Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo

Invicta


Invicta, é poesia inacabada: o mundo poético dentro de uma cidade.
O Douro escreve poesia líquida nas margens das rugas da ribeira.
O nevoeiro na invicta não é clima: é véu. E todo véu oculta um portal.
Há portas na cidade que só se abrem a quem carrega profundidade e revelação. Cada varanda é uma metáfora, cada rua um poema à espera. No Porto, a alma encontra abrigo porque sabe o que é amar em silêncio.

Suor da Lua




O teu corpo aproxima-se do meu como um inevitável eclipse, e o universo inteiro vibra
à força do que pulsa entre nós.


Quando tu me tocas,
não é apenas pele — é tempestade,
é um magnetismo profundo
que grita por dentro
e reacende tudo
o que eu escondi.


O teu cheiro envolve-me,
prende-me, arrasta-me
e eu deixo-me levar
porque há algo em ti
que fala diretamente
ao que em mim é puro fogo.


O teu hálito roça o meu silêncio, entre sombras, a tua pele acende o meu desejo em chama lenta.


No toque que quase acontece,
perco-me internamente
na promessa do teu corpo,
onde os poros bebem o suor da lua.
E quando a tua boca encontra a minha boca, com essa urgência densa, selvagem,
o tempo rende-se, e o meu nome submerso na tua saliva, arde insanamente na tua boca.

Que este Natal nos envolva,
como um laço leve e eterno,
e que o meu abraço
seja o teu porto seguro,
e o teu beijo seja
o meu abrigo de luz que acalma.
Existe magia nesta época,
ela vive em nós dois,
no gesto simples de estarmos juntos, és chama mansa e luminosa
a aquecer o meu inverno interior.
Contigo perto perto de mim,
é Natal no meu peito inteiro.

Sem Retornar


Somos onda e rocha,
queda e voo,
suspiro e alívio,
numa melodia que só existe
quando a tua pele
contra a minha,
torna-se combustão.
Os nossos corpos
ferverosos e urgentes,
procuram os gemidos
que desfazem as incertezas,
numa febre que se acendeu
vagarosamente.
E eu ardo.
Ardo contigo,
por ti,
em ti.
Sem medo,
sem freio,
sem retornar .

Natal




Natal não é a data que aparece no calendário, mas o silêncio de alguém
que se aprende a escutar.
É pão repartido antes de ser explicado, é perdão antes de ser merecido, é a ética simples de um gesto pequeno que salva mais que discursos bem vestidos.
No ponto máximo da humanidade,
o sentido acontece.
Natal não termina à meia-noite.
Ele começa quando alguém escolhe ser luz num mundo mascarado de bondade, e o homem, por um instante, aprende que existir
é caber no outro.
Amar, depois do Natal,
é continuar o milagre de aprender
a partilhar quando o mundo grita.

As minhas mãos percorrem
o teu corpo
com a urgência das marés cheias,
e o teu corpo responde
em ondas que quebram, insistentes,
na areia quente do teu ventre.


As nossas bocas procuram-se
como se o mundo fosse acabar
no próximo segundo,
línguas que escrevem promessas
no sal da pele arrepiada.
Somos dois abismos
à beira do mesmo precipício,
caindo um no outro
sem medo da queda.


E quando o prazer nos atravessa
como um relâmpago a rasgar o céu,
não há mais nome, nem forma,
apenas o pulsar desmedido
de carne, desejo e entrega.
Depois, exaustos e ainda a arder,
repousamos na brasa suave do pós-fogo, sabendo que basta um olhar
para que tudo comece outra vez.

Pai,
desde que partiste
há um silêncio diferente na casa
— um silêncio que tem o teu nome.
Ainda espero, às vezes,
ouvir os teus passos na porta,
como se fosses entrar
com o mesmo sorriso tranquilo
de quem sempre soube cuidar de tudo.
Faz-me falta a tua voz, pai.
Faz-me falta o teu conselho simples,
o teu abraço forte
que parecia dizer
que nenhum problema
era maior do que nós.
Levaste contigo tantas palavras
que eu ainda queria dizer.
Tantos dias que ainda queria viver
ao teu lado.
Mas deixaste tanto em mim.
Deixaste a coragem que me ensinaste,
o coração que me formaste,
e esse amor imenso
que nem a distância da morte conseguiu levar.
Há dias em que a saudade dói tanto
que parece não caber no peito.
E nesses dias eu olho para o céu
e imagino que estás ali,
orgulhoso, como sempre estiveste.
Sei que já não posso abraçar-te,
mas continuo a falar contigo
em pensamento,
como um filho que nunca deixou
de precisar do pai.
E prometo-te uma coisa:
enquanto eu viver,
irei cuidar da tua eterna amada:
a minha querida mãe,
e dos meus queridos irmãos.
Pai, tu viverás em mim
em cada passo,
em cada decisão,
em cada pedaço de amor
que aprendeste a dar-me.
Profundas saudades tuas,
meu querido pai.
Para sempre.
As minhas lágrimas
escrevem no meu rosto:
Amo-te, pai,
como sempre te amei
e como sempre te amarei.

