Textos que Falem eu Nao Vivo sem Voce
Outrora Sóbrio
Triângulos num quadrilátero,
Tateando o teto do domicilio,
Aquele ente não tinha parente,
Originaram da quinta dose dupla.
Dente careado, banguela, cadente,
Embaralhado pelo odor da aguardente,
Palato nublado,
Brumoso, enevoado,
Nevoento,
Nubiloso.
Esterilizando com bafo o reboco,
Um bocado poroso.
Faria sentido,
Se o sentido não ficasse ofendido,
Com aquilo que tivesse ficado
Fincado de insignificado.
Se a cachaça não alterasse a perspectiva,
Certamente garimparia a definitiva
Identificação com a confissão
De que este causador fora
Outrora sóbrio.
O Mito que o Mundo não Conheceu
No fundo ainda sou aquele garoto,
Que sonhava em ser herói,
Salvar a ninfa, abater o nefasto,
Um garoto com um hobby que não dói.
Entretanto, a ninfa não me quis,
Mas ainda nos trombamos,
Nossos olhos se fitam, ela diz:
Como vão os seus planos ?
Respondo: vão bem e vós ?
Completa: eu também.
A isso se resume o veloz
Contato apaixonante que a gente tem.
Sou o sapo que não foi beijado,
Um sapo desencantado.
Já o nefasto, subestimei-o;
Se promoveu e saiu.
Quando foi transferido
Do departamento, gargalhou e riu.
Encerrou-se aí o grande confronto.
O heroísmo me levou a um cortiço,
Afastado, mal localizado, onde me entoco.
Pago aluguel do buraco,
Prestes a ser interditado,
Saio ou serei despejado.
Recebo um salário mirrado,
Similar a infiltração na parede de onde esquivo.
Deleito-me nos passeios de coletivo.
O contrário de deslumbrante,
Até que seria um título instigante:
“O mito que o mundo não conheceu”
Ele não viveu feliz para sempre, mas viveu.
Votos (meus)
Fax tanto tempo que não envio nem recebo (desejos),
Solamente cartões postais de natal, ano novo,
Lembrançinhas douradas, prateadas, de latão,
Delatam à fossa a nossa e a vossa importância.
Ocasiões especiais e comemorativas,
Mensagens automáticas, instantaneamente emotivas,
Os mesmos dizeres, as mesmas paisagens,
Os mesmos parentes que não se parecem conosco,
Cuja distância sagrada e divina nos distancia.
Honestamente em desuso caminha a honestidade.
Os mesmos votos (meus): Paz, saúde e felicidade,
A tríade que em hipótese nenhuma alcançaremos,
É o que desejo-lhe.
Desanoitecendo
Sendo um bom colecionador,
Daquilo que me desfavorece,
Não promovo a preocupação,
Ela ocupa a posição que merece.
Simulando contentamento,
Confundindo o desgosto,
Desprezando o desânimo,
Animando o desprezo exposto.
Conduzo-me à confusão
De enxergar os pormenores
Sem visualizá-los.
Sabendo que a desatenção
É um lapso dos leitores,
Ocupo-me em despistá-los.
Se ocupe
E prossiga vivendo,
Despreocupe-se
Está desanoitecendo.
Cordeiros não fazem Revoluções
Desconcentro-me se permanecer estático, o deslocamento desordenado me afervora, incitando o liame que une as múltiplas vertentes que residem em meu emaranhado de titubeações.
Sou sugado selvagemente por surtos incontidos de iluminação e um subseqüente mergulho no alcatrão do irresoluto.
Em minha opinião discrepante sou demasiadamente subestimado, alguns apelidam-me de nômade, outros de bárbaro, tem aqueles que definem minhas colocações como dignas de um aborígine.
Contudo, tais elogios me são incomparavelmente mais exuberantes e formosos do que se referissem a mim como um ser civilizado;
Não sou civilizado, não sou cortês, sou o inverso, escandalizo para obter o respeito;
Sou incitador, provocador, contestador, alimento-me de simpatia e antipatia, apatia comigo não funciona; sou vencedor e perdedor, jamais empatador.
Convivo com a dor e não a renego, nem almejo substituíla, é devido a ela que aprendi a dar valor nas vastas contingências que nos rodeiam.
Os cordeiros não fazem revoluções, eles pastam.
Estava errado quem disse que há um espaço para todos, porque nós não queremos um espaço, nós queremos o todo.
Cemitério de Respostas
Em nosso cemitério de repostas,
Fantasmas de um passado que não volta,
Pelo menos para nós e nossas viúvas,
Amores que perdemos nessa chuva,
E agora jazem em companhia de outras covas.
