Textos para Boas Vindas
o gabrieu e o parice
Ele começou a aparecer nos dias em que nada acontecia.
Não nos dias ruins. Nos dias iguais.
Porque o ruim ainda tem alguma coisa de vivo. O ruim machuca, irrita, obriga você a reagir. O problema é quando a vida fica confortável demais para doer e vazia demais para significar alguma coisa. Quando segunda-feira parece terça, terça parece quarta e, de repente, você percebe que passou meses repetindo a mesma conversa com pessoas diferentes, usando as mesmas roupas, fazendo as mesmas promessas e chegando em casa com a sensação de que esteve em algum lugar sem realmente ter ido.
Foi nesses dias que ele apareceu.
Primeiro como uma ideia.
Depois como uma voz.
Depois como uma presença.
Ele nunca dizia nada muito complicado. Só perguntava por que eu continuava aceitando uma vida que eu mesmo não escolheria se pudesse começar de novo.
Eu odiava quando ele fazia isso.
Porque ele não gritava.
Não precisava.
Algumas verdades entram baixo justamente porque sabem que você vai escutá-las.
Eu tentava ignorá-lo. Enchia os dias. Enchia a cabeça. Enchia o silêncio com qualquer coisa que tivesse luz suficiente para não me deixar enxergar o escuro. Funcionava durante algumas horas. Depois ele voltava.
Sempre voltava.
Às três da manhã, quando a cidade parecia abandonada e os prédios tinham aquela aparência de cadáveres gigantes dormindo em pé, eu sentia que ele estava sentado em algum lugar, esperando.
Não parecia alguém que queria me destruir.
Parecia alguém decepcionado porque eu estava desperdiçando uma vida que ele sabia que poderia ser muito maior.
Ele não tinha o meu medo.
Essa era a diferença.
Eu calculava as consequências.
Ele calculava o preço de não fazer nada.
Eu pensava no que poderiam falar.
Ele pensava no que eu falaria comigo mesmo daqui a dez anos.
Eu procurava segurança.
Ele procurava alguma coisa que ainda tivesse pulso.
E quanto mais eu tentava enterrá-lo, mais ele crescia.
Até que comecei a perceber uma coisa estranha: talvez ele não tivesse surgido para mudar a minha vida.
Talvez tivesse surgido porque eu tinha mudado demais para continuar vivendo a mesma.
A gente passa tanto tempo construindo uma versão aceitável de si mesmo que esquece de perguntar se ainda gosta da pessoa que está apresentando.
Você aprende a ser pontual.
Educado.
Responsável.
Previsível.
Aprende a escolher as palavras certas, vestir a roupa certa, responder a mensagem certa, sorrir na hora certa.
E quando percebe, já não está vivendo.
Está administrando uma imagem.
Foi aí que ele começou a ficar perigoso.
Porque ele não queria melhorar minha vida.
Queria arrancar a maquiagem dela.
Queria saber o que sobrava quando ninguém estava olhando.
E eu descobri que existia muita coisa.
Raiva.
Ambição.
Curiosidade.
Desejo de desaparecer por algumas horas e reaparecer diferente.
Vontade de fazer alguma coisa que não pudesse ser explicada em uma legenda bonita.
Talvez seja isso que as pessoas chamam de loucura quando não conseguem chamar de liberdade.
O meu alter ego não era um herói.
Também não era um vilão.
Era simplesmente a versão de mim que nunca aprendeu a pedir licença.
E talvez fosse por isso que eu precisasse tanto dele.
Porque existem momentos em que a pessoa que você construiu para sobreviver é justamente a pessoa que impede você de viver.
Então uma noite eu parei diante do espelho.
Não aconteceu nada cinematográfico.
Nenhuma lâmpada explodiu.
Nenhuma música começou.
Só eu, um banheiro frio e aquela cara que eu conhecia desde sempre.
Mas pela primeira vez eu não perguntei quem estava olhando de volta.
Perguntei quem tinha passado anos olhando através de mim.
E entendi.
Ele nunca esteve atrás do espelho.
Nunca esteve escondido em algum canto da minha cabeça.
