Textos de Tristeza do Amor
Quero desfrutar
de cada fase da tua infância
que está passando tão depressa,
amanhã não serás mais uma criança,
confesso que sentirei um pouco de tristeza,
mas será momentânea,
pois estamos construindo inesquecíveis lembranças
que sempre poderei visitá-las
e sentir uma necessária
bem-aventurança.
Em meio ao caos, busque focar em algo que traga paz, que faça esquecer do mal que te cerca, que provoque a lembrança de agradecer, de tomar a atitude correta
pra que não venhas a esmorecer
esquecendo de que Deus é presente e fortaleza,
podes, por exemplo, admirar a Lua
que está sempre deslumbrante
e deixa a noite ainda mais encantadora,
pois acredito que com simplicidades como esta
é possivel reanimar o semblante
e afugentar o desespero e a tristeza.
O ser humano é capaz de usar várias máscaras durante toda a sua trajetória,
uma para cada tipo de insegurança
por não querer que saibam de suas fraquezas ou da sua verdadeira intensão,
ele pode colocar uma máscara que está sorrindo
para esconder a sua tristeza,
a sua angústia, enquanto se desgasta por dentro, outra de confiança
para ocultar o seu medo,
uma de serenidade para camuflar o caos da sua mente, uma de bondade se estiver mal intencionado, já que no pretende ser descoberto,
pode chegar a usar tantas vezes
ao ponto de esquecer de que está usando-as
e estas foram apenas alguns exemplos,
entretanto, não quer dizer necessariamente que chegue a usar todas estas máscaras, nem que fique com elas para sempre,
pois com o tempo elas vão caindo uma por uma de acordo com o desenvolvimento da maturidade,
quando perceber que não precisa delas
ou se não aguentar mais usá-las
e claro que tudo isso que acabei
de externar
é de um modo geral,
alguns seres humanos não conseguem usar tais máscaras,
outros não fazem nem questão
de usar,
por serem muito transparentes, sentem dificuldade em disfarçar
ou não vêem a necessidade delas,
não têm a intenção de agradar a todos, de esconderem quem são
e ainda há aqueles que não saem
sem elas como se fossem partes permanentes deles mesmos,
chegam a tirar proveito os outros,
pensam que são mais espertos,
mas em todo caso, o fato é que sempre pode ter um mascarado
por perto, não é todo sorriso
que é de verdade,
pode até ser nós mesmos
sem percebermos.
Numa rua deserta com a chuva fjna caindo sobre ela,
vejo um misto de tranquilidade e abandono,
duas sensações distintas com emoções diferentes,
como se estranhamente alívio e tristeza estivessem presentes na mesma cena, representados respectivamente
pela vida de árvores frondosas e por uma ausência inconveniente.
A solitude e a solidão atipicamente ficaram entrelaçadas causando uma sensação simultânea de amor e lamentação nesta madrugada chuvosa que deixou a emoção tão à vontade que se expressou desta forma confusa, por isso que a mente ainda está inquieta e acordada nesta hora inoportuna, falando em voz alta.
Às vezes, durante a quietude, a alma sente a necessidade de chover lágrimas para desabafar e ninguém está perto para ver e nem precisa, o que importa é que ela chova para não se afogar por dentro por reter suas angústias ou contentamentos, então, graças a Deus que há este momento de purificação ao externar seus profundos sentimentos, uma contínua e necessária libertação.
"Lembrete ..."
Não deveria ser a saudade o motivo de coisa nenhuma, porque sabemos que é uma desmazelada. Só se sabe lembrar de coisas que já passaram. Ela é casada com o passado que se não for bem lidado, só vem trazer problemas ao presente. Com estes dois é preciso ter muita conta. Eu gosto muito mais do presente, pois a saudade nem sequer tem voto na matéria .... saudades que fiquem agarradinhas ao passado que é bem melhor. Talvez você não saiba, mas a saudade e o passado tem uma filha - A nostalgia ! Outra pingonheira que devagarinho,devagarinho toma conta do coração e nunca se vai sem nos ter feito derramar uma lágrima ou duas ....e como não há uma sem duas chama a prima, a Tristeza e pronto, fica tudo virado ao contrário. Mantenha-se longe dessas fanfarronas - Tome um copinho, ponha uma musica mexidinha, e chame a Alegria que está mortinha pra dançar. Seja feliz com o que tem e não se desespere pelo que ainda não tem ...se for merecedor terá. Faça os seus sonhos serem cheios de cor e ponha neles também um pouco dos ensejos dos outros. Nunca deseje para si só ...deseje no colectivo, a alegria ficará muito maior quando o sonho saír certo.
