Tomar Decisões

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Nenhuma Constituição precisa decidir se existe vida após a morte; precisa apenas garantir que ninguém seja juridicamente obrigado a afirmar que sabe a resposta.

O Estado laico não precisa decidir se Deus existe para decidir que ninguém pode ser perseguido por acreditar, não acreditar ou admitir honestamente que não sabe.

A ciência pode explicar como uma crença se forma sem precisar decidir se aquilo em que se acredita é metafisicamente verdadeiro.

O Direito protege a liberdade de crença justamente porque não possui competência para decidir, por todos, as questões últimas da existência.

Até que ponto aquilo que julgamos saber pode legitimar o poder de decidir sobre aquilo em que os outros devem acreditar?

A soberania envolve também o poder de decidir sobre situações excepcionais.

O Vício atrapalha a liberdade de escolha: A pessoa perde a capacidade de decidir quando parar, agindo de forma compulsiva mesmo sabendo das consequências negativas. P.G

"Aquele que puxa a carruagem deve decidir o destino, não aquele que segura o chicote e as rédeas."

“O algoritmo não precisa dizer o que você deve PENSAR; basta decidir repetidamente aquilo que você verá enquanto PENSA.”

“Pensar é produzir pensamento. Metapensar é pensar o pensamento. DISCERNIR é decidir quais pensamentos continuarão pensando através de você.”

“Pensar sobre o pensamento ainda é pensamento. Discernir o pensamento é decidir até onde ele continuará pensando por nós.”

Carlos Eduardo Balcarse

“Não basta ter consciência do pensamento. É preciso discernimento para decidir quais pensamentos continuarão tendo consciência em você.”

“Não basta pensar para existir; é preciso discernir para decidir quem existe em nossos pensamentos.”

“Educar não é decidir o que o outro deve pensar. É desenvolver nele a capacidade de discernir o que merece autoridade sobre aquilo que pensa.”

Carlos Eduardo Balcarse

“Julgar é decidir depois de ouvir; decidir antes de ouvir é apenas julgar-se certo.”

“Pensar é produzir pensamentos; discernir é decidir quais pensamentos continuarão nos produzindo.”

Carlos Eduardo Balcarse

Discernir não é apenas decidir em que acreditar. É calibrar quanta autoridade cada informação, pensamento ou influência merece receber antes de participar da decisão.

Carlos Eduardo Balcarse

COMO DECIDIR EM QUEM CONFIAR SEM TERCEIRIZAR O PRÓPRIO PENSAMENTO?

Não confiar em ninguém não produz autonomia. Produz isolamento.

Confiar em todos também não produz conhecimento. Produz vulnerabilidade.

Entre a desconfiança absoluta e a submissão intelectual existe um problema muito mais sofisticado: como decidir quanto peso dar ao conhecimento de outra pessoa?

Vivemos cercados por autoridades. Médicos, professores, pesquisadores, jornalistas, líderes, especialistas, influenciadores e, cada vez mais, sistemas de inteligência artificial oferecem respostas sobre assuntos que não dominamos.

Não existe tempo suficiente para verificar pessoalmente tudo aquilo de que dependemos.

Confiar, portanto, é inevitável.

O problema começa quando confundimos confiança com transferência de autoria.

Uma pessoa pode reconhecer que alguém sabe mais sobre determinado assunto sem transformar essa pessoa em proprietária de suas conclusões. Pode aceitar uma orientação especializada e continuar perguntando quais evidências a sustentam, quais são seus limites e em que condições ela deixaria de ser válida.

A pergunta madura não é apenas: “Em quem devo confiar?”

É também: “Por que estou confiando, em quê estou confiando e até onde essa confiança deve alcançar?”

Credenciais importam. Evidências importam. Histórico importa. Consenso especializado importa. Mas nenhum desses elementos possui exatamente a mesma função em todas as situações.

Discernir significa aprender a ponderá-los.

É por isso que tenho trabalhado com a ideia de autoridade epistêmica associada à calibração discernitiva. Não se trata de rejeitar autoridades, mas de impedir que reconhecimento de competência se transforme automaticamente em renúncia ao próprio julgamento.

A autonomia intelectual não exige que saibamos tudo.

Exige que saibamos o que fazer quando não sabemos.

Talvez a forma mais perigosa de terceirização do pensamento não seja pedir ajuda para pensar.

É esquecer que, depois da ajuda, a responsabilidade por aquilo que autorizamos continuar acreditando ainda é nossa.

Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador

Não somos livres porque pensamos; somos mais livres quando conseguimos decidir quanto poder conceder ao que pensamos.

Carlos Eduardo Balcarse

A tecnologia acelera respostas; o discernimento precisa decidir quando a velocidade deve esperar pela VERDADE.

Carlos Eduardo Balcarse