Textos Reflexivos de Fernando Pessoa
A motivação pode ser um fator de destaque no processo de ensino aprendizagem inclusive na modalidade a distância. Mas, vamos supor que o aluno receba como “missão” fazer um curso a distância sobre confeitaria. Ele pode não gostar desta área de atuação, mas é missão e deve ser realizada. Independente de estar motivado ou não, o aluno precisa ser autônomo na construção do conhecimento. Contudo, estando motivado, obviamente, a missão será melhor cumprida.
É preciso pensar na aplicação da tecnologia como um recurso facilitador do processo ensino-aprendizagem de forma que a liberdade do conhecimento e criatividade fluam com naturalidade e não alienados na triplicidade de demandas extraclasse (para professores e alunos), o que pode gerar desinteresse ou inconsciência da sua necessidade nesta nossa Era tecnológica.
É desafiador para o docente que o seu olhar no ensino de português para militares estrangeiros esteja no reconhecimento quanto ao ensino de português não como língua materna, mas como segunda língua para um público já formado profissionalmente e, principalmente com valores e cultura fortemente enraizados.
O desafio do século XXII continuará sendo a tecnologia. Sua evolução acelerada recria necessidades, expectativas e horizontes. Encantamento e insegurança serão suas dicotomias cuja contrariedade também é complementaridade. A qualificação técnica e as relações de produção constituem o dualismo que não poderá fugir do equilíbrio dinâmico destas energias teoricamente opostas.
O Português como língua estrangeira não se trata somente de um desafio linguístico, mas sim em como as questões que envolvem as relações sociais, os distintos padrões estéticos e a comunicação - como reflexo das diferentes culturas - contribuem para facilitar este processo de aquisição do português como segunda língua.
A maturidade me ensinou que não devo falar tudo o que penso, ou que não devo falar de qualquer forma a qualquer hora. As verdades são temporais. Fatos esclarecidos com a cabeça fria, apoiados na razão e empatia impedem ações levadas pela emoção. É sábio refletir, mudar de opinião e de atitudes também, se preciso.
O que faz você ler este texto é a necessidade de preencher os espaços vazios que há em seu íntimo. A expectativa de encontrar alimento imaterial torna os seus olhos estáticos, a sua respiração profunda e o seu cérebro atento. Olhe ao seu redor com a mesma atenção que está aplicando nesta leitura e descobrirá que o alimento buscado está em todo lugar e que apenas precisa ser identificado.
A manhã é mulher, a tarde é mulher, a noite é mulher, a água é mulher, a terra é mulher, a flor é mulher, a Lua é mulher, a estrela é mulher, enfim, a vida é mulher. Cada habitante da Terra já foi mulher, nem que tenha sido durante os meses em que, no ventre, formou um só corpo com uma mulher.
Se de fato existir essa tal lei do Karma, podemos dizer que os ficcionistas nos fazem economizar reencarnações, pois através de suas personagens vivemos várias vidas sem ter que morrer e renascer; a ficção é uma arma poderosa, mágica e silenciosa, ela pode mudar uma pessoa, e quando uma pessoa muda, ela pode começar a mudar o mundo.
Viver é como estar num carrossel em chamas, com nossas almas estúpidas montadas nos cavalinhos mais estúpidos ainda; para escapar dessa palhaçada toda e do estulto e sádico dono do carrossel e do circo, temos que pular do carrossel em movimento, saltar não com a alma, mas com o Espírito, porque o Espírito é maior e mais forte que o dono do circo, o Espírito é maior que qualquer Deus fajuto que nos empurram goela abaixo do berço ao túmulo.
Quando somos jovens, pensamos tudo saber, mas nada sabemos; quando velhos, assumimos que não sabemos nada, mas na verdade um pouco sabemos: que quem sabe tudo são as crianças, elas sabem que não sabem, e mesmo quando fazem de conta que sabem se divertem enquanto aprendem o que os adultos não lhes ensinam...
Há um preço para o Espírito vencer o Eu (Ego Inferior, a persona, a máscara egóica). É um preço terrível, o sujeito será odiado e incompreendido pelo resto da Eternidade. Sente-se a solidão mais terrível do Universo, mesmo quando se está acompanhado.Ninguém compreenderá uma pessoa cujo Espírito libertou-se e tornou até o corpo espiritualizado. Não pensem que o Espírito Liberado é mansinho, isso de mansuetude é com a alma e a alma não é o Espírito. O Espírito é forte, quer destruir. Violência e força, o lema do Espírito... Mas não é uma violência gratuita, não é uma força idiota. Os idiotas não o compreendem, são rasos demais para compreender a profundeza pelágica do Espírito.O Espírito é um Super-Homem. O Espírito é um raio, um raio humano fulminante, é o raio fulminante da sabedoria. Raio da minha sabedoria fulmina-os!
