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QUANTO MAIS INTELIGENTE FICA A TECNOLOGIA, MAIS PRECISAMOS APRENDER A PENSAR
Nunca tivemos tanta informação, tanta tecnologia, tantas redes sociais, tantos seguidores, tantas respostas e, paradoxalmente, tantas pessoas procurando respostas para si mesmas.
A inteligência artificial evolui, os algoritmos aprendem, as redes sociais nos conhecem e a ansiedade aumenta. Talvez o maior perigo da tecnologia não seja a máquina aprender a pensar, mas o ser humano desaprender a pensar por si mesmo enquanto procura, no mundo digital, respostas para o vazio que existe no mundo real.
Estamos hiperconectados, mas nem sempre conectados conosco.
Falamos sobre saúde mental, ansiedade, autoestima, felicidade, propósito, relacionamentos e qualidade de vida, mas continuamos terceirizando aquilo que deveria começar dentro de nós: o pensamento.
A tecnologia responde.
O algoritmo recomenda.
A rede social influencia.
A inteligência artificial produz.
E você? Pensa ou apenas reage ao que fizeram você pensar?
Nem tudo o que aparece na sua mente nasceu em você. Existem pensamentos aprendidos, herdados, repetidos, sugeridos e até impostos silenciosamente pelo ambiente, pela cultura e pelo mundo digital.
Por isso, informação não é conhecimento.
Conhecimento não é consciência.
Convencimento não é conhecimento.
E pensamento não é necessariamente verdade.
A mente mente.
Talvez uma das maiores formas de liberdade do nosso tempo seja aprender a questionar aquilo que pensamos antes que nossos pensamentos decidam quem seremos.
Enquanto discutimos o futuro da inteligência artificial, talvez estejamos deixando em segundo plano uma pergunta muito mais urgente:
Qual será o futuro da inteligência humana?
Não temo uma sociedade em que as máquinas tenham cada vez mais respostas.
Preocupa-me uma sociedade em que os seres humanos tenham cada vez menos perguntas.
Porque a verdadeira revolução não acontecerá quando a tecnologia conhecer profundamente o ser humano.
A verdadeira revolução começará quando o ser humano conhecer profundamente a si mesmo.
No mundo dos algoritmos, pensar por si mesmo tornou-se um ato de liberdade.
No excesso de informação, discernir tornou-se uma necessidade.
E numa sociedade em que quase todos querem influenciar aquilo que você pensa, talvez o verdadeiro protagonismo seja não entregar a ninguém a autoria da própria consciência.
Não pense como eu penso. Pense no seu próprio pensamento.
Carlos Eduardo Balcarse
Escritor, pesquisador e autor.
Reflexões sobre consciência, discernimento, comportamento humano, educação, tecnologia e sociedade.
Vivemos em uma época curiosa: temos respostas para quase tudo, mas talvez estejamos perdendo a capacidade de formular as perguntas que realmente importam.
A tecnologia encurtou distâncias, acelerou o acesso ao conhecimento e colocou praticamente o mundo inteiro na palma de nossas mãos. Mas existe uma pergunta que nenhuma tecnologia deveria responder em nosso lugar:
Quem estamos nos tornando?
Quanto mais respostas encontramos fora, menos percebemos as perguntas que deixamos de fazer dentro.
Talvez o problema do nosso tempo não seja a falta de informação, mas a facilidade com que transformamos informação em certeza.
Repetimos porque muitos repetem. Acreditamos porque muitos acreditam. Compartilhamos porque muitos compartilharam. E, pouco a pouco, aquilo que começou como influência pode terminar parecendo pensamento próprio.
O senso comum comumente mente.
Pensar exige mais do que possuir uma opinião. Exige coragem para confrontá-la.
Maturidade intelectual não está em vencer todas as discussões, mas em conseguir reconhecer quando uma verdade maior exige que abandonemos uma certeza menor.
Por isso, algumas vezes, desaprender é uma forma superior de aprender.
