Textos e poemas
Nosso Jardim
Eu quero que tu me plante no seu jardim
Te escreverei poemas com as próprias folhas que nasce em mim
Semente eu fui depois floresci
Te alimentei com meus frutos
E sempre será assim
Um ciclo sem fim
Eu me sinto feliz nesse ambiente
Meu jardim contente
O inverno já passou
E eu estou esperando que o sol se apresente
Cuide das sementes
Quero mais da gente
Eu te disse que escrevia meus poemas
E nele eu falei a maneira linda que você podou meu problemas
Chegando outono
Espalhei folhas
Com cada poema
Elas caíram livres e serenas
E foram na direção de uma árvore seca
E falaram pra não desistir porque a esperança ainda reina
No outro dia choveu e um broto nessa árvore começou a crescer
Anunciando uma nova fase que está Prestes a nascer
Leio poemas como alimento.
Não leio com os olhos,
Nem leio com a liguagem.
Leio com a fome
De quem busca significados.
E isso é sempre arriscado.
Em meio a palavras herméticas,
Entendo como quem conhece.
E tudo flui organicamente.
Se as vejo em um conjunto
De produção e sensibilidade,
Cuidadosamente arquitetadas.
Não sei vocabulário rebuscado.
Mas sei sentir cada palavra:
Um peixe vivo em minhas mãos.
Raramente encontro o retrato fiel
Do que vivo febrilmente.
E por um minuto me sinto compreendida.
Eu que tantas vezes me dei por vencida.
Não sei nomear o que a vida faz de mim,
No momento presente, incoerente.
Cansada que estou
De movimentos lineares.
Reprimo sentimentos viscerais,
Se sou muito nesse mundo,
Que observa e constrói regras.
Sentada longamente não esboço ação,
Mas meu peito corre mundos
E cria realidades imprevessentes.
Como conter impulsos
De um ser que transborda
Dimensões caosmáticas?
Se penso em Deus,
É porque Deus está em mim.
Sem religião, sem plateia.
Apenas uma força
Que sereniza minhas visões.
E me faz tratar o outro
Com a tenulidade que espero.
Estou isolada de todos.
Sei que amo e sou amada
Por amigos caros em
Minhas afetivas lembranças.
Mas preciso estar só,
Para que minha mente
Não se vá por caminhos
Que desconheço e temo.
Solidão ontológica
É o que me resta,
Se não encontro pares
Que eu ouço e me ouvem.
Mas nada lamento.
Se tive o corpo torturado,
Aumentou minha noção de justiça.
Talvez eu seja dócil na aparência,
Velho hábito polido na educação.
O que dizer sobre
O que se passa em minha mente?
Nasci como sou e sou como nasci.
Mas sei conversar calmamente
Como se minha mente não estivesse em
Ebulição, com pensamentos contínuos.
Escrevo essas palavras,
Que ouso chamar de poema.
Se falo tanto de mim,
Não é ferida narcísica.
Tenho consciência da minha
Peculariedade, se não sou
Uma pessoa pragmática.
A maturidade se aproxima,
E faço um restrospecto.
Erros e acertos se entrelaçam.
Sinto vontade de pedir perdão,
Mas palavras não curam sentimentos.
E já não sei mais onde errei ou acertei.
Sinto paz e me aceito com minha
Mente idiossincrática.
E sei sentir afeto duradouro,
Mesmo no descartável do
Nosso tempo veloz.
Sei que estou prolixa
E o poema se demora.
Sem garantias.
Espero que você me leia,
E se sinta capaz de entender,
Sem banalizar minha confissão.
Mas se eu não te interesso mais,
É justo que essas palavras caiam
No esquecimento sem nada dizer.
Minhas palavras são normoses,
E posso disser que sem palavra
Eu fiz um poema.
Sem nenhuma força,
Sem nenhum apoio.
Eu sou resistência plantada
No chão árido.
E estou feliz,
Porque a felicidade mora em mim.
E sorrio sozinha,
Por que minha ternura,
Não conhece opressão humana.
Sigo em frente, olhos abertos,
Navegando no amor
Que vislumbro no horizonte.
Das palavras que se foram...
