Textos Maes Carlos Drummond
Para que você e eu pudéssemos existir, o sopro da vida precisou ser transmitido de geração em geração, desde os primeiros seres vivos até nós. Um fio de prata jamais rompido que nos liga às primeiras formas de vida, aos precursores dos precursores dos humanos mais remotos. Procuro lembrar-me disso sempre que, por uma dessas muitas chateações do cotidiano, fico propenso a pensar que a vida é banal.
Embora sejam sinônimos em certo sentido, existe uma diferença substancial entre lealdade e fidelidade. A lealdade é espontânea e vem do coração. A fidelidade, nem sempre: pode ser apenas um subproduto de convenções, imposições ou conveniências. Entre uma pessoa leal e uma fiel, vou sempre preferir a leal.
Somos o que pensamos, o que desejamos com toda a nossa força, o que fazemos, como a soma das nossas atitudes e não das nossas palavras. Não somos resultados do passado, das conquistas ou fracassos, nem daquilo que possuímos. Somos frutos das nossas crenças, da nossa índole e da prática de nos tornarmos melhores, não em relação aos outros, mas a nós mesmos.
Bom, falando sobre o contrário avareza. Já tratei desse assunto quando analisei um pensamento do "Guru" Chico Xavier, mas agora trato diretamente desse pecado capital. Acho que ser avarento deve ser ruim demais. Imagino que essa pessoa acorde, passe o dia e durma pensando em como não gastar seu rico dinheirinho com todos que o cercam, sejam familiares ou amigos, e ainda deve pensar em como poupar seu importante tempo em coisas que considera fúteis. No dicionário de antônimos achei a palavra matadora, generosidade. Entendo que uma pessoa é generosa quando, em detrimento de si, oferece ao outro ser humano uma coisa que possui, seja em grande ou pouca quantidade, para que o outro possa se satisfazer. Isso é ser magnânimo, um antônimo de avarento. Isso não tem relação só com o dinheiro. Imagine você dando alguma coisa que pode te fazer falta! Doando parte do seu prato de comida, doando seu tempo, escutando com paciência, dando um abraço com amor ou perdoando com paz no coração. Generosidade é tão amplo que atinge tanto humanos, quanto animais, plantas, céu e mar, terra e ar. A pessoa utopicamente generosa é a doação encarnada, é o ser que todo bom ser humano procura dentro de si. É aquele que está atrasado para o trabalho e para tudo para ajudar alguém. É aquele que carrega ração e água dentro do carro para ajudar os cães de rua. É a pessoa que participa de alguma campanha de doação ajudando moradores de rua e ainda participa na distribuição dos alimentos. É o que participa de ONGs de recuperação da fauna e da flora. É o que pesca e devolve o peixe para o mar. É o cara que tem um carro elétrico para não poluir o planeta. É o que separa seu lixo por amor aos catadores e ao nosso mundo. Tomara que seja uma geração que está próxima. Enfim, tentar ser generoso é o próximo passo para ser uma pessoa melhor. Finalizando, cito a passagem Bíblica onde Jesus repreende um jovem rico, que diz ter feito tudo segundo as escrituras para entrar no treino dos céus, mas foi incapaz de vender tudo que tinha para dar aos pobres. " É mais fácil passar o camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar o rico no Reino de Deus" (Evangelho de Marcos 10,23). E tenho dito.
Caminhar de manhã pelas calçadas ensolaradas, sentindo o cheiro das plantas e admirando as cores da cidade que desperta, dando bom dia para pessoas que sorriem para mim sem sequer me conhecer, tem sido algo mágico em minha vida -- quase tão bom como dormir até mais tarde numa cama bem quentinha.
E então, de repente, sem rufar de tambores ou troar de trombetas, chega o dia em que somos compelidos, não por Deus, mas pela consciência, a prestar contas dos talentos que nos foram confiados. Uma estratégia é tentar se convencer de que "tudo vale a pena quando a alma não é pequena". Mas nem sempre funciona.
Que bom seria se a sabedoria da Humanidade fosse cumulativa. Mas cada geração precisa conhecer o horror da guerra com os próprios olhos, sentir o dor do látego com a própria pele, descobrir o valor da Liberdade à custa das próprias perdas. Deveríamos aprender as coisas ruins nos livros e as boas, estas sim, vivendo-as intensamente. Porém, por mais lições que nos traga a História, em larga medida não somos mais do que aprendizes daquilo que já deveríamos saber.
O que será que a vida espera de mim? Ser alguém digno? que cumpra com todas as normas e valores, que transbordam em nossas culturas? ou alguém simples, que entenda a si mesmo e quem sabe um pouco dos outros?! Talvez seja pior, eu que espero algo dela, simples e digno, ou quem sabe algo sem nome nem forma, que não exista se não na mais profunda parte de meu ser.
