Um Poema para as Maes Drummond
A fábrica do poema
SONHO O POEMA DE ARQUITETURA IDEAL
CUJA PRÓPRIA NATA DE CIMENTO
ENCAIXA PALAVRA POR PALAVRA, TORNEI-ME PERITO EM
EXTRAIR
FAÍSCAS DAS BRITAS E LEITE DAS PEDRAS.
ACORDO;
E O POEMA TODO SE ESFARRAPA, FIAPO POR FIAPO.
ACORDO;
O PRÉDIO, PEDRA E CAL, ESVOAÇA
COMO UM LEVE PAPEL SOLTO À MERCÊ DO VENTO E EVOLA-SE,
CINZA DE UM CORPO ESVAÍDO DE QUALQUER SENTIDO
ACORDO, E O POEMA-MIRAGEM SE DESFAZ
DESCONSTRUÍDO COMO SE NUNCA HOUVERA SIDO.
ACORDO! OS OLHOS CHUMBADOS PELO MINGAU DAS ALMAS
E OS OUVIDOS MOUCOS,
ASSIM É QUE SAIO DOS SUCESSIVOS SONOS:
VÃO-SE OS ANÉIS DE FUMO DE ÓPIO
E FICAM-ME OS DEDOS ESTARRECIDOS.
METONÍMIAS, ALITERAÇÕES, METÁFORAS, OXÍMOROS
SUMIDOS NO SORVEDOURO.
NÃO DEVE ADIANTAR GRANDE COISA PERMANECER À ESPREITA
NO TOPO FANTASMA DA TORRE DE VIGIA
NEM A SIMULAÇÃO DE SE AFUNDAR NO SONO.
NEM DORMIR DEVERAS.
POIS A QUESTÃO-CHAVE É:
SOB QUE MÁSCARA RETORNARÁ O RECALCADO?
FELICIDADE A DOIS
Se querem a felicidade a dois
não casem pela aparência –
esta é como bijuteria:
com o tempo perde o brilho...
Se querem a felicidade a dois
não casem por interesse –
pois se a dificuldade vem e demora,
a afetuosidade logo vai embora...
Se querem a felicidade a dois,
pra toda vida, e da cor do arco-íris,
se assumam pra um cuidar do outro,
que só assim, serão mais felizes!
Grito (do cerrado)
Corações cerrados
devaneados
no chão vivido
torto, ressequido
árido
e empoeirado.
Que crasta
arrasta
queima
sem dilema...
Pari alarido
sofrido
num socorro
caldorro
de miseração,
num grito a destruição...
Chora o cerrado
devastado.
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Setembro, 2017
Cerrado goiano
É o brotar de uma rosa pequena,
Brota de uma tenra raiz.
Nos cantos antigos anunciada,
Fruto de Jessé prometido.
A rosa, pequena e frágil,
abre-se à luz
Com o frio do Inverno
Na escuridão da noite
Rosa, tão pequena,
Enche-nos
do teu doce perfume.
Com o teu brilho claro
Afasta a escuridão.
Verdadeiro homem
e verdadeiro Deus,
Auxílio na nossa dor
Que vens para nos libertar
do pecado e da morte
Ó Jesus!
Que a tua ajuda nos acompanhe
Até à sala do banquete
Do Reino do teu Pai,
Onde para sempre
te louvaremos!
Senhor!
É o que te pedimos.
Acordo com o teu nome na cabeça, antes de fixar o pé no chão, lembro do tempo em que nos procurávamos. Qualquer mensagem era um
assunto que nos aproximava.
Era uma época em que viver por miragens já não se bastava. Porque no meu deserto tu eras oásis.
Vá embora e não olhe pra trás, todos nós fazemos escolhas na vida. O difícil é conviver com elas, e não há quem possa ajudá-lo com isso. Vá.
Até quando Deus parecia ter me abandonado, Ele estava me vigiando. Mesmo quando Ele parecia indiferente ao meu sofrimento, estava vigiando. E quando eu perdi toda a esperança de ser salvo, Ele me deu descanso, me deu um sinal para eu continuar a jornada".
PESSOAS CERTAS FICAM JUNTAS
A busca do whatsapp já sabe de cor as palavras-chaves que eu digito para ouvir aquela sua declaração. Como um filme favorito, eu sei todas as suas falas. E mesmo sabendo o final, eu sempre sinto meu corpo tremer como se fosse a primeira vez.
Como se fosse o nosso primeiro dia.
Você disse: – Você mudou a minha vida, mas não foi bem assim. Se eu abri a porta, você que me deixou entrar. Se te mudei, você que se deixou mudar. Não me dê tanto crédito, posso só ter passado no momento certo e te feito feliz, mas quem se permitiu foi você.
