Um Estranho Impar Poesia

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nota fora do tom

o cerrado, seco, árido som
é fado
um megaton
tumultuado
nota fora do tom
que nele fala
que se maquia sem batom
arrasta em alarido, em ala
cheios de vozes
espinhos que rala
ferozes
para um verão de gala
que na alma debrua ilhoses
de chuva, quimera
podando a estiagem
pra brotar a primavera

© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Setembro de 2017
Cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

Passarinho livre

Um passarinho precisa de liberdade
Precisa sentir saudade
Precisa escolher seu destino
Precisa conhecer o desatino
A solidão, a frustração, a decepção
Só não espere a mesma gaiola à disposição.

Inserida por Poetaantonioferreira

Dia do Poeta

Um dia foi escolhido
20 de outubro
Uma data para lembrar
Daqueles que escrevem
O que o coração não sabe falar

Frases
Pensamentos
Reflexões
Rimas
Estrofes
Imaginação
Sentimento
Personagens
Vida
Numa poesia, cabe o que quiser
O que coração desejar

Poetas
No silêncio do quarto
Com um bloco de notas ou um caderno, tanto faz
O importante é levar a palavra
A quem o coração tocar

Poeta é o amante das palavras
Daquilo que escreve de verdade
Em cada linha escrita
Em cada rima feita
A poesia em forma de canção
Forma vai tomando

Poetas
Que nunca lhe falte
O coração puro
O amor sincero e mais profundo
As palavras que inspira
Para que em rimas
Transformem sentimento em poesia

Parabéns, poetas,
Que seu dia seja lembrado!
Seja comemorado!
Seja poesia
Em forma de vida!

Inserida por dulcesilencio

Confesso ...
.
Confesso que sinto falta
De quem um dia eu fui
Do tanto que fui capaz de fazer
As pessoas que puder ouvir
Os conselhos que pude oferecer
.
Sinto falta
De quando era capaz de sorrir
Na madrugada ou qualquer lugar
Aquela gargalhada gostosa
Poder soltar
.
Sinto falta
Saudades
Penso e repenso que poderia ter sido diferente
Uma escolha ou pensamento, talvez
.
Tudo que passou
Virou história, virou lição
Aprendizado que não se toca com a mão
É a lembrança para se guardar no coração
.
Preciso sentir falta
Daquilo que ainda não vivi
Das que pessoas que ainda conheci
Das poesias que não escrevi
.
Novos sorrisos para abrir
Capítulos novos a escrever
Confesso sim
A vida segue em frente
Com várias vírgulas, algumas pausas
Mas longe ainda do seu ponto final.
.
~ Henrique Ferreira - @dullcesilencio

© Todos os direitos reservados

Inserida por dulcesilencio

OCASIÃO (soneto)

A coerência lá se foi tão espantada
por um tropel de vândalos da rudeza
E mesmo o depois de tanta clareza
quedam robóticos, sem mais nada...

No escarcéu disperso, contos de fada
O veras, sem exatidão, e sem defesa
expõe toda a burrice e a estranheza
do revelado na dada outra jornada...

Sobra “Inania verba”, nenhum intento
ao mourejar hercúleo do lhano cidadão.
Indiferentes, só importa o seu contento!

Mas não é meu. Se afasta da tal meta
de parceiro, de irmão, fazer a ocasião
Cria-se curvas, e não a essencial reta...

© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Outubro de 2018
Cerrado goiano
Olavobilaquiando

Inserida por LucianoSpagnol

Exilado

A lua me exilou na noite solitária
Me jogando em um isolamento
Onde a alma se sente precária
No ter e não ter o sentimento
O que alegra, fascina, motiva
Que traz sentido e movimento
Sem que se tenha expectativa
Pois o amor não é sofrimento
Nem exílio, é afeto, iniciativa

© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

Há um deus único e secreto
em cada gato inconcreto
governando um mundo efémero
onde estamos de passagem

Um deus que nos hospeda
nos seus vastos aposentos
de nervos, ausências, pressentimentos,
e de longe nos observa

Somos intrusos, bárbaros amigáveis,
e compassivo o deus
permite que o sirvamos
e a ilusão de que o tocamos

Inserida por pensador

Está um rapaz a arder
em cima do muro,
as mãos apaziguadas.
Arde indiferente à neve que o encharca.

Outros foram capazes
de lhe sabotar o corpo,
archote glaciar.
Nunca ninguém apagou esse lume.

Inserida por pensador

Toda a noite a luz multiplicou
o instantâneo de um rosto intraduzível.
Esquiva, a tua morte não escapou
à ladainha de regra.

Correu uma versão torpe quando
te viram a sorrir
uma ironia de druida clandestino,
indiferente à voragem dos bárbaros.