Nunca foi outra pessoa.
Era tudo aquilo que eu fui abandonando pelo caminho para conseguir continuar sendo aceito.
Cada vontade engolida.
Cada palavra não dita.
Cada caminho que eu não tomei.
Cada versão minha que eu matei só porque alguém achou mais conveniente aquela outra.
Ele era o acúmulo.
A conta.
A cobrança.
A parte de mim que continuou viva enquanto eu fingia que tinha amadurecido.
Desde então, eu não tento mais expulsá-lo.
Deixo que ele sente comigo.
Deixo que ele me lembre que conforto demais também apodrece.
Que rotina pode ser uma droga administrada em pequenas doses.
Que existem pessoas que passam a vida inteira fugindo do caos sem perceber que o caos também é onde algumas coisas começam.
E que talvez a pior coisa que possa acontecer com alguém não seja perder o controle.
Talvez seja nunca ter tido coragem de segurá-lo.
Hoje, quando a cidade dorme e aquela versão de mim aparece no reflexo de alguma vitrine apagada, eu já não desvio o olhar.
Ele continua ali.
Com a mesma cara.
O mesmo silêncio.
A mesma pergunta.
Só que agora eu tenho uma resposta.
Não preciso virar outra pessoa.
Só preciso parar de desperdiçar a que ainda está tentando nascer.
Expertise é saber atirar.
Inteligência é saber onde mirar.
Esperteza é perceber a oportunidade do disparo.
Sabedoria é saber quando não atirar.
A capacidade de saber quando de posicionar e como se posicionar uma progressão da ação planejada está intrinsecamente na
capacidade → discernimento → autocontrole.
O Estado Poesia
Os nossos corpos, em estado sólido,
começam a derreter quando as epidermes se tocam.
Passamos a líquido,
escorrendo um para o outro,
misturando temperaturas,
onde o toque é luz,
o calor é linguagem,
e o que somos se escreve no ar
como se a pele tivesse aprendido a respirar dentro da pele.
E quando evaporamos,
quando a anatomia
se desfaz em vibração
e ficamos só alma com alma,
passamos para o estado mais raro:
o estado poesia.
Onde já não somos corpo,
nem gesto,
nem pele — somos aquilo que o mundo lê
quando o silêncio grita.
Paizinho....
Pai, mais um dia acordamos graças a sua misericórdia, mais uma semana que se inicia.
Em nosso relógio, hoje é mais uma segunda-feira, mais uma semana.
Pai, paizinho olha para nós, cubra-nos com seu manto refrescante e salutar da glória divina.
Paizinho ouça-nos...
Socorre-nos nos momentos de aflição, daí nos as condições necessárias para realizarmos os teus planos, daí nos entendimentos para sabermos que o teu tempo não corre em nosso relógio, não cabe em nosso calendário.
Pai abençoa os homens de Bom coração, fortifica os Para suas batalhas, socorre os nas aflições e nas duvidas.
Planta pai em nosso coração a semente da fé, semeia pai nosso coração, ara o terreno de nosso espírito, fortaleça-nos...
Pai tu conheces o íntimo de cada filho teu, sabe das necessidades individuais materiais e espirituais de cada um de nós.
Pai alimenta-nos com a tua palavra, daí nos entendimentos e sabedoria para compreendermos a tua vontade O teu trabalhar.
Pai perdoa as nossa falhas e ajudas a não mais errar, pai imploro que restabeleça tudo o que foi perdido, quebrado, destruído pelos nossos inimigos.
Pai glorificado sejas tu, aqui e em todo lugar, para que onde tu estejas, assim estejamos nós.
Pai daí o sustento a nossas famílias, a saúde ao enfermo.
Paizinho esperamos em ti...
Ei nos aqui.....
Pai lhe agradeço de todo coração, por tudo que tens feito por nós, ainda que não seja a nossa vontade, que a tua sempre prevaleça, hoje, amanhã e para todo sempre.
Paizinho, vou indo, preciso ir, espero que me faças companhia neste dia.
