Textos de Meninas
Moça sapeca
Esse teu jeito
De menina bonita...
Moça sapeca.
Deixa comigo teu coração,
Porque o meu
Já não te deixa mais...
Como eu quero
O brilho dos teus olhos
Iluminando os caminhos meus...
Se te afastas por um pouco,
A saudade me castiga
Ansiando teus abraços
Ah... esse teu jeito,
De menina bonita...
Moça sapeca do meu coração.
Edney Valentim Araújo
1994...
Gritar que te ama
Linda menina mulher,
És bela e formosa como uma flor.
Desperta em mim tenro sentimentos,
Um misto de amor e paixão.
E agora, não há pernas que me sustente,
E nem fôlego com que lhe possa falar.
Em meio chama ardente que me consome
Desfalece minh’alma num suspiro incontido.
Imagino mil maneiras de te dizer,
O que sinto... o que penso...o que desejo.
E é num silêncio cediço
Que a alma suplica libertar esse amor,
Quebrar as cadeias
Gritar ao mundo que te ama.
Edney Valentim Araújo
Para a menina de 9 anos que ainda mora em mim,
Oi, pequena.
Sei que você olha para o mundo com olhos curiosos e um coração enorme. Você acredita que tudo vai dar certo, e eu queria poder abraçar você agora e dizer que a vida será exatamente como imaginou. Não será.
Nós vamos passar por frustrações. Algumas pessoas vão nos decepcionar. Faremos escolhas erradas, e em alguns momentos você vai se perguntar se foi suficiente, se fez o bastante ou se a culpa era sua.
Mas escute bem: a culpa não precisa morar no nosso coração. Estou lutando todos os dias para libertar nós duas desse peso.
Quero que saiba que muitos dos nossos sonhos se realizaram. Nós nos tornamos enfermeiras. Também cuidamos de pessoas, e descobrimos que cuidar é uma das formas mais bonitas de amar. Cada paciente nos ensinou um pouco sobre coragem, fragilidade e esperança.
A vida seguiu um caminho diferente do que você imaginava. Nós não tivemos filhos. Mas Deus encheu nossa vida de sobrinhos, e nós os amamos com uma intensidade que talvez você ainda nem consiga compreender. O amor encontra muitos jeitos de existir.
Também preciso contar que alguns amores não deram certo. Houve despedidas, lágrimas e dias em que parecia impossível acreditar novamente. Mas, um dia, encontramos o grande amor da nossa vida. E então entendemos que o amor verdadeiro não chega para nos completar, e sim para caminhar ao nosso lado.
Quero que você saiba que somos felizes.
Não uma felicidade perfeita, porque ela não existe. Temos feridas emocionais que ainda estamos aprendendo a curar. Há dias difíceis, dias de silêncio, dias em que a alma pesa. Mas nunca deixamos de acreditar que tudo vai ficar bem.
Você vai descobrir que é muito mais forte do que imagina.
Aprendemos a gostar da nossa própria companhia. A solidão deixou de ser um castigo e se tornou um lugar de encontro com nós mesmas. Hoje sabemos apreciar o silêncio tanto quanto a agitação. Gostamos do movimento da vida, das conversas, das risadas, mas também amamos os momentos em que só existe o som do vento.
Somos apaixonadas pela natureza. Amamos trilhas, o cheiro da terra molhada, o verde das árvores e o céu aberto. Descobrimos que Deus também fala através das montanhas, das flores e dos caminhos.
Continuamos sendo exatamente como você é: curiosas. A cada fase da vida descobrimos um novo hobby, uma nova paixão, um novo aprendizado. Somos do tipo que muda, reinventa, experimenta e nunca deixa de aprender. Hoje gostamos de coisas que um dia juramos que nunca gostaríamos.
Escrevemos.
Escrevemos poemas, pensamentos e estamos escrevendo um livro. As palavras se tornaram nossa forma de transformar dor em beleza e saudade em esperança.
Lemos muito. Observamos as pessoas. Gostamos de conhecer o mundo, de aprender histórias e de enxergar beleza nos pequenos detalhes.
Você continuará sendo intensa.
Vai amar profundamente. Vai chorar profundamente. Vai rir até perder o fôlego. Vai cair, levantar e recomeçar tantas vezes que um dia perceberá que essa é a verdadeira coragem.
Não tenha medo de mudar. Não tenha medo de sentir. Não tenha medo de ser diferente.
Continue sonhando.
Mesmo quando a vida parecer dura, nunca deixe morrer essa menina de nove anos que acredita no impossível.
Ela é a parte mais bonita de nós.
Com amor, orgulho e esperança,
Você, aos 32 anos
Menina, mulher
Menina doce e sapeca, ao mesmo tempo, mulher cheia de responsabilidades e atitudes serenas;
Mulher forte, decidida, com jeito de menina alegre e inocente;
Menina com traços de boneca, mulher com o corpo de manequim;
Mulher que sabe amar como ninguém, menina que sabe o que é ser amada.
Filha ( Pai de menina )
Filha, meu pequeno infinito,
quando você chegou, o mundo mudou de nome,
e tudo que antes era caminho solto
ganhou direção no brilho do teu olhar.
Sou pai de menina
— e isso é ser abrigo,
é aprender a ser forte com delicadeza,
é segurar tua mão sem
prender teus passos,
é te ver crescer e ainda assim
querer te proteger do vento.
Se um dia o mundo parecer
pesado demais,
lembra que teu lugar sempre
será meu abraço,
onde o medo se desfaz em
silêncio
e teu sorriso volta a ser casa.
E quando você voar
— porque eu sei que vai
— leva contigo tudo que te ensinei
em amor,
mas deixa comigo um pedaço teu, bem guardado,
porque ser teu pai…
é o que dá sentido a tudo em mim.
De todas as meninas, a que mais vai marcar sua vida
é aquela que você diz que é ciumenta demais,
dramática, bipolar ao extremo, a que você sempre
chamou de louca, que te liga de madrugada, que
briga contigo, que faz um drama, faz bico, bate
boca sem pensar nas consequências... mas aí que tá.
Quem é que não gosta de se sentir desejado? Ela
pode até te incomodar um pouco sim, mas ela
sempre está ali do seu lado em qualquer situação.
Ela pode ter seus defeitos exagerados, mas faz de
tudo para ser perfeita pra você. Vai por mim,
valorize essa menina que bate o pé, que xinga, que
teima, que é dramática, bipolar e ciumenta. Porque
ela sim, está dando valor para o que você realmente
é. Então, cuida e preste bem atenção, enquanto ela
estiver brigando, fazendo drama e tendo ataques
de ciúmes bobos, ela ainda se importa e se preocupa
muito com você. Agora quando ela simplesmente
parar, você passou a não significar mais nada para
ela. E é aí que ela vai passar a fazer falta pra
você.
julie.
Há uma menina que ainda não existe no mundo, mas que, de alguma forma, já existe dentro de mim.
O nome dela vai ser Julie.
Eu ainda não sei quando ela vai chegar. Não sei se será daqui a alguns anos, se a vida vai demorar para colocá-la nos meus braços ou se o destino ainda está decidindo se nossos caminhos realmente precisam se encontrar. Talvez ela nem saiba que eu já penso nela. Talvez, enquanto eu escrevo isso, ela esteja em algum lugar que eu jamais poderia imaginar, vivendo uma vida que ainda não tem nenhuma relação com a minha.
Mas eu já a amo.
E talvez essa seja uma das coisas mais bonitas sobre o amor de um pai. Ele pode começar antes mesmo de existir um rosto para olhar.
As vezes eu me pego imaginando os olhos dela. Não sei exatamente como serão, mas já consigo imaginar a maneira como eles vão me procurar quando ela estiver assustada, quando precisar de colo ou simplesmente quando quiser encontrar o pai no meio de uma multidão. Imagino o sorriso, o jeito de falar, as manias que provavelmente vão me tirar do sério e, ainda assim, fazer com que eu queira guardar cada uma delas para sempre.
Imagino seus primeiros passos pela casa.
Imagino a voz me chamando de pai.
E acho que é nesse momento que eu percebo que existe uma versão de mim que ainda não conheço.
O pai da Julie.
Talvez ela transforme completamente a minha vida sem sequer perceber. Talvez eu passe a dirigir mais devagar, a olhar o relógio com mais frequência, a pensar duas vezes antes de tomar certas decisões. Talvez minhas preocupações deixem de ser apenas sobre mim. Talvez eu descubra que existe alguém capaz de ocupar um espaço dentro de mim que eu nem sabia que estava vazio.
Eu imagino uma menina pequena segurando meu dedo com a mão inteira.
E acho que, naquele instante, eu entenderia que faria qualquer coisa por aquilo.
Não porque ela teria feito alguma coisa para merecer.
Não porque ela precisaria me devolver alguma coisa.
Mas simplesmente porque seria minha filha.
Esse é o amor que ainda não conheço, mas que já consigo sentir chegando de longe. Um amor que não pede reciprocidade, que não depende de respostas, que não precisa ser escolhido todos os dias porque já nasceu decidido. Um amor que provavelmente vai me ensinar que existem pessoas pelas quais você não pensa duas vezes antes de colocar o mundo inteiro nas costas.
Eu penso na Julie crescendo.
Na primeira vez que ela cair e olhar para mim esperando que eu diga que está tudo bem.
Na primeira vez que ela chegar em casa chorando porque alguém machucou seu coração.
Na primeira vez que ela quiser sair sozinha e eu precisar aprender que protegê-la também significa deixá-la ir.
Talvez eu seja aquele pai meio bobo que vai querer saber onde ela está, com quem está, se chegou bem. Talvez eu seja exageradamente protetor. Talvez eu precise aprender, todos os dias, que ela não nasceu para viver dentro das minhas mãos, mas para construir a própria vida.
E mesmo assim, em algum lugar dentro de mim, sempre vai existir aquele homem olhando para uma menina pequena e pensando:
"Como pode alguém tão pequena significar tanto?"
Eu não sei como serão os olhos dela.
Não sei se ela vai gostar de música, de livros, de filmes, de desenhar ou de qualquer coisa que eu imagine hoje.
Não sei se ela vai parecer comigo.
Não sei se vai torcer para o Palmeiras(mas deveria)
Não sei se vai herdar meu jeito, minhas manias ou se vai ser completamente diferente de mim.
E talvez seja justamente isso que torne tudo tão bonito.
Porque eu não amo uma pessoa que conheço.
Eu amo a possibilidade dela.
A possibilidade de um dia abrir uma porta e encontrar uma menina correndo na minha direção.
A possibilidade de ouvir uma voz dizendo "papai".
A possibilidade de segurar alguém nos braços e perceber que, depois daquele momento, minha vida nunca mais vai ser somente minha.
Julie ainda não sabe se vem.
Eu também não sei quando.
Mas, se um dia ela vier, espero que encontre em mim um lugar seguro para voltar.
Espero que ela saiba que pode errar sem deixar de ser amada, cair sem ter vergonha de pedir ajuda, crescer sem medo de me perder.
Espero que, quando ela for grande o suficiente para entender essas coisas, saiba que antes mesmo de existir para o mundo, já existia em meus pensamentos.
Que antes de eu conhecer seu rosto, eu já imaginava seus olhos.
Antes de ouvir sua voz, eu já imaginava como seria escutar "papai".
E antes de poder segurá-la no colo, eu já sabia que, se a vida me desse a oportunidade de ser o pai dela, eu faria tudo o que estivesse ao meu alcance para que ela nunca duvidasse do quanto é amada.
Talvez esse seja o maior sonho que eu ainda não vivi.
Uma menina chamada Julie.
A menina do papai.
Uma pequena pessoa que ainda não chegou, mas que já ocupa um pedaço enorme de um coração que nem sabia que estava esperandp por ela.
E quando ela finalmente chegar, se chegar, talvez eu olhe para aqueles olhos que passei tantos anos imaginando e perceba que eu estava errado sobre uma coisa.
Porque talvez eu tenha passado a vida inteira tentando imaginar como seria amar minha filha.
Quando na verdade, bastaria conhecê-la
A menina cresceu ,virou mulher...
amadureceu , aprendeu a cair e levantar...
a menina meiga , doce ... ja não existe mais...hoje já não sou mais o que fui ontem ... amanhã serei diferente do hoje...estou em constante evolução... ralei muito o joelho..agora ralo o coração... mas a gente aprende , sim a gente aprende .. ser mais madura ,mais forte ,mais segura ,mais esperta ..
Ela uma menina sonhadora ...
Sorriso meigo .. doce , encantadora ..
Eu nem sei seu nome garota ..
Como posso assim me envolver ?
Seu brilho compara as estrelas ..
Seu sorriso é meu raio de sol dando bom dia ...
Seu perfume espalha ao vento ...feito aroma das flores primaveiris ... vc me ama? Ou será que nem sabe que eu existo..
Não brinca comigo , por favor ... eu já te amo tanto ... a vida não é um jogo .. de ganhar ou perder ... te vi e me apaixonei ..como o sol se encantou pela lua ..eu me encantei por vc ... feito um poeta assim que escreveu sua poesia deslumbrado ..assim também sou eu ...totalmente apaixonado por vc..
