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MIGALHAS DA GRANDE MESA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro
Existe uma silenciosa tragédia moral no coração humano contemporâneo. O homem aprendeu a medir grandezas pela abundância exterior, mas ainda não compreendeu que a verdadeira riqueza pertence ao domínio invisível da consciência. Enquanto o mundo contabiliza patrimônios, o Espírito contabiliza virtudes. Enquanto a matéria exige acúmulo, a alma pede iluminação. É exatamente nesse contraste que o ensinamento evangélico apresentado em O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo 16, item 9, revela uma das mais profundas advertências espirituais já oferecidas à humanidade: o homem somente possui aquilo que pode levar consigo após a morte do corpo.
A inteligência cultivada. A moral edificada. A indulgência praticada. A caridade silenciosa. Eis os únicos tesouros incorruptíveis.
O ensinamento espírita desmonta a ilusão milenar da posse absoluta. Nenhuma propriedade material acompanha o Espírito além do túmulo. O ouro permanece na Terra. Os títulos ficam nos cartórios. Os aplausos dissolvem-se na memória coletiva. Porém, cada gesto de benignidade grava-se indelevelmente no perispírito como patrimônio eterno da consciência.
Quando Paulo aconselha, na Epístola aos Efésios, que sejamos benignos uns para com os outros, ele não oferece mera orientação moralista. Trata-se de uma lei psicológica e espiritual profundamente ligada ao mecanismo evolutivo do ser. A benignidade não é simples delicadeza social. É disciplina da alma. É engenharia íntima. É exercício de transcendência do ego.
Sob a ótica espírita, toda criatura humana encontra-se mergulhada num processo educativo de múltiplas existências. Cada convivência representa uma oficina de aperfeiçoamento emocional. Cada atrito humano converte-se em instrumento pedagógico para dissolução do orgulho. Por isso, Emmanuel recorda que o monopólio do trigo não elimina a necessidade de apenas algumas fatias de pão. O corpo possui limites naturais. A ambição, entretanto, não os possui.
A avidez humana nasce menos da necessidade e mais da insegurança espiritual.
O homem acumula porque teme. Retém porque desconfia. Exagera porque desconhece a própria imortalidade da alma. Quem compreende profundamente a continuidade da vida não transforma bens transitórios em fundamento existencial.
É por isso que a caridade independe da abundância.
Uma das mais belas lições do texto encontra-se justamente na valorização das pequenas ações. O Espiritismo ensina que Deus não observa apenas a exterioridade das obras, mas principalmente a intenção moral que lhes dá origem. Um copo de água oferecido com amor possui magnitude espiritual superior a fortunas distribuídas por vaidade. Um silêncio prudente diante do mal pode evitar tragédias morais irreversíveis. Um sorriso fraterno pode impedir que alguém mergulhe em desespero invisível.
Na maioria das vezes, o homem despreza essas delicadezas porque ainda está fascinado pela grandiosidade aparente das ações espetaculares. Contudo, o Cristo jamais vinculou o Reino dos Céus às demonstrações de poder terreno. Pelo contrário. Jesus engrandeceu os pequenos. Aproximou-se dos esquecidos. Valorizou os simples. Elevou pescadores, enfermos, viúvas e crianças à condição de símbolos espirituais.
A benignidade é uma expressão prática da humildade legítima.
O texto faz importante distinção entre humildade e servilismo. O humilde não é aquele que se anula psicologicamente diante dos outros. É aquele que venceu a necessidade de sentir-se superior. O orgulho deseja destaque. A humildade deseja utilidade. O orgulho exige reconhecimento. A benignidade serve mesmo sem aplausos.
Sob análise psicológica profunda, muitos sofrimentos humanos nascem precisamente da expectativa constante de valorização externa. Quando alguém executa tarefas invisíveis e sente-se ignorado, frequentemente revolta-se porque ainda condiciona seu valor ao olhar alheio. O Evangelho propõe libertação dessa dependência emocional. O bem verdadeiro não necessita de plateia.
A Doutrina Espírita esclarece que ninguém vive isoladamente. A interdependência constitui lei natural da experiência humana. O exemplo do automóvel apresentado no texto é extraordinariamente pedagógico. Um simples veículo depende de dezenas de profissionais invisíveis para existir e funcionar. Da mesma forma, toda sociedade humana sustenta-se numa vasta rede silenciosa de cooperação.
Isso destrói a ilusão da autossuficiência.
Ninguém cresce sozinho. Ninguém sofre sozinho. Ninguém vence sozinho.
Cada trabalhador anônimo participa silenciosamente da sustentação coletiva da vida humana. O orgulho, entretanto, impede frequentemente que o homem reconheça essa realidade. Por isso a benignidade converte-se em necessidade civilizatória. Sem ela, a convivência humana degenera em disputa, ingratidão e violência moral.
Quando Emmanuel convida à reflexão sobre a Tolerância Divina, ele conduz o pensamento a uma das mais sublimes percepções espirituais. Deus continua sustentando a humanidade apesar de suas guerras, crueldades e perversidades. O Cristo continua amparando consciências rebeldes mesmo sendo constantemente negado pelos próprios homens que afirma amar.
Há nisso uma revelação profundamente consoladora.
A misericórdia divina não funciona segundo os critérios estreitos do ressentimento humano.
O homem interrompe relações por pequenas ofensas. Deus sustenta séculos de rebeldia humana sem abandonar Suas criaturas. O homem exige perfeição alheia enquanto permanece indulgente consigo mesmo. O Cristo, ao contrário, continua oferecendo luz aos próprios perseguidores.
Essa compreensão dissolve gradualmente os sentimentos de vingança, mágoa e melindre. O ressentimento funciona como veneno psíquico. O indivíduo magoado aprisiona-se vibratoriamente ao mal que recebeu. Sob perspectiva espírita, cultivar rancor significa prolongar internamente a própria dor.
Daí a necessidade do perdão.
Não como submissão emocional. Não como negação da justiça. Mas como libertação íntima.
O texto alcança extraordinária profundidade ao perguntar o que teria acontecido se Jesus houvesse desistido da humanidade por causa da ingratidão humana. Essa indagação possui imenso alcance filosófico. Revela que o amor verdadeiro não depende da resposta recebida. O Cristo prosseguiu amando mesmo rejeitado. Continuou ensinando mesmo perseguido. Permaneceu servindo mesmo crucificado.
Eis a benignidade elevada ao grau sublime.
A Natureza inteira testemunha essa lei. A chuva não escolhe onde cair. O sol não ilumina apenas os bons. A árvore oferece sombra até ao lenhador que a golpeia. Toda criação divina ensina silenciosamente a generosidade espontânea.
O homem, porém, ainda luta contra si mesmo.
Por isso o Evangelho insiste tanto na transformação moral interior. Não basta conhecer conceitos espirituais. É necessário converter o conhecimento em sentimento vivido. A verdadeira evolução não ocorre apenas no intelecto. Ela acontece quando a alma aprende a amar sem cálculo, servir sem orgulho e tolerar sem humilhação.
A benignidade é uma das mais altas expressões da maturidade espiritual porque nasce da compreensão de que todos somos viajores imperfeitos na mesma estrada evolutiva. Hoje auxiliamos. Amanhã necessitaremos de auxílio. Hoje compreendemos. Amanhã pediremos compreensão.
E nessa sublime reciprocidade da existência, o Cristo continua chamando cada consciência humana para a grande mesa da fraternidade universal, onde até as migalhas do amor sincero possuem valor infinito diante da eternidade.
Fontes.
O Evangelho segundo o Espiritismo.
Pão Nosso.
Fonte Viva.
Vinha de Luz.
Bíblia Sagrada. Efésios 4:32.
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Frederico Figner: em busca de sua própria luz.
Nós brasileiros temos o privilégio de ter grandes repórteres do mundo espiritual. Assim como André Luiz, Frederico Figner trouxe um testemunho único através da mediunidade de Chico Xavier. Em seu livro Voltei, escrito com o pseudônimo de Irmão Jacob e publicado em 1949 pela FEB, ele conta em detalhes como foi o seu desencarne, as dificuldades que encontrou para se desligar do corpo físico e se ajustar à vida nova. Figner cumpriu sua promessa de relatar aos amigos que aqui deixou a sua adaptação no plano espiritual e não teve receio de expor os conflitos que enfrentou, mesmo sendo espírita e tendo se dedicado intensamente à divulgação da doutrina.
O seu depoimento no livro é um alerta para nós. Humildemente, ele escreveu que não pretendia convencer ninguém, mas afirmou: “Não se acreditem quitados com a Lei, por haverem atendido a pequeninos deveres de solidariedade humana, nem se suponham habilitados ao paraíso, por receberem a manifesta proteção de um amigo espiritual! Ajudem a si mesmos no desempenho das obrigações evangélicas! Espiritismo não é somente a graça recebida, é também a necessidade de nos espiritualizarmos para as esferas superiores”.

