Textos sobre Dor

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Não estamos prontos pra dor
não importa o que se faça
ou pelo o que se passou.


A vida vai te destroçar
e só o poder de tolerar
pode mitigar essa dor.


Mas tua hora vai chegar,
não há como desviar
nem como se proteger.


Pode-se agarrar a fantasmas
rezar em todos os idiomas,
nada vai acontecer.


Cedo ou tarde você desaba
a armadura arrebenta
e a dor vai flechar você.


Podemos não entender,
mas o sofrimento é um legado
que só espera crescer.


Todos serão "sorteados"
há dores de todos os tipos
há dores por todos os lados.

Solidão Cósmica


Flutua pelo vazio do espaço
Quem faz da dor um grito silencioso
Vagando sem rumo através dos astros
Desenha palavras não ditas
Que ecoam como algo precioso


Passa por cometas e estrelas
Sobrevivendo ao frio e ao calor infernal
Se fortalece cada vez que morre
Mas as marcas que ali ficam
Lembram que a dor é incondicional


Alguma vez no vasto universo
Orbtaria um majestoso lugar
Numa via de estrelas distanciadas
Descansa na sombra de um planeta
Com vista para um belo luar

⁠O Som da Luta


Uma história sobre coragem, esperança e propósito em Angola


O sol ainda dormia, mas o bairro já acordava.
O cheiro do carvão aceso misturava-se com o barulho dos chapas lotados e das vozes que se perdiam nas ruas estreitas.
Era mais um dia em Angola — onde o relógio da sobrevivência nunca para, e a esperança é o último bem que o povo se permite perder.


No meio daquela correria, Manuel ajeitava o seu pequeno carrinho de madeira, carregado de garrafas de sumo natural que ele mesmo preparava à noite.
Enquanto o resto da cidade ainda sonhava, ele já estava em movimento.
O seu lema era simples:


> “Quem quer mudar de vida, começa antes do sol nascer.”






Manuel não nasceu com oportunidades.
Cresceu num bairro onde a poeira é mais constante do que a eletricidade, onde o trabalho é pesado e o reconhecimento é raro.
Mas, desde cedo, ele aprendeu com a mãe que “trabalhar com dignidade é melhor do que mendigar respeito.”


Durante anos, procurou emprego.
Fez cursos, entregou currículos, e ouviu promessas vazias.
Cada “vamos te ligar” soava como uma esperança que morria devagar.
Até que um dia, cansado de esperar, ele decidiu criar o próprio caminho.
Pegou um carrinho velho, juntou umas frutas emprestadas e começou a vender sumos na rua.


No início, foi alvo de risos e comentários:
“Um formado a vender sumo? Isso é vergonha!”
Mas Manuel respondia com um sorriso e dizia calmamente:


> “Vergonha é roubar. Trabalhar nunca foi.”






O tempo passou.
O carrinho que parecia um fracasso virou uma barraca simples, mas movimentada.
As pessoas começaram a reconhecer o sabor dos seus sumos — e, mais ainda, o brilho da sua determinação.
O que era sobrevivência começou a virar sustento.
E o sustento, aos poucos, virou inspiração.


Manuel passou a ajudar outros jovens do bairro a começarem pequenos negócios.
“Não temos muito”, ele dizia, “mas temos mãos, mente e vontade. Isso já é capital.”


Hoje, quem passa pela sua barraca vê mais do que produtos — vê uma história viva de resistência.
Ele ainda enfrenta dias difíceis, ainda há contas que não fecham, ainda há lágrimas escondidas.
Mas, em cada amanhecer, Manuel prova a si mesmo que o sucesso não é sobre ter tudo — é sobre fazer algo com o pouco que se tem.


Quando alguém lhe perguntou o que o manteve firme em tempos de desespero, ele respondeu sem hesitar:


> “Foi a fé. Eu acreditei que Deus não me fez para desistir.”






O som da luta continua ecoando nas ruas do bairro.
O mesmo som que vem dos vendedores, das zungueiras, dos mototaxistas, dos estudantes que andam quilômetros para aprender.
Cada um à sua maneira, todos gritam a mesma verdade:
“Enquanto houver esperança, há motivo para continuar.”


E assim, no coração de Angola, entre poeira e calor, entre lágrimas e sorrisos, nasce uma geração que aprendeu a lutar com o que tem — e a acreditar que o amanhã pode, sim, ser melhor.


> Porque em cada angolano há um guerreiro.
E enquanto o coração bater, nunca vamos desistir.