Eu não sou uma menina má..
Mais também não sou uma boa menina...sei que não mereço o céu.. mais quem é vc pra me julgar? Quem é vc pra me apontar o dedo? Que pecado eu cometi , que pecado tão grave eu fiz pra merecer tanto julgamento ? Não sou perfeita e nunca vou ser .. certinha , não eu não sou ..muito menos santa ..eu tenho um fogo que arde em mim . Eu tenho temperamento difícil eu sei disso ... sorriso de anjo , malícia de mulher ..eu sei o que eu quero e onde quero chegar ... eu sou pura adrenalina, pecado , sou fogo , paixão eu sou o caminho errado ... a falta de juízo e meu bem não tem nada de errado nisso ... sou dd verdade , quem me julga me inveja porque eu sou de verdade ..num mundo que muitos usam máscara..eu dou a minha cara a tapa.
🌷 A Verdade de Andriele
Sou uma menina amorosa, carinhosa,
de coração bom, que não tem malícia.
Mas às vezes acabo sendo machucada,
pela malícia que existe nos outros.
Sou Andriele, mulher de fé e guerreira,
mas quando ninguém está vendo,
também tenho os meus sentimentos...
É cansativo ser forte o tempo todo, né?
Mas acho que são essas palavras que me definem:
sou mãe, sou filha, com toda a verdade.
Assim é o meu jeito, simples e sincero,
cheio de vida, amor e felicidade.
Escritor: Samuel Taietti
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Lições da Natureza
Veio a chuva
Mansa e ligeira
chuva passageira
Mas qual menina brejeira
dançando prá lá e prá cá
Tanto brincou
que pétalas derrubou
Árvore depenada ,
a menina sorriu
e depois fugiu
matreira e sorridente
como uma fada displicente
sempre para trás a olhar
o tapete de pétalas douradas
no chão a se esparramar
voa alto , voa longe
sua varinha mágica
no ar a rodopiar
É chuva que vem
é chuva que vai
pétalas caem
Deixando uma mensagem
Pétala a cair
não é vida a se esvair
novas flores irão surgir
e a vida volta a sorrir
edite lima /16/04/2019
Outrora, uma pequena menina dando os seus primeiros passos, aproveitando a sua preciosa infância, demonstrando uma inocência rara, cativante, um olhar curioso, a todo instante, era uma descoberta, um jeito muito carinhoso, uma alegria naturalmente esplêndida.
Agora, já é uma linda adolescente, que deixou de ser aquela criança, está vivendo, dançando a dança da vida, inteligente, bastante talentosa, que tem as suas responsabilidades, uma maturidade que iniciou o seu desenvolvimento, em breve, uma expressiva jovialidade.
Num futuro que está mais próximo a cada primavera, será uma bela adulta, focada nos seus objetivos, agindo de uma maneira respeitosa, amando e sendo amada verdadeiramente, aprendendo com os seus erros, recebendo as bênção grandiosas de um Deus Amável e Tremendo.
A menina do Pátio
Eu era apenas um menino pequeno,
Com um sentimento
que não sabia explicar,
Ela passava e, sem dizer nada,
Fazia meu coração disparar.
Até que um dia, entre risos e brinquedos,
Meu amigo disse:
“Olha quem vem lá”,
E naquele instante,
sem pensar no medo,
Meu coração decidiu se declarar.
Fiquei na ponta dos pés, tão baixinho,
E roubei um beijo antes de pensar,
Depois corri, levando meu amigo,
Como quem tinha medo de se apaixonar.
Fui brincar,
esperando vê-la novamente,
Mas ela não apareceu para me encontrar,
E quando a vida nos colocou frente a frente, Aquele pequeno amor voltou a despertar.
* Dia das crianças *
Tenho saudades daquela menina,
ingênua e meiguinha,
que queria escrever versinhos
bordados de doçura e afeto...
Guardava nos olhos
o brilho das manhãs ensolaradas,
e nas mãos pequenas,
o sonho de mudar o mundo
com lápis de cor e papel pautado...
Acreditava nas fadas,
nas promessas das nuvens,
e que o amor morava nas flores
que colhia no quintal da infância...
Hoje, quando a vida
me pede pressa e razão,
eu fecho os olhos ,
e volto a ser
aquela menina,
frágil e forte,
que acreditava que a poesia
era o coração das coisas simples...
