Textos sobre Mentira
Gente ou robô
Me fale de tudo.
Tudo o que quiser, tudo o que sentir vontade.
Uma mentira contada com sorriso
Parece uma grande verdade.
Você faz o que não tem vontade
Quando não tem vontade de fazer.
E ainda escuta: quando você vai crescer e deixar de fazer só o que você quer?
Quando vais deichar de ser como criança mimada que só faz quando quer e o que quer?
Aí me calo!
Não me falo o que sinto, não me deixo vê o que realmente quer de mim.
E isso mata o que comessou a nascer.
Mata um pouco do meu calor.
Meu corpo fica gelado.
Meu corpo fica flácido...
O sol queima a epiderme,
Mas já não aquece.
A luz clareia os olhos,
Mas não me fazem enchergar.
Tem um barulho atingindo meus tímpanos,
Mas não consigo ouvir.
Meu corpo esta em processo de cetogeniose mútipla, mas ainda me move.
Contudo não saio do lugar...
Meu sorriso é vazio
Meu olhar não vê
Meus lábios não falam.
Meu corpo é mecânico.
Já não sei se sou gente, ou um robô?
Já não sei se sinto o que sinto, ou se sou formatada a achar que sinto.
Já quiz tanto e hoje me bastaria saber o que sou!
O amor só queria a verdade.
A amizade se vestia com mentira.
Dei ao amor a mentira,
Que pela amizade,
Parecia ser a verdade.
Inocência eu clamo
Em qual mundo existe a justiça?
A verdade agora me subjulga
E a mentira é minha companhia
Ouçam Gandhi falar
"Se uma gota de veneno
Em um balde cair
Comprometido está
A todos que se servir
Também a mentira
Por pequena que for
Estraga toda nossa vida
Enchendo-a de dor"
A amizade continua
O amor acaba
Mas na verdade
O amor é que existe
A amizade é a falsidade
Estou preso e condenado
Sonho com liberdade
Maldita mentira.
Até quando esse jogo continuará?
Até quando me dará um falso amor?
Tanto diz que me ama,
mas pelas minhas costas age contra.
Tanto diz que sou seu orgulho,
mas nem atenção me dá.
Se falasse de fato a verdade,
se tivesse de fato honestidade,
se tivesse de fato amor por mim,
não teria feito o que fez.
Olharia para mim com ânimo e
não com irritação.
Como pode dizer que te abandonei
quando na verdade foi o contrário?
Eu ainda estou aqui
esperando por você,
eu ainda estou aqui
esperando pelo seu verdadeiro amor.
O Jogo Vira
Na vida real,
o tempo é remédio.
Revela verdade e mentira.
Quem saiu perdendo,
não se desespere,
nem se entregue à ira.
Levante o queixo,
estufe o peito,
pois o mundo gira.
Com alto astral
e fé em Deus,
o jogo vira.
Kelver Orozimbo
Sabe o que me deixa indignado?
É essa história de que “evoluímos”.
MENTIRA!
Pura ilusão moderna!
A humanidade acha que ficou mais sábia, mais culta, mais iluminada…
Mas basta observar, com honestidade, sem autoengano, para perceber:
continuamos caindo nas MESMAS armadilhas de Adão!
No princípio, Deus falava.
Havia ordem!
Havia direção!
Havia clareza!
O homem ouvia!
Sim, ou-via!
E hoje?
Hoje Deus ainda fala — mas ninguém escuta!
Porque estamos ocupados demais com o barulho ensurdecedor do próprio ego!
Viramos especialistas em trocar a sabedoria divina
pela opinião de qualquer sujeito com um celular na mão!
Gente que mal dá conta da própria vida… mas fala bonito e vira referência!
A serpente?
Coitada!
Ficou ultrapassada!
O homem moderno já faz o serviço sozinho!
E aquele papo antigo de “vocês serão como Deus”?
Isso virou o ideal do século XXI!
Todo mundo acha que tudo sabe, tudo merece, tudo pode!
É a república dos egos inflados!
Pequenos deuses de bolso!
Cada um com seu altar digital!
Mas depois de tanta “autonomia”, o que sobra?
O mesmo de sempre!
Vergonha.
Culpa.
Vazio existencial!
Adão se cobriu com folhas.