Um dia chego lá


Busco conexões verdadeiras,
Procuro caminhos que me levem a grandes acontecimentos,
Quero compartilhar o melhor de mim com os outros,
As minhas amadas, só peço que devolvam o meu coração intacto quando não o quiserem mais em suas mãos,
Gosto de dormir olhando o céu, da janela em silêncio,
Num dado momento da minha história construída, me imagino olhando para o espelho d´agua de um rio, e dizendo "muito obrigado".

MIGALHAS DA GRANDE MESA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Há dores que não começam no corpo. Há aflições que não nascem no instante presente. Certas angústias parecem emergir de regiões mais profundas da consciência, como se a alma carregasse em silêncio vestígios antigos de si mesma. Sob a ótica espírita, o ser humano não é apenas matéria organizada biologicamente. Ele é uma inteligência imortal revestida temporariamente pela carne, trazendo consigo um patrimônio invisível de experiências acumuladas através das existências sucessivas.
O Espiritismo compreende que aquilo que chamamos personalidade não se forma apenas pela educação atual ou pelas circunstâncias sociais contemporâneas. Em cada criatura permanecem tendências morais sedimentadas ao longo dos séculos. Inclinações para a benevolência ou para o egoísmo. Facilidade para o perdão ou propensão à violência. Aptidões espirituais e fragilidades emocionais. Essas disposições interiores não surgem ao acaso. Constituem resíduos psíquicos de experiências pretéritas armazenadas no perispírito.
Segundo a doutrina espírita, o perispírito é o envoltório semimaterial do Espírito. Não é apenas uma estrutura energética abstrata. Ele funciona como arquivo vivo da individualidade. Nele encontram-se impressões emocionais acumuladas pelas vivências da alma. Cada trauma moral, cada gesto de amor, cada abuso cometido contra si ou contra o próximo imprime marcas sutis nesse organismo espiritual.
A psicologia espírita compreende que o ser humano cria automatismos psíquicos conforme repete pensamentos, emoções e atitudes ao longo das encarnações. O hábito mental transforma-se em estrutura íntima. O orgulho reiterado converte-se em reflexo automático. O medo constante cristaliza-se como insegurança existencial. A culpa prolongada pode converter-se em autopunição inconsciente. Assim, muitos conflitos emocionais atuais representam a continuidade de estados mentais cultivados durante longos períodos da trajetória espiritual.
Não se trata de fatalismo. O Espiritismo rejeita a ideia de condenação eterna ou destino imutável. O que existe é continuidade psicológica da consciência. O Espírito herda de si mesmo aquilo que construiu intimamente. Cada existência corporal torna-se oportunidade pedagógica para corrigir desequilíbrios anteriores e ampliar aquisições morais.
As memórias profundas da alma nem sempre emergem como lembranças objetivas. Na maioria das vezes manifestam-se como sensações indefiníveis. Antipatias espontâneas. Medos sem causa aparente. Afinidades instantâneas. Tristezas antigas sem explicação racional. Desejos de reparação moral. Sob a ótica espírita, tais conteúdos podem constituir reminiscências emocionais de experiências anteriores conservadas no perispírito.
A antropologia espiritual proposta pela doutrina kardecista observa o homem como ser multimilenar em processo contínuo de aperfeiçoamento. Nenhuma existência isolada seria suficiente para explicar integralmente as desigualdades intelectuais, morais e afetivas da humanidade. As matrizes reencarnatórias funcionam como estruturas organizadoras das futuras experiências corporais. Antes do renascimento, o Espírito participa da elaboração de provas, expiações e circunstâncias educativas compatíveis com suas necessidades evolutivas.
É por intermédio dessas matrizes que o Espírito modela futuras experiências corporais. O corpo não seria mero acidente biológico desprovido de sentido transcendente. Ele converte-se em instrumento pedagógico da consciência. Certas limitações físicas, tendências emocionais ou desafios familiares podem representar mecanismos educativos destinados ao reajuste íntimo do ser.
Muitos sofrimentos físicos são interpretados, na visão espírita, como repercussões perispirituais de abusos pretéritos. Isso não significa punição arbitrária divina. A lei espiritual opera segundo causalidade moral educativa. Quem utiliza mal as forças da vida frequentemente imprime desequilíbrios em sua própria estrutura espiritual. Tais desarmonias podem refletir-se posteriormente no organismo físico através de enfermidades, predisposições ou limitações específicas.
A obsessão pelo poder pode converter-se em experiências futuras de humilhação regeneradora. O abuso das faculdades intelectuais pode conduzir a provas de silêncio e recolhimento. A violência sistemática pode gerar encarnações marcadas pela fragilidade corporal. Entretanto, o sofrimento não possui finalidade vingativa. Seu objetivo maior é despertar consciência, sensibilidade moral e transformação interior.
Sob análise psicológica profunda, o sofrimento humano frequentemente produz dois caminhos distintos. Pode endurecer a criatura através da revolta ou amadurecê-la pela reflexão. O Espiritismo insiste que a dor não santifica automaticamente ninguém. O que transforma é a maneira pela qual o Espírito responde às experiências difíceis. A revolta prolonga os ciclos de perturbação. A compreensão moral favorece libertação íntima.
Existe também importante dimensão sociológica nessa interpretação espiritual da existência. Uma sociedade materialista tende a enxergar o homem apenas como organismo biológico condicionado economicamente. A visão espírita amplia essa compreensão ao reconhecer responsabilidade moral contínua do Espírito perante si mesmo e perante a coletividade. Assim, a construção ética da civilização depende igualmente da reforma íntima dos indivíduos.
Quando o ser humano alimenta ódio, inveja, crueldade ou egoísmo sistemático, ele não destrói apenas relações externas. Corrói a própria arquitetura psíquica. Cada pensamento reiterado modifica o campo vibratório do Espírito. Cada emoção sustentada molda disposições futuras da consciência. A alma converte-se lentamente naquilo que escolhe cultivar.
Por isso a doutrina espírita valoriza tanto vigilância mental, disciplina emocional e educação moral. O Evangelho, dentro dessa perspectiva, não é apenas código religioso devocional. Constitui terapêutica profunda para reorganização das estruturas íntimas do Espírito. O perdão dissolve cadeias psíquicas de ressentimento. A caridade suaviza endurecimentos morais. A humildade rompe cristalizações do orgulho. A oração reorganiza o campo mental.
O homem contemporâneo frequentemente busca curar apenas os sintomas exteriores de sua angústia. Todavia, segundo a visão espírita, muitas dores existenciais exigem tratamento mais profundo. Não basta anestesiar emoções. É necessário compreender suas raízes espirituais. O Espírito necessita reconciliar-se consigo mesmo, reconstruindo lentamente sua harmonia interior através do amor, do dever e da renovação moral.
Cada criatura vive das migalhas da grande mesa divina enquanto aprende a transformar instintos em consciência, impulsos em discernimento e sofrimento em sabedoria. A existência terrestre não representa abandono celeste. É escola austera onde o Espírito, entre lágrimas e esperanças, aprende gradualmente a tornar-se digno da própria luz.
Fontes.
O Livro dos Espíritos.
A Gênese.
O Céu e o Inferno.
Evolução em Dois Mundos.
Missionários da Luz.
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MIGALHAS DA GRANDE MESA.
A INGRATIDÃO DOS FILHOS E OS LAÇOS DE FAMÍLIA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Entre todas as dores que atravessam o espírito humano, poucas são tão lancinantes quanto a ingratidão dos filhos. A pobreza pode ferir o corpo. A enfermidade pode consumir os dias. As perseguições sociais podem dilacerar a dignidade. Contudo, quando o sofrimento nasce dentro do próprio lar, quando a frieza brota daqueles que receberam colo, alimento, renúncia e amor, a alma experimenta uma das mais profundas provas morais da existência terrestre.