Depois lembre-se que as coisas divididas tem muito mais sabor, são sempre as mais bonitas, são sempre as mais coloridas.
Se você mesmo depois disto tudo, ainda estiver sentindo saudades, fume um charro que isso passa !!
"Dediquei-me à ti
com tanta ternura.
Recebi em troca
dor e decepção,
lágrimas a lavar
minh'alma e coração.
Uma alma,que
à ti se entregou,
confiou e amou.
Um coração
que só à ti queria.
Como amar e confiar
novamente? Se
a dor permanece
e não quer cicatrizar.
Deus tenha piedade
de ti,e que jamais
faça outro alguém
por ti chorar,é uma
dor que ninguém
merece passar,amor
é reciprocidade,cuidado
e carinho...
Foi o que eu pude e
tinha para lhe dar,
mas feriste meu
coração,que hoje
sangra,e chora
por alguém que amor
não soube dar..."
Tati,17.08.2014-16:05 hrs
As emoções, mesmo ruins, transformam a vida pra melhor. Sentir culpa pra pedir desculpa. Medo pra pra buscar mais força. Orgulho pra conquistar. E raiva pra gerar impulso. Essas emoções ruins servem pra nos transformarmos. Mas muito tempo nelas você adoece. Sentir culpa e não pedir desculpa vira remorso, o medo não enfrentado vira ansiedade, o orgulho fora da segurança vira arrogância, e quando a raiva não é jogada pra impulsionar mudança vira mágoa. Fique de olho, porque as emoções são boas pra pensar e transformar. Só não deixe elas virarem estados de alma.
Rosa
A vida sempre nos reserva surpresas, sejam boas ou ruins. Entendemos que as ruins - por assim julgarmos - nos fazem aprender e melhorarmos. Porém, como seres imperfeitos e materialistas que somos, temos o costume de nos compararmos com os que acreditamos serem mais felizes. Será mesmo?
Outro dia estava conversando com um rapaz com pouco mais de duas décadas de vida. Ele contava-me que tinha uma definição de felicidade que até o presente momento eu desconhecia, pois sempre ouvi dizerem, de uma forma ou de outra, que felicidade era sinônimo de bens materiais. Já intrigado, questionei-o qual era sua definição e como ele chegara àquela conclusão. Ele contou-me sua história até então:
"Olha, senhor, nasci sob alto risco, ficando por dias rodeado de cachorros e gatos de rua. Fui abandonado pela genitora com semanas de vida e com poucos meses fui colocado à prova com uma pneumonia dupla. Plantada essa rosa tive todas as doenças infantis posteriormente. Uma roseira se fez! Na dureza do dia-a-dia fui aprendendo com o que ouvia e, principalmente, sentia, daqueles que rodeavam-me. Após alguns anos fui submetido à uma cirurgia. Recuperação um pouco conturbada, todavia mais uma rosa plantada. Sem deixar-me abater e sorrindo sempre, consegui chegar ao último ano da etapa chamada colégio. No meio do ano, uma apendicite supurada ocasionando abscesso de parede posterior poderia fazer-me desistir. Entretanto, este termo não consta no meu dicionário de vida. Outra rosa, após meses, fora plantada. Segui em frente. Aprovado no vestibular em curso escolhido apenas para ver nascer o sorriso daquela que criou-me juntamente com meu pai, novamente o destino insistiu em fazer-me desistir, levando-a a poucos meses da formatura após cinco anos de faculdade. Ainda sim, jamais desisti do que sempre me fez afirmar que sou feliz...simplesmente ajudar aos outros com o pouco que aprendi e possuo, desejando ajudar muito mais, ainda que insistam em dizer, dia após dia, que não será possível e que o dinheiro é tudo na vida. Mas, por quê essa dúvida? Quem é você?"
Impressionado, resolvi fazer mais uma pergunta antes de responder a essas que ele havia me feito:
- "Mas por quê a cada superação você diz que plantou uma rosa?"
