Textos sobre Mar
MELANCOLIA
Cai a tarde lenta em brasa,
Num céu de mar ondulante,
Enquanto este vai e vaza,
Meu coração está distante
Pensando em ti, ó sereia
Que vi uma vez ao luar,
Em noite de lua cheia
Nas águas de prata, a rolar.
Que saudades sobre o mar
Meu coração lá deixou;
Tristezas de fazer chorar...
Enquanto eu não encontrar
Esse amor que lá ficou,
Farei na areia um altar...
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Triste Por Escrever, em 08-03-2025)
A Ligação
Hoje o telefone tocou
Chama quem o coração chamou
Um convite para encontrar
Mar, areia e um caminhar
Um belo sol para nós dois
Beija agora e ama depois
Muitas ideias e nada explicar
Ao seu lado é bom conversar
Passa o tempo nada acabado
Feliz ao teu lado ter caminhado
Espero amanhã o telefone tocar
Para andar, conversar e te amar
A saudade vem e vai como a onda do mar, totalmente abstrata, algo longe de ser tocado. Um sentimento que, às vezes, vem como uma adaga, muito bem trabalhada, fazendo com que um frágil coração seja afligido, causando tormento de lembranças, ora em sorriso largo, ora com nó na garganta, enfim, fazendo com que as veredas do passado se tornem um imenso deserto no presente.
.
Mas será que é só isso? Não! A inocência é bela, repleta de graça, tornando em realidade como se tocasse as nuvens, enchendo os olhos de vida e um burburinho acelerado no peito trazendo a saudade do amor, da pureza, da ingenuidade de uma criança. O cocheiro muito volátil nos coloca na porta!
.
Sim, na porta e com um leve toque conseguimos abri-lá e então ser surpreendida com turbilhões de sentimentos, onde a saudade é a chave e que está na sua mão lhe permitindo e lhe outorgando poderes para sorrir, abraçar, bailar, chorar largado, cochichar, beijar e tocar o oposto do abstrato a ponto de ouvir o coração e se derramar na saudade que chegou ao fim.
Mudez
Mudo, mas não mudo muito
Na esquina da cortina ao alto mar
Me vejo
Desejo de ser e tocar de vidro frio
Do horizonte cheio de montes baixos
Desembrulhar-me e ser eu
E raspar a tinta
Como os que me pintaram os sentidos
Nas grandes cidades
A vida é mais pequena
Na cidade, as grandes casas fecham
A vista e à chave
E as flores são cor da sombra
E tornam-nos pobres,
Porquê a nossa única riqueza
É ver.
Conjugação Cotidiana
A vida como
Um seio exausto
Assim tão reluzente
Sobre a noite e do mar,
Lhe veio a voz
E só então, foi totalmente a sós
Sentiu-se pobre
E triste como Jó
Da carne nos rasgos
Da febre mais quente
Que
Jamais queimasse
Mas nunca como antes
Nem paixão tão alta
Nem febre tão pura
Em noites de insônia
A mar
Rápido estado
Ancestral de um indivíduo
Que vem do vento
Um sossego, uma unção
Estado leve anuncio seu lugar
Leve estarei parado aqui
No seu lugar
E eu te espio da varanda
Indo embora
Mas você vem
Hoje a janela
Me ofereceu a paisagem
Ressuscitando formas
Era um sujeito
Realmente distraído
Na hora de dormir
Beijou o relógio, deu corda no gato
E
Enxotou o olhar pela varanda
Venha pra cá deixe de ser
Bem acanhado
Do seu ditado
Agitado
Cabelo ao vento
Do saculejo
Dessas roupas
No varal
A mar
De onde
Que tu tiras tantas ondas
De onde
Que tu tiras vai e vem
De onde
Que tu vens tão descolado
Prá onde vai só do seu jeito
Descansado
Volte amanhã bem de manhã
Aqui estarei
Prá ver de perto
Seu molejo
Arretado
Agitando o ar
No
Seu espaço confinado
Tomando a fresca
Tomo o ar
Quarando o corpo
Em alguns lugares estratégicos
Já foi mar
Voou por sobre as montanhas e cabeças
Fez dali seu Espinhaço
Passou por cima
Do seu mundo
Seu lugar
Busca
Bem de lá
De onde vem seu infinito
Se esperar
Possa estar marcado em horas
Rochas
E no nascer
De
Espectativas fulminantes
Lá vem o mar
Trazendo a fonte e o defronte
Cavalga ventos
E a voz do sussurrado
Ginetes pronto aparado
A cavalgar
Alados ventos
Sobe e desce das areias
Ao espairecer espalha
Espuma em seu olhar
Já sinto aqui
O seu perfume estrangeiro
Bebendo em tua boca
O perfume dos sorrisos
Que o vento forte acaba aqui
De me entregar
MAR
Muito se fala na imensidão e profundidade de um lugar onde nem mesmo a luz do sol pode alcançar. Temido por muitos e admirado por todos, nossas vidas, assim como o mar, são ondas constantes, maremotos inundados de problemas, mas que, por diversas vezes, nos trazem calmaria.
