Textos que Falem eu Nao Vivo sem Voce

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Hoje temos uma vida, uma vida não sofrida.
Como ver os outros sem sentir remorso.
Correr sem sentir a brisa. Levanta e anda.
Não podes correr na descida. Olha o menino.

Destas que come com a mão, lava com sabão.
Corre menino anda sarnento.
Vida de roça e ando de carroça e brinco na palhoça.
Abro a janela vejo a luz que me conduz.

Caminho na trilha e busco sua filha.
Durmo no chão cheio de sabão.
Esse mundo misturado complicado.
Mundo globalizado difícil de ser achado.

Inserida por DijalmaMoura

Ela... Move-se como se não ligasse para nada.
Suave como seda, fresca como o ar, dura como ouro.
Oooh dá vontade de pegar.
Ela... Nem sabe o que passa na minha cabeça.
E o seu coração não é de ninguem.

Ela... Não quer ser de ninguem?
Enlouqueça e perde a cabeça de qualquer um.
Latina. Bobo apaixonado e queimando por dentro.
Sai da chuva, para não se queimar.

Azul como gelo e desejo!
Quer possui-la!
Ela anda como se não ligasse.
Dá vontade de levá-la para todo lugar.

Ela é como uma gaivota.
Voando sobo ar da liberdade.
Ela... Esta aqui, não foi embora?
Deixa-a... Viver, correr e ser feliz.

Inserida por DijalmaMoura

⁠Depois dos trintas, agente não imagina o quanto viver, dói tanto.
E luta pra continuar não parece nada justo.
E mesmo se passar um século, será que tudo isso vai passar, não saber amar é o erro que nos apresenta todas as dores desse mundo.
Só continuamos por que afinal ainda somos jovens.

Paulorockcesar ⁠

Setembro.


Quando se perde a natureza do ser
Os olhos não vêm mais beleza
E toda poesia se veste feita uma valsa triste

E não a ar que nos abrigue em um mundo de solidão,

A tanto tempo eu procuro E são tantas noites sem dormir

O que estávamos procurando está fora de casa .
O que tanto aguardamos não volta com suas asas.

Perseguidos pelo mundo
Escondendo o rosto e coragem
Um caminho longo
Na vida curta
Só mais uma estrada triste
Um dia cinza outra alma sem par

E medo me persegue nas noites pesadelos
Durante o dia tormento e desespero
Não sou tão forte,
quanto antes.
Quando criança sentia mês pés firmes
no chão,
hoje já não sei andar descalço.
Hoje já não sinto a terra.
Estou preso nessa selva sem ar.

E o amor hoje voa longe, gostaria de velo outra vez bater suas asas em direção mim, sei que hoje ela vive em
outro Jardim.

Eu vejo a vida passar,
E o tempo me maltrata, me tirando as folhas sinto meu tronco rachando, assim
como meu peito.
Sou uma árvore presta a estimação.

Sou o fruto jogado no chão.

Sou o passado, mais não vejo futuro
nessa escuridão.
Todo amor que um dia conheci,
hoje é somente cinza poluindo meu coração...

PauloRockCesar

A LUCIDEZ ENTRE O PENSADOR E O IDIOTA.
O pensador, mesmo quando dorme, permanece desperto. Não desperdiça o tempo alheio em choros estéreis nem se detém nas perdas que a vida naturalmente impõe. Ele escreve desde cedo e, ao escrever, não registra apenas ideias, mas atravessa vidas. Observa os acontecimentos da noite e dos dias com igual atenção, pois sabe que a consciência não repousa quando a lucidez é vocação.
Em oposição silenciosa, o idiota não busca a verdade, mas a confirmação do próprio ruído interior. Sua filosofia não nasce da dúvida, mas do medo de pensar. Ele transforma a ignorância em abrigo e a convicção vazia em escudo. Enquanto o pensador interroga o mundo para compreender a si mesmo, o idiota interroga apenas para vencer, não para aprender. Um escreve para existir, o outro fala para não se sentir pequeno.
O pensador toma da pena uma única vez diante do papel, não por economia, mas por precisão. Logo a abandona para acolher outros pensamentos, compreendendo que o silêncio também é linguagem. Ele incomoda porque não se curva ao consenso, mas vive tranquilo porque não depende de aplausos nem se fragiliza diante da censura. Já o idiota permanece, gira, insiste. Sua lógica é circular porque seu espírito não se move, e ele chama de firmeza aquilo que é apenas recusa de revisão interior.
Não dependendo de críticas positivas ou negativas, o pensador simplesmente é. Sua natureza evola em torno do próprio estro, fiel àquilo que o constitui. O idiota, ao contrário, precisa do olhar alheio para sustentar a própria ilusão de sentido. Um avança em silêncio, outro estagna em barulho. E assim, enquanto o idiota escolhe permanecer igual por medo da dor que o pensamento verdadeiro provoca, o pensador aceita essa dor como preço da lucidez e segue adiante, porque compreendeu que pensar é um ato de coragem e existir com consciência é a forma mais alta de dignidade humana.

