Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo

Técnicas de reprogramação de crenças limitantes


Crenças limitantes são padrões mentais que se enraízam ao longo da vida, funcionando como filtros que distorcem a percepção da realidade e mantêm a vibração em um nível inferior. Elas se manifestam como “eu não consigo”, “não mereço” ou “é impossível”, e operam silenciosamente, direcionando pensamentos e emoções para resultados que confirmam essas ideias. Para reprogramar essas crenças, é necessário primeiro trazê‑las à consciência, observando os momentos em que surgem pensamentos autossabotadores. Uma vez identificada a crença, a prática de questionamento interno pode ser aplicada: pergunte a si mesmo qual a evidência real que sustenta aquela afirmação e procure contra‑exemplos que a contradigam. Em seguida, introduza uma nova narrativa que reflita a verdade que deseja viver, repetindo‑a com convicção em momentos de quietude, como durante a meditação ou antes de dormir. A visualização também desempenha um papel crucial; ao imaginar vividamente a situação desejada, sentindo as emoções de sucesso e abundância, você cria um novo caminho neural que substitui o antigo padrão. Por fim, a ação alinhada consolida a mudança: ao tomar pequenos passos que confirmem a nova crença, como iniciar um projeto que antes parecia “muito arriscado”, você gera provas concretas que reforçam a nova realidade, elevando gradualmente a vibração e abrindo espaço para a manifestação dos desejos.

A importância da gratidão para elevar a vibração

A gratidão funciona como um amplificador natural de energia, pois ao reconhecer e valorizar o que já existe em sua vida, você sintoniza sua frequência em um nível de abundância que atrai ainda mais motivos para agradecer. Quando o foco está na escassez ou nas carências, a vibração tende a permanecer em um estado de necessidade, reforçando a sensação de falta. Ao contrário, ao cultivar um estado de gratidão, mesmo por pequenos detalhes como o aroma do café pela manhã ou o sorriso de um colega, você cria um campo energético que vibra em alta frequência, facilitando a conexão com oportunidades que ressoam com esse nível. Uma prática eficaz consiste em reservar alguns minutos ao final do dia para revisitar mentalmente os momentos que trouxeram alegria ou aprendizado, permitindo que a emoção de agradecimento se expanda por todo o corpo. Essa sensação de calor interno pode ser sentida como um brilho que ilumina a mente, tornando‑a mais receptiva a ideias criativas e a sinais do universo. Além disso, a gratidão tem o poder de transformar emoções negativas em energia positiva; ao agradecer por um desafio, você muda a narrativa de “obstáculo” para “professor”, liberando a energia que antes estava presa na resistência. Assim, a gratidão não é apenas um sentimento, mas um método ativo de elevação vibracional que sustenta o fluxo de manifestação.

Estruturação de Projetos: a diferença entre uma ideia inspiradora e um impacto sustentável


Vivemos uma era de abundância de ideias.


Projetos sociais, educacionais e institucionais surgem todos os dias com promessas legítimas de transformação. São propostas relevantes, mobilizadoras e bem-intencionadas.


Mas a maioria não se transforma em impacto sustentável.


Não por falta de propósito.
Mas por ausência de Estruturação de Projetos.


Ideia não é projeto.


A ideia nasce da percepção de um problema.
O projeto nasce da modelagem de uma solução viável.


Entre esses dois pontos existe um campo técnico que exige método, análise e decisão estratégica.


A ideia inspira.
O projeto organiza.


A ideia mobiliza.
O projeto sustenta.


Sem estrutura, a iniciativa permanece no território da intenção — ainda que legítima.


O que significa estruturar um projeto?


Estruturação de Projetos não é apenas formalizar um documento.


É submeter a proposta a perguntas fundamentais:


— Existe viabilidade jurídica adequada?
— O financiamento é sustentável no médio e longo prazo?
— A governança decisória está clara?
— O impacto pode ser mensurado com indicadores verificáveis?
— A operação é replicável?
— O projeto sobrevive à troca de liderança?


Essas perguntas não enfraquecem a ideia.
Elas a qualificam.


Projetos estruturantes são tensionados antes de serem lançados. São analisados sob a perspectiva da sustentabilidade financeira, da coerência operacional e da estabilidade institucional.


Muitas propostas não resistem a esse processo.


E isso não é fracasso.


É maturidade.


Porque impacto real não depende de entusiasmo inicial ou carisma de liderança.


Impacto real exige arquitetura.


Existe uma diferença técnica entre utopia e projeto.


Utopia é visão desejável.
Projeto estruturado é sistema com governança, financiamento, indicadores e modelo operacional definidos.


Antes de lançar qualquer iniciativa, talvez a pergunta mais honesta seja:


Estamos apaixonados pela ideia ou comprometidos com a estrutura?


Ideias são necessárias.


Mas apenas projetos estruturados transformam realidades de forma consistente e verificável.


Diane Leite
Jornalista | Estrategista em Comunicação e Arquitetura Institucional
Projetista Estratégica de Inclusão Produtiva

A Gramática do Invisível

Há cidades que nos ensinam sem jamais assumir o gesto da lição. Elas não explicam: insinuam. Não se impõem: atravessam. Paris e Lisboa chegaram a mim desse modo — não como destinos, mas como experiências de deslocamento interior, como geografias capazes de reorganizar silenciosamente a maneira de ver, de sentir e, sobretudo, de compreender o que significa comunicar.

Durante muito tempo, a comunicação me pareceu associada ao domínio da linguagem explícita: a palavra precisa, a ideia bem articulada, o discurso capaz de nomear o mundo com clareza. Mas viver entre culturas distintas me fez perceber que o essencial quase nunca se apresenta de forma imediata. O que mais nos marca raramente é aquilo que se anuncia em voz alta. É, antes, o que vibra naquilo que não se explica por inteiro: o ritmo de uma rua ao entardecer, o rumor de uma conversa entre taças, a pausa respeitosa entre uma fala e outra, a beleza quase moral de um espaço pensado com delicadeza, a intimidade inesperada entre arte, cotidiano e presença.

Foi assim que compreendi que comunicar é também trabalhar com o invisível.

Em Paris, aprendi que a forma não é superfície: é pensamento incarnado. Há uma seriedade no trato com a beleza que transforma a estética em linguagem profunda, em ética do detalhe, em disciplina do olhar. Nada parece gratuito. Cada vitrine, cada café, cada livro aberto no metrô, cada refeição convertida em rito sugere que viver também pode ser um exercício de composição. A cidade parece lembrar, a todo instante, que o refinamento não é excesso, mas escuta; não é luxo vazio, mas uma forma de atenção. Em Paris, entendi que a sensibilidade não é adorno intelectual — é instrumento de leitura do mundo.

