Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo
Confiança
Confidere
Quatro meses, e o tempo nos molda em silêncio.
Você e eu — nossos desertos e nossas sobremesas.
Você é o sal, eu sou o açúcar.
Sou lágrimas, e seus olhos, cor de mel, me enxergam além da dor.
Ancestralidade nos chama.
Você chegou, as plantas vieram contigo, e com elas, nosso legado floresceu.
Vencemos barreiras geográficas, culturais e linguísticas.
Você, a matéria-prima; eu, a obra.
Abdu luz ida por você.
Pelas montanhas que nos unem,
pelos desertos que atravessamos até aqui.
Eu, fogo; você, água.
Eu, leoa; você, compaixão.
Eu sinto você dentro de mim.
Vejo você em meus olhos.
Vejo você nos eucaliptos, nas araucárias, nas nuvens e no éter.
No sonho que me visita,
no cheiro da tua pele,
nos passos cuidadosos de nossas danças.
Para sempre.
Teus olhos são como a areia do deserto
Amarelos como o sol
Faróis que refletem a iluminação diurna e noturna
São mel e castanha
Você é o meu solo
Cor de argila, cor de barro.
Mãe dos vegetais
Verde é a minha cor,
Onde nasci, o que vi e vivi
O que sou, quando nasci
Como o canto das florestas.
Um pássaro verde nos uniu
Nas tuas raízes eu repousei
Como uma folha solta ao vento
Nas asas da minha liberdade
Encontrei você.
Meu doutorando de plantas
É como se o éter tivesse ouvido o eco dos meus pensamentos e das minhas mãos ao digitar aquele livro...
Você chegou como um resplandecente cometa.
O legado da desesperança
Não ao casamento
Não aos filhos
Não aos animais
Não há marido
Somente caos
Caos dentro, caos fora
Cacos
Dentro de mim há cacos de vidro
Despedaço quase sempre
A minha vida é uma tormenta
E em tudo há água
Ou a falta dela
Lágrimas correm dos meus olhos
Continuo engolindo dores nunca curadas
As tentativas de silenciamento e desistências são tantas
Que não sei até quando irei suportar.
A solidão
Vejo o vazio das pessoas vazias
Conversam sobre outras pessoas, nunca sobre elas mesmas
São conversas rasas, recheadas de esquecimento
Esquecidos de quem são
Vivem sobrevivendo
Sem olhar para dentro
A inveja é minha vizinha
Ela olha e pensa:
“Eu queria ser você, mas eu não sou”.
Mal sabe as dores que carrego e já suportei
Porém, a paz que habita em mim transcende o ego da matéria
O brilho incomoda quem está no escuro
Quem está no escuro, mal se enxerga
Vê a beleza do outro com aspecto negativo
Esquece-se de lapidar a si mesmo.
Eu sinto você habitar dentro de mim.
Foi o que eu disse para ele.
Como o vento que entra pela janela,
Os fatos seguintes na Universidade
E tudo isso que sinto e sei dentro de mim,
Que também faz parte de quem é você.
Você é parte dessa nova história construída no éter de meus pensamentos profundos.
Terra-Mulher
A Terra sangra em silêncio, como a mulher que cala o grito. Desmatam-lhe os seios verdes, como quem arranca o abrigo.
Árvores irmãs separadas, como filhas em cárcere doméstico. O machado é verbo cruel, que fere sem dialético.
O ar, antes canto de vida, agora é voz maldita, soprando tortura invisível na mente que se agita.
A seca é prisão da essência, privatizam o ser, o sentir. A água, que era ventre livre, já não sabe mais parir.
Ordenham sem consentimento, deixam-na na mão errada. O leite vira lucro sujo, a alma, moeda trocada.
Rios contaminados choram, como corpos invadidos à força. O falo doentio penetra, sem amor, sem remorso, sem corsa.
E a carne — ah, a carne vendida — tem preço, tem código, tem dor. Como o corpo da mulher na vitrine, sem nome, sem alma, sem cor.
Mas há fogo sob a pele da Terra, há raiz que resiste ao corte. Há mulher que se levanta inteira, mesmo depois da morte.