O Evangelho Segundo o Espiritismo apresenta essa questão não apenas como drama psicológico ou conflito social, mas como fenômeno espiritual de longa duração, vinculado aos processos reencarnatórios, às leis de afinidade moral e às reparações do pretérito. A Doutrina Espírita desloca o problema da mera ótica biológica e o eleva à dimensão transcendente da consciência imortal.
A família, segundo o Espiritismo, não é simples agrupamento consanguíneo formado pelo acaso biológico. Antes de tudo, constitui reencontro de Espíritos ligados por afinidades, débitos, afetos, antagonismos e necessidades de crescimento mútuo. Muitas vezes, aqueles que hoje se chamam pai, mãe, filho ou irmão já estiveram unidos em existências pretéritas sob outras circunstâncias. O amor pode reunir. O ódio também. A reparação moral frequentemente reorganiza os vínculos que outrora foram destruídos pelo orgulho, pela violência ou pelo abandono.
É precisamente nesse ponto que o texto de Santo Agostinho adquire profundidade filosófica admirável. O Espírito que desencarna não abandona instantaneamente suas paixões. Leva consigo ressentimentos, desejos, tendências e marcas psicológicas profundamente sedimentadas. A morte não santifica ninguém. Apenas remove o invólucro físico. A individualidade prossegue sendo aquilo que moralmente construiu em si mesma.
Por essa razão, muitos Espíritos carregam para além do túmulo animosidades violentas. Alguns despertam para o arrependimento e compreendem que somente a caridade pode libertá-los da própria inferioridade. Entretanto, compreender não significa vencer imediatamente. A consciência vacila entre o desejo de renovação e os impulsos cristalizados do passado. Surge então o drama íntimo da reforma espiritual.
Em diversos casos, segundo a ótica espírita, o Espírito pede para renascer exatamente no seio da família daqueles a quem odiou ou por quem foi odiado. A reencarnação converte-se, assim, em mecanismo educativo da Providência Divina. O antigo adversário retorna como filho. O ofendido reaparece como pai. O perseguidor nasce sob os cuidados daquele que perseguiu. A convivência doméstica torna-se oficina de reconciliação.
Sob essa perspectiva, muitas antipatias aparentemente inexplicáveis da infância deixam de ser vistas como simples caprichos temperamentais. Existem crianças que, desde muito cedo, demonstram rejeição intensa, revolta desproporcional ou frieza afetiva sem causa aparente na atual existência. O Espiritismo interpreta certos casos como reminiscências emocionais profundas, impressões subconscientes oriundas de experiências anteriores ainda não pacificadas.
Tal entendimento não pretende estimular fatalismos psicológicos nem justificar abusos familiares. Pelo contrário. A Doutrina Espírita responsabiliza moralmente os pais pelo esforço educativo e afetivo destinado ao progresso espiritual dos filhos. A educação deixa de ser mero preparo intelectual e transforma-se em tarefa sacramental da alma.
O lar converte-se em laboratório moral.
Cada gesto dos pais modela estruturas psíquicas profundas na criança. A indulgência excessiva fortalece o egoísmo. A ausência afetiva alimenta inseguranças futuras. A violência verbal produz traumas silenciosos. A negligência moral favorece tendências destrutivas já existentes no Espírito reencarnante. Assim, o Espiritismo compreende que educar não é apenas ensinar regras sociais, mas auxiliar o Espírito a dominar suas imperfeições ancestrais.
A metáfora utilizada no texto é extremamente significativa. Os pais devem agir como jardineiros atentos, cortando os rebentos defeituosos antes que se transformem em raízes profundas. O orgulho e o egoísmo, se alimentados desde cedo, convertem-se mais tarde em ingratidão, insensibilidade e endurecimento moral.
Sob o prisma psicológico, percebe-se aqui extraordinária lucidez acerca da formação da personalidade humana. A infância constitui período de plasticidade emocional intensa. Tendências morais podem ser fortalecidas ou enfraquecidas conforme o ambiente afetivo, os exemplos familiares e os estímulos recebidos. O Espiritismo antecipa, em muitos aspectos, reflexões modernas sobre condicionamento emocional, desenvolvimento ético e estruturação psíquica da consciência.
Entretanto, o Evangelho Espírita também consola os pais que, apesar de todos os esforços sinceros, enfrentam filhos ingratos ou moralmente perturbados. Nem toda responsabilidade pertence à família atual. Existem Espíritos profundamente comprometidos consigo mesmos, resistentes ao progresso, que utilizam o livre-arbítrio para permanecerem estacionários. Nesses casos, o sofrimento dos pais converte-se em prova expiatória e testemunho de perseverança moral.
As dores domésticas possuem singular intensidade porque atingem diretamente o centro afetivo da alma. Há indivíduos que suportam heroicamente a fome, a miséria e as humilhações sociais, mas desmoronam diante da indiferença de um filho. Isso ocorre porque os laços familiares penetram regiões profundas da sensibilidade humana. O coração paterno e materno frequentemente ama sem condições, sem contratos e sem medidas.
Quando esse amor não encontra reciprocidade, instala-se uma das mais amargas experiências da existência terrestre.
Todavia, o Espiritismo procura impedir que a dor se transforme em desespero absoluto. A reencarnação relativiza o instante presente. O filho ingrato de hoje pode tornar-se amanhã o Espírito arrependido que retornará buscando reconciliação. Nenhum sofrimento é eterno. Nenhuma consciência permanece para sempre endurecida. A justiça divina opera através de séculos invisíveis ao olhar humano.
Há também dimensão sociológica extremamente relevante nesse ensinamento. Em épocas marcadas pelo individualismo exacerbado, pela dissolução dos vínculos familiares e pela cultura do imediatismo, a ingratidão filial tornou-se fenômeno cada vez mais recorrente. Muitos pais envelhecem abandonados emocionalmente. Tornam-se instrumentos utilitários descartados após cumprirem funções materiais. A sociedade contemporânea frequentemente estimula autonomia sem responsabilidade moral, liberdade sem dever e prazer sem gratidão.
O resultado inevitável é a erosão dos laços afetivos.
O Espiritismo propõe caminho oposto. A família não é prisão cármica destinada apenas ao sofrimento, mas instituição educativa da alma. É dentro dela que o Espírito aprende tolerância, renúncia, perdão, disciplina emocional e fraternidade. As imperfeições que emergem no convívio doméstico revelam precisamente aquilo que ainda necessita ser curado.
Por isso Santo Agostinho conclui exortando os pais a acolherem até mesmo os filhos difíceis como irmãos espirituais em processo de restauração. Muitas vezes, aqueles que mais causam perturbação são justamente os que mais necessitam de amparo moral. A família verdadeira não se define apenas pela harmonia natural, mas pela capacidade de permanecer unida diante das provas.
Existe profunda grandeza espiritual na mãe que continua amando o filho ingrato. Existe heroísmo invisível no pai que persevera orientando aquele que o despreza. Tais criaturas silenciosas carregam cruzes morais que raramente são compreendidas pela sociedade, mas que possuem elevado valor diante das leis divinas.
A ingratidão dos filhos não representa apenas falha afetiva humana. Em muitos casos, constitui reflexo de conflitos antigos ainda não resolvidos entre consciências imortais. E os laços de família, longe de serem acidentes biológicos passageiros, revelam-se instrumentos providenciais para a reconstrução do amor onde outrora existiram ruínas morais.
Porque, diante da eternidade, nenhuma lágrima sincera é inútil. Nenhuma renúncia amorosa permanece esquecida. E nenhum coração que verdadeiramente ama atravessa as sombras da existência sem recolher, mais cedo ou mais tarde, as claridades da redenção espiritual.