- "É simples. Cada vez que deixamos a tristeza aproximar-se estamos perdendo a possibilidade de fazer um sorriso nascer no rosto de alguém e o valor de um sorriso sincero é inestimável. Por mais que eu sofra por dentro, por mais que seja doloroso, sempre terei um sorriso e uma palavra de força e coragem para ofertar, além de fazer o máximo para ajudar. A rosa, como símbolo de afeição, delicadeza e beleza ocasiona imensa alegria e um estado de espírito maravilhoso. O senhor já ofertou uma rosa a alguém hoje?"
Sem jeito, respondi as suas questões anteriores:
- "Não importa mais a razão da dúvida. Antigamente eu atendia por Ganância, mas a partir de hoje pode me chamar de Rosa.
"Já perdi as contas de quantas vezes flertei com a loucura e ela chamou-me de louco.
Perdi as contas das vezes que deitei-me com a tristeza e ela chorou ao olhar o meu rosto.
Continuo parvo e nessas histórias? Nada de novo.
Já perdi as contas das vezes em que me abracei com a razão e ela chamou-me de louco..." - EDSON, Wikney
Estou a explodir,
Minha cabeça dói,
Meu coração aperta,
Pensando em desistir.
Cansado de tudo,
Sem sentido não construo,
Um enredo,
Uma história,
Um sentido.
Cansado de pessoas vazias,
Discursos individualistas,
Sem pensar no amanhã.
Ter uma esperança,
No sistema,
Na vida,
Em tudo,
Às vezes cansa,
Esgota,
Fadiga,
Estressa,
Aborrece,
Chateia.
E?
Cerceia,
Meu direito,
De viver.
Na caminhada da vida, há momentos em que nossos gritos são silenciados, nossas respostas caladas e nossas cabeças se abaixam diante dos desafios que enfrentamos. O choro se prende dentro de nós, e o sorriso parece ter sido destruído, deixando-nos doentes em um mar de angústia. É fácil se sentir perdido e desamparado, mas é preciso entender que somo mais fortes do que imaginamos.
As pessoas ao nosso redor, essas cascatas de nós, também são sensíveis ao extremo. Cada um carrega consigo suas próprias batalhas invisíveis. Mas é nesse momento, quando nos deparamos com nossos desafios, que a verdadeira coragem se revela. Não deixemos nos enganar, pois, não estamos sozinhos nessa jornada. Compartilhamos a mesma humanidade, a mesma luta interior.
É preciso encontrar a força para levantar a cabeça e encarar o mundo com espiritualidade. Por mais assustador que seja, é quando enfrentamos nossos medos de frente que podemos superá-los. Precisamos soltar o choro reprimido, pois é na expressão das emoções que encontramos, felicidade e cura. Precisamos chorar e se afogar nas lágrimas. Cada gota que derramamos é um passo em direção à libertação.
Possuímos uma resiliência que vai além das aparências. Não nos deixemos enganar pelas circunstâncias difíceis que nos cercam. Dentro de cada um de nós há uma centelha de esperança, pronta para acender o fogo da transformação.
Acreditemos em nós mesmos, mesmo quando tudo parecer sombrio. Acreditemos na capacidade de superar as adversidades, de encontrar soluções e de se reinventar. As cicatrizes que carregamos são testemunhas do nosso poder de sobrevivência. Elas são marcas de coragem, de uma alma que não se encontra diante das dificuldades.
A sensibilidade é uma dádiva, uma conexão profunda com as emoções humanas. É através dela que podemos compreender e apoiar uns aos outros. Encontremos força no apoio mútuo, na empatia compartilhada. Ergamos a mão para ajudar aqueles que também estão lutando no silêncio. Juntos, podemos construir uma rede de resiliência, onde as cascatas se tornam abraços, as lágrimas se transformam em sorrisos e a cura se espalha como uma brisa suave. Afinal, mesmo no meio à escuridão, é possível encontrar a luz que guiará o seu caminho.
Mesmo que muitas vezes achamos difícil...
Por qual motivo gosto de ter controle de tudo,
Se nem controle da minha vida ultimamente estou conseguindo ter,
Não tenho com quem conversar,
Não tenho com quem me abrir,
Não tenho com quem contar,
E, por isso, escrevo.