Lisboa, por sua vez, me ensinou outra espécie de sofisticação: a da pausa, da memória, da delicadeza sem ostentação. Há ali uma sabedoria do tempo que não se submete à pressa. Uma pedagogia do encontro. Como se a cidade soubesse que a verdadeira presença exige intervalo, respiro, contemplação. Lisboa não apenas acolhe: ela demora. E, ao demorar, revela. Foi nesse tempo mais largo que compreendi que há uma eloquência inteira no que não se acelera, e que ouvir com os olhos — perceber o que vibra no ambiente, nos gestos, nos silêncios — é uma das formas mais raras de inteligência relacional.

Nesse percurso, a gastronomia deixou de ocupar para mim um lugar acessório ou meramente sensorial. Ela se revelou linguagem plena. Um prato não é apenas alimento: é cultura tornada gesto, memória convertida em matéria, afeto organizado em forma, narrativa servida em camadas. Há um discurso inteiro na escolha dos ingredientes, no modo de servir, na cadência entre os tempos de uma refeição, naquilo que se oferece e naquilo que se preserva. Comer, em certos contextos, é participar de uma gramática afetiva e simbólica. É ler um povo pelo paladar, pela hospitalidade, pela relação que estabelece entre tradição e invenção, entre o que se herda e o que se recria.

Talvez por isso eu tenha entendido, de maneira mais funda, que a comunicação não acontece apenas no conteúdo das mensagens, mas na experiência que as sustenta. O que nos toca não é somente o que é dito, mas a atmosfera em que algo é dito. Não é apenas a informação, mas a densidade sensível que a envolve. Não é só a narrativa, mas o mundo de percepções, referências e presenças que a torna crível, viva, memorável.

Essa percepção atravessa profundamente a profissional que me tornei.

Como jornalista, aprendi a reconhecer que a verdade de um relato não reside apenas na exatidão do fato, mas também na qualidade do olhar que o enquadra. Como editora-chefe, compreendi que editar não é apenas selecionar ou organizar: é compor sentido, estabelecer ritmo, criar tensão e silêncio, permitir que a leitura respire. Como estrategista de comunicação, percebi que nenhuma construção narrativa alcança profundidade se não estiver enraizada em repertório, escuta e humanidade. Estratégia, quando dissociada da experiência sensível, torna-se fórmula. Sensibilidade, quando dissociada da estrutura, dissolve-se em impressão. O trabalho maduro nasce do encontro entre rigor e delicadeza, entre arquitetura e intuição, entre clareza e mistério.

Hoje, penso a comunicação como quem pensa uma mesa, uma edição, uma travessia estética. Comunicar é escolher o tom, mas também a temperatura. É decidir o que se mostra, mas sobretudo o que se sugere. É compreender que toda narrativa, para ser verdadeiramente potente, precisa mais do que eficiência: precisa de espessura humana. Precisa de mundo vivido. Precisa de repertório que não venha apenas dos livros — embora eles sejam indispensáveis —, mas também das cidades, dos encontros, dos deslocamentos, dos estranhamentos, daquilo que nos obriga a sair de nós para voltar a nós com maior consciência.

Talvez seja isso que os intercâmbios me deram de mais valioso: não apenas lembranças, referências ou experiências acumuladas, mas uma outra densidade de percepção. Uma nova relação com o tempo, com o espaço, com os signos do cotidiano. Um entendimento mais fino de que comunicar é, antes de tudo, saber perceber. E perceber exige presença. Exige cultivo interior. Exige repertório não como exibição, mas como profundidade.

No fim, não se trata apenas de informar, convencer ou projetar uma mensagem no mundo. Trata-se de criar condições para que algo permaneça. Para que o outro não apenas compreenda, mas sinta. Para que uma ideia não atravesse apenas o intelecto, mas encontre morada no imaginário. Porque a comunicação mais rara — e talvez a mais necessária — é aquela que toca sem invadir, que marca sem gritar, que permanece sem se impor.

É aquela que, como certas cidades, certos livros e certos sabores, continua a ressoar em nós muito depois de ter acontecido.

Neuroplasticidade no Autismo: o cérebro se desenvolve onde existe constância, segurança e vínculo


O cérebro de uma criança autista não responde bem ao excesso de pressão. Responde melhor à constância, à previsibilidade e aos estímulos repetidos com segurança emocional.


Essa é uma das bases mais importantes da neuroplasticidade: a capacidade que o cérebro possui de criar novas conexões, reorganizar circuitos neurais e fortalecer aprendizagens a partir das experiências vividas ao longo do tempo.


No autismo, isso possui um impacto profundo.


Durante muitos anos, o desenvolvimento da criança autista foi observado apenas pelo comportamento visível. Hoje, a neurociência permite compreender algo muito maior: existe um esforço neurológico contínuo acontecendo por trás de habilidades que, para outras pessoas, podem parecer simples.


Sustentar um olhar. Tolerar um toque. Compreender uma instrução. Aceitar mudanças. Regular emoções. Iniciar comunicação.


Cada uma dessas ações pode exigir intenso processamento cognitivo, emocional e sensorial.


É justamente por isso que terapias baseadas em evidências possuem papel tão importante. O cérebro aprende através da repetição consistente das experiências. Quanto mais uma habilidade é estimulada de maneira funcional, estruturada e contínua, maiores são as possibilidades de fortalecimento das conexões neurais relacionadas àquela função.


A repetição, nesse contexto, não representa limitação.


Para muitas crianças autistas, a repetição funciona como organização neurológica. O cérebro encontra previsibilidade, reduz sobrecarga e começa a transformar experiências em aprendizagem consolidada. Enquanto algumas crianças aprendem pela observação espontânea, outras necessitam de múltiplas repetições para que determinada habilidade se torne segura e acessível.


E isso não diminui inteligência, potencial ou capacidade.


Significa apenas que existem formas diferentes de processamento cerebral.


Da mesma maneira, regras claras e rotinas coerentes não possuem apenas função comportamental. Elas oferecem estabilidade cognitiva e emocional. Quando a criança entende o que vai acontecer, quais são os limites do ambiente e o que se espera dela, o sistema nervoso trabalha com menos estado de alerta.