Provas de nossa ingratidão,
Infidelidade, desprezo e desespero,
Associados a insatisfação.
Cemitério de Respostas.
E as traições poderão descansar,
Junto às ervas daninhas do canteiro,
Terei as ladainhas do coveiro,
Derramadas sobre meu caixão,
Mas antes encaixotarei as faltas,
E as sepultarei no cemitério de respostas.
Cemitério de Respostas.
Réquiem
(mérito merecido)
Finalmente sou quase alguém que não queria ser.
Mas temos que ser algo,
Mesmo que um fardo
Para carregar
Ou carregarmos outrem.
Ou embarcarmos num trem
Que esvai, evaporando
E deixando nu,
Desabrigado, desobrigado,
Diz obrigado no réquiem.
O descanso é um mérito merecido.
Réquiem, descanso merecido.
Introduzindo uma mensagem
Extrovertemos as vantagens de opinar,
Intuitivos opinem e assimilem,
Reencontramos nosso réquiem.
O descanso é um mérito merecido.
Réquiem, descanso merecido.
Réquiem, mérito merecido.
Poesia Pandêmica
Teu sorriso esfacelou,
Tua esperança esfacelou,
Teu sonho esfacelou,
Ela não vai voltar.
Não foi o vírus que a matou,
Foi o desprezo pela vida,
De quem nem mesmo a conheceu.
Não conheceu os teus amores,
Não conheceu as tuas dores,
Os teus temperos e sabores,
A tua chama lutadora a flamejar.
Tua missão esfacelou,
Teu projeto esfacelou,
Tua presença esfacelou,
Ela não voltará.
Não foi o vírus que a matou,
Foi a tolice desmedida,
De quem negava o inegável.
Quem a matou não se deu conta,
Que a negligência contamina,
Não há vacina, pra estupidez.
Ele nem mesmo a conhecia
E suas inofensivas idas e vindas,
Ceifaram vidas, arruinaram vidas.
Não me recordo dos teus nomes,
Nomes demais pra recordar,
Nomes demais pra mencionar.
Mas conheci os teus amores,
Eu conheci as tuas dores,
Os teus temperos e sabores,
A tua chama, lutadora, a flamejar.
Verso Corrido: Do que têm não falta nada
Na rampa ela me acurrala,
Chamando pra brincadeira,
Desvia, faz volta e meia,
Corro dela, ela é corredeira.
Na arena baila quadrilha,
Escorrega rega a soleira,
Foi quem inventou a cartilha,
Dengo ela, ela se zangueia.
Aprecio com dever cumprido,
A mensagem imortalizada,
Quando solto esse verso corrido,
Do que têm não falta nada.
A primeira puxa a fileira,
Calada me arma cilada,
Saltitante esquenta a chaleira,
Do que têm não falta nada.
Debate de pura bobeira,
De meiguice a rabugice,
Corro dela, ela é corredeira,
Dengo ela, ela se zangueia.
Aprecio com dever cumprido,
A mensagem imortalizada,
Quando solto esse verso corrido,
Do que têm não falta nada.
CYN
Soluções para as questões,
Que não precisaremos preencher.
Poderíamos ter feito mais,
Como poderíamos ter feito menos,
Portanto, está de bom tamanho aquilo que fizemos.
Sim, Cynthia.
Será que conseguiremos,
Realizar todos os planos, plenos ?
Será que encontraremos alguém,
Que nos ame intensamente, veemente ?
Algumas dessas pessoas já encontramos.
Outras sempre estiveram conosco.
Sim, Cynthia.
Será que seremos bons profissionais ?
Éticos possivelmente, triunfantes talvez.
Será que teremos as coisas
Que gostaríamos de ter ?
Sei que teremos divisas
E o temor de não chegar a obter.
Sim, Cynthia.
Será que seremos salvadores,
Nessa via vitimada ?
Vitoriosos sim, noutra pista.
Seu próprio nome já leva a conquista !
Sim, Cynthia.
Não necessariamente nesta sequência
Ligo o ventilador
Quando está quente,
Logo esfria;
Cubro-me com lençóis.
Participei duma pescaria
Antigamente,
Nada pesquei,
Esqueci iscas e anzóis.
Sinto-me esquecido,
Os sintomas se agravam,
Sou comprimido
Sem prescrição.
Nunca aprendi
A calcular divisões,
Talvez por isso, minha vida
Tem sido uma grande multiplicação.
Sara
(ao surgir tinha ido)
Rangeu o taco,
Trepidou o piso.
Fingi não ter ouvido,
Mas ela era e estava.
Atrás, nas minhas costas,
Quietinha.