Estamos formando uma geração extraordinariamente preparada para encontrar respostas. Talvez o próximo desafio da educação seja formar pessoas capazes de questioná-las.
Porque quem recebe todas as respostas prontas corre o risco de nunca descobrir quais perguntas eram realmente suas.
Não precisamos de uma sociedade que pense igual.
Precisamos de uma sociedade que pense antes de simplesmente repetir.
E talvez uma das maiores expressões de liberdade seja justamente esta:
Ter coragem suficiente para questionar até aquilo que pensamos ser nosso próprio pensamento.
Afinal, a mente mente e o discernimento desmente.
Carlos Eduardo Balcarse
Escritor e pesquisador sobre consciência, discernimento, comportamento humano, educação e sociedade.
Vivemos na era da inteligência artificial, das redes sociais, dos algoritmos e das respostas instantâneas. Nunca tivemos tanta tecnologia à nossa disposição e, paradoxalmente, nunca falamos tanto sobre ansiedade, saúde mental, propósito, relacionamentos e felicidade.
Talvez isso revele algo sobre nós.
Evoluímos extraordinariamente na capacidade de nos conectarmos com o mundo, mas ainda precisamos aprender a nos conectar conosco.
A tecnologia acelerou a comunicação, o trabalho e o acesso ao conhecimento. Mas nenhuma inteligência artificial poderá viver nossa vida por nós.
Podemos perguntar praticamente qualquer coisa a uma máquina. A questão é: estamos sabendo quais perguntas fazer a nós mesmos?
Em uma sociedade marcada pela pressa, comparação, excesso de informação e necessidade de aprovação, muita gente procura fora aquilo que somente poderá compreender olhando para dentro.
Nada externo preenche o vazio interno.
Cuidar da saúde mental não significa apenas combater ansiedade, estresse ou esgotamento. Significa também compreender pensamentos, emoções, escolhas, limites, relações e o sentido que atribuímos à própria existência.
Desenvolvimento pessoal não deveria significar transformar pessoas em máquinas de alta performance.
Produtividade sem propósito pode apenas nos fazer chegar mais rápido a lugares onde nunca desejamos estar.
Talvez por isso o autoconhecimento continue tão necessário justamente na era da inteligência artificial.
Quanto mais inteligentes se tornam nossas ferramentas, maior deveria ser nossa capacidade de pensar, questionar e desenvolver consciência, pensamento crítico e discernimento.
Não precisamos competir com as máquinas para descobrir quem consegue responder mais rápido.
Precisamos evitar que a velocidade das respostas destrua a profundidade das perguntas.
A vida não deveria ser uma corrida para acumular coisas, seguidores, títulos, dinheiro ou aprovação.
Porque tempo é vida. E o tempo não tem preço, tem fim.
No final, talvez sucesso seja algo muito mais profundo do que aquilo que conseguimos mostrar aos outros.
Talvez seja conseguir olhar para a própria história e reconhecer que, apesar de todas as influências do mundo, ainda tivemos coragem de viver uma vida que fazia sentido para nós.
Carlos Eduardo Balcarse
Escritor e pesquisador sobre consciência, discernimento, comportamento humano, educação e sociedade.
Perguntamos à inteligência artificial:
Como controlar a ansiedade?
Como ser feliz?
Como ganhar dinheiro?
Como encontrar meu propósito?
Como superar alguém que ainda amo?
Como melhorar minha saúde mental?
Como ter sucesso profissional?
Como saber se estou no relacionamento certo?
O que devo fazer da minha vida?
Talvez nunca tenhamos feito tantas perguntas a uma máquina sobre aquilo que existe de mais profundamente humano.
E isso deveria nos fazer pensar.
A inteligência artificial pode organizar informações, analisar possibilidades, explicar conceitos, comparar caminhos e até nos ajudar a enxergar aquilo que não estávamos conseguindo perceber.
Mas existe uma pergunta anterior a todas as outras:
Por que estamos procurando essa resposta?
Talvez alguém pergunte como ganhar dinheiro quando, na verdade, esteja procurando reconhecimento.
Pergunte como salvar um relacionamento quando tenha medo de ficar sozinho.
Pergunte como ser mais produtivo quando esteja completamente esgotado.
Pergunte qual é o seu propósito porque conquistou muitas coisas e, mesmo assim, continua sentindo um vazio que nenhuma conquista conseguiu preencher.
A pergunta aparente nem sempre é a pergunta real.
E talvez esteja justamente aí uma das maiores diferenças entre informação e consciência.
A tecnologia pode responder cada vez mais rápido.
Mas velocidade não significa profundidade.
Podemos ter uma inteligência artificial capaz de responder milhões de perguntas e continuar incapazes de responder uma única pergunta sobre nós mesmos:
Quem sou eu quando não preciso provar nada para ninguém?
Vivemos procurando respostas para ansiedade, felicidade, amor, dinheiro, carreira, saúde mental, propósito, autoconhecimento e desenvolvimento pessoal.
Mas algumas respostas não serão encontradas apenas pesquisando mais.
Porque nada externo preenche o vazio interno.
Talvez o futuro não pertença simplesmente a quem souber utilizar melhor a inteligência artificial.
Talvez pertença a quem, mesmo cercado por respostas artificiais extraordinariamente inteligentes, ainda conservar a consciência necessária para formular perguntas verdadeiramente humanas.
Afinal, podemos ensinar uma máquina a responder.
O verdadeiro desafio continuará sendo ensinar o ser humano a pensar.
Carlos Eduardo Balcarse
Escritor e pesquisador sobre consciência, discernimento, comportamento humano, educação e sociedade.
“A inteligência artificial não precisa pensar para pensar por você”
A provocação do neurocientista Miguel Nicolelis de que a inteligência artificial não seria “nem inteligente, nem artificial” atinge um problema maior do que o nome dado à tecnologia.
Talvez estejamos fazendo a pergunta errada.
A questão mais urgente não é saber se a máquina pensa. É descobrir quanto do nosso pensamento estamos autorizando a máquina a substituir.
Inteligência, em sentido psicológico, envolve aprender, raciocinar, compreender, resolver problemas e adaptar-se. Já “artificial” designa aquilo produzido pela intervenção humana, e não algo surgido espontaneamente na natureza.
Os atuais sistemas de inteligência artificial realizam operações extraordinariamente sofisticadas sobre enormes quantidades de dados. Reconhecem regularidades, calculam probabilidades, estabelecem relações e produzem respostas que podem parecer compreensão. Mas aparência de compreensão e compreensão são problemas diferentes.
A máquina pode produzir uma resposta correta sem saber que está correta. Pode produzir uma resposta falsa com a mesma fluência.
E aqui começa o verdadeiro problema.
A inteligência artificial não precisa ter consciência para influenciar uma consciência.
Quanto mais convincente for a resposta, maior será a tentação de confundir fluência com verdade, precisão linguística com precisão científica e probabilidade estatística com conhecimento.
Por isso, talvez o maior risco da inteligência artificial não seja ela aprender a pensar como nós.
É nós desaprendermos a pensar sem ela.
Uma humanidade sem discernimento transforma ferramenta em autoridade. E quando terceirizamos não apenas a informação, mas também o julgamento sobre a informação, deixamos de utilizar a tecnologia e começamos silenciosamente a obedecê-la.
A máquina pode ampliar o conhecimento humano.
Mas não deveria receber automaticamente autoridade sobre ele.
A IA pode responder por você. O perigo começa quando você permite que ela decida o peso que a própria resposta merece.
Informação pode ser artificialmente produzida.
Autoridade não deveria ser artificialmente ou automaticamente concedida.
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador
POR QUE PESSOAS INTELIGENTES TAMBÉM TOMAM DECISÕES RUINS?
Inteligência ajuda a resolver problemas.
Mas existe um problema que a inteligência, sozinha, não resolve: o que fazemos com a própria inteligência.