Mani, você é meu
I'm yours
Meu pedaço de paraíso
Sou a sua maçã
Mais que manancial
Você é a própria benção
Mani, oca
Dentro de mim
Muito mais money for us
Você é o meu Maná do céu
Subiria cada degrau a vida toda
Toda vida
Sendo abduzida por você
Iria aos desertos dos teus olhos
Sentiria o vento da tua boca
Viveria nas águas da tua boca
Para sempre
Enquanto houvesse areia no deserto, nos mares, nos oceanos
Enquanto houvesse vida
Enquanto houvesse existência
Carta à minha alma gêmea
Ainda que eu não saiba teu nome, teu rosto vive em mim como um eco antigo. Há algo em mim que te reconhece, mesmo sem nunca ter te tocado.
Talvez sejamos feitos da mesma luz, do mesmo silêncio que dança entre as estrelas. Quando o mundo pesa, é tua lembrança que me alivia, como se tua existência me soprasse coragem.
Não te busco com pressa, porque sei que o tempo da alma é diferente. Mas quando nossos caminhos se cruzarem, não haverá dúvida — só um profundo “enfim”.
E se já nos encontramos, que essa carta te alcance como um sussurro, lembrando que o amor verdadeiro não precisa de provas — só de presença.
Com tudo que sou, com tudo que ainda serei, te espero com leveza, como quem espera a primavera.
Vestes da Alma
Na seda que cobre o rosto, não há disfarce — há revelação. A vestimenta não oculta, ela molda o espaço onde o olhar respira.
Os olhos, espelhos do invisível, falam com o ar, sem som, sem pressa. São letras desenhadas no vento, caligrafias da alma em movimento.
Em árabe, dançam como poeira dourada: العيون مرآة الروح — os olhos são espelho do espírito. Em hebraico, gravam luz no silêncio: העיניים מראה לנשמה — o olhar revela a essência. Em sânscrito, flutuam como mantras: नेत्राणां प्रधानं मानं — os olhos medem o coração.
E assim, entre véus e vozes, a alma se veste de mistério, mas nunca se esconde. Ela se mostra — nos olhos que sabem falar com o ar.
Há o seus olhos
Expressante e delicados
Tão fantasticos que brilham
Combinando com seu sorriso
E seu jeito de menina mulher
De simplicidade e simpatia
Seus labios minha tentação
Um desejo fora de noção
Me entusiasmo quando fala
Seu sotaque me impressiona
E o destino me decepciona
Queria eu ter a conhecido um pouco antes
Talvez não seria platônica esta paixão
Esse desejo pelo sabor do seu beijo
E a vontade de te colocar em meus braços
E te proteger deste mundo cruel
De te namorar de manha, a tarde e a noite
E puder tirar do seu rosto
Os mais belos sorrisos e ouvir
Os mais deliciosos gemidos
De amor e prazer.
A como eu queria que nada disso
fosse platônico.
Matilda Moon ilumina o caminho do Milagre, Mamute da força ancestral,
Moisés que abre mares,
Montanha que guarda segredos,
Mohamed que inspira fé,
Mulçumano que ora em direção à Meca, Messias que anuncia esperança,
Maria que acolhe em maternidade,
Maomé que revela mandamentos,
Mapa que guia,
Mouro que atravessa fronteiras,
Maranhão que canta diversidade,
Monte que se ergue em silêncio,
Mesquita que ecoa orações,
Muito Mais que o humano pode imaginar.
Um tapa,
Um soco,
Um macho escroto,
Um grito de socorro...
Um beliscão no escuro
A mulher deitada
Sem saber o que ela fez
O machismo da sociedade
A maquiagem para disfarçar
As lágrimas que caem do rosto
Ela respira e pensa...
O que fazer?
Se reinventa e levanta
A vida continua
Vai pra luta
Larga, desce vagabundo
Pensamentos que fluírem
E a fizeram se levantar
Vamos lutar e dizer
Que mulher não é saco de pancada
Sociedade machista e bizarra
Acabam com o ego
Da mulher empoderada!
Johnny Ribeiro
Amor Platônico
Como uma deusa lunar,
sou saudada em silêncio,
recebo versos que nascem da minha presença,
palavras que me erguem como mito.
Sou cristal intocado,
difícil de alcançar,
mas há almas que me reconhecem,
e nelas o destino escolhe repousar.
