Textos de Feliz Ano Novo para celebrar com esperança e otimismo
Trecho de "Interrrupção"
"...Escuta, de uma vez, eu poderia dizer que voltamos à estaca zero, mas esta foi cravada no dia que a gente se encontrou. Depois de tirar um pouco os pés do chão, caímos juntos e abraçados num poço escuro e vazio e sem fim. Agora estamos no negativo, a gente simplesmente deve algo um pro outro. E nem vem, não adianta, quem ama o difícil, muito fácil lhe parece. Sei da sua indolência, mas quero tentar mesmo assim, porque já não dá mais pra passar um dia sem que minha história conte um pouco da sua. Cada vez que eu for até sua boca, é um degrau de subida, a gente já foi fundo, fundo demais, não há mais como cair. De agora em diante, o maior risco que a gente corre é ser feliz"
Eu tento preencher minha vida com o vazio das palavras das músicas que ouço. Eu tento caminhar com as próprias pernas a fim de não depender do caminho que meus dedos seguirão. Eu tento engolir as lágrimas para não aguar o construído. Eu tento não olhar para trás, porque só o passado tem o poder de remeter-me às mais diversas sensações e ocasiões, e minha mente e meu coração continuam sempre me dizendo “tente nunca se lembrar do que foi ruim”.
Eu tento sorrir com um ar falso de compaixão a fim de jamais ferir os já feridos. Muitas vezes eu não consigo isso. Eu tento me segurar enquanto miro meus olhos que mesmo sem poder falar uma só palavra, dizem tudo, toda verdade omitida pela fala. Será que todos estão pensando que tenho as mesmas preocupações fúteis de uma sociedade falida? Oh não, oh sim. Penso no indiferente, no acabado, no que farei, no que deixei de falar e no que eu gostaria de ter feito. Ofensas vindas de todo lado que hoje me divertem. Ligava, liguei, não ligo mais, não ligarei. Quem se importa? O que me importa ? Me importar tentar seguir em frente. Minha auto-destruição é a minha única luta, porque eu não jogo para perder.
Nunca fui o que quis. Nunca quis o que fui. Nunca fui invadido por uma felicidade duradoura. E nunca fizeram questão de tentar. Mas eu tentei tudo o que não tive. Pensei em todos os detalhes que não deram certo, os que estão dando certo e os que, futuramente, darão e não darão certo.
Gosto de coisas simples, como ler frases bonitas, pensar e realizar, querer e poder, sentir que sou o que não sou para me satisfazer, escutar o que expresse o que está dentro de mim, fazer o que eu tenho vontade, escrever o que sinto, ser quem as pessoas não podem deixar pra trás, amar infinitamente, sentir, reciprocidade de sentimentos bonitos, olhar a lua, pensar e transmitir, rir, fazer rir, frases feitas, felicidade instantânea, sorrir, fazer sorrir, sentir uma brisa de felicidade, ouvir uma música agitada e dançar, ouvir uma música linda e chorar, ouvir uma música legal e mexer as mãos, agitar os dedos, imaginar os takes, falar uma coisa, sentir outra, fazer as pessoas felizes, fazer as pessoas se sentirem mal, arrancar seus vestígios de mim, sentir bem estar, conversar e mostrar o quanto eu posso qualquer coisa que eu quiser.
Mas sou uma pessoa substituta, quase nada é possível quando eu estou lúcido. Já cheguei a pensar que eu me amasse de verdade mas, talvez eu esteja me afogando e eu esteja apenas nadando em volta de mim. Acho que eu não entendo o que eu falo porque vivo muitos substitutos o tempo todo. Say It Right."
Vida virtual
Quantas palavras vazias são ditas
nesta ciranda de uma vida inútil
que, na verdade, não dizem nada,
pois são apenas frases mal ditas
de uma pessoa simplesmente fútil,
que melhor seria permanecer calada.
Na correria de uma existência virtual
amor e amizade são momentos iguais
à previsão do tempo, falar o trivial
de coisas constantes e sabidamente banais.
A vulgarização de um forte sentimento
tornou-se desse modo tão corriqueira
que, talvez, em um pouquissimo tempo
seja apenas uma sensação passageira.
Pedido de uma criança a seus pais
Não tenham medo de serem firmes comigo. Prefiro assim. Isto faz com que eu me sinta mais segura.
