Textos de Mãe para Filho
Mês das Mães
Fazemos muitas besteiras ao longo da nossa vida. Quando a adolescência chega é um tal de: “eu que sei da minha vida”, “minha mãe não sabe de nada”, “me deixa” e “ai que saco”!
A adolescência parece até a terra do nunca, a gente quer que o tempo voe pra poder mandar no próprio umbigo, e esse dia nunca chega.
Um tempo de luta, onde queremos mostrar para mundo(colegas), quem somos e do que somos capazes. E nesse período os nossos pais são empecilhos pra todas nossas ousadias. Essa fase nada mais é que o toque final das mães lapidando os filhos.
Coloco a mãe em primeiro lugar na educação dos filhos porque normalmente é ela que passa mais tempo com o filho, mas sabemos que existem exceções.
Eu passei por isso como filha, e agora como mãe, posso dizer com certificado e tudo, que só fui entender minha mãe, quando estava repetindo as mesmas atitudes dela, justamente com o que mais me irritava.
É engraçado, porque o tempo muda, as coisas evoluem, mas a educação essa é uma só, ou você ensina pra que seu filho não sofra no futuro, ou você sofrerá junto com ele mais tarde .
Estamos vivendo uma nova era em que criança tem opinião, se intromete em conversa de adulto, desrespeita os mais velhos e ainda denunciam os pais. Isso pra mim é muita falta de “havaianas” . Comigo não tem essa de “não pode bater”, o que não pode é espancar, mas uma chinelada de leve pra educar e mostrar quem manda ahhh tem que ter sim !
Criei os meus filhos muito bem, graças a Deus e ao meu companheiro! Assim como eu fui bem criada, com umas chineladas e castigo de horas trancada no quarto pra pensar. Fiz a mesma coisa com os meus, mas toda vez quem se dava mau era eu , porque os bonitos dos meus filhos ficavam com febre durante o castigo no quarto. Onde já se viu ter febre por não poder brincar , só Deus na causa!
E se me perguntarem se tenho rancor dessa época, respondo de pronto! Eu queria tudo de novo, igual quinem! Tá é doido que eu trocaria minha juventude ativa, cheia de pique esconde, caiu no poço, garrafão, enfinca, bete pau, cama de gato, pular elástico… por essa juventude virtual que nada é de verdade, nem mesmo os pais. Me desculpem mas mãe de verdade participa de tudo na vida do filho, mesmo que eles sintam vergonha. É melhor ter vergonha da gente por excesso de participação do que pela falta dela!
Seja a mãe que você gostaria de ter por perto, dê valor aos cuidados que sua mãe tem por você. Mãe sabe tudo sobre tudo, até mesmo aquela que nunca estudou, essas parece até que sabe ainda mais na hora de educar. E por falar em educar, lembre-se sempre se você é mãe você tem que dar exemplo dentro e fora de casa.
Eu fui uma boa filha, amo ser mãe,agora é só esperar pra saber como serei como vovó. Porque dizem por aí que ser vó é ser mãe duas vezes, dever ser porque uma e só pra mimar e outra pra estragar. Será?
Mulher
Um dia importante para o âmago da humanidade, a prova que o amor ainda existe.
A luta começa, no nascimento, o caminho é árduo, as escadas são mais altas, mas tudo vale a pena quando o sucesso é alcançado. Determinação é tudo!
E tudo recomeça, com um novo nascimento, o sopro da vida é concedido à outro Ser. Assim, é garantido o ciclo da vida.
Amo muito vcs! Essa distância às vezes sufoca. Principalmente nos dias de domingo, onde geralmente já acordo com uma angústia enorme no peito. E nesse dia que, desde pequenos na beliche de casa, ouvia irritado a esperada voz (levantem, escola dominical!). Era nos domingos que a comida tinha um sabor mais "amor de mãe", era nos domingos que o cunhado folgado ia comer em casa, que os sobrinhos corriam pela casa me deixando extremamente irritado (até olhar para a beleza e pureza que carregavam). Domingo...