Fontes consultadas.
O Evangelho Segundo o Espiritismo
Santo Agostinho
O Livro dos Espíritos
José Herculano Pires
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MIGALHAS DA GRANDE MESA.
APRESENTAÇÃO.
Tal obra não nasceu para acariciar vaidades espirituais, mas para desmascarar as regiões subterrâneas da alma humana. Suas páginas caminham entre a luz moral e as sombras psicológicas do homem moderno, revelando aquilo que muitos escondem sob discursos de bondade, gestos dóceis e aparências de virtude. Porque nem toda serenidade é pureza. Nem toda mansidão é elevação. Nem toda humildade é verdade.
Existe uma forma de orgulho que abandonou os tronos ostensivos para esconder-se dentro da falsa modéstia. Já não ergue a voz como os soberbos antigos. Agora inclina a cabeça, suaviza o olhar e aprende a falar com delicadeza calculada. Contudo, no interior silencioso de sua consciência, continua desejando veneração. Continua alimentando a fome invisível de reconhecimento. Continua necessitando ser admirado por parecer humilde.
“Migalhas Da Grande Mesa” adentra precisamente essa anatomia moral do espírito humano. Não para condenar homens, mas para revelar os mecanismos sutis do ego que ainda sobrevivem mesmo dentro daqueles que acreditam servir ao bem. A obra investiga o instante em que a virtude transforma-se em performance psicológica. O momento em que o altruísmo deixa de ser entrega legítima e converte-se em instrumento silencioso de autoexaltação.
Dentro dessa reflexão emerge uma das frases mais profundas que um coração verdadeiramente paternal pode pronunciar:
“Eu quero fazer mais por você.”
Quando autêntica, essa frase nasce sem comércio emocional. Não exige retorno. Não cobra veneração. Não produz dívida afetiva. Apenas ama. Apenas oferece. Apenas protege. O verdadeiro pai não deseja parecer grandioso diante daquele que ama. Deseja apenas aliviar-lhe as dores, fortalecer-lhe os passos e impedir-lhe a queda. Seu amor não é espetáculo. É responsabilidade moral silenciosa.
A humildade artificial, porém, aproxima-se do oposto. Ela utiliza até mesmo a caridade como mecanismo de construção identitária. Sofre quando não é reconhecida. Entristece-se quando não recebe contemplação. Faz do próprio sacrifício uma moeda invisível de superioridade moral. E justamente por possuir aparência virtuosa, torna-se ainda mais perigosa que o orgulho explícito.
As reflexões presentes em “Migalhas Da Grande Mesa” conduzem o leitor à percepção de que a verdadeira grandeza espiritual raramente produz ruído. As consciências mais elevadas da História quase sempre caminharam longe dos palcos humanos. Não porque desconhecessem o próprio valor, mas porque compreenderam que a essência do bem dispensa ornamentações emocionais.
A humildade legítima não teatraliza a própria pequenez. Apenas reconhece, com lucidez e reverência, a imensidão da existência diante da fragilidade humana. E talvez seja exatamente nesse silêncio interior que começa a nascer a forma mais rara de grandeza moral.
Marcelo Caetano Monteiro .

