Um Estranho Impar Poesia

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⁠Lua, Luar

Ah, se eu pudesse tocar-te
desenhar-te com o dedo
Pálida, branca como gelo.
Solitário, hei de amar-te.

Ah, se eu pudesse descrever,
este encontro entre nós,
o desejo de estarmos sós,
no lampejo, dou-me a escrever:

"- O fino véu translucido,
banha-me de corpo inteiro,
que jaz prazenteiro,
do meu eu, esmorecido.

Todo eu já combalido,
de minh'alma esvanecido,
pois, de ti entorpecido,
meu eu tenho carecido.

Hoje doudo por inteiro,
no silêncio matreiro,
Fugaz e sorrateiro,
ser d'alma poeteiro."

Ah, se pudesse o nevoeiro,
não me deixar arrefecido,
minh'alma teria oferecido,
como amante... fiel escudeiro.

Tão pálida sua luz sombria,
farta-me de tal maneira,
e ao meu coração esgueira,
quente dentre a noite fria.

A face da terra acaricia,
luzente como um ser divino,
toca nest'alma de menino,
que no gélido sereno, ardia.

Como amantes de histórias antigas,
Deusas, homens e meninos,
finda o espírito, tais desatinos,
nesta e noutras épocas vindouras.

Dominante o nevoeiro,
descansa no campo enegrecido,
Pálida, repousa sobre o outeiro,
e finda o campo enegrecido.

Inserida por RobinS25

⁠Incêndio e Silêncios

No contorcer do corpo lascivo,
o meu pensar divaga disperso
aos lábios que declamam em versos
versos que rasgam véu paraíso.

Te leio qual livro indiviso
da boca ao umbigo e ventre
d'onde tu pulsas d'as margens quentes
Meus dedos, um ardente aviso

Febril, e entreaberta treme
tua voz arqueja agonia,
e tua boca em versos geme.

Te possuo, em fel fantasia, —
de corpo e verbo se consome,
sem pudor, verso e poesia.

Inserida por RobinS25

⁠Existir apenas não bastava,
Ela tinha sede de viver,
Para que a vida não lhe escapasse.
Porque viver era uma arte,
Viver, é uma poesia divina.

Inserida por eujanesants

⁠Noite Silenciosa
Na curva suave da noite escura,
A lua dança, envolta em névoa pura.
Brilha tímida entre nuvens calmas,
Como um suspiro acendendo as almas.
Lá no alto, um véu de estrelas se cala,
Enquanto a cidade, serena, não fala.
Janelas acesas em prédios distantes
Guardam histórias de sonhos vibrantes.
A árvore solitária em pé vigia,
O tempo que passa, a melancolia.
E sob o céu de um silêncio profundo,
O mistério da noite abraça o mundo.
Luz e sombra se tornam irmãs,
Tecendo segredos com mãos tão humanas.
E quem contempla esse instante, sem pressa,
Descobre que a paz, às vezes, começa…

Inserida por ZANUTE

⁠“O Guardião da Lua”
Sob folhas de sangue e silêncio encantado,
Ergue-se o guerreiro de olhar velado.
A lâmina rubra dorme em sua mão,
Mas seu espírito vibra como um trovão.
Vestes escuras, sombras no chão,
Carrega no peito a sua missão.
Entre pétalas soltas ao vento lunar,
Ele aguarda o momento de se revelar.
O céu é um véu de nuvens e lua,
A noite é um campo onde a alma flutua.
Montanhas vermelhas, memórias em brasa,
Ecoam os passos de quem nunca atrasa.
Não há grito, nem glória, nem dor,
Somente o silêncio — seu fiel mentor.
Pois o caminho do sábio, ainda que frio,
É forjado em honra, é moldado no vazio.

Inserida por ZANUTE

⁠“O Guardião Interior”
Num mundo de sombras e folhas caídas,
Ergue-se o homem de alma erguida.
Olhar sereno, mas com fogo no peito,
Caminha em silêncio, firme e direito.
Na noite que dança com a luz da razão,
Ele guarda segredos, coragem e visão.
Não empunha apenas espada e presença,
Mas traz no sorriso a sua crença.
Entre os ramos vermelhos da vida,
Ele encontra a paz na luta vencida.
Pois o verdadeiro guerreiro não grita —
Ele cala, observa… e acredita.

