Textos sobre palavras
Superando as sombras do passado
As palavras de meu pai ecoavam como um decreto de inutilidade. As afirmações de minha mãe pintavam um futuro sombrio, desprovido de conquistas. O laço fraterno com minhas irmãs parecia frágil, distante da amizade que eu ansiava. Na escola, sentia-me como uma intrusa, uma aluna indesejada. A crítica de um professor ressoou profundamente, como se minha própria existência fosse um erro.
Cresci envolta em uma névoa de incerteza, questionando meu lugar no mundo. Hoje, aos 30 anos, reconheço o vazio que se instalou, reflexo das feridas do passado. Minha história pode não ser um conto de alegrias fáceis, mas ela é a minha jornada.
Ainda que em alguns momentos a vida pareça um fardo pesado, carrego em mim a resiliência de quem sobreviveu às tempestades. Se por vezes meus passos vacilam e o destino se oculta, a busca por um caminho permanece acesa. A tristeza que as incertezas trouxeram não me define, mas me impulsiona a buscar luz.
Na minha busca espiritual, volto-me para diversas crenças, na esperança de encontrar amparo e compreensão. E mesmo que o silêncio persista em alguns momentos, a fé reside em meu coração.
Sou feita da vastidão da estrada sob a noite estrelada, da firmeza do chão batido sob a luz da lua. Envolvo-me na delicadeza do perfume das rosas e na imensidão acolhedora do mar. Reconheço a multiplicidade de caminhos e destinos que se apresentam, e com renovada esperança, sigo adiante, confiante de que um deles me encontrará.
🌿 “Ele Me Viu Quando Eu Me Perdi”
Eu já me perdi tantas vezes…
Nos braços errados,
nas palavras vazias,
na pressa de ser amada por quem nem sabia amar.
Me vesti de sorrisos,
mas por dentro… eu só chorava.
Me calei pra não incomodar,
me entreguei pra não ser esquecida.
E mesmo assim…
eles foram.
Levaram partes de mim
como se eu não fosse mais do que um momento qualquer.
Mas Ele ficou.
Ficou quando eu desabei sozinha no quarto.
Ficou quando minha alma gritou em silêncio.
Ficou quando eu pensei que ninguém me escolheria.
Ficou quando eu achei que não era mais digna dEle.
Porque Ele me viu…
quando eu já não via mais valor em mim.
Ele viu a menina machucada
e a chamou de preciosa.
Viu a filha quebrada
e a chamou de restaurada.
“Não temas”, Ele disse.
“Eu sou contigo.
Eu te tomo pela mão direita
e digo: Não te deixarei.”
(Ele jurou. E Ele cumpre.)
E agora…
Eu não corro mais atrás de quem vai embora.
Eu caminho ao lado de Quem sempre permanece.
Eu sou a que foi esquecida por muitos,
mas escolhida por Deus.
A que caiu, sim —
mas caiu nos braços certos.
Se minhas palavras fossem folhas, então minha existência seria de uma árvore condenada a despir-se com o tempo. E ainda assim, usaria cada folha não para compreender o absurdo da vida, mas para sim dizer o quanto te amo.
Pois mesmo sabendo que a última folha anunciará a minha morte, seria no amor, e não na lógica da finitude, que eu encontraria sentido.
Hoje eu precisava escrever,
mesmo que as palavras pareçam pequenas diante do que sinto.
Há uma dor em mim que ninguém vê.
É um vazio tão profundo que não sei como descrever.
Só sei que está aqui — me atravessando em silêncio.
Esperei com amor, com fé, com cada parte do meu ser.
Esperei como quem acredita em milagre,
como quem sente antes mesmo de existir.
Me entreguei por inteiro, corpo e alma,
a um sonho que crescia — mesmo sem forma.
E quando a resposta veio…
não foi grito, nem tragédia.
Foi apenas o não.
Silencioso, seco, cortante.
E ali, eu me perdi um pouco.
Ninguém viu meu luto.
Ninguém me abraçou por algo que “nunca aconteceu”.
Mas dentro de mim, eu vivi.
Eu sonhei.
Eu amei.
Hoje carrego uma dor muda,
como quem enterra uma parte de si sem ter onde chorar.
E mesmo assim…
mesmo assim…
há um pedaço de mim que ainda espera.
Que ainda ama o que não chegou.
Se um dia você me vir sorrindo,
saiba que há um mar calmo por fora,
mas que por dentro…
ainda há ondas que não sabem descansar.
Com amor,
de mim — por mim.