A pior saudade é aquela que sentimos do sucesso que não tivemos, dos lugares que não conhecemos, dos sonhos que não realizamos, das pessoas com quem não convivemos. Cabe a nós aceitá-la e deixar que nos deprima, ou chutá-la para longe e lembrar de todas as coisas boas e reais que marcaram nossas trajetórias de vida, apesar de nossos erros, hesitações e fracassos.
Comecei no jornalismo com 16 anos, no primeiro ano do ensino médio. Era um misto de chargista, aprendiz de repórter e carregador de malas. Há quanto tempo pisei numa redação pela primeira vez? 45 anos? E ainda hoje, a cada manhã, renovo a opção que fiz na adolescência. Não consigo me imaginar em outra profissão. Acredito no jornalismo como uma ferramenta poderosa para melhorar a sociedade, ajudar as pessoas, denunciar trapaças, valorizar boas iniciativas, fortalecer a democracia. Com alegria, concluo que fiz a escolha certa. Sou grato à vida por ser jornalista.
Quando começo a achar que não saí do lugar nesses anos todos, me consola pensar que o Sol se desloca ao redor do centro da Via Láctea a 720 mil km por hora, 17,2 milhões de km por dia, 6,3 bilhões de km por ano. Nunca nada é a mesma coisa, nem ninguém é o mesmo. E, definitivamente, não estamos no mesmo lugar. Quando você terminar de ler este texto, terá viajado cerca de 5.400 km neste assombroso carrossel de estrelas, desde o momento em que começou a ler.
As músicas de sucesso comercial, a programação da TV aberta aos domingos, a publicidade em geral, os programas do tipo "No limite", o conteúdo de certos portais supostamente noticiosos, entre outras formas de comunicação de massa, atestam para além de qualquer dúvida: não existe limite para a falta de criatividade humana.
Quem procura com negligência ajuda a esconder. Da mesma forma, quando o jornalista não se dispõe a apurar a notícia em todos os seus principais aspectos e desdobramentos, assume o risco de difundir informações parciais, distorcidas e até mentirosas. Notícia mal apurada, num sentido muito amplo, também é fake news.
O ser livre não precisa ser necessariamente puro e autêntico no que escreve ou divulga, porque somos mais o que fazemos do que falamos ou escrevemos, mostrando-se na prática. Ele não só cria, mas também copia e melhora o que aprecia.São de verdade e verdadeiros se diferenciando dos falsos e mentirosos. Não servindo para religião e política, por não serem hipócritas e demagogos.
A sabedoria, enquanto restrita ao plano racional, é um adorno vistoso e inútil, guardado numa caixinha dentro de uma gaveta. Aliás, há pouca sabedoria em acumular sabedoria, se não permitirmos que ela inunde os sentimentos e, sem hesitação, comande nossa atitude perante a vida e cada uma de nossas ações.
Nós, eleitores brasileiros, às vezes próximos de cometer exageros, temos que entender a importância da oposição para a democracia. Percebem que se não tivermos "o-posição" também não teremos "posição"? Uma depende da outra e sem ambas podemos descambar para o autoritarismo.
Ela feita dos fios que teceu das próprias dores, das palavras, versos, músicas e das tempestades, cicatrizes e marcas das lutas que enfrentou, dos sorrisos que recebeu e das lágrimas que enxugou, dos caminhos e escolhas que fez. Ela é feita do medo que supera todos os dias e da coragem que nem sabe que tem.
Sou neto de imigrantes e filho de operários. Minha mãe foi tecelã por 30 anos. Meu pai tinha uma horta e um galinheiro. Fui criado com amor e generosidade, num lar digno e sem luxo. Simplicidade faz parte do meu DNA. Simplicidade, amor e respeito. Acredito que a humildade é uma virtude, apesar de haver quem a confunda com inferioridade, nestes tempos em que o esnobismo deixou de ser visto como um defeito e se tornou um estilo de vida.
Fico imaginando um programa tipo "No Limite" em que um grupo de milionários tivesse que viver numa casa simples de um bairro periférico, acordar às 6 da manhã, deixar as crianças na escola, pegar três ônibus para ficar 8 horas num trabalho maçante, preparar as próprias refeições, lavar roupa, limpar a casa, fazer compras e pagar todas as despesas com um salário mínimo. Seria o maior sucesso.
O ateismo é somente a constatação do que se faz óbvio #deusesnaoexistem Os ateus são só Indivíduos que chegaram a esse entendimento.Ao contrário do conhecimento a IGNORÂNCIA, não precisa fazer esforço para se propagar. Ela também é propícia aos que não querem saber, questionar ou investigar para saberem se isso é mentira ou verdade.
