Um Estranho Impar Poesia
Extraio então o pensamento
numa tentativa desesperada
de lidar com o tempo
Evitando notar os defeitos
não somente os meus
sem preconceito.
Extraio então palavras
algumas ralas, insensatas
outras raras.
Extraio então a ideia
aquela boa e velha
de ser feliz até em miséria.
"SOLIDÃO"
Hoje me sinto sozinho
Sem teu amor, sem teu carinho.
Mas não sinto falta da frustração:
Como é linda a solidão.
Onde está meu coração?
Veja bem, já não preciso disso,
Já não me incomodo com isso:
Como é linda a solidão.
Cometi uma calamidade,
Que os deuses me perdoem,
Inventei de ceder à vontade;
Vontade de viver,
Que os deuses me perdoem,
Viver sem você.
É leveza sobre aspereza
É paciência sobre aspereza
É acalanto sobre aspereza
É vida sobre aspereza
Os corações ásperos carecem
de leveza, paciência, acalanto e vida.
Falta-lhes poesia...
Hoje é Dia do Poeta, poeta sei que sou
Não porque escrevo poemas
Mas porque acredito no amor.
Há poesia nas palavras
Mas a poesia, em seu esplendor,
Está mesmo nas coisas pequenas
E naqueles que as dão valor.
Eu não ligo mais para o Cupido ,
sempre que percebo - mando embora ,
e com sua flecha de enxerido ,
não quero papo, estou fora !
AMIZADE VIRTUAL X REAL
Verão quem são os de verdade
Matemática da realidade e números cheios de falsidade
Descobrir o segredo da amizade é arte
Muitos com maldade, poucos com intimidade
Na sequência de prioridade
Qualidade é a primeira parte
Quantidade só no aplicativo do Mark
Ânsia para descobrir esse enigma
Alienado por essas algemas
Admita muitos nem querer ver a legenda
Grande maioria vive de curtida
Realidade nada vivida
Na rua não tem nada de empatia
Ninguém compartilha
Dois cliques na tela é para ver sua descida
Escolha a dedo os que fazem a diferença
Os ninhos de cobras querem sua sentença
Alimenta e ame na perseguição
Respeite, cada um tem sua opinião
Universo fornece sua plantação
Se plantar o bem colherá iluminação
Verá todos entrando em contradição
Futuro não está nas suas mãos
Resposta dessa aflição
Vem através da meditação
Escolher com atenção
Os bons permanecerão
Já os que são colegas se manifestarão
1, 2 e 3
Como diz salmos 23
Inimigo comigo não tem vez
Oásis em meio ao caos, nada banal
Óculos invisível, meu sexto sentido
Escolhendo amigos
Eu sinto, os que verdadeiramente estão comigo
Familiares destroem o vírus, prestarei honestidade até o fim da vida
Cai de paraquedas, passei pelos obstáculos estou na aquarela
De quinhentos sairão as críticas dessa poesia
Não importa, sou feliz com os 5 que estão comigo todo dia
Quando estou calada,
sinto todas as letras ao meu redor,
algumas em larga caminhada,
formando frases de sonhador.
E eu, abraço todas elas com simpatia,
pois faço delas a minha poesia...
Ser ou não ser palavra
Muitas vezes as palavras prendem-se num labirinto em nossa mente. Esta luta para libertá-las e nada! Ficam navegando no mar da consciência, com receio de enfrentar o mundo lá fora onde ruídos poderão abafá-las. O que fazer então? Nada, deixar que durmam, descansem e amadureçam. Quem sabe, na próxima primavera elas serão flores representadas por versos perfumados, metáforas coloridas, quem sabe um espoucar de estrelas na amplidão ou apenas gotas de orvalho, bem suaves arrefecendo, da noite, o calor.
Palavras tão des-alinhadas podem se tornar versos, ou não ?
Há quem diga que se tornou banal
Que já não existe, é algo que se perdeu
Há quem duvide da sua existência
Na fala de quem prometeu
Mas quando se é de verdade
As juras se tornam sinceras
No coração da pessoa certa
Ele floresce nas primaveras
O amor é real
Você pode acreditar
Se ainda não o encontrou
Por favor, jamais canse de procurar.
IRIS
[...] a admiração
não cessa
até que se esgote a temporada...
eterna paixão!