Cercada de amor, sozinha na dor
Eles estiveram lá
com mãos estendidas
com palavras brandas
com olhos molhados de sentir por mim
Houve quem segurou o meu silêncio
como quem segura um vaso quebrado
sem tentar consertar
apenas cuidando dos cacos
com amor
Não me faltou um ninho de acolhimento
tentando me lembrar
que a vida ainda pulsa
mesmo quando não se ouve o som
e eu sei —
sei que fui amada
sei que fui cuidada
sei que tudo o que podia ser feito por mim, foi
Mas a dor…
essa dor morava num cômodo
que ninguém podia entrar
Era um espaço escuro
que mesmo cercado de luz
continuava fechado por dentro
O amor deles não falhou
mas não curou
Porque há dores
que não querem cura —
só querem existir
até ficarem pequenas o bastante
pra caberem num poema
Quando você traduz palavras em desenhos, e os desenhos em gestos, e ainda assim não é compreendido, nasce a dúvida: é sábio insistir onde não há ouvidos, ou seguir adiante, deixando que o tempo fale o que sua voz não pôde alcançar?
Explicar para quem não quer entender é como acender uma vela ao vento — o esforço é belo, mas em vão. Há almas que só escutam quando o silêncio ecoa mais alto do que qualquer discurso. E há momentos em que partir não é desistência, mas o mais puro ato de sabedoria.
Se você não é capaz de perceber a grandeza do outro na sua vida — nos pequenos gestos, nas palavras certeiras, nos espelhos que ele te oferece — é sinal de que o orgulho pode estar te cegando. E quem é dominado pelo orgulho raramente progride em projetos coletivos.
Crescer junto exige humildade. Exige reconhecer que o outro, mesmo com suas falhas, pode ser um instrumento poderoso de provocação para o seu amadurecimento. Que o outro te ensina, te inspira, te desafia — mesmo sem querer.
Não reconhecer isso é recusar-se a evoluir. E quem recusa a evolução, repete padrões, se isola e bloqueia a própria potência.
Por isso, observe com mais atenção. Escute com mais profundidade. Agradeça mais. O que te falta pode estar exatamente no que você ainda resiste a valorizar.
Atenciosamente,
Leandro Nascimento Cristo
Eu errei…
Duas palavras pequenas, mas tão pesadas que parecem não caber na boca.
Difícil de dizer… quase impossível de engolir.
Mas talvez, meu maior erro…
Não tenha sido tropeçar,
E sim achar que nunca cairia.
Acreditar — tolo que fui —
Que a razão sempre dormia do meu lado da cama.
Fui ajuntando certezas
Como quem coleciona medalhas de um campeonato que ninguém mais quis jogar.
E nesse desfile de convicções,
Esqueci que o orgulho é sempre o ensaio da queda.
Porque quem pensa estar de pé
Deveria, ao menos, aprender a vigiar.
Há um preço em querer estar sempre certo.
E, às vezes, esse preço é alto demais.
Chama-se solidão.
Na sede de vencer discussões,
Perdi algo que pesava muito mais que qualquer argumento:
As pessoas.
Quantos lares, quantos abraços, quantas amizades…
Despedaçadas, não por grandes pecados,
Mas por pequenas vaidades,
Por muralhas erguidas onde poderiam florescer pontes.
Ah, o orgulho de quem nunca erra!
Ele não grita, mas constrói cárceres,
Isola, afasta, esfria.
E a certeza cega —
Essa danada — sufoca a humildade,
Fecha os olhos para tudo que ainda poderíamos aprender,
Se ao menos ouvíssemos…
Se ao menos calássemos.
No desespero de provar que sei,
Desaprendi a escutar.
Na ânsia de estar sempre certo,
Perdi pedaços de mim —
E já não era inteiro.
Nem toda vitória é vitória.
Às vezes, vencer é saber perder…
Perder o orgulho, para salvar o essencial.
Afinal, a verdade não precisa berrar.
Ela é forte o suficiente para permanecer em pé,
Mesmo quando se cala.
Vencer…
Às vezes é ceder.
Amar…
É aceitar que nem tudo precisa ser provado.
E, no final da história —
Quando os debates forem apenas eco nas paredes vazias —
A pergunta vai soar, simples, brutal e libertadora:
Você quer ter razão? Ou quer ter paz?
Porque no fim…
Não serão as vitórias que contarão.
Mas os vínculos…
Aqueles que resistiram ao fogo,
Aos ventos,
À tempestade,
E continuaram ali — firmes, de mãos dadas,
Escolhendo o amor, sempre.
Culpa não resolvida
Experiências passadas, decisões que nos marcaram ou palavras duras que ouvimos (especialmente na infância), podem deixar raízes de culpa. Quando não tratadas, essas feridas continuam ditando como nos vemos hoje.