Inserida por ZANUTE

⁠No Caminho da Graça
No processo, o chão some dos pés,
O coração se aperta, a alma desfaz.
Tem noite escura, tem vento contrário,
Tem medo calado e pranto diário.
Há dias que o cansaço grita alto,
E o “não aguento mais” parece salto
Que leva à beira do fim da estrada,
Onde a esperança jaz quase calada.
Mas ali, no limiar do desespero,
Surge um toque invisível, verdadeiro.
É Deus que sussurra em tom de paz:
“Eu te sustento, filho, vai um pouco mais.”
Não faltará graça, nem luz na escuridão,
Seu amparo vem na forma de oração.
E mesmo sem ver, teu espírito sente
Que o céu trabalha — suave e presente.
Então, se vier a vontade de parar,
Lembre-se: Deus é força pra te levantar.
Chora, luta, mas não solta a fé,
Pois quem caminha com Deus, nunca é de vez.

Inserida por ZANUTE

⁠ Silêncio que Vê
Veja tudo. Não diga nada.
Há poder na alma calada.
Nem todo eco precisa soar,
Nem todo olhar quer julgar.
Observe o mundo com doçura,
Com olhos cheios de ternura.
Há milagres em cada esquina,
Mas só enxerga quem se inclina.
O sábio vê sem apontar,
Escuta sem se apressar.
Há força em quem silencia
E fala só com empatia.
Veja a dor, sem espalhar.
Veja o erro, sem condenar.
Veja a luta, sem zombaria.
Veja a fé, mesmo em agonia.
O silêncio não é omissão,
É lapidar do coração.
É preparar o gesto exato,
O abraço firme, o bom ato.
Veja tudo. Guarde o olhar.
O mundo precisa de quem sabe escutar.
Pois quem muito vê e pouco diz
Planta paz onde ninguém é feliz.

Inserida por ZANUTE

⁠Às vezes, não é sobre a resposta à oração, mas sobre o que você aprende enquanto espera.
Na vida, somos ensinados a buscar respostas imediatas — soluções rápidas, curas instantâneas, portas que se abrem no momento em que batemos. Mas com Deus, o tempo tem outro ritmo. Ele não se limita ao nosso relógio, porque mais importante do que a resposta que pedimos é o que Ele está fazendo em nós enquanto esperamos por ela.
A espera é um campo fértil onde a fé é cultivada. É nela que aprendemos a confiar sem ver, a descansar mesmo sem entender, a louvar mesmo sem ter recebido. Deus, muitas vezes, nos leva ao deserto não para nos punir, mas para nos ensinar a ouvir Sua voz, a depender mais dEle, a crescer em maturidade e sensibilidade espiritual.
Há orações que demoram porque precisam preparar não apenas o caminho, mas também o nosso coração. Às vezes, a bênção está pronta, mas nós ainda não estamos. Outras vezes, a resposta vem de um jeito diferente, porque Ele conhece o que é melhor para nós muito além do que conseguimos enxergar.
Portanto, se você está esperando, não pense que Deus está em silêncio. Ele está trabalhando — talvez não nas circunstâncias ainda, mas com certeza em você. E isso, por si só, já é um milagre em andamento.

Inserida por ZANUTE

⁠O Peso do Porquê”
Quanto mais porquês,
mais porquês aparecem,
como ecos da mente
que nunca adormecem.
Vivemos tentando
explicar a dor,
o tempo, a perda,
a falta de cor.
Mas há coisas fundas
que não se traduzem,
mistérios da vida
que apenas nos usam.
O saber tem limites,
o sentir, não tem,
e às vezes, silenciar
é também um bem.
Pois nem todo porquê
pede uma resposta
às vezes só quer
que a gente se encoste.