Não me estraguem. Sei que não devo ter tudo o que peço. Só estou experimentando vocês.
Não deixem que eu adquira maus hábitos. Dependo de vocês para saber o que é certo, o que é errado.
Não me corrijam com raiva, nem na presença de estranhos. Aprenderei muito mais se me falarem com calma e em particular.
Não me protejam das consequências de meus erros. Às vezes eu preciso aprender pelo caminho áspero.
Não levem muito a sério as minhas pequenas dores. Necessito delas para poder amadurecer.
Não sejam irritantes ao me corrigirem. Se assim o fizerem, eu poderei fazer o contrário do que me pedem.
Não me façam promessas que não poderão cumprir depois. Lembrem-se que isto me deixa profundamente desapontada.
Não ponham à prova a minha honestidade. Sou facilmente levada a dizer mentiras.
Não me apresentem um Deus carrancudo e vingativo. Isto me afastaria d'Ele.
Não desconversem quando faço perguntas, senão serei levado a procurar as respostas na rua todas as vezes que não as tiver em casa.
Não se mostrem para mim como pessoas infalíveis. Ficarei extremamente chocada quando descobrir um erro de vocês.
Não digam simplesmente que meus receios e medos são bobos. Ajudem-me a compreendê-los e vencê-los.
Não digam que não conseguem me controlar. Eu me julgarei mais forte que vocês.
Não me tratem como uma pessoa sem personalidade. Lembrem-se que eu tenho o meu próprio modo de ser.
Não vivam me apontando os defeitos das pessoas que me cercam. Isto irá criar em mim, mais cedo ou mais tarde, o espírito de intolerância.
Não se esqueçam de que eu gosto de experimentar as coisas por mim mesma. Não queiram ensinar tudo para mim.
Não tenham vergonha de dizer que me amam. Eu necessito desse carinho e amor para poder transmiti-lo a vocês e aos outros.
Não desistam nunca de me ensinarem o bem, mesmo quando eu parecer não estar aprendendo.
Insistam através do exemplo e, no futuro, vocês verão em mim o fruto daquilo que plantaram.
Regresso ao Uno
No vazio que ficou da morte de minha irmã,
veio a presença de pessoas tão queridas,
que também um dia cruzaram esse portal.
Onde estarão, o que serão elas agora?
Nuvens, ventos, água, terra, energias?
Eram carne, corpos, vida, sentimentos.
Emoções trocadas em abraços, risos, carinhos,
mas também em dúvidas, tristezas, frustações.
Nos deixaram seguir em frente os caminhos,
tantas vezes compatilhados, agora sozinhos.
Como a luz tênue do final do crepúsculo,
foram aos poucos se apagando de nossas vidas,
deixando as saudades e sentidas ausências.
Hoje, são lembranças que ficaram em nós,
mas que permanecem bem vivas e eternas.
Vozes do Passado
Acordei, e me percebi mais velho,
e era natural, sendo meu aniversário.
Porém, ao me olhar no espelho
notei o fato extraordinário;
eu estava muito mais velho ainda,
talvez muito mais do que deveria,
porque no espelho eu refletia
a imagem triste e cansada
sem o mesmo viço antigo.
Na surpresa, afastei a cortina
que me separava do passado.
Pouco a pouco notei antigos rostos,
que vinham belos a sorrir saudades,
mas que sorrindo se transformavam
em nuvens densas de poeira cinza.
De vultos velhos e curvados.
O andar trôpego se arrastando
na névoa escura do caminho,
não me permitia identificar.
Em meu espanto,vi surgir ao fundo
outra figura entre as sombras,
que refletida em mim. Era Eu,
cada vez mais velho, mais triste,
cada vez mais só, sem sorrir,
sem esperanças, sem ninguém.
Mas a solidão não me magoava,
apenas refletia o passar do tempo,
que corria e zumbia nos caminhos
de outrora, inclemente, em gritos
estridentes de muitos adeuses.
E, do fundo também se ouvia
o canto repetido e nostálgico
dos espectros das vidas passadas.
ASTRO REI
Tristemente desce o sol pela colina,
sorrindo em doce despedida
do campônio que o saúda alegre.
Quantas histórias ele sabe?
Todas.