Já que estaremos juntos que o senhor vá na frente me guiando segundo a sua vontade.
Te amo paizinho.
O problema nunca foi tratar alguém com respeito. O problema começa quando a virtude vira uniforme e a consciência passa a usar crachá.
Chamam isso de "politicamente correto". Eu chamaria de maquiagem para um cadáver. A mesma sociedade que transforma gente em número, afoga velhos na solidão, vende infância como produto, mede amor por conveniência e dignidade por seguidores, agora quer ensinar boas maneiras. É como um açougueiro discursando sobre vegetarianismo enquanto afia a faca.
Trocaram a ética pela etiqueta.
Antes, um homem podia ser um canalha sem pedir desculpas. Hoje ele destrói vidas durante o expediente e, antes de ir para casa, publica uma frase sobre empatia. A crueldade aprendeu gramática. A hipocrisia descobriu o vocabulário da inclusão. A mentira fez faculdade.
Não é civilização. É cosmética moral.
O ser humano continua o mesmo animal assustado, egoísta, faminto por poder e aprovação. Apenas aprendeu quais palavras lhe rendem aplausos. Descobriu que é mais lucrativo parecer bom do que tentar sê-lo.
A verdadeira decência nunca precisou de cartilha. Ela aparece quando ninguém está olhando. Quando você pode humilhar e escolhe compreender. Quando pode esmagar e prefere estender a mão. Quando discorda sem desejar exterminar quem pensa diferente.
Todo o resto é teatro.
E o teatro sempre foi o esconderijo favorito dos covardes.
Talvez o maior escândalo do nosso tempo não seja que existam pessoas más. Pessoas más sempre existiram. O escândalo é que elas aprenderam a vestir a roupa da virtude e convenceram o mundo de que a aparência vale mais do que o caráter.
No fim das contas, não temo o homem que admite suas sombras. Temo aquele que sorri com a máscara da moral enquanto troca, silenciosamente, os valores que sustentam a condição humana por slogans convenientes.
Porque quando a ética é substituída pela aprovação coletiva, sobra apenas uma multidão educada demais para dizer a verdade e vazia demais para reconhecer a própria humanidade.
Meus pecados
Eu nunca imaginei que uma noite tão perfeita
pudesse começar com uma taça de vinho.
Bebemos ao som de nossas músicas favoritas,
sentados frente a frente
num sofá que mal cabia nós dois,
embalados pelo olhar um do outro
e sem nos darmos conta de que não tínhamos brindado.
Que pecado perder a chance de brindar a nossa vida.
Que pecado não ter usado aquele vestido vermelho que você gosta tanto. Que pecado você ter me ganhado tão depressa.
Mas foram estes pecados que contradisseram os limites da criação e me trouxeram ao paraíso desta madrugada que acaba de começar.
Enquanto você dorme ao meu lado, eu me recuso a fechar os olhos.
O silêncio da noite me permite ouvir sua respiração,
ora lenta, ora apressada,
e me lembra de que essa mudança de ritmo nos acompanha em tudo:
nos beijos, nas brigas, nas tardes de caminhada,
e até nas músicas que a gente gosta de dançar
mesmo sendo péssimos em matéria de expressão corporal.
Reparo que você quase não se movimenta pela cama
e que não fez questão de virar pro outro lado;
logo me ocorre que você talvez saiba que eu estou te observando
e queira contribuir com minha doce redenção,
mas minhas suspeitas caem por terra quando você murmura algo
que eu não consigo entender e puxa o cobertor pra mais perto de si.
Fosse eu essa manta velha e me atreveria e roubar um beijo seu.
Mas essa manta nunca vai te ter como eu te tenho.
Ela nunca vai ver você sorrir enquanto dorme como eu estou vendo agora. Me pergunto se é comigo que está sonhando.
Talvez, no seu sonho, é você quem me observa dormir.
Mas eu continuo acordada.
Não posso perder nenhum momento do seu sono.
Queria viver essa noite pro resto da minha vida, deitada ao seu lado e sentindo seu coração bater.
