Textos sobre Tempo

Cerca de 25804 textos sobre Tempo

Sozinha, desnuda, livre do exibicionismo e da proposta ideal de ser perfeita o tempo todo, a tristeza a corrompia.
Tinha medo da solidão e das relações rasas. Sofria de amores, chorava de saudades. Ansiava por mudança, por um milagre, por atenção e afeto.
A insatisfação era predominante. Queria viver da coragem que ainda possuía. Experimentar novos sabores, sentir o vigor do inédito, reencontrar e descobrir pessoas.

Inserida por mairany

⁠No silêncio do pensamento

No silêncio onde o tempo se esconde,
teus olhos visitam meu mundo calado.
Cada lembrança que o coração responde
é um eco teu, doce e delicado.
Não sei por que vens tão constante,
feito brisa que insiste em soprar.
Tua ausência é um mar distante,
mas tua presença vive no meu pensar.
Talvez seja encanto, talvez seja sorte,
ou só um coração que não sabe esquecer.
Mas toda vez que o dia anoitece forte,
eu só queria parar de te querer.
E se não posso calar essa paixão,
entrego-te em versos o que sou,
com a coragem de quem guarda no coração
um amor que nunca cessou.

Inserida por guilherme_marco

⁠Ontem, na faculdade, perguntaram por que eu estava sozinho. Respondi: até um tempo atrás, eu tinha uma namorada, mas acredito que, por ser chato para alguns — pragmático, cético, niilista e misantropo — de todos, sou misantropo.
E se nem eu me aguento, muito menos meus parentes… imagina uma mulher que vê a casca e não a raiz. (Essa é minha resposta agora.)
Sou um analista da razão humana, assim eu acredito. Tento racionalizar meu mundo e as pessoas ao meu redor. Por isso, acho que poucas — ou quase nenhuma — mulheres vão querer ficar com um homem esquisito.
Para quem não compreende o real significado de viver, muitos apenas sobrevivem… sem perceber a verdadeira razão do que é ser racional.

Inserida por TarinMichael

⁠Não se desespere, há um tempo certo para cada coisa acontecer a seu favor. Portanto, ocupe-se e não se desespere, pois Deus nunca se esquece de você. Mesmo que as coisas pareçam fora do controle, Ele tem sempre um plano grandioso para você viver melhor amanhã. (Código 2404)
Nelson Locatelli, escritor de Foz do Iguaçu

Inserida por NelsonLocatelliFoz

⁠Amor em Silêncio

Foi o acaso que te trouxe,
num tempo que não era meu,
mas bastou um olhar apenas
pra acender o que adormeceu.

Teu sorriso veio tarde,
mas em mim fez primavera,
e mesmo sendo de outro alguém,
em ti encontrei a espera.

Teu nome ecoa em pensamento,
mesmo quando tento calar,
pois o coração não mente,
ele insiste em te amar.

E sigo amando em silêncio,
sem saber se vou te ter,
pois há amores que florescem,
mesmo sem poder viver.

Mas se o destino for bondoso,
e um dia nos libertar,
que seja o tempo o nosso cúmplice,
e o amor, o nosso lar.

⁠Num tempo em que o amor se desfaz em fragmentos, como folhas secas sopradas pelo vento indiferente…
Num tempo em que os corpos se encontram, mas as almas não se reconhecem,
em que o prazer se tornou moeda fria e o desejo, um artifício sem essência…
Ali, no meio do deserto emocional de uma época árida, dois seres foram colhidos pelo sopro misterioso do destino.

Ela, mulher já moldada pelo rigor dos estudos e pela solidez das escolhas;
ele, homem simples, que caminhava com a esperança nos ombros e a dignidade como única bagagem.

E então, como quem não teme o improvável, a vida — com seus dedos invisíveis — conduziu-os ao mesmo instante, ao mesmo espaço.

Ele buscava apenas um trabalho.
Ela, serena e altiva, conduzia os trâmites das contratações.

Mas o que se deu naquele momento fugiu à lógica das funções e papéis.

Os olhos dele encontraram os dela — e nesse breve cruzar de olhares, o tempo pareceu deter sua marcha.
Um frio, suave e lancinante, percorreu-lhe o ventre;
o coração, em súbita rebelião, disparou, como se quisesse anunciar-lhe que havia acabado de adentrar outro universo:
um mundo de possibilidades jamais sonhadas, de beleza não prevista, de encantamento silencioso.

Ela, com um sorriso que parecia carregar toda a luz ausente daquele mundo tão sombrio, o acolheu com uma delicadeza que não sabia ter.