Inserida por pensador

Há dias em que em ti talvez não pense
a morte mata um pouco a memória dos vivos
é todavia claro e fotográfico o teu rosto
caído não na terra mas no fogo
e se houver dia em que não pense em ti
estarei contigo dentro do vazio

Inserida por pensador

Reformulamos o amor porém se fórmula
não existia como repeti-la?

É preciso criar um eco ambíguo
que deixe de ser eco e tome a forma

do que viver possa ter sido:
encontraremos restos do sentido

que num instante incerto alguma coisa fez
e nunca poderá ser repetido

Inserida por pensador

SONETO ALEGRE

Permita-me um momento de ilusão
Onde alegre, na alegria possa crer
E cá no soneto felicidade então ter
Sem sofrê, alegrando a imaginação

Só alegre não basta a alegria querer
Tem que haver um além da emoção
Olhos lacrimejados duma satisfação
Da alegria em tal melodia à florescer

Então, alegremente cá nesta canção
Cantar as alegrias e, louvar o prazer
Ressonando alacridades no coração

E neste horizonte de alegria no ser
Deixar a sofrência só como bordão
Onde na alegria, alegre és o viver!

© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Fevereiro de 2017
Cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

Este longo cansaço se fará maior um dia,
e a alma dirá ao corpo que não quer seguir
arrastando sua massa pela rosada via,
por onde vão os homens, contentes de viver...

Inserida por pensador

Teu corpo é um templo onde deveras perdoar
Os pecados da minha insanidade de amar
De amar-te, e se tais delitos merecerem condenação
Meu amor, peço-te que me mate pelos prazeres da paixão.

Inserida por simango26

vai um cafezinho?

há no cerrado um gretado
ali ressequido, árido chão

no verão ele é molhado
no inverno devastação

sem a cor do encantado
mas encanta a fascinação

ele tão pálido, incendiado
insiste em renovação

aguerrido nosso cerrado
dedicado o nosso sertão

hoje todo cafeinado…
põe açúcar ou não?

© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
quarta 16/10/2019
Triângulo Mineiro

Inserida por LucianoSpagnol

A UM AMOR PERDIDO (soneto)

Quando a primeira vez se perde o amor
Que do leito acordou, ali gemendo e só
Dentro do peito a tristeza se faz em nó
E desabrocha a flor de lágrima e suor

A vida sente os olhos mareados, forrobodó
Sobe-lhe um amargo, e o primeiro ardor
Do queixume, do pesar, de um pecador
Tal a rosa, de perfume e espinhos, dá dó

Então a alma se traveste de desventura
Numa torpeza de paixão e de mágoa
Onde o sonhador é bravo sem bravura

Assim neste pranto em verso de bágua
Teu cheiro é açoite sem doce candura
E tua lembrança nos arde em frágua...

© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
25/10/2019, 23’47”
Cerrado goiano
Olavobilaquiando

Inserida por LucianoSpagnol

Por dentro era o som dum violino
por fora havia um vago marulhar
menos que nunca penso no destino
e bebo a tua sombra devagar.

Inserida por pensador

pirando-me

é,
este
poema
não nasceu
para ser escrito
este poema nasceu
para ser como um grito
poema fadado ao infinito
a própria pirâmide do egito

Inserida por pensador

De amor

Eu não tinha nada, ao vir para este mundo
Busquei em cada olhar um abrigo, um amigo
E nesta leitura me fiz mais profundo
No meu eu. Me vi rico, me vi mendigo
Cada tempo, cada minuto, cada segundo
Caminhei junto ou separado, calei e pude falar
Assim o corpo se tornou fecundo
E aprendi como é bom amar
Que na alma só ele vai fundo
E ao partir, nada terei, só o amor pra levar...

© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
fevereiro de 2016 – Cerrado goiano

Inserida por LucianoSpagnol

Demora um tempo até a gente se acostumar com o “tudo bem”
Demora mesmo aceitar que o céu não vai desabar
Demora um pouco acreditar que posso ser feliz
Demora mais ainda a acreditar que mereço ser feliz

Quem sempre esteve acostumada a lutar não sabe descansar
Demora a baixar a guarda e tirar os escudos
Passei tanto tempo cuidando que esqueci que quero e preciso ser cuidada
Há muito tempo tenho estado cansada
Há tempos que ando sem rumo pelas ruas do mundo
Há muito quero colo, consolo, carinho, abraços e mimos

Mas como se deixa cair os escudos?
Como se abrir sem medo de ataques?
Como posso pensar no sofrer em momentos tão bons?

Tenho medo de te querer e me perder de mim.
Tenho medo de sofrer quando você decidir não mais me ter.
Tenho medo mas gosto tanto de estar com você.

Decidi deixar arder, queimar, incendiar
Mergulhar no mar dos carinhos
Me perder nos vários caminhos
Me deixar ser cuidada e não me sabotar
Não fugir, apenas pegar ar e mergulhar

Inserida por Maria_ao_mar