Textos Escritos por Paulo Mendes Campos
Entre os erros descobri acertos,
entre o desânimo encontrei forças,
entre destruição vi paredes aproveitáveis,
entre ruas perdidas, encontrei saídas,
entre a miséria eu vi esperança,
e no meio do caos, uma direção.
Quando o céu escureceu e a noite caiu,
a solidão me fez companhia,
e no meio do silêncio da noite perdida,
eu conversei com o vazio, e chorei,
e entre as lágrimas eu vi um riso,
e entre rir ou chorar,
preferi a gargalhada seca de quem espera,
e agora faço o meu caminho sem medo.
Entre o meu sonho e a realização: um fio,
uma tênue linha que nos separa,
um esforço a mais que eu tenho que realizar,
e entre o ficar e o ir, eu vou,
entre o amar ou o ficar, eu amo,
entre o mar e rio, eu navego,
entre o doce e o amargo, eu me lambuzo.
E se tenho tanta confiança,
é porque no fundo no fundo,
vive em mim uma criança,
que neste momento sorri, e diz sim para vida,
porque sabe perdoar e recomeçar, sempre...
Sou um toco no chão seco, esperando a chuva para brotar.
Sou um resto do que restou de mim, mas ainda tenho forças.
Quando todos viraram as costas, eu me voltei para mim.
Quanto tudo o que ficou foi a solidão, eu fiquei solidário.
Quando todos deixaram de acreditar, eu acreditei.
E aqui estou, renascendo!
Brotando das minhas entranhas um novo "eu".
Mais leve, mais calmo, mais confiante.
Já não vejo as mesquinharias do mundo.
Sei separar amigos de conhecidos.
O joio do trigo,
a água da terra.
Tudo o que eu desejo é ser feliz.
Acha pouco?
Pra mim é o que basta, e sigo em busca da hora mais bendita,
o minuto mais abençoado, para formar o dia renovado,
em que deixo de ser uma aposta de futuro,
para ser a alegria do presente, vivendo sem dor,
distribuindo minha certeza e o meu amor.
Mulheres vocês tem que ver
Que homem que é homem não é tudo igual!
Homem de verdade sabe se diferenciar
Mas só que os homens que vocês tanto falam na verdade não passaram de moleques que tentar ser homem, mas na verdade não obtém êxito.
Na verdade homem é safado sim,
Hipocrisia minha dizer que não
Mas também é:
Carinhoso
Amoroso
Companheiro
Cuidadoso
Firme
Equilibrado
Engraçado
Íntegro
Alem de Muitos defeitos
Ainda mas quando se apaixona por uma DAMA de verdade!!!
ENTÃO SAIBAM QUE HOMEM NÃO É TUDO IGUAL""""
É uma flor de mato. De mato mesmo, daqueles que são arrancados com uma enxada, ou são sufocados com um veneno. Mas, mesmo sendo de mato, tem sua beleza e, por ser flor, seu aroma.
Aos humanos é desinteressante; mas, cortejada por borboletas e abelhas. A primeira, exemplo de beleza e um permanente natal. O morrer para nascer. A segunda, exemplo de sociedade. União pela sobrevivência.
Enfim, graduações da vida ministradas por borboletas, abelhas e flores de matos.
NUNCA MAIS
Eu a amei, me recuso a repetir, Nevermore!
Escrevo E-cartas com súplicas e clamor
Lavrei-as nessa solidão, fúrias com primor
Revejo fotos, tudo me diz rememore.
És a ave que, do busto grita, não demore?
Nunca mais. Nunca mais vou viver com temor
Que me negues seu beijo que causa tremor
Um adolescente que toca o seio e se enamore.
Converso com a ave, ela espera que eu melhore
E faça uma nova poesia que ademais, só piore.
Teço linhas recheadas do mais puro fervor.
Dediquei palavras, fi-lo com mais puro amor
Dos negros cumes, profundos céus, meu temor
Nevermore, meu luto eterno, apavore.
