Um Estranho Impar Poesia
Trilhas
Ele pisou num chiclete
e foi marcando o caminho.
Com as mãos transformou o tempo
numa espécie de ninho.
Não sendo bicho nem deus
nem da raiz tendo a força
ou a eternidade da pedra,
o poeta nas palavras
põe essa força de nada:
sua funda é o poema.
Iraruca
Destino é o nome que damos
à nossa comodidade,
à covardia do não-risco,
do não-pegar-as-coisas-com-os-dentes.
Quanto a mim,
pátria é o que eu chamo poesia
e todas as sensualidades: vida.
Amor é o que eu chamo mar,
é o que eu chamo água.
Amor
O que será:
este labirinto de perguntas
e resposta alguma,
este insistente rugir
de pássaros, este abrir
as jaulas, soltar o bicho
novelo que há em nós,
delicado/feroz morder
(deixa sangrar)
o outro bicho (deixa, deixa)
e toda esta parafernália
a parecer truque enquanto
obsidiante você mente
embora acreditando nas mentiras
e eu use os piores estratagemas
para cobrir-me a retirada
desse vicioso campo de batalha.
Construção
Eles são donos do mundo
e não sabem disso.
Daqui os vejo
bem no alto contra o espaço,
eles vem e vão
pássaros sérios
deslocando nuvens
Daqui os vejo criando
essa explosão precisa
de ferro cimento e paciência
— agora um bem pensado
esqueleto de superpostas vigas.
E a gente fica cismando como é belo
o que eles criam e o simples permanecer
de um operário no alto da sua construção.
O pequeno quadrado (que será elevador)
desce e sobe por ossos de madeira
do poço por eles trabalhado.
Eles constróem o mundo
eles divididos mas tão fortes
eles são o mundo
e não se importam.
Eles levantam os castelos de agora
castelões provisórios no alto de suas torres.
O meu coraçao doi
E tudo o que doi eu sinto
É como se eu estivesse a desmoronar
Lentamente vai se partindo em milhares de pedaços
E eu sei que ninguem vai la estar
Para me amparar
E eu vou cair
E me afundar
Neste mundo onde nada faz sentido
Eu caminho so
E lentamente
Tentando encontrar paz
Para o meu pobre coraçao
Que tanto sofre sem razao
Aparentemente sou so fraco
Mas tudo tem uma razao
E esta é apenas uma desilusao.
Amor.
sonhou comigo
coração partido
no fim
passou o perigo
me trouxe o alívio
em mim
paradoxo
invisível nosso amor
distante da realidade
usou
tudo passou, nada restou
continuo sendo um palhaço
Acrobata da Dor
um pobre sem-amo
- Zlatan
Brasil Tropical
No encontro do Sol
Na imagem vertical...
O Café da manhã
De gosto tão especial
Se apresenta logo cedo
Intenso e genial
No princípio desse enredo.
Não há choro
Que dure o dia inteiro
Não há saudade
Que vá embora primeiro
Guardada na gaveta
Na estrada da emoção
Aos pés do vento
Sobre as linhas desse rincão.
A Rosa da Paixão
Cartas Poéticas – 2020 SC Brasil
Brotou em mim feito semente de uma flor e se espalhou. Escolheu o solo fértil do meu coração e fez a sua morada. É o amor que habita. Traz todas as sensações de pertencer a alguém. E quanto mais lhe amo mais lhe desejo.
Estão na minha carne os meus extintos felinos, eu sou outra mulher quando penso em você. Perto de ti é como se o mundo parasse para nós e em algum lugar a gente ficasse ali longe de tudo para a gente se amar em fim.
É revelador tudo isso que eu lhe digo, mas todos os sinais me dizem que é amor, que é desejo. Eu posso lhe sentir sempre que os meus pensamentos se elevam a você. A pele se arrepia, o calor sobe. Quero tirar o batom vermelho da minha boca beijando a sua, me atrever nas suas ousadias.
Sei que você lá no seu intimo me quer.
Eu cheguei a ver nos seus olhos um lindo amor de profunda clareza. Um amor que traz calmaria, aconchego. Que pede colo. De forma silenciosa você me envolveu em seus braços e eu estou sempre ali mesmo que distante de ti. Eu às vezes não sei o que fazer. Eu quero lhe sentir. Eu quero lhe amar sem ter que esperar tudo acontecer. Mas às vezes dói, muito mais que a saudade e o tempo que não pára para nós dois.
Clarisse da Costa
QUINTAL
Varias picadas no caminho.
Com tuias, uma ao lado de outra;
Com portinholas de ferros em formas
De grades.
Intercalando com cupinzeiros de vários
Andares. De onde se observam as cabecinhas.
Olhando para o horizonte pensando? Sei lá o que?
No solo, massa negra e pedra. Para não sujar
As solas dos pés. E evitar que o magnetismo,
Retorne para a terra. Já acumulados pelas nas solas do
Sapatos.
