Textos sobre Livros

Cerca de 1129 textos sobre Livros

⁠Um portal de mundos
que pode ser aberto
bem diante dos olhos
permitindo viagens memoráveis
por lugares históricos,
mordenos e fantasiosos,
conhecendo personagens fascinantes,heróicos,
engraçados, cativantes,
alguns insuportáveis,
outros dramáticos,
logo, vários momentos emocionantes.

Porta de saída da realidade
quando esta está monótona
ou se simplesmente a mente
precisa de vitalidade
com histórias empolgantes,
sejam lúdicas ou sobre verdades,
também de conhecimentos relevantes que possam aumentar a sua capacidade.

Um baú de um tesouro bastante raro,
feito de palavras, parágrafos,
trechos e versos
capazes de tocar a alma,
de deixar o coração aquecido,
assim, uma injeção de avivamento
de um jeito bem distinto.

Inserida por jefferson_freitas_1

⁠⁠O coração comete erros, é claro, faz parte, não está isento de enganos, mas neste momento, muito influenciadados pela paixão, pausemos o tempo e adentremos calmamente em alguns instantes mágicos, portanto, segure a minha mão, estamos em um lugar fascinante, à noite e com muitas luzes, um lindo salão.

Agora, nós estamos rodeados de grandes livros, um está se abrindo após o outro e assim todos estiverem abertos, seremos o casal protagonista de romance genuíno, tão cheio de vida, a rica junção de suas histórias, saltada de suas páginas, o encontro de suas linhas, as suas melhores e intensas palavras.

Pronto, chegou a hora, então, venha, minha querida, vamos dançar uma dança de época ao som de canção entusiasmante que conversa conosco exatamente o que sentimos, a grandiosidade do nosso mundo neste capítulo emocionante que partilhamos, ocasião apaixonante, a renovação de nossos ânimos.

Dançando dedicadanemte, uma cena singular, olhares que se olham, toques de mãos, uma emoção calorosa avivando os nossos corpos, ainda que possa ser ilusória, prende fortemente a nossa atenção, uma experiência maravilhosa, bem diferente de outras, dessarte, o risco se faz necessário para chegarmos à moral da história.

Inserida por jefferson_freitas_1

⁠Cada livro é como um abrigo onde nos refugiamos sempre que é preciso,
A realidade pode nos desagradar,
mas sempre há um livro do nosso agrado,
Histórias reais, irreais ou surreais
que nos faz pensar, viajar e muito mais,
Em um mundo desordeiro, um bom livro torna-se um exímio companheiro.

Inserida por jefferson_freitas_1

⁠⁠⁠Reconheço que não sou um leitor assíduo e que nem tenho um relacionamento antigo com a leitura, entretanto, nos últimos anos, vejo o bem que faz em ler bons livros, pelo menos, de vez em quando, diversas histórias, surpreendentes, engraçadas, misteriosas, daquelas prendem a nossa atenção, pausam a realidade que nos cerca, que encontramos sentidos profundos nas entrelinhas, os parágrafos são emocionantes, uma aventura diferente da outra,

transitando entre as páginas, passando tanto pelas narrativas reais quanto pelas fantasiosas, frases marcantes, palavras valorosas, tirando lições importantes, instigando o imaginário, vibrando pelas vitórias e descobertas dos personagens, satisfazendo algumas suspeitas, um mundo incrível de possibilidades, um lugar onde não sou nenhum incômodo, que posso usar como um abrigo, afastado de qualquer transtorno, longe dos conflitos,

Rota fuga de certas circunstâncias desagradáveis, que desgastam o corpo e o espírito, além de trazer um pouco de alívio para uma mente cansada, então, se estou lendo, consigo algo que me proporciona um momento muito restaurador em vários aspectos por menor que seja a sua duração, deixando o meu ânimo fortalecido, usando o senso de realismo e o gatilho para minha imaginação presentes em um livro numa significativa interação.

Inserida por jefferson_freitas_1

⁠Influenciado às vezes pelo meu lado melancólico, faço-me a seguinte indagação, se um dia experimentarei a sensação do amor correspondido, aquele que é raro e existe entre um casal que se ama verdadeiramente, descrito frequentemente em livros, mas sem o apego pela ilusão, sendo o mais racional e sadio possível.

