Textos sobre Olhar

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NEGRITUDE

O olhar do negro
Tem o tamanho de todas as estrelas,
As lembranças de arrastar correntes,
Tem a tortura de todos os troncos,
O olhar do negro
Veleja navio negreiros
Na saudade das savanas de sua liberdade,
O olhar do negro
Se perde nos canaviais, nos engenhos,
O olhar do negro
Tem a solidão ímpar de todas as noites,
Tem a angústia de todos os órfãos,
A dor de todas as humilhações,
A revolta de todos os mares,
O olhar do negro
Tem todas as angústias da colônia,
Tem traumas silenciosos,
De mães e irmãs abusadas,
O olhar do negro
Tem a ansiedade dos quilombos,
Tem a valentia do zumbi...
E uma saudade que urra, que brame, que zurra
Que agita manadas, alcateias, bandos e tribos
Da negritude que ainda corre em seu sangue...

O OLHAR DE CATARINA
A beleza das coisas
Tem uma face obscura oculta,
O seu sorriso contente,
Tem uma tristeza secreta
A terceira margem do rio,
Na sua essência
Está submersa
Boas ações muitas vezes
Têm uma finalidade perversa

Assim me perco em divagações
Passo a noite a contemplar estrelas
E não entendo o olhar de catarina
Não entendo o seu universo
E por mais que eu filosofe e faça versos,
Não encontro uma rima
Passo a noite a contemplar estrelas
E não entendo o olhar de catarina...

Ficou aquele olhar... algo interpelando as razões da vida; o que nos conduz, o que nos acorda, o que nos levanta, o que nos faz respirar; sonhos e paixões. A eternidade em poucos segundos. As estrelas explodem criando supernovas; fatos, criações e a cultura secular de uma civilização tornam se a história, mas eternidade é algo bem subjetivo: primaveras, outonos, invernos e verões... momentos felizes ou agruras superadas; cicatrizes, cumplicidades e boas lembranças que fazem valer o parasempre. Teremos outras manhãs, só não olhe pelo retrovisor, não procure eclipses não faça promessas; e o meteoro que vem em nossa direção... não ouça tudo o que dizem, não acredite em tudo que falam, não peça que eu bata, que eu enforque, não se entregue tanto a esse vício chamado paixão... dentro de mim tem um vem-vem que pode voar bem longe, mas que faz valer seu nome. As grades não podem conter esse pássaro que há em mim. Ficou aquele olhar inquisitivo... um cheiro de pólvora, o cano do “Smith’’ fumegando... então eu volto como se pudesse refazer tardes tépidas dos sábados inesquecíveis, noites brilhantes quando contemplávamos constelações e eu tentava entender o enigma de capricórnio, ou noites chuvosas e incitantes ao prazer; então há um bloqueio, e eu me encontro aqui: olhares estranhos, palavras inquietantes, pessoas abstratas. O homem com a toga jamais entenderia que nenhuma sentença me condenaria mais que aquele olhar, o corpo sem vida, olhos arregalados incapazes de compreender de como a paixão pode ser letal. Jamais compreenderia que antes do homicídio eu já tinha sido assassinado.
O tempo parece que parou, aqui se perde noção de hora ou dia, mas nada me faz esquecer as nossas sextas-feiras ali na lagoa. Petra, a garota do açaí, já tinha me falado da ruiva que circulava ali numa Caloi; e quando nos conhecemos confesso que aquela intimidade me perturbava; mas as mulheres compartilham seus segredos, coisa que só outra mulher compreende, mas aquela cumplicidade me incomodava; mensagens no whatsapp, chamadas longas, sussurros... na manhã daquele sábado passei no ” pinga fogo” revi velhos conhecidos meus e seus, ouvi comentários indesejáveis, risos sarcásticos e talvez tenha bebido além da conta; quando ia saindo, uma prima sua ainda veio me provocar: ”o que a Iranir viu em você” -o que você não viu nem vai ver nunca, respondi. Mara, Liana, Nilde... tento comparar, repovoar, detalhar; agora era diferente, os momentos difíceis eram compartilhados assim como as alegrias. A forma de como tudo aconteceu não foi por um sentimento de posse, foi o cuidado excessivo de preservar algo precioso.
As manhãs de domingo ali na Lagoa... a garota na Caloi já fazia parte da paisagem; o Cristo Redentor lá de cima parecia uma sentinela para que tudo corresse dentro da normalidade.
Dez anos passados, a Lagoa continua acolhedora, a moça do açaí agora é uma afrodescendente: Dina tem um sorriso encantador, veste a camisa do fluminense e me confessou que leu AMORAMORA; e que não compreendia como alguém com tanta sensibilidade... tudo vai muito além dos bloqueios que nos afligem a alma; e as coisas acontecem exatamente pela sensibilidade, mas o redentor nos acolhe misericordioso como aquele que nos permite caminhar na tênue linha entre a paixão e a razão.