BAGUNÇA
Houve fina garoa sobre a poça
Que até então já aquietada
Sossegara brincando após
O primeiro chuvisco na praça
E assim enchendo-se novamente de chuva
Dessa vez na calmaria da rua
Transbordou vagarosa pelo declive
Ensopando as falhas entre as pedras
Cantante e desperta como toda água
Mansa, esguia, boa, límpida e fria
E lá embaixo depois de alguma andança
Espalhando-se feito enxurrada
Na lama do paralelo ao pé da calçada
De novo em descanso deu de cara com a lua
Espelhando-se em si de felicidade
Toda melada em risadas descontraída
Entra o vento apressado afeito criança
Nessa profusão de imagens fazendo bagunça
Rodopia e sacode lambendo a paisagem
Tremulando áspero entre ondas
As surpresas amigas que entredizem
- A que ponto chegamos, querida!
Como o Mar, na vida às vezes há momentos de fúria, agitações, ressacas, outrora calmaria e paz... A real é que não podemos dominá-la e nem mesmo prever o que está por vir. Às vezes você pega um tubo, vai para a crista da onda e inesperadamente toma um caixote...
Enfim, nunca sabemos realmente quando a maré irá subir e te dar um caldo. Mas sabe de uma coisa?! Estou preparado pro que der e vier, pode ser que haja um maremoto vindo por aí, mas independente do que vier surfarei contra todas as ondas enquanto tiver ar nos pulmões e o mar não me engolir
Primeiro
Dia de aula,
Dente arrancado,
Exame médico,
Beijo!
Dá frio na barriga,
borboletas no estômago,
arrepio na orelha
(nessa e em outras ordens).
A vontade é pular,
passar pro próximo,
correr, correr...
Mas a pressa é má conselheira,
inimiga da formação,
pois, de todos os passos,
o que mais importa
é o primeiro.
Deus pra mim é o ar que respiro
Deus é tudo que posso ver, sentir e tocar
Talvez ele não seja uma pessoa, nem um ser espiritual
Pode ser que ele seja ela ou nenhum dos dois
Nunca me importei, pois nada disso é verdade absoluta
A vida é como tentar segurar areia.
Por mais que você tente, uma hora tudo vai pro chão.
Ter cuidado não é um alerta;
é uma delicadeza, um zelo.
Como afago, afeto, atenção,
esmero, estima, desvelo,
mimo, carinho, dedicação...
Todas as coisas que existem,
mesmo as tidas como eternas,
mais dia, menos dia, passarão...
Contudo, as que forem ternas,
muito mais tempo ficarão!
Vazio Poético
As palavras se esvaziam da mente
Como um copo de água em dias quentes
A sonoridade poética silencia a alma e desinquieta o coração
São dias difíceis ao poeta que se lamenta e se renova em seus escritos
Em que a criatividade se distancia e suas emoções se perdem na dor
A dor de estar no vazio poético.
Liberdade
Quem és tu liberdade?
Que tanto ouço falar e nunca sequer a toquei
É de pura matéria ou pura ilusão?
Ilusão que disfarça minhas correntes
Ou matéria que se desfaz nas minhas mãos?
Essa independência íntima sem violação
Esse pulsar de serenidade que acalma o coração
Liberdade, liberdade, liberdade
Quem és tu que não destranca minha prisão?
Essa detenção que se espalha na minha capacidade
Oh liberdade, porque se escondestes de mim?
Liberte a minha mente de todas essas angústias
Faça de mim um ser livre de negatividades e opressões
Inocenta minha alma com sua doce sensação.
Manifesto de um pássaro
Um dia, um dia qualquer, eu quero me tornar um passarinho, voar de janela em janela, tomando cuidado com os gatinhos, e de lá em cima das árvores, cantar no meu ninho, apenas um assobio, um simples elogio, e dizer para as pessoas, que a vida ainda é bela, mesmo sendo tão dolorido, que o mais puro coração, não sofre por um amor reprimido.
Um dia, quando me tornar passarinho, quero poder ao vento minhas assas bater, olhar para o sol nascendo e dizer, que la vem de novo a calorosa estrela guia, aquecer minhas assas me levando para os montes rochosos, de onde eu vejo toda a vila, cheia de vida, de pessoas de bem, querendo apenas amar uns aos outros.
Meu sonho, neste pequeno universo, e poder fazer por todos, apenas aquilo que espero, que seja bom, com amor, sendo carinhoso.