Os Rios e nascentes já canalizados, não se conseguem perceber.
Apenas peneirar e retirando, se possível , as shigellas e correlatas.
Com a água preta tirada do poço. Se movimentam-se corcéis
De dois mil quilos feito de ferro, que pessoas usam para irem,
Trabalhar na roça.
De tanto engajamento, vão liberando enfileirados; gás carbônico, já servindo para eliminar zicas e dengues.
Sanitarizando .O Rios e nascentes já canalizados e esquecidos,
De onde; não se percebem mais. E apenas peneirando e retiram, quanto possível as shigellas e outras. E devolvem pelos canos, por onde existiam os bambuzais.
No ar, Aves gigantes silenciosas, transportando trezentos; cem passageiros. E libélulas girando suas elicies a todo tempo,
Indo para lá e para cá. Indo sei para onde?
Algumas arvores não frutíferas e fuligem , enfileiradas em calçadas, fazem as sombras para os caminhantes que; se movimentam para inalarem o oxigênio batizado para transportá-los ao organismos já acostumados.
Caminhantes que andam com uma caixinha na mão. Olhando a todo instante. Aprendendo, apreendendo, apreendendo.
Que só observando a Natureza. Que o Homem pode se reconhecer.
Qual a natureza do homem que nasce e vive nesse quintal?
Para essa pergunta. Deixo uma palavra chamada futuro.
marcos fereS
Silêncio é o mais alto barulho
É na calada da noite e no escuro
Que descubro o obscuro
Que minha doença eu curo
É durante esse momento
Que me vem um alento
Que o meu pensamento
Não é mais sofrimento
É durante as lagrimas
Que se acaba a solidão
É durante o nosso choro
Que preencho meu coração
É durante um abraço
Que o mais forte amasso
Se deságua em alegria
Trazendo-me euforia
É durante o seu beijo
Que sinto seu cheiro
É apenas neste momento
Que acaba meu sofrimento
18/08/2019
sabe
meus versos são tristes
não importa onde eu
esteja
ou sobre o que esteja
escrevendo
são tristes, banhados na
mais pura melancolia
carregam em sí a dor de
um poeta medíocre
mal resolvido
que desconta sua raiva
naqueles versos
pobres versos..
mas afinal, o que posso fazer?
não posso os soltar
não posso deixar com que
essa tragédia se espalhe
por aí
essa tristeza, essa raiva, esse medo
pertencem a mim, apenas a mim
são os meus versos, a minha tragédia
e ficaram presos aqui, nesse poema
para sempre
Ruínas
Tento eu reconstruir a mim, tento superar a ausência dele sem nem ao menos ele ter partido. Enquanto ele corre atrás de seus sonhos libidinosos, assim dito por ele, eu libidinosamente o desejo ainda, mesmo sendo esse desejo desaconselhável e avassalador. Um turbilhão de palavras chegam aos meus ouvidos, oriundas das bocas que me amam e o escarnecem. A razão me leva a mim e o coração sangrando de tantas feridas abertas por ele me leva, só me leva! E agora? Onde estarei? Pra onde vim? De onde eu saí? Eu saí?
Esse emaranhado de perguntas me fazem lembrar do que eu sempre tive certeza, eu o Amo!
Ele, seco em possuir o mundo, deixa com que o mundo o possua, lembra e sabe, descobre e retorna, ao lar que estranhamente sempre foi seu e volta a mim e não para mim, que ainda, mesmo que não queira, quer e é seu. Sua destruição e seu desejo infringiram a única regra que não se podia quebrar, não viole a fidelidade dos sentimentos.
Seu desejo de ser do mundo , o fez esquecer da fidelidade dos próprios sentimentos, o fez esquecer o que se sente, só a sua putrefação o fez lembrar que um mal ou bom filho à casa torna! Agradeça a seus Deuses e Demônios. E lembre-se tu és mortal, não precisas testar a durabilidade de tua carne!
A'Kawaza
Sobre o que você faliu.
Você veio de uma vida de corpos, drogas e boa música, as letras verdades, poemadas e ritmadas, nunca foram tão vazias, quanto as palavras faladas por ti, sim prefiro o escritor. Aquele poeta meia boca que me seduziu e engoliu inteiro sem nem me deixar respirar. Mas, eu como diz suas letras formadas, me debatia em ti e sim me debatia demais.
Me debatia demais porque conheci além do poeta, porra, que merda que eu fiz. Conheci além do faz de contas, sobrevivi ao encantamento, trouxe o pior de você, para que tu mesmo pudesses conhecer, ensinei que pra ser bom, não se precisa sofrer ou fazer sofrer.
É você não aprendeu, tornou a ir e sem nem o ter aprisionado o soltei. Voa folha, voa e caia na água, pois folha solta sem caule, morre de fome. O que esperar de um homem folha?
Ele vive de sugar pra se alimentar. Suga a força do sol e os nutrientes da terra, não iria sugar a mim, árvore fincada e com raízes sólidas, árvore de valores invertidos e concebidos?
