seu inverno.
O problema de tentar iluminar um abismo é que, aos poucos, a gente esquece como é a luz do sol.
Caminhei tanto tempo no seu escuro, tateando as suas dores e tentando organizar o seu caos, que os meus olhos se acostumaram com a ausência de cor. No meio do caminho, o brilho que eu tinha foi sendo consumido pelo esforço de te guiar.
Hoje, a mão que guiava é a mesma que tateia as paredes, em busca de uma saída.
Percebi, da maneira mais dolorosa, que ninguém pode ser o sol de outra pessoa sem acabar em cinzas. Eu me perdi no labirinto que você criou. E agora, com a voz rouca de tanto gritar direções que você não quis seguir, eu finalmente entendi: o meu resgate precisa ser a minha prioridade.
Estou soltando a sua mão. Não por falta de amor, mas por falta de fôlego. Agora, sou eu quem precisa encontrar o caminho de volta para casa.
Ser prioridade… muitas vezes precisamos aprender, com urgência, a valorizar quem verdadeiramente nos dá prioridade, quem nos coloca na rotina não como obrigação, mas como escolha, pessoas que, no meio do caos do dia, encontram um espaço para enviar uma mensagem, perguntar se estamos bem, compartilhar um simples meme só para arrancar um sorriso, gente que tira tempo, porque quer, para fazer parte da nossa vida, porque ser prioridade não está nas promessas bonitas, mas na constância dos gestos, está em quem demonstra, em quem se faz presente, em quem nos inclui sem precisar ser cobrado, é na amizade que não nasce do interesse, mas do cuidado sincero, é em quem prova, nas atitudes diárias, que realmente importamos, quem ama de verdade não ama apenas em palavras; ama em ações, em presença, em escolhas repetidas todos os dias.
A urgência da paz e da tolerância no mundo contemporâneo é evidente diante dos conflitos políticos, religiosos e culturais que marcam a atualidade. Em um cenário globalizado, diferenças deveriam promover diálogo, mas frequentemente geram violência e intolerância. A paz não significa ausência de conflitos, mas a capacidade de resolvê-los com respeito e empatia. A tolerância, por sua vez, exige reconhecer e valorizar a diversidade humana. Investir em educação, justiça social e direitos humanos é essencial para construir sociedades mais pacíficas. Governos, instituições e cidadãos devem agir de forma responsável, combatendo discursos de ódio e promovendo o respeito mútuo. Somente assim será possível garantir um futuro mais harmonioso, onde as diferenças sejam vistas como riqueza e não como ameaça, fortalecendo a convivência pacífica entre os povos e assegurando dignidade para todos no planeta Terra. Além disso, a cooperação internacional torna-se fundamental para enfrentar desafios comuns, como crises ambientais e humanitárias, reforçando a solidariedade global e prevenindo novos conflitos armados devastadores futuros.
Quando a saúde falha e a fragilidade se revela, toda disputa perde o sentido. A única urgência legítima é cuidar, sem holofotes, sem vaidade, sem proveito.
Anatômico
A vida que se faz entre os ventrículos
urgência silenciosa
um motor cego,
engenharia bruta sem licença,
transmuta o mundo sem sossego
Houve o silêncio,
o quase,
o não querer,
a porta estreita
o sopro hesitou
mas o sangue,
rio teimoso no dever,
insiste, insiste
em canais apertados encontra caminho
Milagre pesado,
sem seda, sem ornamento
batida seca contra a grade das costelas
uma aposta alta
onde a alma não cede,
não cede,
e acende no escuro
as próprias velas
O átrio recebe o medo,
o ventrículo devolve vida,
gramática de carne indizível
Pela fresta da pálpebra
a dor cedeu
e o soco do peito bate, bate, bate
até fabricar luz.
Carina Gameiro
O que rege às normas de conduta da sociedade (especialmente brasileira) é a extrema urgência de convencer às pessoas, do quão és magnífico. Ser por ser, é como se fosse um monólogo consigo mesmo. Não tem representatividade, porque não existe distanciamento do objeto consagrado.
191225
O toque chama — insiste — repete,
um eco metálico no vazio,
como se minha urgência fosse leve,
como se meu tempo fosse frio.
Do outro lado, silêncio.
Um silêncio que pesa, que arranha,
que cresce dentro do peito
feito algo que não se ganha.
Não é só a ligação perdida,
não é só o “depois eu vejo”,
é o desprezo que se insinua
como um gesto sem apreço.
Porque ali vai meu trabalho,
minha pressa, minha razão,
e volta apenas o nada
ocupando a conexão.
E então nasce uma chama breve,
bruta, rápida, voraz —
um impulso de quebrar o mundo
pelo respeito que não se faz.
Mas no fundo, o que grita mesmo
não é raiva — é ser ouvido,
é querer que, do outro lado,
exista alguém comprometido.
O pensamento que se aprofunda não produz certezas — dissolve a urgência por elas. À medida que a interrogação se sustenta sem colapso ansioso, o ego aprende a tolerar a incerteza sem convocá-la como ameaça. Bion chamou de capacidade negativa — tomando o termo de Keats — a aptidão de permanecer em dúvida e mistério sem irritável alcance por fato e razão. Não é ignorância: é diferenciação madura entre o que exige solução e o que exige presença. A inteligência não se mede pelas respostas acumuladas, mas pela serenidade com que o sujeito habita o que ainda não se resolveu — e talvez nunca se resolva.
Perdi você
Na urgência do ganhar, perdi você,
quando a dor brinca, o drama ganha,
o coração que persegue o futuro com muita sede é comido pela fome do presente vazio, já a boca que tem proximidade com os sentimentos de outra boca ao ponto de sentir sua respiração, essa implora por uma paralisia instantânea do tempo na busca do deja vu do momento,
a cachoeira cai, as plantas choram, o rio corre, a saudade é densa,
na falta que abala o incrível é sobreviver.