Prospere na vida, ria bem alto, seja uma pessoa autêntica, conte coisas boas ao próximo, conserve o colorido nas
bochechas e o brilho nos seus olhos, adorne a sua própria pessoa, conserve a sua reputação, sua saúde, sua beleza,
seus amigos, seu nome e seu vigor moral, físico e espiritual.
Lembre-se que: palavras formam uma imagem.
Realizações constroem uma biografia.
O preço para que tenhamos o caráter de Cristo formado em nós, está , em suportar
os que ainda não O conhecem, suas críticas,
seus escárnios, o manear de suas cabeça, o desprezo, as injúrias e tudo que ofende a nossa fé, sem deixar de lado o amor ágape;
ainda que pensem ser ele falso e irreal.
O vento estava fraco, mas parecia que um terremoto estava acontecendo.
Os pássaros cantavam, mas parecia que tudo estava em silêncio.
As pessoas andavam, mas parecia que o mundo estava parado.
Uma manhã que estava anoitecendo.
Parecia um pesadelo, mas eu estava acordado, era só um conflito comigo mesmo.
Quem dera eu puder me lembrar
De tudo o que eu deveria ter
Dito a você e não falei
Por motivos tolos.
Deveria ter dito
Que não te esqueceria
E que não sairia assim da sua vida.
Pertencemos às pessoas
Que nem ainda conhecemos,
Pertenço a você e nunca mais
À outra pessoa,
E mesmo que sua ordem
Fosse para que eu esquecesse você,
Repito dentro de mim
Que isso é impossível.
As releituras da noite
Contam coisas que nunca aconteceram,
Um sonho espantoso
Que ocorre a duas pessoas,
Elas estão num passeio
Cheio de ruídos,
De sons doces que ressoam
Nos ouvidos e vozes que jamais ferem.
Minha musa, deusa grega,
Amo você!
Meu amor impossível e eterno,
Como é eterno o impossível...
Por Paulo Siuves
Desse jeito que vivemos.
O ano começa todo dia. Em qualquer dia aleatório encerra-se um período e outro está prestes a ter um fantástico início, mas fantástico para quem? Para quem vive ao redor, dentro desse campo de sentir emoções. O aniversário da avó, o fim do namoro/casamento, a vitória sobre os cigarros, a chegada de um bichinho de estimação à família... E o ano começa. Vamos escrevendo nas paredes do nosso túnel do tempo e deixando pessoas fotografadas nas molduras. Engraçado que uma moldura é iluminada, pintada com pó de ouro misturado à tintas perolizadas, entre outras coisas que deixam a foto em destaque permanente. Outras fotos são emolduradas com madeiras carcomidas por cupins, jogadas ao chão, coberta com a poeira do tempo, nem da pra reconhecer o rosto da pessoa que passou pelo túnel da vida. E aquelas fotos pichadas propositalmente? Deixa pra... Melhor nem falar! E assim, os dias passam e o ano se esvai pela ampulheta dando inicio a outras histórias, eras fantásticas e finais felizes (ou não). Como vai ser o dia hoje? Nem sei...
POETERNIZAR
A poesia insiste diante de nós.
De tão apressados, não a vemos;
de tão racionais, não a sentimos;
de tão pesados, não a carregamos.
Mas o poeta consegue percebê-la.
Ele é o porta-voz dos sentimentos.
É quem caminha na direção inexata,
marcando encontro com a inspiração,
sem lugar determinado ou definido.
Versar-se ofegante do verbo sentir.
Oxigênio, hidrogênio, nitrogênio;
o poeta também inspira tudo isso,
mas expira o “oxi”, o “hidro” e o “nitro”...
e suspira o “gênio” ao escrever poesia.
Que seria do papel, não fosse o poeta?
Ninguém torna-se poeta; revela-se.
Não se apresenta e nem se aposenta.
Assim, nasce poeta, vive poeta,
até chegar o derradeiro dia,
em que rende-se de vez à poesia!
neste lugar solitário
o homem toda a manhã
tem o porte estatuário
de um pensador de Rodin
neste lugar solitário
extravasa sem sursis
como um confessionário
o mais íntimo de si
neste lugar solitário
arúspice desentranha
o aflito vocabulário
de suas próprias entranhas
neste lugar solitário
faz a conta doída:
em lançamentos diários
a soma de sua vida