Só não sei como vai ser agora que eu tô indo embora.
Quão bizarro foi me mandar aquela SMS justamente quando eu estava com outro na cama? Ele tinha acabado de dormir e eu peguei o celular para desligar quando piscou a sua mensagem na tela. Você pediu para não te contar se eu ficasse com alguém, então só respondi a sua mensagem e deitei. Nos braços dele. Depois de ter feito tudo que a gente combinou um dia de fazer.
Dói, né? Em mim não. Talvez eu nunca encontre alguém como você. Mas nunca vou deixar de procurar, pois diferente de ti, eu não quero viver pela metade. Você me deu os melhores momentos e eu sempre serei grata a isso.
Mas você não é o cara certo para mim.
Nem eu sou a garota certa para você.
Por um simples motivo: pessoas certas ficam juntas.
Cavei..Cavei..Caveeei
Cavei..Cavei..Caveeei
Cavei..Cavei..Caveeei
Cavei..Cavei..Caveeei
Cavei..Cavei..Caveeei
Cavei..Cavei..Caveeei
Cavei..Cavei..Caveeei
Cavei..Cavei..Caveeei
Cavei..Cavei..Caveeei
Cavei..Cavei..Caveeei
Cavei..Cavei..Caveeei
Cavei..Cavei..Caveeei
Cavei..Cavei..Caveeei
...
Cavei..Cavei..Caveeei
Cavei..Cavei..Caveeei
Cavei..Cavei..Caveeei
Cavei..Cavei..Caveeei
Cavei..Cavei..Caveeei
Cavei..Cavei..Caveeei
Cavei..Cavei..Caveeei
...
não foi romântico, mas foi profundo ;)
E as noites estavam iguais,
como todas as noites iluminando vésperas,
de uma madrugada a fio.
E tudo estava deserto, feito sol de meio dia,
a cidade estava tímida diante do luar,
e as luzes faziam sombras,
tudo muito estranho e incomum,
e de repente você me beijou,
mas o céu já estava amanhecendo,
como todos os céus sem estrela, sem lua,
e no deseto de nós mesmos,
partimos sem adeuses,
estranhamente.
Mas depois o sol amanheceu,
e tudo virou amor novamente,
mas só amor,
estranhamente.
Estava numa palestra na qual não conseguia entender nada... Estava “quase tendo um infarto”. Saí correndo. No meio do caminho... Não havia uma pedra no meio do caminho: Resplandecente, havia um cassino no meio do caminho. Ó! O negócio é tão bom que até faz Drummond rimar melhor. Ainda... Minha esposa não tava lá pra me encher o saco!
Havia um cassino no meio do caminho
E eu estava sozinho
Só apostava nove linhas
No caça-níquel do cachorrinho
“Cachorrinho”?! É... Existe um caça-níquel que tem um cachorrinho puxando um diamante. Aqui no Brasil, você vai achar nuns buteco fuleiro por aí, “escondido” atrás de um biombo. Era nesse que eu tava brincando: Coloquei 50 dinheiros... Fui socando nove linhas...
100... Bônus... 150... Jackpot!!! Aquela gritaria na máquina... 200. Cheguei a 300 dinheiros! A sorte, claro, mudou mas... Outra história.
Poesia de Mulher
Ela é como poesia
Cada verso seu
É como um enigma
Não é qualquer um que entenderia
Precisaria de muita sabedoria
Sua complexidade
É como literatura barroca
Às vezes meio louca
Suas curvas exalam perfeição
Parece até obra parnasiana
Me deixa completamente insana
Mulher, você não me engana
Pois há mais de uma semana
Ando vasculhando seu sorriso
Tentando desvendar
Seus segredos e medos
Mas, como Drummond já havia dito,
Havia muitas pedras no caminho
Mesmo assim me aventurei
E no fim desse poema
Por você me apaixonei.
Desabafo de um amante
Há de acontecer um dia
Em que meu coração não velará mais pelo teu;
Que repotuo-o ufano
Me queres de rojo
Pois me deseja rendido aos teus pés
E neles deseja o meu selo
Haverá um dia, em que ir-me-ei, nem que tardança, arrebatar-me por outra
E se valer a pena, a chamarei de amante, só pra te ver arrufada
axuq
...acho que já fui faz tanto
que velho já tou de ter ido
um matusalém muito aquém
que não vai e muito menos fica
achando que ouvir Chris Cornell
ressuscita la anima
mas talvez ela já foi
deixando a casca pra trás
feito não se desfaz?
...pois é...sem agora Carlos
De ruminar já nem mais pastamos
Drummond do José cuidou
mas e os CARLOSSSSSSSSSSSSSSSS
quem cuidará?
axuq que tá tudo finalizado
mas sem final lap
uma corrida que não foi apreciada
agora só a máscara interessa
posto que agora pode
usá-la full time
time to stay
not to say
CIAO BELO
piu
As vezes tudo o que eu queria era um aconchego nosso
Aquele sem ócio, só com brilhos do teu olhar
Que me apega, que me aperta, que me cega
Mas um dia eu te tenha quem sabe eu
Te lembro que a vida é feita de transtornos imediatos
De sopros falsos
Que nos levam ao sul
E se lembra: a gente ia pro norte
Pra que eu ter um par de asas
Se eu posso voar com os pés no chão
Eu te digo outra vez que tudo o que eu queria era um aconchego nosso.
Ceia para mim ou ceia para você:
Então é natal
E o que você fez?
Mais um ano banal,
miserável outra vez
No dia vinte e quatro,
Nobres se presenteiam
No dia vinte e cinco,
Pobres se angustiam
A Coca-Cola mente,
Diz que o Natal é para todos
Mas coloque em sua mente,
São os maiores engana bobos
Drummond procura alegria,
Você procure uma planta que semeia,
Numa mala vazia
embarcando sorrisos em ceia.
O Fim da Esperança
“Chega um ponto em que não se roga mais por ajuda.
Preferes sofrer sozinho, a ouvir mentiras.
Tempo de absoluto decaimento.
Tempo em que a luz que emana do amor
já não se mostra mais tão brilhante.
E os olhos não suportam chorar mais,
pois cada lágrima caiu em vão.
E o coração está despedaçado.
Seus familiares chamam por seu nome, mas se fazes de surdo.
A luz apagou-se, seu corpo jaz na completa escuridão
mas na sombra ficas vazio, abandonado pela mente,
deixado para trás pela alma.
Já não tens mais esperança de salvação.
Já não tens mais esperança de ser feliz.
E nada esperas de teus amigos.
Não se preocupas mais em esconder sua pele,
pois cada gota de sangue estampada,
representa um momento no qual a dor foi-se embora.
Já não sabes mais o sentido do amor.
Já não sabes mais o propósito da vida.
Teus ombros suportam todo o peso do mundo,
pois não há mais com quem dividir tal peso.
As brigas, as conversas, os debates dentro dos edifícios
provam que sua vida é insignificante
e não há quem ligue para sua existência.
Logo se tornas um fantasma,
invisível, desacreditado.
Alguns consideram apenas um espetáculo
Achando que só queres aparecer.
Chega um tempo em que o abismo se torna um velho amigo
e as sombras emanadas pelo mesmo, a única luz, a única solução.
Então deixas ser abraçado por tais sombras.
Se jogando por sobre o abismo.
Dando um fim, para aquilo que um dia,
foi chamado de vida.”
CONTO DO MEIO
Quando pequeno, eu estava no aniversário de um amiguinho
e pus meu dedo no bolo.
Não coloquei e tirei. Não passei o dedo.
Apenas enfiei a ponta do indicador naquela parte branca.
O dedo permaneceu lá, parado, enfiado, intacto.
Todas as mamães me deram um sorriso falso.
Os papais estavam bêbados no quintal.
O único homem ali perto era o tio Carlos.
Tio Carlos se escondia atrás dos óculos e da câmera fotográfica.
Era bobo, agitado e gorducho.
Quase sempre sorrindo.
Tinha poucas, raras, nenhuma namorada.
Tio Carlos atrás dos óculos, da câmera e de namorada.
Meu braço esticado era a Golden Gate.
Uma conexão entre minha consciência
e aquele montante de açúcar.
A ponta do dedo imóvel, conectada, penetrada no creme branco.
Uma das mamães resolveu liderar a alcateia
e me pediu para tirar o dedo.
Pra que tanta coragem, perguntou meu coração.
Porém meu dedo,
afundou um pouco mais.
Olhei-a nos olhos sem docilidade.
Meu corpo imóvel.
O dela recuou.
Minha mamãe, sem graça,
falou que isso passa.
Eu atravancava, ria e dizia:
- Vocês passarão, eu... - estendia a aporia.
Eu era a Criação de Adão na Sistina.
Era mais que Michelângelo,
Era Adão no Bolo,
Era Bolo em Deus.
Mamães desconcertadas. Olhando umas para as outras.
O silêncio reinava,
o reino era meu.
Mamães desorientadas. Olhando para mim.
Tio Carlos com a câmera fotográfica
olhava para as mamães.
Acho que ele era apaixonado por umas três mamães,
ou mais,
ou todas.
Esperei um não.
Esperei um pare.
Ninguém era páreo
para um rei.
Tirei.
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