Sonhos perdidos, em uma ilusão, na colisão de olhares.


Eu me perco no seu olhar todos os dias, eu me perco. E não sei se isso é bom, não consigo mais me achar. Me procura, me desperta novamente, pois já não sei quem sou, quais eram meus sonhos, o que eu pensaria, o que eu falaria, o que eu faria...


Se um dia não chorava, essas lágrimas lúgubres são pelo luto da perda, da minha perda. Pois, no tempo atual, posso afirmar que já não sei quem sou, não sei onde estou, muito menos onde quero chegar. E não tenho a mínima ideia de como me encontrar.


Me perdi tão célere como um trem-bala e me afundo nessa esperança sublime, pois é o que me restou. Não sei se seus olhares arrebatadores foram culpados — e não os culpo, sinceramente — eu só não deveria ter deixado que a queda do meu ufanismo fosse fatal.

Caatinga espinhenta
Que arrebata o obstinado espírito
Do vaqueiro empinado de olhar empírito
Aboiando triste o magrelo barbatão

Caatinga malvada
Que açoita o espinhaço calejado
Do caboclo obstinado
Em morrer pelo seu mórbido sertão

Caatinga bravia
Que o tempo e a vida desafia
Impávida de decadente e ousada teimosia
Que não morre pela falta d'água fria
E nem se entrega ao sol ardente do meio dia

Caatinga sem noção
Que fura o olho do desavisado
E enlaça o valente de coração apaixonado
Com tamanho luar que atenua a valentia sem razão

Caatinga desalmada
Que abriga a alma perdida na desolação
E oculta o mistério do espectro fujão
Extinto da incrédula civilização

Caatinga estranha
De morredouro existir
Que ora parece deixar de viver
E de súbito volta a reluzir

Te vi lá na praia, com o vento bagunçando o cabelo e um brilho diferente no olhar — impossível não reparar em você.
Linda ao extremo, daquelas que não passam despercebidas e ficam na memória mesmo depois que o momento acaba… e que dá vontade de viver tudo de novo só pra te ver mais uma vez.

Está aí uma mulher interessante.🖤
Sorriso marcante, olhar brilhante, personalidade forte, você é uma mulher bela, rara e especial. Com sua simplicidade e carisma, não existe outra igual. Você deslumbra, você traz luz, paz e alegria em todos os lugares por onde você passa. Mulher determinada, abençoada e cuidada por Deus, você tem seus defeitos e fragilidades, mas é guerreira e se esforça todos os dias para ser alguém bem melhor. Nunca pisa ninguém, vai conquistando seu espaço aos poucos. Você será vitoriosa e proteja sempre por Deus, só ser obediente aos seus mandamentos, e vai viver intensamente o extraordinário de realizações na sua vida.

Ela é rainha, deusa, intensa, é fortaleza, ela é inspiração que no olhar certo vira poesia, ela é obra rara e especial, ela encanta, instiga, fascina.
Esse seu jeito dona de si, mulherão que sabe o que quer me faz imaginar, como seria inesquecível, marcante e sem igual, amar intensamente essa raridade de mulher, em uma junção perfeita de corpos e almas. Mas por hora só posso imaginar e sonhar como seria unir toda essa nossa intensidade no toque suave e envolvente dos corpos cheio de energia, com certeza seria transcendental.🌹❤️‍🔥

equiparo as cicatrizes como marcas
marcas que fisicamente se eu olhar, consigo sentir exatamente a dor do que lhe causou
olho para o meu joelho e ela está lá aparente
as vezes, e na maioria das vezes, esqueço que ela está lá, mas quando a olho consigo sentir naquele instante tanto o motivo, quanto a dor.


existem cicatrizes que não conseguimos olhar, como essa do meu joelho, mas analisando a situação, consigo sentir intrinsecamente exatamente onde dói, geralmente a lembrança da dor tem olhos lindos, aqueles que um dia já jurei admirar para o resto da minha insignificante vida.


