Textos sobre Dor

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A dor é uma constante lembrança de algo que insistimos em querer esquecer: a vida é dura, cíclica, complexa e incerta.

Caminharei por suas flores e espinhos.

A dor está sempre presente. Ainda que algumas coisas melhorem, aparentemente outras permanecerão como estão.

Levo em consideração dados, fatos que sempre acontecem e se repetem. Ainda que eu seja tentado a acreditar de uma maneira diferente.

Por isso, não devo fugir dela. Se está sempre presente, o único caminho é ter que passar por ela, senti-la, sofrê-la.

O ambiente contribui significativamente para a sua atenuação ou aumento.

Só posso ir até onde sei.

Descansar, respirar.

Não vale mais a pena gastar energia mental se eu já entendi como a vida funciona.

Ela sempre foi abrigo.
O tipo de pessoa que chega antes da dor do outro e fica depois que todo mundo vai embora. Sempre inteira para os outros… e em pedaços dentro de si.

Carregava um sorriso que não denunciava o peso que sustentava. Chorava escondido, porque aprendeu cedo que quem cuida não pode fraquejar. Até que um dia veio o diagnóstico — desses que silenciam o mundo por dentro. E, ainda assim, ela seguiu como se nada tivesse acontecido. Porque, para ela, a dor dos outros sempre falou mais alto que a própria.

Mas a vida, às vezes, não grita — ela revela.
E foi em um detalhe pequeno, um esquecimento qualquer, que tudo desmoronou. Aqueles por quem ela sempre se doou foram os mesmos que não souberam compreendê-la. E naquele instante, ela percebeu algo doloroso: quem sempre é forte, muitas vezes não tem permissão para falhar.

Naquela noite, ela chorou tudo o que nunca teve tempo de sentir.
Não só pela doença… mas por si mesma.

E então tomou uma decisão que mudou tudo: viver.
Não para os outros. Não para corresponder expectativas. Mas para, finalmente, se encontrar.

Saiu pelo mundo não como quem foge, mas como quem se busca.
E, em cada lugar, em cada silêncio, em cada amanhecer, foi aprendendo o que nunca tinha aprendido: a se acolher, a se escutar, a se escolher.

Ela entendeu que amor não é só aquilo que damos — é também aquilo que precisamos ter coragem de receber de nós mesmos.

E talvez a maior descoberta não tenha sido sobre o tempo que restava…
mas sobre a vida que, pela primeira vez, ela começou a viver de verdade. ✨

Além dos Obstáculos

Suor, cansaço e talvez alguma dor e alguns riscos — seria um resumo bastante inadequado diante de um dia que foi inesquecível, repleto de muitos significados.

Marcado por risadas; passos dados com mais calma, outros acelerados; olhares curiosos, surpresos e deslumbrados; para alguns a sensação de um reencontro; para outros, o novo sendo visto,

Portanto, um tipo de oportunidade admirável, uma experiência usufruída, compartilhada entre altos e baixos, assim como é a vida, que não deixa de ser uma bênção por causa dos obstáculos.

Entre Chegar e Partir

Tudo é movimento.

Nada permanece,
nem a dor,
nem a alegria,
nem nós mesmos.

Somos instantes em travessia,
ideias em transformação,
sentimentos que chegam, ficam um pouco
e seguem adiante.

Resistir cansa.
Fluir ensina.

Entre chegar e partir,
a vida acontece
silenciosa, breve
e profundamente viva.

Simone Cruvinel

Qual foi a última vez que você lembrou que está vivo?

Talvez quando sentiu dor, talvez quando sentiu a cura.
Talvez vendo a chuva, talvez em uma noite escura.
Talvez na solitude, talvez em uma aventura.

Talvez a vida seja sobre a completude do processo, semelhante a um filme; persistir mesmo sabendo que há um fim quase certo.

A DOR QUE EU CRIAVA


Por onde olho, vejo o mundo
No espelho refletindo minh’alma
E descrevo sem cortejos:
O que o íntimo do meu ser esbravejava
Era um buraco escuro.
Um palmo de distância separava
Meu corpo do paredão aceso
Que em fogo chamejava.
O que me deixava confuso
Era a incoerência de como ocorria,
Pois, se escuro estava,
Meus olhos não viam,
Mas meu corpo na dor sentia
E sofria a dor que era só minha,
A dor que eu mesmo criava.
Pena que a gente não escolhe
Com quem iremos conviver.
Ainda bem que o mundo é livre,
Junta pessoas para aprender
A dividir o tempo todo
E relacionar-se mesmo sem vontade
Pois, além da nossa compreensão,
Existe um ser divindade.

Navegar é preciso


O rio desliza, soberano e forte,
Comanda a vida, a dor, a sorte.
Nas águas que cantam
Um canto sem fim,
A selva responde
Sorrindo pra mim.


Das margens barrentas,
Um barco se ergue,
Na correnteza que o tempo não segue.
O homem, pequeno,
Se faz e se refaz,
Nas ondas que escrevem histórias a mais.