Sempre aprendemos ser o dia da família...
Onde vamos almoçar hoje? hahaha
(Era sempre assim)
Domingo que hoje para mim se tornou indiferente, frio e inafetuoso. Nostalgicamente me alimento dessas lembranças, elas fazem romper um pontinho de luz em meio a tanta solidão e vazio...
Domingo em família!
Viver é carregar um balaio cheio de promessas incluindo as esperanças.
Só que na caminhada nos ajudam alguns “anjos” dentre todos a deusa a divina a soberana Mãe,
... a única que nos educa com o puro Amor, jamais punindo nos molde do carrasco, prefere os moldes do coração e quando o faz bota uma pitadona de carinho, devoção, afeição e perfeição do feminino e tudo proveniente do Amor Divino!
Para Pensar
O Apocalipse da Meia Fina.
Por Kate Salomão
Certa vez enquanto eu me arrumava para ir trabalhar, minha avó me observava.
E eu perdida em minha loucura, estava fazendo mil coisas ao mesmo tempo e não encontrava minha meia de fina de jeito nenhum. Eu já havia vasculhado tudo e nada de encontrar.
Minha mãe, tentou falar comigo e eu nervosa dizia:
- Não posso parar para te ouvir ou vou perder a hora.
E minha avó sem dizer uma palavra se quer, só me observava, claramente o
"Apocalipse da meia fina " tinha chegado aquele lar.
E quando eu já tinha chegado ao ápice do meu nervosismo; minha avó colocou uma xícara ☕ de café sobre a mesa e me pediu calma e me disse que tudo daria certo, que às vezes nos preocupamos desnecessariamente e vemos problemas onde não existem.
Eu a olhei e pensei: _- dessa vez a vovó errou!! - A dita cuja da meia fina pode me levar a perder o emprego.
E ai me acalmei forçadamente e justifiquei isso a ela.
A vó Maria me olhou, levantou a sobrancelha, abriu a geladeira e tirou a embalagem com a meia fina de dentro do congelador❄, ( dica, dificulta que a meia fina desfie), e a colocou do lado da xícara de café ☕.
Meu rosto se iluminou.
E ela começou... filha, seu senso de responsabilidade me orgulha e sei que certamente você seria despedida de seu emprego, se hoje não fosse sua folga.
A você
Que me deu o seu mundo
Que me deu tudo
Que me conquistou
Que sempre me amou.
A você
Que sempre sentia minha dor
Que me tratava como uma flor.
A você
Que sempre esteve ao meu lado
Que sempre me teve em seus braços
Admiro você de coração.
A você
Querida senhora que agora descansa em paz
Não quero olhar para trás (com remorso)
Pelo que eu não fiz
Pois sei que em muitos momentos te fiz feliz
A você MÃE
Obrigada por tudo
Nos veremos na glória
E vamos nos abraçar
E na eternidade felizes com Deus vamos estar.
A você
MÃE
Meu muito obrigada.
Eu sou Mano Grão. . Rosildo Antunes... apenas mais um grão entre essa multidão de passageiros que contemplam a vida observando e lutando por um mundo melhor pra maioria que assim desejar.
Se vc és um desses.. compartilhe o amor é faça por onde trabalhando nisso objetivo. FÉ EM DEUS
E
FORTE ABRAÇO
DIA DAS MÃES -2019
Mamãe venho aqui celebrando
Mais um dia seu estou poetando
Dias sempre melhores desejando
Mãe ternura, mãe tão especial
De mim cuidou e educou geral
Mãe sagrado arquétipo universal
Mãe a ti toda minha gratidão
Mulher forte, a minha devoção
Te amo de todo o meu coração
Nome é eterno no meu coração
02
Mãe dedicada e amorosa
Mãe que ama com satisfação
Passa a vida colhendo emoção
Filhos, sementes do coração
Mãe feliz vive sempre sorrindo
Passa a vida o lar construindo
Sementes de amor vai distribuindo
Mamãe mercê toda consideração
Ser amada com toda emoção
Mãe VOCÊ para mim és inspiração
Colha a gratidão de meu coração
03
Mãe cativante
Ao seu lado viverei
Com você eu cantarei
Ao seu lado aprenderei
Seu amor me envolverá
Boas energias despertará
Sua bondade me ajustará
Buscarei o meu caminho
Mãe me orientou no ninho
Com fortaleza e carinho
Abençoada seja minha mãe
Quando você se foi, achei que era apenas uma viagem de alguns dias...