AS MIGALHAS DIANTE DO ABISMO.
Do livro: MIGALHAS DA GRANDE MESA. Capítulo V
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Existe uma forma de morte que não depende do cemitério. Ela não necessita de lápides, velórios ou cortejos silenciosos. Sua manifestação ocorre nas regiões invisíveis da alma quando o homem perde a capacidade de permanecer sozinho diante da própria consciência. O corpo continua respirando. Os olhos continuam abertos. Os lábios ainda formulam discursos cotidianos. Contudo, interiormente, alguma coisa começou a decompor-se em absoluto silêncio.
O homem moderno tornou-se especialista em fugir de si mesmo. Preenche os dias com ruídos, excessos, distrações e superficialidades porque teme escutar aquilo que habita nos subterrâneos da própria existência. Há indivíduos que não suportam cinco minutos de silêncio sem sentirem a aproximação angustiante de um vazio interior. E justamente nesse vazio repousa uma das maiores tragédias espirituais da humanidade contemporânea.
Morre lentamente quem desaprendeu a contemplar.
Quem olha o céu sem reverência. Quem atravessa as manhãs sem perceber que cada aurora constitui uma convocação divina à renovação moral. Quem observa as árvores sem compreender que até mesmo a natureza carrega lições silenciosas de resistência, humildade e permanência.
As grandes enfermidades da alma começam quando o homem perde a capacidade de assombro.
A criatura espiritualmente adoecida já não se maravilha com a existência. Tudo se transforma em mecanismo. Tudo se reduz ao hábito. Tudo se converte em repetição cansada. O pão deixa de ser providência para tornar-se rotina. O abraço deixa de ser encontro para tornar-se formalidade. A oração deixa de ser transcendência para transformar-se em automatismo verbal.
E assim surgem multidões de vivos biologicamente ativos, porém espiritualmente sepultados.
Há homens que possuem casas amplas e consciências estreitas. Possuem vastos conhecimentos intelectuais, mas jamais desceram às profundezas do próprio espírito. Sabem discutir o universo inteiro, contudo desconhecem a si mesmos. Tornaram-se estrangeiros da própria interioridade.
Morre lentamente quem abandona o exame silencioso da própria consciência.
Porque toda criatura que evita confrontar a si mesma inevitavelmente constrói máscaras para sobreviver socialmente. O orgulho aprende a vestir-se de humildade aparente. A vaidade aprende a simular bondade. A solidão aprende a fantasiar felicidade. E o homem passa a representar versões artificiais de si mesmo até esquecer completamente quem verdadeiramente é.
As migalhas da grande mesa começam precisamente aqui.
Na percepção de que a alma humana tornou-se faminta de eternidade enquanto tenta alimentar-se apenas de matéria, aplausos, distrações e fugacidades emocionais. Existe dentro do homem uma fome metafísica que nenhuma conquista terrena consegue saciar integralmente. Nenhum prestígio. Nenhuma posse. Nenhuma exaltação pública.
Porque o espírito foi criado para o infinito.
E toda vez que ele tenta reduzir-se exclusivamente às experiências materiais, instala-se uma angústia silenciosa que corrói lentamente as estruturas interiores da existência.
Morre lentamente quem transforma a própria vida em sucessão automática de repetições sem significado moral. Quem acorda apenas para sobreviver. Quem trabalha apenas para consumir. Quem respira apenas para continuar biologicamente funcional.
Viver jamais significou apenas permanecer biologicamente ativo.
Viver é carregar dentro de si uma consciência desperta.
É possuir a coragem de enfrentar os próprios abismos interiores sem fugir para distrações constantes. É reconhecer as próprias misérias morais sem mergulhar em autodesprezo. É compreender que toda dor possui potencial educativo quando atravessada com dignidade espiritual.
Há sofrimentos que esmagam.
Mas também existem sofrimentos que revelam.
O homem espiritualmente lúcido compreende que certas dores não vieram para destruí-lo, mas para arrancar dele as ilusões que o impediam de amadurecer. Muitas lágrimas possuem finalidade purificadora. Muitas perdas libertam. Muitos silêncios reorganizam regiões inteiras da alma.
Morre lentamente quem já não consegue amar sem possuir.
Quem transforma afeto em domínio emocional. Quem exige garantias absolutas da vida. Quem deseja controlar até mesmo aquilo que pertence aos desígnios invisíveis da Providência.
O amor verdadeiro jamais floresce nas atmosferas do egoísmo.
Somente almas espiritualmente amadurecidas conseguem amar preservando liberdade, dignidade e transcendência.
Morre lentamente quem abandona a gratidão.
A ingratidão obscurece a percepção espiritual da existência. O homem ingrato habitua-se a olhar apenas aquilo que lhe falta, tornando-se incapaz de perceber as inúmeras misericórdias silenciosas que sustentam diariamente sua caminhada.
Respirar já é uma dádiva.
Pensar é uma dádiva.
Recomeçar é uma dádiva.
Até mesmo certas dores são dádivas ocultas quando impedem a criatura de permanecer moralmente adormecida.
As migalhas da grande mesa são justamente esses pequenos fragmentos de eternidade espalhados pelos dias comuns. Um olhar sincero. Uma lágrima honesta. Uma oração silenciosa durante a madrugada. O perfume da chuva atravessando a janela. A consciência pesada após um erro. O desejo íntimo de tornar-se alguém melhor.
Deus raramente grita.
Frequentemente Ele se manifesta nas pequenas migalhas que os homens distraídos desprezam.
Morre lentamente quem perdeu a capacidade de percebê-las.
A maior tragédia humana não consiste em sofrer. Consiste em sofrer sem aprender. Caminhar sem despertar. Existir sem consciência. Respirar sem transcendência.
Porque o verdadeiro túmulo da alma não é a terra.
É a indiferença espiritual.