Acredito que o maior medo do mar seja sua profundidade, mas é incrível como, muitas vezes, nos afogamos no raso. Assim como a profundidade de nossos problemas, por vezes, os mais simples são os que mais nos deixam afogados.
Saber flutuar é o mais importante: tentar sempre manter a cabeça fora da água, respirar e admirar o que temos de mais bonito, o azul infinito.
Existem contos antigos de um amor impossível: o mar e a lua, atormentados por uma maldição, onde a lua conseguia tocar o mar todas as noites, mas nunca podia encontrá-lo de verdade. Muitas vezes, o mar se irrita e cria tempestades e enormes mares como efeito de sentir a lua e não poder tê-la.
É normal, em nossas vidas, desejarmos algo que nunca conseguiremos alcançar, mas acredito que o importante é fazermos por onde e chegarmos o mais próximo de nossos objetivos, cruzar oceanos, desbravar correntezas e encontrar a calmaria.
Parte do nosso navegar nos pede paciência, mas, acima de tudo, humildade: em reconhecermos nossos limites, fraquezas. Nem mesmo o que um dia já foi o maior navio do mundo resistiu às reviravoltas de um mar tempestuoso, frio e congelante. Como na vida, sempre precisamos saber que, às vezes, naufrágios fazem parte. Tudo o importante é não ficar à deriva.
O vai e vem das ondas é o ciclo do mar, da vida e, como um rio, é impossível entrar no mesmo mar duas vezes. Só vivemos uma vez, e o que nos torna mais fortes é sabermos navegar. No final, sabemos flutuar, viver de forma leve, manter sempre a cabeça fora d'água. Lembrar que, depois da tempestade, vem a calmaria. Amar a vida, amar o MAR.
As lágrimas do amor
Em um mar de lágrimas, formado pelo sofrimento, o abismo que nos separa da felicidade parece imenso e distante. A dor e a raiva se fazem constantes, e vivemos em um mundo triste e solitário. No entanto, a única coisa que nos lembra do porquê continuamos a sobreviver é a família. Ela é o que realmente importa — é o amor de cada dia que ainda nos traz alegria. É o contato que vai além de um simples abraço, até chegar ao afeto de um beijo. Esse é amor
Marcas
E ela parou diante do espelho e se permitiu observar as marcas esculpidas em sua face, marcas que o tempo não foi capaz de suavizar e tão pouco amenizar.
Marcas de alguém que caiu, sofreu, mas que sobreviveu!!
Marcas de muitas lutas e algumas derrotas, mas também marcas de grandes vitórias e conquistas.
Marcas que contam histórias, que marcam o tempo vivido e não foiesquecido, e que marcam o tempo que você esperou para os seus sonhos alcançar.
Marcas que te fazem ser forte, quando você pensa que não pode mais continuar. Marcas que te impulsionam a continuar e não desistir.
Mas tem algumas marcas que são tão queridas, que são tão únicas, que você faria tudo novamente só para viver a emoção daquele momento tão especial.
Marcas que te devolveramo prazer de viver, e que colocaram um brilho novo no seu olhar.
Marcas que te deram forças para continuar a lutar!!
E lembre-se, ninguém passa pela vida sem ter suas próprias marcas, sem ter suas próprias lutas ou suas próprias batalhas.
Mas o bom é que a cada vitória alcançada, nossas forças são renovadas e novos objetivos são traçados.
Algumas vezes ficamos tão cansados que a melhor opção é desistir, mas isso não significa que vamos esquecer dos nossos projetos, é só uma pausa para renovar a nossa fé e continuar a jornada de onde paramos.