Mas não havia percebido que em sua mala havia toda minha ternura e amor...
E o vazio que ficou jamais será selado diante da eternidade, pois a saudade me assola todos os dias e em minha mente há uma batalha épica para não te esquecer jamais mãe.
Você já conheceu algum ser vil, capaz de simular com maestria uma origem nobre, se fazer passar por uma pessoa doce e ingênua, enquanto sai por aí assediando pessoas com as suas maldades e colecionando as suas conquistas?
Normalmente, a sociedade enxerga nesse perfil um charlatão meio "mascate" em emboscadas comerciais ou aplicando golpes a mulheres indefesas emocionalmente mas com uma boa estrutura financeira.
Não! São pretensas "indefesas vítimas" do destino. Elas não têm o pudor de tomar a lei para si injustamente, só entram para ganhar usando de sofismas para o seu embasamento de vida.
Dinheiro, poder e falsidade: não há uma só pessoa que escape da sua espada pelas costas. E às suas testemunhas, o golpe mortal, elas aplicam todo o seu dinheiro para o descrédito.
Mas, por fim, a casa sempre cai...
“Me represente, minha filha.
Com amor, suavidade, firmeza.
Com as virtudes sagradas
Que trago em meu coração.
Irradie à suas irmãs!
Em unidade com suas irmãs,
Cuidando de nossos filhos!
Seja Mãe como eu!”
Durante uma comunhão na cidade de BH em 28/04/2013 senti um forte ímpeto e quando percebi havia escrito este texto reflexivo!
Hoje...
É Um dia qualquer pra muitos...
Mas pra mim...
Um dia mais que especial....
Então..
Aqui Meditando...
Viajando com os meus pensamentos....
Tudo que vivi até hoje....
E fui me perguntando...
De onde eu vim...?
Ah....
É claro..
Vim de Um sopro Único...
Dentro de um ventre...
E nele....
Entre milhões....
Sobrou Eu...
E só em pensar nisso...
Ja me sinto um vencedor...
Porém....
Mais uma vez me pergunto...
Como....?
Como venci milhões...?
Ah...
Um ventre sagrado...
Um ventre nobre...
Capaz de me sustentar por nove meses...
Do nascer...
Ao colo...
E nesse colo eu Mamei....
E cresci....
Agora...
Estou aqui....
Escrevendo partes...
De como cheguei aqui....
E nesse poema...
Não faço pra mim...
Ele é Feito somente para ti...
Sim....
Pra ti minha Mãe....
Sei eu...
Que tivestes dor....
Muita dor....
E nessas dores que teves...
Algo te Acompanhou...
Um força extrema....
Mais que puro Amor....
E foi o teu Amor....
Que me gerou....
E é isso...
Que me faz chorar sem sem sentir...
Esquecer-te minha Mãe...
Não tem como....
Posso até sentir...
Atravez desse meu escrevinhar....
A dor que aqui me sangra....
Que um dia sangrastes também...
Amar-te minha Rainha....
Pois dói na pele...
Dói o peito....
Dói a alma...
Dói tudo em mim....
E é sentindo essas dores....
Que te amo cada vez mais....
Mesmo distante de ti....
Faço essas palavras...
Com perfume da flor para você...
Covarde seria eu....
Em não te homenagear....
Mas apenas poemas não bastam....
Preciso sentir mais....
Quero que esse poema...
Toque sua Alma....
Enquanto vives aí....
Eu vivo aqui....
Resumo pra você minha Mãe....