Nós nos cobrimos com filtros, frases feitas e um personagem que não sustenta cinco minutos sem cair.
E Caim?
Caim não morreu!
Ele só se modernizou!
Hoje não precisa levantar a mão — basta digitar!
Mata com palavras, com ataques, com cancelamentos!
Violência elegante, tecnológica, covarde!
E Babel?
Ah, Babel virou mania nacional e mundial!
Torres de seguidores!
Torres de consumo!
Torres de ego!
E a frase é a mesma dos velhos tijolos:
“Olhem para mim!”
E o mundo gira… e cai nos mesmos buracos!
Jesus avisou sobre os dias de Noé — e eu digo:
estamos vivendo as reprises!
Mas — preste atenção agora! —
há um detalhe que os cínicos não suportam:
O Espírito ainda se move!
Ainda há luz sobre o caos!
Ainda há chance de retorno!
Porque o problema não é falta de informação!
É falta de humildade!
Falta de arrependimento!
Falta de reconhecer que, apesar de toda tecnologia, continuamos tão frágeis quanto o primeiro homem!
A história se repete.
Sim, repete!
Mas não é inevitável!
Podemos romper o ciclo!
Desde que paremos de brincar de divindade…
E lembremos quem foi que acendeu a luz no início de tudo!
Inverdade - Mentira - Desonestidade
Já pensou, que se pode não dizer a verdade e não estar a mentir? Que se pode mentir e estar a ser honesto? Que há verdades desonestas? Que nem sempre mentir é o contrário de dizer a verdade? Há inclusive verdades que dependem da perspetiva de cada um por exemplo, já vi muitas vezes em diferentes redes sociais e outros locais, dois indivíduos a olhar para um número, um deles vê um 6 e o outro, em frente a ele, vê um 9. Se mudarem de posição (perspetiva) dirão o contrário e continuará a ser verdade para os dois. É óbvio que há aqueles, que para terem "razão" continuarão a dizer, por exemplo, isto não é um 9 é um 6, está é ao contrário!
Há gente assim, e não um 6 não é um 9 ao contrário, um 6 é um 6 e um 9 é um 9, independentemente do que eu ou cada um de nós possa pensar acerca disso.
Ainda que exista, uma tensão profunda, entre verdade objetiva e interpretação subjetiva.
Um “6” e um “9” representam bem a ideia de que a realidade pode ser estável, mas a leitura que fazemos dela pode variar.
Da mesma forma, uma inverdade pode não ser uma mentira (se não houver intenção de enganar), e alguém pode até mentir dizendo algo verdadeiro, se a intenção for manipular.
Neste caso, há que considerar, o facto em si, e a relação do sujeito com o facto (perspetiva, intenção, interpretação), a objetividade, a intenção e a ética.
Se dissermos, “tudo é relativo”, poderemos caír no caos, mas dizer que, “tudo é absolutamente fixo e independente de qualquer perspetiva”, também não nos leva a lado nenhum...
A verdade existe, mas o acesso a ela não é neutro, passa pela perceção, pela linguagem e, sobretudo, pela intenção.
Voltando, ao assunto principal, inverdade, mentira, e desonestidade, ainda que sejam conceitos relacionados e que podem estar interligados, não são, obrigatoriamente, sinónimos.
Nem tudo o que parece paradoxal, o é de facto...
Inverdade (falsidade factual)
É uma questão de correspondência com a realidade. Uma afirmação é inverdadeira quando não corresponde aos factos, independentemente da intenção de quem a diz. Posso dizer algo falso por erro, ignorância ou má interpretação, sem qualquer intenção de enganar.
Mentira (ato intencional)
Aqui entra a intenção. Mentir é dizer algo que se acredita ser falso com o objetivo de enganar. Portanto, toda a mentira envolve inverdade, mas nem toda a inverdade é mentira. Daqui, inclusive, fazem parte "o pai natal, a fada dos dentes etc." são, na realidade, mentiras....
Desonestidade (dimensão ética mais ampla)
É o campo moral. Inclui a mentira, mas também omissões estratégicas, manipulação, meias-verdades, distorções, ou seja, tudo o que visa induzir o outro em erro de forma injusta.
O silêncio, a omissão ou uma resposta evasiva podem evitar a verdade sem constituir mentira direta.
