Textos sobre a Morte
CRIADO DE BORDO
Posso até sentir o mar, escutar o que tem a sussurrar, posso sentir sua força quando meus olhos se fecham… o grande oceano, soprando uma forte brisa sobre meu rosto, vem temporal aí.
As velhas tábuas do navio, rangendo sobre meus pés, as cordas a segurar tamanha força dos mares sobre as velas.
Quando der repente, uma grandiosa onda anuncia sua temerosa presença sobre nossos olhos.
É em momentos como esse, que separamos os homens das crianças.
Ela se aproxima como a morte dos homens.
Os céus mandaram um grande raio para
despertar o grande mar, que com a luz resplandecente do raio, por uma fração de tempo, uma onda tão grande quanto os montes da terra, é revelada sobre aqueles pobres marinheiros.
Os homem naquele dia já haviam desistido da vida, alguns lamentável suas vidas, outros pecadores, assassinos e ladrões oravam por perdão antes da morte.
Mas aquele dia ainda nos traria muitas surpresas.
Quando já não havia esperanças, e seus coração já haviam transbordado de medo e insanidade, por tudo que tinham vivenciado. O Sol anuncia sua presença, espantando a poderosa ventania entre as ondas.
Naquele dia aprendemos a viver.
CRIADO DE BORDO…
Saudade: a medida secreta do amor
Teus olhos, agora estrelas,
não brilham menos por estarem distantes.
São vigias do meu sono,
um farol que ilumina a noite longa.
Tua voz é sussurro no vento,
um segredo guardado nas folhas secas,
canta memórias nos cantos esquecidos do dia,
um eco que não se apaga,
uma melodia que insiste em ficar.
A saudade não pede licença,
entra sem bater na porta.
Sons, cheiros, risos:
tudo rompe o silêncio da sala.
É o amor que ficou,
pedaços teus que não souberam partir,
estilhaços da tua presença,
que agora moram na ausência.
Sentir saudade é um pacto,
uma entrega,
o ensaio da presença que já não volta.
Dizer "sinto saudades de você"
é confessar: "eu te amo ainda".
A ausência é cheia demais,
carrega teu cheiro, tua risada,
o peso do que não foi embora.
Saudade é régua,
a medida secreta do amor,
o peso e a prova de tudo o que fomos.
Tesouro que o tempo não apaga,
que a ausência não rouba.
Saudade é o amor que persiste,
um grito surdo que ecoa,
buscando-te em cada esquina do tempo.
Se o amor é âncora,
a saudade é barco à deriva.
Navega sempre em busca do que perdeu.
Nem tanto ao mar,
nem tanto à rocha:
foi no equilíbrio das ondas
que minha saudade ancorou
no porto invisível do meu coração.
Não importa o que você faça, não importa o que você conquiste, não importa onde você esteja, nem mesmo importa quem você é: A vida um dia poderá parar de fazer sentido pra você, e o fim chega a ser desejado, mas infelizmente, ou felizmente (de fato nao sei) a vida não acaba depois do nosso 'fim' então CUIDE-SE, ou conviva com esse vazio aí que eu sei que você sente, mas não desconte em quem consegue VIVER, muito menos feche o livro antes da hora.
É difícil, mas é o correto.
Eu, conversando comigo mesmo.
O Trono
Então vi um trono branco e o que estava assentado nele,
de quem diante do qual, fugiram a terra e todo o céu,
e não se achou lugar, para os que fugiram dele.
Forte é a sua gloriosa presença, e o seu majestoso eu!
E vieram os mortos à sua presença tanto grandes,
como pequenos, e abriram-se os livros registantes,
e todos foram jugados pelas, coisas, neles escritas.
O mar entregou o que as águas tinham em si escondidas.
E todos os seres foram julgados pelas suas obras,
e também a morte e o inferno por Deus foram julgados.
E no lago de fogo foram eles, por ele lançados.
E assim a morte foi para todo o sempre vencida,
O diabo também, não teve nenhuma mais investida,
nem do mal, não houve mais nenhumas sobras!
Uma das maiores sabedorias da vida é a gratidão no lugar da murmuração.
É mais sábio agradecer pelo que se tem, do que murmurar pelo que não tem.
A gratidão enriquece, enquanto a murmuração empobrece.
A gratidão vivifica, enquanto a murmuração mortifica.