O tempo, então, os envolveu com sua rede sutil: as mensagens foram nascendo, os diálogos se multiplicando, a amizade se firmando como quem finca raízes em solo fértil.

Mas, aos poucos, algo mais delicado, mais tênue — e por isso mesmo mais perigoso — começou a despontar.

Ele, envolto em desejos calados e vontades que jamais ousara confessar, percebeu-se enamorado.

Ela… ah, ela, embora casada, embora presa aos laços que o tempo e a história haviam tecido, pressentia, em cada palavra trocada, que aquele homem guardava para ela um sentimento que transcendia a amizade.

Mas, com a altivez de quem conhece o peso das escolhas, permaneceu firme, limitando-se à candura da amizade e ao respeito que ainda tributava ao casamento, apesar das dificuldades que o atravessavam como ventos insistentes.

E assim, ambos permanecem, suspensos…
Como folhas que o outono ainda não decidiu deixar cair,
como estrelas que se olham de longe, cientes de que, embora se reconheçam no brilho mútuo, jamais poderão colidir sem que o universo se parta em dois.

E fica, então, a pergunta que apenas o tempo poderá responder:

Será que o mesmo destino que os fez se encontrarem ousará, também, uni-los?

Ou será este um amor que deverá permanecer, para sempre, no território do não-dito, do suspenso, do que poderia ter sido, mas não foi?

O tempo — este velho escultor de verdades e silêncios — dirá…

Pois o amor, quando é verdadeiro, não conhece pressa: ele é paciente como quem sabe que, mesmo no mais árido dos desertos, sempre haverá uma flor a nascer.

Um amor assim: belo, intenso… e, quem sabe, perigosamente eterno.

⁠Foi um tempo que eu perdi em silêncio,
chorando por dentro, sem saber se um dia ia passar.
Meus olhos, antes, refletiam o carinho e amor por ti;
esse amor virou arrependimento.

Cada noite, um loop de lembrança cortando a pele,
pensando: eu poderia ter te ignorado no começo.
E o vazio maldito morando em mim, gritando,
mas você estava tão feliz.

Enfim, valeu a pena.
A dor que achava que ia ficar presa ali pra sempre,
num lugar que só dói, só sangra, foi embora.
O tempo lento e cruel foi curando o que achava incurável.

Não preciso mais segurar o choro,
fingir que a ferida não arde tanto assim...
E, muito menos, espero a sua volta.

Em meio à minha bagunça, ouço uma voz baixa sussurrando:
lembra que, talvez — só talvez —
seja possível um amor que não quebre.

Não é conto de fada nem promessa grande demais,
é só um desejo pequeno, escondido no fundo.

Antes, tentava ser a sua luz,
mas vejo que é em vão para alguém
que quer se encontrar sozinho no escuro.

Hoje, desejo algo que me deixe ser intensa
e me devolva com a mesma intensidade,
e não me largue em meio à sua tempestade e no escuro,
pois tenho medo dele.
E, sim, um lugar que me deixe ser luz e puro amor.

Até lá, carrego essa dor crua,
mas não pela saudade de algo bom,
e sim por medo de nunca encontrar o que mais almejo...

Hoje foi a última vez que te procurei,
não pra te trazer de volta,
mas pra lhe mostrar que eu poderia ser seu lar —
e mais por mim,
pra ir embora sabendo que eu não fui covarde
e nem privei meus sentimentos por orgulho ou heroísmo barato...

Entenda como quiser.
Você recusou friamente a mão que estendi a ti,
sabendo que ia doer
e sabendo que não era isso que você queria — ou não...
Talvez era exatamente isso que você queria.

Até hoje, suas ações me confundem.
Um dia, espero saber:
foi verdadeiro ou não?
Foi embora pra me proteger ou não?
Amou ou não?
E, o mais importante: mentiu pra mim ou não?

Infelizmente, essa era a última vez que me veria...
Algumas pessoas demoram pra perceber
quando alguém está indo embora,
e você é uma dessas pessoas.

Diferente de você, não escondo:
foi amor pra mim.

Mas hoje, espero, um dia,
um amor sem segredos e duradouro.
E, se não for pra ser eterno,
que pelo menos cumpra a promessa de não me magoar
e que suas ações não me deixem em pedaços no fim.

Inserida por itsnormalgirl

⁠Minha Fé Inabalável: De Petrolina ao Lar e Além
"Lembro-me de um tempo antes dessas recentes dificuldades. Foi por causa dessas experiências passadas que hoje não busco tratamento em médicos ou em coisas do mundo. Minha confiança está firmada no Médico dos médicos, pois Ele sempre me ajudou em diversas fases da minha vida.