Uma pessoa cognitivamente sofisticada pode analisar cenários complexos, compreender argumentos difíceis e construir justificativas extremamente elaboradas.
Essa capacidade pode ajudá-la a encontrar a verdade. Também pode ajudá-la a defender aquilo em que deseja acreditar.
Quanto maior a capacidade argumentativa, maior pode ser a capacidade de racionalização.
Não usamos nossa inteligência apenas para revisar crenças. Também podemos usá-la para protegê-las.
Por isso, inteligência e discernimento não são sinônimos.
Uma pessoa pode possuir enorme capacidade de processamento e atribuir pesos inadequados às informações que processa. Pode compreender perfeitamente um argumento e recusá-lo por razões identitárias. Pode reconhecer probabilidades e agir impulsivamente.
A pergunta, portanto, não é apenas quanto conseguimos pensar.
É como regulamos aquilo que participa do pensamento.
Discernimento não compete com inteligência. Opera sobre outra dimensão.
Ele pergunta quais elementos devem participar de uma decisão, quanto devem pesar e quando uma interpretação precisa perder autoridade.
Talvez por isso pessoas extremamente inteligentes também consigam cometer erros extremamente sofisticados.
A inteligência pode construir caminhos. Mas não determina, sozinha, qual caminho merece ser seguido.
Pensar muito não garante pensar bem. E pensar bem não garante discernir o que deve governar a decisão.
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador
COMO USAR INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL SEM TERCEIRIZAR O PRÓPRIO JULGAMENTO?
O problema da inteligência artificial talvez não seja ela pensar por nós.
Talvez seja nós pararmos de perceber quando deixamos de pensar aquilo que ainda precisávamos pensar.
Usar uma ferramenta para ampliar capacidade não é novidade.
A humanidade sempre criou extensões cognitivas.
Escrita, livros, mapas, calculadoras, computadores e mecanismos de busca modificaram aquilo que precisamos memorizar e aquilo que conseguimos realizar.
A inteligência artificial introduz, porém, uma diferença importante.
Ela não apenas recupera informação. Pode produzir respostas com aparência de raciocínio, síntese e segurança.
Isso cria um risco particular.
A qualidade linguística de uma resposta pode ser confundida com qualidade epistemológica.
Uma resposta pode parecer extraordinariamente convincente e continuar errada.
Portanto, utilizar inteligência artificial exige mais do que saber formular comandos. Exige saber avaliar respostas.
E avaliar respostas exige alguma competência que não pode ser integralmente terceirizada à própria ferramenta que está sendo avaliada.
Surge então um paradoxo: quanto mais dependemos de uma ferramenta para saber, mais importante se torna preservar alguma capacidade independente para julgar aquilo que ela nos oferece.
Não precisamos escolher entre usar inteligência artificial e pensar. Precisamos aprender a dividir o trabalho cognitivo.
O que pode ser delegado? O que precisa ser verificado? O que precisa permanecer sob responsabilidade humana?
Terceirizar uma tarefa pode aumentar eficiência.
Terceirizar o critério pelo qual decidimos se a tarefa foi bem realizada é outra coisa.
A inteligência artificial pode ampliar nosso pensamento. Não deveria receber automaticamente autoridade sobre aquilo que decidimos continuar pensando.
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador
QUANDO A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL COMEÇA A PENSAR POR NÓS
A inteligência artificial não precisa dominar o ser humano para diminuir sua autonomia. Basta que o ser humano deixe de dominar aquilo que delega a ela.
A grande questão do nosso tempo talvez não seja se as máquinas conseguirão pensar como nós, mas se continuaremos pensando quando elas puderem pensar por nós.
Pensar com uma máquina não é o mesmo que entregar à máquina aquilo que deveríamos continuar pensando.
A tecnologia pode ampliar a inteligência sem ampliar a consciência. Pode acelerar a resposta sem acelerar a compreensão. Pode entregar conhecimento sem entregar discernimento.
E aqui mora o periGO: aquilo que nos ajuda a PENSAR também pode, silenciosamente, começar a PENSAR por nós.