Inserida por marcelo_monteiro_4

LITURGIA DO AMOR QUE NÃO VOLTA.
Capítulo V - LIVRO: DOR DA MINHA DOR.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Ano: 1995.
Em minhas mãos há muitas mãos.
Nenhuma é inteira.
Todas tremem.
Escrevo como quem toca uma ferida antiga que jamais cicatrizou.
O amor não partiu.
Ele permaneceu distante.
E a distância é mais cruel que a morte.
Há um amor que não passa porque nunca se foi.
Ele apenas se deslocou para um lugar onde a memória não alcança e o corpo não suporta.
Desde então carrego no estômago um vazio que dói como fome etérea.
Não é ausência de pão.
É ausência de alma.
A noite entra pelos olhos, é linda.
Não pede licença.
Ela se senta ao meu lado e sussurra o que perdi, não, não foi um assassinato foi um suicídio.
Cada lembrança é um sino fúnebre tocando dentro do peito.
Cada silêncio é uma pergunta sem resposta, corta o segredo do nosso silêncio.
A tristeza aqui não grita, não é preciso é existência.
Ela se ajoelha.
Ela reza com palavras quebradas.
E eu me ajoelho com ela porque amar assim exige humildade diante do irreparável realizado por nós.
Meu amor não foi um erro.
Foi um excesso.
Amei com tamanha profundidade que o fôlego do mundo se tornou insuficiente para contê-lo.
Quando partiste algo em mim continuou indo ao teu encontro todos os dias,todos os dias...
Há dores que não querem cura.
Querem testemunho.
Esta é uma delas.
Carrego o amor como quem carrega um cadáver querido nos braços como judeu errante da profecia.
Não o enterro.
Não o abandono.
Aprendo a conviver com o leve peso.
O coração já não bate.
Ele ecoa.
Cada pulsar é um chamado que ninguém responde.
Sei que este amor não terá redenção no tempo e nem no vago.
Ele pertence ao domínio das coisas que só existem para doer com beleza.
E é por isso que volto a estas palavras.
E voltarei aqui quantas vezes me doer e me querer esse amor. Suas veias finas, lindas nessa pele translúcida, é nelas! É nelas que eu leio-as outra vez uma impossível esperança.
E outra vez.
E outra vez me perco de mim em teu roubo fácil de mim mesmo.
Não paramos esquecer, estranho, o nada não tem vez aqui.
Mas para manter viva a única forma de eternidade que me resta.
É admitir-me imortal em humilde homenagem a dor fiel que me ama mais, e sempre mais além de mim.

