Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo

Encerrando Ciclos

Tantas vezes ficamos tristes e cabisbaixos quando alguma coisa se encerra em nossa vida, seja um emprego, um relacionamento, uma amizade, ou qualquer outra coisa. O que esquecemos é que a vida é assim, cheia de ciclos... uns terminam e outros começam. A vida é nossa escola e estamos aqui para aprender, com certeza o que tinha que aprender com determinado ciclo, já aprendeu. Agora virão outros aprendizados. A vida é durona, mas é sábia. Seja forte e perseverante e vai tirar mais essa de letra. Seguindo em frente, sem medo, com fé e determinação. Nova fase, novo aprendizado.

Barraco (minha casa?)

O governo anunciou!
Vão trocar seu barracão,
por uma casa de verdade,
com janelas, porta, tem fogão.

Casa pintada, de telhado
sem goteiras, como aquela,
lá no morro.

Coitado!
Já nem pode mais dormir,
só pensando nesse dia.

Ele vai ser proprietário.

Como lhe faz bem ouvir
este nome de magia.

Proprietário, proprietário!

Vão trocar seu barracão.

Bem, é o que diz
o semanário

mas, doutor,
será que vão?

No meio da estrada

No meio da estrada,
parado,
olho à frente;
o desconhecido,
olho atrás;
o nada.
Tudo é nebuloso
em figuras dispersas.
A década perfeita
dos anos dourados,
perdida.
Procurei nos teus olhos
minha própria certeza
esquecida
em alguma esquina de nós.
E, no passar do tempo
ao nos vermos
já não seremos os mesmos
amantes de outrora,
encantados,
encantadores,
mas sombras de um passado
varrido da memória,
mas presente nos corpos.

Pingo de gente

Pingo de gente, já perdido
pelos cantos da cidade.
Parado nos bares, nos bancos,
pelas ruas tristes da miséria.
Menino na idade,
crescido nos hábitos.
Semblante amargurado,
sem esperanças, sem ilusões,
na crua realidade
de nossa terra.

Brasil sem lógica, futuro
ou piedade.
Exemplo materializado
da guerra do ser
e do não ser.
Brasilidade!

Será a pobreza-criança, fatigada,
abandonada,
a derramar seus rancores
em gritos e apelos?
Infância sem futuro,
marginalizada.

Submissa aos planos
dos doutores,
em miragens heróicas,
e a esquecê-los,
entre o real e a bela fantasia
de construir um mundo
sobre o nada,
em montes de papéis
e de promessas,
que salvarão, por certo,
da agonia
a pátria-criança, abandonada
no lixo pútrido da ignomínia
para que o cancer do descaso
correndo a cada passo
do gigante, a alma fria,
destrua-lhe no embrião,
antes que cresca
o filho pobre a reclamar
justiça, e a vontade
da luta e da conquista
onde o povo oprimido
lhe apareça
a plasmar por si
a própria história,
como a obra-prima
de um grande artista.

Preconceitos

Vinha correndo e parou quando me viu;
imagem inusitada neste frio mês de abril,
aquela criança negra a me olhar e sorrir,
bracinhos abertos, a se equilibrar nas pernas
na fuga da mãe, que lhe corria, também a rir.

Neste mergulho americano, acenei a elas
agradecendo o calor humano sem preconceitos
que vem das crianças, simples, puras e ternas,
a mostrar às pessoas que podemos ser aceitos
não importando a cor ou as origens delas.