Escrevo para deixar a dor sair,
Escrevo para deixar as tristezas tomarem vazões,
Escrevo para que outras pessoas não precisem se dilacerar com minhas tristezas, e não se machuquem mais do que elas já estão, nesse mundo chamado "vida",
Muitas vezes, o som da minha voz,
Machuca,
Atordoa,
Devora,
Machucando o outro
E, sim, eu mesmo.
Eu ouvi muito você me dizer o quanto eu parecia ser um engano. Tentei provar o meu valor, que afinal, todos viam, menos você. Quanta ironia. Eu estava lado a lado ao vazio e já sabia disso, mas, ainda assim, fingia não reconhecer..
No fim, tivemos nosso contrato selado: mentes comprometidas, um caso ardente, mas sem envolvimentos. Tolice meu coração ser esquecido entre o nosso pacto nunca prometido.
Ninguém nasce cruel.
Ninguém nasce quebrado.
O que nos parte não é o nascimento, é o caminho.
É o olhar que fere sem tocar.
É a palavra dita no momento errado, com a intenção errada.
É a indiferença de quem passa por nós como se fôssemos invisíveis.
Eu estive lá… essa madrugada.
De novo.
Naquele lugar escuro dentro da minha cabeça, onde a única companhia é o som do próprio medo gritando.
Sufoca. Dói. Paralisa.
E se as pessoas soubessem o que causam…
Se ao menos soubessem…
Talvez pensassem um milhão de vezes antes de usar a crueldade como defesa, antes de destilar julgamentos como quem cospe veneno em feridas abertas.
Mas eu sei que elas também estão quebradas.
Se tornaram aquilo que um dia odiaram.
Talvez nem percebam.
Talvez estejam apenas tentando sobreviver do jeito que aprenderam.
E eu…
Eu tô tão cansado.
Tão exausto dessa luta invisível.
Dessa armadura que visto pra parecer forte, inteligente, inteiro.
Quando, na verdade, eu sou só um quebra-cabeça feito de pedaços que a vida espalhou por aí.
E eu junto o que posso…
Do jeito que consigo…
Mas ainda assim… falta algo.
Me sinto perdido em mim.
Tentando ser o que esperam, tentando caber em moldes que não me servem mais.
Me cobro, me exijo, me mutilo em pensamentos…
Porque, por algum motivo, aprendi que ser perfeito era a única forma de ser amado.
De ser visto.
De ser aceito.
Mas eu não sou perfeito.
Nem você.
Nem ninguém.
E tudo o que eu queria agora…
Era que alguém segurasse minha mão.
E dissesse:
“Tá tudo bem se você não der conta hoje…
Eu te vejo mesmo assim.”
Recomeçar
Após anos em silêncio, após tudo que vivi, retomei várias coisas, mas faltava uma ainda! Após o incentivo de um novo amigo (resultado de um dos meus recomeços) resolvi retomar, recomecei a escrever. Estou me sentindo enferrujada, parece que as ideias já não vêm tão naturalmente! Mas vamos lá, retomar, recomeçar, reescrever minha história!
O que é recomeço? É voltar no tempo, retomar os sentimentos, reviver as lembranças, relembrar a esperança de tudo que é novo e do que ainda não se viveu!
Recomeçar é sentir um frio no estômago, seria o medo do que há por vir? É o riso solto, vindo do âmago, mesmo com o coração envolto numa casca grossa, tentando se defender para não mais se machucar! É sentir alegria de viver, tristeza do outro ser que enfrenta tanto perder quanto ganhar sem saber! É voltar à estaca zero, é pensar que não vai dar conta, que não vai conseguir seguir. É seguir rumo ao desconhecido, destemido, com amigos, ou apenas só! É um laço sem nó. É seguir com medo de tudo, com medo do mundo, mas com coragem suficiente para não retroceder! É seguir em frente, sem olhar para trás, sem no entanto perder o encanto e a experiência de toda a carga do passado! Finito, acabado, passado é passado, mas não há presente nem futuro sem o saber do passado! Começar é apenas uma vez, mas recomeçar pode ser por incansáveis, indeterminadas, diversas vezes; recomeçar a cada dia, a cada novo amanhecer. E por que não ao entardecer? Não há hora nem lugar para recomeçar, basta tentar!
Então, que tal? Vamos recomeçar? O que você quer recomeçar hoje? E para você, o que é o recomeço?
Recomeço, meço, apreço, aprecio, retomo, me arrependo, retorno, ao ponto exato, o ponto do recomeço, sem retrocesso, e só paro com uma condição: alcançar o SUCESSO!