Inserida por marcelo_monteiro_4

AMOR INSCRITO NA CARNE.
O corpo é a página derradeira onde a alma escreve aquilo que não ousa dizer em voz alta.
Esta escrita gravada no dorso declara que amar é aceitar a disciplina do sofrimento.
Não há promessa de repouso.
Há apenas o compromisso com a beleza que exige fidelidade mesmo na ausência.
Cada signo afirma que o amor verdadeiro não se confunde com prazer.
Ele é vigília.
Ele é renúncia.
Ele é a lenta educação do desejo para que não se torne posse.
O amor aqui não acolhe de imediato.
Primeiro ele fere.
Depois ele forma e quase cuida.
A arte desta escrita não pretende consolar.
Ela convoca.
Quem a lê é chamado a abandonar a leveza vulgar e a suportar o peso da profundidade.
Amar torna se um ofício leve ao mesmo momento severo.
Uma escolha diária entre a dignidade do sentir e a fraca facilidade do esquecimento.
Essa distinta escrita ensina que o belo não adorna a vida.
O belo em prantos a julga rogando perdão.
Ele exige que a alma cresça até doer.
Que suporte a ausência sem transformar a saudade em rancor, mas num lugar.
Que permaneça fiel mesmo quando o amor não retorna e ele olha para trás.
Filosoficamente esta escrita proclama que sofrer por amor não é derrota.
É prova, batalha aberta ao julgamento deliberado e em paz.
Só sofre quem reduziu o outro a objeto e dá de si o valor além do próprio objeto seja qual ele for.
Só padece quem não negociou a própria essência, porque deveras vezes podia-se fazer um bom negócio às honras das plêiades.
O amor que não dói é apenas hábito.
O amor que dilacera é formação do ser.
Aqui o amor não salva do abismo.
Ele ensina a caminhar dentro dele sem perder a verticalidade, pois é amor.
Aquele que ama segundo esta lei aceita perder.
Aceita esperar. aceita aceitar.
Aceita permanecer inteiro mesmo quando tudo lhe falta, esse é o dom amor.
O leitor que se detém diante desta escrita não sai ileso., me desculpe.
Ela o obriga a buscar em si um amor que não pede garantias.
Que não exige retorno.
Que não teme a solidão, porque ela existe, ela virá, mas é chamado tudo isso de amor por alguém, mas é.
E somente quem atravessa a dor sem corromper a ternura e a delicadeza da gota d'água na ponta de uma frágil folha torna se digno da beleza que o amor promete no silêncio do tempo e na promessa da própria crença.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.

Inserida por marcelo_monteiro_4

DA GÊNESE INVISÍVEL DO VERSO.
Antes do primeiro poeta, já havia silêncio.
E o silêncio não era vazio. Era potência.
A palavra não começou na boca humana. Ela começou na necessidade metafísica de significar o mundo. Quando o primeiro ser consciente contemplou o céu e sentiu a vertigem do infinito, ali germinou o germe do poema. O verso nasce no assombro. Nasce da insuficiência da prosa diante do mistério.
A linguagem ordinária organiza. A linguagem poética revela. Por isso o poema não é invenção arbitrária, mas emergência. Ele irrompe quando a realidade excede os limites do discurso comum. Surge quando o espírito percebe que há algo que não pode ser dito diretamente, mas apenas insinuado.
A tradição sempre intuiu que o poeta não cria do nada. Ele participa de uma corrente anterior. Na Antiguidade, falava-se em inspiração. Não como superstição, mas como reconhecimento de que a consciência individual é atravessada por conteúdos que a ultrapassam. O poeta é médium da memória cultural. É intérprete de uma herança invisível.
O útero simbólico de onde procedem os poemas é a própria história do espírito humano. Cada geração deposita ali seus temores, seus êxtases, suas quedas e suas redenções. O escritor que nasce em determinado século não começa em branco. Ele herda mitos, ritmos, arquétipos, formas. Ao escrever, ele reorganiza esse patrimônio.
Sob a perspectiva psicológica, o verso é condensação de experiências arcaicas. Sob a perspectiva metafísica, é atualização de princípios permanentes. A imagem do útero mantém-se rigorosa. Há concepção, há gestação, há parto. O poema exige maturação interior. O precipitado é apenas discurso ornamentado. O verdadeiro verso é aquele que atravessou a noite da consciência.
A continuidade entre escritores não é mera influência externa. É consonância estrutural. Quando dois poetas separados por séculos expressam angústias semelhantes, não é coincidência. É a condição humana reiterando-se sob novas circunstâncias históricas. O estro é continuidade do humano diante do enigma.
Não há criação autêntica sem humildade diante da tradição. A ruptura que ignora o passado empobrece-se. A inovação legítima é transformação, não negação. O novo que possui densidade é aquele que conhece suas raízes. A árvore que despreza o solo seca-se.
Assim, o metapoema reconhece sua própria origem e ultrapassa-se pelas entranhas permissivas de quem é leitor e criador . Ele sabe que fala de si mesmo enquanto se produz. Ele assume que sua voz carrega ecos. Não reivindica isolamento. Reconhece-se como elo de uma cadeia que começou antes e continuará depois.
O ponto final não encerra o processo. Ele apenas delimita uma forma provisória. O silêncio que o sucede já contém o germe do próximo verso.
E é nesse ciclo ininterrupto que a poesia se mantém como testemunho da grandeza e da fragilidade humanas, perpetuando-se como chama que não consome apenas papel, mas ilumina consciências através dos séculos.