Que pena que o tempo não ouve o meu clamor, já está amanhecendo e a sensação que eu tenho é de que esta madrugada durou apenas 10 minutos. Eu ficaria aqui pelo resto dos meus dias, juro.
Sei que jurar é um erro, mas são os pequenos pecados que vez ou outra me proporcionam esses 10 minutos com você.
utopia?
Tem dias em que acordar parece menos um começo e mais uma conferência.
Antes mesmo de levantar da cama, existe uma lista invisível esperando por ele. Não são grandes sonhos escritos em papel, nem promessas bonitas feitas para o futuro. São necessidades pequenas, quase ridículas quando colocadas lado a lado, mas que juntas dizem muito sobre quem ele se tornou.
Precisa de dinheiro. Não pelo dinheiro em si, mas pela tranquilidade que ele promete. Precisa guardar, investir, construir alguma coisa que permita olhar para a velhice sem sentir que o futuro é uma ameaça. Existe uma vontade cada vez maior de sair do lugar onde está, conhecer outro país, aprender outra língua, começar de novo em algum canto onde ninguém saiba seu nome.
Precisa ser forte também.
E talvez essa seja uma das coisas mais difíceis.
Porque existe uma contradição nele que ninguém vê de primeira. Por fora, aprende a ser durão. Engole certas palavras, segura algumas vontades, finge que determinadas coisas não doem. Mas por dentro continua sendo sentimental demais. Ainda se importa. Ainda espera. Ainda sente falta. Ainda consegue transformar uma conversa pequena em alguma coisa enorme dentro da cabeça.
Precisa falar com alguém.
Não necessariamente para ser aconselhado. Às vezes, só precisa encontrar alguém que também esteja cansado de guardar coisas dentro de si. Alguém que não tenha medo do silêncio depois da conversa. Alguém que entenda que existem sentimentos que não querem solução, só companhia.
Precisa escrever também.
Talvez seja por isso que transforma tanta coisa em texto. Porque quando não consegue dizer, escreve. Quando não sabe para quem falar, escreve. Quando alguma lembrança insiste em voltar, escreve. Como se cada palavra colocada no papel fosse uma maneira de impedir que alguma parte dele desaparecesse.
Precisa de uma vitória do Palmeiras, dessas que fazem o mundo parecer menos complicado por algumas horas. Precisa de uma música certa no momento certo. Precisa de uma noite em que o celular fique virado para baixo e a cabeça finalmente fique quieta. Precisa rir de alguma coisa idiota. Precisa encontrar motivos pequenos para continuar acreditando que a vida não é feita apenas das coisas que deram errado.
Precisa cuidar da família.
Precisa cuidar de si.
Precisa ter fé, mesmo quando não entende muito bem o que está esperando.
E, principalmente, precisa de carinho.
Talvez esse seja o item mais difícil de admitir.
Porque dinheiro se procura. Trabalho se conquista. Uma passagem pode ser comprada. Um idioma pode ser aprendido. Um carro pode ser trocado. Uma cidade pode ser deixada para trás.
Mas carinho não funciona assim.
Carinho precisa vir de alguém.
E talvez por isso ainda exista, em algum canto dele, aquela pergunta que não sabe morrer, será que alguém ainda gosta dele? Será que alguma pessoa ainda pensa nele quando uma música toca? Será que alguém sente vontade de mandar uma mensagem e desiste? Será que existe alguém passando pela mesma rua, no mesmo horário, carregando uma saudade que ele desconhece?
Ele não precisa necessariamente de uma resposta.
Precisa apenas saber se ainda existe alguma coisa esperando por ele do outro lado.
E é curioso perceber que, no meio de tantos planos grandes, ele ainda se pega querendo entender coisas pequenas.
Por que o coração insiste justamente onde a razão já colocou uma placa dizendo para não entrar?
E, no fim, talvez seja essa a maior contradição da vida adulta, a gente passa anos tentando descobrir como construir um futuro, enquanto continua fazendo perguntas que parecem ter sido inventadas na infância.
Ele quer dinheiro, uma casa, uma vida em outro lugar, estabilidade, conquistas, viagens, histórias.
Mas também quer ser compreendido.