Seria algo muito inusitado se eu encontrasse uma linda mulher que tivesse seu coração atrelado ao meu semelhantemente à arte e a inspiração, às estrelas e o céu numa exultação recíproca que superaria a imperfeição gerada por nossos defeitos e desafios, uma sinergia genuína seguindo por um mesmo caminho.

Tenho acreditado cada vez menos nesta possiblidade, talvez, não seja pra mim, entretanto, graças a Deus, não estou entregue à solidão, pois aprecio o lado bom da minha atual realidade, busco alimentar o meu próprio amor, ainda sou responsável por minha felicidade e Deus presente, não estarei só.

Inserida por jefferson_freitas_1

Maravilhado, enalteço prontamente uma ⁠⁠arte vívida, divinamente, criada
com uma venustidade notável, delicadeza instigante, certamente, é uma mulher amável que deixa esta noite ainda mais fascinante, calorosa, que tornará cada instante memorável.

Nela, o amor se mostra em demasia, a alegria se propaga com a sua presença que nem um beijo intenso da fantasia, oriunda dos livros ou de um dia entusiasmante de verão, o calor de um apreço recíproco, uma sincera e cativante emoção.

Além desta sua essencialidade ser tão apaixonante, tem lindos cabelos que caem gentilmente sobre o seu ombro, uma pele reluzente e uma serenidade nos olhos, detalhes que simplesmente encantam por serem singulares e charmosos.

Inserida por jefferson_freitas_1

⁠OS AMENDOINS DE CAMILLE: "Diálogos Entre O Lírico e O Lúgubre"

Por entre véus desbotados e tapeçarias da alma, dois espectros se encontram no porão onde não há arco-íris. Um homem — Joseph Bevoiur — e um eco — Camille Monfort — dialogam sobre aquilo que jamais será resolvido em nenhuma psicologia racional: o amor liricamente condenado ao exílio. O que se segue é um esboço do que talvez seja uma filosofia psicomística das afeições perdidas, cultivadas com as sementes amargas dos amendoins que nascem dos lírios mortos.

Camille (voz como se fosse ruído de vestido arrastando em degraus de mármore molhado):
— Joseph, tu ainda me cultivas? Mesmo agora, que só restam sombras daquilo que talvez nunca tenha sido?

Joseph (sussurrando como quem teme que o pensamento o ouça):
— Camille... eu te cultivo como se cultiva uma ferida antiga — limpa-se, cuida-se, mas não se espera a cura. Eu te cultivo em meu porão de silêncio. Lá onde crescem teus amendoins...

Camille (rindo com sua leveza incurável):
— Ah, os amendoins... doces, mas nunca caramelizados. Lúgubres, sim, porque nascem dos lírios que me enterraram viva no campo da infância. Sabes por que eu os colho, Joseph?

Joseph (a pele arrepiada, mas não pelo frio):
— Porque são teus pecados em forma de inocência? Porque são teu amor que não pôde crescer em árvores altas?

Camille:
— Não, Joseph... porque são alimento para minhas bonecas mudas. Elas mastigam o que eu não digo, e assim não me enlouqueço por completo.

Joseph:
— E essa tua psicologia, Camille... essa infantilidade lúgubre que te veste de rendas e te despe da razão... isso é filosofia ou sintoma?

Camille (encostando os lábios no tempo):
— É existência. Eu existo no intervalo entre a beleza e o adeus. Sou eu mesma um intervalo... não me prendas com nomes nem categorias, Joseph. Se queres falar de mim, fala de brisas sem direção, de afagos que não sabem em que rosto pousar.

Joseph (com olhos de vidro por dentro):
— Então tua filosofia é o avesso da lógica?

Camille (com ternura psicótica):
— Minha filosofia é lirismo em decomposição, Joseph. Um lirismo que jaz e jaz, mas ainda perfuma os porões da memória. Amor, para mim, é um jardim onde enterrei meu primeiro espelho.

Joseph:
— Camille, por que sempre me fazes caminhar por dentro de ti?