Já joguei cartas e poemas que o passado passou a limpo. Já rasguei tantas frases tolas escritas no calor da emoção. Já amassei bilhetinhos rasos e declarações exaltadas, rabisquei sobre o que já estava escrito, e disse tudo igual de um jeito diferente. As palavras dançam no papel, e por vezes dançam mal, mesmo assim seu ritmo é único, não há igual...Nas horas mais improváveis elas parecem bailarinas ao luar flutuando entre vaga-lumes, de repente caem e se misturam às folhas secas...O ritmo das letras não pausam, apenas diminuem...Enquanto puderem meus dedos bailar, danço. E com cada letra e sinal como se ao som de uma nota e ponto uma vírgula viesse a brilhar, vou escrevendo meus silêncios falantes, e meus risos secretos.Já perdi poema, poesia e texto sem fim, a cada letra perdida se foi junto um pouco de mim... meus pensamentos mais caros de graça os vi partir...Doei aos olhos que leem, e aos corações que podem sentir..
As palavras vão e com elas nossa energia, quem as leva distribui, esconde ou aprecia, mas no fim ...não há fim!
Quando abro as janelas
da vida e numa bela visão,
avisto teus poemas nós varais do tempo, agitados pelo vento da tua doce inspiração.
Ah, quanta alegria
em viajar na tua poesia,
salvei várias delas pra decorar,
o teto do meu quarto,
e num espanto,
observei os versos teus descendo
e me abraçando
com doçura,
aquele jeito puro
de quem ama eternamente!...
***
"Durante muito tempo eu busquei um amor,
Eu escrevi meus melhores poemas
E joguei ao vento, mas eles sumiram no horizonte levados.
Eu sonhei estando pronto pro amor, eu quis me apaixonar.
Mas o tempo só me lançou pedras
Que empilhei pelo caminho, pavimentando meus sentimentos.
E o tempo passa como se tivesse pressa.
Eu me sentei, maduro, vivido, castigado pelo tempo,
E minha esperança era o que me restou
Em um coração desiludido do amor
Que nunca recebeu meus poemas que o vento levou.
Então olho fito para o horizonte
E sabem que eu nunca nasci pra amar,
Tal qual poeta solitário.
Me despeço do tempo que repousa lá longe no horizonte
Por onde meus poemas sumiram pra nunca mais voltar..."
Versos de um poeta
Por Marcio Melo
Pablo e seus poemas
Pablo, poesias tão vazias, tão sem graça
que tom é esse? escreve com os dedos dos pés?
Pablo, o que é isso? poema precisa fazer sentido
o que você escreve é apenas sorteio de palavras
Pablo, seus poemas não são chiques, não tem rima
mas como terá rima se não tem conteúdo
você nem fala de Deus, você acredita em Deus?
Tu não escreve bem, essa não é sua praia
vai tomar banho de praia, Pablo
as águas salgadas combinam mais com suas letras… desconfortáveis
As pessoas escrevem poemas sobre fuga
como se realmente vivessem o que escrevem.
Falam do amor que não praticam,
postam a vida que sonham ter,
enquanto escondem o caos que carregam.
São disfarces.
Máscaras bonitas para uma sociedade distraída.
Têm sorrisos perfeitos,
corpos esculpidos,
olhares treinados para convencer.
Mas por dentro…
por dentro existe um estrago silencioso.
E eu me pergunto:
como um ser humano consegue andar,
conversar, dançar, sorrir…
estando morto?
Porque às vezes a alma já partiu há muito tempo,
e só ficou o corpo vagando pelas ruas,
repetindo frases que fazem sentido para os outros,
mas nunca para si mesmo.
Um corpo sem espírito,
vivendo no automático,
tentando parecer vivo.
Teus olhos castanhos, profundos e serenos,
guardam segredos que não cabem em poemas pequenos.
São como a terra após a chuva cair,
um abrigo tranquilo onde eu gosto de existir.
Neles encontro o brilho de um amor verdadeiro,
calmo como a brisa, forte como um rochedo inteiro.
Quando me olham, o tempo parece parar,
e o mundo inteiro aprende a se aquietar.
Há um fogo suave em seu tom acastanhado,
que aquece meu peito e me deixa encantado.
Não precisam de palavras para me convencer,
pois dizem em silêncio tudo o que preciso saber.
Se o amor tivesse uma cor para escolher,
seria o castanho dos teus olhos ao me ver.
Profundos, apaixonados, cheios de luz e calor,
espelhos perfeitos da beleza do teu amor.
De tanto romântico ser
Anti-romântico se tornou
Pelas cartas que escreveu, dos poemas que recitou
Tudo o que produziu, a desilusão levou.
E então descobriu, o verdadeiro significado
Do romantismo, pregado e idealizado
O poeta disse: deve ser evitado.
Em estórias escritas de romances massivos
Ensinava ao público a tudo momento
Afim de evitar escravizar os iludidos
A lei do anti-romântico desse moderno tempo.
Não sei o que dizer!
Já não escrevo poemas, já não sou mais poeta.
A ausência de palavras me aparecem do tanto que cresce nossa distância.