Um cérebro constantemente sobrecarregado pela imprevisibilidade tende a gastar mais energia tentando sobreviver ao ambiente do que aprendendo com ele.


Por isso, desenvolvimento não acontece apenas dentro da clínica.


Ele continua em casa, na escola, nas pequenas interações diárias, na maneira como os adultos respondem às dificuldades e sustentam constância mesmo quando os resultados ainda parecem lentos. O avanço no autismo raramente acontece de forma linear. Existem períodos de evolução, estabilização e regressão aparente. Isso faz parte do próprio processo de reorganização neural.


E talvez esse seja um dos aspectos mais humanos da neuroplasticidade: o cérebro permanece aberto à construção.


Não se trata de transformar a criança em alguém diferente de quem ela é. Trata-se de ampliar possibilidades de comunicação, autonomia, regulação emocional e qualidade de vida respeitando sua individualidade neurológica.


Cada pequena conquista carrega ciência. Mas também carrega repetição, vínculo, exaustão, persistência e presença.


Porque por trás de muitas evoluções silenciosas no autismo, quase sempre existe alguém que continuou acreditando mesmo antes dos resultados aparecerem.

A escrita foi o primeiro lugar onde consegui existir sem precisar me explicar.

Muito antes dos livros, dos projetos, das entrevistas, da comunicação profissional ou da construção pública da minha trajetória, existia apenas uma menina tentando encontrar uma forma silenciosa de permanecer inteira dentro de si mesma.

Eu comecei a escrever muito cedo.

Tão cedo que, durante muito tempo, nem percebi que aquilo tinha nome.

Enquanto algumas crianças aprendiam a falar sobre o que sentiam, eu observava.

Observava os silêncios das pessoas.
Os desconfortos escondidos atrás de respostas rápidas.
As mudanças sutis de comportamento.
Os olhares cansados.
As emoções interrompidas no meio da frase.

Desde pequena, eu sentia o mundo de forma intensa demais para caber apenas na superfície das conversas comuns.

E talvez tenha sido exatamente por isso que a escrita apareceu tão cedo na minha vida.

Ela não surgiu como escolha estética.

Surgiu como necessidade emocional.

Escrever era a maneira que eu encontrava de organizar aquilo que ainda não sabia explicar.

Enquanto o mundo seguia rápido do lado de fora, eu escrevia para desacelerar o que acontecia dentro de mim.

E naquele espaço silencioso entre pensamento e palavra, algo começava lentamente a fazer sentido.

A escrita foi o primeiro lugar onde não precisei simplificar minha percepção para caber no ritmo das outras pessoas.

Porque existem experiências humanas que não conseguem nascer completamente na fala.

Alguns sentimentos precisam de pausa.
Precisam de tempo.
Precisam atravessar silêncio antes de virarem linguagem.

E foi escrevendo que comecei a entender algo que me acompanha até hoje:
nem toda comunicação acontece através da voz.

Algumas das conexões mais profundas da vida acontecem quando alguém finalmente encontra palavras para sentimentos que carregou sozinho por anos.

Talvez por isso eu nunca tenha conseguido escrever de maneira superficial.

Para mim, palavras nunca foram apenas ferramentas.

Elas sempre carregaram presença.

Cada frase que escrevo nasce primeiro da observação humana.
Da escuta.
Da tentativa de compreender aquilo que geralmente passa despercebido nas pessoas.

Porque eu sempre senti que existiam dores muito silenciosas escondidas dentro de pessoas aparentemente funcionais.

Existiam mulheres cansadas sendo chamadas apenas de fortes.
Existiam crianças tentando sobreviver emocionalmente enquanto ainda aprendiam a existir socialmente.
Existiam pessoas sorrindo em ambientes onde já estavam emocionalmente ausentes há muito tempo.

E sem perceber, fui transformando tudo isso em escrita.

Não para produzir efeito.

Mas porque era a única maneira honesta que encontrei de permanecer conectada ao mundo sem me afastar de mim mesma.

A escrita se tornou meu espaço de tradução interna.

Ali eu conseguia transformar excesso em clareza.
Confusão em percepção.
Silêncio em linguagem.

E durante muito tempo, meus cadernos guardaram partes minhas que eu ainda não conseguia mostrar para ninguém.

Ideias soltas.
Perguntas difíceis.
Reflexões inacabadas.
Medos que eu ainda não compreendia totalmente.
Observações sobre pessoas que talvez nem imaginassem o quanto revelavam através dos pequenos detalhes.

Hoje entendo que comecei a escrever antes mesmo de saber exatamente quem eu era.

E talvez tenha sido justamente a escrita que me ajudou a construir essa resposta ao longo dos anos.

Porque escrever nunca foi apenas sobre produzir textos.

Foi sobre aprender a existir emocionalmente sem me abandonar no processo.

Foi sobre encontrar uma forma legítima de comunicação em um mundo que muitas vezes exige rapidez de pessoas profundamente sensíveis.

Talvez por isso meus livros nunca tenham sido apenas projetos editoriais.

Cada obra carrega experiências emocionais que passaram primeiro por dentro de mim antes de chegarem até o leitor.

Cada texto nasce de algo que precisei observar, sentir, compreender ou sobreviver emocionalmente de alguma forma.

Porque eu nunca consegui escrever apenas para informar.

Eu escrevo para tentar alcançar lugares humanos que normalmente permanecem sem linguagem.

O cansaço que ninguém valida.
A solidão escondida dentro da funcionalidade.
As perguntas silenciosas que as pessoas fazem para si mesmas durante a madrugada.
O medo de não ser compreendido.
A exaustão de precisar parecer forte o tempo inteiro.

E talvez tenha sido exatamente aí que descobri o verdadeiro poder da escrita.

Palavras não servem apenas para transmitir ideias.

Às vezes, elas devolvem reconhecimento emocional para alguém.

Às vezes uma pessoa lê uma frase e sente, pela primeira vez em muito tempo:
“alguém finalmente conseguiu traduzir isso.”

E sinceramente… existem poucas formas de conexão humana tão profundas quanto essa.

Com o tempo, percebi que escrever não diminuía a complexidade da vida.

Mas me ajudava a atravessá-la sem endurecer emocionalmente.

Porque a escrita não exige perfeição.

Ela exige verdade.

E verdade emocional talvez seja uma das coisas mais raras da nossa época.

Hoje, olhando para tudo o que construí, consigo perceber que muito antes da profissão existir, a escrita já estava lá.