DO LIVRO: MIGALHAS DA GRANDE MESA.
CAPÍTULO VI.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
A CÓLERA COMO FEBRE DO ORGULHO MORAL.
Existe uma enfermidade silenciosa que atravessa séculos e civilizações sem jamais perder a força destrutiva. Ela não nasce do corpo. Não procede do sangue. Não emerge dos nervos. Sua raiz repousa no espírito imperfeito que ainda deseja impor-se acima dos outros. A cólera, segundo a interpretação doutrinária de O Evangelho Segundo o Espiritismo, é uma exteriorização do orgulho ferido.
Sob os aspectos de “Migalhas Da Grande Mesa”, a cólera não deve ser analisada apenas como explosão emocional. Ela representa uma falência momentânea da consciência moral. O homem colérico perde a serenidade porque ainda não aprendeu a suportar a contradição. Sua alma exige submissão do mundo exterior. Quando essa submissão não acontece, ele se revolta contra pessoas, objetos, circunstâncias e até contra Deus.
O texto doutrinário espanhol é profundamente lúcido ao afirmar que o orgulho conduz o homem a acreditar-se superior aos demais. Eis o núcleo do problema. O espírito orgulhoso cria para si uma imagem engrandecida. Julga-se intelectualmente elevado. Moralmente distinto. Socialmente relevante. Em consequência, qualquer confronto transforma-se em ameaça ao próprio ego.
A cólera nasce quando a realidade destrói a fantasia da superioridade.
Dentro da visão espírita, isso possui implicações vastíssimas. A Doutrina Espírita ensina que o espírito atravessa múltiplas existências trazendo consigo tendências morais construídas ao longo de séculos. O homem irascível não está apenas reagindo ao presente. Ele exterioriza conteúdos espirituais antigos ainda não evangelizados pela consciência.
Quando o Espírito protetor afirma que os acessos de fúria aproximam o homem do bruto, não se trata de metáfora poética. Existe um rebaixamento vibratório real. Durante a explosão colérica, o espírito entrega o governo da razão aos instintos inferiores. A lucidez desaparece. A prudência dissolve-se. O discernimento torna-se escravo da paixão.
“Migalhas Da Grande Mesa” encontra nesse ponto uma das maiores reflexões sobre a dignidade humana. O homem que não domina a própria alma jamais poderá governar verdadeiramente qualquer outra coisa. Pode possuir dinheiro. Cultura. Prestígio. Influência. Ainda assim será espiritualmente miserável se permanecer escravo da própria violência íntima.
A cólera revela fraqueza e não força.
O mundo material costuma glorificar explosões temperamentais como demonstrações de personalidade forte. Entretanto, o Espiritismo inverte completamente essa lógica. Forte não é aquele que impõe medo. Forte é quem domina a si mesmo. A verdadeira grandeza moral não consiste em vencer adversários externos, mas em silenciar os tumultos interiores.
Por isso o texto afirma que a ira faz do homem objeto de piedade. O colérico acredita intimidar os outros, mas frequentemente produz tristeza, constrangimento e compaixão. Quem observa alguém dominado pela fúria contempla um espírito temporariamente vencido pelas próprias imperfeições.
Existe ainda uma dimensão profundamente dolorosa. A cólera raramente destrói apenas quem a sente. Ela atinge os que cercam o indivíduo. Filhos crescem traumatizados. Esposas adoecem emocionalmente. Amigos afastam-se. Ambientes tornam-se pesados. O lar converte-se em região de tensão invisível.
Sob a ótica espírita, essas agressões emocionais possuem consequências fluídicas reais. O pensamento colérico contamina o ambiente psíquico. Ondas mentais inferiores são exteriorizadas continuamente. A atmosfera doméstica torna-se espiritualmente enferma. Espíritos perturbados aproximam-se dessas vibrações, intensificando ainda mais os conflitos.
“Migalhas Da Grande Mesa” conduz a uma reflexão severa. Muitos homens acreditam que pecam apenas através dos atos visíveis. Contudo, o espírito também destrói através das atmosferas emocionais que produz. Existem pais que jamais levantaram as mãos contra os filhos, mas feriram profundamente suas almas mediante gritos, humilhações e intimidações constantes.
A cólera é uma pedagogia da dor.
Outro ponto extraordinário do texto doutrinário está na destruição da falsa desculpa biológica. Quantos afirmam possuir “gênio forte”. Quantos culpam o temperamento. Quantos responsabilizam os nervos, a hereditariedade ou o organismo.
A resposta espiritual é contundente.
O corpo não cria os vícios. Apenas oferece instrumentos de manifestação. O espírito permanece sendo a causa fundamental. Um organismo pode facilitar determinadas tendências, mas não cria moralidade nem perversidade. Caso contrário, não existiriam responsabilidade nem mérito.
Essa visão possui profundidade filosófica imensa. O Espiritismo rejeita tanto o fatalismo materialista quanto a ideia de condenação inevitável. O homem pode transformar-se porque o espírito é educável. Eis uma das maiores esperanças da Doutrina Espírita.
Ninguém está condenado à cólera eterna.
A vontade firme, perseverante e moralmente orientada possui poder regenerador. O Evangelho, a oração sincera, a vigilância emocional, o autoconhecimento e a disciplina interior modificam gradualmente as tendências inferiores.
O texto de Hanbemann é categórico ao afirmar que o homem é colérico porque quer permanecer colérico. Essa frase não deve ser interpretada com superficialidade cruel. Ela significa que, no fundo, muitos ainda alimentam secretamente o orgulho que sustenta a ira. Desejam vencer discussões. Desejam impor-se. Desejam possuir razão absoluta.
Enquanto o ego for adorado, a cólera continuará encontrando alimento.
“Migalhas Da Grande Mesa” encontra aqui uma das suas maiores verdades morais. A alma só encontra paz quando abandona a necessidade de superioridade. O homem verdadeiramente evangelizado não sente necessidade de esmagar opiniões alheias para sentir-se grande. Sua serenidade nasce da consciência limpa e não da aprovação externa.
Existe uma caridade silenciosa em permanecer calmo diante da provocação.
Existe uma humildade sublime em aceitar correções sem revolta.
Existe uma grandeza invisível naquele que consegue silenciar quando poderia ferir.
O Cristo não ensinou apenas bondade exterior. Ensinou domínio íntimo. A reforma espiritual começa nas regiões invisíveis do pensamento. Antes de controlar palavras, o espírito precisa aprender a governar emoções.
A cólera é incompatível com a verdadeira caridade porque destrói exatamente aquilo que o amor procura construir.
No fim, todo homem colérico trava guerra contra si mesmo. Seu sofrimento nasce do orgulho que ainda resiste à humildade regeneradora. Por isso o Evangelho Espírita não trata a ira apenas como defeito emocional, mas como obstáculo espiritual ao progresso da alma.
E talvez uma das maiores maturidades da existência consista precisamente nisto. Aprender a permanecer sereno quando o orgulho deseja incendiar tudo.
Obras consultadas:
O Evangelho Segundo o Espiritismo
O Livro dos Espíritos
A Gênese
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"Não grito para o universo existo, só crio a minha grandeza como uma onda."


