Um Estranho Impar Poesia
Amor Imortal
Plantei o teu amor no meu coração e todos os dias eu gosto de cultivá-lo com sorrisos e mimos. Um turbilhão de pensamentos sobre você norteiam o meu ser, o que sinto por ti, me dá uma experiência única, tenho a sensação de ser intocável ao que faz mal, ando com a impressão de estar coberto com o manto da invisibilidade referente às tristezas e as fraquezas da vida. Você é a minha fortaleza é você quem me protege com o teu amor, sou sincero quando digo que sei que não sou imortal, mas sou justo e mais sincero ainda quando te digo que o nosso amor em versos, a partir de agora vira poesia e se torna imortal.
Enlutado
No alvoroço da vida corrida ao anoitecer encontrei a minha mente apimentada no mundo dos sonhos.
Vasculhando entre alguns recortes e escritos de gaveta vi nascer com uma alegria imensa mais uma poesia complexa, inteira e ainda vos digo ademais, nascia ali mais um fenômeno da arte escrita no detalhe.
Até que eu acordei as pressas além de muito assustado com os latidos ofegantes da gangue dos cachorros caramelos em frente o portão da minha casa, isso me tirou metade do brio da poesia que estava por emergir, logo a outra metade da surreal poesia perdi no momento pelo qual fui lavar o rosto e beber água para tentar controlar as emoções e recuperar o raciocínio de tanto valor.
Além disso, foi uma pena perceber que havia perdido mais uma arte rara da escrita para o meu próprio subconsciente.
Enlutado como uma múmia voltei a dormir no desejo talvez de reencontrar os caminhos daquela tão sonhada poesia.
"Garoto de olhos ternos
De noturno parecer,
Sorriso de estrela d'alva
Mãos de doce amanhecer,
Traz-me lindezas da praia
Vem meu coração entreter.
Caminha, menino, caminha,
Que tem mar pra se perder,
Tem pedra, poesia, tesouros
Que só teus olhos podem ver,
Garoto de olhos ternos
De silêncio e de mistérios,
Caminha, traz-me lindezas
Das belezas de teu ser."
Lori Damm "Leãozinho" (Contos, Crônicas & Poesias)
"Às vezes isso acontece
E não é nem dor, nem castigo
Vivo num mundo à parte
Faço de mim meu abrigo...
Quando você se retrai
Fecho este mundo e nem ligo
Faço poesia da ausência
E nas entrelinhas confesso
O amor que jamais te digo."
Lori Damm
INTRÍNSECA LUZ
Não busque para si
A luz pessoal do outro
Mire em seu exemplo
Observe o que o outro esparge
E se melhore na semelhança.
Faça brilhar a própria luz
Pela soma de atitudes
Pelo anverso impermisto
Pelo reverso esmerado.
A identidade do outro
Pode ser teu farol
Mas a luz que lhe é nascida
Não te fará luz tal qual.
Na qualidade de filho
Da luz prima e original
Só tens um caminho seguir:
Qual a fonte que te gerou
Serás gênese de teu princípio
Origem da própria luz.
Lori Damm 11/07/2024
O QUE CHORA
Você poderá orientar alguém
antes da tempestade
mas quando ela chegar
apenas acolha, não fale nada.
Quem chora na chuva
conhece as tormentas
percorreu estradas
não quer a voz, quer silêncio.
Há medo e barulho
na alma espantada.
Lori Damm, 23/11/2023
"Indiferença"
Não é deixando morrer de fome
o pobre moribundo
que se resolve o problema
da fome no mundo .
"Atados"
Pobres:
O mundo está cheio de nós.
Pobres?
Os que regem o mundo estão cheios de nós.
Pobres!
Uma vida cheia de nós.
Pobre de nós.
Poema: "Átimo"
Estrito ao vazio,
curvo letras
em trapézios
de solidão.
Exposto a ventos,
disperso certezas,
por emoção.
Na suave lembrança,
retenho brisas breves,
plenos momentos...
"pela madrugada..."
Na cobardia de minhas angústias,
revisito cátedras de paralelepípedos
soltos e morfologicamente opacos.
Se não bastasse este corpo fraco,
dissecaria ternuras.
Para que elas,
embebedassem à alma de vinho,
de mar salgado e de todo sangue.
Porém, a febre queima em desalinho,
rudimentarmente entalha os móveis.
Na madrugada talha o chope de bar,
fatigadamente dirige automóveis,
ardendo-se de vida.
Enquanto, a noite plange...
Cicatriz
A saudade dói
Força que aperta o peito
O tempo cura
Força o esquecimento
O silêncio cauteriza
Força que cicatriza pela dor
A cicatriz é marca perene
Lembrança de uma dor
Da saudade
Do silêncio
Simplemente autista
Sou apenas cinzas secas
Que pelo ornato de Deus
Se moldou humano e vivo
Que jamais quer ferir alguém
Ainda mais de forma gratuita
Sou parte de dor intrínseca
Que busca o bem dos seus
Que não retém rancor cativo
Nem quer mal a ninguém
Ou provocar dor fortuita
Assim de forma simplista
Nada difícil de entender
Sou gente, pode crer
Apenas mais um autista
Quintal
sombra da roupa lavada
que o vento afaga
no varal
bacia secando
ao sol
espiando
o menino
que viaja longe
num caminhão
protegido
pelo irmão.
