Textos que Descreva a Si Própria
A psicologia não nasceu nos consultórios, mas no espanto ancestral do homem diante da própria alma. Sigmund Freud e Carl Jung não criaram o abismo — apenas lhe deram novas linguagens. Muito antes deles, Fyodor Dostoevsky já descia às regiões subterrâneas da culpa, do desejo e da contradição humana; e, antes ainda, os gregos haviam convertido esses conflitos em tragédia e mito. O inconsciente não surgiu como descoberta moderna — acompanha o homem desde o instante em que ele começou a temer aquilo que carregava dentro de si.
Tranquei-me por alguns instantes em mim mesma, procurando sentir minha própria essência. E quão grande foi minha surpresa, ao perceber que minh'alma relutava em abrir-se comigo mesma. Recolhida em seus próprios medos recusou-se a repetir para mim, tudo aquilo que havia falado milhares de vezes, e que por algum motivo, não fui capaz de compreender ou resolver. Sou a mais pura essência feminina mergulhada em dilemas, e não sou tão forte assim, não tenho todas as verdades. No entanto, vejo-me como a água, se não posso ultrapassar na força, posso contornar as barreiras, e assim sigo em frente sem parar, sem fraquejar.
São corredores da morte. São condenados que carregam a sentença cravada no próprio corpo, na própria carne. Na face, nos pulmões, no fígado, no pâncreas, na próstata, nas pernas, nos braços, enfim, onde o veredicto imposto pela cruel e desumana caneta da vida consegue alcançar. São olhos marejados que se perdem no espaço e, em silêncio, fazem perguntas, a maioria delas, sem respostas. Será culpa minha? Será um castigo? Será que sobrevivo? Será...Será...Será...E dor...Dor que faz questionar a própria essência, caráter...Os anjos? Os anjos são aqueles que acompanham os condenados por entre os corredores da morte...São aqueles que já conseguiram remissão se foram mesmo expulsos do céu pelo Criador...São aqueles para os quais não existe mais pecado, simplesmente por serem anjos...Anjos em momento de dor...Para estes e para os condenados, a vida não é somente vida, é presente, é perdão, é amor...E o Criador, por amor, desenha e redesenha o destino dos condenados...Somente por amor...
"Há ideias que não apenas informam a mente, mas alteram a própria estrutura do nosso olhar. Depois de compreender certas verdades, é impossível regressar à velha ignorância sem sentir o peso da limitação anterior. Sou a prova viva desse axioma, na medida que o conhecimento foi o caminho sem volta que me permitiu chegar onde as condições mais adversas insistiam em dizer que eu não chegaria."
Não saber mais quem é declina a própria identidade e o ser se torna apenas uma gota de chuva em meio a uma grande tempestade no universo, se as estrelas fossem destinos de redenção eu me tornaria uma viajante, o céu se tornaria o meu limite e a imensidão infinita seria meu destino sem fim, embora os sonhos sejam possíveis na mente de um sonhador, nem sempre a possibilidade é igualada entre semelhantes.
Como suportar... como compreender... como continuar vivendo quando a própria alma parece cansada de existir? Tudo o que eu queria era entender o porquê de sentir uma dor tão profunda, tão fria, tão cruel, uma dor que não grita, mas corrói por dentro, que não sangra por fora, mas dilacera em silêncio, uma desesperança pesada, sufocante, como se o mundo estivesse lentamente se afastando de nós, como se tudo aquilo que um dia foi abrigo estivesse, agora, desmoronando diante dos nossos olhos, é como se uma mão fria tocasse o nosso rosto na escuridão, não para consolar, mas para nos obrigar a encarar aquilo que tentamos negar: a rejeição, o abandono, os olhares carregados de julgamento, o desprezo disfarçado de silêncio, a indiferença que fere mais do que palavras duras, aqueles que um dia chamamos de importantes, aqueles por quem estendemos as mãos, por quem lutamos, ajudamos, acolhemos… hoje nos viram as costas com uma frieza que assusta, e dói perceber que nos tornamos invisíveis para quem já foi casa, dói sentir que tudo o que fizemos parece não ter valor algum, como se fôssemos apenas mais um rosto perdido na multidão, ou talvez nem isso… talvez até um estranho, que nada sabe da nossa história, tenha mais consideração do que nós, e assim seguimos, carregando no peito o peso de uma ausência que grita, de um silêncio que machuca, tentando sobreviver a uma tristeza que parece não ter fim.
Ela passou a vida inteira sobrevivendo, calando a própria voz para caber nos sonhos e expectativas dos outros. Até que, com a delicadeza de quem floresce depois da tempestade, decidiu olhar para si com mais amor. Sem medo dos julgamentos, recomeçou. Sozinha, mas inteira. E descobriu que o amor mais bonito é aquele que nasce quando aprendemos a nos escolher todos os dias.
“O mal, em sua essência, não possui substância própria; é apenas o vazio deixado onde o bem se recusou a habitar. Assim como as trevas não têm existência senão pela retirada da luz, o pecado nasce onde o Espírito se cala e o coração humano se afasta do Eterno. Na política dos céus, até mesmo o silêncio de Deus é justiça, pois onde o bem não governa, o homem constrói seu próprio abismo.”
