COMO USAR INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL SEM... Carloseduardobalcarse
COMO USAR INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL SEM TERCEIRIZAR O PRÓPRIO JULGAMENTO?
O problema da inteligência artificial talvez não seja ela pensar por nós.
Talvez seja nós pararmos de perceber quando deixamos de pensar aquilo que ainda precisávamos pensar.
Usar uma ferramenta para ampliar capacidade não é novidade.
A humanidade sempre criou extensões cognitivas.
Escrita, livros, mapas, calculadoras, computadores e mecanismos de busca modificaram aquilo que precisamos memorizar e aquilo que conseguimos realizar.
A inteligência artificial introduz, porém, uma diferença importante.
Ela não apenas recupera informação. Pode produzir respostas com aparência de raciocínio, síntese e segurança.
Isso cria um risco particular.
A qualidade linguística de uma resposta pode ser confundida com qualidade epistemológica.
Uma resposta pode parecer extraordinariamente convincente e continuar errada.
Portanto, utilizar inteligência artificial exige mais do que saber formular comandos. Exige saber avaliar respostas.
E avaliar respostas exige alguma competência que não pode ser integralmente terceirizada à própria ferramenta que está sendo avaliada.
Surge então um paradoxo: quanto mais dependemos de uma ferramenta para saber, mais importante se torna preservar alguma capacidade independente para julgar aquilo que ela nos oferece.
Não precisamos escolher entre usar inteligência artificial e pensar. Precisamos aprender a dividir o trabalho cognitivo.
O que pode ser delegado? O que precisa ser verificado? O que precisa permanecer sob responsabilidade humana?
Terceirizar uma tarefa pode aumentar eficiência.
Terceirizar o critério pelo qual decidimos se a tarefa foi bem realizada é outra coisa.
A inteligência artificial pode ampliar nosso pensamento. Não deveria receber automaticamente autoridade sobre aquilo que decidimos continuar pensando.
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador
