Um Poema para as Maes Drummond
Já ando feito um louco pelas ruas. Não obedeço sinal, passo entre os carros em movimento como se fosse a coisa mais normal do mundo. Vez em quando me assusto com os freios e paraliso. Outras vezes, dou uma risada cínica e viro as costas. Porque chega uma hora que morrer parece não ser tão doloroso, então pouco me importo. Chega uma hora que nada mais é lindo, nada dá certo, nada é encontrado. Por isso acabo com o maço do cigarro em um minuto. Minha vida se transformou numa morbidez completa. É a fase terminal que poucos reconhecem, mas que uma hora, quer queira, quer não, chega pra todo mundo.
Resolvi sumir por um tempo, me afastar, deixar essas coisas de lado. E agora estou tentando tirá-lo da cabeça. Ainda não sei se tudo isso é descanso ou desgraça.
Eu me pego te ligando, te procurando nos lugares, te pedindo em qualquer pedido. Vem sendo um desafio cumprir o que eu prometi deixar de fazer.
Se um dia acordar e ver que isso foi apenas um sonho, viverei sabendo que foi o sonho mais lindo que tive em toda a minha vida!
Se em seu caminho, por um acaso qualquer, você encontrar o meu sorriso; faça-me um favor: diga a ele que volte!
Não,não me arrependo de ter experimentado a sensação de um beijo apaixonado.Um beijo tem o gosto refrescante de um sorvete após um longo e cansativo dia de verão,o perfume doce e puro das flores primaveris,o arrepio de prazer como nos dias de outono quando o vento sopra e bagunça meus cabelos e faz as folhas,já amareladas, caírem das árvores e é tão lindo de se admirar como a neve cobrindo tudo de branco nas manhãs de inverno.
Nós já nos magoamos demais, já nos desgastamos demais, agora é hora de dar um tempo, é hora de renovar, é tempo de recomeçar.
Eu sinto saudades,sinto saudade de um futuro que ainda não chegou, sinto saudade do que ainda não vivi...
E terminou. Terminou como um dia de praia quando chega a tempestade,quando o outono vai embora dando lugar ao inverno e quando o sorvete derrete.Terminou antes de ter começado.
Ele foi sorrateiro,sorrateiro como um ladrão e quando eu vi ele tinha me roubado.Sim,ele me roubou de um modo lento e profundo e depois me atirou facas.Me atirou facas com a elegância de quem atira flores.
Eu choro.Choro sangrando,choro com cada um de meus pedaços que caíram tão tão rápido que não consegui juntar e que agora não sei onde estão mas doem e é isso que importa.
Por isso fiquei esperando que ele voltasse montado em um cavalo branco,surgindo no horizonte valente com um buquê de rosas na mão.
Mas foi tudo em vão.
Há um momento em que você luta e sofre tanto por alguém e por tanto tempo que você desiste;primeiro você para de lutar porque percebe que além de estar lutando em vão você está lutando sozinha embora a esperança de um milagre permaneça.Aí então você se cansa de esperar e tenta retomar sua vida como antes de conhecê-lo e se confunde por não lembrar mais como era.E finalmente você atira sua vida ao vento e diz “faça o que quiser com ela”.Depois disso você não mais se responsabiliza por seus atos.
Estou chegando a conclusão de que tudo na vida vem em um equilíbrio perfeito;as emoções boas vem acompanhadas das ruins no mesmo peso e medida,assim como os momentos bons e ruins.Embora na maioria das vezes as ruins pareçam ter o triplo de peso ,do tamanho e da dor, acima de tudo da dor.
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