O rio é senhor do velho e do menino,
Na veia do mundo, num eterno caminho.
A lua se banha no espelho das águas,
E a noite murmura segredos e mágoas.
O peixe, o canoeiro, o jacaré,
todos seguem em frente, pois, a vida não dá ré.


Navegar é preciso, quem para, não vive,
a correnteza é brava, mas os fortes a desbravam.
O rio é um verso que o tempo descreve,
Nas águas que levam, que criam, que lavam.
O barco é um sonho de quilhas rasantes,
Leva os destemidos, os loucos e os amantes.

Navegar é preciso mesmo à deriva,
Pois só no movimento a alma se vive.
O rio comanda a vida, e a todos cativa,
Deus fez seu leito, talhou sua margem.
E as águas cantam, em Sua homenagem:
Ecoando mistérios, em toda paragem!


Navegar é preciso na obra sagrada,
Nas veias do mundo, por Deus desenhadas.
O rio é senhor, mas Deus é a fonte,
De onde brota a vida, além do horizonte.
O rio comanda a vida, mas quem comanda o rio?
Só Aquele que fez o tempo, o vento e o próprio rio.


Autor: Silvano Pontes
Amazonas em poesias.

A dor da alma
é como nenhuma outra
que já experimentou.
Ela arde com tal intensidade
que algo se parte
dentro de você.Morre a arrogância,a fome e toda ganância.Sobra só o medo
e o sofrer. E olhos pedindo misericórdia enquanto a angústia te assola .
Só quem já sentiu
pode entender…
a importância
de um abraço nesta hora.


Andréa

Um pássaro no fio pousou, com seu coração repleto de dor.


Suas asas que já não eram mais suas,
foram frutos de ameaça,
Que agora vive em sua gaiola, uma linda e bela pássara.


Solitária, tadinha, não tinha nenhuma ave pra fazer companhia.


Sem hesitar cantou a sabiá
que atraiu outros pássaros para lhe admirar.

Hoje eu entendo que a maior dor não é a morte.
É o que a gente deixou de dizer enquanto havia tempo.


A partida de um pai não leva só um homem.
Leva conselhos que ainda seriam dados, abraços que ainda seriam necessários, olhares que diziam mais do que palavras.


A gente cresce achando que nossos pais são eternos.
Que sempre haverá um amanhã para conversar, para perdoar, para agradecer.


Mas a vida não espera nossos acertos emocionais.


E quando parte…
fica o silêncio.
Fica a lembrança.
Fica o “se eu tivesse dito”.


Hoje eu aprendi algo que dói, mas ensina. Eita pesado !!


Valorize enquanto respira.
Abrace enquanto está quente.
Perdoe enquanto a voz ainda responde.


Família não é perfeita.
Amigos falham.
Nós falhamos.


Mas a ausência é definitiva.


Não espere um velório para reconhecer valor.
Não espere um leito de hospital para dizer “eu te amo”.
Não espere a perda para entender a importância.


A vida é frágil demais para orgulho.
Curta demais para indiferença.
Imprevisível demais para deixar amor guardado.


Se você ainda pode ligar para seu pai, sua mãe, seu amigo…
Ligue.


Se pode resolver algo…
Resolva.


Porque depois da partida, o que fica não é o dinheiro, não é o status, não é a razão.


O que fica é o amor ou a falta dele.


E isso ecoa para sempre.


By Evans Araújo.


Em memória de Raimundo Edmundo leite

Entre a Dor e o Gesto


Entre a lâmina invisível das dores que te atravessam
e o peso mudo dos dias que não cessam,
ainda assim… você me escreveu.


E há nisso mais do que palavras —
há travessia.


Porque sei: não foi impulso,
foi escolha.
Não foi leveza,
foi coragem.


Havia silêncio antes,
havia a mágoa — esse território árido
onde quase nada floresce.
E, ainda assim,
você fez brotar um gesto.


E nós…
não fomos pouco,
não fomos rasos,
não fomos passagem.


Fomos chama —
às vezes indomável, é verdade —
mas nunca inexistente.


E talvez, para o mundo, reste apenas
um fio tênue…
mas em mim, ainda é chama inteira.


Não sei o que o tempo fará de nós,
nem se os caminhos voltarão a se tocar,
mas existe algo que em mim não se apaga —
silencioso, maduro, sem pressa —
uma esperança que já não grita,
mas permanece.


E, no fim,
entre a dor que te habita
e o gesto que me alcançou,
eu escolho reconhecer:
foi coragem.

Entre a Dor e o Gesto


Marlene,
não te escrevo pra te convencer de nada,
nem pra pedir que volte —
o amor, quando é de verdade,
não se impõe… se reconhece.


Eu sei onde falhei.
E mais do que isso,
sei o quanto isso te doeu.


Hoje, o que mais pesa
não é a saudade —
é saber que eu poderia ter sido melhor
quando ainda tinha você por perto.


Mas a vida tem dessas ironias:
a gente aprende depois,
quando já não tem mais o agora nas mãos.