Camille (encostando-se a ele como bruma):
— Porque tu és feito de mim, Joseph. Como o eco precisa do grito. Como o medo precisa do porão. E porque toda filosofia verdadeira precisa de uma loucura que a beije na boca.

Epílogo espectral:

Naquele porão onde não há arco-íris, os lírios continuam murchando em câmera lenta. E dos seus caules brotam amendoins que só os olhos fechados conseguem ver. Camille colhe, Joseph observa. Ambos sabem que são espectros de uma ideia não pensada. E que entre cada silêncio da conversa, cresce algo não dito, mas que respira. Como um segredo velho, embalsamado em poesia soterrada.

Enquanto isso, alguém, em algum lugar, sente um sabor estranho na boca. Doce, mas levemente salgado. Como se um amendoim houvesse nascido de um lírio morto dentro do peito.

Inserida por marcelo_monteiro_4

⁠Livro: Não Há Arco-iris no meu Porão.
Capítulo 5 —
A Flor e o Filósofo no Abismo.

A flor estava sentada no limite do porão, onde os tijolos se desfaziam como lembranças mal digeridas. Seus olhos, enevoados de luto prematuro, fitavam o vazio que morava dentro dela — e que não era só dela.

Ali, no breu quase simbiótico, surgiu ele: Friedrich, sem o tempo nem a barba. Não como homem, mas como ferida.
Trazia no olhar a exaustão dos que pensam demais, e nos lábios o tremor dos que já perderam o direito de acreditar.

Ela não se assustou.

Ele também não.

— “Você também caiu?”, ela perguntou, sua voz como se viesse de um sino partido.

— “Não, pequena... eu apenas nunca mais consegui subir.”

Ficaram frente a frente, ambos em silêncios que diziam mais do que qualquer aforismo.
Ela estendia os dedos manchados de pó e sangue velho. Ele hesitou. Nietzsche sabia o preço de tocar a dor alheia. Mas, ainda assim, quase tomou sua mão.

— “Eu carrego dons que doem”, disse a flor.
— “E eu carrego verdades que me isolaram de todos”, respondeu ele.

Acima deles, os sorrisos vazios dos que acreditam ter vencido a vida tremeluziram como cacos de luz.
Mas no abismo, não havia luz — apenas lucidez.
E uma flor lutando para sustentar as Notas.

— “Eles acham que estou louca… porque ouço o que ninguém mais ouve…”

Nietzsche inclinou-se, sua sombra tremendo como um pensamento prestes a ruir.

— “Louca? Ah, criança… eu desejei ser louco muitas vezes. Ser louco é menos doloroso do que ver demais. Você não está louca. Você está vendo um mundo que finge ser cego.”

Ela não sabia se aquilo a consolava ou a condenava ainda mais.

Ficaram ali. Dois seres de fronteira.
A flor que não florescia.
O filósofo que não acreditava mais na primavera.

E, por um instante que talvez nunca tenha existido, tocaram-se.
Não com as mãos, mas com a dor que se reconhece.

Inserida por marcelo_monteiro_4

O CÂNTICO DO PÓ E DA ORDEM.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Virou pó.
assim começa a narrativa e assim ela jamais se encerra
pois tudo quanto é dito nasce já inclinado ao retorno
No princípio não houve clamor mas sedimentação
o pó repousava em silêncio anterior à forma
e desse silêncio ergueu-se o verbo não para criar o real
mas para ordená-lo segundo uma lei mais antiga que o tempo
Do pó surgiu o corpo
não como triunfo mas como concessão
cada osso cada nervura cada fôlego
foi apenas um intervalo entre dois silêncios
o anterior que chama
o posterior que recolhe
In totum in veritate
não há fuga possível dessa arquitetura
o homem ergue templos escreve tratados funda impérios
mas tudo é feito de pó organizado
e todo gesto que ignora essa origem carrega em si o germe da ruína
Os antigos sabiam
por isso falavam pouco
por isso escreviam com gravidade
o pó era mestre severo
ensinava sem palavras
que toda ascensão traz consigo a memória da queda
e toda queda preserva a dignidade do retorno
O verbo então aprende sua função
abandona o excesso
despoja-se da vaidade e antecede aos momes
torna-se servo da verdade
não para explicá-la mas para alinhá-la
pois falar corretamente é um ato moral
e ordenar as palavras é reconhecer os limites do ser
Vrou pó
não como lamento mas como sentença cósmica
o pó não destrói
o pó reconduz
nele o orgulho dissolve-se
nele o medo aquieta-se
nele a alma compreende que nada se perde
apenas se recoloca na economia eterna
Assim o corpo retorna à terra
como quem devolve um empréstimo
e o espírito liberta-se da densidade
não em fuga
mas em fidelidade à ordem que sempre foi
In verbis tantum
nas palavras apenas
quando purificadas do supérfluo
permanece o testemunho
de que toda verdade se sustenta não pelo brilho
mas pela gravidade
E quando tudo parecer noite
quando a forma ceder
quando o nome se calar
o pó continuará a falar em silêncio
lembrando ao universo que a ordem não morre
apenas espera que o verbo volte a pronunciá-la com reverência.