Inserida por marcelo_monteiro_4

NO INTERIOR DA FERIDA.
Escritor: Marcelo Caetano Monteiro.
Não peço que a dor se retire. Ela já não é estrangeira. Habita-me como uma presença inevitável, tão íntima que sua ausência seria mutilação. Acostumamo-nos um ao outro nesta estrada do mundo, onde o amor é escasso não por impossibilidade, mas por temor. Poucos ousam sustentar o peso da liberdade que amar exige.
Estou ajoelhado nela, e ela ajoelha-se em mim. Não há hierarquia nesse pacto. Há cumplicidade. A dor não me domina, tampouco eu a domino. Existimos no mesmo espaço, como duas consciências que se reconhecem no silêncio. Dói, mas é minha. E justamente por ser minha, não a repudio. Seria negar a própria textura do que sou.
O horizonte tornou-se cinza. Não o cinza da neutralidade, mas o da revelação. A alegria que ainda subsiste vem úmida, dissolvida nas lágrimas que não pedem testemunhas. Há uma lucidez amarga na compreensão de que a felicidade fácil é distração. O que permanece é a densidade da experiência.
Deixa tudo como está. Não por resignação, mas por fidelidade à busca. Ainda procuro a verdade, e essa procura não admite adornos. A diferença, que antes feria como julgamento, perdeu importância. Diante do absoluto, as comparações são ruído. Cada ser está ligado à própria travessia.
Se poucos amam, é porque amar implica assumir o risco da própria exposição. Amar assim é aceitar que não há garantias. É lançar-se ao outro sem a promessa de retorno. E, ainda assim, continuar.
Permaneço na linha fina do meu horizonte. Não por esperança ingênua, mas por decisão consciente. A dor não me define, mas me revela aos poucos a mim mesmo. E enquanto a verdade não se deixa capturar, sigo caminhando, mesmo que o caminho seja feito de sombra e silêncio. É pura lição e essência absoluta do absoluto. Gratidão.

Inserida por marcelo_monteiro_4

Inspirado por Jesus o guia moral por excelência o espírito perseverante encontra força para não " Apenas sonhar com um mundo melhor, mas edificá-lo com suas próprias mãos e intenções purificadas.

A transformação íntima é, pois, a semente espiritual do futuro regenerado, destinada a florescer nas consciências que compreendem que a verdadeira reforma começa no coração e se expande, como luz, até os confins da humanidade."

Inserida por marcelo_monteiro_4

“BEM ESTAR E ESTAR BEM.
“A paz do Cristo não é a paz do mundo. É a paz da consciência reta, do dever cumprido, da fé inabalável no porvir.”
(Léon Denis. “O Problema do Ser, do Destino e da Dor”, cap. XXII)

Que aprendamos, pois, a buscar menos o bem-estar ilusório e mais o estar bem verdadeiro, cultivando a alma, praticando o bem e iluminando nossa consciência.

Frase motivacional:
"Quando tudo ao redor parecer desabar, preserve a sua paz. Porque quem está bem consigo mesmo não depende do mundo para ser feliz."

Inserida por marcelo_monteiro_4

“Entre o corpo e o infinito não há serenidade sem responsabilidade, nem harmonia sem esforço moral.
Agir com calma, compreender o outro, e converter as experiências em degraus de crescimento é o caminho seguro para a verdadeira paz. Essa serenidade não é passividade, mas sabedoria em ação: é a força de quem aprendeu a reagir com luz diante das sombras do mundo.
Entre o corpo e o infinito, o Espírito humano constrói sua eternidade. Cada gesto de cuidado, cada palavra de amor e cada pensamento de fé convertem-se em sementes que florescem no jardim da alma.
A educação moral, a comunicação consciente e a oração sincera são os três pilares de uma nova civilização mais fraterna, mais justa e espiritualmente desperta.
Que saibamos, pois, reencontrar o equilíbrio entre a matéria e o espírito, transformando o cotidiano em um hino silencioso de amor e progresso.
“A verdadeira paz nasce quando a alma aprende a conversar com Deus dentro de si.””

