Textos de Manha
Encontro das almas
Em uma manhã qualquer, sem nenhuma intenção daquelas grandiosas, se encontraram a alma bela e a alma feia.
Como em um espelho, frente a frente se olharam.
Os olhos de uma focaram no centro, na minúscula íris dos olhos da outra. Nesse namoro do olhar não encontraram diferenças.
A alma feia passeou com seu olhar por todo corpo da bela alma. se encantava com cada centímetro que encontrava. Os lábios que via eram belos, as pontas dos dedos sutis, as curvas de seu corpo levavam a cada canto da bela alma, não se cansava de observar todos os detalhes possíveis. O sorriso da bela alma inundava qualquer um com alegria. Estava encantada, não conseguia acreditar. Quanto mais observava, mas beleza aparecia. O encanto se tornou inveja e ressentimento. O rancor da alma feia a tornava ainda pior, quanto mais observava mais horror surgia em seu ser.
A alma bela, também começou a observar. Quanto mais observava a alma feia, mais a tristeza crescia. Tentava encontrar a íris, a única coisa bela que sabia ali estar, mas os olhos de sua parceira não paravam no lugar. A feiura aumentava cada vez mais. Vendo tanta tristeza, sua beleza, começou a definhar. Escondeu seus belos lábios, suas mãos ela já não mostrava mais, seu corpo belo e imponente, aos poucos foi se encurvando, com cada segundo passado, a bela alma piorava até que, feia, encolhida e escondida, desistiu de olhar.
A alma feia, vendo o que sua feiura fez, não conseguia acreditar. Olhava para aquela alma que antes era linda, via apenas algo feio e encolhido. Sentiu satisfação. Tudo o que fazia a tornava mais ela. Se via beleza ficava mais feia, mas se via feiura não se importava. Nada alterava o que fazia parte de seu ser.
Já a alma bela estava encolhida. Mas ao se encolher, pode olhar para si mesma. Viu suas mãos, belas delicadas. Percebeu as curvas de seu corpo, se encantou consigo mesma. Sua beleza ressurgia aos poucos. Lentamente começou a levantar, quanto mais se observava mais beleza se via em seu olhar. Tornou-se ereta, bela como jamais foi.
A alma feia se irritou, só via beleza surgindo cada vez mais. Tentou olhar para os olhos da bela alma, a única coisa que ainda estaria menos belo, mas a bela alma não parava de se olhar. Quanto mais a alma feia tentava observar, mais feia se tornava.
Assim os anos se passaram, com a alma bela cada vez mais bela, com seu olhar preso em si mesma. E a alma feia, cada vez mais feia, tentando encontrar inutilmente o olhar da alma bela.
Seria/Síria
Queria poder me alegrar pelas flores que recebi essa manhã
Queria não sentir enjoo ao ver tanta dor
Queria um dia em paz
As vezes penso que deus é terrorista, por permitir tanta mente doentia
Quando ouço de bocas, o dito: JESUS TE AMA ou JESUS SABE O QUE FAZ então, está tudo programado?
As dores em Síria e Afeganistão será maldição?
O que faz aquela criança pagar com dor por tua alegria?
Israel e Palestina!
Em retinas estará estampado a dor
Mantra da destruição
Penso em ti
Na manhã, ao acordar, antes mesmo do café, penso em ti.
No caminho pro trabalho, com o canto dos pássaros, com o barulho da rádio e o frio da manhã, penso em ti.
Nas passageiras falas que ouço, nas cobranças, elogios ou conversas, penso em ti.
De formas variadas, em dias que não mudam, em devaneios que não param, penso em ti.
Nas madrugadas frias, relembro do que éramos, e mesmo que não queira, penso em ti.
No ciclo que não para, não sei quantas vezes te amarei, mas se possível, amanhã
Pensarei em ti.
É quando acordo de manhã com os pássaros cantando nas árvores e o sol forte no céu azul e meus pensamentos te procuram No vazio da cama e no travesseiro ainda sinto seu perfume sinto muita falta de você acordar com seu beijo acordado e ver a vida em seus olhos como um brilho de prazer e desejo tocar seu corpo é quando eu acordo e não te encontro ao meu lado, saudade é tristeza, um vazio sem você em meus braços, só para acordar com beijos apaixonados dizendo eu te amo
Se eu tivesse direito a um desejo e a vida me trouxesse de volta aquela que tanto amo
desejaria você para sempre em minha vida.
O despertar da saudade
“Sinto amor nas flores”
Flores que perfumam a vida,
Suaves toques de cor e de luz,
Nas manhãs, a esperança erguida,
No entardecer, o sonho que seduz.