Confesso que não deveria ter conhecido o inimaginável, deveria ter deixado subentendido apenas em pensamentos.
Você se foi levando consigo todas as rosas, e palavras, e versos.
Levando o sol dos meus verões.
Voce foi chuva passageira, e eu fiz de você inverno, me agasalhem no teu frio e conheci a solidão.
Agora habitas tu nas estações das minhas recordações.
RECOMEÇO
Eu cansei de escrever poemas e rimas falando de dor, de sofrimento e de tudo aquilo que me machuca, que fere.
Eu cansei, eu cansei, eu cansei de falar daquilo que dói.
Fui aprendendo que é preciso escrever e falar sobre a alegria da vida, sobre o silêncio que habita a minha casa neste momento e que também habita a minha mente, e sobre a possibilidade de pensar em tudo e, ao mesmo tempo, em nada.
Eu cansei de escrever sobre o que ficou para trás, para trás na minha estrada.
É melhor olhar o horizonte, escrever sobre o dia e sobre a hora exata que está em minhas mãos. Olhar para a frente, sabe? E dizer que eu nasci para falar das coisas que fazem vibrar de alegria o coração e das coisas que me fazem ser quem sou: poeta.
Nildinha Freitas
[Poemacicatriz]
cicatrizes
são poemas,
que a vida
nos dedica,
entalhando
em nossa carne
versos inesquecíveis,
para recordarmos que
o sofrimento ensina
e a dor,
é poesia.
(Michel F.M. - Altas do Cosmos para Noites Nebulosas - Trilogia Mestre dos Pretextos)
Série
Poemas de marcio melo
____Na vida andamos por caminhos empoeiramos os pés em meio aos tropeços tristezas e sorrisos pelo caminho a vida é uma caminhada longa com acertos e desacertos a quentura do sol queima os pés e o Fusca os olhos assim tudo que buscamos é o que encontramos e deixamos pela estrada já longe não se pode voltar pois o tempo segue sempre adiante e quem caminha pela vida sabe o que ficou lá atrás não se pode recuperar mais é assim a vida é estrangeira e o tempo seu guia a vida nunca acaba somente aquele que caminha
A caminhada
Eu não sei escrever poemas, sei escrever sentimentos,
Vontades não ditas, pensamentos reprimidos,
Desejos escondidos sob uma camada grossa de medo.
Medo das pessoas, medo dos julgamentos, apenas medo.
Poderia dizer que andei por mares e viajei por céus.
Mas não fiz isso, essa é minha verdade nua e crua,
Estou numa sala, em um pequeno apartamento
Escrevendo enquanto minha xicara de café esfria
Escrevendo o quanto eu sinto,
e não consigo falar.
Autor e teólogo Jalison Santos
ESCREVEU AS 12 POEMAS PARA SUA ESPOSA.
1.De noite eu busquei em minha cama
A quem a minha alma ama;
Busquei‑a, e não a achei.
2.Mas uma noite comecei sem a minha amada,
Esperei muito, mas a noite passou sem ela.
3.Comecei mais uma noite e esperei,
Quando a minha amada chegou, eu a busquei
E ainda não a achei — A quem a minha alma ama.
4.Onde está a minha amada,
A quem a minha alma ama?
5.Pensei até que a minha amada já estivesse comigo,
Procurei no meu leito e não a encontrei.
6.Depois esperei que ela viesse até mim,
Mas não apareceu; a noite ia passando,
E no meu coração eu esperava o milagre dela chegar,
Mas ela ainda não apareceu.
7.Onde você está, minha flor?
Onde está a flor do jardim do meu coração,
A minha doçura?
8.Eu sinto que em breve eu encontrarei a minha amada;
então abraço os pés e o meu coração se abre para ela,
e eu digo: “Você é a quem a minha alma ama”.
9.O que é tão doce quanto estar ao seu lado?
10.E assim, finalmente, encontro a minha amada,
fico com ela e não a deixo mais partir.
11.Eu sinto: quando a minha amada chega,
o meu coração bate mais forte,
pois sei que ela está ao meu lado.
12.Às vezes parece que você passa
lá no fundo do meu olhar…
Poemas
Saí num dia qualquer.
Luzes acesas, risos no ar,
todo mundo parecia ter
um motivo para celebrar.
Andei entre vozes e abraços,
mas ninguém percebeu meu olhar.
Era como se, em meio à multidão,
eu tivesse deixado de existir ali.
A solidão segurou minha mão
quando vi que não tinha com quem ficar —
sem amigos, sem convite,
só o desejo de voltar.