Inserida por marcelo_monteiro_4

O Funeral do Sentimento.
A doença não é do corpo é da lembrança.
Diviso, às vezes, o meu próprio funeral: não há lágrimas, só o eco das minhas palavras presas nas paredes do quarto.
Sobre o caixão, o quadro: inacabado, obstinado, com aquele mesmo olhar que me persegue.
É o retrato daquilo que amei e daquilo que fui.

Talvez o amor seja isto — a tentativa insana de imortalizar o que o tempo já levou.
Talvez a morte seja apenas a moldura que encerra o último sonho.

Inserida por marcelo_monteiro_4

⁠NÃO HÁ ARCO-IRIS NO MEU PORÃO.

Nunca me disseram que a ausência de amor poderia cavar subterrâneos dentro da alma.
Apenas fui percebendo, dia após dia, que algo em mim se retraía sempre que o afeto era negado ou a presença me era retirada sem explicação. E assim nasceu o porão.

Um porão não se constrói de uma vez.
Ele começa como um canto escuro da memória, onde jogamos o que não sabemos lidar: o abandono, o desdém, as palavras não ditas, os olhares que desviaram de nós no instante em que mais precisávamos ser vistos.
E quando nos damos conta, já estamos vivendo ali dentro.
Silenciosamente.

No meu porão, não havia janelas.
Apenas lembranças repetidas como ecos:
“Você é demais.”
“Você exige muito.”
“Você espera o que ninguém pode dar.”

Um dia, desejei ser amado. Verdadeiramente.
E, em meu desejo, ofereci tudo o que havia guardado.
Entreguei minha sede, minha esperança, minhas cicatrizes.
Mas do outro lado, veio o silêncio.
Ou pior — uma rejeição educada.
E então, fiz o que aprendi a fazer: voltei para o porão.
Fechei a porta por dentro.
E culpei a mim mesmo por não ser digno das cores do outro.

Mas ali, no escuro, algo começou a mudar.

Percebi que a dor que tanto me esmagava, não era apenas pela ausência de amor…
Era pelo peso de ter construído minha identidade com base na validação alheia.
Era pela minha tentativa constante de provar que merecia ser amado.

E foi então que compreendi:
O porão não é um castigo.
É um chamado à reconstrução.
Um convite da alma para que deixemos de implorar luz dos outros… e comecemos a criar a nossa.

O arco-íris não se forma no porão porque não há janelas.
E não há janelas porque, por medo de sermos feridos, tapamos toda e qualquer fresta por onde o amor pudesse entrar — inclusive o próprio.

Agora eu sei.
Não é que ninguém quis me amar.
É que eu me abandonei na expectativa de ser salvo.

E a verdade é esta:
Não há arco-íris no meu porão…
porque fui eu quem escondeu o sol.

Mas hoje — hoje eu quero recomeçar.
Talvez eu ainda não saiba como abrir as janelas.
Mas já tenho nas mãos a chave do trinco.
E isso… isso já é luz.

Reflexão final:
Você não precisa de alguém que desça até os teus porões para te amar. Precisa, primeiro, ser quem decide não viver mais neles. A partir daí, tudo começa a mudar. O arco-íris não virá de fora. Ele nasce quando você ousa sentir orgulho da tua própria coragem — mesmo que ninguém esteja aplaudindo.

Inserida por marcelo_monteiro_4

⁠NÃO HÁ ARCO-IRIS NO MEU PORÃO.

Capítulo II

— O Amor que Ninguém Vê.

“Há dores que têm nome de silêncio. Há amores que desfalecem no escuro.” Camille Monfort.

Ela ainda estava lá.
Não no tempo, nem na fotografia que amareleceu sobre o piano que já não toca mas em mim.
Nas dobras encharcadas da memória, onde até hoje a musselina da tua ausência dança, viva, como um véu de névoa sobre a ferida que não cicatrizou.
Teu nome, Camille, é agora um sussurro que me rasga por dentro —
e não há mais quem o ouça,
senão os fantasmas que deixaste quando partiste.