Amanhã apaixone-se ...
Porque o dia seguinte é o dia mais importante da sua vida!!!
É no dia seguinte que sabemos se o dia de ontem valeu a pena!!!
É no dia seguinte que acordamos para a realidade, ou, dormimos no sonho!!!
A vida da gente começa no dia seguinte, e só existe uma maneira de viver: “apaixonado”!!!
Por isso dance, dance como se ninguém estivesse vendo você!!!
Trabalhe, como se não precisasse de dinheiro.
Corra como se não houvesse a chegada!!!
Ame como se nunca tivesse sido magoado antes!!!
Acredite como se não houvesse frustrações!!!
Grite como se ninguém estivesse ouvindo!!!
Beije como se fosse eterno!!!
Sorria como se não existissem lágrimas!!!
Abrace como se fossem todos amigos!!!
Durma como se não houvesse o amanhã!!!
Crie como se não existisse crítica!!!
Vá como se não precisasse voltar!!!
Acorde como se nunca mais você fosse dormir de novo!!!
Faça à próxima viajem como se fosse à última!!!
Se vista como se não existisse espelho!!!
Proponha como se não existissem recusas!!!
Brinque como se não tivesse crescido!!!
Levante como se não tivesse caído!!!
Case como se não houvesse outra!!!
Mergulhe como se não houvesse medo!!!
Ouça como se não existisse o certo ou errado!!!
Fale como se não existisse o certo ou errado!!!
Aprecie como se fosse eterno!!!
Viva como se não houvesse o fim!!!
Prefira ser em vez de ter!!!
Sentir em vez de fingir!!!
Andar em vez de parar!!!
Ver em vez de esconder!!!
Abrir em vez de fechar!!!
Apaixonar-se é o exercício de jardinagem: arranque o que faz mal, prepare o terreno, semeie, seja paciente, espere, regue e cuide!!! E assim terá o jardim!!!
Mas esteja preparado porque haverá pragas, seivas ou excesso de chuvas!!!
Se desistir, não terá o jardim!!!
Terá o desamparo!!!
A paixão não se vê, não se guarda, não se prende, não se controla, não se compra, não se vende, não se fabrica!!!
A paixão é a diferença entre o sucesso e o fracasso!!!
Entre a dúvida e a certeza!!!
Entre aqueles que gostam do que fazem, daqueles que fazem o que gostam!!!
Apaixonados não esperam, agem!!!
A paixão é o que faz coisas iguais serem diferentes!!!
Lembre-se que a arca de Noé foi construída por apaixonados, que nada conheciam de navegação e embarcação!!!
E o Titanic foi feito por engenheiros e profissionais fabulosos, que queriam mostrar o seu poder!!!
Amanhã, quando acordar pense se hoje valeu à pena, e apaixone-se!!!
Porque em 24hrs você vai entrar no dia mais importante da sua vida: O dia seguinte!!!

Poema sem nome

Num dia de feroz
Intranquilidade
Desci dos céus
À terra impura
Envolta em véus
De maldade,
De mil doenças,
Sem cura.
E, fui anjo,
Fui demônio.
Expectador
De lutas, de misérias,
De feridas abertas,
Sem dor.
Ao frio das incertezas,
De todas as tristezas,
Em angústias de ais,
Infernais.
Fui arcanjo
Do bem
E do mal,
Em giros gigantes,
Nos gritos vibrantes,
Dos elefantes
Da jangal
De ruinas morais.
Em trilhas tortuosas,
Sinuosas,
A conduzir-nos ao fundo
Dos pantanais de lama,
Fétida.
Onde os javalis
E as hienas
Charfundam,
Em risos roucos
E bestiais.
Onde os pássaros
Não cantarão
Jamais!
Por que desci dos céus
À terra impura?
Loucura!

Notícia final

E os jornais
(em letras garrafais)
Noticiaram mais um assassinato.
Na primeira página,
Do anonimato,
Surge a figura do assassino.
Espantoso!
Detalhes,minúcias incríveis
Surgem nas letras
(que largam tinta)
Como o sangue negro,
Coagulado,
Que vertia do corpo,
Aberto
Pelas trinta punhaladas
(sobre ele desfechadas).
Os mais horrendos pormenores
São narrados, fotografados.
Nada é proibido
A maiores ou menores.
Os prelos rodam
No afã da venda.
Sensacional
O seu jornal!
Roubos, assaltos
(a mão armada ou desarmada).
Atropelamentos,
Envenenamentos
(foi a empregada seduzida
Pelo patrão).
Toda a podridão
Desenterrada
Do lixo das cidades.
Atrocidades!
Figuras anormais,
Bestiais
Circulam pelas sessões
Policiais,
Em todas as páginas,
Em todos os cantos
Do jornais.
Pormenores jamais proibidos
(mas bem lidos)
A maiores ou menores

