Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo

“Às vezes, eu só queria não sentir tanto.

Amar com o coração inteiro cansa…
Cansa entregar tudo, cuidar, se doar — e no fim, ficar com as mãos vazias.
Eu sempre amei de verdade, mas só me enrolaram, nunca souberam valorizar.
Nos livros, o amor é puro e recíproco.
Na vida real… ele machuca quem só queria ser amado do mesmo jeito.”

As pessoas rezam para que Deus as abençoe, oferecendo um amor que dure a vida toda.
Mas quase nunca pedem a Ele que as ajude a se amar.
Percebi isso ao ler os livros de Rubem Alves.


Os adultos acham que sabem mais do que as crianças, por isso ensinam.
Os adultos querem avançar, progredir. Já os poetas entendem que a alma não deseja seguir adiante; ela é movida pela saudade. E ela não quer ir para frente, quer voltar para trás. Os adultos fogem da loucura da vida adulta.


Falam tanto sobre os adolescentes estarem à “flor da pele”, por se sentirem ofendidos ou tristes diante das palavras da mãe e do pai, que esquecem de ensiná-los a ser felizes. Esquecem que o remédio para a alma cansada não é o esquecimento.


Se ainda não entendeu, eu explico com calma.


Os adultos querem que os filhos sigam aquele velho ditado: “os filhos se espelham nos pais” e, com o tempo, se tornem adultos como eles.
Os adultos desejam sucesso, riqueza, status, roupas caras, carros do ano, celulares de última geração.
Os adolescentes, sejam tristes ou revoltados com a vida, pedem apenas uma coisa aos pais: que os escutem em silêncio. Não buscam remédios para tratar distúrbios mentais, depressão ou ansiedade; eles só precisam de escuta.


Os adultos muitas vezes idolatraram o dinheiro e as coisas materiais. Eu, como poeta, peço apenas uma coisa: que me devolvam tudo aquilo que me tiraram, chamado saudade.


Somos tudo aquilo que vemos.
Se você vê o mundo colorido, aprende a encará-lo com resiliência e percebe o lado bom da vida.
Se, como eu, você vê o mundo em preto e branco, percebe nuances que quase ninguém nota.


Voltando ao início: nunca vi nenhum religioso pedindo a Deus que o ajude a se amar. Às vezes, o que os adultos precisam não é ostentação, dinheiro, joias ou luxo, mas silêncio. Silêncio para escutar o que vem de dentro e, assim, compreender os adolescentes.
Os adultos são convencidos. Lembram que crianças e adolescentes não têm contas para pagar e concluem que não podem sofrer. Mas nunca pensam que a dor deles é verdadeira, causada pela ausência de uma vida adulta que os compreenda.


Assim como os mais velhos. Alguns caíram no esquecimento. Às vezes penso: foram tão difíceis ao longo da vida que todos os abandonaram? Ou será que os adultos são apenas ingratos?
Os velhinhos às vezes se parecem com crianças: veem o mundo de forma divertida, coerente e colorida. Não como os adultos, que falam muito e escutam pouco.


Eu, como poeta, devo dizer:


Vocês, adultos, fogem da loucura porque temem o presente. Se preocupam demais com coisas superficiais. Vocês não precisam de dinheiro em excesso; precisam de silêncio e escuta em abundância. E, a partir disso, poderão amar ao próximo, e finalmente amar-se.