Embora, muitas dessas situações continuem a ser desonestas, porque a intenção de enganar mantém-se, apenas se muda o método. Mentir implica intenção de enganar, então, na realidade, colide com a honestidade. O que pode acontecer é alguém mentir por um motivo que considera moralmente justificável (proteger alguém, evitar dano), mas isso não torna o ato “honesto”, torna-o, quando muito, eticamente discutível. Confundir justificação com honestidade é perigoso.
Há, todavia, verdades desonestas, e este é talvez o ponto mais sólido. Uma verdade dita fora de contexto, com intenção de manipular, pode ser desonesta. No plano factual, uma mentira opõe-se à verdade. Mas no plano ético, o contrário de verdade não é mentira, mas sim, a desonestidade. E, agora sim, entram zonas cinzentas como a omissão ou a manipulação.
A inverdade pertence ao domínio do conhecimento (verdade/falsidade).
A mentira pertence ao domínio da intenção (enganar ou não).
A desonestidade pertence ao domínio moral (agir de forma íntegra ou não).
Não são, a verdade ou a mentira que definem o caráter de um discurso, mas a intenção e o efeito sobre o outro.
Dizer a verdade pode ser um ato de integridade… ou uma arma.
Mentir pode ser condenável… ou um dilema moral complexo.
Um caso clássico, são algumas declarações de alguns líderes políticos, por exemplo, quando dizem, “criámos mais empregos do que nunca", pode ser verdadeiro, mas, normalmente, é omitido o contexto (qualidade dos empregos, precariedade, condições, ordenados, e até pessoas que estão a frequentar formação profissional, que não estão empregadas, mas não fazem parte do número dos desempregados).
Aqui há verdade factual, mas possível desonestidade intelectual. Não há mentira direta, mas há intenção de moldar a perceção da situação na sua totalidade.
Na prática, o impacto emocional, duma situação destas, pode ser igual ou pior do que uma mentira direta.
Há, também, as chamadas, "mentiras piedosas”, aqui há mentira factual, mas a intenção pode ser proteger, não deixa de ser mentira, mas é moralmente discutível, e pode não ser condenável.
Na publicidade, algumas marcas, usam frequentemente linguagem do tipo, "sem açúcar" na realidade até podem não usar açúcar, mas estas mensagens, são construídas para sugerir benefícios mais amplos ou saudáveis do que os reais. Isto raramente é mentira direta (porque seria ilegal), mas muitas vezes é engenharia de perceção, desonestidade subti, e em alguns casos, em vez de açúcar tem substâncias ainda mais calóricas ou prejudiciais.
Resumindo:
Verdade/Inverdade, o que corresponde aos factos.
Mentira, intenção de dizer algo falso.
Desonestidade, intenção de induzir em erro (com verdade, mentira ou silêncio)
A desonestidade não precisa da mentira para existir e a verdade não garante honestidade.
Marco Miranda
Da pedra faz brota leite,
no deserto de um sistema falido,
onde a mentira veste coroa
e a ganância suga o suor do pobre.
Mas YHWH, o Eterno,
não se cala diante da injustiça.
Ele escolhe vozes simples,
lugares escondidos,
corações quebrantados,
para que Sua palavra ecoe clara
como água pura em terra seca.
E quando tudo parece ruir,
o impossível floresce:
da dureza nasce sustento,
da opressão surge esperança,
e o silêncio se transforma em cântico.
No fundo sabe que não passa de uma grande mentira. Vive enganando a si mesma, dizendo aquilo que seus ouvidos querem ouvir para se sentir melhor.
Tenta desesperadamente abafar o grito do seu coração, enquanto ele se contorce por dentro. Canta belas mentiras pra disfarçar a agonia causadas por suas próprias decisões.
Se vê jogando fora aquilo que mais quer, por puro capricho, enquanto se distrai com aquilo que no fundo sabe que não será para sempre.
A estrutura da mentira
A Mentira é um legado de narrativas
Que são transmitidas a todo o tempo
Para mudar a percepção da verdade
E subverter o que é contra nossa vontade.
A natureza da mentira é um evento malvado,
Um processo estruturado de manipulação E alteração do controle da realidade,
Para distorcer tudo que é verdade.
A mentira é algo prejudicial em sua essência,
Seu efeito é semelhante ao da verdade ilusória,
Com manipulação emocional e ideológica, Onde a verdade é distorcida sem lógica.