E voltei…
Não porque a noite acabou,
mas porque às vezes dói demais
assistir o mundo girar
quando a gente sente
que não tem onde se encaixar.
Poemas pensamentos
Será que vale a pena pensar
por que sempre acabo sozinho,
abraçado à minha própria solidão,
como se ela fosse destino
e não apenas estação?
Vejo todo mundo sorrindo,
postando viagens, luz e verão,
carro novo, jantar bonito,
risadas em qualquer ocasião —
e eu aqui, na minha confusão.
Mas quem disse que vitrine
é retrato do coração?
Quem garante que por trás
das fotos cheias de brilho
não mora também a escuridão?
Penso demais no futuro,
tenho medo das decisões,
como se cada passo errado
fosse quebrar meus sonhos
em mil direções.
Será que preciso ser mais leve?
Ou ouvir menos a pressão?
A resposta talvez seja simples,
mesmo que doa aceitar:
não é sobre ter tudo agora,
é sobre continuar.
A Borboleta Azul
Ela tem tantos poemas…
Que eu nunca imaginei.
Muitos já a viram…
Não fui só eu.
Li vários significados,
não sei se todos são verdade.
Alguns, eu gostaria que fossem…
Outros, talvez.
O que eu sei é que
foi uma sensação maravilhosa —
algo mágico.
E não sei se mereço
o direito de presenciar
um milagre assim.
E isso me assusta.
Penso: “Quem sou eu
para viver todo esse encanto?”
Um pequeno grão de areia…
E, incrivelmente, é real.
E nesse momento de reflexão,
compaixão e humildade…
ela pousa em mim.
Meu coração se renova
e se enche de uma alegria inexplicável.
Me sinto completa.
Me sinto num mundo de fantasia,
de faz de conta.
Ela levanta voo,
dança feliz…
E em nenhum momento
pensei em detê-la.
Porque a maravilha
é a vida,
e está em ser livre.
Penso que talvez
seja um sonho
do qual eu nunca quero acordar.
Não vi só beleza…
vi magia.
Abaixo a cabeça novamente
e, humildemente, agradeço.
Obrigada, Borboleta Azul.
Obrigada, meu Deus.
E depois de uma longa espera e muito cuidado, minha Rosa do Deserto floriu.
Flores são poemas coloridos.
É poético saber que uma rosa “decidiu” morar no deserto, local que carrega uma simbologia de tempos difíceis, escassez e luta.
No deserto ela cresce livre.
Presa em pequenos vasos ela se adapta e o poema vira haikai.
Sabe ? Eu já escrevi vários poemas
É sério, foram vários mesmo, mas nenhum deles me fez tão bem, tão feliz, nenhum deles me fez sentir boba, com saudades, nenhum deles me fez sentir o que eu sinto por você.
Eu vejo seu time favorito ( sendo meu time favorito, por pura coincidência) e vejo seu rosto, sabia que em todos os meus poemas e poesias eu cito o SEU NOME ? A música que escuto, o cantor que gostei da voz, a voz que eu admirei, a criança do ônibus que pego para ir ao trabalho todo os dias, o motoristas do Uber que pedi uma corrida, a Coca-Cola que bebi ontem, o filme que eu assisti, a rua que passei, o planeta que foi descoberto, a constelação que estava escondida, a dança que ninguém sabe a coreografia, sabe o que tudo isso e incontáveis coisas tem em comum? Todas elas tem o SEU NOME.
Eu não queria ter me apaixonado, porque todas as vezes que isso acontece comigo, eu sempre saio perdendo, sempre me sentindo que não sou e NUNCA vou ser suficiente pra ninguém, sabia que você tem um triplex alugado na minha mente ? Você é a parte da história que queria contar, a parte que eu sempre pedi pra não ir embora, pra que fosse genuíno, ( calma, não estou te culpando, você só nunca foi e nunca será meu) NÃO SE PODE GANHAR TODAS, ÀS VEZES PRECISAMOS PERDER. Você é coreografia que ninguém consegue acertar, você é gastronomia que chefes michelã nunca irá conseguir replicar, eu poderia citar vários detalhes seus que tenho certeza que ninguém reparou, posso dizer cada nota do seu tom de voz quando fala, por isso sempre sei quando mente, por isso eu me apaixonei pelo o que inventei de você e com isso não consigo te esquecer, você virou outro poema, texto, carta, seila como vai chamar isso. Só sei que você nunca vai saber do que verdadeiramente tenho guardado pra você, minha palavras são simples demais pra mostrar tudo que sinto por você, em minhas cartas eu falo que você é minha chuva e eu sendo o vento que lhe leva por lugares quando quero apenas chorar, meu sol e eu sua lua quando você quer apenas se esconder na escuridão por que ficou exposto demais pro mundo e quando anoitece é o momento em que você sabe que será a escuridão iluminada pois sempre estarei lá como um eclipse lunar, meu fogo e eu sua água por que quando tudo está acontecendo de forma avassaladora sabe que existe águas que estavam lá pra acalma as chamas do seu coração, e talvez seja exatamente isso que eu queria ser pra você, não a pessoa que vai te salvar, porque eu sei que você não precisa ser salvo, não a pessoa que vai consertar tudo, porque algumas coisas precisam doer até deixarem de doer, eu só queria ser aquele lugar onde você não precisasse fingir que está tudo bem.