Pétalas dançam ao som do vento,
Sussurrando segredos no ar,
Em cada aroma, um sentimento,
Em cada flor, um jeito de amar.
Elas brotam no campo e na alma,
Despertando sorrisos, ternura,
Sua essência traz paz e acalma,
Florescer é a própria cura.
No jardim do tempo passageiro,
São elas que ficam, que brilham,
Perfumam a vida por inteiro,
E com delicadeza, nos guiam.
O Eterno Xeleléu e o Eco de Rui Dourado:
Em uma manhã de domingo, as ruas de São Luís ainda despertavam preguiçosamente. No pequeno estúdio da Rádio Timbira, Rui Dourado já estava a postos, ajustando os controles e preparando-se para mais uma transmissão do seu icônico programa “Futebol de Meia Tigela”. Era um ritual que ele repetia há décadas, mas que nunca perdia o brilho.
Rui, com sua voz grave e inconfundível, dava vida a uma série de personagens que habitavam o imaginário dos ouvintes maranhenses. Entre eles, destacava-se Xeleléu, o puxa-saco mais querido e odiado da cidade. Xeleléu era uma figura caricata, sempre pronto para bajular os poderosos e fazer críticas ácidas, mas com um humor que arrancava risadas até dos mais sisudos.
Naquele dia, Xeleléu estava especialmente inspirado. “Bom dia, meus queridos ouvintes! Aqui é o Xeleléu, o defensor dos fracos e oprimidos… desde que não me custe nada, é claro!”, começava ele, com seu tom sarcástico. “Hoje vamos falar sobre o grande clássico do futebol maranhense, mas antes, uma palavrinha sobre nossos políticos… Ah, esses sim sabem jogar, mas é com o nosso dinheiro!”
Rui Dourado, por trás do microfone, sorria. Ele sabia que Xeleléu era mais do que um personagem; era uma extensão de si mesmo, uma forma de criticar e ao mesmo tempo entreter. A cidade parava para ouvir suas tiradas, e muitos se viam refletidos nas histórias que ele contava.
Enquanto o programa seguia, Rui lembrava-se de sua trajetória. Começou no rádio quase por acaso, sem receber um centavo, apenas pelo amor ao ofício. Passou por várias rádios, enfrentou dificuldades, mas nunca perdeu a paixão. E foi essa paixão que o levou a criar Xeleléu, um personagem que, apesar de fictício, se tornou tão real quanto qualquer pessoa.
O programa chegava ao fim, e Rui, com a voz já um pouco cansada, despedia-se dos ouvintes. “E assim encerramos mais um ‘Futebol de Meia Tigela’. Lembrem-se, meus amigos, o humor é uma arma poderosa. Use-a com sabedoria. Até a próxima!”
E assim, com um último aceno para o microfone, Rui Dourado deixava o estúdio, sabendo que, enquanto houvesse um rádio ligado em São Luís, Xeleléu e suas histórias continuariam a ecoar, levando risos e reflexões para todos os cantos da cidade.
"81.107 x 0"
Toda manhã, a solidão do silêncio me consome, minha consciência pesa,
A vontade de viver some, a tristeza me atravessa.
"Ego cheio, mente vazia", é assim na correria do dia a dia,
Com medo de ser nada, e de nada ser,
O que devo fazer?!?!?.
Estou cansada, não quero mais,
Me rasgo pelos outros, e para eles o corte é sempre pequeno demais.
Quero fugir para longe, ou simplesmente desaparecer,
Não posso me prender ao que me faz mal, mesmo que às vezes pareça me preencher.
Gosto de olhar para trás
E sentir o gosto saudoso
Dos pães em tiras de cada manhã
Gosto de olhar para trás
Fechar meus olhos
Sobre a cadeirinha dianteira da bicicleta
E deixar que o vento brinque
De esconde esconde nos fios pretos
Do meu cabelo em chanel
Gosto de olhar para trás
Só para sentir a velocidade em rodas
Transformando a minha franja
Em uma pequena cortina aberta
Gosto de olhar para trás
Mais precisamente à esquerda
Numa descida anos a fio
E dar bom dia aos patos brancos
Do quintal de terra sem lagoa
Gosto de olhar para trás
E lembrar de me sentir segura
Sob a capa do super herói
Que tem poder de proteger o mundo
Gosto de olhar para trás
Dar beijos rápidos
Nas bochechas cheias de ar que
Como bexigas
Murcham num estalo de alegria
Gosto de olhar para trás
Me sentindo acompanhada
Na melhor companhia bem humorada
De quem tenta
Entre suor, sol e luta
Ser melhor do que já é
Gosto de olhar para trás
De trás pra frente somos gigantes.