Despeço-me da roupa
como quem abandona o dia
e encontro-te na sombra macia do quarto.




Os teus olhos percorrem-me devagar,
com a saliva tranquila de quem sabe esperar. Sinto o teu toque subir pela minha pele como um fogo lento que acorda cada nervo.




A tua boca aproxima-se do meu pescoço, quente, demorada —e o ar entre nós torna-se
mais pesado, carregado de desejo.




A minha boca perde-se
nos teus famintos seios
descobre os caminhos que o corpo guarda para noites em que a razão adormece.




E quando finalmente me puxas para ti, pele contra pele, respiração contra respiração, o mundo encolhe até caber entre os nossos corpos.




Ali ficamos, presos um ao outro,
num ritmo antigo e secreto,
onde cada suspiro diz
aquilo que as palavras
nunca ousariam dizer.

A tua pele chama a minha,
num desejo sem recuo.
Cada gesto teu provoca
um incêndio quase nu.




O ar prende‑se entre nós,
como se o mundo parasse ali.
E no ritmo que inventamos,
é o meu corpo a guiar o teu,
sem pressa de fugir.




A tua respiração prende-se na minha,
num jogo que nenhum de nós quer terminar. E quando a madrugada vibra entre os nossos corpos,
é aí que o desejo fala mais alto,
a pedir que a noite não saiba acabar.




Sinto-te na alma inteira,
numa verdade tórrida
que percorre o meu sangue
e rasga o meu silêncio.

A Casa que Fazes em Mim


Quando visitas o meu pensamento,
as horas derretem-se
como se o tempo tivesse aprendido
a respirar ao ritmo do teu nome.


O amor torna-se simples,
quase uma luz que se acende sozinha no silêncio onde cabemos os dois.


E há em ti qualquer coisa de infinito,
um gesto que me chama,
um abraço onde o coração
encontra casa.


Se amar é perder-me,
que seja sempre assim:
perdido em ti, e finalmente inteiro.

A Vida ao Fundo dos Teus Olhos


Amar-te é reconhecer
que o infinito
não vive nas estrelas, mas no intervalo entre o teu silêncio e o meu.


Quando anoitece, descubro
que o corpo também pensa,
que a pele também tem sede.


Há em nós um pensamento antigo,
como se o universo nos tivesse imaginado antes de nos encontrarmos.


E se o mundo ruísse agora,
se tudo se desfizesse em pó,
ficaria ainda este fogo
o teu, o meu, o nosso
a incendiar o que resta da noite.


No teu beijo encontro a origem,
no teu corpo a razão,
no teu olhar a prova
de que o universo não é caos
é escolha.


E eu escolho-te,
mesmo sabendo
que o amor
é sempre um risco
que vale a vida.

Quando entro no fundo de ti,
o mundo afina
o seu próprio silêncio,
como quem encosta a alma
a um grito no precipício
para ouvir se ainda ecoa.




Há instantes que nos escolhem
antes de sabermos o nome deles
e tu és esse instante:
a forma mais suave
que o destino encontrou
de me tocar.




Há encontros epidérmicos
que não passam,
ficam suspensos,
como lua cheia
a reconhecer o próprio destino
no rosto de alguém.

F.C.PORTO


No peito, um dragão desperto.
No relvado, a coragem nas veias.
No grito, a alma inteira a pulsar.
Ser Portista é nunca baixar a cabeça,
é vencer mesmo quando o vento é contra.




Dragão de asas abertas,
rasga o céu como quem reclama destino. Onde outros hesitam, ele avança: fogo azul a iluminar o caminho. No retângulo, cada passo é um decreto, cada ataque, uma lenda em construção.




O Porto não joga futebol ,
escreve epopeias em relva viva.
Porque o Futebol Clube do Porto
não é um clube, nem um símbolo:
é um reino de coragem pura,
guardado por um Dragão que nunca dorme.

Sismografria das Almas




Beijo-te e sinto o peso de todas as vidas que viveram e morreram para que este instante existisse.
Somos partículas fugazes vestidas de desejo. E, no entanto, quando os meus dedos roçam a tua pele,
o nada torna-se tudo, o efémero torna-se infinito.




Tu és a prova viva de que o amor transcende a lógica fria das galáxias e dos átomos cegos.
O que sinto por ti não é emoção,
é geologia. Como placas tectónicas
que se movem nas profundezas do fogo e do mar
séculos antes de qualquer palavra.




Que o vento nos leve até ao fim dos dias, e que mesmo na escuridão final, reste o brilho de dois corações que ousaram ser inteiros. Porque amar é aceitar a gravidade da outra alma: escolher, no meio do caos, a beleza frágil e dizer ao vazio: valho a pena por ti.

Sempre busquei a naturalidade, até perceber que isso parecia ser um tabu para algumas pessoas.
Confundiam minha simplicidade e meu silêncio com relaxamento, quando, na verdade, eu carregava muito mais do que aparentava: um cansaço físico e mental que me consumia e se tornava cada vez mais exaustivo a cada dia.