Jesus disse à mulher adúltera:
"Nem eu te condeno; vai e não peques mais.” (João 8:11) — Ele separa a pessoa do erro e oferece redenção, não condenação.
Observe apenas as palavras dos bons pastores, dos bons
mestres, enviados por Deus Pai. Mas, principalmente
procure Deus no íntimo do seu próprio coração.*
* [João 15 :26] "Quando vier o Paráclito, que vos enviarei da parte do
Pai, o Espírito da Verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de
mim."
Cativeiro das Palavras
Nunca sei o que escrever.
As palavras chegam sem aviso,
como pássaros desorientados
que pousam no peito
e logo se lançam ao vazio,
deixando o silêncio
como única companhia.
Sempre há dúvida.
Onde estão as inspirações?
Onde se esconderam os sorrisos
que um dia iluminaram o caos?
Talvez seja apenas questão de tempo,
tempo que não há,
tempo que se dissipa
como névoa em manhãs febris.
Mostre-me as lágrimas
que tais sorrisos trouxeram consigo,
como marcas discretas
nas dobras da memória.
Entre tantos sentimentos vazios,
confusos e desgastados,
é difícil encontrar algo verdadeiro,
algo que não se dissolva
na vastidão dos dias incertos.
" PROPOSTA "
Deixei-te sem palavras, sem resposta,
sem dúvidas que, até, desconcertada,
surpresa, constrangida, apavorada
quando eu te perguntei se estás disposta!
Assim, de bate-pronto, na jogada,
o susto ajuda na questão suposta
deixando tu’alma totalmente exposta
sem ter qualquer suspeita arquitetada.
Então, fala mais alto a carne em jogo
do que a razão, ao ponderar o rogo,
abrindo, ao fim, caminho pra paixão…
E, sem palavras, sem resposta pronta,
ponderas que a proposta não te afronta
e acabas, pois, na palma, aqui, da mão!
A POESIA
Atenção, senhores:
a poesia
nem sempre cabe
nas palavras.
Para parir o verso...
As palavras flutuam
nascem e morrem
no mesmo instante
do pouso.
Silêncio!
Abram-se as portas!
O poeta descobriu
as metáforas!
Dizer- se,
Fingir-se,
Rasgar-se,
Embriagar-se...
Até a última
gota de alma.
Pronto.
Pariu-se a poesia!
— Que ruflem os tambores!
Até o dia clarear.
Neste dia de profunda celebração, elevo minhas palavras para honrar todas as mães, as de ventre e também aquelas que, pela força do amor, assumiram a maternidade da alma: avós, madrinhas, tias, mulheres cuja ternura fez nascer vínculos eternos.
Vocês são mais do que presença: são extensão do céu na terra. Por meio de uma mulher, semelhante a cada uma de vocês em essência e dignidade, Deus se fez carne. Ele veio, viveu entre nós e, pela entrega de sua vida, abriu-nos o caminho de volta ao nosso verdadeiro destino: o céu.
Mães, vocês não apenas geram a vida, vocês indicam o caminho da Vida. São como pontes sagradas entre a eternidade e o tempo, entre o Verbo e o choro de um recém-nascido. Em sua missão, vocês nos dão a oportunidade de, um dia, contemplarmos face a face o rosto de Cristo, basta que o sigamos com fé, com perseverança, com amor e renuncia às coisas cujos caminhos se diferem da graça.
E agora, em ressonância com essas palavras, volto-me às moças que guardam no coração o desejo sagrado de um dia serem mães:
Que o Senhor conserve esse anseio puro e fecundo, pois ele é semente de céu plantada no tempo. Mesmo que ainda não conheçam aqueles que gerarão ou acolherão, já os amam com um amor que transcende a lógica. Sejam exemplo. O dom de vocês é maior que qualquer vaidade ou reconhecimento deste mundo.
Busquem as coisas do alto e escolham, para caminhar ao lado, aquele cuja alma abrace a cruz com firmeza e silêncio, como quem reconhece nela não o peso, mas o propósito. Maria, em sua sabedoria silenciosa, escolheu José, não por status, mas por santidade. Um homem simples, carpinteiro, que com mãos calejadas moldava a madeira... o mesmo material que, um dia, sustentaria a redenção do mundo. É nesse lenho trabalhado pelo cotidiano de José, que, Jesus, venceu a morte. Da oficina ao Calvário, o madeiro foi transformado em altar, e o amor, em salvação.
Um abraço sincero e profundo. Feliz e santo Dia das Mães a cada uma de vocês. Sejam luz, sejam caminho, sejam santas. Que Deus as abençoe eternamente.