Quer alguém para conversar.
Quer alguém para amar.
Quer alguém que olhe para toda essa confusão e, em vez de perguntar por que ele é assim, simplesmente diga que entende.
Talvez seja isso que ele esteja procurando.
Não uma vida perfeita.
Só uma vida em que suas necessidades não pareçam exageradas.
Uma vida em que possa ser forte sem precisar esconder que sente.
Em que possa ir embora sem sentir que está fugindo.
Em que possa construir o futuro sem precisar abandonar tudo o que ainda sente.
E talvez, no fundo, ele tenha acordado naquela manhã apenas para descobrir que ainda precisa de muita coisa.
Mas também descobriu uma coisa importante
ainda existe vontade.
E enquanto houver vontade de conhecer o mundo, ganhar dinheiro, escrever, amar, cuidar, acreditar, viajar, torcer, recomeçar e entender por que certas coisas são proibidas sem que ninguém saiba explicar direito…
ainda existe vida acontecendo.
Mesmo que, as vezes, ela pareça apenas uma longa lista de coisas que ele ainda precisa.
No início, nada parecia fazer sentido. As paredes respiravam silêncio, as janelas guardavam ventos antigos e o chão, sem pressa, recolhia sombras como quem cole uma memória perdida. Havia um rumor sem origem, um eco suspenso, e no centro desse estranho equilíbrio caminhava o tempo, o Cronos, com seus pés invisíveis, costurando instantes sobre a carne do mundo.
Tudo era confuso apenas para os olhos apressados. Porque o caos, quando visto de perto, parece ruína; mas, quando atravessado pela alma, revela desenho. O Cronos não destruía: lapidava. Tirava nomes, mudava formas, envelhecia certezas, para que o essencial pudesse emergir sem ornamento. Era ele quem partia as horas para que delas nascessem sentido, saudade, retorno e transformação.
Então compreendi que o início não era ausência de lógica, mas excesso de mistério. Nada parecia encaixar porque tudo estava vivo demais, pulsando antes da forma. E o maior sentido estava justamente nisso: no invisível alinhamento entre perda e descoberta, entre demora e revelação, entre o que termina em nós e o que, pelo tempo, finalmente começa. Como rio secreto, Cronos sorria no escuro, sabendo que cada desencontro também era destino antigo.
A Melhor Mentira Ainda É a Verdade
Nas festividades do início dos anos setenta, acho que em 1972, eu e meu sobrinho estávamos regressando para São Paulo, depois de termos passado as festas em Santa Mariana, quando aconteceu esta história.
Naquela época, a rodovia até Avaré era de pista simples. Depois começava a Castelo Branco. Era comum a gente parar no último posto antes da CB para abastecer e fazer um lanche.
Naquele dia, ao nosso lado, parou outro Fusca. Dentro dele havia quatro meninas, jovens e muito bonitas. Começamos a jogar conversa fora e, depois de abastecer os carros, paramos num estacionamento ali mesmo no posto e fomos nos apresentando.
Um detalhe: no vidro traseiro do Fusca delas, atrás do banco do motorista, havia um papel colado com os nomes das quatro e uma mensagem desejando um feliz Ano-Novo.
Quando chegou a minha vez de me apresentar, disse que era estudante de engenharia. Meu sobrinho, estudante de medicina. Elas também foram se apresentando e contando quais cursos faziam, exceto uma delas.
Então perguntei:
— E você, como se chama?
Ela se aproximou do carro e apontou para o papel colado no vidro.
— Este é o meu apelido.
O problema era que, em vez de um nome, havia um desenho.
Uma desgraça de desenho que acabou com a nossa viagem.
Era um bicho estranho, completamente desconhecido para nós.
Depois de olharmos para o céu, chutarmos umas pedrinhas e fingirmos naturalidade diante daquele constrangimento, fomos nos afastando do carro delas. Antes, porém, tivemos que ouvir as quatro rachando de rir.
Pegamos a estrada sem sequer olhar para trás e fomos o resto da viagem tentando descobrir que criatura era aquela.
— Será que o apelido dela é Ripinha?