A gente mora longe um do outro...
Momentos mágicos tivemos...
Pra mim....
Não teria sentido a vida...
Se eu não lembrasse desse seu dia...
Nossa história....
Quem sabe Contaremos e cantaremos por aí....
O que vivemos....
Olha as barreiras que vivemos....
Eu fico feliz por ser seu filho...
Mesmo triste distante...
Mas te amo...
Meu anjo bom...
Esse amor Real que vive aqui...
É somente para ti....
E aqui estou...
Ansioso para te ver novamente....
Vá até sua janela...
Se sentir um calor...
Suspire fundo...
Abrace seu travesseiro....
E nele...
Me encontrarás.....
Te quero muito minha Mãe...
Saudades eternas de você....
E quero....
Em breve estar ao seu Lado...
Ser Mãe...
Muitas querem...
Mas ter o sublime Amor...
São poucas que se atreve.....
Falo e repito...
Grandiosa tu és..
Conduziu todos seus filhos...
Com fé e muita garra...
Só te peço perdão...
Por todos erros meus...
Minha Luz que Reluz...
Com amor e dedicação.....
Te amo....
Mãe do meu coração....
Autor :José Ricardo
Seu amor
Suas lágrimas
são tudo que vejo,
pois são nelas que sinto,
sua dor, raiva e tristeza.
Seu sorriso é meu viver.
Seu sorriso é capaz,
de fazer alguém sorrir
mesmo na beira da morte.
Seu amor é tudo que tenho,
é neste grande coração
que se habita
o verdadeiro sentido da vida.
Instagram: @poemas_da_vida_sao_fantasia
Dia do amor...
Dia do amor visceral
Dia da atenção desmedida, do cuidado incomensurável
Dia do sorriso regado às lágrimas
Dia da dor imperceptível
Dia das noites de espera
Dia do aconchego
Dia do melhor tempero do mundo
Dia da renúncia
Dia da presença indispensável
Dia da paz, da justiça e da sabedoria
Dia da saudade infinda
Dia da divina humanindade MÃE.
Sempre ouvi falar que orações funcionam.
Por muito tempo pedi que tudo desse certo em minha vida.
Que o planeta fosse bom.
Que as pessoas não fossem tão cruéis.
Que o mundo seja um lugar melhor.
Que minha mãe fosse curada...
Sempre a procura de um pedido que se realizasse, uma “oração” que funcionasse
Súplicas, inúmeras vezes súplicas.
Mas vocês sabem como o mundo funciona.
Bem... no final, de certa forma todas cumprem sua função.
Amor...
quatro letrinhas que significam muito.
Significa se doar incondicionalmente...
Significa vontade de estar perto...
Significa querer proteger sempre que possível...
Significa ler alguns pensamentos...
Significa traduzir sentimentos...
Significa doação...
Significa perdoar deslizes moderados...
Significa acreditar até quando vocês desacreditam...
Significa ser parceira...
Significa estar presente, mesmo que distante...
Significa amar, amar e amar.
Se o que eu sinto por vocês não for amor, não sei o que é.
Amo amar vocês!!
Filhas da Mãe...
Obrigada por ser o motivo dos meus pensamentos, dos meus bons sentimentos e da minha vontade de viver!!!
*Amo amar vocês!!*
Mamãe!
Primeira palavra balbuciada,
repetida zilhões de vezes.
Clamamos seu nome no medo, alegria, socorro, sucesso, tristeza,
amor, desespero, euforia, gratidão...
Mãe sabe tudo, cura tudo
e cuida corrigindo nossos desvios.
Mãe é presente de Deus, agradeça!
Feliz Dia das Mães !
Quando nada existia, mamãe-do-Céu me deu uma alma.
Quando precisei de abrigo, mamãe-Terra me acolheu.
Quando estive pronto, mamãe-mamãe me deu a vida.
Quando tive curiosidade, mamãe-professora me ensinou.
Quando tive medo, mamãe-sentinela me protegeu.