Muitas foram as vezes em que chorei, mas uma memória se destaca, algo que aconteceu antes de tantas outras provações recentes. Quando deixei Petrolina e retornei à minha cidade natal, voltei a morar com meu pai. Naquela época, eu não era casado e chorava por não ter uma família, por não ter filhos.

Lembro-me de ter clamado a Deus por isso. Eu estava disposto a perder tudo que tinha, todo o dinheiro que havia guardado – algo que hoje já não possuo na mesma medida. E Deus me atendeu: Ele me deu uma família! Me deu minha mulher e meus filhos.

Passamos por dificuldades, aflições e problemas juntos, sim. E sei que hoje enfrento um novo problema em minha vida. Mas tenho uma fé inabalável no Senhor de que este momento de aflição também passará. Assim como Ele agiu antes, Ele agirá novamente. Minha vida e minha saúde estão nas mãos Dele, e é Nele que deposito toda a minha esperança."

⁠A Providência Divina no Deserto e a Lição da Oferta
"Houve um tempo, logo após me casar, em que a vida me testava com uma dureza implacável. Eu ainda não tinha minha casa, nem meu filho havia nascido. O peso de prover para minha família caía sobre mim, e os trabalhos eram exaustivos e perigosos. Eu lidava com esterco, um serviço pesado que traz doenças e que poucos ousam fazer. Também carregava lenha para as cerâmicas, enfrentando riscos constantes. Lembro de uma cobra que chegou a morder minha calça, mas não era venenosa. No entanto, por ali, tive contato com outras, como cascavel e jararaca, o que mostrava o perigo constante.
A dificuldade de trazer comida para casa era imensa. Minha mulher recebia R$ 200 do Bolsa Família, e eu, trabalhando com esterco e lenha, ganhava cerca de R$ 500 por mês. Lembro dos momentos em que, em meio ao desespero, cheguei a proferir blasfêmias contra Deus. Eu não tinha quase nada, mas ainda assim me sentia 'obrigado' a dizimar e ofertar. Naquele tempo, eu não compreendia o real sentido da oferta, apenas via o sofrimento que passava.
No entanto, mesmo na escassez, a providência de Deus se manifestava. Nunca me faltou nada, e jamais precisei mendigar o pão. Deus me sustentava com o pouco que eu tinha.
Foi a necessidade que me levou à casa da minha sogra, na região de Salgueiro. Lá, tive um encontro transformador. Aprendi com um pastor o verdadeiro significado de ofertar e dizimar. Foi nesse período que comecei a dar valor a cada pequena coisa que eu possuía, percebendo que a maior riqueza não era material, mas a provisão e a fidelidade de Deus, mesmo nos momentos mais difíceis."

⁠Paciência é o tempo vestido de esperança,
É flor que desabrocha na calma da confiança.
É saber que o fruto não nasce ao gritar,
Mas no silêncio de quem escolhe esperar.

É arte de ouvir o relógio do universo,
Mesmo quando o coração grita em verso.
Paciência é ponte entre o querer e o chegar,
É saber que o caminho também faz o caminhar.

Ela não para, apenas desacelera,
Dá espaço para a vida, sem pressa ou espera.
É atitude nobre de alma madura,
Que entende: o processo também é a cura.

Inserida por ronaldo_jose_damaceno

⁠O café
Filha se o tempo passar logo e você
não o veja, que bom, pois, é assim
mesmo é em pequenos goles que
você despertou e acordou pra vida e
hoje é motivo de orgulho .
Posso te lembrar que quente
fui, igual, para te despertar nas
manhãs, ensolaradas e também
nas chuvosas me provaste de
bem com a vida açucarado, digo
mais com leite, caputino,mas, foi
puro que tentei te mostrar à vida
e os sacrifícios e obstáculos que
ela nos propocionou, mais valeu
a pena,quis te dá o melhor, por
isso provaste dos melhores grãos
que puder te oferecer e você
acabou entendendo que puro é
mais saboroso, é no amargo, seco,
quente e em pequenos goles que
você entendeu a real e o sentido
de estarmos aqui te dando um
open, para um novo despertar.
Filha, quando você saborear esse
pretinho, lembre-se de mim, que
muitas vezes fui amargo, quente
e sem açúcar, para que saibas
que com dificuldades a vida tem
sentido , lembre-se também que
posso em cada gole está contigo,
nos momentos de alegrias, nas
noites frias, entre amigos e nas
dificuldades e no despertar do dia
à dia em todos os lugares estarei
contigo que você permita e que não
só estou no preto do que entra e
sim, estou no vermenho das suas
veias sempre, isso não tem como
mudar, te amo eternamente.