acho que cicatriz é sobre isso, é sobre saber que existe e que deixou marcado, foi vivido, foi real e a marca muito das vezes deixa uma feridinha, que se você cutucar porque as vezes por instinto temos essa intenção, ela pode sangrar novamente, ou, se você esquecer por bastante tempo ela pode sarar de vez e só virar uma marca.


refletindo sobre cicatriz, percebo que meus domingos que eram melancólicos agora estão se tornando apenas “domingos de descanso”, um corpo para se entrelaçar, sentir o cheiro, dar um beijo na testa de eu to aqui cuidando de você, e acordar de madrugada somente para admirar o rosto da pessoa em calmaria dormindo, virou o “pô, tenho bastante espaço pra dormir e liberdade aqui”.


o que era sufocante causado por uma falha na história, e que causava carência pela falta, está virando a parte normal da vida. e sabe o que é mais louco? não deixo de sofrer nenhum momento, tanto quanto sofria pela falta, como agora acostumando com ela.


talvez as cicatrizes não deixam eu esquecer que tenho alma, mesmo a deixando em segundo plano, talvez tudo o que a gente tenha se transformado ecoe na minha cabeça as vezes, mas tudo bem porque você está bem, não é?
eu não preciso estar bem, somente devo pagar com juros o que eu lhe devo, e estou pagando com correção monetária e impostos.


te deixar ir daqui de dentro também é desesperador e olha só que irônico, o que eu mais pedia pra acontecer está acontecendo e eu não gosto dessa ideia, achei que nosso adeus não seria tão prévio.

Há muito tempo perdi o medo de encarar a vida, de desafiar a sorte, de olhar a morte com a cara suja após um pesadelo. Ao nascer, perdi-me no corredor da vida. Pouco me importam a cadeira elétrica, a injeção letal, a sentença do juiz, o golpe fatal do carrasco ou a lenta caminhada até o cadafalso.


Pouco me importa a espada de fogo à porta do paraíso. Eu quero a alegria desta vida. Quero o sorriso infante e a embriaguez dos delinquentes. Quero a alma aquecida na fogueira ardente que consome a esperança. Quero o risco e a vertigem de estar vivo. Quero encarar o medo com o espanto doce de uma criança.


Quando a morte vier, que me encontre de pé, ainda com a poeira do caminho no rosto e o coração em brasa. Para quem estreou neste palco de loucos, a única vergonha é não ter vivido.

Há mulheres bonitas.


E há mulheres que fazem a própria noite hesitar.


Olhar para ti é descobrir que a escuridão nunca foi ausência de luz; era apenas o lugar onde a tua beleza aguardava pacientemente para nascer.


Se os anjos caídos ainda rezam, suspeito que o fazem em silêncio... apenas para não perturbarem o teu olhar.

poesia viva


Teu olhar, qual alvorada rompendo a escuridão,
traz consigo a doçura de uma eterna constelação.
Há magia em teus olhos, impossível de traduzir,
como versos silenciosos que nasceram para existir.


Cada brilho que carregas parece o céu refletir,
como estrelas que aprenderam, em teus olhos, a reluzir.
Profundos como o infinito em noites de esplendor,
guardam mistérios antigos misturados ao amor.


Teus olhos castanhos, que bela imensidão
são morada de universos dentro do meu coração.
Neles encontro abrigo, calma e direção,
como quem finalmente encontrou sua constelação.


Teu sorriso não é gesto é milagre, é clarão,
feito sol beijando a terra depois da escuridão.
Tem a calma da brisa dançando pelo horizonte,
feito água cristalina brotando de uma fonte.


Quando sorris, o tempo hesita em continuar,
como se até o próprio mundo resolvesse te admirar.
Pois existe em teu sorriso uma beleza sem igual,
dessas que transformam o comum em algo celestial.


Tuas mãos, suaves como a chuva ao tocar o chão,
trazem paz aos meus dias e repouso ao coração.
Cada toque teu parece melodia ao entardecer,
dessas que a alma escuta e jamais consegue esquecer.


Tu és arte mas daquelas difíceis de explicar,
que nem palavras conseguem por inteiro alcançar.
Mais viva que as cores de Vincent van Gogh em seu fervor,
mais bela que qualquer tela pintada pelo amor.


Se Leonardo da Vinci te encontrasse algum dia,
talvez esquecesse suas obras e em ti renasceria.
Porque nenhum retrato do mundo, nenhuma criação,
seria tão perfeita quanto tua expressão.


— Patrick Wallace

A Proposta.