Inserida por ZANUTE

⁠Coração partido dói… mas não é o fim.
É só a estação do inverno — e, ainda assim, mesmo no frio, a raiz continua viva.
O amor que você deu era sincero, era puro e isso nunca foi perda. Quem ama com verdade, deixa perfume por onde passa, mesmo que o outro não saiba valorizar.
Não se feche. Não endureça. Continue flor.
Há alguém, em algum canto da vida, orando para encontrar exatamente um coração como o seu.
E quando chegar a hora, será leve. Será paz. Será reciprocidade.
Até lá… cuide de si com carinho. Regue sua alma com poesia. E acredite: o amor o verdadeiro sempre volta.

Inserida por ZANUTE

⁠Ei… você não está sozinha.
Eu sei que dói. Sei que tudo dentro parece bagunçado. Quando a gente acredita, se entrega, sonha… e no fim se decepciona, o que sobra é esse vazio difícil de explicar.
Mas olha… você é muito maior do que esse momento.
Você tem um coração lindo, cheio de verdade e, mesmo que agora pareça injusto, não deixe que essa dor te faça duvidar do seu valor.
Quem perde alguém como você, perde muito. E quem não sabe cuidar, um dia sente a falta que fez.
Chore se precisar. Grite, escreva, se recolha… mas depois se olhe com carinho. Você vai se reconstruir. Vai se reencontrar.
E um dia, quando menos esperar, vai agradecer por esse recomeço que hoje parece tão doloroso.
Você merece mais. Você merece paz. E vai encontrar. ❤️

Inserida por ZANUTE

⁠COMPREENSÃO
A rua onde nasci era larga e extensa de vozes.
Nela havia uma velha casa de espera e de descobertas.
Minha mãe me ensinava a brincar de ver.
Ficava ao meu lado e com suas mãos me entregava seus olhos.
Dizia-me: O que vens?
Eu menino, com zeloso brio elaborava narrativas não aparentes.
As vezes via um pássaro falando com o vento.
Ora, era um arco-íris despontando no anoitecer.
E até eu voava, buscando palavras com asas.
Lembro-me quando lhe disse:
- Estou vendo uma dança no céu.
E ela pediu-me para tomar cuidado com os instrumentos, marcar os passos, ouvir a sinfonia.
E asseverou: Veras na vida aparências e essências.
Mas não tenha receio de vislumbrar.
No fim o que fica é o que se olha para dentro.
Antes de saber ler e escrever compreendi a ver poesia.
Carlos Daniel Dojja
In Poemas para Crianças Crescidas

Inserida por carlosdanieldojja

⁠⁠Se ela pudesse te falar o que pensa
E o quanto ela quer te provocar de volta
Se ela pudesse dizer o que sentiu ao ouvir tua voz
E o quanto isso foi inquietante
Se ela pudesse sair dessa prisão
Ela faria tudo de novo, loucura por loucura, desejo por desejo
Ela te devoraria sem esperas
Roubaria teu ar sem receio
Contemplaria cada parte da sua geografia
Se perderia nas suas ondas
Em uma cadência arrebatadora
Até que o corpo e o tempo não soubessem mais
os limites do início ou do fim.

Inserida por BrendaOliveira

⁠A cabeça que me guia
é a mesma que sufoca na ignorância do homem.
As mulheres que me criaram
se envergonham das irmãs que as traem.
Os lugares por onde passo
se elevam pelo brilho que carrego.

São fotografias de um passado de dor:
retratos de sorrisos mortos,
marcas de dias tristes,
buracos de dentes tortos.

Cicatrizes da alma,
defeitos de cor,
a beleza da pele
e o desejo de amor.

É a vida negra que luta pra brilhar,
pra sair na foto,
onde o contraste da pele
é um alvo na mira.

Minhas fotografias não são preto e branco.
São preto escuro

Inserida por Filhodaterra

Ambos os Lados

Há que uma voz ecoe de longe.
Nem palavras, nem sentimentos.
Gritos sem força.
Os braços estão longe, o coração distante.
Nem voz, nem vigor.
Sobra eco, da distancia, num túnel longo e escuro.