Inserida por marcelo_monteiro_4

A Lenda do Vale Onde as Vozes Criam Sombras.

Diz o povo antigo que, muito antes de qualquer aldeia existir, havia um vale profundo que guardava um segredo: a terra respondia às vozes humanas.
Não às palavras doces, nem aos cânticos de alegria mas aos gritos.

Os anciãos chamavam aquele lugar de Vale das Sombras Sonoras, porque acreditavam que cada grito lançado ali não desaparecia.
Ele ganhava forma.
Ele criava sombra.
Ele vivia.

O início da lenda.

Conta-se que certo dia um jovem caçador, chamado Maraí, entrou no vale irritado com a própria falta de sorte. Gritou contra o vento, contra o céu, contra a própria vida.
O eco devolveu suas palavras multiplicadas mas algo estranho aconteceu:
o chão tremeu.

Das pedras saiu uma figura feita de poeira e som, sem rosto e sem pés, mas com uma fúria igual à dele. Era a sua própria raiva, moldada pelo vazio.

Assustado, Maraí correu até os anciãos, que lhe disseram:

— No Vale das Sombras Sonoras, tudo o que se grita ganha corpo. Por isso, filho, lá se entra de boca fechada e coração aberto.

Mas o jovem não acreditou. Voltou ao vale, agora decidido a provar que medo nenhum o controlava.
Gritou de novo.
E de novo.
E de novo.

E passaram a surgir outras sombras uma para cada explosão da sua voz.

O peso das sombras.

Com o tempo, as sombras começaram a segui-lo para fora do vale porque já não cabiam mais alí, cabiam nele.
Onde ele ia, elas iam.
Onde dormia, elas o observavam.
Onde tentava amar, elas se deitavam entre ele e quem ele amava.

Maraí se sentia mais pesado a cada dia. Era como se carregasse vários homens sobre os ombros.
Então procurou novamente os anciãos.

— Como me livro delas?

E o mais velho respondeu:

— Quem cria sombras com gritos só as desfaz com calma. As sombras bebem tua cólera. Mas morrerão de fome se beberem tua paz.

O retorno ao vale.

Maraí voltou ao vale, não para gritar mas para silenciar.
Sentou-se na terra que um dia tremeu sob seus pés.
Respirou profundamente.
Falou baixo.
Depois falou mais baixo ainda.
E então permaneceu quieto, dia após dia ele repetia a sua volta até aquele vale praticando o exercício da orientação que receberá do sabio ancião de sua aldeia.

As sombras, sem alimento, foram se desfazendo como tinta na água.

Quando o sol se pôs, o jovem saiu do vale sozinho.
A voz dele havia mudado.
E quem o encontrou nos dias seguintes dizia que, ao falar, era como se o vento o escutasse com respeito.

Moral da lenda.

Os velhos contavam essa história às crianças para ensinar que:

Gritos criam sombras.
Palavras serenas criam caminhos.
E o silêncio cura aquilo que a fúria feriu.
Autor: Escritor:Marcelo Caetano Monteiro .

Inserida por marcelo_monteiro_4

NÃO HÁ ARCO-ÍRIS NO MEU PORÃO — CONTINUIDADE.