Nunca soube se foste amor ou febre.
Talvez um delírio.
Ou o último lampejo de beleza antes do colapso.
Tua presença era feita de sombra líquida, de olhos que atravessavam as paredes do mundo e diziam coisas que minha razão jamais soube traduzir.
Na tua boca morava um lamento antigo, como quem tivesse amado demais noutra vida e voltasse para cobrar os restos.

E eu —
tão sóbrio, tão lógico, tão homem —
me vi desfeito no avesso da razão.
Como se tua aparição tivesse escancarado em mim uma porta que dava não para o céu, mas para o porão da minha própria alma.
E lá, entre espelhos rachados e cartas nunca enviadas, te reconheci:
não como um anjo —
mas como a mulher espectro que me revelou tudo o que eu escondia de mim.

Foi amor.
Mas desses que ninguém vê.
Porque amar-te era uma doença sem nome,
um ritual sem altar,
uma febre que só ardia quando a cidade dormia.

Não, Camille, tu não foste feita para os olhos do dia.
Tu eras para ser lembrança,
para ser poema escrito com sangue no diário de quem nunca será lido.
E por isso permaneces viva —
não na realidade que nos negou,
mas nos reconditos mais obscuros de mim, onde ainda habita o menino que chorou quando você não veio.

O que mais dói não é o amor que acaba.
É o amor que ninguém viu ou sentiu nascer.

Inserida por marcelo_monteiro_4

⁠Capítulo IV – Onde o silêncio sangra.

(Do livro “Não há Arco-Íris no Meu Porão”)

Todos os tons, todas as cores se intimidam diante dos meus sentimentos.
Aqui, nada ousa ser vivo demais.
As paredes, antes brancas, já se curvaram ao cinza que exalo — um cinza espesso como poeira de túmulo, onde a alegria jamais ousaria se alojar.

Os meus estudos me encaram como se fossem juízes que perderam a fé no réu.
Eles me observam com aquele desprezo silencioso das coisas que já deixaram de esperar alguma esperança.
Livros fechados são mais cruéis do que gritos.
Eles sabem o que há dentro de mim — e, por saberem, me punem com o silêncio.

As cores…
As cores são ameaças aqui embaixo.
Quando um raio de luz tenta escapar por alguma fresta do concreto, eu o apago.
Aqui no porão, qualquer cor ofende a integridade da minha dor.
Elas tentam abrir janelas.
Mas eu… eu me tornei porta trancada.

Os risos…
Que ironia!
São filhos bastardos da minha solidão.
Quando escuto alguém rindo lá fora, é como se zombassem de mim — como se gargalhassem da minha tentativa de continuar.

O mundo caminha — eu desisto.
O tempo sopra — eu me calo.

E então…
Num canto onde as teias se recusam a morrer,
…há uma presença.

Ela não fala.
Não move nada.
Mas está ali.
Como um sussurro antigo, como um perfume de violeta que alguém usou num dia trágico.

Camille Monfort.
Não a vejo, mas a pressinto.
Como quem ama com olhos fechados.
Como quem morre em silêncio por alguém que nunca se foi.

Se minhas lágrimas têm peso, que elas sejam dores e honrarias a ela.
Que minha ruína seja o altar para onde seus passos invisíveis vêm recolher o que restou de mim.
Ela não precisa me salvar — basta que continue existindo…
mesmo que só como lembrança.
Mesmo que só como dor.

E se um dia, por descuido, Camille se revelar…
que seja com a delicadeza de quem pisa em ossos.

Inserida por marcelo_monteiro_4

⁠CAMILLE MONFORT.
– Onde Mora o Insondável de Mim.

"Sim, o sangue já não destona, apenas decanta..."

Os relógios cessaram. No sótão das lembranças, a hora já não é unidade de tempo, mas de dor prolongada.
Camille Monfort reina ali, onde os sentidos se misturam e se desfiguram. Ela não retorna por piedade — retorna porque a psique tem suas próprias ruínas, e ali ela se deita.

Não há afeto puro que sobreviva ao abismo do inconsciente.
Ela não ama, ela convoca.