EU TEMPORAL

Ontem eu andava à toa, com o tempo nas mãos sem saber da hora

Havia balanço, havia garoa e o mundo girava devagar lá fora

Um riso cabia no vão da calçada, o sol se escondia só por brincadeira

Ontem doía de tão leve, era domingo a vida inteira

Mas o tempo, esse moço apressado, me levou sem me pedir desculpas

Hoje eu corro atrás do próprio passo

Tomo café em pé, sem tempo de abraço

Tenho prazos, pesos e pressas, um relógio que nem me confessa

Hoje é um samba sem cadência, que tropeça no próprio compasso

A buzina e-mail notificação, é um trem lotado sem estação

E eu canto pra ver se a alma escapa desse corpo apressado demais

Hoje me cansa o que antes me encantava

Me sobra o cansaço, me faltam os ais

Amanhã me disseram que é bonito, mas disseram também que é incerto

É beijo prometido, é sonho guardado num livro aberto

Talvez me espere um jardim, um fim que ninguém percebeu

Talvez o amanhã nem me queira, mas sou teimoso e sigo eu

Porque o tempo é só mais um poeta que escreve o que ninguém entendeu

Eu sigo entre ontem, hoje e o depois, cantando o que sobrou de mim e dos meus

Hoje eu corro atrás do próprio passo

Tomo café em pé, sem tempo de abraço

Tenho prazos, pesos, pressas, um relógio que nem me confessa

Hoje é um samba sem cadência, que tropeça no próprio compasso

É buzina e meio notificação, é um trem lotado sem estação

E eu canto pra ver se a alma escapa desse corpo apressado demais

Hoje me cansa o que antes me encantava

Me sobra o cansaço, me faltam os ais

Amanhã me disseram que é bonito, mas disseram também que é incerto

É beijo prometido, é sonho guardado num livro aberto

Talvez me espere um jardim, um fim que ninguém percebeu

Talvez o amanhã nem me queira, mas sou teimoso e sigo eu

Porque o tempo é só mais um poeta que escreve o que ninguém entendeu

Eu sigo entre ontem, hoje e o depois, cantando o que sobrou de mim e dos meus.

Foi real.
Eu senti cada instante — nossas noites, nossos rolês, nossa intimidade.
Nossa parceria… ah, da nossa parceria eu tenho muita saudades.
Foi tudo real: cada beijo, cada abraço, cada madrugada dividida entre risos e silêncios.
Eu era apaixonado pelo jeito como você me via — via todos os meus lados, o melhor e o não tão bom, e mesmo assim amava cada um deles.
Ninguém nunca me olhou como você olhava.
Eu sinto tanto a tua falta… falta de tudo, até das tuas bobiças.
Sinto falta de nós dois, porque juntos éramos poesia viva e engraçada.
Por isso e por tantas outras coisas, sei: tudo foi real.




-Francisco Brito

Mesmo na Dor, Seguimos


Às vezes nos sentimos como vasos rachados,
cuidando do mundo e sentindo a dor bater na própria carne.
Quando é na família, a ferida é profunda, intensa — diferente de tudo.
Mas sei que Deus está no controle de todas as coisas.
Seguimos, mesmo tristes, mesmo feridos, com fé e esperança.


🖋️Purificação

Sempre


Sempre quiseram brilhar,
Artur e Lian, no mesmo lugar,
irmãos de alma, mas tão dispostos
a tudo vender pra se destacar.


Sempre juraram crescer,
sem nunca parar pra entender,
que o ouro cansa, o poder corrói,
e o tempo ensina a perder.


Sempre tentaram subir,
rindo de quem veio a cair,
achando que a glória viria
sem nunca ter de dividir.


Sempre buscaram o valor,
no brilho do metal e no suor,
mas o brilho apagou cedo,
e a ganância virou dor.


Sempre, um dia, veio o quebrar,
Artur caiu, Lian quis ajudar,
mas o peso do orgulho antigo
não deixou o perdão falar.


Sempre, no fim, veio o chorar,
os tronos ruíram, o ouro secar,
e só restou a memória fria
de quem quis tudo e ficou sem lar.


Sempre, então, compreenderam,
que o poder é vento a passar,
e quem governa o coração
tem mais do que pode contar.


Sempre, no fim, vão lembrar,
que nada há pra se levar,
que quem vive só pra possuir,
acaba por nada ser e só ficar.

O tempo tem um jeito silencioso de cuidar daquilo que a gente não consegue alcançar com as próprias mãos.
Ele não tem pressa, mas é sábio; vai costurando o que se rasgou, vai clareando o que parecia sem cor.