Meu trem

Parte meu trem
Da gare escura,
Pela manhã que não veio,
Ainda.
Do escuro da noite,
Que não finda,
Parte meu trem
Escuro e sujo.
Trem de perfumes
Extravagantes,
Em misturas exóticas
De odores;
Miss dior, num certo azêdo
Do suor
De mil axilas.
O cheiro de peixe
Que exala
De caixotes, em jornal
(sem igual).
Ah, meu trem que parte,
Escuro e sujo!
Trem de luxo
No cotidiano,
Com portas abertas
(incertas)
Que são bocas famintas
(de gente).
De janelas sem vidro,
Com chuva, com vento
Num só lamento,
Do pó que levanta
Do chão,
Juncado do lixo
De muitas mãos
E das bocas que cospem
A miséria de um povo.
Meu trem…
Do cotidiano,
De professoras azuis,
De bêbados cansados,
De suados operários,
Dos peixeiros
Que espalham na manhã
A presença dos mares,
Em horários incertos
(invulgares).
Trem democrático.
Prático!
A professora ao lado
Da lavadeira,
No mesmo trem,
Escuro
E sujo,
Com cheiro de peixe,
De roupa lavada
(ou suja?)
Com o lixo espalhado
No perfume francês.
Quem nos fez
Assim tão irmanados
Nós….Os subdesenvolvidos
Do sul?
Num mesmo trem
Escuro
E sujo.
Com vento
Com chuva
Com frio,
Mas sem cheiro
Do sangue
Da luta de irmãos.
O branco no preto
O preto no branco,
Livres
Num mesmo trem
Escuro
E sujo,
Com vento,
Com chuva,
Com frio,
Mas sem o cheiro
Da pólvora
Da guerra,
Que me aterra

Esperança do povo

Lá se vai meu povo,
triste.
Lá se vai esperando,
de novo
pensando
que existe
esperança.

Que o dinheiro
vai dar
o mês inteiro
p’ra gastar
e sobrar
p’ra poupança.
Coitados!
Minha gente
é criança
que de repente,
p’ra se conformar,
acredita nos sonhos.

Mas, a verdade aparece
contida
na triste ilusão.

O real depois permanece
p’ra gente pensar.
Pois,
então?

Só o pobre
socorre
outro pobre.
E o rico
só morre
mais rico.

O riacho,

Quem é capaz de adivinhar o futuro? A vida é semelhante a um riacho. Há quatro formas de encarar a coisa:

Algumas pessoas ficam extasiadas e inertes, admirando a silhueta do leito. Acabam sendo atingidas pelos respingos das alegrias e tristezas de seus amigos, familiares... Assim, vão assistindo a vida passar. Certamente, quando chegar o dia, elas serão abençoadas e aceitas de volta por Deus.

Outras, diante de tamanha maravilha de Deus, viajam em si mesmas, e partir de alguma percepção despertada por esse exercício de introspecção, vencem a inércia e acabam seguindo o leito da vida, por fora, descobrindo o quanto as quedas poderiam ser suavizadas pela profundidade de uma amizade ou amor. Concluem assim, que todos nós fluímos para o mar representado pelas mãos do Criador. Porém, como navegaram à margem, não absorveram da vida os elementos para a elaboração de suas pérolas. Ainda assim, haverão de ser queridas e aceitas por Deus, algum dia.

Há aquelas pessoas que mergulham de cabeça em tão acolhedor riacho. Vivem, sorvendo as experiências das profundezas, aprendem a nadar de diversas maneiras, vivenciando intensamente a plenitude no mundo das águas, com uma sede insaciável. Haverão de ter visto a vida de dentro, espalham seus sorrisos e lágrimas por todos os lados, e devem chegar às mãos do criador completamente ébrias. Porém, enquanto nessa circunstância, não conseguimos distinguir certas “pedras” no caminho. Com isso, se faz necessário ir ao cais para curar os ferimentos. Descobre-se aí o quanto as margens da vida podem ser estranhas a um “peixe”. Ainda assim, tu poderás contar com o Supremo, que ti receberás de braços abertos.