✍©️@MiriamDaCosta
Anime
Menina: "Às vezes eu fico desanimada... Será que eu consigo?"
Menino: "Consegue, sim! A motivação nos empurra, nos enche de coragem e nos deixa animados para continuar. Mas é a ação que transforma os sonhos em realidade. Nunca desista de acreditar em você! Ah, e se você gosta de mensagens como essa, siga o Henrique Bertulino. O conteúdo dele inspira e motiva muitas pessoas todos os dias! Sempre esteja bem acompanhado de pessoas que incentivam você a crescer, acreditar em si mesmo e nunca desistir dos seus sonhos.
Sorrisos de Vidro
Menina de cabelos cacheados,
carregava nos olhos
a luz que toda infância merece.
Mas quem deveria protegê-la
foi quem lhe roubou os dias,
transformando abraços em medo
e o silêncio em prisão.
Dos primeiros anos
até os doze,
ela aprendeu a sobreviver,
não a viver.
Cresceu.
Vestiu sorrisos,
escondeu cicatrizes
e fez do próprio coração
uma fortaleza sem janelas.
Agora seduz,
abandona
e parte corações,
como se cada homem ferido
pudesse pagar
pela dor de um único monstro.
Mas nenhuma lágrima alheia
devolve uma infância roubada.
E quando a noite cala o mundo,
ela encara o espelho
e encontra a mesma menina
de cabelos cacheados,
ainda esperando
que alguém a salve
do passado que nunca foi embora.
Seus sorrisos são de vidro:
brilham para quem olha,
mas por dentro
estão quebrados,
e cada pedaço
ainda sangra,
Sangra na sua
Própria Loucura.
O Primeiro Amor
Cresci escutando que o primeiro amor da vida de uma menina é o pai. Nunca ouvi tanta mentira caber em tão poucas palavras.
Porque o primeiro amor de um filho não deveria ser definido pelo gênero, mas pelo vínculo, pelo cuidado, pelo lugar onde o coração encontra o primeiro abrigo. E, para mim, esse primeiro amor sempre foi a mãe.
É nela que encontramos conforto, é no colo dela que descobrimos aconchego, é na voz dela que encontramos calma quando ainda nem sabemos explicar o que sentimos. É através dela que a vida começa, é dentro dela que, antes mesmo de conhecermos o mundo, já somos existência, já somos parte de alguém.
Antes de aprender a amar qualquer outra pessoa, aprendemos o amor através dela. Antes de conhecer qualquer paixão, conhecemos o calor de um colo. Antes de entender o significado de pertencimento, já pertencemos a alguém.
Talvez o primeiro amor não seja aquele que nos ensina a amar romanticamente. Talvez seja aquele que nos ensina, pela primeira vez, o que significa ser amado.
E é por isso que nunca consegui enxergar verdade nessa frase que colocaram tantas vezes como regra. Porque amor não é uma fórmula, não é uma sentença pronta e muito menos uma definição baseada em gênero.
O primeiro amor é aquele que nos acolhe quando ainda somos pequenos demais para compreender o mundo. É aquele que nos reconhece antes mesmo de sabermos quem somos. É aquele que nos oferece abrigo quando tudo ao redor ainda é desconhecido.
E, para mim, esse amor tem nome: mãe.
Porque antes de qualquer romance, antes de qualquer paixão, antes de qualquer pessoa que um dia possa chegar e ocupar espaço no coração, existe aquela que nos ensinou, mesmo sem palavras, que amar também é cuidar, proteger, acolher e permanecer.
O primeiro amor não é necessariamente quem um dia fará o coração bater mais forte.
É quem, um dia, ensinou esse coração a bater.
A MENINA DA SOLEIRA.
Obs. Interpretação livre feita por:
Marcelo Caetano Monteiro.
Ninguém sabe ao certo quem ela foi.
Talvez jamais tenha existido como indivíduo, mas apenas como símbolo. Ainda assim, há imagens que parecem guardar uma memória silenciosa, como se a tinta absorvesse lágrimas que o tempo já esqueceu. Esta é uma delas.
Sentada junto à fria coluna de pedra, a jovem permanece imóvel. O cesto ao seu lado revela uma vida de trabalho simples. O lenço cobre-lhe os cabelos não por elegância, mas por necessidade. Seus olhos, porém, são o verdadeiro centro da pintura: não choram. Há tristezas que ultrapassam as lágrimas.