Quanto mais pronta a resposta, maior deveria ser nossa disposição para perguntar.
Porque uma resposta pode estar pronta sem estar certa.
Pode estar CERta e ainda nos tornar inCERTos sobre aquilo que realmente sabemos.
A inteligência artificial produz respostas. O problema começa quando transformamos produção em comprovação.
PRODUZIR não é PROVAR.
INFORMAR não é FORMAR.
RESPONDER não é compreender a PERGUNTA.
Saber utilizar uma ferramenta não significa saber avaliar aquilo que a ferramenta utiliza para nos convencer.
É por isso que tenho insistido, em minha produção acadêmica sobre discernimento, educação, metacognição e autonomia, numa diferença aparentemente pequena, mas decisiva: receber informação não significa conceder autoridade à informação.
A mente recebe.
A consciência percebe.
O discernimento pesa.
E aquilo que não PESAMOS pode acabar PESANDO sobre nós.
Talvez este seja o paradoxo da inteligência artificial: quanto mais inteligente se torna a ferramenta, mais inteligência precisamos desenvolver para não terceirizarmos a nossa.
Não devemos ter medo de máquinas que aprendem.
Devemos prestar atenção em seres humanos que desaprendem porque as máquinas aprenderam por eles.
DESaprender pode ser necessário para REaprender.
Mas desaprender a pensar para aprender a pedir respostas é outra coisa.
Quando perguntamos tudo, corremos o risco de deixar de perguntar a nós mesmos.
Quando terceirizamos todas as respostas, podemos terceirizar também as perguntas.
E quem terceiriza a pergunta talvez já tenha terceirizado parte do pensamento antes mesmo de receber a resposta.
Por isso, não basta prestar atenção na resposta produzida pela inteligência artificial.
É preciso prestar atenção na ATENÇÃO que estamos prestando à resposta.
Depois, é necessário ir além.
Precisamos observar os critérios com os quais julgamos aquilo que observamos.
Porque pensar sobre o pensamento ainda é pensamento.
Discernir exige decidir quanto poder aquilo que pensamos continuará tendo para pensar por nós.
A pergunta do futuro, portanto, não será apenas:
“O que a inteligência artificial consegue fazer?”
Será também:
“O que deixamos de conseguir fazer depois que ela começou a fazer por nós?”
A inteligência artificial pode ser uma extraordinária ferramenta de emancipAÇÃO.
Mas toda emancipAÇÃO tecnológica exige responsabilidade sobre a própria AÇÃO.
Caso contrário, aquilo que deveria ampliar nossa AUTOnomia poderá apenas automatizar nossa HETEROnomia.
A máquina não precisa nos substituir.
Basta que, pouco a pouco, substituamos a nós mesmos.
O verdadeiro desafio não é impedir que a inteligência artificial aprenda a pensar.
É impedir que o ser humano aprenda a NÃO pensar.
Porque talvez o maior risco da inteligência artificial não seja uma máquina adquirir consciência.
Talvez seja o homem, cercado de inteligência, abrir mão da própria.
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador
POR QUE PESSOAS INTELIGENTES TAMBÉM ACREDITAM EM COISAS ERRADAS?
Inteligência não imuniza ninguém contra o erro.
Às vezes, inclusive, nossa capacidade de argumentar pode ser utilizada para defender com enorme sofisticação aquilo que nunca examinamos com a mesma sofisticação.
Saber argumentar não garante saber revisar.
Conhecimento não elimina vieses.
Formação não elimina interesses.
Memória não elimina distorções.
E inteligência não elimina a necessidade de discernimento.
Talvez uma das formas mais perigosas de ignorância seja aquela capaz de construir excelentes argumentos para não reconhecer a própria ignorância.
Quanto melhor pensamos, maior deveria ser nossa responsabilidade de pensar sobre como estamos pensando.
Porque a inteligência pode construir argumentos.
Mas somente a revisão permite descobrir quando os argumentos começaram a construir a inteligência que os defende.