A mentira não é apenas uma falsidade,
Mas algo que contamina a realidade social
E destrói oportunidades culturais.
Por fim, o melhor é ser verdadeiro.
A verdade é conceito de valor sempre,
Envolve a busca pela precisão e certeza,
Opondo-se à mentira cruel na sua natureza.
Raimundo Nonato Ferreira
Abril/2026
“A saúde mental exige coragem para reconhecer que nem toda dor é simples, nem toda mentira é vazia, e nem todo cuidado pode ser ingênuo.”
Do livro Síndrome de Munchausen — A Dor Fabricada, o Sofrimento Real: Uma Jornada entre o Engano e o Pedido de Socorro, da autora Nina Lee Magalhães de Sá.
A verdade e a Mentira!
Vou contar uma história
Que o tempo nunca apagou,
De uma tal Verdade pura
Que o mundo não suportou.
É dessas que a gente escuta
Mas nunca se aprofundou.
Na pintura antiga e forte,
Que o pincel eternizou,
A Verdade Saindo do Poço
Foi quem tudo revelou.
Obra de Jean-Léon Gérôme,
Que esse enigma pintou.
Diz a velha parábola
Que um dia, sem previsão,
A Verdade e a Mentira
Se encontraram na amplidão.
Uma cheia de malícia,
Outra cheia de razão.
Disse a Mentira, ligeira:
— “Que dia lindo, afinal!”
A Verdade desconfiada
Olhou o céu natural,
E viu que havia beleza,
Que o dia estava especial.
Andaram juntas por horas,
Conversando sem parar,
Até que acharam um poço
De águas boas de banhar.
Disse a Mentira, sorrindo:
— “Vamos juntas mergulhar!”
A Verdade, cautelosa,
Na água foi encostar,
Sentiu frescor e pureza,
Resolveu então entrar.
Se despiu da sua essência
Sem pensar em se guardar.
Mas eis que a Mentira, astuta,
Saiu ligeira do chão,
Vestiu a roupa da outra
Sem qualquer hesitação,
E fugiu pelo mundo afora
Levando sua ilusão.
A Verdade, revoltada,
Do poço veio sair,
Nua, crua e sem disfarce,
Tentando se redimir.
Mas o povo, ao vê-la assim,
Preferiu dela fugir.
Viraram rosto e desprezo,
Ninguém quis a encarar,
Pois a Verdade despida
É difícil de aceitar.
Mais fácil é a Mentira
Bem vestida a circular.
Triste, a Verdade retorna
Pro fundo do seu lugar,
Se esconde no escuro d’água
Sem mais querer se mostrar.
E o mundo segue enganado,
Sem vontade de acordar.
E assim segue essa história
Que o tempo só confirmou:
A Mentira anda vestida
Do que nunca lhe pertenceu,
E a Verdade, envergonhada,
No poço se recolheu.
Eu prefiro o soco da verdade do que o beijo da mentira. A transparência assusta quem vive de sombras, mas liberta quem caminha na luz. Se o que você mostra por fora não é o que você carrega por dentro, você não tem uma vida, você tem um disfarce. O meu valor é ser transparente; quem não aguenta a claridade, que use óculos escuros ou se retire do meu caminho. ✨🚪
@SerLuciaReflexoes
Cordel "Entre a Verdade e a Mentira"
"Dentro do peito do homem
Tem sempre uma eleição:
Verdade pedindo espaço,
Mentira pedindo atenção.
Uma chama pra consciência,
Outra afaga a emoção.
A Mentira é sedutora,
Sabe bem como agradar,
Diz aquilo que conforta
Pra ninguém se incomodar.
Entrega paz provisória
Só pra dor depois cobrar.
A Verdade anda simples,
Não promete ilusão,
Dói no começo do caminho,
Mas cura o coração.
Quem enfrenta o que é real
Constrói firme o seu chão.
A Mentira sobe ligeiro,
Mas não cria sustentação.
A Verdade cresce lenta,
Mas levanta construção.
No fim, só permanece
Quem vive na direção."
@Suednaa_Santos
A mídia não informa: domestica.
Ela normaliza a mentira, estreita o pensamento, sufoca o senso crítico e mata qualquer sonho utópico, porque gente que sonha grande não aceita viver aprisionada.