ACRÓSTICO PARA ANA
A s flores orvalhadas pela manhã
N as árvores pássaros cantores
A natureza pulsa em amores...
P onte salta sobre rio
Á guas em silêncio passam
U ma brisa sopra suave
L indo gorjear solta cada ave
A s flores tremem de frio...
P elas corredeiras canção das águas
U m cantar doce e rimado
J á o céu dá um fundo azulado
O s voos das andorinhas que chilreiam
L inda canção, no céu, permeiam...
Sednan Moura
ENCANTO PELO NATURAL
Pela manhã aquele fenômeno invisível
Tocou minha pele, e quer saber? Foi de uma fineza muito grande.
Tocou meu rosto delicadamente, lançou meus cabelos e o fez dançar.
Por um instante me deparei e viajei
Do quão gratificante é poder senti-lo.
Caminhei mais um pouco e percebi que ele me seguia. Em determinada posição de seu percusso, me embalava, não sei , mas de alguma forma me fazia seguir.
Logo mais tardinha, ele insistiu em voltar.
Veio como quem não queria nada. Já eu, ah,eu queria sim tua passagem sobre mim. Dessa vez a sensação era diferente, as árvores que o digam.
As árvores sem sossego se agitavam,
Pareciam felizes, ou não! Tendo em vista que o galho de uma antiga planta se quebrara. Quanta tristeza daquela natural antiguidade .
Dessa vez veio mais agressivo que o normal. Parecia que traria contigo teu companheiro mais proximo, a chuva! Talvez seria por isso a sua inquietação e felicidade.
Corria numa velocidade um tanto quanto assustadora. Em seu momento de fúria,
ouviam-se zumbidos e tremores das construções antigas, quase se desfazendo.
Por um instante me imaginei sendo ele,
Que apesar de invisível,devastador e medonho, é incrivelmente cobiçado e de uma nobreza rara e indispensável nesse planeta chamado Terra.
Uma noite ensolarada, manhã noturna, braços de mariposas, um vendaval de sacis.
Talvez seja mesmo uma loucura, talvez eu realmente esteja ficando louco, talvez, talvez e mais um talvez, que magnífico e grandioso é saber que um simples talvez já basta para uma rotina cansada, talvez seja um basta para esta rotina cansada, talvez seja esta a rotina depravada e incabível, talvez eu precise dormir, talvez descansar, talvez...
Ela é minha manhã de verão
É quente
É febre constante
É delírio que inebria
É alegria que invade
É a que muda o rumo da tarde
É o corpo humano, com poder supremo
É tudo o que ela quiser ser
É por aquele sorriso que queimo
É a minha manhã de verão
É a que tira meu ar
É a que me faz gargalhar
É a que mexe com tudo em mim
É a dona das minhas emoções
É para ela que escreveram
Todas aquelas canções.
É... eu te amo!
A obra celeste Emanuel Andrade 2024
Naquele dia acordara de manhã a procura do nada.
Sabia que para traz do nada estava vazio.
Tenho as minhas lembranças.
Denominadas memórias
Que transladam para o presente.
Açoitado pelo tempo
Que perdura no meu movimento porque vivo.
Também estou em repouso e descanso.
Em relação a rotação da terra em relação a outros astros, meu corpo que também tem uma parte celeste.
Estando em maior ou menor sintonia com a harmonia celestial e a vida.
A questão pertinente é do que é feito a terra e o sol?
Da terra e do sistema solar e da água necessitamos para subsistir.
As matérias são inatas e tem a sua identidade indivisível, na sua composição.
No campo espiritual, e no temporal onde tudo é infinito, temos vários estados da alma e estádios do espírito, num estado primário estamos numa organização espacial temporal e organização espiritual que passa pelo fluido das atenções, desenvolvimento em relação ao espaço e a vários pontos partida.
Segunda fase encontro conosco, encontro do eu icónico.
Terceira fase translação entre a luz e contato com corpo celeste.
To BE continue
em desenvolvimento
Sobre correr em uma manhã de domingo…
Não corremos sozinhos. Mas seguimos nosso próprio ritmo.
Há pessoas “escrotas” que correm disputando com o próprio ego, mas elas não sabem disso. E existem pessoas inspiradoras.
As pessoas inspiradoras nos impulsionam a seguir em frente.
Há quem corra pelo prêmio e aqueles que querem a experiência.
Há quem vá por pressão alheia e quem vai por estilo de vida.
No final, nos encontramos todos na linha de chegada. Após percorrer o mesmo percurso, porém de modo e tempo diferente. E aqui está o aprendizado.
E você, qual corrida está correndo?