Havia dias em que o porão respirava antes de mim.
Ele exalava um ar morno e antigo, como se fosse o pulmão cansado de uma casa que aprendera a guardar segredos demais. Eu descia os degraus devagar, escutando o ranger que nunca deixava de soar como um aviso não um aviso de perigo, mas de revelação. Porque o porão não dói: ele apenas devolve o que és.

E naquele dia, a luz que escorria pela fresta da porta parecia ainda mais tímida, como se tivesse vergonha de tocar as superfícies que me acompanhavam desde a infância.
Era estranho pensar que eu crescera tentando fugir de mim, quando na verdade tudo o que o porão queria era que eu me sentasse no chão frio e o escutasse.

As lembranças começaram a surgir em ondas baixas, como se alguém soprasse perto do meu ouvido. Não eram memórias lineares, mas fragmentos inquietos. O rosto de alguém que não sabia amar; a voz de alguém que soube ferir; a ausência de mãos que deveriam ter me segurado quando eu caía.
E, acima de tudo, a velha sensação de que o mundo lá fora não tinha espaços para os meus silêncios.

Foi então que percebi: o porão não era um cárcere, mas um espelho.
E espelhos, quando te devolvem inteiro, costumam ferir mais que qualquer lâmina.

Sentei-me. Ouvi. Respirei. A dor tinha um timbre próprio, e eu quase podia vê-la, uma figura pálida encostada na parede, observando-me com a paciência das coisas que não envelhecem.
Eu a encarei.
E, pela primeira vez, ela não recuou.

“Eu não vim para te destruir”, parecia dizer sem palavras. “Vim para te mostrar onde colocaste as tuas ruínas.”

Meu peito apertou. Não por medo, mas por reconhecimento.

Porque cada pessoa guarda dentro de si um porão, e quase todos tentam negar sua existência.
Mas negar o subterrâneo nunca apagou sua porta.
A dor continua ali, esperando a coragem de ser encarada.

Enquanto os minutos escorriam, percebi algo que não ousava admitir:
a luz que eu nunca encontrara no mundo não estava ausente, estava apenas voltada para dentro, como uma lamparina distante, protegida do vento pela própria escuridão que eu evitava.

E então, pela primeira vez, compreendi.
Não há arco-íris no meu porão…
mas talvez nunca devesse haver.
O porão não foi feito para cores; foi feito para verdades.

O arco-íris pertence ao céu.
O porão pertence à alma.
E não há conflito nisso.

A beleza nasce do contraste e eu, ali, no chão frio, comecei a entender que para tocar a claridade de cima, eu precisaria, antes, decifrar a minha noite.

Foi quando ouvi passos suaves atrás de mim...

Inserida por marcelo_monteiro_4

Capítulo XVII — Dá-me uma única lágrima, Camille.
Do Livro: Lírios Do Abismo De Monfort.

A noite parecia suspensa entre dois silêncios. Nenhum vento movia as cortinas, e ainda assim, o ar tremia. Camille estava ali — imóvel, quase transparente — como se sua presença fosse apenas a lembrança de uma presença. A chama da lamparina vacilava, e por um instante, pareceu reconhecer nela o contorno de uma alma que não pertencia mais ao tempo.

Ele, sentado diante do piano, não ousava tocar. As teclas, brancas como neve antiga, guardavam o eco de músicas que só o coração poderia ouvir.
— Dá-me uma única lágrima, Camille… murmurou ele, num tom que não era pedido, mas prece.

Camille ergueu o olhar.
Nos olhos dela havia o oceano e o abismo, a ternura e a dor do mundo.
Uma única lágrima formou-se, hesitante, e deslizou por sua face como se o próprio destino a tivesse esculpido.

Ao cair, não se ouviu som. Apenas um perfume leve se espalhou pelo ar — o perfume da saudade que cura. E, no instante em que a gota tocou o solo, uma brisa varreu o quarto, soprando pelas janelas abertas.

Tudo o que era sombra pareceu recolher-se.
E ele, que antes chorava em silêncio, sentiu a dor dissolver-se em luz.

Camille aproximou-se. Sua voz era quase um sussurro que o coração entendia antes do ouvido:
— As lágrimas, meu amado, são sementes de eternidade. Elas não caem: renascem. Cada dor que se oferece em amor torna-se bálsamo para o mundo.