Há um tipo raríssimo de pessoa que deixa pegadas nas margens, indicando que não é inerte. Dizem que ela só se banha na cabeceira do riacho, pois é onde se forma todo o fluido vital. Outros dizem que se trata de uma lenda, pois já correram toda a margem do riacho e nunca a viram. Certa vez, apareceu uma explicação através de uma criança e foi a que mais gostei. Ela palestrava a todos, afirmando a existência de tal pessoa, porém os adultos não a viam, porque, assim como as crianças, vez por outra se escondia entre as moitas das margens buscando solitude. A criança insistia em afirmar que já haviam se banhado juntos, na nascente, no leito e na foz do riacho. Ambas conversavam por horas e mais horas, assim admitia a criança. Ninguém acreditava. Quem mais poderia ter tanto assunto para conversar horas e mais horas com uma criança? A criança, realmente nunca havia sido vista em companhia de pessoa alguma. Muitos diziam que era seu amigo imaginário. Pois bem amiga, a tal pessoa, está em todos nós. A tal pessoa cresceu em nós, tornando-se esquecida e irreconhecível. O ser humano escolhe assim, viver à luz das equivocadas fantasias do seu bando. Devemos saber a hora certa do banho, a hora certa de caminhar e a hora certa de parar. Tudo na vida dispõe de uma medida. E quem dispõe do recipiente? Certamente uma criança.

Foi assim……ode a meu povo

Foi assim…por mero acaso
que cheguei , certo dia,
à terra de meus pais.
Ainda um menino, pouco sabia
ou um quase nada
sobre os campos distantes
de ventos frios e cortantes
do extremo sul do País.
Essa terra guasca e lindeira
de gente pura e acolhedora
plena de simpatia e lealdade.
Terra de encantos, protetora,
que em realidade era a de todos
meus mais antigos ancestrais.
Rio Grande do Sul, uma nação
orgulhosa de seus feitos e tradições;
uma nação verdadeira,
cuja bandeira, tremulando,
carrega os traços rebeldes
de muitas guerras e peleias
nação com sangue forte nas veias,
curtida no amor à terra e,
a defendê-la fez jorrar esse sangue
por várias gerações.
Menino carioca, da capital
me achando soberano, o tal…
aprendi , muito cedo
a domar o potro da vaidade
e a me entregar de alma,
sangue e corpo
ao minuano campeiro.

Ode à vida

Faça com que possa
crer em teu futuro,
mostre-me que tens força
e transponha o muro
que te faz cativo
da dor e da vergonha.
Teu coração aberto
ao mundo ponha,
desperte a mente
que na vida sonha,
acenda as luzes
e fuja do escuro.

Não pense que tudo
se acabou,
nem que de ruínas
será teu existir,
lute, erga a cabeça, viva,
ou sucumbirás ao medo
que há de vir.
Se tua vontade é fraca,
faça da derrota teu porvir,
dê-me tua mão e creia
que sou a outra mão
pronta a te servir.

Pega ladrão!

quando passar correndo o menino,
tão magro e rasgado,
com a bolsa roubada
à madame
ao repentino clamor
que lhe segue,
não ouça!
pois, não sabem
que o pequeno ladrão,
desceu dos morros
e da miséria
onde algum dia (oh triste ilusão),
algum político a mais,
por pilhéria na certa,
a todos dizia
que o drama da morte acabara
e nunca mais fome teria
(porque se eleito…).

Mas, coitado, bem viu
que o doutor esqueceu
a promessa.
E agora na gente que grita
e com pressa
corre atrás do menino ladrão,
eu vejo somente
o desprezo
de uma fração poderosa
que vive alheia do povo
que ri da desgraça e destrata
que esquece as promessas
e, de novo,
vai pedir a esse povo
que maltrata.

Hoje dei um suspiro e senti algo diferente. Ou melhor, esse suspiro era diferente e depois dele todos os suspiros que se sucederam também eram diferentes.
Eles eram mais profundos
Suspirava com vontade, sabe!
Com vontade de sorrir, de chorar, de gritar
Acho que esses são suspiros da paixão
Sinto saudade, vontade, desejo
Sei que esses suspiros são proibidos e quase utópicos
Porém confesso que estou gostando de senti-los
Não sei por quanto tempo continuarei suspirando por você
Mas não quero parar de suspirar agora.