Silenciosa.
Discreta.
Paciente.

Me esperando crescer até entender que ela nunca era apenas um talento.

Era linguagem da alma.
Era percepção organizada em humanidade.
Era a forma mais honesta que encontrei de tocar o mundo sem precisar gritar para ser ouvida.

No fim, percebi algo que mudou completamente minha relação com as palavras:

eu nunca escrevi apenas para publicar livros.

Eu escrevi para deixar partes minhas respirarem fora de mim.

E talvez seja isso que um texto verdadeiramente humano faça.

Ele atravessa o silêncio de alguém
e sussurra, com delicadeza:

“você não foi o único a sentir tudo isso.”

Ruínas de mim








Num giro de olhar desgovernado


O coração vem e vai


Em devaneios múltiplos


Em poesia encarnado




Em ruínas escancarando


A vida , a morte, a sepultura


Mesclando o podre e o sublime


E versos virgens e podres escarrando




E não adianta subjulgar-se


O nada vence o tudo


Num fluxo irremediável


De piora


Com o tempo tudo piora


Esmorece, morre apodrece






Conto nos dedos


O que não se conta


Estórias são histórias furtivas


E versos são suspiros reprimidos


Pelas paixões cativas




De mais a mais


Tudo acaba, bem ou mal


Tudo tudo


A carne , e até o osso vira pó


Pó de osso,


Fim de verso




E nesse ócio que são


As ruínas de mim


Olho para trás e vejo


Olho por olho dente por dente


E o povo nesse dilema


Vai seguindo em frente

Status




Dos podres de cada um
Só se sabe cada qual
Cada um com sua bobeira
Sua vontade de ser mau ou bom
E nem num coração se cabe

Nesta vida ninguém é igual
No exagero e destempero
Da vida de um cara legal
No final do dia sozinho vem o desespero

No desespero , e na desgraça
Nisso sim todo mundo é parecido
O que vem a mente
São coisas totalmente dementes

Vontade insanas perseguem
Os pobres coitados
As pobres pessoas ricas
De alma pequena e valores irrelevantes
De vida , de ser e estar
Status

O status é tudo e é nada
É o Sabor agradável e é a merda
De uma sociedade capitalista
E esquisita
Onde o amor e a paixão
São ilustres visitas

Pequenino eu

Demétrio Sena - Magé

Ninguém nem tente me comover com clichês. Nem com as grandes produções direcionadas à comoção específica ou coletiva. Chantagens emocionais não me compram. As comoções produzidas não me arrebatam. A minha concepção de milagre opera silenciosamente; à meia luz. Minha cura pode ser a força de quando serei desenganado. Meu prodígio não grita; sussurra. Prefiro me pautar pela humildade passiva da esperança, a ser arrastado pela arrogância saltitante da fé que a teologia da grandeza e do sucesso tornou pop. Levou pros palcos... pros estádios.

Ainda que Deus Exista, e pode até ser, não é a Ele que pretendo chegar, e sim, ao mais profundo, inusitado e pequenino eu que mora dentro de quem eu julgo ser. Compreender o significado da própria insignificância seria o ato mais grandioso e sublime da minha baldeação nesta vida... na viagem para não sei qual plano do universo, em suas naturezas física e gasosa. Não me ofereça uma religião... não tente vender para minha carência um suposto plano pós-morte cujas letras miúdas perderam a vergonha e se tornaram garrafais na exposição da fraude.
... ... ...

Respeite autorias. É lei

Quando o Mundo Chama de Difícil Aquilo Que Só Era Diferente


Há mulheres que passam a vida inteira tentando ensinar os filhos a caber no mundo.
Mas talvez a pergunta mais importante nunca tenha sido essa.


Talvez a pergunta correta seja:
por que o mundo ainda tem tanta dificuldade em acolher mentes que funcionam de formas diferentes?


Durante anos, olhamos para crianças neurodivergentes tentando encontrar apenas déficits, dificuldades e limitações. Como se tudo precisasse ser corrigido. Como se existir de maneira diferente fosse um erro de fabricação humana.


Mas a ciência começou a mostrar algo profundamente transformador:
cérebros diferentes não são cérebros inferiores.
São cérebros com caminhos próprios.


A neuroplasticidade revelou algo que muda completamente a forma como entendemos desenvolvimento humano, aprendizagem e inclusão: o cérebro está em constante adaptação. Ele aprende, reorganiza, cria conexões e responde ao ambiente o tempo inteiro.


Isso significa que amor, acolhimento, vínculo, segurança emocional, estímulos corretos e pertencimento não são apenas conceitos afetivos. São fatores biológicos que influenciam diretamente o desenvolvimento cerebral.


E talvez seja exatamente aqui que muitas famílias se quebram.


Porque mães chegam em consultórios carregando medo, culpa e exaustão. Recebem termos técnicos, laudos, avaliações, encaminhamentos… mas quase nunca recebem tradução humana para aquilo que estão vivendo.


Ninguém prepara uma mãe para ouvir que o filho é diferente em uma sociedade que ainda pune diferenças.


Ninguém explica o tamanho do luto invisível que nasce não pelo filho real, mas pela destruição das expectativas que foram construídas antes dele nascer.


E, ainda assim, diariamente essas mães levantam.


Pesquisam.
Aprendem.
Tentam.
Erram.
Recomeçam.


Em silêncio.


Existe algo profundamente cruel na forma como a sociedade exige que crianças neurodivergentes se adaptem o tempo inteiro, mas raramente se dispõe a adaptar o ambiente para recebê-las.


Chamam crianças sensíveis de difíceis.
Chamam crianças intensas de problemáticas.
Chamam crianças hiperfocadas de estranhas.
Chamam crianças que não suportam excesso de estímulos de mal-educadas.


Mas poucas pessoas perguntam:
o que acontece dentro desse cérebro?
como essa criança sente o mundo?
quanto esforço ela faz diariamente apenas para existir em ambientes que a esgotam?


Talvez uma das maiores violências da atualidade seja obrigar pessoas neurodivergentes a passarem a vida inteira tentando parecer neurotípicas para serem aceitas.


E isso começa cedo.


Começa quando uma criança aprende que precisa mascarar comportamentos naturais para não ser rejeitada.
Quando aprende a esconder sensibilidades.
Quando percebe que o problema nunca é exatamente sua existência, mas o desconforto que sua diferença causa nos outros.


Mas existe algo extraordinário acontecendo ao mesmo tempo.