Não descansa nunca, não pode parar.
Muitos já o saúdam na chegada,
do mesmo modo que por alguém
foi saudado na partida.
Ele segue seu ciclo,
são outros lugares, outras gentes,
conhece a todos.
E sorrindo em doce despedida,
tristemente desce o sol
pela colina.
Fim de festa
Louca confusão!
É o final da festa.
Pontas de cigarro
pelo chão,
marcam a realidade
do gosto amargo
pelo sarro,
que ficou na boca,
do cigarro.
Um vazio imenso
ao ambiente empresta,
a presença do arrependimento.
Foram risos,
foi música,
foi farsa.
Busca infeliz de um nada,
estampada, agora,
nos olhos cansados,
descrentes e perdidos.
Copos derramados,
paredes marcadas,
por mãos suadas.
Tudo já é passado.
Alegria-mulher que invadiu,
motivadora, minha solidão.
E nada ficou,
nada de profundo,
de definitivo.
Nada que valesse a pena,
apenas um passo
a mais,
na busca do ego
do eu interior,
que não conhecemos.
Século da cibernética,
das máquinas infernais,
computadores,
robôs,
órgãos artificiais.
Homem-mecânico
do século vinte.
Tudo foi pesado,
balanceado,
meticulosamente dosado!
Para que?
Para nada!
Se teu coração vai mal,
nada de anormal,
terás um novo,
a pulsar vigoroso,
injetando sangue
em teus tecidos.
Genial!
E teu sistema nervoso,
teu cérebro,
tua consciência,
tua vivência
anterior?
Século da genética,
da potência energética.
Situação patética,
o vazio da alma,
no vazio da sala,
que me embala
em mil pensamentos,
em arrependimentos,
que são angustias.
Eu hoje tive um pesadelo
E levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo
E procurei no escuro
Alguém com o seu carinho
E lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era ainda criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa para um abraço ou consolo
Hoje eu acordei com medo
Mas não chorei, nem reclamei abrigo
Do escuro, eu via o infinito
Sem presente, passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim
E que não tem fim
De repente, a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu há minutos atrás
ele: eu te perdi, não foi?
ela: eu nunca fui sua.. eu cansei.
ele: de quê?
ela: de te esperar. Eu tenho algo chamado coração. Não vivo pra você.
ele: não tente esconder. Você ainda me ama.
ela: Amo sim e assumo. e sabe o que é mais difícil? eu abri mão de tudo..
ele: a gente ainda pode ser feliz.
ela: não, eu não quero. fiquei muito tempo com esse vazio, posso superar mais.
ele: para de ser orgulhosa..você quer ficar comigo.
ela: não é orgulho, e eu já aprendi a conviver com o que eu sinto.. não quero ter que sofrer a mesma coisa depois.
ele: eu não vou te abandonar.
ela: você já foi embora da minha vida, eu tive que continuar, sem você. Quer que eu faça o quê? Continue confiando?
ele: eu nunca quis te machucar.
ela: não mesmo, mas machucou.
ele: tudo bem, eu fiz você sofrer. eu sei, eu tenho consciência disso. mas passou, eu quero continuar com você.
ela: para de ser egoísta..eu fiquei aqui, sozinha, todo esse tempo. de repente voce volta, você vai embora.. e eu fico sempre aqui te esperando? eu te amo, será que é tão difícil de entender?
ele: isso não, mais você é difícil sim. eu tô aqui!
ela: você nunca se importou comigo, seja sincero.. eu sempre me senti sozinha.
ele: você não pode ficar vivendo do passado.
ela: isso não é viver do passado, isso é te conhecer, saber quem você é.
ele: eu estou disposto a fazer de tudo por você.
ela: eu preciso de mais.. mais que isso.
(Isso não era nada que ninguém entendesse.)
Amor é enigma?
Optar é renunciar. Entregar-se, por exemplo, a um amor é abandonar outros. E, do que se renuncia e abandona, pode provir, depois arrependimento.
Afastar-se de um amor, ainda que, opção feita por lúcidas razões, pode gerar, adiante, a frustração pelo que se deixou de viver.
Os casos de amor vivem rondados por frustração ou arrependimento. Não o amor, que é íntegro, irrefutável, cristalino e indubitável: mas os amantes seus portadores. Quase sempre o tamanho do amor é maior que o dos amantes.