Cada instante avançamos como disposição da caverna nem todos olham para fogo maravilhados com as sombras pois somos humanos criticos nem tudo copilido no foco da existência pois a fome de evolução mesmo na preguiça dos seres animados.


Por ser o que somos viajamos por nossos universos pessoais ignoramos existência a grandeza do universo que vivemos. Ainda mais não damos conta que podemos contemplar nosso crescimento diante das estrelas.

A atuação da gaiola na grandeza absoluta.
Nos esquemas de ambição,
Sendo que esquema destrói a população,
Sendo digno testamento dos bons dias,
Lembranças de passado esquecido.
Ainda mais desastrosa ainda é volta da repressão e ditatadura...
Sendo um março do fenômeno mundial a repressão torna se evidência dos fantasmas.

A teoria do grande filtro, do anterior depois do grande filtros lados de negativos e possitivo em mundos de complexidade...
Neste processo seletivo temos floresta negra em cada um cuida das suas vidas sem dar atenção aos vídeos rápido da galáticos.
Muitas vezes podem ser alienados em suas alienações.
O mundo que sonhamos é um pássaro preso numa gaiola.
Transcender as ideias em ponto crítico retira a nuvem de incertezas que paira por nossas cabeças.

Mesa vazia...
Somos objeto início meio e fim,
Objeto se declarou no final foi feliz...
Dias das mães uma mesa arrumada a família reunida. Presentes e agradecimentos e tenha um dia feliz.
Nove meses de muito sacrifícios e uma vida de sacrifícios e trabalho ardo...
E tudo certo feliz dias das mães o comércio agradece...
Alguns fazem churrasco, outros vem futilidade na televisão ou mesmo todos nós celulares.
No final do dia beijos ate outra vez.
No final do dia a mesa vazia existiu.
Paradoxo de existência contemporânea tem sentido.
Paradoxo temporal é a verdade mesa sempre esteve ali ao mesmo tempo nunca existiu.

À porta do templo de madeira e pedra,
O Guarda se posta com firme herança,
Mas a grande lição que o rito encerra
É a eterna vigília da consciência.

Trancamos as portas de nossas moradas,
Cuidamos dos bens com todo o rigor,
Mas deixamos as mentes escancaradas
Ao vento do caos e ao falso clamor.

A espada em riste não busca o corte,
Não fere a carne, não gera a dor;
Ela é o discernimento forte,
A lâmina clara do examinador.

Separa o vício da reta virtude,
A pura verdade da vã ilusão,
Pedindo que a alma filtre e estude
O que se aceita no coração.

Em tempos de vozes que tudo derramam,
O silêncio opera como proteção;
Nem todas as fotos ou brigas que chamam
Merecem o gasto da nossa atenção.

O maior segredo que a vida emana
Não pede avental, nem templo suntuoso:
É ser o vigia da mente humana,
O Guarda do próprio coração bondoso.