A própria Vida anda solitária. Ela se faz presente em cada detalhe, no ar que respiramos e no momento que passa, mas ninguém a nota. Estão todos viciados nos telemóveis, vivendo como 'índios' de uma realidade virtual, isolados em si mesmos. A Vida continua ali, estendendo a mão, esperando que alguém largue o ecrã para finalmente viver o que é real.
Sigo o modelo que minha própria mente construiu. Não deposito fé em humanos, nem em livros. Sou a fonte suprema de conhecimento. O agente epistêmico perfeito questiona ciência, filosofia e história, testando seu próprio modelo contra o mundo, mesmo quando entra em conflito com o conhecimento aceito.
" A dor possui uma linguagem própria. Quando recusada, torna-se tormento. Quando compreendida, converte-se em mestra. Entre as sombras que atravessamos e a luz que buscamos, ela permanece como uma enigmática intérprete da condição humana, revelando que as cicatrizes não são apenas marcas do que nos feriu, mas também sinais do que fomos capazes de suportar. "
Quem sou eu como psicóloga se, antes de tudo, não reconheço minha própria humanidade diante da humanidade do outro? É no encontro de humano para humano que os sentimentos encontram espaço para existir, ser acolhidos e compartilhados. Sem essa conexão genuína, o que realmente conseguimos dizer sobre aquilo que sentimos?
Gostar da própria personalidade não significa achar que é perfeito. Significa olhar para a própria história, com suas dores, erros, decepções e conquistas, e entender que tudo isso ajudou a moldar quem você é. É conhecer a si mesmo tão profundamente que você consegue aceitar tanto suas cicatrizes quanto suas qualidades, sem precisar ser outra pessoa.
No fundo, ninguém está imune às oscilações da própria mente e das próprias emoções, principalmente quando se está distante de algo que dê sentido e direção à existência. Afinal, a fé sem obras é morta; acreditar exige movimento, persistência e atitudes que sustentem aquilo que carregamos no coração.
Quando olho ao meu redor, enxergo que a verdadeira guerra é travada dentro da nossa própria mente. Nem tudo vai nos definir, e nem todas as pessoas serão capazes de despertar algo dentro de nós. Mas a covardia deve ser repreendida, principalmente em um mundo onde quase ninguém sabe quem você realmente é. Hoje, sabemos que vivemos em tempos de opressão, julgamentos e tentativas constantes de nos moldar. Ainda assim, nem todos conseguirão arrancar de mim a minha melhor vibe, a minha melhor versão. Isso é meu momento. E, dessa vez, eu escolho permanecer fiel a quem eu sou, sem permitir que o mundo apague a minha essência.
A inclusão do autista na sociedade é um direito adquirido pela própria lei da vida, que por sabedoria nos faz diferentes. A educação especial na pedagogia integral, com mestres capacitados em ouvir, ver e aprender novas comunicações, caso a caso, é uma oportunidade profissional impar. Tudo dentro dos multiversos sensível e verdadeiro do autista é uma dadiva para nos tornarmos mais amorosos e humanos. O privilegio é sempre nosso de reaprendermos a existir mais, realinharmos nossos caminhos em prol da verdade com os especiais puros de coração.
Sejamos inteligentemente fieis o quanto necessário, sem nos corromper dentro da nossa própria realidade. Pois não existe um só caminho, uma só oportunidade, uma só pessoa e muito menos um só sentimento puro e verdadeiro que possa gentilmente, nos acompanhar com acolhimento, cumplicidade, amor e carinho na estreita senda comum da felicidade.
Sentado aos pés de uma figueira, imerso em pensamentos que desafiam até minha própria compreensão, percebo a tênue fragilidade do tempo. As horas se dissolvem como grãos de areia escapando pelos dedos da consciência, e o mundo ao redor se reduz a murmúrios sutis, o canto distante de um galo, o sussurro das folhas, ecos de lembranças e dilemas que insistem em me perseguir. Sem perceber, sou tragado para dentro de uma introspecção que transcende o instante, como se cada fragmento de percepção fosse simultaneamente revelação e enigma.
Somos tolos em nossa própria ilusão, atribuindo valor ao que se desfaz com o tempo, dinheiro, status, títulos. Olhamos com arrogância para aqueles que sustentam silenciosamente a vida em sociedade, os que limpam, os que recolhem, os que tornam possível o nosso cotidiano, como se a dignidade fosse privilégio e não essência. No fundo, seguimos apenas rótulos impostos por uma sociedade adoecida, sem perceber que a verdadeira grandeza não está no que se ostenta, mas no que se é.
Tive uma segunda chance, já atravessei portais invisíveis e experimentei, em minha própria vida, o esplêndido sabor da glória de Deus. Vi rostos iluminados de todas as idades, ouvi louvores que transbordavam amor sincero ao Senhor. Desde então, carrego em minha alma uma saudade profunda do céu, pois sei, com convicção, que para a linda cidade um dia voltarei.