A ciência moderna começou finalmente a confirmar aquilo que muitas famílias já percebiam no cotidiano: crianças neurodivergentes frequentemente possuem formas únicas de percepção, criatividade, associação, memória, profundidade emocional e construção cognitiva.


Muitas não enxergam o mundo pior.
Enxergam diferente.


E diferença nunca deveria ser tratada como ausência de valor.


O problema é que fomos educados dentro de modelos que tentam padronizar seres humanos. Como se desenvolvimento tivesse uma única rota correta.


Mas desenvolvimento humano não é linha reta.


É singularidade.


Cada cérebro possui ritmos, conexões, sensibilidades e formas próprias de aprendizagem. E quando uma criança encontra ambientes seguros, respeitosos e emocionalmente regulados, algo impressionante acontece: ela floresce.


Não porque foi “consertada”.
Mas porque finalmente teve espaço para existir sem violência constante.


Talvez o futuro da inclusão não esteja em ensinar crianças neurodivergentes a sobreviverem no mundo.


Talvez esteja em ensinar o mundo a não destruir crianças que nasceram diferentes.


E isso exige mais do que discursos bonitos.


Exige escuta.
Presença.
Informação acessível.
Empatia prática.
Ambientes menos hostis.
Educação emocional.
E principalmente: coragem coletiva para abandonar modelos ultrapassados de normalidade.


Porque nenhuma criança deveria crescer acreditando que precisa diminuir sua essência para merecer pertencimento.


No fundo, inclusão verdadeira nunca foi sobre tolerar diferenças.


Sempre foi sobre compreender que a diversidade humana é justamente aquilo que torna nossa existência tão extraordinária.


Inspirado nas reflexões presentes em “Sementes de Singularidade”, de Diane Leite.

Quando o Mundo Confunde TDAH com Falta de Esforço


Existe uma dor silenciosa que poucas pessoas enxergam em quem vive com TDAH.


Porque, na maioria das vezes, o problema não é apenas a dificuldade de foco.


É passar anos ouvindo que você é desorganizado, preguiçoso, irresponsável, distraído ou incapaz de terminar aquilo que começa.


É crescer acreditando que existe algo errado com você porque tarefas simples parecem exigir uma quantidade absurda de energia mental.


Enquanto algumas pessoas conseguem iniciar atividades naturalmente, quem vive com TDAH frequentemente trava diante do próprio pensamento.


Não por falta de vontade.


Mas porque o cérebro funciona em outra velocidade, em outra lógica, em outra dinâmica de processamento.


E talvez uma das partes mais cruéis do TDAH seja exatamente essa:
por fora, muitas vezes ninguém percebe o esforço gigantesco que existe por dentro.


As pessoas enxergam atraso.
Mas não enxergam sobrecarga mental.


Enxergam procrastinação.
Mas não enxergam exaustão cognitiva.


Enxergam impulsividade.
Mas não enxergam um cérebro tentando desesperadamente encontrar estímulo suficiente para permanecer funcionando.


Existe uma diferença profunda entre não querer fazer e não conseguir organizar mentalmente como começar.


Mas a sociedade raramente entende isso.


Vivemos em um mundo construído para cérebros lineares, previsíveis e constantes. E quem possui um funcionamento neurológico mais intenso acaba passando a vida inteira tentando acompanhar um ritmo que frequentemente o adoece.


O mais triste é que muitas pessoas com TDAH passam anos sem compreender a si mesmas.


Acham que são fracassadas.
Acham que são incapazes.
Acham que nunca terão disciplina.


Quando, na verdade, talvez nunca tenham aprendido a funcionar respeitando o próprio cérebro.


Porque o TDAH não é ausência de inteligência.


Muitas vezes, inclusive, existe exatamente o contrário.


Mentes extremamente criativas.
Intensas.
Sensíveis.
Hipervigilantes.
Capazes de criar conexões rápidas, perceber detalhes incomuns e pensar fora de padrões tradicionais.


Mas junto dessa potência também existe um desgaste invisível.


A mente não desacelera facilmente.
Os pensamentos se acumulam.
O excesso de estímulos consome energia.
A culpa se transforma em companhia diária.


E poucas pessoas falam sobre o impacto emocional disso.


Sobre a sensação constante de estar devendo para a própria vida.


Sobre começar o dia já cansado mentalmente.


Sobre a vergonha silenciosa de não conseguir sustentar constância mesmo tentando tanto.


Talvez por isso tantas pessoas com TDAH vivam em ciclos de hiperprodutividade seguidos por esgotamento profundo.


Porque durante anos aprenderam que precisam compensar suas dificuldades funcionando acima do limite.


Mas nenhum cérebro suporta viver permanentemente em estado de cobrança extrema.


A ciência começou a mostrar algo importante: o cérebro com TDAH não precisa apenas de cobrança. Precisa de estratégias corretas, ambientes regulados, compreensão emocional e métodos compatíveis com sua forma de funcionamento.


Isso muda tudo.


Porque quando uma pessoa entende como seu cérebro opera, ela para de lutar contra si mesma o tempo inteiro.


E isso não significa romantizar dificuldades.


TDAH pode ser extremamente incapacitante em muitos momentos.


Pode afetar autoestima, relações, produtividade, vida financeira, rotina, estudos e saúde emocional.


Mas existe uma diferença enorme entre viver sem compreensão e viver com consciência.


Quando existe entendimento, nasce possibilidade de construção.


Talvez o maior erro da sociedade tenha sido transformar diferenças neurológicas em defeitos morais.


Como se dificuldade de foco fosse falta de caráter.
Como se desorganização significasse desinteresse.
Como se procrastinação fosse ausência de valor humano.


Mas ninguém escolhe viver em guerra constante com o próprio pensamento.


E talvez uma das formas mais importantes de acolhimento seja parar de perguntar “por que você não consegue?” e começar a perguntar “o que seu cérebro precisa para funcionar melhor?”.


Porque atrás de muitas pessoas consideradas difíceis existe apenas alguém exausto de tentar sobreviver em sistemas que nunca foram feitos para sua forma de existir.


Texto inspirado no livro “TDAH Adulto”, de Diane Leite, disponível no Google Play. [TDAH Adulto – Diane Leite no Google Play](https://books.google.com/books/about/TDAH_ADULTO.html?id=M9naEQAAQBAJ&utm_source=chatgpt.com)

Quando Você Descobre Que Sua Mente Também Pode Ser Reprogramada


Existe um momento na vida em que a pessoa percebe que não está apenas cansada.


