Um Estranho Impar Poesia
Na previsão do tempo
Falou de chuva forte,
Saí de casa preparado
Mas, você me pegou de surpresa
Chegando em minha vida
Como uma garoa ao amanhecer.
Palavras dormentes.
Línguas ferventes.
Da mesma boca, maldição!
Da mesma fala, benção!
Eu grito contras as vozes na minha mente
Desejam meu mal de forma intransigente,
Perdido com pensamentos intrusivos
São tão abusivos,
Não posso deixar me dominar
Preciso parar de pensar
Não posso sucumbir
Preciso escrever para me distrair.
Tem seu cheiro
Por toda a casa,
Você foi embora
Mas, deixou lembranças
Meu café da manhã
Não é o mesmo sem você,
O dia não tem poesia
E tudo perdeu o sabor.
No rádio
Escutei tocando
Nossa música,
Retornaram lembranças
De bons momentos,
Deu vontade de te ligar
Pedir para voltar,
A saudade apertou
Mas, de repente a música acabou
Assim como nossa história.
Esperando o poema chegar
Na noite silenciosa
A caneta repousada sobre a mesa
A folha em branco
O poeta olhando a parede.
Esperando a vida acontecer
Em qualquer momento
A esperança repousada no coração
Nada passa em branco
Sobre o poeta olhando a parede.
Buscando uma solução para a dor
Encontrei o amor
Senti alegria e mergulhei
E de todo tormento me libertei.
Hoje acordei triste
A mente gritando: DESISTE.
O gás está para acabar
O aluguel que tenho que pagar
A comida na mesa que não pode faltar
Os boletos não param de chegar
Não sei onde isso vai parar,
Quando penso em economizar
Surge um problema para atrapalhar...
O salário mínimo não sobra
Mesmo assim a gente se desdobra
Para manter tudo em dia
E transformar nossa frustração em poesia.
Não faltam palavras
Para expressar o tamanho do amor
Que sinto por você,
O universo não tem tantas estrelas
Não cabe no infinito
E aqui em meu ser
Percebo a eternidade
De um sentimento sem fim.
Escrevo o que vem no pensamento
No sopro do vento, no melhor momento
Aliviando a mente de todo tormento
Escrevo para alegrar a alma triste
Que não desiste de sonhar, e persiste
Em querer te amar, toda noite te chamar
Vem me abraçar, nos meus braços se aninhar
Com carinho
Como um passarinho
Ter a liberdade de voar no céu
Que é o infinito amor.
A dor revela que sou humano
Lembro que não sou herói
Lembro que não sou eterno
Lembro que sou poeta
E através das dores, faço alquimia
Transformando sofrimento em poesia.
Guardo memórias
Dos dias felizes
Em que vivi,
Desejando que no futuro
Eu os reencontre,
Sorrisos, abraços e vivências
Que ficaram perdidas
Na minha trajetória até aqui.
Às vezes dá vontade
De ir embora
Desse mundo
Mas, eu lembro que vou encontrar
O vazio eterno da solidão
E ficando aqui
A vida me preenche
De tantos sentimentos,
Principalmente amor!
Na calmaria da solidão
Aceito o silêncio
E escuto minha alma
Que chora copiosamente
Por saudade
Do barulho que você
Causava em meu coração.
Minhas mãos
Secando as lágrimas do rosto
Num gesto de amor,
Dizendo que depois da tormenta
Vem a calmaria e o alívio.
O lençol manchado de amor
Da noite anterior
Colisão de planetas
Na órbita da vida
O sentimento abraçando
O desejo transformando
Somos momentos
Gravados para a eternidade.
Ao cair da noite, lembranças vem!
No lindo luar, digo amém!
A vida é bela, nos teus braços
Encontro amor, nossos laços.
Cela da Alma
Entre concreto e ferro, a mente vaga no fluxo... Liberdade não é bandeira, não é hino é ter a parada certa no peito, mesmo se o mundo te engoliu no trecho. Na cela escura, o coração é o único rolê sem custódia.
Quem tá de consciência limpa não teme a sombra do juízo. “Mano, o sistema pode trancar o corpo, mas o pensamento voa tipo pipa sem linha.” Na quebrada do cárcere, a paz é o traço mais rebelde: não se vende, não se rende.
Enquanto o tempo rasteja na parede, a alma dá um grau... Saber que não deve nada é a única cela que não tem grade.
Foi preciso adentrar o túnel negro pelo qual acessava-se o poço
para eu cair na real e compreender que o poço não tem fundo - é apenas
o vazio abismal e sombrio em sua negritude tenebrosa e mortal. Foi então
que eu me voltei para meus dons naturais - dádivas de Deus -, e percebi
que neles residia meu resgate e minha salvação. Neles estavam a luz da
vida, e não podiam mais ser ignorados. Ou eu recorria a eles em busca
de abrigo e socorro naquele momento crucial, ou indubitável, inequívoca
e iminentemente sucumbiria ao caos absoluto numa sarjeta qualquer da vida.
Era enfim o tudo ou o nada. A sorte estava lançada para mim. Não tinha mais
como ignorar a covardia e o medo mórbidos que sempre haviam comandado
meus passos numa negativa constante e cega, resumidos num prazer doentio
e compassivo com a indolência que conduz à pobreza, ao desprezo dos
homens e à condenação dos deuses.
Vislumbram-me olhos que confundem e desnorteiam os fracos;
Vislumbram-me olhos estranhos que eu conheço;
Vislumbram-me estranhos olhos que me assustam e fascinam;
Vislumbram-me olhos que deslumbram minh'alma e entorpecem minha cândida loucura;
Vislumbram-me olhos que cegam-me mente, logica e razão;
Vislumbram-me olhos que dizem num sussurrado e retumbante clamor:
"O pecado não seria proibido, se tao somente não fosse ele o pecado"
Vislumbram-me doces e ingênuos olhos que teriam tudo para aprender,
se tão somente já não lhes faltasse o rubor da inocência e do pudor.
Vislumbram-me, enfim, olhos de pecado.
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