— Balaústra?
E lá vinham mais alguns palpites absurdos.
Passados alguns dias, finalmente descobrimos que aquele desenho nada mais era do que o símbolo do Pi (π). Traduzindo: aquele era o apelido dela.
Acho que ela devia se chamar Jupira e não gostava muito do nome.
Eu poderia ter contado esta história antes, mas precisava da anuência do Newton Roberto Gobis, meu sobrinho, um sujeito de bem com a vida e de quem gosto muito.
Claro que aquelas mentiras — eu estudante de engenharia e ele de medicina — foram apenas uma brincadeira de momento. Mas, diante da situação constrangedora que se criou, nem tivemos tempo de corrigir a burrice. E, para falar a verdade, não teria adiantado nada. Nós simplesmente não sabíamos o significado daquele "bicho". E, talvez, se insistíssemos, a situação ficasse ainda pior.
Trabalha a sua mente contra o mal…
porque a batalha começa no pensamento,
antes mesmo de chegar nas atitudes.
Você aprende a filtrar:
o que edifica, você alimenta.
o que contamina, você rejeita.
o que é para o seu bem, guarde.
o que é para te fazer mal descarte.
Lixo fica no lixo.
E tudo que não vem de Deus… você rejeita.
miriamleal
Tu és a fonte, o início e o caminho,
O colo que sustenta o mundo inteiro,
Pois onde houver um gesto de carinho,
Ali se faz o teu altar primeiro.
Tu és Maria, Ana, Paula, Julia,
Tu és quem ama, quem cuida e quem guia,
A luz que vence qualquer noite escura
E transforma o cansaço em poesia.
És a raiz que nutre a esperança,
O porto seguro em mar de incerteza,
Trazendo no olhar a paz da confiança
E no coração a maior das riquezas.
Não importa o nome que a vida te dê,
Ou a trilha que o tempo insista em traçar,
O universo se curva para entender
A força infinita que existe em amar.
Momentos são oportunidades diárias de ter tudo aquilo que passa pela nossa mente. Talvez, quando vivemos na prática, seja um pouco diferente: às vezes melhor, às vezes pior. Talvez esse seja o grande mistério de viver: alinhar mente, espírito e a fragilidade da realidade.
Por: J. Leão
Comecei a sentir algo que eu jurava não morar em mim.
A inveja chegou mansa, sem barulho,
mas fez morada no peito.
Não é do riso fácil dos casais de agora,
nem das fotos prontas, nem do amor que parece simples.
É da história.
Do caminho inteiro.
Do que foi construído com o tempo
e não apesar dele.
Invejo mulheres que ficaram.
Que olharam as falhas de perto, os defeitos sem filtro, as limitações nuas
e mesmo assim permaneceram.
Mulheres que escolheram ficar
quando ir embora parecia mais fácil.
Que lutaram não por perfeição, mas por compromisso.
Que amaram não o homem ideal, mas o homem real.
Isso me toca fundo.
Porque revela um amor raro, o amor que decide.
Que não romantiza,
não foge,
não solta a mão quando pesa.
Essa inveja não quer o que é do outro.
Ela chora o que faltou em mim.
É a vontade de ter sido escolhido nos dias bons e principalmente,
nos dias difíceis.
No fim, não é sobre eles.
É sobre a ausência que ficou.
Sobre a falta que insiste.
Sobre o valor imenso
de quem permanece, de quem luta e não desiste na adversidade.
Às vezes, uma palavra muda um dia.
Um gesto muda uma esperança.
Uma oportunidade muda um destino.
Nem sempre vamos lembrar exatamente do que dissemos, mas as pessoas quase sempre lembram de como se sentiram quando estiveram perto de nós.
Por isso, acredito que devemos procurar deixar marcas boas por onde passamos.
Levar incentivo onde existe dúvida.
Leveza onde existe peso.
Força onde alguém já está cansado de lutar sozinho.
Porque a vida já é difícil demais para que nossa presença seja apenas mais uma indiferença.