Palavras são simples expressões
Mas carregam fortes emoções.
Enaltecem a guerreira que és,
Mas não conseguem expor todo o viés.
Pois só quem sente, sabe explicar
O quanto lutaste sem nunca parar.
Teu suor, teu silêncio, tua dor contida,
Foram alicerces da minha vida.
Tuas verdades, instruções e ensinamentos,
São bases para meu desenvolvimento.
Tua coragem e fé inabalável,
Provedora de uma força incansável,
Detentora de uma aura admirável.
Mãe, és um exemplo de superação,
Um farol, raiz, minha inspiração.
Amor que resiste a qualquer estação,
Que neste dia, mesmo sem te tocar,
Saibas: para sempre vou te honrar!
Mãe, não existem palavras que expressem tudo o que sinto por você.
Você é meu exemplo de força, de amor e de generosidade.
Nos seus braços encontrei acolhimento, nos seus conselhos encontrei direção, e no seu amor encontrei tudo o que preciso para ser feliz.
Obrigada por cada gesto, por cada sacrifício silencioso, por cada sorriso dado mesmo nos dias difíceis.
Você é o meu maior presente, a minha inspiração diária, e o amor mais puro que eu conheço.
Te amo hoje e sempre, com todo o meu coração!
Carinho sem presença cansa.
Palavras sem atitude machucam.
Prometer sentimento e não sustentar é falta de respeito, não de amor.
Responsabilidade afetiva não é sobre dizer tudo o tempo todo.
É sobre não bagunçar o que você não está disposto a cuidar.
É saber entrar na vida do outro com a mesma consciência de quem entra num lugar sagrado.
Tem gente que confunde presença com atenção esporádica.
Mas quem viveu a dor de ser opção, aprende:
A solitude dói menos do que a companhia que só vem pela metade.
Porque estar só é um alívio…
Quando o que se tem por perto é alguém que só sabe ferir.
Maneiras de Falar de Ti
Quando olho nos teus olhos
e não encontro palavras,
é porque tudo em mim já fala.
Te rendo em meus braços
como quem oferece abrigo,
mas também pede, em silêncio: Fique.
Falo de ti quando uma música começa a tocar,
e o dia se torna mais leve
só porque me lembrei de você.
Te ofereço silêncio quando o mundo pesa,
e escuto até o que não se diz.
É nos detalhes que você mais aparece.
Faço questão de lembrar como você gosta do café,
mesmo sem nunca ter perguntado.
Te cuido com o olhar,
te espero sem pressa,
te sinto mesmo quando não estás.
Falo de ti com meu sorriso,
quando mencionam teu nome por acaso.
Te olho como quem encontra uma casa,
mesmo sem nunca ter morado nela.
Te canto sem dizer,
como se meus dedos soubessem
o caminho até você.
Te faço caber em coisas pequenas:
uma música, um cheiro...
Uma longa pausa…
Que saudades de ter você.
Mais vale a obediência à lei interna que muitas palavras de promessas e boas intenções.
É preciso dar tempo para o tempo cumprir-se;
Não cries expectativas, não macules tua entrega com anseio por recompensas;
Não busque salvação para ti, esquecendo-se dos demais.
A SEMENTE LANÇADA NA TERRA DEVE GERMINAR
ODE AO AMIGO
(dos que se reconhecem antes das palavras)
Tu vieste antes do nome.
Antes da história.
Antes da glória ou da queda.
Tu vieste como vêm os cometas:
inesperado, exato,
com a fúria de quem já me conhecia sem nunca ter me visto.
E me reconheceu —
no erro, no excesso, na beleza.
Foste o riso que me salvou do abismo,
a mão que não julgou minha vertigem.
Foste a noite que ficou até o fim,
quando todos os outros foram embora com medo da minha escuridão.
Contigo, aprendi que há uma linguagem secreta entre os que criam,
um fogo que arde no mesmo tempo,
ainda que em corpos distantes.
Fomos Rimbaud e Verlaine sem as balas.
Van Gogh e Gauguin sem o corte.
Fomos tempestade e refúgio.
Fizemos da amizade uma obra de arte.
Teu olhar me devolveu a fé no indizível.
Tu entendeste o que havia entre meus silêncios.
E nunca me pediste que eu fosse menos do que sou.
Ao contrário: me empurraste para o abismo do que posso ser.
Oh, amigo —
irmão de caminho,
cúmplice de insônias,
espelho onde vi o que o mundo não via.
Se um dia o tempo nos dispersar como folhas,
que reste esta verdade:
eu criei melhor, eu vivi melhor,
porque exististe em minha vida.
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