Há dores que se resolvem sem barulho.
Há caminhos que só se revelam quando a gente aprende a esperar.
E há beleza, sim, até nas pausas mais escuras, porque é ali, no fundo do silêncio, que a luz começa a nascer.


Nem sempre o que hoje parece fim é realmente um fim.
Às vezes, é só o tempo pedindo passagem para transformar o que ainda não amadureceu em paz.


— Edna de Andrade

Há um jeito bonito de Deus ajeitar o que parecia perdido.
Ele não apaga histórias; apenas muda o rumo das linhas.
O que hoje parece ponto final,
amanhã pode ser só uma pausa antes de um novo começo.


A vida é feita de parágrafos que se reinventam,
de páginas que se reescrevem com o tempo,
de capítulos que a gente nem imaginava viver.


Nada está totalmente pronto.
Nem a gente. Nem os sonhos.
E é justamente aí que mora a beleza:
no movimento constante de aprender, sentir e recomeçar.


— Edna de Andrade
@coisasqueeusei.edna

Paredes de hospitais.

Hospitais têm um tipo estranho de silêncio. Não é ausência de som… é o silêncio que pesa, que acompanha cada passo como se o chão estivesse escutando nossas orações engolidas. Nessas paredes brancas a gente descobre que o tempo não anda em linha reta. Ele para, tropeça, resolve andar em círculos. Cada minuto que passa tem tamanho de uma eternidade.

Quando é a vida de quem a gente ama que está lá dentro, é como se o coração da gente fosse parar na porta que se fechou. Ficamos sentados em cadeiras desconfortáveis com pensamentos que não sabem sentar direito nunca. A gente imagina, a gente torce, a gente lembra de todas as risadas, de todos os “depois a gente vê”, e percebe que nada tem mais urgência do que vê-los voltar bem.

As paredes do hospital carregam histórias que ninguém escolheu viver, mas que todo mundo aprende alguma coisa. Tem força onde antes só havia medo. Tem fé disfarçada de teimosia. Tem amor fazendo barulho dentro da gente, querendo arrombar cada porta para alcançar quem está sendo cuidado por mãos que não conhecemos, mas que naquele instante se tornam as mais importantes do mundo.

Ali, a gente descobre que esperança não é luz… é brasinha. Pequena, mas impossível de apagar. Enquanto isso, a parede segue muda, testando nossa paciência, segurando segredos que não contamos a ninguém. Um dia, ela vê lágrimas. No outro, abraços de alívio. É testemunha fiel de quem chega quebrado e de quem volta inteiro.

E no fim, quando a porta finalmente abre, a gente respira de verdade pela primeira vez em horas. Aprende a agradecer o que sempre achou garantido. As paredes continuam lá, firmes, como quem diz: “Você não está sozinho”. E a gente volta pra vida diferente. Mais grato. Mais humano.

As pessoas tendem a definir os outros por rótulos (como “fleumático”, “introvertido”, “emocional”, “racional”, etc.) porque o cérebro humano busca simplificar o que é complexo. Isso é um atalho mental chamado “categorização” — uma forma rápida de entender o mundo, mas que quase sempre reduz a riqueza e a singularidade de cada pessoa.




👉 Nenhum ser humano cabe em um único tipo de personalidade.
👉 Cada pessoa é resultado de uma combinação única de história, genética, experiências, fé, dores e escolhas.
👉 Quando usamos apenas uma palavra para definir alguém, deixamos de ver as camadas profundas que formam quem ela realmente é.


Na verdade, Deus criou cada pessoa como uma obra única — “Tu me formaste no ventre de minha mãe; eu Te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável” (Salmo 139:13-14).


Então, sim — ninguém é só fleumático, só sanguíneo ou só colérico. Somos complexos, em transformação, e moldados pelo Espírito Santo dia após dia.

#Raízes



Nos primeiros cinco minutos

Nasce, nasceu sem nada

Nú, sem medo nenhum Santificado, não crucificado

Sem religião, zero pecado.