Me lembrando e te sentindo
Ao acordar, na ausência do seu beijo de manhã para meu dia começar
Vou me lembrando e te sentindo;
Ao primeiro café do dia coar, o cheiro por toda casa exalar
Vou me lembrando e te sentindo;
Ao almoço preparar, no momento de me alimentar, sua falta para juntos nos sentar
Vou me lembrando e te sentindo;
Ao ir caminhar, para ti tentar não mais me recordar, o vento passa pelo meu corpo e é como se sentisse o seu tocar
Vou me lembrando e te sentindo;
Ao me banhar, com músicas altas a cantar, para de mim mesmo me dissipar, a água gelada ao meu corpo escorregar
Vou me lembrando e te sentindo;
Até mesmo no bar, que sento para me embriagar, para de todos os pensamentos me livrar, o álcool toca minha língua e é como se estivesse a te beijar
Vou me lembrando e te sentindo;
Hoje, até um cigarro sentei para fumar, o cheiro dele preciso nem comentar…
Vou me lembrando e te sentindo;
Ao céu olhar, a lua a brilhar
Vou me lembrando e te sentindo;
Ao me deitar, a sua ausência na minha cama para me ninar, as pequenas conversas antes do sono chegar
Vou me lembrando e te sentindo;
E mais uma vez, e de ti, todos esses longos dias, horas, minutos e segundos
Vou me lembrando e te sentindo.
Rafael Pereira Lopes 05/04/2024
Renascer
A cada manhã
O mundo é novo para mim
E nos finitos detalhes
Nascem e morrem
Os
Afetos e Desafetos
Designados e estigmatizados
Por
Padrões sem cores
Pode haver
Tempos mais belos
Mas
Este é o nosso
Criando e ofuscando
Nas lutas sem classes
É no desespero
Que aflora
A criatividade
Ainda é tempo
Mesmo
Que o tempo todo
Minha nudez
É
Absoluta
Numa perplexidade
De criança
Raphaella, Estrela da Manhã
No seu sorriso, o sol desponta,
Brilho que transforma o amanhecer.
Raphaella, flor que se encontra,
No jardim da vida, és puro viver.
Teus passos são versos de uma canção,
Melodia leve que embala o coração.
Em cada risada, uma nova esperança,
A magia do mundo em sua dança.
Nos olhos teus, a luz do universo,
Reflexo de sonhos, um lindo verso.
Com coragem e graça, você vai longe,
Cruzando horizontes, onde a vida se expande.
Raphaella, filha querida, tão forte e gentil,
Teu amor é o abrigo, é o meu perfil.
Nos desafios, és sempre a coragem,
Com você, cada dia é uma nova viagem.
E quando a noite chegar, eu vou te lembrar,
Estarei sempre aqui, a te apoiar.
Tua luz é eterna, um farol a brilhar,
Raphaella Braz, meu orgulho, meu lar.
Para minha filha Raphaella Braz
Passos certos
Trevas se dissolvem
Numa claridade dúbia.
Descortino a manhã indolentemente.
Uma claridade triste atravessa as cortinas…
As sombras se desatam suavemente.
Inquieta desenho formas no pó dos móveis.
Uma solidão amarelada pelo tempo.
A cortina faz suaves movimentos.
Sinto que não sou tão forte como imaginava.
A luz não é suficiente pra me dar a força que preciso.
Espreguiço-me.
Viro pro lado.
Vejo o futuro na parede desenhado.
É preciso da cama me levantar.
Tenho no coração toda a vontade do mundo
de sair por aí e passos certos dar.
Um/Uma
Um Simples Gesto
Um Café da Manha
Uma risada sincera
Uma aventura na praia
Uma família à espera
Um jogo qualquer
Um almoço corrido
Uma noite de jogos
Uma surpresa agradável
Uma virada com fogos
Um abraço apertado
Um conselho gentil
Uma viagem inesperada
Uma sessão de cinema
Uma bela morada
Um rapaz tímido
Um paizão incrível
Uma pequena linda
Uma mãe perfeita
Uma família unida
Certa manhã alguém me falou que eu era um pássaro
Que a verdade alguém me roubou
Que eu era livre
Que eu precisava de mais
Que eu não entendia
Achava que voar não poderia jamais
Achava assim que era proibido
Mas meus instintos eram inibidos
Sobre a liberdade, não sabia o que era verdade
Entre tantos medos e mitos
Meus desejos eram oprimidos
Mas de repente eu estava voando
Respirando a liberdade
O mundo conquistando
Pássaro que voa
Asas que batem
Canto e alegro
Ante esse mundo selvagem
Abra sua mente, ouça seu coração
Voe pra bem longe da opressão
Use suas asas pra voar
Pra amar, pra se libertar