Não importa o peso que você tenha em seus ombros, a escolha de ser feliz hoje é de dentro pra fora.
Se você tem vivido um processo de dor e sofrimento por circunstâncias externas que estão fora do seu controle, sendo indefinido o resultado e o tempo de sua solução, saiba que a escolha de sorrir agora é sua.
Em primeiro lugar entenda que tudo é do jeito que tem que ser, procure aprender com o que está vivendo.
Em segundo lugar, pare de antecipar o que ainda não aconteceu porque geralmente não acontece mesmo e, quando acontece, é bem menos doloroso do que você ficou meses imaginando.
Faça a escolha certa agora, pratique e deseje o bem para o próximo, sorria e agradeça o milagre que é a sua Vida.
Viva um dia de cada vez e seja feliz só por hoje

TÓXICA, AMIZADE

Que bela parceria Amizade do nada, se
Mataste e enterraste a pessoa que dantes existira. Colocaste como um escravo da sorte em busca do pão. Obrigaste a viver longe da luz, sob domínio do medo, na temida escuridão.
Agora... já foste,
Não regozijarás com doçura... Dulcis na vida;
Deleites então, das " Dores."
Transformaste o homem, num exímio servo do ódio.

190726

Sorrateiro

Os olhos se viam felizes
Refletidos pelo espelho
Mas o tempo, sorrateiro
Envelheceu seu rosto
Ao longo de um dia inteiro

Como gotas de chuva
As noites que desabam
Sobre nossas casas,
Nossas coisas, nossas vidas

As horas correm felizes,
suaves por uma fenda
O sinal de saída, o apito do trem na curva
Hora de dormir e descansar
O brotar das uvas em novembro
Felizes idas e vindas

Pode ser que a vida seja
Não um fim em si mesma
Mas um laço indefinido, que liga
Entre futuro e passado

Uma pergunta retórica
Mesmo assim, ser respondida
Depois deixada de lado
Pra no fim, passar despercebida

Por ser o assunto indissolúvel
Questão que, de mal resolvida
A gente vai se apegando
Às alegrias passageiras
Que o tempo vai trazendo, sorrateiramente

Nada nessa mão, nada na outra também
Sorria! Você viveu mais um dia!

Edson Ricardo Paiva

O que me faria feliz
Era apenas e tão somente
Ver este mundo e toda gente
Ter tudo que sempre quis
Mas que soubesse desejar
Gente que soubesse onde quer ir
E aonde quer chegar
Se os anjos dissessem amém
A gente seria feliz...e além
Estantes cheias de livros
Surrados de tanto ser lidos
Meninas em brancos vestidos
Cotovelos fora da mesa
Rapazes sem chapéus,
na hora de comer
Camas limpas pra todos dormir
Ruas com árvores
Árvores com frutas
Frutas com sabor
Um pouco mais de amor no mundo
Um mundo de gente elegante
Educada e honesta
Um padre que razasse a missa
E nos desse parabéns
Por saber viver e dividir
Que a gente pudesse sorrir
E nossos vizinhos também
Um mundo onde ninguém mais
Precisasse mentir
Pra mais tarde descobrir
Que a felicidade de verdade
É uma vida isenta de ira
Que todo mundo compreendesse
Que tudo que não passa por isso
É felicidade de mentira

Por muito tempo eu estive assim
Esperando por quem não me quis
pensei que iria ser feliz
Sem perceber, que algo não era verdade
e já havia passado do fim
E eu aguardava o dia todo pra estar
com quem não quer saber de mim
Quer saber?
Até que não foi tão ruim
A saudade
que haverá de doer depois
Se tiver que escolher um dos dois
Vai fazer como eu fiz
e querer ficar com ela
Que fugiu de viver um amor
E pela vida sem sabor de nada
Me trocou
e achou, então
Que era bom rir assim
Enquanto eu sofria
Mas eu não vou estar perto nesse dia
Quando seu peito deserto
Vai chorar de madrugada
Vai me buscar e descobrir
que eu já hei de estar feliz
vai procurar, então, os poemas que eu fiz
e que ela rasgou, de malvada que era
Sem pensar nas lágrimas que a esperam
desesperada
Vai então, nessa hora descobrir
Que ao meu lado não tem mais lugar
E que já não será para mim
Mais nada.

Tem momentos em que simplesmente
A vida parece estar mais feliz
e o dia amanhece quente e doce
Um pássaro me trouxe
Uma rara melodia na janela
Aqueles sentimentos tristes
Milagrosa e temporariamente
desistem de mim
e vão entristecer noutro lugar
Que bom seria, se eles não voltassem
Meu Deus, que bom seria, alegria
Se você ficasse e morasse aqui
Eu jamais desisti de conhecer
Esta sua feliz companhia
E hoje me parece, enfim
que você também
Não desistiu de mim.

Felicidade
É um lugar que existe
Escondido
Fica muito além
de simplesmente longe
É lá que se encontra cada laço
Cada passo e cada compromisso
Em toda direção oposta
De cada Estrada que seguimos
Catando estrelas com rede
Quais fossem
Imaginárias borboletas.
Mas quando se deseja
Arrancar asas aos sonhos
Troféus, carrosséis de ilusão
Coisas que voam
...e que brilham
Apagadas, elas caem
No clarear do dia
Não há Paraísos
Paz, nem melodia
Borboletas, beija-Flores, estrelas
Há palavras escritas
Que resultam num lugar vazio
e pensamentos
que te afastam
muito, muito mais do que pode pensar
Mas você os pensa muito intensamente
Triste!
O Paraíso continua lá
No voar da abelha
No cair da folha
Na dor da saudade
No desembaraço
Simplicidade
Desenhada em versos
Sem tinta
Sem Papel ou comprometimento
Nenhum compromisso cumprido
Firmado com Deus
Entre a gente
Só há a morte
A fluir dos cortes
de sorte
Que a felicidade
Se encontra a menos de um passo
Num lugar distante
Lá dentro da gente
Escondido
Atrás do mal
Tão bem guardado
Nesse coração endurecido
O lugar mais mais fácil
Que Deus encontrou pra guardar
Por isso
Tão difícil de achar.

Edson Ricardo Paiva.