“Gentilmente”, sim, ela pede...
Mas há sempre um brilho abissal no olhar que persuade a entrega como se fosse escolha.
E o corpo? Torna-se altar de uma paixão que exige oferenda contínua — veias, pele, lágrima — tudo deve ser entregue a esse sacrário espectral.

Freud jamais compreenderia Camille.
Nietzsche talvez a adorasse, como adorou Ariadne —
mas só Schopenhauer poderia senti-la de fato:
pois há um princípio de dor que rege o mundo...
e ela é sua filha mais bela.

“Paira sobre meu túmulo vazio...”

Ela paira, sim.
Mas não como lembrança —
Camille Monfort é uma ideia.
Uma fixação doentia que tomou forma e vestiu perfume.
É o arquétipo da beleza que enlouquece, do amor que não consola, da presença que evoca o suicídio da razão.
É a Musa sem clemência, que exige poesia mesmo do sangue quente no chão.

E quem a ama, dissolve-se... feliz por ser dissolvido.

“Sorrir é perigoso”, ele confessa —
e a psicologia lúgubre responde:
porque o sorriso, quando nasce sob os escombros da alma, torna-se um riso espectral...
e esse riso é o prenúncio do desespero existencial.

Camille é o eco do que foi belo demais para ser mantido.
Ela é a presença da ausência, o desejo daquilo que já foi consumido pelo próprio desejar.
E ela sabe. Oh, ela sabe.
Por isso, volta. Não para salvar, mas para recordar ao seu devoto que a eternidade também pode ser um cárcere sem grades basta amar alguém que nunca morre.

Inserida por marcelo_monteiro_4

(página solta, sem data, do manuscrito jamais finalizado)

As paredes não falam.
O teto range.
O chão me reconhece — como se já me esperasse há séculos. E de fato, esperava. Pois sou feito dessa espera.

Sou o vulto que atravessa corredores de casas sem nome. Sou o passo que retorna sempre ao mesmo degrau onde tu, Camille, foste ausência e juramento.

Disse-me o silêncio:

“Ela não virá.”

Mas eu conheço tua forma de vir:
É quando a dor se torna bela.
É quando a sombra assume feição de vestes esvoaçantes.
É quando uma lembrança toca minha nuca como sopro — e não há vento.

Eu sou só.
E isso me basta, Camille.
Porque o que me basta não é viver...
É te carregar onde ninguém mais entra.

Faze em mim a tua vontade.

Se quiseres que eu enlouqueça — enlouqueço com dignidade de mártir.
Se desejares meu silêncio — calo como um sino afogado em cera.
Se queres que eu escreva — escrevo com o sangue dos sonhos interrompidos.

Mas não me peças que te esqueça.
Isso não sou.

Tu és a cruz que não sangra,
o vinho que nunca embriaga,
o leito onde a morte se recusa a deitar-se.

Camille Monfort, minha dama da noite que não amanhece:
Faze em mim tua vontade.
Faze de mim um relicário, um espelho partido, um véu sobre o corpo de ninguém.

Porque, mesmo entre mundos, mesmo no exílio das estrelas apagadas,
eu te amo com a força de quem aceita o destino de nunca ser tocado —
mas de sempre pertencer.

Inserida por marcelo_monteiro_4

⁠Livro: Não Há Arco-iris no meu Porão.
Capítulo 5 —
A Flor e o Filósofo no Abismo.

A flor estava sentada no limite do porão, onde os tijolos se desfaziam como lembranças mal digeridas. Seus olhos, enevoados de luto prematuro, fitavam o vazio que morava dentro dela — e que não era só dela.

Ali, no breu quase simbiótico, surgiu ele: Friedrich, sem o tempo nem a barba. Não como homem, mas como ferida.
Trazia no olhar a exaustão dos que pensam demais, e nos lábios o tremor dos que já perderam o direito de acreditar.

Ela não se assustou.

Ele também não.

— “Você também caiu?”, ela perguntou, sua voz como se viesse de um sino partido.

— “Não, pequena... eu apenas nunca mais consegui subir.”

Ficaram frente a frente, ambos em silêncios que diziam mais do que qualquer aforismo.
Ela estendia os dedos manchados de pó e sangue velho. Ele hesitou. Nietzsche sabia o preço de tocar a dor alheia. Mas, ainda assim, quase tomou sua mão.