Infância e quintal
sinônimos de poesia.
Simples
não é preciso ler todos os livros
nem pertencer a todos os grupos
nem ter tanta história pra contar
nem descobrir todos os mistérios do mundo
nem carregar todas as medalhas,
e se tornar sumo de conquistas árduas e vigorosas
nada nada
vai nos deixar maior
nada nada
só o ser se acontecendo na fogueira do instante
se fará.
do livro 'Entre' de Bianca Rufino.
Percurso
pelo caminho, há chegadas e partidas
o fim é só o fruto do presente
buscar alegria no futuro ausente
é como partir
e nunca perceber os pedaços do caminho
tão importante quanto chegar no ponto final
é desfrutar cada instante, tão somente
ir coletando as pistas na beira da estrada
sobrevoando as alturas
as descidas
as pisadas
uma a uma
dançando como se não houvesse outra música
porque não há
se reconhecer na multidão
é como juntar as palavras de um poema.
do livro 'Entre' de Bianca Rufino.
como amolecer as pedras?
como boiar no céu?
me perguntava incessante
eu queria era rir das regras, das normas, das morais
se até as palavras são cheias de soberania:
“inconsequente”, “irresponsável”, “feio”, “inadequado”
quem foi que disse isso? eu gritava
tudo o que foi dito e feito não me interessa tanto mais
há muito o que se inventar, diria fuganti
amanhã tem de novo sol, e ele me espera
preciso ir,
devo estar preparada para esse nosso encontro.
do livro 'Entre' de Bianca Rufino.
Chamo-te hoje,
Porque pensar-te
É a lâmina mais feroz.
Êxtase de te revelar segredos,
E te acolher no ventre, ó vagabundo,
Entre o pranto e o anoitecer,
Estremecendo vagas de solidão em aguaceiros de poesia.
Ó desconhecido de todos os desalentos,
Escancarando vida no umbral da porta,
Imaginei-te somente!
E, guardiã da tristeza intrínseca,
Baptizei-te alento,
Prenúncio de temporal.
Grito-te ainda,
Porque o silêncio a bailar entre risonhos girassóis,
É o tempo mais sublime,
Ânsia de ansiar
Nossos corpos esculpidos
Num sopro de infinito.
© Célia Moura – Do livro “Enquanto Sangram As Rosas…” (2011)
A Pastelaria Defronte À Casa Vazia De Mim
Na pastelaria defronte à casa vazia de mim
onde habito
distraio-me nas gargalhadas imbecis
das gentes rotineiras que absorvem meias de leite e galões
fazendo uma espécie de orquestra
com o autocarro parado adiante
falando da vida alheia
com a boca tão cheia
que chegam a cuspir “gafanhotos”espaciais
apanhando os mais incautos.
São raras as vezes que passo por lá,
mas gosto de observar o saltitar dos pardais em busca de migalhas.
Na pastelaria defronte à casa
onde ainda habito
o álcool ameniza as mágoas,
a marijuana devolve-lhes
os sonhos mais banais
e as crianças vagueiam soltas sem jantar
brincando e comendo gomas e chocolates.
Se ao menos fossem como os pardais da manhã a saltitar entre as mesas,
se ao menos fossem como alguns cães que certas senhoras
levam a passear aos quais compram bolos de arroz ou com eles dividem a tosta mista!
Quão estéril é a pastelaria defronte a esta casa vazia de mim!
Mulher
quem és tu?
Não sei.
Como não sabes!
E sabes ao menos de onde vens?
Não sei.
Que fazes tu da vida?
Não faço nada.
Como não fazes nada?!
Todos fazem algo, todos têm sonhos,
Que é feito dos teus sonhos?
Asfixiei-os.
Porquê?
Talvez por me causarem uma ilusão desmedida,
não sei.
Doiam-me na alma e no corpo inteiro.
Mulher, tu és totalmente alucinada,
Louca!
Sou sim.
Todos os dias te chamo
envolta no negrume
desta minha alma vazia.
Todos os dias emudecem gritos
na garganta
paridos nesta agonia
de viver sem saber para quê!
Ninguém sabe
de que néctar nos lambuzámos,
de que luz nos incendiámos
na lânguida tela, primordial e eterna
inebriada de papoilas
e trigo por ceifar.
Ninguém soube,
nem eu sequer
o quanto te amei.
Todos os dias te chamo
e tu vens afoito, sorridente
comemorar comigo Vida
ao entardecer na tapada.
E com amoras nos olhos
samambaias no rosto
adormeces-me neste exílio
de terra fecundada
onde me dou por inteira,
sangue, pele, artérias
indignação
e coisa nenhuma.
Todos os dias me adormeces
num beijo de colibri
para que esta dor imensa
renasça flor.
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