No fim, talvez o verdadeiro valor de uma vida não esteja apenas no que conquistamos, mas no quanto conseguimos melhorar, mesmo que um pouco, a vida de quem cruzou o nosso caminho.”
Tem momentos em que insistir deixa de ser força
e começa a virar desgaste.
A gente fixa o olhar em algo como se ali estivesse tudo
como se, alcançando aquilo,
o resto finalmente se organizasse por dentro.
Mas nem tudo que chama
é feito para permanecer.
E há um limite silencioso
entre persistir
e se perder de si tentando.Às vezes, o que falta não é mais tentativa.
É direção.
É entender que nem todo desejo precisa ser sustentado
até o esgotamento.
Que nem tudo que não veio
precisa ser esperado até cansar.
Existe um tipo de sabedoria
que não está em segurar,
mas em soltar o foco
antes que ele nos prenda.
Redirecionar também é escolha.
Também é cuidado.
Porque enquanto a gente insiste no que não responde,
outras possibilidades passam
discretas, vivas, possíveis.
E a vida não pede que a gente queira menos,
mas que a gente queira melhor.
Que a gente aprenda a mover o olhar,
a ajustar o caminho,
a trocar de direção sem sentir que falhou.
Às vezes, não é sobre abrir mão.
É sobre se devolver.
Eu estou triste.
tão triste que já nem sei mais onde começa ou termina.
é um cansaço que não passa com descanso,
é um peso que não se explica
só se sente.
eu estou tão triste
que até existir parece esforço demais.
e o mais difícil de admitir
é que não é sobre querer ir embora…
é sobre não aguentar mais ficar assim.
eu estou cansada de estar triste.
cansada de tentar e não sair do lugar,
cansada de sustentar algo dentro de mim
que já não se sustenta sozinho.
tem dias que a vontade não é viver,
é só desaparecer um pouco…
silenciar tudo isso que não cala.
* Dia das crianças *
Embora a infância seja o início
do nosso caminhar pelas veredas da vida,
ela permanece presente e determinante
até o fim...
A infância não passa,
ela se infiltra em cada passo do caminho,
molda as feridas e os sonhos
que nos carregam até o último suspiro...
A infância é o primeiro perfume
das veredas da vida...
e, mesmo quando o corpo se cansa,
ela floresce nas lembranças
que nos sustentam até o fim...
✍©️@MiriamDaCosta
Comecei a ler poesia
antes mesmo de aprender
a escrever e juntar letras.
Antes das palavras,
meu sentir já soletrava
afetos e ausências,
chegadas breves,
partidas longas,
silêncios que diziam tudo.
Antes das sílabas,
meu coração já sabia
o que doía,
o que machucava,
o que era justo,
e o que nunca foi.
Aprendi, ainda pequena,
que a poesia
não reside nos livros.
Os livros é que tentam
acolher, tardiamente,
o que a vida sussurra
no avesso dos dias.
Quando me ensinaram
a ler palavras,
eu já lia o mundo
com a alma poética
e os sentidos alfabetizados.
✍©️@MiriamDaCosta
‼️ MULHERES! ‼️
Antes de iniciar um relacionamento
é melhor correr a ficha criminal do indivíduo em uma delegacia( melhor se for numa delegacia da mulher) ou no site Jusbrasil ( é grátis!).
Também exigir um laudo psiquiátrico e um teste específico da neuropsicologia,
para detectar tendências narcisistas entre outros fatores determinantes...
É bom também o teste HIV.
Ficam as dicas para esses tempos complicados e até monstruosos.
✍@MiriamDaCosta
Feminicídio RJ Brasil
“A forma como sua história começou, o caminho que ela tomou e as circunstâncias que a atravessaram não determinam onde ela termina justo ali onde tudo parecia ter acabado e onde ela toma nova rumo. Às vezes, a vida recomeça justamente no momento em que acreditamos que tudo acabou, que a vida acabou, que o sonho morreu. É ali que surgem novos caminhos, novas escolhas e uma nova versão de nós mesmos. A história não termina quando você cai; a queda é apenas um processo. Ela recomeça quando você decide se levantar.”
Charles Eugenio
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