A gratidão reconcilia, enquanto a murmuração causa intriga.
A gratidão é o antídoto contra o veneno da murmuração.
Mais dia menos dia, somos surpreendidos pela impotência de sermos quem somos.
Acordamos do sonho de ter uma vida duradoura, estável.
Batemos de frente com o muro da realidade, e o muro desmorona.
Não queremos ser espectadores de violência, nem muito menos coadjuvantes ou protagonistas, mas infelizmente fazemos parte das estatísticas.
Há momentos assim que são de muitas perguntas e nenhuma resposta.
Somos reféns da liberdade alheia, do livre arbítrio criminoso, onde quem escolhe ser protagonista da violência, transforma em vítima quem não pagou o ingresso para participar da barbárie.
Sinal Fechado
A cor rubra anuncia a hora do espetáculo
O artista mal respira e corre para a frente do palco
E o show de malabarismo começa imediatamente
Esforçadamente ele tenta agradar à plateia indiferente.
Mal tem tempo de respirar e lá vem ele
Em nossas direções garimpar o ingresso após o espetáculo
Janelas se fecham e mal lhe dão um olhar
Ele estende as mãos e recebe rostos virados automaticamente.
Mas não desiste, antes que o sinal fique verde
Ele se aventura entre os veículos com as laranjas nas mãos
E fatalmente é atropelado e mal tem o direito de falecer.
Reclamam e buzinam os motoristas apressados no engarrafamento.
O malabarista, oh Deus, era apenas uma criança de sete anos que foi ao seu encontro.
Soneto da Vida Que Prossegue
De súbito, me vi sem forma ou chão,
Soltei o corpo, e a dor ficou pra trás.
Na paz sem voz, brilhou revelação:
Sou mais que a carne — sou essência e paz.
O tempo se desfez num só instante,
E vi a vida inteira, em luz, pulsar.
Os medos se calaram, tão distantes,
E o que era vão deixou de importar.
Mas voltei. E a vida me chamou.
Com nova fé, caminho o que é terreno,
Pois cada luta mostra o que sou,
E o amor que guia tudo é sempre pleno.
A vida segue — e sigo com firmeza:
Sou chama eterna em veste de beleza.
DESEJO EXPRESSO
Não costumo nem gosto de falar
de minha inevitável viagem
para outro plano de vida
e sempre espero
que ela seja tardia e adiável
o quanto possível.
Mas isso não impede
que eu expresse o desejo
de que meus restos
não sejam cremados:
quero meu corpo sepultado,
dar minhas carnes mortas
à terra de minha terra,
e que isso aconteça
num clima de festa,
em que os cantos de alegria
não cedam lugar
a lágrimas e soluços
de tristeza.
Os momentos do adeus serão apenas
os do começo da travessia
da essência de mim para o desconhecido,
enquanto aqui começará a colheita
do que plantei e não colhi,
mas que não se esgotará
para as gerações futuras,
em cuja memória eu não pretendo
ser, do que fui e fiz neste plano,
simplesmente cinzas,
embora guardadas no mais rico
e belo dos cinzários...
MELHOR SE EU CHORASSE
Acompanhei-lhe todo o sofrimento.
Vi-a morrer tranqüila, como santa
Que entrega a Deus a alma, no momento
Em que a força da vida se quebranta.
Tentei chorar. Foi vão o meu intento...
Muito embora a vontade fosse tanta,
O choro não me veio, e um nó cruento
De dor ficou-me preso na garganta.
E se manteve assim por várias horas,
Até que, bem baixinho, ao meu ouvido,
Alguém me perguntou: - Por que não choras?
- Ah! Bem melhor seria se eu chorasse,
Pois dói bem mais o pranto reprimido
Do que o que jorra, em lágrimas, na face.
Vida fácil é aquela que já não é
É aquela que já se foi um viver
Pois vida mesmo é luta constante
Viver é possuir um divino dom
É estar, é ser, é tudo poder fazer
Quando não se luta intensamente
Assim quando não há pelo quê
Mesmo existindo, mas sem fazer
Como se nada mais ser possível
A morte é um fato consumado
Quem dera pudesse acordar estes
Que tiveram a sentença resolvida
E tirar-lhes da vida fácil em curso
Para ver viverem a luta do fazer
Dançando ao eterno som da vida
Com Clancy Gilroy, Midnight Gospel
O corpo é o limitador do verdadeiro entendimento que apenas a meditação pode oferecer, a morte para o renascimento completo junto ao sistema de coisas, um metaverso maior que o seu, o universo. Fugir da realidade para evitar a dor em existir, de amar, apenas tardará o entendimento de que viver o agora é estar conectado com tudo o que existe, passado e futuro no mesmo espaço tempo, transcendendo os limites da imaginação, da mente, ao se aproveitar aqui e agora.