O que cerca as pessoas que se amam é sempre uma teia de limitações que o leva à disjuntiva: frustração ou arrependimento. Ou quem ama se entrega ao sentimento e se atira nos braços do outro para, depois, se arrepender do que abandonou para entregar-se ao amor, ou se afasta, cheio de lucidez, para, adiante, sentir frustração pelo que deixou de viver.
Estes estão na categoria assim definida de modo cruel mas lúcido por Goethe: "no amor, ganha quem foge...Ou como disse o grande Orizon Carneiro Muniz: "no amor, é mais forte quem cede".
Na juventude tudo isso fica confuso porque esta é uma etapa da vida envolta em uma névoa amorosa que a torna radical na busca da felicidade.
O jovem ainda não se defrontou com as terríveis e dilacerantes divisões internas de que é feita a tarefa de viver e amar, aceitando as próprias limitações, confusões, os caminhos paralelos e contraditórios das escolhas, dentro de um todo que, para se harmonizar, precisa viver as divisões, os sofrimentos e os açoites das mentiras e enganos que conduzem as nossas verdades mais profundas.
Séculos de repressão do corpo e de identificação do prazer com o pecado ou o proibido fizeram uma espécie de cárie na alma.
É um buraco, um vazio, uma impossibilidade viver o que se quer, uma certeza antecipada de que o amor verdadeiro gera ou arrependimento ou frustração.
Viver implica, pois, aceitar essa dolorosa e desafiante tarefa: a de enfrentar o amor como a maior das maravilhas e que se nos apresenta sob a forma de enigma.
Tudo o que se move dentro do amor está carregado de enigmas. E com o enigma dá-se o seguinte: enfrentá-lo não é resolvê-lo. Mas quando não se o enfrenta, ele (enigma) nos devora.
Enfrentar o enigma mesmo sem o deslindar, é aquecer e encantar a vida, é aprender a viver; é amadurecer. Exige trabalho interior penoso, grandeza, equilíbrio e auto-conhecimento.
O contrário não é viver: é durar.
Já te contei que estou apaixonado por você?
Já te contei que eu amo você?
E que seu sorriso e seus olhos
São as melhores coisas
Que já vi nessa vida?
Seus olhos é como se fosse duas galáxias
Bem bonitas que hoje
Estão habitando um corpo humano.
E seu sorriso é como se fosse o braço cósmico
De uma galáxia.
Te falei que quero cuidar de você
Por toda minha vida?
Já te contei que as vezes
Eu até solto um sorriso desobediente
Que vem sem avisar
Quando estou pensando em você?
Nunca te disse essas coisas?
Vou te lembrar de tempos em tempos,
Da história de como eu me tornei
O cara mais rico desse mundo
Do momento em que você me escolheu.
Eu li num livro
Que amar nem sempre é sinônimo de dor
Que a gente deve acreditar no destino seja o que for
E que o sentido da vida é nada mais que o amor
Eu li num livro
Estava escrito nas entrelinhas
Que um erro pode ser consertado
E que uma pessoa não deve ser julgada apenas pelo seu passado
Eu li num livro
Que a esperança é a ultima que morre
Que o covarde é o primeiro que corre
E que um sonho as vezes é só um sonho
Estava escrito em cada linha
Que as vezes a culpa não é sua nem minha
Que uma pessoa pode até viver sozinha
Mas sempre vai precisar de alguém em seu coração
Eu li num livro
As palavras que eu gostaria de ter escrito
Porque o que é belo nem sempre é bonito
E um sussurro dito aos ouvidos
poderá soar como um grito
Mal Secreto
Se a cólera que espuma, a dor que mora
N’alma, e destrói cada ilusão que nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;
Se se pudesse, o espírito que chora,
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade nos causasse!
Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo
Como invisível chaga cancerosa!
Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja aventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!
NO CAMINHO, COM MAIAKÓVSKI
Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakósvki.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.
Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho e nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz:
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.
Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.
Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas no tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares,
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.
E por temor eu me calo.
Por temor, aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
o coração grita - MENTIRA!