E quem sonha grande não aceita sobreviver sem sentido: exige uma vida com propósito, dignidade e compromisso real com a transformação da realidade.
31/12/2025
Valeu cada conselho da falsa resiliência,
valeu cada "não" e cada mentira inventada.
Valeu cada puxão de orelha e cada tapete puxado.
Valeu até o deboche de quem não acreditava em mim,
pois hoje tenho as palavras certas a dizer: gratidão.
Tudo isso me trouxe à minha verdadeira versão.
Olhei para o lado, aprendi com os erros alheios,
e me tornei o exemplo que eles nunca conseguiram ser.
Nem que Seja
Demétrio Sena - Magé
Todo mundo contrai uma mentira
pra ser mais envolvente que a de alguém,
sobre ser, sobre ter, sobre sentir,
ir além de si mesmo para os outros...
De virtudes, grandezas e talentos;
das conquistas que nunca foram fatos;
adventos, milagres e prodígios;
valentias, boatos e destrezas...
Esse mundo que agora todo mundo
inventou ao redor de sua tela,
não tem fundo nem teto; só abismo...
É um ser que tem muito a se tornar,
é um ter que tomar de qualquer canto,
nem que seja do canto da sereia...
... ... ...
Respeite autorias. É lei
Quem se esconde atrás da mentira,
acaba deixando o rastro no chão.
A palavra pode até enganar,
mas o olhar sempre entrega a intenção.
Mentir para descobrir é tropeço,
é cavar buraco no próprio terreno.
Porque a verdade, cedo ou tarde,
bate à porta sem pedir terreno.
E quem pensa que mente por esperteza,
não percebe que mente a si mesmo primeiro.
A mentira pode até abrir uma porta,
mas nunca leva a um destino verdadeiro.
Dizem que soltar é prova de amor,
balela, mentira que aumenta a dor.
Amar é lutar, é segurar forte,
não largar a mão nem contar com a sorte.
Eu não quero sair da vida de quem amo,
sou raiz, sou chão, não sou vento sem plano.
Saudade me morde, mas eu não desisto,
porque amor de verdade é ficar, É ser visto.
Maria Eduarda
É Escorpião.
Não brinca de ser intensa... Ela é.
A mentira nela não passa impune,
é faísca em palha seca.
O olhar fecha, a boca cala,
e quem mentiu sente o peso do próprio erro
sem que ela precise levantar a voz.
Diva da ansiedade....
mente acelerada, coração em vigília.
Às vezes mal interpreta, reage antes,
mas quando decide quebrar tudo
não é descontrole ..
é estratégia.
Ela não explode à toa,
explode para encerrar.
Dona do silêncio.
E o silêncio dela não é ausência,
é cálculo.
É água funda.
É escorpião recolhendo o ferrão
até achar o ponto exato.
Age na calma.
Mas a calma dela é vulcão adormecido.
Terra que sustenta.
Fogo que consome.
Contradição viva ...
abraça e queima no mesmo gesto.
Ela sente demais.
Ama demais.
Odeia com a mesma medida.
Não sabe ser rasa.
Ou mergulha
ou atravessa.
Num segundo está em guerra,
no outro já decidiu o destino.
Porque Escorpião não hesita quando entende.
Ela observa, registra, aprende....
e quando resolve,
resolve inteiro.
Maria Eduarda não ameaça.
Ela cumpre.
Não fala o que fará...
faz.
É tempestade com propósito.
É lealdade feroz.
É intensidade que assusta quem vive pela metade.
E quem a chama de exagero
nunca teve coragem
de encarar a própria verdade.
A GRANDE FRAUDE DA IDADE
Há uma mentira vendida em cada espelho.
Ela diz que o valor de um ser humano diminui na mesma velocidade em que a pele perde firmeza. Como se os anos fossem ladrões, quando, na verdade, são artesãos. Como se cada fio branco anunciasse um fim, quando anunciam uma conquista.
Vivemos numa época que idolatra o vigor dos músculos e desconfia da potência do pensamento. Fazem culto à velocidade porque desconhecem a profundidade. Confundem juventude com plenitude, quando quase toda juventude é um terremoto tentando parecer um jardim.
As grandes crises existenciais não deveriam existir na alta maturidade.
Elas pertencem aos primeiros capítulos da vida.