Não desista se a luta estiver muito pesada, não desista se seus ombros não mais aguentarem e se o cansaço tentar te dominar.
Não desista se você não tiver mais forças para continuar, se você não encontrar mais razão para novos caminhos trilhar.
Olhe para tudo que você conquistou e tudo que ainda deseja conquistar.
Coloque os motivos que fazem seus olhos brilharem sempre diante de você e continue sua caminhada.
Tudo tem dia certo para terminar, tudo tem hora certa para acontecer.
Seja forte, seja persistente e siga sempre em frente.
Não desista, acredite, ainda é tempo de realizar!
FROST: A VOZ QUE VEM DO MAR
O céu lançou uma tempestade.
A família orca atravessava o oceano para chegar ao Àrtico, onde a comida era farta e o clima agradável.
A vovó orca dava as coordenadas e pedia para que ficassem firmes.
O mar ficou intenso.
A orca mais nova, chamada Frost, não conseguiu acompanhar sua família e se perdeu.
Depois de longas horas, a água já estava calma, mas ele não viu mais ninguém.
Continuou nadando por um bom tempo e se sentia cada vez mais sozinho.
O silêncio ecoava e ele tinha medo.
Semanas se passaram e Frost conseguiu comer apenas alguns salmões.
Estava desanimado e tentava lembrar do que a vovó orca dizia:
- Se um dia vierem a se perder, lembrem-se do nosso chamado, pois ele será a voz do seu coração e o levará de volta para casa.
Frost cresceu, e parecia que a voz ficava cada vez mais distante.
Ele fez amigos.
Conheceu uma tartaruga. Ela nadava em uma corrente rumo ao verão, mas Frost não queria viver no calor.
Conheceu também um tubarão, mas muitos animais do mar acreditavam que orcas eram má companhia.
Sentindo-se infeliz, Frost chorou.
Quando chorou, ele emitiu um som alto e desconhecido.
E de repente, o mar se movimentou em grandes ondas circulares.
Os peixes foram todos embora, enquanto várias orcas se aproximavam e o encaravam.
A vovó orca assobiou.
E ele se lembrou.
Agora, Frost andava junto com sua família, fazia amigos e brincava.
Ele finalmente pertencia a algum lugar.
Frost continuou sendo uma orca corajosa e gentil, e viveu feliz por muitos anos.
Ela era um mundo em um só coração...
Amava o mar...o sol, a música... Amava Ivete ...
Amava tanto o amor, que não teve coragem de deixa -lo partir quando era tempo ...
E não deixando esse amor partir, se partiu seu coração...
E viveu na imensidão sem novamente encher seu coração...
Não é a mesma coisa…
Olhar o por do sol sem sua presença
A beira do mar sentindo a boa e velha brisa
Eu só queria estar com você
Mesmo sabendo que isso nunca vai acontecer
Talvez tenha perdido nossa única oportunidade
Mas o que fazer? agora é tarde
Tivemos os melhores momentos bons e ruins
E lembro de todos eles mesmo assim
Querer poder ser e estar
Mesmo sabendo que isso esse dia nunca vai chegar
Essa sensação angustiante de querer quem já se foi
E pelos meus erros peço que me perdoe
E ainda assim no lapso de euforia
Uma memória boa se inicia
E o choro por sua vez
O acompanha no fim do dia
Cafune
O cafuné é brisa leve, é mar em calmaria,
Desfaz os nós da alma, tece a paz na companhia.
É toque que embala, sem pressa, sem dor,
Um afago no tempo, um abraço em calor.
Nos dedos que dançam, repousa um alento,
Apaga tristezas, silencia o tormento.
É cura, é encanto, é sussurro macio,
Um gesto tão simples, mas de amor tão cheio.
No fio dos cabelos, um mundo se vê,
No doce cafuné, encontro você.
SimoneCruvinel
Amor
Amar é ver sem querer mudar,
acolher luz e sombra em paz,
entender que o tempo é mar.
É estar perto sem sufocar,
dar asas sem medo do voo,
no silêncio também cuidar.
Ser porto em dia de ventania,
compreender antes de julgar,
amar é ser lar, não prisão.
SimoneCruvinel
Quem não tem conhecimento de apologética está textualmente perdido em um mar de interpretações.