POeMA DE SEGUNDA

A semana começa.
O dia termina.
O tempo voa.

Sexta chegou —
e o tempo foi pouco.
Sábado passou,
domingo é sala de espera pra segunda.

Tudo recomeça.
A roda gira:
tempo, trabalho, tropeço e o vôo.

E a vida?
Bilhete de ida
pra um tempo qualquer
Pra uns, curto.
Pra outros, um pouco mais.

No fim,
somos só isso:
passageiros do tempo,
com hora marcada.

Inserida por mardoniobarros

⁠"Eu voltei no tempo e vi você
Tão diferente do que eu costumava imaginar
Quem é este cara ao seu lado?
Ele te conquistou
Mas como pode a vida ser assim?
Eu era um sonho ou sei lá
Te vendo deste lado
Você só tinha 17
As lutas e desejos eram mais do que você podia imaginar
E este rapaz ai do lado fez você se apaixonar
Eu posso ver nos seus olhos
Que vocês serão assim
Uma mistura de tudo que há em mim
Reconheci na mesma hora
Pai e mãe, sou eu aqui
Estou revendo suas lutas
E revisando o meu passado
Pai e mãe sou eu aqui
74 era o ano
E quase que não resisti

Leva a criança, ela é sua
Pra poder se despedir
Oh mãe senti seu pranto
E foi Deus que me deixou
Ficar e ter você pra mim

E cada ano que passava
A luta pintava um quadro
Cores vivas do suor
Uma maquina , mil panos e um menino
É eu sei. Sou eu ali
Meu irmão nasceu depois
Eu sorri, já somos dois
Duas bocas pra comer e quatro corações pra ter
Ter coragem pra ser mais
E o mais chegou no 3
3 crianças reunidas
Compensando seus desejos
De poder nos dar amor

Mãe você é mais
que tudo aquilo que sonhamos
É um presente feminino
E o amor que encontramos
Mãe você é mais
que tudo aquilo que sonhamos
É um presente feminino
E o amor que encontramos"

Inserida por allex_nascimento_1

Durante muito tempo, pais e mães se orgulharam de dizer: “meu filho é obediente”. E, por trás desse orgulho, quase sempre havia um menino ou uma menina que sabia exatamente o que devia fazer para não contrariar os adultos, para não desagradar, para ser aceito. Crianças silenciosas, contidas, adaptadas. Crianças que aprendem cedo a dizer “sim”, mesmo quando querem dizer “não”.

Mas obediência cega não é virtude — é risco.

⁠Eu desisti de desistir.
Meu fim? Só o tempo e Deus conhecerão.

Hoje, decidi que parar não é mais uma opção.
O que sinto não será calado pela culpa de não ter feito diferente.

Minhas dores existem. Minhas angústias também.
Mas nenhuma delas é maior do que a força que vive em mim.
Nenhuma é mais forte que a minha vontade de vencer.

Um passo por vez.
Um dia de cada vez.
Mesmo com dor, eu sigo. Mesmo cansado, eu continuo.

Agora eu entendo: talvez nunca tenha sido por mim…
Mas, já que estou aqui, eu vou lutar — e vou vencer.

A alegria pode não vir com o amanhecer, mas o choro também não vai me dominar.
A decisão é minha.
E eu escolho continuar.
Eu escolho viver.
Eu escolho vencer.

Inserida por R_A_S

⁠Confie no agir de Deus e não se preocupe, pois Ele nunca chega atrasado. No tempo certo, Ele concederá os desejos do seu coração. Ponha sempre um pouco mais de esperança em cada novo dia e tenha certeza de que o que importa não é o que os outros veem, mas, sim, que Deus saiba que, por dentro, você é forte, capaz e merecedor de todas as bênçãos que Ele prepara todos os dias para a sua vida. (Código 0205
Nelson Locatelli, escritor de Foz do Iguaçu

Inserida por NelsonLocatelliFoz

Hoje escolho não murmurar, mas confiar. Mesmo sem entender tudo, eu sei: o Teu tempo é perfeito! Eu declaro com fé: viverei o “de repente” do Senhor — aquele momento inesperado em que tudo muda! As bênçãos estão chegando, o impossível está se tornando realidade. Deus já está agindo, já deu tudo certo, e o meu cálice vai transbordar! Em nome de Jesus, Amém!
Bom Dia Paz E Graça.

Inserida por IcaroJorge86

Arquitetura de Eternidade
Não nasceu de um sopro impaciente,
nem de um desejo que o tempo desfaz.
Foi amor plantado docemente,
em terra onde o silêncio é paz.

Não foi relâmpago em noite escura,
mas brasa quieta que acende o chão.
Não prometeu juras de altura,
mas construiu com devoção.