Pode-se imaginar que seu nome fosse Élise.
Nasceu em um pequeno vilarejo europeu, onde o inverno chegava antes da esperança. Filha de um artesão e de uma costureira, aprendeu cedo que a infância nem sempre conhece brinquedos. Enquanto outras crianças corriam pelos campos, ela remendava tecidos, carregava cestos e observava, pela janela, a vida passar.
Seu pai morreu durante uma epidemia. A mãe, consumida pelo sofrimento, resistiu apenas alguns anos. Restou-lhe a cidade grande, onde a multidão era capaz de ignorar uma alma inteira.
Todas as manhãs caminhava até a praça levando pequenas flores, linhas e fitas para vender. Nem sempre conseguia compradores. Em muitos dias voltava apenas com o peso da fadiga.
Foi numa dessas tardes que encontrou abrigo diante da porta de uma antiga igreja.
Ali permaneceu sentada.
Não esperava esmolas. Esperava alguém.
Talvez um irmão desaparecido. Talvez um amor prometido. Talvez apenas uma palavra que lhe devolvesse a certeza de que sua existência ainda importava a alguém.
Os sinos tocaram inúmeras vezes.
As estações mudaram.
As pedras envelheceram.
Mas a espera continuou.
Há uma estranha mística nos lugares onde muitas preces foram pronunciadas. As igrejas antigas parecem guardar o eco das vozes, dos arrependimentos e das despedidas. Sentada naquela soleira, Élise acreditava que Deus, mesmo em silêncio, ainda caminhava entre os homens.
Os idosos diziam que ela conversava com o vento.
As crianças juravam vê-la sorrir para alguém invisível.
Os mais céticos afirmavam tratar-se apenas da solidão.
Ninguém conseguiu provar qualquer dessas versões.
Certa manhã de inverno, encontraram apenas o cesto.
Ela havia desaparecido.
Não havia pegadas na neve.
Nem sinais de violência.
Somente um pequeno ramo de lírios brancos repousava onde estivera sentada.
Alguns disseram que um convento a acolhera.
Outros acreditaram que sucumbira ao frio durante a madrugada.
Houve quem jurasse que, nas tardes silenciosas, uma jovem de lenço escuro ainda podia ser vista junto à velha porta, olhando calmamente para quem passa, como se aguardasse alguém que ainda não chegou.
Talvez toda grande espera transforme o ser humano em memória.
Talvez existam pessoas que nunca deixam um lugar, mesmo depois de partirem.
E talvez seja por isso que certas pinturas continuam olhando para nós.
Não porque estejam vivas.
Mas porque ainda esperam.
A Menina Que Esperava
Na pedra fria adormeceu a flor,
Levando em si o último calor.
O tempo antigo lhe roubou a cor,
Mas não venceu a força do amor.
Seu lenço ocultava a oração,
Seu peito guardava a solidão.
No velho templo fez habitação,
Esperando em paz a salvação.
Passava o inverno, o sol, o verão,
Mudava o mundo, não seu coração.
Cada badalo trazia emoção,
Sem responder à sua aflição.
Um dia a aurora rompeu o véu,
E a neve branca beijou-lhe o céu.
Ficou o cesto, calado, ao léu;
Quem foi embora não disse adeus.
Se alguém perguntar quem ela foi,
Responda apenas: "a dor constrói".
Pois quem na esperança firme se põe,
Mesmo partindo... jamais se destrói.
Há olhos que o tempo não faz fechar,
Há vozes que o vento insiste em guardar.
E quem ama tanto sem reclamar
Continua, em silêncio, a esperar.
Interesse
Meu interesse é viver uma paixão. Menina
Meu interesse é viver um grande amor. Menino
Meu interesse é muito raro não me desanima
É a paixão que dura um dia inteiro e a tarde termina
Meu interesse é longe distante de qualquer caminho
É o lenço que foge das lágrimas e chora sozinho
Meu interesse é viver uma paixão. Menina
Meu interesse é viver um grande amor. Menino
Meu interesse é um subir pra baixo descendo pra cima
É o punho girando o pandeiro dessa minha sina
Meu interesse não soma valor nem é levado em conta
É o sorriso no rosto menino depois que apronta
Meu interesse é entrar de cabeça na paixão menina
Não está escrito no bilhete aonde ela termina
Meu interesse é viajar na frente desse amor menino
Até que o samba alegre dessa vida chegue ao seu destino