Uma cachoeira há de cair

Determinados períodos

Ninguém fecha a torneira

Choram sem direção

Pureza? Dentro do coração

Recém-nascidos, livres!

Podem gritar, espernear

Expressões que ainda

Muitos não há de calar.

Após cinco minutos

Decidiram seu nome

Sem, sem sua permissão

Classifícaram a sua marca:

Nacionalidade, sexualidade

E, normalidade te definirar, então

Raízes irão se desenvolver

Assim será o seu crescimento

Lutando e defendendo

Estupidamente

Até morrer.

Somos livres, livres somos Não podemos mais grudado ficar Somos livres, livres somos Vamos sair pra nunca mais voltar!

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Escrito por: Guy Lherm

"Haverá dias cinzas,
Nublados, e pode até cair uma chuva.
Mas como o sol,
Uma luz continuará a brilhar em algum lugar.
Para enxergá-la, entretanto,
É necessário mover o olhar das poças
E focar no que está no alto:
O sol continua brilhando em dias nublados."

Jackeline Martins

A Elegância de um começo

Vestido branco de cetim, um rio de candura, envolto em mistério, em sublime tessitura.

Um singelo e clássico colar de pérolas a brilhar, a graciosidade do momento, a me encantar.

O espelho refletia a luz em seu lugar, eu sob o véu, pronta para amar.

Trazia na face à graça mais pura, envolta em um cheiro suave de ternura.

E em cada detalhe, a certeza que se via, era a benção do grande poder de Deus que ali fluía.

Um suspiro me escapou ao sentir a arte no ar, me senti em um sonho lindo, como se tivesse entrado em um quadro.

E o coração? Ah! Ele disparava.

A luz entrava, pintando o quarto, e o cheiro doce de baunilha me envolvia, acalentando a alma.

Eu sabia, a vida estava ali, pronta para começar, e eu estava pronta para vivê-la.

As sobrancelhas grossas emolduravam o meu olhar, esculpindo o meu rosto com belos traços que o tempo jamais poderia apagar.

Em minhas mãos, um buquê de delicadas flores brancas, simbolizando a pureza de um começo que nunca se apagará.

A cada instante, a cada passo eu sentia a elegância da alma a brilhar, a beleza que emerge, genuína a reinar.

A cada passo, um suspiro, a vida se revelava, no caminho do amor que se iniciava.

Uma postura deslumbrante, de rara nobreza, era a personificação da divina elegância e beleza.

Vagando em uma quarta-feira qualquer,
separada pelo abismo de outros dias de feira, que, desprezíveis, prefiro nem citar, vejo aquele ônibus que, aos domingos, me transporta por entre realidades,
onde embarcam sonhos e saudades que amadurecem durante a viagem e desembarcam como vontades.
Esse ânimo que me dá de largar tudo e pegar esse ônibus pra te amar. Seja nas quartas, ou em todos os outros dias que houver, serei sempre meio, partido, inteiro apenas quando nós.

Outrora você foi um sonho que,
com o passar do tempo, fez-se concreto. Vislumbrei-te como um pretexto para que eu pudesse ser feliz. Tornaste-te platônico, tornaste-te plausível. Tornaste-te real.
Outrora você foi um sonho do qual eu preferia não ter despertado,
para continuar idealizando um ser perfeito. Amei-te enquanto sonho e pretexto, mas, quando real, percebi que a minha felicidade estava bem longe dali.

Carta ao que ainda sente

Anápolis, 27 de outubro de 2025

Hoje, escrevo não para o mundo, mas para mim. Para aquele que há vinte anos rabiscou num caderno uma verdade que ainda pulsa:
“O verdadeiro solitário é aquele que, mesmo rodeado de milhares, ainda se sente sozinho.”

Essa frase me define mais do que qualquer outra. Porque, ao longo da vida, não busquei apenas coisas — busquei sentidos. Amor que não machuca, felicidade que não se esconde, alegria que não precisa de plateia. Busquei companheirismo sem cobrança, aceitação sem máscaras, silêncio que não fosse abandono.