Batalhas: que nunca deixem de existir;
Derrotas: que sempre me aprimorem;
Vitórias: que sejam mais que derrotas;
Inimigos: que me ensinem e aprendam comigo o valor das batalhas;
Amigos: que sejam verdadeiros e estejam comigo custe o que custar;
A Morte: que não me alcance tão fácil;
A Vida: que seja uma constante de tudo isso que é viver.
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Achei muito bonito da parte da família do Gugu realizar um velório aberto ao público. Só agora, depois de sua morte, pude ter uma ideia de quem ele era. Pelo jeito, pelo modo como a família se comporta, dá para perceber que ele, o Gugu, era uma pessoa do bem. Parabéns, e que Deus continue dando a eles o suporte necessário.
A filha adoeceu de covid-19 em um outro Estado, e foi entubada. A mãe dela viajou para lá para ajudar a cuidar dos netos, e depois de quase um mês, a mãe dela resolveu dar um "pulinho" até o outro Estado onde ela morava com o marido e um filho, mas assim que chegou lá, dois dias depois, ela não se sentindo bem, procurou um médico, estava suspeita de estar com covid-19. No quinto dia ela também se internou, e foi entubada também. Logo em seguida o pai e o filho, com covid-19, foram hospitalizados e entubados também. Os quatro ficaram entubados, a filha em Vitória-ES, a mãe, o pai e o irmão no Pará-PA, e os quatro morreram, sem que nenhum dos quatro soubesse um da morte do outro.
Essa foi a pior história que me contaram hoje, 02/04/2021. E eu acredito que já aconteceram muitos casos desse tipo por ai, e a gente nunca vai saber de tudo o que aconteceu nesta pandemia.
Pense em quantas coisas ruins podem acontecer todos os dias?
No entanto, bem lá no fundo, a gente nunca acredita que essas coisas podem acontecer na vida da gente também. A gente sempre acha que a nossa vida, esta vida de agora, vai durar eternamente, não vai acabar nunca. A gente nunca acredita que um dia a gente também vai morrer.
Temos a sensação de que somos eternos, mas isso é só uma sensação espiritual, uma lembrança inconsciente daquilo que somos em espírito na espiritualidade, na Eternidade, só isso, e, por sorte ou azar, ou por sorte e azar, não sei, não nos damos conta disso, até depararmos com a nossa própria morte.
Sempre foi mais fácil ficar olhando para o céu enquanto as nuvem partiam.
E eu sempre quis ser as nuvens, mudar de formato e pode ir a todos os lugares ,contemplar de cima a pequinês humana que tanto me fazia querer crescer voando...
Hoje olho meu álbum tentando reconhecer a garota que queria voar e vejo que ela agora só quer pousar, pousar na paz do dia a dia, conseguir levantar de cabeça erguida ainda que os pés não saiam do chão; a garota de ontem esperava ansiosa o final de semana para viajar , hoje ela viaja em seus pensamentos que outrora a fazem levitar; a garota que de criança sabia que o tempo não andava e sim corria, que tanto temia a virada de ano e não gostava de festas natalinas, hoje queria que do lado da família e amigos passar todas essas datas pertinhos...
ontem meu relógio parou e até agora não consigo lembrar o que fazia naquele horário; a vida corrida desgasta os sapatos o tempo e até as lembranças...
E meus cadernos ainda com páginas em branco e sem que eu tenha o que escrever, estão envelhecendo, sem serem escritas novas histórias, esta sim é uma triste forma de morrer...
Fui condenada por Matar.
Esta feito. Terminado .
Sempre achei que os finais eram rápidos, um golpe certeiro no peito e pronto, acabou, mas acabou para quem se esse pode ser apenas o início do termino, quanto tempo leva eu também não sei, mas ele se inicia com uma decisão.