⁠AUTOPSICOGRAFIA:

Entre o ser e o ter... Eu não sei!
Qual a dor e a que não foi
Quem sou não sou nem serei
Pois ambas as dores me dói
Quão a dor de se ser rei...

Ansiei ser tudo que se há
Ninguém a mim pôde ver
Se viu não há de encontrar
Senti o meu ser escorrer
Da vida que não me está

A Dor da Ausência e o Silêncio de Deus
Dia das Mães


Dia das Mães deveria existir todos os dias, porque mãe não é apenas quem gera uma vida, mas quem dedica a própria vida ao cuidado, à proteção e ao amor pelos filhos.
Uma mãe suporta dores silenciosas, enfrenta batalhas invisíveis e, mesmo cansada, continua tentando oferecer o melhor de si.


Reflexão Humana


E talvez seja justamente aí que nasce uma das maiores reflexões humanas.
Desde pequenos aprendemos que existe um Criador, o Pai da humanidade, aquele que deu origem ao universo e à vida. Mas quando uma mãe parte, deixando filhos para trás chorando sua ausência, inevitavelmente surge a pergunta que ecoa no íntimo de muitos corações: por quê?


Porque uma mãe humana, limitada, imperfeita e cheia de falhas, ainda assim luta até o fim pelos seus filhos.
Ela não deseja abandoná-los. Ela quer protegê-los, vê-los crescer, acompanhá-los pela vida.
Então por que o Pai todo-poderoso permitiria essa separação?


O Valor do Amor
Talvez ninguém tenha respostas completas para dores tão profundas.
Mas a ausência de uma mãe ensina algo que palavras não conseguem explicar: o valor imenso do amor que ela representava enquanto estava presente.


Para os Filhos


Essa reflexão é para todos os filhos que já sentiram o vazio deixado pela partida de sua mãe.
Porque certas saudades não passam — apenas aprendemos a carregá-las.
E é inevitável o grito silencioso de um filho ou de uma filha:


“Oh mãe… que falta você faz.” 🥹


Chico Uchoa

ANTES DA DOR
Autor: Góis Del Valle

Quando tudo ao redor desmoronar,
E a vida parecer te abandonar,
Quando a esperança for só um eco,
E os teus sonhos começarem a sangrar…

Não espere a dor te ensinar
Que Eu sempre estive aqui a te olhar,
Nos teus dias mais difíceis,
Nos momentos que chorou.

Eu sou a paz na tua estrada,
Sou a luz na escuridão.
Se me busca só na queda,
Te esquece do que é chão.
Mas Eu sou teu Deus e te amo!

Quando os aplausos forem ruínas,
E as certezas se partirem ao meio,
Lembra que o amor que te sustenta
Não se apaga ao sopro do medo.

Não espere a dor te ensinar
Que Eu sempre estive aqui a te olhar,
Nos teus dias mais difíceis,
Nos momentos que chorou.

Eu sou a paz na tua estrada,
Sou a luz na escuridão.
Se me busca só na queda,
Te esquece do que é chão.
Mas Eu sou teu Deus e te amo!

AO CALVÁRIO
Autor: Góis Del Valle

Ao Calvário, em passos lentos,
sombra e dor, Sobre os ombros,
a cruz a pesar. No olhar, um mar
de amor, mesmo ao ver a noite
chegar.

Gritos ecoam, pedras no chão,
O açoite rasga a pele em vão.
Mas Ele segue, sem recuar,
Cada ferida, um novo altar.

O céu se curva em pranto e aflição,
O sangue tinge a terra em redenção.
O céu se curva em pranto e aflição,
O sangue tinge a terra em redenção.

Oh, meu Senhor, teu fardo era meu,
Cada espinho rasgava o céu.
Mas em teu olhar, havia a paz,
Que fez do fim, um renascer…

A casa que partiu


Há uma dor que só a família entende,
uma dor silenciosa
que se reparte entre olhares e lembranças.
É a saudade que chega devagar,
mas pesa como o tempo
quando percebemos
que alguém levou consigo
um pedaço de nós.
É a ausência
de quem era o centro da mesa,
de quem unia os caminhos,
de quem fazia da simples presença
um lar inteiro.
Nós voávamos pela vida,
netos, filhos, cada um em sua estrada,
mas sempre havia um caminho de volta.
Voltávamos nos aniversários,
nos Natais iluminados,
ou quando a saudade apertava o peito
e o coração pedia abrigo.
Porque sabíamos
que ali estava nossa casa.
Hoje ainda queremos voltar…
mas o silêncio tomou o lugar da voz,
e o tempo levou embora
quem era o nosso porto seguro.
Agora entendemos:
não era apenas um lugar
que nos fazia voltar.
Era você
que transformava tudo
em lar.