Minha proposta envolve nós duas,
um segredo guardado entre o olhar e o coração,
duas almas cansadas de tantos caminhos,
encontrando uma na outra uma direção.


Envolve pouca vergonha no riso,
cumplicidade e vontade de ficar,
conversas que atravessam a madrugada
e sentimentos que o silêncio insiste em revelar.


Envolve tudo aquilo que não foi dito,
mas que os olhos aprenderam a traduzir;
palavras escondidas nas entrelinhas,
sentimentos que nasceram sem pedir.


Não envolve apenas uma noite,
nem algo passageiro ou fugaz;
envolve aquilo que permanece na alma
e, mesmo depois, ainda traz paz.


Envolve duas histórias distintas,
dois mundos aprendendo a se encontrar,
duas almas intensas e imperfeitas
que descobriram um lugar para descansar.


Envolve risos, carinho e cumplicidade,
aquela estranha certeza de compreender
que, entre tantas pessoas no mundo,
algo fez você chegar até mim e eu chegar até você.


Minha proposta não promete respostas,
nem sabe exatamente onde vai chegar;
só sabe que certos encontros acontecem
e depois já não conseguimos ignorar.


Porque talvez algumas coisas não precisem
ser explicadas, nomeadas ou compreendidas;
talvez existam apenas para serem sentidas,
como as melhores coisas da vida.


E, no fim de todas as palavras,
de tudo aquilo que eu poderia dizer,
minha proposta é simples:


não envolve somente uma noite,
não envolve somente o que poderia acontecer,
não envolve somente sentimentos...


Envolve nós duas.
Envolve eu e você.

Falésias do Meu Silêncio


Falésias íngremes, no meio do nada, fazem morada. Meu olhar se perde entre o vazio e o instante de inspiração. As rochas parecem mortas, mas, ao observá-las atentamente, vejo que há vida, há história, há beleza, há transformação, há mistério. Isso acontece quando conseguimos abrir as cortinas internas, e captar a essência que ali habita – o verdadeiro remédio da cura.


Cada passo traz a sensação de que estamos lutando por um lugar onde possamos, enfim, nos encaixar. Nos limites do tempo, há um intervalo silencioso à espera de que compreendemos seu ensinamento e sua postura diante da pressa daqueles que tentam seguir sem perceber.


Meus passos estão, a cada dia, mais lentos. Não quero mais correr. Não quero ter pressa. Não quero tropeçar. Quero entender. Quero mudar. Quero viver intensamente, sem ter que olhar para trás e revisitar o passado. Quero um olhar voltado ao futuro – um olhar de sucesso, de vida que me espera.
Hoje, penso apenas no agora e no que está por vir...


Rita Padoin

A Verdadeira Paternidade é oMaior Legado de um Homem.


Deus convida cada pai a olhar para o seu bem mais precioso: a sua família.


A paternidade não é apenas um título biológico, mas uma missão divina de cuidado, proteção e direção espiritual.


A Bíblia nos ensina que a paternidade exige presença, tempo e, acima de tudo, integridade.


No tribunal do tempo, o sucesso de um homem não é medido por suas conquistas passageiras ou por prazeres egoístas fora do lar, mas pelo amor e pela segurança que ele plantou no coração de seus filhos.


Priorizar os filhos é um mandamento de amor. Decisões egoístas destroem a estrutura emocional das crianças, roubam a paz do lar e quebram a aliança de confiança que Deus instituiu.


Os filhos precisam de um pai que seja um herói de verdade.


Que neste dia, cada pai receba a sabedoria do Pai Celestial para entender que o maior patrimônio que ele pode construir é uma família unida.


Que o egoísmo dê lugar ao sacrifício, e que o amor pelos filhos seja sempre a prioridade absoluta.


Parabéns aos pais que honram sua casa e protegem o coração de seus filh

A Mãe e o Olhar

Edineurai SaMarSi

Quando eu era criança, a vizinha perdeu o único filho — quase homem… ainda menino.

Eu a observava.
Sempre fui boa nisso.

Depois disso, ela nunca mais foi a mesma.

A casa seguia arrumada,
as portas abertas,
o café no horário.
Mas os olhos…
ah, os olhos…
Eram fundos.
Vazios.

Fazia tudo como antes.
A vida seguia.

Mas, em seus olhos, algo havia mudado.
Não tinham mais alma, não tinham mais vida…
As tentativas de sorriso eram falsas, assim como a vontade de continuar.