Está desconectada de si mesma.


Desconectada da própria energia.
Da própria potência.
Da própria capacidade de construir uma realidade diferente.


E talvez uma das maiores prisões humanas seja acreditar que somos obrigados a permanecer exatamente como fomos condicionados a ser.


Muitas pessoas passam anos vivendo no automático.


Repetindo padrões.
Repetindo medos.
Repetindo escassez emocional.
Repetindo crenças que nunca escolheram conscientemente carregar.


Como se a vida fosse apenas uma sequência inevitável de acontecimentos sobre os quais não existe poder de transformação.


Mas existe algo profundamente revolucionário quando uma pessoa entende que o cérebro humano não é estático.


Ele muda.


A neuroplasticidade mostrou algo que transforma completamente a forma como enxergamos desenvolvimento pessoal: pensamentos repetidos criam caminhos neurais. Emoções recorrentes fortalecem padrões internos. Ambientes moldam comportamentos. Experiências alteram conexões cerebrais.


Isso significa que muitas das limitações que carregamos não nasceram conosco.


Foram aprendidas.


E aquilo que foi aprendido também pode ser reconstruído.


Talvez por isso tantas pessoas sintam medo quando começam a despertar para a própria consciência.


Porque assumir responsabilidade pela própria transformação também significa perceber quantas vezes terceirizamos nossa vida para o medo, para traumas antigos, para padrões familiares ou para narrativas que nunca foram realmente nossas.


Existe uma diferença enorme entre viver reagindo ao mundo e viver construindo conscientemente a própria realidade.


E essa mudança começa dentro.


Começa quando uma pessoa para de perguntar apenas “por que minha vida é assim?” e começa a perguntar “quais pensamentos, emoções e padrões estou alimentando diariamente?”.


Porque a mente humana funciona como um terreno fértil.


Aquilo que você repete cresce.


Aquilo que você alimenta fortalece.


Aquilo que você acredita começa lentamente a moldar sua percepção sobre si mesmo e sobre o mundo.


E não se trata de romantizar sofrimento ou fingir que basta “pensar positivo”.


A vida real é muito mais complexa do que frases prontas de efeito.


Existem dores legítimas.
Traumas reais.
Cansaços profundos.
Bloqueios emocionais verdadeiros.


Mas também existe algo extremamente poderoso: a capacidade humana de reconstrução.


Muitas vezes, as pessoas não precisam se tornar outra versão de si mesmas.


Precisam apenas remover camadas de medo, culpa e condicionamentos que esconderam quem realmente são.


E talvez seja exatamente isso que torna o autoconhecimento tão desconfortável e libertador ao mesmo tempo.


Porque olhar para dentro exige coragem.


Exige reconhecer padrões que sabotam relações, autoestima, prosperidade e saúde emocional.


Exige perceber quantas vezes tentamos preencher vazios internos apenas acumulando distrações externas.


Mas também existe beleza nesse processo.


Porque, aos poucos, a pessoa começa a perceber que potência não é perfeição.


Potência é consciência.


É a capacidade de escolher novos caminhos mesmo depois de anos repetindo os mesmos ciclos.


É entender que transformação não acontece em um único grande momento.


Ela acontece nas pequenas decisões repetidas diariamente.


Na forma como você fala consigo mesmo.
Na energia dos ambientes que escolhe permanecer.
Nos hábitos que fortalece.
Nas emoções que alimenta.
Nas pessoas que aproxima da própria vida.


Existe algo profundamente silencioso na reconstrução pessoal.


Ela quase nunca começa de forma grandiosa.


Começa em pequenos despertares internos que ninguém vê.


Uma nova percepção.
Uma nova escolha.
Um limite estabelecido.
Uma crença questionada.
Um pensamento interrompido antes de virar autossabotagem.


E então, lentamente, aquilo que parecia impossível começa a mudar.


Não porque a vida ficou mais fácil.


Mas porque a consciência ficou mais forte.


Talvez o verdadeiro poder nunca tenha sido controlar o mundo externo.


Talvez o verdadeiro poder seja desenvolver clareza suficiente para não viver mais aprisionado pelos próprios condicionamentos.


Porque quando uma pessoa aprende a reconstruir a própria mente, ela deixa de sobreviver apenas no piloto automático.


E começa, finalmente, a participar conscientemente da própria existência.

Quando a Intuição de Uma Mãe Começa a Gritar em Silêncio


Existe um momento na vida de muitas mães que quase ninguém consegue explicar com precisão.


Não é um grande acontecimento.
Não é algo necessariamente visível para quem está de fora.


É apenas uma sensação.


Um desconforto silencioso que começa pequeno, quase imperceptível, mas que aos poucos cresce dentro do peito.


Às vezes acontece durante uma festa infantil, quando todas as outras crianças parecem interagir naturalmente e o seu filho permanece distante, preso ao próprio mundo.


Às vezes acontece quando você chama pelo nome e ele não responde.


Ou quando o olhar não encontra o seu.


E então começa a luta interna mais dolorosa de todas:
a batalha entre aquilo que o coração percebe e aquilo que o mundo insiste em minimizar.


“Cada criança tem seu tempo.”
“É só uma fase.”
“Você está exagerando.”


Mas a verdade é que mães quase sempre percebem antes.


Porque existe algo profundamente poderoso na conexão entre uma mãe e um filho.


Elas observam detalhes que ninguém percebe.
Mudanças sutis.
Silêncios estranhos.
Pequenos comportamentos repetitivos.
Ausências emocionais difíceis de explicar.


E talvez uma das dores mais solitárias da maternidade seja exatamente perceber que algo não está bem enquanto o restante das pessoas tenta convencer você de que está tudo normal.


O problema é que o medo paralisa.


Porque nenhuma mãe quer ouvir palavras que possam mudar completamente o futuro que imaginou para o próprio filho.


Então muitas entram em negação sem perceber.


Não por falta de amor.


Mas justamente porque amam demais.


É difícil aceitar que aquela criança tão sonhada talvez enfrente desafios que outras pessoas nunca precisarão enfrentar.


E existe também o medo do julgamento.


O medo dos rótulos.
O medo do preconceito.
O medo de um futuro desconhecido.


Mas existe algo que precisa ser dito com honestidade: ignorar sinais não faz os sinais desaparecerem.


E talvez uma das maiores demonstrações de amor seja justamente ter coragem de olhar para a realidade antes que o tempo passe.