Queria ser a pessoa pra quem você pudesse mandar uma mensagem às três da manhã sem precisar explicar por que está acordado, queria saber quando o seu “tô bem” significa “não quero falar sobre isso”, queria saber quando o seu silêncio é só silêncio e quando ele está cheio de coisas que você não conseguiu colocar em palavras, talvez seja engraçado eu querer saber tanto sobre alguém que talvez nunca tenha tido a menor intenção de ser conhecido por mim dessa forma, porque eu fui conhecendo seus detalhes, não nos grandes momentos, nos pequenos na forma como você fala quando está animado, na forma como muda o tom quando alguma coisa te incomoda, nas coisas que você gosta sem perceber que gosta, nas coisas que você faz automaticamente, nas expressões que aparecem no seu rosto antes mesmo de você dizer alguma coisa.
Eu reparei! Em tudo.
Esse é o meu maior problema, eu reparo demais, eu lembro demais, eu sinto demais. Você provavelmente esqueceu metade das coisas que eu lembro, enquanto eu consigo transformar uma frase sua de meses atrás em um texto inteiro, e o mais ridículo é que eu nem conheça você de verdade. Talvez eu conheça apenas aquilo que você me deixou enxergar, talvez eu tenha preenchido todos os espaços que você deixou vazios com coisas que eu queria que fossem verdade uma realidade alternada, talvez eu tenha pegado pequenas partes suas e montado uma pessoa inteira dentro da minha cabeça, meu devaneio. E foi nessa pessoa que eu me apaixonei perdidamente, me apaixonei ao ouvir sua voz e sentir meu corpo vibrar intensamente, me apaixonei pelo seu olhar seco e frio.
Não sei se isso torna tudo menos verdadeiro ou ainda mais triste, porque o sentimento é real, mesmo que algumas das coisas que fizeram ele existir talvez não sejam, e como olhar para uma constelação, as estrelas estão realmente lá, mas a forma que eu enxergo quando junto todas elas foi criada por mim, você é exatamente assim, um monte de pequenos detalhes reais que, quando eu juntei, formaram alguém que passou a morar em mim, eu sei que isso parece loucura. Mas quem foi que disse que se apaixonar é uma coisa racional?
Eu comecei te encontrando em pessoas que nem tinham nada a ver com você, depois comecei a encontrar você em músicas, em lugares, em frases, em filmes, em coisas completamente aleatórias, e agora eu encontro você até em coisas que ainda nem aconteceram, isso está me assusta.
Porque eu não sei quando você vai deixar de ser presente e virar apenas lembrança, não sei quando seu nome vai parar de aparecer automaticamente quando eu escrevo sobre qualquer coisa bonita, não sei quando vou conseguir olhar para alguma coisa e não pensar “ele gostaria disso”, porque, apesar de tudo, existe uma parte de mim que gosta dessa versão boba que você conseguiu criar.
A menina que sente saudade sem ter direito a sentir, que escreve cartas que nunca serão entregues, que cria poemas para alguém que talvez nunca saiba que foi a inspiração, que olha para o céu e consegue transformar uma lua em alguém, que vê uma chuva e pensa em colo, que vê fogo e pensa em cuidado, que vê água e pensa em você. Um dia quem sabe eu pare, e finalmente eu consiga entender que algumas pessoas são passagem, não destino por mais que queiramos por todas as realidades e eternidade, mas se isso acontecer, eu espero não apagar tudo, porque eu não quero fingir que não senti.
Eu senti! Muito, com toda as minhas forças, mais do que deveria, mais do que era seguro, mais do que eu gostaria de admitir.
E se no fim das contas eu realmente perder, como eu mesma disse que às vezes precisamos perder, pelo menos vou saber que por algum tempo existiu alguém capaz de transformar uma pessoa que já tinha escrito tantos poemas em alguém que finalmente não sabia mais como terminar nenhum deles, porque todos terminavam no mesmo lugar.
Em você, sempre em você!