Eu me lembrava de antes — da sua alegria, da família feliz — e, com a minha inocência de menina, pensava:
“Logo isso passa.”

Não passou.

O tempo andou.

Cresci.
Tornei-me adulta.
Ela se mudou, mas, quando a via, mesmo de longe, aquele olhar continuava o mesmo — parado naquele dia.

Como se a alma tivesse saído devagarinho
e ido atrás dele.

Eu não entendia…

Até ser mãe.

E perceber que há dores
que não enterram só um corpo —
enterram o mundo inteiro
dentro do peito de quem fica.

E alguns dias…
simplesmente não passam.

"Nesse dia do amor, gostaria de te lembrar que meu amor por você é pelo seu olhar, seu sorriso, sua atenção, sua beleza, sua doçura, sua maravilha de mulher, eu amo você e esse é o primeiro dia do amor longe do meu amor mais em cada pensamento meu você está assim, como sei que estou nos seus"


Te amo minha rainha 💞 Nanda ❤️

O dia mais feliz da minha vida foi aquele em que o teu olhar encontrou o meu. Naquele instante, sem que uma única palavra fosse necessária, algo em mim reconheceu o que o coração ainda não sabia explicar.

O segundo dia mais feliz foi quando regressamos da nossa viagem pela cura. Depois de atravessarmos dores, silêncios e recomeços, pudemos enfim nos reencontrar fisicamente. Era como se nossas almas já caminhassem juntas muito antes de nossos passos voltarem a se cruzar.

Há encontros que pertencem ao tempo. Outros pertencem à eternidade. O nosso sempre me pareceu dos dois.

#JaniaraDeLimaMedeiros

Eu achava que seria diferente, sabe?
Que iriam me olhar da mesma que enxergam os outros, que enxergam a opinião dos outros,
Mas eu sempre fui assunto de pautas exageradas, sempre fui um descaso pras pessoas, como se eu fosse um peso, como se meu silêncio fosse desagradável, como se a minha desistência de tudo e de todos incomodasse, às vezes me sinto em uma bolha, não respiro e nem sinto, eu queria ser um tubarão, sabia que tubarões são como humanos ansiosos? Eles parecem ser tão agressivos, mas eles são frágeis, se formos ver...só querem sobreviver no meio de uma imensidão profunda, eu poderia ser um leão, mas mesmo assim eu seria solitário, eu poderia ter tudo que eu quisesse, mas uma hora ou outra eu iria cair como um homem fraco que só pensa em si mesmo em todas as ocasiões, aprendi comigo mesmo que não podemos confiar, mas cada vez eu insistia, eu insisto em tudo...pois acho que é assim que se resolve, insistindo como louco, como um desastrado infame da vida, do desastre ocupacional, odeio quando falam que sempre fui uma criança brincalhona, nunca, eu só queria atenção, eu tentava ter carinho, eu barganhava o afeto, mas acho cômico que poderia ter tido aquilo tudo de qualquer pessoa da rua, que eu poderia cumprimentar qualquer vizinho da rua que iria preencher o vazio que minha própria família não concluiu.
Ao mesmo tempo, sinto que pareço o gato de botas, engraçado não? Tão destemido, insistente na vitória, cego por achar que deveria vencer em tudo, por achar que poderia vencer de qualquer batalha, de qualquer briga, mas no final, é só um gato ansioso...
Me sinto como Napoleão Bonaparte, independência ou morte, mas no meu caso? Eu escolheria a plena morte no resplendor da própria bandeira insignificante que carrego
É tão vazio por dentro que não me encontro, me sinto caindo... é estranho como esqueci do meu passado, não consigo me enxergar e nem me ver como aquela criança, aquele rosto inocente

Às vezes, olhar para dentro é como encarar um oceano em dia de ressaca,a água é profunda, escura e se move rápido demais para que eu consiga acompanhar. Eu sou o meu próprio maior mistério. Em um segundo, estou aqui, ancorado na rotina, com os pés pesados e os olhos fixos no chão. No segundo seguinte, sem qualquer aviso, um gatilho invisível é disparado. Minha mente ganha asas. O pensamento desenha um voo uma urgência cega de largar as malas de quem eu sou, esquecer o nome, esquecer tudo, e simplesmente sair por aí, sem rumo, sem bússola, sem destino. É exaustivo habitar uma mente que não pede licença para decolar, é exaustivo não conseguir entender seu próprio caos e esperar que alguém veja o que você não é capaz de enxergar .
Enzo Ruchell