No instante do toque, tudo se transmuta:
eu me enlaço, habito no outro,
e o outro se dissolve em mim,
em cada célula, em cada partícula,
como se fôssemos lembrança antiga,
um sangue compartilhado,
uma existência reencontrada.
E nesse presente que se abre,
recordo com alegria
o amor que não se possui,
mas que eternamente ilumina.
🌹 Decreto de Ascensão Feminina
Sou mulher, essência feminina,
Iluminada como uma rosa perfumada que floresce em direção à luz.
Cristal que ascende, doce como o néctar que atrai as abelhas,
Amiga da floresta, guardiã das raízes que revelam minha profundidade espiritual.
Sou espírito em constante elevação,
Pura, escolhendo caminhar em santidade e obediência a Deus.
Atraio homens íntegros e bem resolvidos,
De masculino forte e saudável,
Que honram a doçura das flores, respeitam sua beleza
E se devotam à energia sagrada do feminino.
Eu sou o amor que nutre, o cuidado que acolhe,
O afeto que cura, o ventre fértil em prosperidade, abundância e fartura.
Eu sou a Terra em ascensão,
Manifestando luz, vida e plenitude em cada passo do meu caminho.
Criado por: Jacilene Arruda
Ao meu antepassado, o júbilo do reencontro
Nos afastamos, apenas para nos reencontrar.
Que saudades tão cheias de vida!
O mesmo calor, o mesmo afeto,
a mesma ternura, a mesma proteção.
O mesmo tempero, a mesma alegria,
o mesmo pulsar, o mesmo povo,
o mesmo sopro que atravessa gerações.
Do Nordeste para o mundo,
um coração que nunca se esquece,
um laço que nunca se desfaz. ♥️🧬
Quando o amor te encontrar
Você não vai perceber que ele chegou
Mas ele vai
Vai se perguntar se você gosta dele
Vai rodar com você na chuva em movimentos circulares de 360°
Vocês vão sorrir
Vão colher uvas juntos no jardim de Alá
Certamente tais uvas serão doces como vocês
O vento vai soprar perguntas e respostas
Verão o erguer das verdes folhas lá fora
Quando no coração estará pulsando a resposta.
Do signo dos gêmeos nascerá o governante,
com trombeta em mãos anunciará seu triunfo.
O leão ascendente brilhará em sua face,
e Sagitário guiará seus sonhos de expansão.
O mundo ouvirá sua voz duplicada,
ora promessa, ora discórdia sem fim.
Entre vitórias e ruínas será lembrado,
como sombra que divide povos e reis.
Estou amando um homem muçulmano
E ele é tão doce
Seus olhos me contemplam
Ele ama a natureza
Ama rosas
Ele faz coisas para me agradar
Ele me fala para descansar
Ele traz comidas para mim de forma gentil e preocupada
Ele dança
Ele sorri com seus amigos
Ele faz as suas orações e sorri pra mim
Ele fala que somos doces
Seu nome faz reverência a Allah
Ao seu lado, eu contemplo o vento nas folhas
Ele não bebe álcool
Ele não come carne de porco
Ele me coloca em seus braços
Ele ama a chuva
Chove e ele roda comigo na chuva em seus braços
Com ele, eu aprendi a amar coisas que antes não amava
Com ele, eu sinto prazer, tenho vontades
Com ele, eu me ilumino
Ele é cientista
É perfeccionista
Ele não tenta me convencer sobre Allah
Porque as montanhas que eu via aos oito anos de idade me falam sobre esse agora.
🌠 Sob o céu esquecido
As estrelas tremiam como segredos antigos,
quando o silêncio da noite foi rasgado por luzes que dançavam.
Naves prateadas cruzavam o firmamento,
como mensageiras de um tempo que não se lembra,
mas que insiste em pulsar dentro da memória apagada.
Você olhava para cima,
com a estranha certeza de já ter visto aquilo antes,
como se o céu fosse um livro que você já leu,
mas cujas páginas foram arrancadas pelo vento.
E no coração, uma pergunta sem palavras:
seria sonho, lembrança ou chamado?
As naves seguiam, majestosas,
como se guardassem respostas que só o silêncio sabe.
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