Eu fui condenada por matar, mas antes escolhi morrer, desaparecer aos poucos, a medida que a força acabava meus labios sorriam, estava mais perto da morte o quanto podia, a dor da alma se aliviava enquanto a pele sofria, esquecer a própria história, deixar-se apagar as próprias conquistas, viver o outro enquanto de si próprio esquecia, uma alusão a realidade, ver por outros olhos o quão lindo esta o dia, estar perto, tão perto que já me sentia dentro , ofuscada pelas asas que protegem e não te deixam ver , surda pelo barulho que ensurdece e não te permite ouvir , calada pelo incômodo de existir.
Algo vai te olhando e observando , até que uma voz te sussura de perto " você tem mais uma escolha" , desta vez quando tive que escolher entre matar ou morrer , escolhi matar , matei para me manter viva, foi em legitma defesa, mas será que o juiz acredita?.
Comecei sufocando aquela voz que ainda dizia que amava, adentrei profundamente as lembranças que machucaram, deixei suas feridas expostas e fui envenenando diariamente os sentimentos , abri a janela do meu Eu , o sol entrou e eliminou a escuridão, consegui ver o que me apodrecia.
Após longos dias , percebi a casa interna mais limpa e bonita , porém estou condenada , precisei arcar com o alto preço, minha condenação não é a prisão cheia de grades, mas viver a realidade com o peso das escolhas que fiz.
Dariamente mato as lembranças de algumas histórias , porém já não sei o que foi verdade e o que mente cria.
Após um choque, abri os olhos e me vi acorrentado.
Acorrentado ao passado, com belas lembranças, momentos únicos...dias lindos e agradáveis.
Olhei para o outro lado e vi o tempo passando, gritei para ele esperar, mas indiferente continuou seguindo
sem responder, de forma estranhamente elegante e devagar.
O ambiente ficava mais cinza a cada passo que o tempo dava... e eu ali, acorrentado, preso ao passado.
As correntes me ligavam em um foco de luz, mas era uma luz isolada, o contorno todo negro e o interior formado por imagens estáticas, não se moviam.
Olhei novamente para o tempo e ele com um sorriso no canto da boca disse: "Graças a mim, teve aqueles momentos,
mas foi graças a ti que eles se tornaram eternos."
Eu retruquei: "Porque você não pára? Eu QUERO viver aquilo mais uma vez!!"
Ele finalizando disse: "Eu sou constante, mas você não, não podes viver o passado e o presente ao mesmo tempo, quem dirá o presente e o futuro, venha comigo ou morrerá no passado."
Imediatamente as correntes sumiram, fraco me levantei, pernas trêmulas vi o tempo, já de costas, indo em frente e deixando um caminho para eu seguir...
E se eu partir? Será que todo esse esforço terá valido a pena?
A luta por algum espaço no mundo, a vontade de querer deixar uma marca de ter um legado.
O medo de ser esquecido me faz entrar em depressão, e se me esforçar de mais e ser lembrado como um idiota?
"Viver para morrer. A vida valerá a pena depois da morte!"
Se Eu Pudesse
Se eu pudesse...
eu atravessaria o oceano
com você em meus braços.
E te protegeria das tempestades que poderão se aproximar.
Se eu pudesse,
eu colocaria você no meu colo,
e não deixaria você tocar seus pés no chão.
Somente assim eu poderia
te poupar das pedras
da caminhada da vida.
Mas aparecem situações
na nossa vida,
que só podem ser passadas
e vividas por nós mesmo.
Existem momentos,
que precisamos colocar
em prática o nosso presente
que Deus nos deu,
que foi a nossa vida,
tão singular.
Neste momento
Ele quer ver melhor
o que estamos fazendo
com a nossa vida.
E aí então,
somos nós e Deus.
Por mais que o meu gostar
por você seja tão intenso.
Neste momento,
eu me sinto
com as mãos atadas.
Sinto-me tão pequena
para estar do teu lado.
Mas tenho uma força
tão grande que me encoraja
de lutar contigo.
Eu quero neste momento,
pedir a Deus
que escreva nesta parede branca que se chama destino,
em letras de ouro,
a coragem e determinação
que você terá daqui para frente.
E que Deus só existe quando
e enquanto tivermos esperança,
e esta esperança
eu vejo no brilho dos seus olhos.