Bradou, bradou!
Da dor virou marca.
Este momento começou,
Grande é o canto em Harpa.

Não há mais o agora,
Fugiu a razão e foi embora.
Onde o encontrarão?
No mais inútil canto de um coração.

Beldade da existência,
Inquietante é a sua ciência.
Ser o elo entre a dor e o ser,
Na amarga rotina de viver.

Genial é um inseto.
Voa pelos ares incertos,
Não há preocupação,
Apenas resta a quietude de não saber o que sentir no coração.

Dor dilacerante do existir,
Buraco ao qual não vai extinguir.
A lança do pensar,
A nota de pesar.

Tal qual um sonho,
Doeu, suponho.
Ali está o eu,
Muitos dizem que morreu.

A mitologia da felicidade,
Tudo se fez vaidade.
Aqui faz uma mente,
Já se foi aqui o presente.

O diário de de um homem fiel,
De suas ideias ele virou réu.
A condenação eterna do pensar,
O cérebro corroeu o bem-estar.

Por mais que a dor não passe, a perseverança tem que permanecer.
A meta, é tentar todos os dias, e não desistir da vida, embora que por mais que as vozes do além insistem em dizer dentro de sim, e ecoe cada vez mais forte, dizendo que não vale a pena mais viver!


Deus nunca desistira de Nós 🙏

⁠A Dor
Você impregna meus pensamentos, agride minha paz e fere minha lucidez.
Sei que em algum canto deste meu insólito coração existe um lugar escondido, um canto vago nunca antes habitado que há de ser conquistado por outro que não seja você..
E não pense que me conhece, porque sobre mim de verdade tem por conhecimento apenas meu nome, e vagas lembranças de um passado remoto que surge constantemente para atormentá-lo em teus sonhos.
Mas se desejas mesmo saber um pouco de mim, lhe digo: “Sou quem te deseja como nenhuma outra desejou, te amo sim, e muito, em excesso, te amo em todos os tempos, com a mais pura emoção e sensibilidade deste verbo amar”
Te amo tanto que me atrevo a deixar de lado estes seus defeitos de fabricação...
Sei que sua meta é alcançar seus sonhos, mas o meu sonho é encontrar você e ser apenas sua.
Porém, nada bate nada deu certo.
Nem o nosso tempo tem o mesmo horário. Vivemos em mundos diferentes, realidades desiguais.
Você busca provar para o mundo o poder de sua determinação, a sua força da sua vontade.
E eu busco na vida a resposta para esta minha vontade.
Nada há sentido neste contraste absurdo se não a fatalidade de algo tão inexplicável quanto o amor.
Porque me apaixonar por você?
Porque amar você?
Porque querer tanto o seu bem?
Porque desejar tanto te ter por perto?
E poder cuidar de ti.
De onde vem esta preocupação?
Este carinho?
Jamais terei novamente seu colo.
Nunca ousou me seqüestrar.
Culpa sua se não sou sua.
Não tenho vocação para cinderela, bela adormecida, nunca fui princesinha de nada de ninguém.
Mas custava pegar aquele seu carro sujo e me arrancar do inferno de um altar?
De escolhas e de perdas é feita a nossa história.
E depois não há nada que se possa fazer a não ser carregar por um tempo um peso sufocante de impotência, o peso de não ter feito nada.
Você precisa entender uma coisa o tempo não se encarrega de matar desejos, apenas de substituir os personagens, mas você foi insubstituível.
Esse é o maior problema dos desejos, e o meu maior problema.
Queria sua mão segurando a minha e me levando para qualquer lugar.
Queria sua voz doce ao pé do meu ouvido dizendo eu te amo.
E acordar numa manhã com sua cara amassada e seu braço sobre meu corpo.
Disse não a todos, esperando apenas um simples "talvez" seu.
Não quero amores sem cores, que vivem apenas de aparências e falsas transparências.
Não quero brilhantes, não quero diamantes.
Queria a intensidade de uma aliança que dolorosamente foi arrancada de minhas mãos e deixada num guarda roupas ao lado de uma carta de adeus. .
FUI CLARA?
Beijos
Rê Pinheiro