(Viviane Dona da Silva)
24 de julho de 2014
Sol e a Lua
Se pergunte meu
querido e minha querida, qual é melhor, um papel de figurante na guerra ou um papel principal em uma cela?!
Todo dia que levanto para lutar e me deito ao por do sol, me repousando em derrota. Vivendo nesse ciclo vicioso entre granizo, me alimentando de dor e tristeza. Mesmo que eu queira sair disso não consigo, porque o vicio da lua e maior do que a minha alma. Alguns nasceram para ser como o Sol e brilhar intensamente, outros para ser a Lua, sem brilho próprio, vivendo a margem da dor.
PIETÀ: O Silêncio em Mármore que Chora.
Entre os véus do tempo e o aroma do incenso que sobe pelas arcadas da eternidade, repousa, em uma capela lateral da Basílica de São Pedro, um instante esculpido com as lágrimas do mundo: a Pietà, de Michelangelo.
Ali, o mármore não é pedra — é carne transfigurada, é alma petrificada de amor e martírio. A jovem mulher, que o artista moldou com mãos quase celestiais, sustenta em seu regaço o corpo exaurido do Filho, como se ainda o embalasse na manjedoura dos primeiros dias. Mas agora, a madeira não é de berço — é de cruz.
Ela, a Mãe das mães, não grita. O grito dela é o silêncio.
O mesmo silêncio que antecede o trovão.
O mesmo silêncio das estrelas quando um anjo parte.
Nos olhos dela, não há desespero — há aceitação sem submissão, dor sem rebeldia, amor sem possessão. Ela o oferece ao mundo mesmo depois de tudo. Ela compreende o que os séculos levariam a decifrar: o Cristo ali não está morto — está descansando no seio da eternidade, à espera da ressurreição que começa dentro de cada ser que ama até o fim.
Michelangelo a esculpiu com apenas 23 anos. Diz-se que, ao terminar a obra, ouviu comentários de que outro escultor teria sido o autor. Então, à sombra da noite, como quem grava seu nome não por vaidade, mas por testemunho, ele inscreveu em segredo na faixa que cruza o peito da Virgem: “Michelangelus Bonarotus Florentinus Faciebat.”
Mas há quem diga — e os anjos não desmentem — que aquela escultura não foi feita somente por mãos humanas. Que o mármore escolhido trazia em sua alma o eco do Gólgota, e que uma lágrima real de Maria — recolhida por mãos invisíveis — repousa invisivelmente entre os sulcos do ventre dela, naquela estátua.
Pois a Pietà não é apenas arte. É sacrário de dor santificada.
É o momento em que Deus permitiu ao mundo contemplar o lado feminino do céu.
Ali, a Mãe é altar, é templo, é oferenda.
É o Espírito Materno do Universo mostrando que, mesmo na dor mais aguda, pode-se manter a dignidade da luz.
Epílogo do Coração.
Alguns dizem que a Pietà fala ao olhar. Mas aqueles que a escutam com o coração ouvem algo diferente:
Uma prece muda que diz:
"Não temas a dor, meu filho, pois o Amor é mais forte do que a morte. E o que hoje repousa, amanhã ressuscitará no seio do Pai."
E tu,ao contemplares essa Mãe que tudo sofreu sem perder a candura, lembra-te de que o Amor, quando verdadeiro, é capaz de abraçar até a morte — e ainda assim renascer.
PSICOLOGIA DA FUGA - UM ESPELHO QUE SE RECUSA A REFLETIR.
A Ilusão da Fuga e o Lugar - Onde Mora a Felicidade.
“Ninguém foge verdadeiramente: apenas escolhe caminhos de ilusão, acreditando escapar de si, quando na verdade se perde em culpas e acusa os outros — até que a dor o faça retornar ao ponto de origem, onde sempre esteve a chave da própria felicidade.”
A PSICOLOGIA DA FUGA:
UM ESPELHO QUE SE RECUSA A REFLETIR.
Fugir é uma fantasia recorrente. Alguns fazem isso viajando, outros mergulhando em distrações, relacionamentos tóxicos ou mesmo em conquistas sucessivas. Mas a fuga mais sutil — e mais comum — é aquela de si mesmo.