Porque intervenção precoce muda trajetórias.


A ciência já demonstrou que o cérebro infantil possui uma capacidade extraordinária de adaptação e reorganização. Quanto mais cedo uma criança recebe suporte adequado, maiores são as possibilidades de desenvolvimento, comunicação, autonomia e qualidade de vida.


Mas, para isso, primeiro é preciso vencer o silêncio.


É preciso parar de tratar intuição materna como exagero emocional.


Mães convivem diariamente com seus filhos.
Elas percebem mudanças mínimas.
Ritmos diferentes.
Desconexões sutis.
Sensibilidades incomuns.


E muitas vezes a primeira pessoa a identificar os sinais é justamente aquela que passa noites inteiras tentando convencer a si mesma de que talvez esteja errada.


Só que quase nunca está.


Talvez uma das partes mais difíceis dessa jornada seja entender que o diagnóstico não destrói uma criança.


O que destrói é a ausência de suporte, compreensão e acolhimento.


Porque nenhuma criança deixa de ser quem é após um laudo.


Ela continua sendo a mesma criança.


Com o mesmo sorriso.
Os mesmos olhos.
Os mesmos afetos.
As mesmas possibilidades de desenvolvimento.


O diagnóstico apenas oferece direção.


Oferece entendimento.
Estratégias.
Intervenção.
Acesso.
Suporte.


E principalmente: oferece a chance de que aquela criança seja compreendida antes de ser julgada.


Existe algo profundamente cruel na maneira como a sociedade ainda transforma diferenças neurológicas em motivo de medo.


Mas talvez o verdadeiro problema nunca tenha sido a criança.


Talvez o problema seja um mundo que ainda não aprendeu a acolher formas diferentes de existir.


Enquanto muitas famílias vivem em silêncio tentando entender o que está acontecendo, milhares de crianças seguem precisando apenas de uma coisa: adultos dispostos a enxergá-las além dos próprios preconceitos.


Porque nenhuma mãe deveria carregar sozinha o peso de perceber que algo está diferente.


E nenhuma criança deveria crescer sem acesso à oportunidade de desenvolver todo o potencial que existe dentro dela.


Diane Leite

Autonomia Não É Fazer Tudo Sozinho


Existe uma diferença profunda entre independência e abandono.


E talvez muitas famílias estejam cansadas exatamente porque tentam transformar autonomia em perfeição.


Mas autonomia não nasce da cobrança.


Nasce do pertencimento.


Nasce quando uma criança percebe que é capaz de participar da própria vida.


Porque, para muitas crianças atípicas, tarefas que parecem simples para outras pessoas exigem um esforço gigantesco.


Escovar os dentes.
Escolher uma roupa.
Guardar brinquedos.
Pedir ajuda.
Organizar pensamentos.
Expressar emoções.


O que para alguns é automático, para outros pode representar um verdadeiro processo de construção neurológica, emocional e sensorial.


E talvez uma das maiores injustiças da sociedade seja interpretar dificuldade como preguiça.


Quando, na verdade, muitas crianças estão apenas tentando sobreviver em um mundo que exige desempenho antes mesmo de oferecer compreensão.


Autonomia não significa exigir que a criança faça tudo sozinha.


Significa ensinar, acompanhar, repetir, acolher e permitir que ela descubra, no próprio tempo, que consegue.


Existe algo muito poderoso quando uma criança percebe que sua voz tem valor.


Quando consegue escolher o próprio prato.
Quando aprende a comunicar desconfortos.
Quando entende o próprio corpo.
Quando sente orgulho de concluir uma pequena tarefa cotidiana.


São momentos aparentemente simples.


Mas que, dentro do desenvolvimento infantil, representam conquistas imensas.


Porque autonomia não começa em grandes feitos.


Começa nas pequenas experiências repetidas diariamente.


E talvez seja justamente aí que muitas famílias não percebam o quanto já estão transformando vidas dentro de casa.


No jeito como esperam a criança tentar antes de fazer por ela.
No modo como celebram pequenas conquistas.
Na paciência diante dos erros.
Na forma como transformam o cotidiano em aprendizado.


Existe um impacto emocional profundo quando uma criança entende que não é incapaz apenas porque aprende de maneira diferente.


Isso muda autoestima.
Muda segurança emocional.
Muda percepção de mundo.


E principalmente: muda a relação que ela constrói consigo mesma.


Durante muito tempo, acreditou-se que desenvolvimento infantil acontecia apenas através de métodos rígidos, repetições mecânicas e correções constantes.


Mas hoje compreendemos algo essencial: crianças aprendem melhor em ambientes emocionalmente seguros.


Aprendem quando existe vínculo.
Quando existe acolhimento.
Quando o erro não vira humilhação.
Quando o processo importa mais do que a perfeição.


Porque nenhuma criança floresce sendo tratada apenas pelos próprios limites.


Toda criança precisa ser vista também pelas possibilidades que carrega.


E talvez um dos atos mais importantes da parentalidade seja exatamente esse: oferecer apoio sem retirar dignidade.


Ajudar sem infantilizar.
Orientar sem controlar.
Ensinar sem esmagar.


Autonomia verdadeira não é acelerar uma criança para que ela acompanhe expectativas externas.


É permitir que ela desenvolva recursos internos para sustentar a própria vida com mais segurança, identidade e confiança.


Cada pequeno avanço importa.


O primeiro pedido de ajuda.
A primeira escolha consciente.
O primeiro “eu consigo”.
O primeiro momento em que a criança percebe que pode participar ativamente do próprio mundo.


Talvez sejam justamente esses pequenos momentos que constroem adultos emocionalmente mais fortes no futuro.


Porque crianças que crescem sendo respeitadas em seus processos não aprendem apenas tarefas.


Aprendem valor pessoal.


Texto inspirado no livro “Sementes de Autonomia — 100 Terapias para Desenvolver a Independência Funcional na Infância Atípica”, de Diane Leite, disponível no Google Play.

Infelizmente não é possível obter em pesquisas científicas a partícula fé.
A fé que nos faz crer no invisível _ e nem por isso inexistente. A fé que nos conduz a um estado de paz mesmo quando tudo desmorona e explica a coragem de seguir em frente quando toda explicação falha. A fé que justifica e valida o inexplicável, que traduz o intraduzível.
Fé é não saber, e assim mesmo crer.
Crer na imprevisibilidade da vida, que tece um ponto aqui e arremata lá na frente;
Crer no encontro, na inexplicável certeza de que alguns caminhos tinham que se cruzar _ para o bem ou para nosso crescimento;
Crer mesmo não enxergando... confiar e acreditar na estrada mesmo quando a neblina encobre todo o caminho.
Crer que o fato de estar no lugar certo na hora exata pode ser chamado "sorte", mas não deixa de ser providência;
Acreditar que coincidências podem ser eventos aleatórios que te conduzem a um propósito...