Quando você estiver mais deprimido, pode ser que você perca dias no quarto trancado. O que é triste, porque o tempo não vai parar fora ou dentro dele.
E quando você se der conta disso ficará mais deprimido ainda.
Talvez você demore muito para perceber que pode tirar tudo que te lembra uma pessoa de vista, mas jamais conseguirá tirá-la da cabeça.
Quem sabe você perca tanto tempo se arrependendo ou fingindo que não fez aquela besteira, e isso só vai torná-la ainda mais intensa dentro de você, é preciso aceitá-la, assumi-la e encará-la para poder superá-la.
Pode ser que você tente tanto convencer o mundo inteiro e você mesmo de algo, que não veja que é impossível mentir para si mesmo inteiramente.
Mas tudo isso não é ninguém que te deve contar, é algo que cada um tem que descobrir, mas é triste alegarmos que a vida é curta, quando na verdade somos nós que não sabemos aproveitá-la e perdemos tempo demais nos dizendo que ela é curta.

''Eu te conheço. Eu sei quando você se levanta e quando você se deita.
Eu conheço você no seu íntimo e eu te amo muito. Eu compreendo as suas alegrias, suas dores, falhas e frustrações, e ainda te amo e sempre vou te amar.
Estou sempre na sua frente, atrás, e também ao seu lado, guiando você cada dia.
Não há lugar onde você possa fugir ou se esconder. A noite e o dia são a mesma coisa pra mim. Eu formei você exatamente como eu queria quando você ainda estava no ventre de sua mãe. Você é maravilhosa e bela. Até quando há defeitos (aqueles obstáculos e erros que os outros tem feito na sua vida). Eu tenho um plano perfeito e belo e é para o seu bem. Até antes do seu corpo se formar, eu já havia planejado todos seus dias. Eu quero que você me conheça mais e mais. Deixe-me revelar a você os sintomas e as raízes das suas dores, problemas e frustrações. Assim você reconhecerá seus pecados e se arrependerá, então guiarei você para viver todas as bênçãos que eu mesmo planejei pra você – ou melhor, para nós.''

Se eu pudesse, apenas um dia,
voltar no tempo,
queria que fosse
para o dia em que te conheci.

Se eu devesse, talvez,
corrigir um erro,
queria que fosse
o da nossa primeira briga.

Se eu pudesse, então,
repetir o que foi bom
queria que fosse
o nosso primeiro beijo.

Se eu pudesse, ainda,
desfazer um ato,
queria que fosse
o te ter magoado.

E se eu pudesse, por último,
fazer um pedido,
queria que fosse
o de ser feliz pra sempre
contigo.

Inteiro


Amores pela metade não me satisfazem, meias amizades não me convencem,
um quase sorrir não me contenta, um pouco de paz não me tranquiliza,
estar perto não diz que cheguei, "foi por um triz" não me consola.
Eu não me dou em pedaços, não quero meias esperanças, nem ser feliz pela metade.
Não quero meias palavras, não gosto de meios termos, não quero meias verdades
se for pra ser, que seja. Por inteiro

Para os que Virão

Como sei pouco, e sou pouco,
faço o pouco que me cabe
me dando inteiro.
Sabendo que não vou ver
o homem que quero ser.

Já sofri o suficiente
para não enganar a ninguém:
principalmente aos que sofrem
na própria vida, a garra
da opressão, e nem sabem.

Não tenho o sol escondido
no meu bolso de palavras.
Sou simplesmente um homem
para quem já a primeira
e desolada pessoa
do singular - foi deixando,
devagar, sofridamente
de ser, para transformar-se
- muito mais sofridamente -
na primeira e profunda pessoa
do plural.

Não importa que doa: é tempo
de avançar de mão dada
com quem vai no mesmo rumo,
mesmo que longe ainda esteja
de aprender a conjugar
o verbo amar.

É tempo sobretudo
de deixar de ser apenas
a solitária vanguarda
de nós mesmos.
Se trata de ir ao encontro.
(Dura no peito, arde a límpida
verdade dos nossos erros.)
Se trata de abrir o rumo.

Os que virão, serão povo,
e saber serão, lutando.