Portanto, é essencial adquirir um entendimento sólido de apologética para navegar com clareza e precisão através das diversas informações contextuais. Sem essa base, corre-se o risco de se perder em um mar de ideias e conceitos, dificultando a busca pela verdade e a compreensão correta dos textos.
Encurralado perseguido sem para aonde fugir, tenha calma não desanime esse mar eu vou abrir.
No Deserto eu estive com você cuidei-te protegi, não deixei perecer. Do céu eu te dei o mais doce maná, para te alimentar
Fiz as águas amargas, doce ficar, e da rocha no Sinai água brotar para a sua sede saciar.
Meu pai
...amava-o, mas nunca deixei transparecer, quantas vezes quis abraçá-lo, dizer coisas maravilhosas, mas não tive esta oportunidade, me preparei varias vezes armava o coração e dizia: era hoje, mas o seu jeito matuto, misturado com o sofrimento do passado me dava medo, por quê? Não tive o amor de um pai. Sofro até hoje com sua morte, mas calado. Não chorei. Mostrei não sentir dor. Um homem que foi ensinado a não ter sentimento, isso dói, pois muitas vezes gostaria de derramar em lagrimas junto com ele, mas não consigo, pois naquele homem eu achava que não tinha amor. Meu pai, homem duro, mas honesto, fraqueza de ser menino, homem duro, sem noção de amor, amava sim a vida e outras pessoas, mas a família nunca.
Pai é a figura masculina de uma família, tomador de decisão em tudo, responsável pela educação, alimentação e amor. É ter a coragem de ir adiante, tanto para a vida quanto para a morte. É viver as fraquezas que depois corrigirá no filho, fazendo-se forte em nome dele e de tudo o que terá de viver para compreender e enfrentar. O pai tem sim que corrigir, educar, bater, saber o dia a dia de seus filhos, pai deve ser imparcial nos momentos de decisão, sabendo o certo e o errado. Para que os seus filhos cresção e honrem o seu pai. Portanto, é aguentar a dor de ver os filhos passarem pelos sofrimentos necessários, buscando protegê-los sem que percebam, para que consigam descobrir os próprios caminhos. Ser pai é saber e calar. Fazer e guardar. Dizer e não insistir. Falar e dizer. Dosar e controlar-se. Dirigir sem demonstrar.
É ver dor, sofrimento, vício, queda e tocaia, jamais transferindo aos filhos o que, a alma, lhe corrói. Jamais transferir aos filhos sentimento de fraqueza ou medo. Não deixarem perceberem brigas, humilhações, desavenças, intrigas, bobagens de casais sem estrutura familiar. O pai de verdade é aquele que sabe dizer não ao filho é aquele que corrige asperamente, o pai de verdade ama do fundo da alma e nunca, jamais abandonaria seu filho por nada neste mundo. Pai descanse em Paz. Meu pai “Dimar A. Moura”.
Ouvindo a voz da chuva
(...)
Ouves a voz da chuva ao amanhecer
Voz de chuva que vem do mar
Chuva que hoje parece
vento que faz uma prece
chuva que vem des[agua]r
(...)
Chuva que toca na arreia, Am[águas]
Chuva que choram, as ondas Des[água]
chuva que enche os poros
e antecede a solidão
(...)
Chuva que traz a dúvida, sem saber
versos que molham a planta, ao dizer
vozes que vem do vento
remindo o tempo, irá chover
§
In: TORVÍC, Allam. Poemas de conversações. 2023. São Paulo.
O HOMEM DO MAR
O indolente navegante que veleja Além-Mar – Sol a pino
Nutre-se no vazio do tempo insolente e fugaz dos mares tênues
Sob o vento a seduzir as flâmulas.
Que aportam órfãs mães por seus amores
E suas viúvas a sonhar em solitários portos
Sobre o tremular das águas no sal de sua íris
Ah, insensato homem do mar!
Você só tem as águas salgadas do mar e o vento!
Que emana os eflúvios dos corpos sedentos daquelas que perecem solitárias
Aos portos incólumes destes mares glaucos.
Série: Minicontos
RACISMO X ETNOCÍDIO
Há séculos. Congoleses e Angolanos sobre mar atlântico despiam-se da vida para a morte. E a história continua. Moïse fugia por léguas tiranas em busca de vida, e de maneira torpe encontra a morte. Havia 300 anos, e nos despimos da sorte de apreender a lição...