Então, desapareceu lentamente, como se se recolhesse ao próprio firmamento.
Mas o perfume ficou.
E, sobre o piano, onde antes havia apenas o vazio, repousava agora uma única gota cristalina, cintilando à luz da madrugada a lágrima de Camille guardando em si o mistério de quem chorou pelo amor e curou pela alma.

“Há dores que não se apagam; transmutam-se em luz, e nessa claridade silenciosa, os espíritos se reconhecem.”

Inserida por marcelo_monteiro_4

⁠Quando deixam
de te olhar nos olhos,
Quando deixam
de te emprestar os ouvidos,
Quando deixam
de falar inexplicavelmente contigo,
Quando absolutamente
nada conspira a seu favor,
Sempre será o livro que continuará
te fazendo companhia,
viajando, debaixo da chuva,
no meio da guerra
ou quando você se encontrar
absolutamente sozinho.

O livro ensina a ser e a não ser,
por isso escolha bem o seu livro
como quem escolhe o melhor amigo.

Inserida por anna_flavia_schmitt

Podemos ler todos os livros que quisermos, conhecermos vários lugares diferentes, termos uma série de sensações variadas, mas se não compartilharmos isso com alguém, estamos vivendo em solidão. Dividir espaço com outro, é difícil. Mas não se consegue viver sem tocar, sentir, ouvir, compartilhar ideias, emoções e sentimentos.

Não é questão de esquecer uma história, mas sim de guardá-la em uma estante de livros que já li. Preciso de novos livros, já as novas histórias são consequências dos livros que eu escolho. Não é porque abri um livro que sou obrigado a lê-lo até o fim. Sinceramente adoro abrir livros, alguns leio um pouco e já me canso, outros leio até o fim e outros só de abrir sei que serão uma delícia de ler. Existem vários tipos de livros, complicados, carentes, engraçados, mas todos gostosos de ler. Quero ler todos que eu puder, para um dia ter certeza qual livro quero levar na minha mochila. Livros são assim, ou gostamos ou não, mas sempre tem aquele que fica na cabeceira da nossa cama.

Cansada de tanto refletir, abri um de meus livros favoritos, gasto de tanto manuseio, e um papel caiu das páginas. Segurei-o e lá estava escrito: “Espero por você em nossa esquina que ainda não conheces. Ass: Futuro”. Sorri. Ah, futuro, sussurrava uma confidência para as paredes, como te espero

Desde a mais tenra infância, Tomás de Aquino deixava de chorar quando se lhe apresentavam livros e manuscritos. Erasmo dizia na juventude: Quando tiver dinheiro, comprarei primeiro livros, em seguida roupas. Luís Veuillot antes mesmo de saber ler experimentava grande alegria quando era presenteado com livros. Consagrou os primeiros e magros recursos à compra dos autores clássicos nos alfarrabistas. Mais tarde quantas horas deliciosas não passou no cais do Sena, folheando livros curiosos!

Para dizermos coisas lindas para quem amamos não precisamos ler livros, etc. Basta poesias, contos românticos, etc. Basta apenas permitirmos que nosso lábios expressem /Transmitam o que o nosso coração está sentindo, deixemos que ele falará tudo o que sentimos... e se amarmos ele falará coisas belas, pois o amor é isso.

Os livros que eu li e amei estão sempre por perto. Não só pra, volta e meia, dar uma namorada de olho com eles, alisar um bocadinho a lombada, fazer uma festa na capa, mas também pra, de vez em quando, convidar, vamos de novo? e lá ficarmos os dois, outra vez esquecidos do mundo, nessa tal de amarração de quem escreve e de quem lê.

Eu não vou mais falar dos livros ou da longa guerra, mas caminhar pelos penhascos secos até encontrar uma mendiga ao abrigo do vento. E aí, vou falar até ela dizer o nome dela. Se houver trapos suficientes ele se lembrará do nome dela, e vai ficar feliz em se lembrar. Porque antigamente, apesar dela contar com o elogio dos jovens e a culpa dos velhos, entre os pobres, tantos jovens quanto velhos a elogiavam.