Nota: Niterói, RJ, 1936. A autoria do poema tem vindo a ser erroneamente atribuída a Vladimir Maiakóvski. O poeta Eduardo Alves da Costa garantiu que Maiakóvski nada tem a ver com o poema, na Folha de São Paulo, edição de 20.9.2003.
...MaisVocê não pode ver o que eu vejo porque vê o que você vê. Não pode saber o que sei porque sabe o que você sabe. O que vejo e o que sei não podem ser acrescentados ao que você vê e ao que você sabe
porque são coisas diferentes. Também não podem substituir o que você vê e o que sabe porque isso seria substituir você mesmo.
Eu sou ateu sim! mas tenho bom coração, a maior estupidez do ser humano é tentar amar e crer em algo que jamais viu em suas vidas, do que adianta ser cristão e não ter sentimentos abusando e aprontando com sua própria especie e semelhantes.
Seja Livre da Alienação tenha opinião própria ou siga o homenzinho invisível com sua desigualdade regras e te proibindo de ser feliz.
SER VELHO E SER IDOSO
Para reflexão de jovens e "menos jovens"
sobre seu comportamento dianta da vida.
IDOSO, é quem tem muita idade,
VELHO é quem perdeu a jovialidade.
A idade causa a degenerescência das células,
a velhice, a degenerescência do espírito.
Você é idoso quando se pergunta se vale a pena;
você é velho quando, sem pensar, responde que não.
Você é idoso qdo sonha;
você é velho qdo apenas dorme.
Você é idoso qdo ainda aprende;
Você é velho qdo já nem ensina.
Você é idoso qdo se exercita,
Você é velho qdo apenas descansa.
Você é idoso qdo ainda sente amor;
Você é velho qdo só sente ciúmes.
Você é idoso qdo o dia de hoje é o primeiro do resto de sua vida;
Você é velho qdo todos os dias parecem o último da longa jornada.
Você é idoso qdo seu calendário tem amanhãs;
Você é velho qdo só tem ontens.
O idoso se renova a cada dia que começa,
o velho se acha cada noite que termina pois,
enquanto o idoso tem seus olhos postos no horizonte,
de onde o sol desponta e ilumina a esperança,
O velho tem sua miopia voltada para as sobras do passado.
O idoso tem planos, o velho tem saudades.
O idoso curte o que lhe resta de vida,
O velho sofre o que o aproxima da morte.
O idoso leva uma vida ativa, plena de projetos e plena de esperança.
Para ele, o tempo passa rápido, mas a velhice nunca chega.
Para o velho suas horas se arrastam destituídas de sentido.
As rugas do idoso são bonitas pq foram marcadas pelo sorriso;
As rugas do velho são feias pq foram vincadas pela amargura.
Em suma, idoso e velho podem ter a mesma idade no cartório,
mas têm idades diferentes no coração.
QUE VOCÊ, IDOSO, VIVA UMA VIDA LONGA, MAS NUNCA FIQUE VELHO. E VOCÊ, VELHO, APRENDA A SER IDOSO.
Romantismo
Quem tivesse um amor, nesta noite de lua,
para pensar um belo pensamento
e pousá-lo no vento!...
Quem tivesse um amor - longe, certo e impossível -
para se ver chorando, e gostar de chorar,
e adormecer de lágrimas e luar!
Quem tivesse um amor, e, entre o mar e as estrelas,
partisse por nuvens, dormente e acordado,
levitando apenas, pelo amor levado...
Quem tivesse um amor, sem dúvida nem mácula,
sem antes nem depois: verdade e alegoria...
Ah! Quem tivesse... (Mas quem tem? Quem teria?)
As 10 coisas que eu mais odeio em você
Odeio ver você chegar e iluminar meu dia
Odeio seu abraço me envolvendo em noites frias
Odeio sua voz sussurrando
palavras doces em meu ouvido
Odeio olhar em seus olhos
e ver em você mais que um amigo
Odeio a saudade que sinto
quando você vai embora
Odeio sentir seu perfume em qualquer
lugar que eu vá, a toda hora
Odeio beijar outras bocas
com o pensamento em você
Odeio pensar em você o dia inteiro,
dormir e sonhar com você
Odeio ver seu rosto entre a multidão
e ver que na verdade
era apenas um rosto desconhecido, uma farsa
E odeio mais ainda, não conseguir te odiar,
por mais que eu tente
ou por menos que você faça.
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