Quando tudo era regra, mamãe-vovó me deu liberdade.
Quando me feri, mamãe-doutora me curou.
Quando me entediei, mamãe-amiga brincou comigo.
Quando chorei, mamãe-colo me abraçou.
Quando quis amadurecer, mamãe-esposa me tornou pai.
Eu percebi que maternidade é Amor disfarçado de presente.
Todas as nossas mães, em todos os seus disfarces, entregaram-nos tudo o que há de mais importante.
Cabe-nos agora aprender que nada de relevante nos falta. Talvez o único que falte seja compartilhar esse infindável oceano de Amor que nos foi presenteado por todas elas.
A Revolução dorme na Periferia
Revolução nasceu na periferia, magrela e desdentada mal podia chorar. Não teve forças pra mamar pela primeira vez no peito murcho e já quase seco de sua (ama de leite), vizinha de parede, que havia parido alguns meses antes uma dupla de desajustados (como fez saber alguns anos depois a escola). Ela, Revolução, cresceu em uma rua de terra agitada no bairro mais violento da Zona Norte, onde até o medo tinha medo de estar. Lá não tinha nada (parques, praças, quadras, ruas asfaltadas, essas coisas), mas também não tinha nada de mais, era um lugar comum, feito qualquer um, feito outro lugar qualquer. Era lugar onde se podia encontrar a mais variada gente, onde a alegria vivia cercando as pessoas e a vida pulsava em uma intensidade diferente.
De fato, lá tudo era mais intenso! Os sorrisos, o choro, o cheiro de frango frito, a catinga da cachaça no hálito seco e duro dos bêbados quase mortos caídos na calçada de qualquer jeito e o cheiro da erva, da pedra e da dor que ecoava da tristeza dos olhos da mãe resoluta, sem saber o que fazer diante do excesso que a intensidade do lugar propiciava. Lá democracia era na (b) fala de quem pudesse se impor e, o silêncio, a primeira lição aprendida já ao nascer. Lá buraco era buraco mesmo, fundo, bem fundo! E cavava-se até não ter mais como continuar e quando o buraco já estava mudo, criando impossibilidade de se continuar, cavava-se ainda um pouco mais até o fundo escondido abaixo do fundo que existia no buraco, antes desse se tornar cova. O que não era incomum!
De Revolução só se sabe os sonhos que contava baixinho ao pé dos ouvidos da professora, única pessoa que ela confiou até hoje. Uma senhorinha bem velha, com hábitos estranhos e vestes (alternativas), que contava com orgulho ter pegado em arma nos tempos de escola, durante o período da ditadura militar, onde se reunia com suas colegas durante a noite dentro de uma manilha abandonada na Rua Um (primeira rua a ser pavimentada no bairro), e lá tramavam subversivamente contra os desmandos do governo golpista. Revolução lembra-se dos limões que chupava pra matar a fome e do nó nas tripas que sentia sem poder gritar, lembrava-se dos amigos e amigas que morreram mudos e também dos que conseguiram a liberdade, ainda com pouca idade, na mão de algum salafrário abusador. Revolução reconhecia naquela senhorinha a sua única saída, se espelhava nela e em sua filosofia de vida; a Educação tanto falada pela professora tornou-se seu hino da mudança, sua única esperança de evoluir, já que tudo ali parecia fadado a murchar. As manchas brancas e a pele áspera de Revolução eram dos vermes e das lombrigas adquiridas no contato com a água podre que corria sob sua casa. Revolução cresceu faminta, lambendo os beiços enquanto assistia o frango rodar na ilha de assar exposta no passeio da padaria de seu bairro, onde aprendeu desde muito cedo a se virar. Aos treze anos, Revolução se perguntava por quem todos ali morriam? E perguntava-se também, porque morriam tantos ali todos os dias? Revolução era feliz, apesar de tudo! Talvez procurasse algo, talvez não soubesse ainda o quê, tateando sempre no escuro era mesmo difícil de saber.