⁠Perder

Quando a dor de perder se torna insuportável, acabamos nos perdendo, encontrar discernimento em meio a dor é uma tentativa inútil, porque a razão não impera diante da emoção, somos sim animais racionais, mas vos digo que nos considero como animais emocionais, somos movidos por emoção, sentimentos.
E a ausência de quem amamos nos torna frágeis, porque compreender que a saudade será nossa companhia, saber que não adianta querer aquele abraço pois ele nunca mais lhe será dado, o colo e a sensação de quietude da alma que foram levadas nos faz refletir que o tempo é cruel e para os egoístas, os covardes e incrédulos deixo aqui uma reflexão.
Quantas oportunidades foram dadas de dar um abraço, de estar presente, de se fazer presente mesmo ausente, quantas vezes foram ditas palavras indevidas, que ferem e magoam ao invés de serem francos e não terem vergonha de assumir o que havia no coração?
É fácil criticar, julgar, e fugir!
Difícil é ser capaz de parar tudo e ir ao encontro de quem está à espera.
Hoje completou um ano que perdi alguém que me fez ser o melhor que sou hoje, e eu assumo a minha covardia me impediu de dizer nos olhos o quanto a amava, não que eu não dizia todas vezes que a via, mas existe um momento chamado " AGORA " que muitos ignoram e esperam a melhor oportunidade para fazer o que se deve ser feito!
Se naquele 18 de Junho de 2016 eu tivesse feito o que eu senti em meu coração de fazer, tenho certeza que não teria mudado a história, mas teria hoje uma estória diferente.
Não são as 24h que fazem o dia, são os minutos, os segundos as frações de instantes únicos.
Por isso não existe o momento oportuno, mas as oportunidades que Deus nos concede a cada suspiro.
Re Pinheiro

“Por muito tempo, achei que a dor era um castigo. Algo que eu merecia por ser fraco, por errar, por não conseguir ser como os outros queriam. Mas com o tempo — e com muita cicatriz — entendi uma coisa que mudou tudo: a dor nunca foi a minha inimiga.
Ela não veio para me destruir. Veio para me esculpir. Cada lágrima que engoli, cada noite em que pensei em desistir, cada vez que fui ao chão e demorei a levantar… tudo isso foi me ensinando uma língua que só quem sofre de verdade aprende: a língua da resistência.
Hoje eu sei. A dor era o meu teste. E a minha resposta foi não me tornar amargo, mas profundo. Não me tornar cruel, mas forte de verdade.
E foi aí que eu descobri: a minha dor era, na verdade, a minha vocação para a grandeza.
Porque grandeza não é nunca ter caído. É ter caído, levantado, e ainda assim escolhido seguir. É transformar ferida em direção. É olhar para o que tentou te matar e dizer: ‘você me fez mais difícil de ser quebrado.’
Se você está sofrendo agora, escuta: você não está sendo punido. Você está sendo preparado. A sua dor não é o fim da sua história — ela é o início da versão mais poderosa de você mesmo.
Aceite. Ela não é sua inimiga. Ela é sua chamada para algo maior.”

Quando o Mundo Confunde TDAH com Falta de Esforço


Existe uma dor silenciosa que poucas pessoas enxergam em quem vive com TDAH.


Porque, na maioria das vezes, o problema não é apenas a dificuldade de foco.


É passar anos ouvindo que você é desorganizado, preguiçoso, irresponsável, distraído ou incapaz de terminar aquilo que começa.


É crescer acreditando que existe algo errado com você porque tarefas simples parecem exigir uma quantidade absurda de energia mental.


Enquanto algumas pessoas conseguem iniciar atividades naturalmente, quem vive com TDAH frequentemente trava diante do próprio pensamento.


Não por falta de vontade.


Mas porque o cérebro funciona em outra velocidade, em outra lógica, em outra dinâmica de processamento.


E talvez uma das partes mais cruéis do TDAH seja exatamente essa:
por fora, muitas vezes ninguém percebe o esforço gigantesco que existe por dentro.


As pessoas enxergam atraso.
Mas não enxergam sobrecarga mental.


Enxergam procrastinação.
Mas não enxergam exaustão cognitiva.


Enxergam impulsividade.
Mas não enxergam um cérebro tentando desesperadamente encontrar estímulo suficiente para permanecer funcionando.


Existe uma diferença profunda entre não querer fazer e não conseguir organizar mentalmente como começar.


Mas a sociedade raramente entende isso.