Brigas tolas, representações momentâneas.
Barulho em vão e cicatrizes que não curam.
Ficam abertas num traço ferido, de inimizade.

Cavalheiros lutam energicamente pra juntar suas ideias.
Marionetes apenas representam.
Na bagunça de fúria e confusão.
De vários lados, ambos lados, muitos lados.
Que nada realmente representa coisa alguma.

Começos sem fins.
Lutas sem ideais.
Brigas sem intenções.
Idas e vindas sem sentidos.

Gritos que perdem, e pedem a potencia.
Muitos ecos, esparsando-se na distancia.
De inteiros, aos cacos espalhados.

Talvez haja uma cola no meio do eco,
Esquecida no meio do barulho.
Perdida diante o tumulto.
Não enxergada perante a cegues.
Porém essencial para o juízo.
Para o sentido.
Para a união.
O amor.

Inserida por netomontana

O cancioneiro

Toca o som do cancioneiro de fortes ventos, de rota sem fim, o cancioneiro das folhas que rodam nos dias, molham em chuvas de lágrimas pra depois secar no brilho de sol, o cancioneiro da rota que não termina, que toca ininterrupto todos os acordes, todas as notas, com sua potencia, levanta folhas, poeira, apaga e acende o sol em dias e noites, o cancioneiro sublime e autodidata,os elementos, todos são desenhados nos papeis, em acordes, ritmados pela busca e fúria de sonhos, tocados, pelo instrumento, chamado vida.

Inserida por netomontana

Caminho das flores

Sua semente é a que
floreia o seu redor.
Alguns preferem regar
com lágrimas, outros com suor.
Desde que tenha amor.
A beleza define a primavera,
regada com o choro de Deus.
Podemos fazer da nossa
vida um belo jardim.
Desde que haja o cuidado e o manuseio
com lágrimas e suor do coração.
A se transformar num
jardim belo e florido.
No caminho vou, onde haja amor.
No caminho eu vou onde haja cor.
As flores do jardim estão
esparsas como estrelas.
Simulam o infinito e eu andando
aqui embaixo no caminho das flores.
As estrelas estão formando um imenso colar de pérolas suspenso.
Caminhando vagarosamente
aprendi a observar a beleza.
O dia é um clarão,
diante a imensa escuridão.
Mas as estrelas sempre
dançam no universo.
O planeta é um enorme
emaranhado de terra.
Mas as flores sempre
embelezam os jardins.
No caminho vou, onde haja amor.
No caminho eu vou onde haja cor.⁠

Inserida por netomontana

⁠⁠Tuaregue (versão 2)
⁠Vem que a vida não para,
vem que as estrelas não se apagam,
e os sonhos não morrem.
A vida pode parecer uma miragem desértica,
cheia de dunas que se movem.
Nem as tempestades furiosas de areia do Saara nos sacodem.
Rainha do deserto com seu véu flamejante,
vem até mim sobrevivendo as correntes giratórias.
Eu o Tuaregue, vou abrindo caminho de passagem nas águas do Nilo.
Até nossos corpos celestes se desmancharem na poeira.
Quando o amor se encontra pode tudo,
nos aquece com seu ardente calor.
Tudo ou nada, somos chamas entrelaçadas,
talvez o imbróglio, talvez a paz.
Amor pode ser como o deserto,
quente e quieto, porém intenso.⁠⁠

Inserida por netomontana

⁠⁠Rainha do deserto (versão 2)
Pedras a rodeiam,
desenhando suas asas,
jogada num cinturão de poeira,
o sol drena a água das raízes,
sobre sua cabeça emulando uma coroa.
Calibres de areia se moldam,
sobre as curvas do corpo emulando um vestido.
A encapada flutua nas areias quentes do Saara,
o véu distorce ao vento,
até ladeira abaixo ornamentada.
Guiada por calangos e dromedários,
abutres e carcaças,
levando fé, paixão e garra,
ela é a rainha do deserto,
a cigana flamejante das terras
áridas e quentes,
escultura de areia que resiste as dunas,
a seca, as tempestades e a poeira,
na imensa vastidão desértica.⁠

Inserida por netomontana