Essa não é mais uma carta de amor ou de desabafo
Essa carta é um pedido silencioso a Deus
Deus eu te peço humildemente que me ajude a sair daquele lugar
Me ajude a sair daquele lugar que me aprisiona, que suga a minha saúde mental
Me ajude a sair daquele lugar que me tira a vontade de viver
Me ajude a me libertar daquele lugar tóxico e cancerígeno
Deus me ajude a sair de uma vez por todas, porquê esse lugar me faz tão mal
Deus me ajude a receber um valor justo pelo meu esforço e por todas as provações que aquele lugar miserável me fez passar
Deus senão for agora o momento de libertação, por favor que seja em breve
Sei que não sou perfeita, tenho tantas falhas, mas eu nunca prejudiquei alguém por puro prazer
Eu nunca fui uma pessoa malvada e perversa
E se em algum momento ofendi a vós, te peço que me perdoe
E te peço de todo o coração que me ajude a sair sem ser prejudicada mais do que já fui




19 de maio de 2026

Sabe, eu li uma frase que me tocou profundamente, e ela dizia:

“Matar Golias te rende aplausos, mas perdoar Saul revela as verdadeiras intenções do seu coração.”

É impressionante como, muitas vezes, estamos mais preocupados com os resultados que serão vistos pelos outros do que com aquilo que Deus está produzindo dentro de nós.

A autossatisfação pode nascer de um ego alimentado pelas vitórias. Já o verdadeiro crescimento vem de um ego rendido, lapidado por Deus. E aquilo que, aos olhos dos homens, pode parecer perda, diante de Deus se transforma em conquista espiritual e domínio sobre si mesmo.

Derrubar gigantes impressiona quem está do lado de fora. Mas enfrentar o seu “Saul” — e ainda escolher perdoá-lo — é o que molda o seu interior de glória em glória.

Nem toda grande vitória está no combate. Algumas das maiores estão no perdão, no silêncio e na maturidade que ninguém vê.

CHEIRO DE AMOR
Ah, se eu pudesse... meu amor...
Quiser-te-ia, meu doce, que viesses no espelho,
ou desenhado com meu batom vermelho,
ou esculpido na pedra do amor,
em cada canto, em cada lugar por onde eu for...


Ah, se eu pudesse... meu tacere...
“Dir-te-ia, meu ardere: – ‘Minha alma se agita no peito, te busca, pois é por direito."
Tuas dúvidas a transpassam e a ferem,
mas és o sol que o deserto prefere."


Dir-te-ia mais, mas apenas em presença: – ‘Amo-te tanto, muito além do que pensas; “...e dói, e corrói tua ausência,
o silêncio da arte e o encanto da tua eloquência, tua lucidez, tua sapiência...”


Ah, se eu pudesse... minha impotência...
Amenizaria tua veemência, mas a discrição faz parte da minha essência,..., eu, tu, Deus e os jugos dos escrutínios dos olhares que impõem a decência.


Ah, se eu pudesse... meu singular...
Dir-te-ia muito mais, em versos e cânticos: – "Não deixemos a vida passar, como as areias que se desfazem das ondas do mar."


Ah, se eu pudesse... meu fagueiro...
Confessar-te-ia no luzueiro: - “Minha ânsia fora enlaçar-te, aspirar-te, até que me saciasses quando te aproximaste… Como se cada suspiro pudesse apaziguar-me o desejo. Contudo, a cada arrepio, sinto teu aroma, teu cheiro.”
ROSIMARA SARAIVA CAPARROZ

Era festejo.
A Lua ainda reluzia.
O sino abalroava estrepitosamente,
enquanto os planetas se alinhavam no espaço sideral.
E todos riam, riam perenemente,
num grandioso aprazimento jovial.
O tempo foi moroso,
mas toda noite tem fim.
O fim da noite se interseccionou
com o último gole do deleitoso vinho.
E todos se despediram na última hora.
Rosimara Saraiva Caparroz

A PRATA DOS ENAMORADOS


Estrela cadente saiu da sua órbita,
pairou entre os céus e pôs-se a indagar:
— “Por que moribundo vive amofinado
e fita o alto, à beira do mar?!”


A Lua redarguiu mui timidemente,
mas antes pediu para não lhe ofuscar:
— “Luar e amor, quando estão crescendo,
fazem o coração tremer e pulsar.


Mesmo que os corpos estejam separados,
encontro janelas por onde posso adentrar;
despejo mensagens silenciosas
aos olhos pálidos que me desejam olhar.


Dou serenidade aos corações desolados,
consolo as tristezas nas quatro estações;
mas quando me esquecem os enamorados,
me pego sozinha entre luzes e rojões.


Surjo entre montes, planícies e colinas,
agito as marés ou as faço acalmar;
vou esmaecendo da noite ao dia,
e o sol alvorando passa a me ocupar.”


Rosimara Saraiva Caparroz