Vivemos em um mundo construído para cérebros lineares, previsíveis e constantes. E quem possui um funcionamento neurológico mais intenso acaba passando a vida inteira tentando acompanhar um ritmo que frequentemente o adoece.


O mais triste é que muitas pessoas com TDAH passam anos sem compreender a si mesmas.


Acham que são fracassadas.
Acham que são incapazes.
Acham que nunca terão disciplina.


Quando, na verdade, talvez nunca tenham aprendido a funcionar respeitando o próprio cérebro.


Porque o TDAH não é ausência de inteligência.


Muitas vezes, inclusive, existe exatamente o contrário.


Mentes extremamente criativas.
Intensas.
Sensíveis.
Hipervigilantes.
Capazes de criar conexões rápidas, perceber detalhes incomuns e pensar fora de padrões tradicionais.


Mas junto dessa potência também existe um desgaste invisível.


A mente não desacelera facilmente.
Os pensamentos se acumulam.
O excesso de estímulos consome energia.
A culpa se transforma em companhia diária.


E poucas pessoas falam sobre o impacto emocional disso.


Sobre a sensação constante de estar devendo para a própria vida.


Sobre começar o dia já cansado mentalmente.


Sobre a vergonha silenciosa de não conseguir sustentar constância mesmo tentando tanto.


Talvez por isso tantas pessoas com TDAH vivam em ciclos de hiperprodutividade seguidos por esgotamento profundo.


Porque durante anos aprenderam que precisam compensar suas dificuldades funcionando acima do limite.


Mas nenhum cérebro suporta viver permanentemente em estado de cobrança extrema.


A ciência começou a mostrar algo importante: o cérebro com TDAH não precisa apenas de cobrança. Precisa de estratégias corretas, ambientes regulados, compreensão emocional e métodos compatíveis com sua forma de funcionamento.


Isso muda tudo.


Porque quando uma pessoa entende como seu cérebro opera, ela para de lutar contra si mesma o tempo inteiro.


E isso não significa romantizar dificuldades.


TDAH pode ser extremamente incapacitante em muitos momentos.


Pode afetar autoestima, relações, produtividade, vida financeira, rotina, estudos e saúde emocional.


Mas existe uma diferença enorme entre viver sem compreensão e viver com consciência.


Quando existe entendimento, nasce possibilidade de construção.


Talvez o maior erro da sociedade tenha sido transformar diferenças neurológicas em defeitos morais.


Como se dificuldade de foco fosse falta de caráter.
Como se desorganização significasse desinteresse.
Como se procrastinação fosse ausência de valor humano.


Mas ninguém escolhe viver em guerra constante com o próprio pensamento.


E talvez uma das formas mais importantes de acolhimento seja parar de perguntar “por que você não consegue?” e começar a perguntar “o que seu cérebro precisa para funcionar melhor?”.


Porque atrás de muitas pessoas consideradas difíceis existe apenas alguém exausto de tentar sobreviver em sistemas que nunca foram feitos para sua forma de existir.


Texto inspirado no livro “TDAH Adulto”, de Diane Leite, disponível no Google Play. [TDAH Adulto – Diane Leite no Google Play](https://books.google.com/books/about/TDAH_ADULTO.html?id=M9naEQAAQBAJ&utm_source=chatgpt.com)

Até quando suportar???
Até quando suportar dor constante
Solidão presente a todo instante


Abandono e o choro
Que não me escolhe quem eu escolho
A dor dos outros eu acolho,
E a minha... eu que cale o choro.


Uma vida sem sentido
Não que não tenha valor,
Mas onde só a dor parece provar que estou vivo.


Carrego aquilo que me fere e causa dor
Pra acolher aqueles que amo, mesmo sofrendo.
Deixo minhas tristezas e mágoas de lado
Pra apoiar a quem amo e não deixar abandonado.


Mas e eu? Quem me acolhe?
Todos esperam que eu sempre seja forte
No mundo em que o homem não pode sentir dor
Só temos deveres e um peso árduo


Abandonado na infância, ainda hoje me vejo
Chorando sozinho como aquela criança
Os traumas do passado se repetem
E vivo pesadelos dos quais, por mais que tente,
Jamais desperte!


(ÁG)

ALMA NA JANELA

A cada suspiro, o sangue respinga no abismo de dor onde se encarcerou, tinge de flores rubras a cortina, lúgubre saudade na própria sina. Ouve risos vãos de vultos, por estar só, que rodopiam em zumbidos, formando um nó. Debruça-se à janela, escura como breu, até que o anjo surja e a leve para o céu.