Respiração semi-ofegante,
Ela se continha.
Aguardei-a,
Ela tinha seu próprio andamento.
É maravilhoso repassar,
A sensação de ter fingido.
Guardei-a comigo.
Naquele abreviado baque,
Assustou-me.
Deixei-me assustar
E ao surgir tinha ido.
Fique Margô
Margô fica angustiada,
Por não realizar suas proezas.
Margô fica assustada,
Só de pensar nos desacertos.
Margô fica frustrada,
Com o acúmulo das despesas.
Com a quebra financeira,
Fruto de concertos na cozinha
E as prestações da geladeira.
Margô fica chateada,
Pensa estar congelada,
Numa monotonia de desventuras.
Anteontem saiu sem rumo à surdina.
Em sua quentura rancou as cortinas,
Desorientada e desiludida,
Nem o abajur apagô.
De todos os pedidos
Que desejo lhe pedir,
Peço apenas um:
Fique Margô !
De todos os pedidos
Que desejo lhe pedir,
Apenas um peço:
Fique Margô !
Por favor.
Improvável Florilégio das Aventuras Impossíveis
Estava a pensar algo
Que não importa,
Passando a me importar
Com o que nunca pensei.
Materializando em cores vivas,
Letras palavreadas invisíveis.
Inauguro neste instante,
Iluminado e supersônico:
O Improvável Florilégio
Das Aventuras Impossíveis.
Eterna
Incapacidade
Invencível de
Compreender
o Óbvio
Em tua invejável habilidade
De não saber,
Permanecia imbecilizado.
Estupidamente logado,
Desconectado da realidade.
A hipnose profunda
O conduzia
Para lugar nenhum.
Habitando a Terra Plana,
Nunca visitou a borda,
Semeando misérias toscas,
Sonâmbulo eterno que não acorda.
Viralizando fake news,
Analfabetismo político,
Salvador das tradições do paleolítico.
Prosseguia imbecilizando,
Em tua habilidade invejável
De falsificar, mentir, adulterar.
Tua corrida frenética
O conduzia,
Para nenhum lugar.
Neanderthali's Café
o salto evolucionário
da espécie nossa,
não foi tão efetivo
e a estupidez é visível.
diariamente reencontramos
o reavivado elo perdido
e ainda habitamos
entre os Neandertais.
em suas vestes etiquetadas
vociferando para as tribos,
das cavernas de mármore
ocultam o fedor do limbo.
essa nova fase primitiva
é infinitamente mais perversa
e destrutiva que as anteriores,
por possuir os meios técnicos
e político-econômicos,
para elevar a bestialidade
a um nível inimaginável.
todavia, a estupidez é previsível.
(Michel F.M. - Pairar Incansável da Fênix Sublime) ©
Em todas tentativas falhas, fui assertivo
não acredito
que algo possa
ser respondido
com certeza
irrefutável,
não acredito
nem sequer
que algo possa
ser respondido,
mas ainda assim,
passo meus dias
irrefutavelmente,
a tentar responder
tudo.
07/10/23
Mel
não havia nada de doce nela,
era fúria e vontade de poder.
a menos que ela
quisesse, ser doce,
nesse caso era glicose pura.
um olhar profundo,
um caminhar fluído,
um sorriso desconfiado.
por incrível que pareça,
nela, força e precisão
caminhavam juntas,
lado a lado, de mãos dadas.
percorria 800 metros,
na velocidade da luz.
podia ver através da tua alma
e ela via através da minha.
pequenos dedos entrelaçados,
uma flexão firme de joelhos,
força e precisão,
impecável.
11/10/23
Manobra de Heimlich
apesar de vivermos
no pântano,
não é só o fato
de se banhar no lodo
que nos define,
mas também
nossa capacidade
de engolir sapos.
então restam
as seguintes perguntas:
sua goela
tem elasticidade
suficiente?!
e até quando
você terá estômago
pra isso?!
(Michel F.M. - Trilogia Ensaio sobre a Distração - 16/10/23)
O Matador Miserável
de Relacionamentos Concretos
imploro a ti,
que não odeie a poesia,
por causa do poeta.
ela não é culpada
pelo que ele é.
a obra não merece
os erros do criador.
não é tua incumbência
como criatura,
submeter-se
a quem te gerou.
nenhuma realização
desejou existir,
desprovida de escolha
ela veio à tona
pela vontade de um outro.
então aqui, te imploro,
que por causa do poeta
não odeie a poesia,
ela jamais foi culpada
pelo que ele é.
(Michel F.M. - Trilogia Ensaio sobre a Distração - 03/11/23)
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