Essa fuga se dá toda vez que evitamos encarar as verdades que habitam nossas emoções. Em vez de compreendermos nossas dores, culpamos os outros. Em vez de lidarmos com nossas falhas, nos escondemos atrás de máscaras de autossuficiência. Criamos narrativas que nos aliviem temporariamente da responsabilidade de amadurecer.
No entanto, o que ignoramos não desaparece — apenas se acumula. E um dia, retorna, como angústia, como vazio, como sensação de estar "perdido" mesmo rodeado de pessoas.
O ciclo da ilusão: perdidos na própria negação.
Ao evitar olhar para dentro, entramos num labirinto emocional. A cada tentativa de escapar, mais distante ficamos de nós mesmos. Muitas vezes, é apenas quando algo quebra — um relacionamento, um projeto, um plano — que somos obrigados a parar e escutar o que por tanto tempo tentamos silenciar.
A culpa, nesses momentos, costuma ser lançada sobre os ombros de alguém. É o outro que “não entendeu”, que “nos feriu”, que “nos fez sair”. Mas no fundo, estamos apenas projetando para fora a dor de um conflito interno mal resolvido.
A felicidade silenciosa: ela já estava lá.
A verdade mais consoladora — e por vezes mais esquecida — é que a felicidade raramente está em chegar a algum lugar. Ela mora, em silêncio, na sinceridade com que vivemos quem somos.
Ela está nas pequenas pazes que fazemos conosco, na leveza que sentimos quando não estamos fugindo, mas habitando o instante presente com autenticidade.
É possível que já estejamos vivendo momentos felizes — mas tão ocupados em procurar algo maior, idealizado, que não os reconheçamos.
Voltar para si mesmo não é retrocesso. É reencontro. É quando deixamos de correr em círculos para caminhar com direção. É quando compreendemos que a dor não veio para nos punir, mas para nos reconduzir ao centro de onde nunca deveríamos ter partido.
Não é que estejamos longe da felicidade. É que, ao fugir de nós, esquecemos como ela se parece.
O Peso das Palavras: Quando Consolar se Transforma em Ferir.
Em tempos em que o sofrimento emocional se torna tema cada vez mais presente nas conversas cotidianas, cresce também a urgência de repensar como falamos com quem está fragilizado. Muitas vezes, na ânsia de confortar, acabamos ferindo não por maldade, mas por falta de preparo emocional.
Psicólogos têm alertado para um fenômeno comum: a tentativa de consolar com frases feitas, o que, em vez de aliviar, agrava o sofrimento. A expressão “Você tem que procurar ajuda”, por exemplo, parece prudente, mas soa como uma ordem e invalida o desabafo. Em um momento de vulnerabilidade, esse tipo de fala pode reforçar a sensação de impotência e solidão, justamente quando o indivíduo mais precisa se sentir compreendido.
Quando o “dizer algo” machuca.
De acordo com a psicóloga Rosa Sánchez, da Fundación Mario Losantos del Campo, essas respostas automáticas se repetem porque a sociedade as normalizou. Fomos treinados a preencher o silêncio, a dar respostas rápidas, como se o silêncio fosse sinônimo de descuido. Contudo, o impulso de “dizer algo” muitas vezes vem do desconforto de quem ouve, e não da necessidade de quem sofre.
O problema é que, ao tentar “arrumar” a dor do outro, transferimos para ele a responsabilidade emocional de melhorar. A frase pronta “Anime-se, a vida continua” soa como uma tentativa de encurtar o luto, de apressar a recuperação. Mas a dor não segue cronogramas, e quem sofre precisa de tempo, não de pressa.
O que não dizer.
Algumas expressões, embora pareçam inofensivas, diminuem a experiência do outro:
“Você já deveria ter superado.”
“Eu sei como você se sente.”
“Tudo acontece por um motivo.”
“Poderia ser pior.”
“Você tem que ser forte.”
“Não chore.”
“Anime-se, a vida continua.”
Cada uma delas nega a singularidade da dor. Ao comparar, racionalizar ou impor força, anulamos a liberdade emocional da pessoa. O resultado é o oposto da empatia: culpa, solidão e incompreensão.
Por que caímos nesses erros?
Três fatores se destacam:
1. Falta de educação emocional. Muitos de nós não aprendemos a lidar com emoções profundas, nem as próprias, nem as alheias.
2. Medo do silêncio.
O silêncio é visto como constrangimento, quando, na verdade, ele pode ser o espaço mais terapêutico.