Lu Lena

-A Mulher Que Sobreviveu ao Silêncio-


Nunca duvide da mulher que você é,
mesmo quando a dor fizer o peito perder a fé.
Porque ninguém conhece o peso da tua caminhada,
nem as lágrimas que caem na madrugada calada.
Você sorri enquanto a alma aprende a sobreviver,
mesmo cansada da vida insistindo em doer.
Carrega o mundo no peito sem deixar transparecer,
e ainda encontra forças para permanecer.
Quantas vezes pensou em parar no meio da estrada,
sentindo a esperança fraca, quase apagada.
Mas algo dentro de você jamais se rendeu,
porque até no caos teu coração permaneceu.
Você é tempestade, mas também imensidão,
é cicatriz aberta buscando reconstrução.
E mesmo quando o medo tenta te consumir,
há uma força divina mandando você seguir.
Nunca duvide da tua capacidade de vencer,
porque só quem já caiu entende o peso de erguer.
Você não é feita apenas de dor e solidão…
você é renascimento pulsando dentro do coração.
— Jordeane Lemes

*O Amor que se vai*
.
Um coração sem amor não deixa rastros ou dor, iguala-se ao tempo escasso, quase sem tempo,
que passa depressa como o vento
lá fora, sem esperar.


Um mundo sem amor é como um
corpo sem vida, tendo no tempo,
o vazio da emoção. Desvanece,
esquece, ficando a razão.


Dentro, tudo quieto e calmo, sem cor,
quase parado, energia chega, alegria
se vai, como o sopro da tempestade,
que cai ecoando sons fortes, que leva
os medos junto aos raios.


Quando a primavera vem,
a natureza renova-se.
Novos ares, novos tempos,
levando as chuvas e os ventos,
nem tudo é calmaria.


As plantas, as flores, as cores e seus
perfumes, mostram-se, exalam-se, transformam-se, enchem-se novamente
de esperanças, os corações vazios,
adormecidos, de um sentimento qualquer.


Um coração que insiste sem amor,
endurecido fica, nem o Sol, nem a Lua,
nem o encantamento e calor não há.


Iguala-se ao vento do lado de fora.
Olha, bate, bate se debate na janela,
sem poder entrar.
.
Ademilton Batista
Brasil Bahia Itabuna
Anos - 2013
Do Livro Vencendo o Tempo pg104
.
*Poema premiado no Concurso Nacional de Novos Poetas Sarau
Brasil, em 2017, em livro impresso
Vencendo o Tempo *2020* e,
também, o primeiro trabalho do autor
Ademilton Batista a receber uma premiação nacional, estreando,
assim, as suas próximas participações e premiações em concursos, antologias e declamações pela America do Sul (Venezuela, Colômbia, Argentina e Chile), Europa, ( Italia, Espanha, Portugal) Ásia (Bangladesh, India), e, mais recente em 14/05/2026, foi declamado na Rádio FM, Frequência Mum No Programa Hora Mágica, na Cidade de Luanda, Angola, África,
para o mundo. Muito feliz com desempenho do Poema
*O Amor Que se Vai* ele cumpriu
fielmente o seu destino literário.

Quero voltar para a aldeia dos artistas,
em outra dimensão,
onde não há dor
nem compromissos parentais,
pois lá todos são apenas irmãos;
não irmãos de sangue,
são irmãos por condição.
São todos artistas,
criadores de beleza.
Lá não há religião,
nem nenhuma forma de paixão reprimida,
como há na carne decadente,
onde as almas se contratam
para viver na prisão eternamente.
A lei que rege é a paz,
nem há forma de agressão.
Todos se respeitam,
todos se amam,
pois, na verdade, são íntegros,
perfeitos para adoecer
de qualquer forma de paixão.
Quero voltar para a aldeia dos poetas;
lá eu vivo em segurança.
Não há necessidade de dinheiro,
porque todos têm grande porção.
Respiramos ar puro
e não há falta de vinho
ou de pão.
Quero voltar para a aldeia dos libertos,
que não precisam se apossar
de nada físico
para a vida organizar,
ou usufruir direitos
que outros não podem comprar.
Tudo é livre,
tudo para todos.
Há abundância
de gentileza e gratidão,
por isso não falta amor,
nem tampouco união.
Quero voltar para a aldeia dos justos,
que não precisam julgar,
nem corrigir o outro
para existir.