Mas o mundo mudou. Ou talvez tenha apenas se revelado. As relações se tornaram rasas, os sentimentos, ensaiados. Aprendemos a fingir tão bem que esquecemos como é sentir de verdade. E, nesse teatro diário, o “está tudo bem” virou nosso papel principal. Dizemos isso mesmo quando não está. Porque admitir tristeza virou sinônimo de fraqueza. E fraqueza, hoje, não é aceita.

Estar doente, estar triste, se sentir sozinho — tudo isso virou sinal de que algo está errado com você. Então nos condicionamos. A sorrir por fora e chorar por dentro. A incentivar o outro quando, na verdade, era a nossa alma que pedia por incentivo. A oferecer colo quando o que mais queríamos era um abraço silencioso.

Ser forte o tempo todo cansa. Mas fingir força o tempo todo… isso esgota.

E aí, aquela pergunta que me fizeram anos atrás volta a ecoar:
Você vive ou morre todos os dias?
A resposta continua a mesma:
Eu não sei.

Mas talvez escrever isso seja um começo. Talvez admitir que não sei seja, enfim, um ato de coragem. Porque sentir não é fraqueza. Sentir é o que nos torna humanos.

Com verdade,
Pablo

Entre paredes e silêncios


Encosto a alma no concreto,
como quem pede licença ao dia.
O copo pesa menos que o pensamento,
mas mais que a ausência que me visita.

Fecho os olhos, não por cansaço,
mas por querer ver o que não se mostra.
Há um mundo atrás das pálpebras,
onde o tempo não exige resposta.

A camisa branca guarda segredos,
como se o tecido soubesse demais.
E os muros, cúmplices mudos,
não perguntam, apenas me deixam ficar.

Não é tristeza, tampouco paz.
É esse meio-termo que me veste,
feito sombra que não quer ser noite,
mas também não se atreve a ser luz.

Apenas Deitado


Às vezes o corpo pesa,
e é mais fácil não lutar.
Ficar deitado, quieto,
sem rumo, sem lugar.

Cansado da rotina que se repete,
dos problemas que não se vão,
das vozes que reclamam sempre,
dos dias que parecem em vão.

Deitado, apenas deitado,
fitando o teto como quem espera
que o tempo leve embora
essa névoa que desespera.

Sem querer nada, sem sonhar,
sem planos, sem direção,
só sentindo as horas escorrerem
como areia na palma da mão.

A luz do sol se apaga lenta,
e a sombra toma o chão.
Mas ali, imóvel, eu resisto,
no silêncio da exaustão.

Amar em Silêncio


Me sinto em meio a muitos,
mas sozinho no meu ser.
Carrego o medo nos olhos,
de quem só quer viver.

Julgam meu passo, meu gesto,
meu jeito de olhar o céu.
Julgam o amor que ofereço,
sem fronteiras, sem anel.

Não amo só um, amo todos,
sem raça, sem credo, sem cor.
Meu coração é um abrigo,
feito só de puro amor.

Mas o mundo virou tela,
onde o afeto é medido em cliques.
E o amor, tão verdadeiro,
se perdeu entre os likes.

Queria apenas ser visto,
não por filtros ou edição.
Mas por quem sente comigo,
a verdade do coração.

Quando a Saudade Aperta


Do nada, vem.
Um aperto no peito,
como se o tempo parasse
só pra lembrar que algo falta.

Não tem aviso.
Só a lágrima que escorre
sem barulho,
como quem entende
o que nem você sabe explicar.

É saudade —
daquilo que foi,
daquilo que nunca foi,
ou talvez só de um pedaço seu
que ficou em algum lugar do passado.

Você respira fundo.
Não pra esquecer,
mas pra caber de novo em si.
E sussurra, quase sem voz:
“Vai passar.”
Mesmo sem saber quando.
Mesmo sem saber como.