Revolução já dava sinais de cansaço e andava meio sonolenta nas aulas, já não se importava com as revoltas nas ruas, nem se revoltava com as incursões da polícia na favela, nem com a iminência da morte de seus amigos subindo e descendo vidrado(s) feito soldados, nos becos e nas vielas, nem com o cheiro de pó e pólvora que impregnavam as suas narinas e oprimiam seus olhos. Revolução incrédula olhava pela janela e sem poder acreditar via a vida diferente. Mas não sabia explicar o que estava vendo ou sentindo! De repente, tudo que foi sempre torto parecia ter se endireitado, parecendo fazer algum sentido. Revolução sentia as juntas doerem e parecia ter os sentidos alterados, as pernas reclamavam o peso de seu corpo e os enjoos e náuseas acentuavam. Já sem paciência, Revolução curvou seu corpo franzino e em meio ao sangue que jorrava angustiante por entre as suas pernas juvenis, pariu gêmeos. Caída no chão da cozinha e sozinha no barraco, nem lamentar podia. E se lhe perguntassem quem era o pai... O que ela diria!
Os dois filhos de Revolução foram criados pela professora e cresceram e viveram até a vida adulta e, apesar da culpa, todos entenderam a importância da luta daquela mulher. Filhos (bem sucedidos) da Revolução nasceram do ventre estreito de sua genitora, mirrados, sem esperança e famintos, foram acolhidos pela professora; e apesar do karma em seus (DNA’s) cresceram argutos, espertos, astutos e hoje lutam pra que outros também possam revolucionar. Lutam para que outros vivam, para que outros não se calem, nem sejam silenciados. E se hoje vivem, é para servir de exemplo, ser espelho da Revolução que na periferia ocorreu... Preta, catadora de lixo e guerreira que nos pariu e morreu. Revolucionária do dia a dia que viveu e morreu um dia de cada vez, que cresceu ouvindo a professorinha dizendo que quem luta e não se cala, cala a fala de muitos e muda a forma que o mundo conforma quando distribui a sorte e desenforma a forma que o deus dos brancos escolheu. Cresceu ouvindo a professorinha dizendo que: - “Quando a periferia tomar consciência de sua importância para a sociedade verá, nesse dia, o desencadeamento da maior revolução da história do Brasil”. E de tanto ouvir a professora falar moveu seu mundo e mudou o rumo de tudo, revolucionando o rumo que a vida preestabeleceu, seguiu em frente orgulhosa enquanto o futuro moldava o presente de toda aquela gente que o passado estranhamente esqueceu. Hoje dorme na memória revolucionária da periferia que na história dos livros ninguém leu.
Ela gosta sim de flores, gosta de carinho, de um mimo; de ter um dia só para ela, de se sentir importante, amada…
Gosta das mensagens que recebe no Whatsapp. Dos posts lindos que encontra no Facebook. Dos poemas e homenagens feitos pelos poetas. Tudo isso é bom. Mas o que ela mais valoriza de fato são as atitudes diárias. O respeito por parte de quem lhe diz palavras bonitas em seu aniversário ou em datas como agora no dia das mães. Ela quer ser valorizada como mulher. Como alguém que também precisa ser percebida, admirada, levada para certos lugares. Quer ter o direito de não se sentir forte o tempo todo, sair um pouco da realidade. Da condição inevitável de ser a alavanca, coluna principal do mundo. Ela não aguenta mais esse rótulo de heroína. De super mulher. De ter de ser forte em tudo e com todos. Ela só quer alguém para dividir o peso de tudo aquilo que carrega. Quer brincar com os filhos até cansar. Sorrir escandalosamente feliz ao lado de alguém, sem essas preocupações de tudo.
Ela quer ter paz, momentos de diversão com as amigas. Chorar, às vezes, quando preciso e ser resgatada, acalentada, compreendida…
É claro que ela ama ser mãe, mas ama também ser mulher.
E ambas as condições se completam em uma só vontade: de ser apenas ela mesma, como mãe e como mulher. Sem rótulos e sem paradoxos.
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