— “Eu carrego dons que doem”, disse a flor.
— “E eu carrego verdades que me isolaram de todos”, respondeu ele.

Acima deles, os sorrisos vazios dos que acreditam ter vencido a vida tremeluziram como cacos de luz.
Mas no abismo, não havia luz — apenas lucidez.
E uma flor lutando para sustentar as Notas.

— “Eles acham que estou louca… porque ouço o que ninguém mais ouve…”

Nietzsche inclinou-se, sua sombra tremendo como um pensamento prestes a ruir.

— “Louca? Ah, criança… eu desejei ser louco muitas vezes. Ser louco é menos doloroso do que ver demais. Você não está louca. Você está vendo um mundo que finge ser cego.”

Ela não sabia se aquilo a consolava ou a condenava ainda mais.

Ficaram ali. Dois seres de fronteira.
A flor que não florescia.
O filósofo que não acreditava mais na primavera.

E, por um instante que talvez nunca tenha existido, tocaram-se.
Não com as mãos, mas com a dor que se reconhece.

Inserida por marcelo_monteiro_4

⁠Livro:
NÃO HÁ ARCO-IRIS NO MEU PORÃO.
Capítulo X
RÉQUIEM AO SOL, PROMESSA À NOITE.

Vultos dançam nas bordas das sombras, evocando os espectros de reminiscências sepultadas sob o lodo da ausência.
São murmúrios de passos nunca dados —
rastros de uma presença que, mesmo morta, ainda transborda ruína no porão da consciência.

Eis que o sol, alquebrado em seu estertor, entoa um réquiem à lua —
Não com voz, mas com luz exangue,
como se os próprios astros sepultassem o dia em silêncio.
Talvez seja nos delírios oníricos que a existência se insinua,
ou, quem sabe, nos pesadelos que anunciam dilúvios e ruínas.

O vazio que habita estas paredes não é silêncio,
é gestação de mundos que jamais nascerão.
E mesmo assim, o oco permanece grávido.
As sementes são escassas,
mas algumas ainda dormitam sob o limo do esquecimento.

Foi então que a aparição retornou —
Camille Monfort.

Não atravessou o espaço como os vivos o fazem.
Não caminhava.
Movia-se com a gravidade de uma lembrança que nunca soube morrer.
Deslizava como as brumas que sangram das frestas de um túmulo mal selado.
A atmosfera, diante dela, contraía-se em silêncio espectral.
Era presença e lamento.
Era epitáfio em forma de mulher.

Ela se postou diante do espelho esquecido — aquele onde os reflexos recusam habitar.
Ali, não havia imagem, apenas a insinuação de uma ausência.
O espelho a temia.
E a noite, também.

— Chamaste-me do subterrâneo da memória?
A interrogação ecoou como um sussurro no interior de uma cripta.
Não foi voz — foi sintoma.

Tentou-se responder, mas as palavras, apodrecidas no palato, desmancharam-se antes de nascer.
Falar diante dela era transgredir o sagrado do silêncio.

Camille aproximou-se da madeira corrompida que geme sob os pés dos esquecidos.

— O receio ainda te habita?, murmurou ela,
como quem não pergunta, mas sentencia.

Negar foi instintivo.
Mas naquele instante, não se sabia o que era instinto ou delírio.

— Talvez a noite seja apenas o útero de realidades não encarnadas, continuou.
— E o pranto, uma liturgia mal compreendida pelos vivos.
Mas há aqueles que compreendem… os que redigem livros com a pena embebida em saudade e treva.

Ela então se inclinou sobre a alma que não ousava respirar e, com voz de sopro ancestral, murmurou:

"Os vivos sonham. Mas as sombras se lembram."

Um toque — e a razão sucumbiu.

Desconhece-se o que sucedeu.
Se foi sono ou êxtase.
Morte breve ou vida suspensa.
Apenas silêncio… e a certeza de que algo se foi,
ou veio para ficar.

Sobre o assoalho enegrecido, repousava uma rosa — não vermelha, não branca — mas negra como a ausência de retorno.
Ao lado, uma página molhada pela umidade de um mundo interior que nunca secou.

Em tinta densa, o nome que jamais deveria ser esquecido:

Camille Monfort.

Inserida por marcelo_monteiro_4