Daí vem o Chico e canta lindamente: "Não se afobe não, que nada é pra já... O amor não tem pressa, ele pode esperar..."
E a gente entende que é isso mesmo.
Que é preciso paciência e um certo trabalho
De entrega e responsabilidade
Confiança e nenhuma contabilidade.
Requer tempo.
Pra construir diariamente. Com moderação e habilidade.
Perdão e maturidade.
Pés no chão e força de vontade.

Crianças, quando ouvidas, entendidas e valorizadas, carregam uma sabedoria ímpar, uma sensibilidade única e uma poesia desconcertante. São capazes de tirar sorrisos de onde aparentemente só existem cansaço e dor. Não desconfiam do tempo, das tristezas, do caos diário. Vivem num mundo à parte e por isso nos iluminam com sua espontaneidade surpreendente e habilidosa.
A poesia escorrerá através do tempo, indo embora na velocidade com que chegará o amadurecimento.
Vamos comemorar a independência, o sucesso e o fim das desobediências, mas nada substituirá a alegria latente de ter um garotinho em casa, um ser movido a sonhos e fantasias, que povoava nossos dias de alegria _ feito vestido laranja com bolinhas vermelhas...

Existe um ciclo afetivo que determina um prazo até que estejamos prontos para nos relacionar novamente com aqueles que um dia amamos. Esse ciclo estabelece um período de tempo em que temos que nos curar e sermos capazes de direcionar nosso afeto, nosso carinho e nossas boas lembranças para um novo tipo de relação: a amizade.

Foi Domingos de Oliveira que disse: “Aqueles que se amaram muito um dia têm que permanecer amigos para sempre, senão o mundo fica cruel demais“. Não há crueldade maior que nunca mais trocar algumas palavras com aqueles que um dia amamos. Não há insensatez maior do que acreditar que não é possível olhar para trás com ternura e afeição, sem um pingo de má intenção. Não há incoerência maior que imaginar que o amor não possa se transformar numa amizade real e desprovida de recaídas.

Por alguma razão seguimos em frente por caminhos distintos, mas isso não significa que colocamos uma pedra em cima do que fomos ou do que vivemos. Carregamos em nós retalhos de nossas vivências e vestígios de nossas experiências afetivas.

Aqueles que um dia se amaram muito jamais poderão agir como meros desconhecidos. Depois que a poeira baixa e as feridas cicatrizam, ainda resta a possibilidade da amizade. Não como um prêmio de consolação, e sim com a certeza de que é possível usufruir desse vínculo de uma outra maneira, muitas vezes bem melhor.

Por mais doloroso que tenha sido o fim, um dia deixará de doer. E sentiremos falta da pessoa não como objeto da nossa paixão e sim como alguém que queríamos sempre por perto. Tornar possível a amizade com quem um dia amamos é um gesto de amor próprio.

A tristeza pelo fim de uma relação amorosa pode ser amenizada pela esperança de um dia nos tornarmos amigos. Pela possibilidade de um dia voltarmos a nos encontrar de uma forma mais suave, sem o medo de ser abandonado, sem a insegurança da paixão, sem as cobranças e exigências de uma relação. Talvez isso amenize a dor do fim. Talvez isso possa ser o combustível para termos paciência com o tempo e as demoras. Talvez isso nos permita ver a vida como um ciclo de finais e recomeços😊

"Vem cá. Senta aí. Deixa eu te contar uma coisa.
Eu vim de lugar nenhum. Família sem condição. Sem pai. Sem dom. Sem habilidade. Sem altura. Sem dinheiro. Eu era o cara que ninguém olhava duas vezes. O que todo mundo apostava que ia dar errado. Menosprezado. Escarrado. Rejeitado.
Se tem uma coisa que eu sei nessa vida, é ser rejeitado.
Eu não nasci inteligente. Nunca fui o cara mais esperto da sala. Não tinha talento especial. Não tinha físico. Não tinha QI alto. Eu tinha nada. E o pior: todo mundo me lembrava disso. Todo dia.
Mas aí… algo aconteceu.
No meio do nada, da poeira, do silêncio e da fome… eu encontrei Alguém que comprou todas as fichas da minha vida.
Cristo.
Não foi religião. Não foi discurso bonito. Foi um encontro. Foi Ele olhar pra mim — com meus trapos, minha raiva, meu cansaço, minha alma rasgada — e dizer: 'Esse aqui é Meu. Eu aposto tudo nesse rejeitado.'
E ali eu descobri quem eu realmente sou.
Não sou coitado. Não sou vítima. Não sou o que dizem de mim.
Eu sou obcecado.
Eu sou imparável.
E sabe o que mais? Eu descobri que, se eu tivesse altura, talento, dinheiro, inteligência, dom… isso tudo seria apelação. Deus teve que me fazer assim — pelado, quebrado, humilhado — pra não ficar injusto pros outros. Porque se Eu tivesse só mais uma vantagem, ninguém segurava.
É sério. Eu sou apelação pura. E nem percebi.
Hoje eu ando com a fúria de quem já perdeu tudo e descobriu que ainda assim vence. Não tenho superpoder. Não tenho QI de gênio. Não tenho físico de atleta. Tenho uma coisa muito mais perigosa:
Uma alma que se recusa a perder.
Então pode vir. Pode vir desaforo, doença, dívida, solidão, desprezo. Já tô vacinado. Já morei no fundo do poço. E quer saber? De lá eu aprendi a escalar com unha e dente.
Cristo comprou minha ficha quando ninguém mais quis comprar. E desde aquele dia, eu nunca mais perdi uma luta.
Eu sou imparável.
E quem duvidar, é só atravessar."

Queria não sentir o nó na garganta
Porque somos tão pouco
Porque Não somos escolhidos
Mesmo depoisde anos
sendo usada como um objeto de posse
Doi ficar esperando anos e anos por
Alguém que nunca quis amar
Mas prendeu em jaula sem porta e sem janela, mas pressa a espera de migalhas doadas a escondidas
Momentos que duravam apenas minutos mas que jurava ser eterno.