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador
QUANDO A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL RESPONDE, QUEM CONTINUA PENSANDO?
Nunca tivemos tantas “respostas” disponíveis.
A inteligência artificial pesquisa, resume, compara, argumenta, escreve e recomenda em segundos. Isso amplia extraordinariamente nosso acesso à informação.
Mas existe uma diferença que não deveríamos ignorar:
Ter acesso a uma resposta não significa saber quanto essa resposta merece de confiança.
Uma informação pode estar correta e receber peso excessivo.
Uma resposta pode parecer convincente e estar errada.
Uma emoção pode ser intensa sem possuir razão.
Um pensamento pode estar presente sem ser verdadeiro.
Uma autoridade pode ser competente sem ser infalível.
Por isso, talvez uma das perguntas mais importantes do nosso tempo não seja apenas “como encontrar informação confiável?”, mas:
“Como decidir quanto peso uma informação merece exercer sobre aquilo que penso, acredito e faço?”
É nesse ponto que pensamento crítico, metacognição, tomada de decisão, regulação emocional, autonomia intelectual e inteligência artificial encontram um problema comum: a autoridade que concedemos ao conteúdo.
Não basta perguntar se uma resposta está certa.
Precisamos perguntar por que acreditamos que está certa, quais evidências a sustentam, quanto de confiança essas evidências permitem e qual critério estamos utilizando para julgá-la.
E existe uma pergunta ainda mais incômoda:
Quem audita o critério que utilizamos para auditar uma resposta?
Tenho investigado esse problema em trabalhos como METADISCERN, Pedagogia do Discernimento, Alfabetização do Discernimento Consciente e Método PROTAGONISTA, aproximando discernimento, calibração, autoridade epistêmica, decisão e autoria.
A hipótese que atravessa esses trabalhos pode ser traduzida de maneira simples:
Presença não é autoridade.
Pensar alguma coisa não nos obriga a acreditar nela.
Sentir intensamente não nos obriga a agir intensamente.
Receber uma informação não nos obriga a autorizá-la.
Consultar uma inteligência, humana ou artificial, não significa terceirizar a decisão.
Talvez o desafio contemporâneo já não seja apenas aprender a pensar.
Se máquinas também participam cada vez mais da produção das respostas que utilizamos, precisaremos aprender algo anterior à própria decisão:
quanto poder concederemos a cada resposta para participar dela?
Porque informação não é discernimento.
Confiança não é verdade.
Intensidade não é autoridade.
E autonomia não é ausência de influência.
Autonomia é aprender a decidir quanto peso cada influência merece.
A inteligência artificial pode ampliar nossa capacidade de responder.
O discernimento precisará impedir que, cercados de respostas, percamos a capacidade de decidir quais delas merecem pensar por nós.
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador
05 de outubro de 2026
Entardecer de vários
tons em Rodeio
no Médio Vale do Itajaí
deslumbram o peito
e encantam o olhar.
Ao ver o céu em pleno
movimento e mistério
na porção Austral onde
o verde é real e etéreo,
entrego e reitero o eterno.
Aqui se encontra achego,
ofereço o meu aconchego
porque lhe tenho apreço.
Cortesia é o dom da inteligência
concedido pelo Misericordioso Deus
para conviver bem com os seus,
por isso a preserve, entrega e confia;
A Moralidade é a manifestação
de gratidão para com Deus,
quanto mais a cultivarmos
Ele nos abençoará afastando
os obstáculos dos nossos passos,
O Rukun Negara foi criado
com humanidade para o convívio
nesta terra ser bem-sucedido.
O primeiro raio solar
ilumina a Halia Liar,
O seu sorriso a brilhar
e o coração a encantar.
...
A Bunga Halia Sarang Lebah
enfeita com toda a poesia,
A tristeza está indo embora,
e daqui para frente é só alegria.
...
Simpoh Air a florescer
sob o sol do jeito que
Deus criou para merecer,
Assim sempre florescendo
sem nenhum alarde,
quando para mim
o seu sorriso se abre.