Não se trata apenas de libertar a folha para a morte, mas quis tanto que a folha apenas aprendesse algo quando ela fosse.
Ela/Ele se foi e me deixou no silêncio da ignorância, no bloqueio frio de algo que poderia nos conectar, mas eis-me aqui conectado a ti pelo que jamais te largou, desejando intimamente que tu caias na água e brote de novo.
Desejando aqui que tu brotes e vire árvore e que lembre-se que o tempo passou e trouxe consigo o enigma da metamorfose, agora sou água e posso sua fome matar.
A'Kawaza
Uma seiva de cinza
A cidade cinza não atrapalhava ver o brilho de cada olhar morto, aliás, tudo era tão fúnebre, quanto o sorriso de uma criança. Crianças, elas normalmente são felizes, ou deveriam ser, talvez seja por que elas não saibam que vão crescer, que terão que pagar contas e gastar o dinheiro pra se alimentar, talvez elas não saibam que vão passar 08:00, 12:00 horas trabalhando, é elas não sabem.
A inocência então é a fórmula da felicidade? Ou será a ignorância? Se for a ignorância, porque será que "conhecimento não ocupa espaço"?
Cair na ignorância ou voltar a ser inocente é algo que não sei se me deixaria feliz, me alimentei tanto de conhecimento, de corpos de línguas e seus sucos, bocas e suas palavras.
Não quero deixar de comer, nem de me embriagar de cada ser que eu poder tocar. Enveredo-me em um labirinto de corpos e mentes que eu sugo até o último sumo, até a última gota, engordando assim minha "feliz" solidão, vivendo assim a minha feliZcidade.
A'Kawaza
Sobre o tempo...
Três décadas atrás comecei a contar meu tempo, tempo que eu conheci Cronos, tempo que conheci Tempo, tempo que conheci Kitangana.
Sobre o tempo, ainda é pouco tempo pra que eu escreva sobre ele, nem sei se é perda de tempo, me ajuda Tempo.
Parei de ter crise existencial, Tempo mostrou-me que eu o estava perdendo, parei de contar o tempo, agora conto com ele.
Atento-me ao tempo, tempo que não para, tempo que não começa, tempo que não termina é tudo é sempre.
Então Tempo de todo tempo, tempo que embala tempo, tempo que badala tempo, me ajude a ter mais tempo, não me faça o perder, apenas quero aproveitar você! E no tempo de minhas três décadas Zara Tempo!
*Kitangana e Tempo Nkisi de matriz Africana
A'Kawaza
NOTA
Anota ai que enquanto tu
escreves o tempo passa.
Anota que a nota que te dão ninguém nota.
Anota que suas notas não tem valor.
Anota que o tempo ja passou,
tá passando, vai passar.
Anota que não existe ninguém acompanhado e que a solidão é algo inevitável, notável!
Anota também que você é individual e que isso é bom.
Anota que a felicidade está em você!
Anota que se nota o seu
valor, quando você nota ele!
Anota que a melhor nota é da música que você canta ou ouve.
Anota que o prazer nem sempre é notado, anota que essas são as notas!
Apenas pare de tomar nota, isso é roubo, viva e não tome nota disto!
A'Kawaza
O novo!
Torna-se cada vez mais gustativo
o gosto do desconhecido.
Você me embriaga com suas palavras sinceras cheirando a álcool.
Sua voz que não diz o que é, apenas diz,
diz e se faz dizer, mexe comigo de dentro
pra fora, não apenas a ouço,
tenho sensações.
Ela não vem sozinha aos meus ouvidos,
além de perturbar meus timpanos com seu tom grave, ela ainda perturba minhas noites, me causa poluções e já não consigo e nem quero disfarçar...
Ejáculo o podre e puro prazer de você e você nem aqui está!
A'Kawaza
Déjà vu
Sua vida é constante repetição, você troca só o corpo por outro, os sonhos são os mesmos e os anseios iguais, você já viu isso mil outras vezes, mas o desejo de tua carne podre e o egoísmo de sua mente sórdida, não lhe permite parar.
Você vive a verdade de suas mentiras, quantas lágrimas você viu chorar? Talvez seja esse seu alimento e por um excesso de sentimento, até minhas lagrimas C' fez secar.
E a cada vez que você vai embora, minha mente me trai, me traz toda história daquela memória, que insisti em te recordar.
Depois que o conheci bebi água no deserto, a sua fonte secou, foi molhar em outro lado, e eu aqui sou sol, areia e farrapo!
O levei além mar, achando que assim a felicidade nos fosse achar, ela achou você, mais um dèjá vu você está a viver.
O levei além mar pra tu navegar além de minhas veias, pra que meu sangue fosse só mais um nas estatísticas de apodrecimento sugatório, pois é isso que um parasita faz, somente suga!
O levei além mar para mais um Déjà vu você viver. Navegue em outro rio, pobre rio Jordan.
A'Kawaza
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