3. Desconforto diante da dor.
A tristeza e a vulnerabilidade lembram a todos a própria fragilidade, e isso gera fuga disfarçada em palavras de consolo.
Ao tentar “melhorar” o outro, fugimos da própria impotência e esquecemos que empatia não é consertar, é estar junto.
O que realmente ajuda.
A verdadeira presença não exige discursos, mas escuta, atenção e disponibilidade. Frases simples, quando ditas com sinceridade, têm o poder de acolher:
“Estou aqui para você.”
“Sinto muito que você esteja passando por isso.”
“Você quer conversar ou prefere se distrair um pouco?”
“Não sei o que dizer, mas estou com você.”
“Obrigada por confiar em mim.”
Essas expressões validam o sentimento e oferecem segurança emocional. Elas não tentam resolver, apenas confirmam: “você não está sozinho”.
Orientações práticas de acolhimento.
Ouça sem interromper. Às vezes, o desabafo é mais curativo do que qualquer resposta.
Evite julgamentos e conselhos não solicitados. O ouvinte não precisa ser terapeuta; precisa ser humano.
Reconheça a emoção: “Entendo que isso deve ser difícil.”
Ofereça companhia, não soluções. Estar junto é mais eficaz do que tentar corrigir.
Cuide do tom de voz e da expressão corporal. A empatia também se comunica pelo olhar e pelo gesto.
Respeite o silêncio. Há momentos em que falar menos é amar mais.
Busque informação sobre saúde mental. Saber o básico evita erros que perpetuam o sofrimento.
Consolar é sustentar, não corrigir.
Consolar alguém não é encontrar a frase perfeita, mas sustentar o tempo e o ritmo do outro. É permitir que o sofrimento se expresse, sem apressar a cura. Empatia é permanecer quando o outro não tem mais força; é segurar o silêncio sem precisar preenchê-lo.
Porque, no fundo, as palavras que curam são as que nascem do respeito e não da pressa de fazer o outro se sentir melhor.
“A escuta é o primeiro gesto do amor.
Acolher não é dizer algo certo, é estar presente no tempo certo.”
Texto do: Escritor:Marcelo Caetano Monteiro .
De acordo com a psicóloga Rosa Sánchez, da Fundación Mario Losantos del Campo.
A Família e a Ética do Pensamento no subconsciente do Autoconhecimento.
A família é o primeiro cenário onde o ser humano ensaia sua ética interior. É ali, nos vínculos diários, que a alma aprende o exercício da tolerância, a pedagogia do afeto e o difícil aprendizado do silêncio diante da ofensa. A convivência familiar, muitas vezes árdua e desafiadora, revela o que ainda não sabemos sobre nós mesmos: as sombras que negamos, os limites que disfarçamos e os sentimentos que, em outras circunstâncias, permaneceriam adormecidos.
A ética do pensamento, nesse contexto, ultrapassa o mero domínio do comportamento externo. Ela exige vigilância íntima sobre o que se pensa, sente e projeta. Cada ideia é uma semente moral; cada emoção, um gesto silencioso que estrutura ou corrompe a harmonia do lar. Quando uma ofensa nos é dirigida, ela só ganha poder se for acolhida. Recusar a injúria, portanto, é um ato de sabedoria espiritual e de autodomínio psicológico é a consciência que prefere a serenidade à reação, o entendimento à disputa.
O autoconhecimento não é, assim, um luxo filosófico, mas uma urgência ética. Ser profundamente perseguidor dos sentimentos humanos é investigar a origem de nossas dores, reconhecer as intenções disfarçadas de bondade, compreender as raízes do medo e do orgulho. Tal busca, quando autêntica, nos torna menos juízes e mais companheiros; menos prontos a corrigir o outro e mais disponíveis a compreender-lhe o caminho.
Na atualidade em que a pressa e a fragmentação emocional dominam os lares torna-se indispensável o retorno à escuta sensível, ao diálogo sem violência, à observação dos próprios impulsos. Somente assim a família se converte em um santuário de crescimento mútuo, e não em um campo de reações automáticas.
O verdadeiro autoconhecimento é uma ética do coração: saber pensar com bondade e sentir com lucidez. E toda vez que recusamos a ofensa, optando pela compreensão, estamos, em silêncio, educando o mundo a partir do nosso lar.