Parece que este mundo físico, material, estúpido e grosseiro, é o inferno, é o próprio inferno, e todos nós iremos morrer e apodrecer, infelizes ou na vigarice da felicidade, seja numa cova rasa ou num suntuoso sepulcro, ou com o cadáver estralhaçado, fulminado ou desaparecido, e o Demiurgo está cagando e andando para todo o sofrimento humano, mas a esperança está num Deus Desconhecido, no Verdadeiro, mas...onde está Ele? Será que está dentro do nosso próprio Espírito extraviado?
Ouçam a voz da sabedoria, pois ela grita, estentórica, como um torcedor ao gritar gol: todo apreciador de futebol, sem exceção, todo torcedor, é um perigo crucial para a sociedade estabelecida na ordem e na moral e bons costumes, um elemento estranho, assaz nocivo, subversivo e pouco confiável, cuidado, muito cuidado com um apreciador ou torcedor de futebol!...Mas, que hora mesmo é esse jogo do Flamengo contra o Fluminense, hoje?
Que aventura extraordinária é estar vivo! E aterradora também, essa aventura de viver ; o dia em que o ser humano dominar o poder total da memória, ele descobrirá segredos terríveis! O esquecimento é uma benção, de fato... Refiro-me ao que acontece conosco quando, à noite, adormecemos e mergulhamos no mistério além do sono e dos sonhos!... Vem-me à memória, recordações fantásticas durante as horas de sono...Existem hospitais, por lá...Estes lugares existem e são tão reais quanto os nossos hospitais, e quando somos acolhidos ,lá, após a morte ou durante um despertar fora do corpo em alguma viagem extradimensional que o sono proporciona e não lembramos por misericórdia divina, quando somos acolhidos lá, notamos que as pessoas de lá, como aqui na Terra, às vezes com a maior boa intenção tentam nos ajudar, parece que tanto lá quanto aqui, embora hajam diferenças pontuais, lutamos para fugir de uma segunda morte
Uma nova força, uma antiga nova força, renasce ou desperta, a cada sentimento de ódio certeiro eficaz, explode em toda a sua fúria silenciosa, mas não importa o que digam os crendeiros, essa nova força é imortal e invencível: refiro-me enfaticamente à força plenipotenciária do Espírito que é maior até que a do próprio demiurgo, mas não maior do que a do Deus desconhecido e verdadeiro que tenta nos salvar deste mundo insípido criado pelos agentes do conformismo e do nada.
A felicidade total, plena, é um perigo, uma bomba relógio prestes a explodir; ora, escutai-me, homens do futuro, aprisionados no presente que plagia o passado: um pouco de infelicidade, nos salva, porque a felicidade total galopa sem freios montada no corcel da insensatez, nas pradarias delirantes do dia a dia!
Os raciocínios devem ser usados apenas para verificar, para confirmar o que você já sabe, mas o saber efetivo não é uma coisa que é criada na sua mente através do raciocínio construtivo. O saber é percepção da realidade, é uma reação efetiva de um sujeito vivente, presente e real a uma situação vivente, presente e real.
Odeio o amor. Não, eu odeio a mim quando amo, amo tão intensamente que não me resta nada além do desprezo, me envolvo de adjetivos negativos, que funcionam como barreira pra qualquer elogio que me façam. Odeio minha intensidade, pois sinto que nunca me amarão da mesma maneira, demonstro demais e sou emotiva, chorarei por tudo que façam, seja um ato simples como andar de mãos dadas, como algo complexo, um encontro num restaurante chique. Às vezes me questiono sobre meus sentimentos, questiono se eu sequer os entendo, mudo muito rápido? Ou será que apenas não sei perceber o que sinto? Será que me odeio? Não me vejo negativamente, ou será que vejo e não aceito? Pois quero acreditar o que me é dito sobre mim, sobre minha imagem formada em outras retinas. Nunca me foi dito que sou feia, mas mantenho essa ideia sobre mim. Há mais comentários positivos do que negativos, porque não os acolho como fiz com os poucos negativos que recebi? Acho que nunca me entenderei, e questiono se alguém me entenderia, logo eu que vivo minha pele e habito minha mente, não compreendo, imagino a dificuldade que seria para alguém que tem seus próprios demônios, numa luta a entender os meus, tão confusos.
Nietzsche, no livro “Humano, Demasiado Humano”, incorreu em uma falácia de equívoco ao afirmar que “a vantagem de ter péssima memória é divertir-se muitas vezes com as mesmas coisas boas como se fosse a primeira vez” porque bem sabemos que na realidade ter péssima memória pode ser uma desvantagem que ocasiona várias vezes um sofrimento com as mesmas coisas ruins como se fosse a primeira vez.