São as crises do homem que ainda não sabe quem é. Da mulher que tenta caber nos olhos dos outros. Da ansiedade de provar valor, de competir, de vencer corridas cujo prêmio nunca compensou o desgaste.
Chegar à alta maturidade não é um fracasso do corpo.
É uma vitória improvável.
Porque o caminho até aqui não foi pavimentado por flores.
Foi aberto a golpes.
Cada perda arrancou um pedaço de inocência.
Cada traição deixou um corte profundo.
Cada despedida ensinou uma língua que ninguém gostaria de aprender.
Enterramos amigos.
Enterramos amores.
Enterramos versões inteiras de nós mesmos.
E, apesar dos fantasmas que continuam caminhando alguns metros atrás, apesar das cicatrizes que ainda ardem nas madrugadas mais silenciosas, seguimos respirando.
Isso não é decadência.
Isso é triunfo.
Talvez porque a idade nunca tenha sido aquilo que aprendemos a contar. Talvez ela seja apenas uma medida obsoleta para algo que jamais coube em números. O agridoce da existência não cabe num calendário. Há quem transforme seus anos numa desordem feita de ontem, de dúvidas e de amanhãs cautelosos. Continua vivendo como quem espera autorização para começar a existir. Continua acumulando rugas sem jamais crescer no presente. E, quando isso acontece, a pele envelhece antes da consciência.
Mas existe outro caminho.
Há quem descubra que a idade é justamente o lugar onde os tesouros são guardados. Onde tristeza e prazer deixam de ser inimigos para ocuparem a mesma mesa. Onde perdas e alegrias passam a conversar em vez de disputar espaço. Então os anos deixam de se amontoar. Perde-se a conta. E, de certa forma, deixa-se de ter idade.
Talvez seja exatamente isso.
Chega um momento em que os anos deixam de ser uma pilha de calendários e passam a ser uma coleção de consciências.
As rugas deixam de ser dobras da pele para se tornarem marcas de batalhas vencidas.
A juventude possui cartilagens resistentes.
Nós possuímos discernimento.
Ela sobe montanhas correndo.
Nós sabemos quais montanhas jamais valeram a escalada.
Perdemos velocidade.
Ganhamos direção.
Perdemos elasticidade.
Ganhamos profundidade.
Perdemos a ilusão da eternidade.
Ganhamos a rara capacidade de distinguir o essencial do ruído.
E há uma ironia magnífica nisso tudo.
Os ossos já não suportam o mesmo peso.
Os joelhos protestam.
A pele já não estica como antes.
Mas o cérebro...
Ah, o cérebro.
Depois de décadas colecionando fracassos, amores, lutos, livros, silêncios, erros imperdoáveis e recomeços improváveis, ele se transforma numa força impossível de medir.
Uma mente amadurecida pode possuir um poder comparável ao de uma bomba nuclear.
Não porque destrói cidades.
Mas porque destrói mentiras.
Explode vaidades.
Reduz egos a poeira.
Demole medos que passaram décadas fingindo serem gigantes.
A verdadeira potência nunca esteve nos braços.
Sempre esteve na consciência.
Envelhecer não é caminhar para menos.
É caminhar para dentro.
É abandonar personagens e, finalmente, encontrar o ser humano que passou décadas escondido atrás deles.
Por isso, não tenha vergonha dos cabelos brancos.
Nem das mãos marcadas.
Nem das rugas que insistem em permanecer.
Elas não denunciam o tempo.
Elas testemunham que você atravessou o tempo.
São medalhas que a vida entrega apenas aos que sobreviveram.
Porque chegar à alta maturidade nunca foi uma concessão dos anos.
Foi uma conquista arrancada da existência com sangue, lágrimas, cicatrizes e uma coragem silenciosa que os jovens ainda não conhecem.
E talvez essa seja a maior liberdade concedida a um ser humano.
Olhar para trás sem desejar voltar.
Olhar para frente sem temer chegar.
Compreender que a idade jamais foi o peso dos anos.
Sempre foi o lugar onde reunimos nossos tesouros.
O ponto onde tristeza e prazer finalmente se encontram.
E quando isso acontece, o calendário perde sua autoridade.
Os números deixam de importar.
Perdemos a conta.
E, enfim, deixamos de ter idade.