Cada palavra, medida exata,
cada silêncio, um lugar sagrado.
Na planta da alma, linha reta,
traço firme de um cuidado.

Não foi paixão que devora e cansa,
mas presença que repousa e acalma.
É afeto que veste a esperança
e faz do outro um lar na alma.

Forjado em pedras de confiança,
cavado fundo onde o medo cessa,
é amor que em si mesmo se lança
sem precisar vestir promessa.

Ergue-se alto, com alicerce,
na leveza de um gesto nu.
Onde um tropeça, o outro oferece
a mão, o colo e a fé em cruz.

Não teme o inverno, nem se abala
com vendavais ou dias sem cor.
Pois quem se ama com alma embala
até o silêncio com calor.

Na rotina, acha poesia.
Na demora, cultiva o bem.
Ama até a melancolia
que todo coração também tem.

É templo e é estrada, é porto e é vela,
é vinho vertido, é pão repartido.
É sol quando o céu se revela,
é chão onde o passo é ouvido.

No rosto do outro, espelho e abrigo,
no peito, pulsa a mesma canção.
É estar inteiro, mesmo em conflito,
e escolher amar... em comunhão.

Porque amar não é ter só festa e flor,
é regar a raiz nos temporais.
É saber que um grande amor
não vive de instantes… mas de cais.

Cais onde se espera sem cobrança,
onde se chega e se é bem-vindo.
Onde o tempo vira esperança
e cada gesto é sempre lindo.

Assim se constrói — pedra por pedra —
um amor que nunca se desfaz.
Não é castelo de areia que quebra,
é arquitetura de eterna paz.

Inserida por tamara_guglielmi

⁠Fidelidade em Silêncio

Não é ao mundo que juro minha alma,
Nem às promessas do tempo que dança.
Minha aliança é com a chama que acalma,
Com o princípio que em mim se lança.

Não sou fiel por medo ou corrente,
Nem por contrato que o tempo desfaça,
Mas por amor ao que em mim é semente,
Que floresce em silêncio, e nunca passa.

Já fui tentado a vender meu destino,
Trocar valores por trégua e prazer...
Mas algo em mim, antigo e divino,
Me ensinou a perder para não me perder.

Fidelidade não é resistir ao afeto,
É amar sem trair o próprio caminho.
É sorrir, mesmo andando discreto,
Com a alma vestida de sol e de espinho.

Não nego a dor que o amor traz consigo,
Nem os riscos de viver com o peito nu.
Mas prefiro errar seguindo comigo,
Do que vencer negando quem sou e fui.

Se me vires distante, não é indiferença,
É só que às vezes é preciso calar.
Para manter a aliança, a consciência,
Com o Céu que insiste em me visitar.

Inserida por VegaLira

⁠Setembro dormiu cedo

Areia nos bolsos e o cheiro do mar no cabelo.
Era só isso. E, por um tempo, foi tudo.
As janelas do carro abertas,
e você dizendo que não queria prometer nada.
Eu disse que também não queria.
Era mentira.

Te esperei como quem espera verão em cidade fria.
Escrevi seu nome na parte de dentro dos meus pensamentos
e apaguei com o canto da mão —
como se isso bastasse pra esquecer.

Mas ainda vejo a gente,
preso num instante que nunca virou agora,
num fim de tarde que não sabia que era fim.
Setembro dormiu cedo,
e eu fiquei acordado esperando você voltar da escola.

Eu me lembro:
das suas costas contra o céu dourado,
de quando você dizia "só hoje",
como se amanhã não fosse pesar.

A gente se encontrou no intervalo do mundo,
nos bastidores da vida real.
Promessas murmuradas atrás do mercado,
planos que só eu levava a sério.
Você era um talvez disfarçado de agora.
E eu achava que tinha sorte.

Eu cancelei noites, amigos,
e até a mim,
só pra ter mais alguns minutos de você.
Você, que nunca foi meu.
Mas me chamava de "sorte"
quando esquecia o nome das outras.

A gente era o que não era.
O que quase foi.
O que não coube no tempo certo.
E eu ainda te procuro nos dias nublados
e nas músicas tristes demais pra tocar de manhã.

Você se lembra?
Do portão velho,
do meu "entra no carro",
da minha espera que você nunca pediu?
Do sol batendo no seu ombro,
e de mim achando que aquilo era amor?

Setembro dormiu cedo.
E eu fiquei, sozinho,
esperando que você acordasse de novo pra mim.
Mas não acordou.

Você nunca foi meu.
Mas fui inteiro por você.

Inserida por NaicanEscobar