Íris, flor encantada
pássaro em ascensão
singelo feitio
poesia e ilusão
da cor azul anil...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
2020, julho - Triângulo Mineiro
A INEXISTÊNCIA DA VERDADE
A verdadeira verdade não existe!
A verdade verdadeira é a minha,
Sua verdade é uma mentira
Que tira a minha da linha.
A minha verdade é a certa
Que acerta na reta sem seta.
Sua mentira é uma verdade
Que pra tu é a certa.
Na treta da verdade verdadeira
O que nos resta é viver cada um em sua verdade derradeira.
Então vamos por partes –
não se vai com tanta sede ao pote –
Primeiro: fabricar a sede
Segundo: fabricar o pote
Terceiro: deixar que a água jorre
Ela me disse:
meu coração
quer sair pela boca, eu
segurava minha boca
para que não saísse
pelo coração
O dedo na rama e o sol na cama:
quanto vale o dia de quem ama?,
quanto? passá-lo em sua faina de
amor lado a lado, moita, mão, e
o sol derramado?
Errou o homem cujo calo lhe gritou
ardendo dentro do sapato
amanhã choverá. E também o cara
(ou aquilo dentro dele) que previu:
cem mil diminutos relâmpagos
se desatarão do corpo da garota
na minha direção
Não que não tenha relampejado
mas porque um só relâmpago
(fora daquele céu) foi necessário
para abatê-lo. E agora sabe
o quanto (ainda mais que nós
que sabemos do homem com seu calo
ardendo ainda dentro do sapato)
o nosso corpo é essa antiga máquina
falaciosa de premonições
só a sede
o silêncio
nenhum encontro
cuidado comigo amor meu
cuidado com a silenciosa no deserto
com a viajante com o copo vazio
e com a sombra de sua sombra
TESTAMENTO
Se por acaso morrer durante o sono
não quero que te preocupes inutilmente.
Será apenas uma noite sucedendo-se
a outra noite interminavelmente.
Se a doença me tolher na cama
e a morte aí me for buscar,
beija Amor, com a força de quem ama,
estes olhos cansados, no último instante.
Se, pela triste monotonia do entardecer,
me encontrarem estendido e morto,
quero que me venhas ver
e tocar o frio e sangue do corpo.
Se, pelo contrário, morrer na guerra
e ficar perdido no gelo de qualquer Coreia,
quero que saibas, Amor, quero que saibas,
pelo cérebro rebentado, pela seca veia,
pela pólvora e pelas balas entranhadas
na dura carne gelada,
que morri sim, que me não repito,
mas que ecoo inteiro na força do meu grito.
Dei-me inteiro. Os outros
fazem o mundo (ou crêem
que fazem) . Eu sento-me
na cancela, sem nada
de meu e tenho um sorriso
triste e uma gota
de ternura branda no olhar.
Dei-me inteiro. Sobram-me
coração, vísceras e um corpo.
Com isso vou vivendo.
TERRA DE MANUEL BANDEIRA
Também eu quisera ir-me embora
pra Pasárgada,
também eu quisera libertar-me
e viver essa vida gostosa
que se vive lá em Pasárgada
(E como seria bom, Manuel Bandeira,
fugir duma vez pra Pasárgada!).
Entanto, tudo me prende aqui
a este lugar desta cidade provinciana.
Como deixar ao abandono o olhar
luminoso dessa mulher que eu amo?
Quem responderá às inquietas
perguntas de minha filha pequena
(cabelo curto, olhos de sonho)?
Quem, no sereno da noite, para as beijar
com ternura e nos braços acalentar?
E esta vida, este sítio,
e estes homens e estes objectos?
E as coisas que amei e as que esqueci?
E os meus mortos e as doces recordações,
as conversas de café e os passeios no
entardecer fusco da cidade?
E o cinema todos os sábados, segurando
com força a mão de minha mulher?
Eles nem são amigos do rei
e a entrada lá é limitada.
Por isso é que eu não fujo
duma vez, pra Pasárgada.
GINÁSTICA APLICADA
Meu verso cínico é minha terapêutica
e minha ginástica. Nele me penduro
e ergo, em sua precisão de barra fixa.
Nele me exercito em pino flexível,
sílaba a sílaba, movimento controlado
de pulso, e me volteio aparatoso
na pirueta lograda, no lance bem ritmado.
Há um sorriso discreto em minha segurança.
Porém, se às vezes me estatelo, folha seca
(o verso é difícil e escorregadio), meu verso,
como de vós, ri-se de mim em ar de troça.
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