...
Rhododendron Jawa
colorindo o caminho,
Enquanto o teu amor
não vem ao meu destino.
...
Begonia Berjalur sublime
florescendo em reverência
a Deus por tudo o quê existe,
Só sei que não sou diferente
e para sempre serei reverente.
Novembro de Pombeiro em flor,
encantamento com a chuva
molhando a terra com amor,
Não é preciso buscar nenhum
tipo de validação externa,
Quem ama esta terra
não a trata como opção
e nem pensa em substituição,
Falta aprender a olhar
com compromisso e coração.
(É sobre a nossa percepção).
Divina e dulcíssima aspiração
de querer conquistar o seu
fascinador e liberto coração,
Mania doce de insistir
em querer ser o seu amor.
Para nós o que nos cabe
é somente o pós-canônico,
Naufragar na delícia entregue
de ser o seu fadário irônico,
sensual e o mais romântico.
És o meu melhor enredo,
não somos uma aventura
e do amor não temos medo,
Porque este fogo-fátuo
é do interior brotado,
e amoroso indestrutível laço.
Para nós já está estabelecido
o neo-romantismo contemporâneo
do nosso amor latino-americano,
sem censura e sem nenhum engano.
Vou dançar no cortejo
da Tiração de Reis,
Só para te encantar,
sei que nós formamos
um belíssimo par,
Quando eu estiver
com Melchior, Gaspar
e Baltazar vou pedir
incenso, ouro e mirra,
para a gente se casar,
No final as correntes
farão nos encontrar
como o rio encontra o mar.
Anunciada a estação
do amor profundo,
Estou rendida do modo
mais encantador,
Leva-me com o teu
passo de bailão
animado pelo salão.
Sou o amor surgindo
em tempos de floração
da Canela-preta,
a cada dia mais ausente,
suficiente, persistente,
sublime e intensamente.
Além das estações,
e deste outono discreto,
Um para o outro
se tornou o Universo,
Porque o mundo
e o agora nos pertence
sem mais nenhum adiamento,
e perpétuo há de ser
o mútuo encantamento.
Rostos bonitos perto do seu,
não provocam fascinação,
Murais de rostos femininos
não substituem o meu;
Porque tenho aura, coloridos
e segredos finos não compartilhados.
Do seu coração fiz o mural
favorito para que o meu rosto
nunca seja esquecido;
Sei que me ama e está cada dia
mais apaixonado pelo destino
que nos fez de vez encontrados.
Tudo o que trouxe leva
o aroma dos girassóis-silvestres
das nossas Américas;
a tranquilidade das aves
em voo absoluto em liberdade
e o amor franco de verdade.
No dobrar das auroras
matutina e vespertina,
o mistério contido
no teu olhar fascina.
Permaneceste intocado,
porque não foi elucidado,
E assim tornou-se parte
perene dos sentidos.
Minhas veias parecidas
com Maipo, Bío-Bío e Loa
rumo ao Oceano Pacífico,
assim te levo comigo.
De um jeito muito parecido
quando os deuses
dançam e nasce no céu
do Chile a aurora austral,
que o pehuén ancestral
ilumina com poesia celestial:
Algo ainda pede que insista
acima dos conceitos
que dizem que ser fantasia;
Não quero estar enganada,
percebo o seu amor chegando
para tocar-me como sinfonia,
beira o inacreditável a nossa sintonia.
Quem o fez?
A pessoa mais inteligente
e mais controlada que conheci,
e ao mesmo tempo não
tenho ideia de quem seja.
Quando o fez?
No fundo nós dois
sabemos e silenciamos
algo que entre nós
ainda não explicamos.
Como o fez? Conversando,
causas e com humor ensinando,
em algum momento por razões
pessoais tive de me afastar,
não tive tempo de me desculpar,
e outras vezes por excesso
de sensibilidade e deixamos de nos falar.
Onde o fez? Melhor não contar,
deixar o amor por nós dois
crescentemente vir a falar.
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