Sabe? Eu já escrevi vários poemas É... Carolaine
Sabe ? Eu já escrevi vários poemas
É sério, foram vários mesmo, mas nenhum deles me fez tão bem, tão feliz, nenhum deles me fez sentir boba, com saudades, nenhum deles me fez sentir o que eu sinto por você.
Eu vejo seu time favorito ( sendo meu time favorito, por pura coincidência) e vejo seu rosto, sabia que em todos os meus poemas e poesias eu cito o SEU NOME ? A música que escuto, o cantor que gostei da voz, a voz que eu admirei, a criança do ônibus que pego para ir ao trabalho todo os dias, o motoristas do Uber que pedi uma corrida, a Coca-Cola que bebi ontem, o filme que eu assisti, a rua que passei, o planeta que foi descoberto, a constelação que estava escondida, a dança que ninguém sabe a coreografia, sabe o que tudo isso e incontáveis coisas tem em comum? Todas elas tem o SEU NOME.
Eu não queria ter me apaixonado, porque todas as vezes que isso acontece comigo, eu sempre saio perdendo, sempre me sentindo que não sou e NUNCA vou ser suficiente pra ninguém, sabia que você tem um triplex alugado na minha mente ? Você é a parte da história que queria contar, a parte que eu sempre pedi pra não ir embora, pra que fosse genuíno, ( calma, não estou te culpando, você só nunca foi e nunca será meu) NÃO SE PODE GANHAR TODAS, ÀS VEZES PRECISAMOS PERDER. Você é coreografia que ninguém consegue acertar, você é gastronomia que chefes michelã nunca irá conseguir replicar, eu poderia citar vários detalhes seus que tenho certeza que ninguém reparou, posso dizer cada nota do seu tom de voz quando fala, por isso sempre sei quando mente, por isso eu me apaixonei pelo o que inventei de você e com isso não consigo te esquecer, você virou outro poema, texto, carta, seila como vai chamar isso. Só sei que você nunca vai saber do que verdadeiramente tenho guardado pra você, minha palavras são simples demais pra mostrar tudo que sinto por você, em minhas cartas eu falo que você é minha chuva e eu sendo o vento que lhe leva por lugares quando quero apenas chorar, meu sol e eu sua lua quando você quer apenas se esconder na escuridão por que ficou exposto demais pro mundo e quando anoitece é o momento em que você sabe que será a escuridão iluminada pois sempre estarei lá como um eclipse lunar, meu fogo e eu sua água por que quando tudo está acontecendo de forma avassaladora sabe que existe águas que estavam lá pra acalma as chamas do seu coração, e talvez seja exatamente isso que eu queria ser pra você, não a pessoa que vai te salvar, porque eu sei que você não precisa ser salvo, não a pessoa que vai consertar tudo, porque algumas coisas precisam doer até deixarem de doer, eu só queria ser aquele lugar onde você não precisasse fingir que está tudo bem.
Queria ser a pessoa pra quem você pudesse mandar uma mensagem às três da manhã sem precisar explicar por que está acordado, queria saber quando o seu “tô bem” significa “não quero falar sobre isso”, queria saber quando o seu silêncio é só silêncio e quando ele está cheio de coisas que você não conseguiu colocar em palavras, talvez seja engraçado eu querer saber tanto sobre alguém que talvez nunca tenha tido a menor intenção de ser conhecido por mim dessa forma, porque eu fui conhecendo seus detalhes, não nos grandes momentos, nos pequenos na forma como você fala quando está animado, na forma como muda o tom quando alguma coisa te incomoda, nas coisas que você gosta sem perceber que gosta, nas coisas que você faz automaticamente, nas expressões que aparecem no seu rosto antes mesmo de você dizer alguma coisa.
Eu reparei! Em tudo.
Esse é o meu maior problema, eu reparo demais, eu lembro demais, eu sinto demais. Você provavelmente esqueceu metade das coisas que eu lembro, enquanto eu consigo transformar uma frase sua de meses atrás em um texto inteiro, e o mais ridículo é que eu nem conheça você de verdade. Talvez eu conheça apenas aquilo que você me deixou enxergar, talvez eu tenha preenchido todos os espaços que você deixou vazios com coisas que eu queria que fossem verdade uma realidade alternada, talvez eu tenha pegado pequenas partes suas e montado uma pessoa inteira dentro da minha cabeça, meu devaneio. E foi nessa pessoa que eu me apaixonei perdidamente, me apaixonei ao ouvir sua voz e sentir meu corpo vibrar intensamente, me apaixonei pelo seu olhar seco e frio.
Não sei se isso torna tudo menos verdadeiro ou ainda mais triste, porque o sentimento é real, mesmo que algumas das coisas que fizeram ele existir talvez não sejam, e como olhar para uma constelação, as estrelas estão realmente lá, mas a forma que eu enxergo quando junto todas elas foi criada por mim, você é exatamente assim, um monte de pequenos detalhes reais que, quando eu juntei, formaram alguém que passou a morar em mim, eu sei que isso parece loucura. Mas quem foi que disse que se apaixonar é uma coisa racional?
Eu comecei te encontrando em pessoas que nem tinham nada a ver com você, depois comecei a encontrar você em músicas, em lugares, em frases, em filmes, em coisas completamente aleatórias, e agora eu encontro você até em coisas que ainda nem aconteceram, isso está me assusta.
Porque eu não sei quando você vai deixar de ser presente e virar apenas lembrança, não sei quando seu nome vai parar de aparecer automaticamente quando eu escrevo sobre qualquer coisa bonita, não sei quando vou conseguir olhar para alguma coisa e não pensar “ele gostaria disso”, porque, apesar de tudo, existe uma parte de mim que gosta dessa versão boba que você conseguiu criar.
A menina que sente saudade sem ter direito a sentir, que escreve cartas que nunca serão entregues, que cria poemas para alguém que talvez nunca saiba que foi a inspiração, que olha para o céu e consegue transformar uma lua em alguém, que vê uma chuva e pensa em colo, que vê fogo e pensa em cuidado, que vê água e pensa em você. Um dia quem sabe eu pare, e finalmente eu consiga entender que algumas pessoas são passagem, não destino por mais que queiramos por todas as realidades e eternidade, mas se isso acontecer, eu espero não apagar tudo, porque eu não quero fingir que não senti.
Eu senti! Muito, com toda as minhas forças, mais do que deveria, mais do que era seguro, mais do que eu gostaria de admitir.
E se no fim das contas eu realmente perder, como eu mesma disse que às vezes precisamos perder, pelo menos vou saber que por algum tempo existiu alguém capaz de transformar uma pessoa que já tinha escrito tantos poemas em alguém que finalmente não sabia mais como terminar nenhum deles, porque todos terminavam no mesmo lugar.
Em você, sempre em você!