Ainda assim…
tem algo em mim que não se perdeu.


Não é insistência,
nem carência —
é só um sentimento calmo,
que continua existindo
mesmo em silêncio.


Se um dia nossos caminhos
se cruzarem de novo,
não quero te prometer o mundo —
quero te mostrar, nos detalhes,
que eu aprendi.


Aprendi que amor
não é só sentir,
é cuidar, é ouvir, é permanecer
quando é mais difícil.


E se esse dia não vier…
você ainda vai ser, pra mim,
a história que não terminou em vão,
mas em aprendizado.


Porque amar você
foi real —
e é isso que fica.

O que poderia dizer para ter aquilo que mais preciso? Se tudo o que quis foi o que perdi, e a dor se somou ao partir do que se fez insubstituível? Onde encontro a presença que o fogo da alma tanto almeja? Para onde vão os sonhos que nunca são vividos, e as palavras perdidas entre pensamentos e memórias?
Quero tudo agora! Imediatista e impulsiva, sigo trilhando caminhos tortos. Sinto a chama, aos poucos, queimar o que resta. Acendo a vela, mas não sou do tipo que faz preces, ao mesmo tempo em que não posso proferir o que mais quero. É estupidez, ou há nisso tudo algum sentido? Para o coração, é melhor parar ou seguir batendo nesse ritmo perdido, porém que nunca cessa?
- Marcela Lobato

Crack é seu codinome
Quando veio para esse mundo
Muita dor causou
Minha mãe contou
Que de muita dor berrou...
Naquele dia
Lençóis foram rasgados
Descia lágrimas quentes
Em sua face fria
De tanta dor que sentia
Crack é seu codinome
Você cresceu
Saúde recuperada
Com muito amor de mãe
Forte ficaste
Mas na adolescência
Um atalho você rumou
Crack é seu codinome
Perdeste a identidade
A autoestima
Santo Deus!
Perdeste até a carne...
Seu submundo agora é só alucinação
Seus delírios
Paranoicos
Submundo do seu EU
Violento
Inadequado
Sem noção
Diante dos que estão
No seu dia a dia
Crack é seu codinome
Os anos se passaram
Agora um senhor sem personalidade
O que dificulta a nossa irmandade
Homem sem decisão
Sem escrúpulo.
E também
De pouca fé.
No seu mundo sujo e podre
Só há espaço para os solventes
Éter
Amônia
Ácido sulfúrico.
E também
Querosene, cal
Etc. e tal
Isso tudo
Que por si só
Nocivos a nós
E principalmente
A você
Crack é seu codinome
Sua sensação de bem estar é fictício
O pesadelo agora é seu mundo
Abandonaste
Trabalho
Estudos
Abandonaste
A todos aqueles que te amam.
Entraste para o rol
Da escória
Meu irmão de sangue
Crack foi seu codinome
Agora a morte é o seu nome
Seu fim
Trágico
Acabou!
Que Deus onipotente
Tenha compaixão de ti
Meu irmão
Oh meu adeus!
Esses versos eu te fiz
Somente para ti.
Que tua alma descanse em paz
Meu irmão
Porque agora
Morte é seu nome!

O Pintor de Sua Própria Dor

Um olhar triste carrega uma alma machucada.
Por mais que os lábios se exponham, os olhos não acompanham.

É triste olhar pela janela e ver uma paisagem igualmente triste.
Como proteger os quadros que vejo? Como servir de ombro ao pintor que encanta, mas em quem a felicidade não habita?

Os sinais de pânico explodem, e meu coração dói.
Não consigo conter o rio que escorre.

A ferida é grande e talvez não venha a sarar.
Por isso, é fácil a tristeza se instalar; difícil é consolar.

Compartilhar a dor também faz parte e, mais importante, é saber que não se está só.

O Peso do Silêncio

Amo escrever.
Escrevo conforme a minha alegria ou a minha dor, e quanto mais vozes eu ouço, mais forte eu fico.

E não me subestime. Tema o meu silêncio, pois é nesse momento que estratégias e planejamentos estão sendo traçados — para abraçar ou ignorar, refletir ou questionar.

Eu sou o meu time.
Eu sou a minha prioridade.

Sim, não são apenas histórias.
Se temes, não me teste, pois a verdade mascarada que te envolveu agora recorre a mim — e eu nem mesmo a planejei.
Porque, no silêncio, até as verdades aprendem a falar.

Sentimentos que me invadem...

"Que seja passageira esta dor
que invade meu peito. Que jamais
perca a sensibilidade das coisas
simples da vida. Que todo sonho
seja renascido. Meus sentimentos
fazem um tremendo barulho dentro
de mim.Que eu não perca a doçura,
mesmo a vida sendo tao amarga
as vezes...

❝ ... Ficar reclamando não vai resolver nada,
Chorar não vai aliviar a minha Dor. Mas
o jeito que eu olho para este problema
é que vai me fazer mais forte, mais decidida.
É hora de enfrentar meus medos, parar de lamentar,
e crescer emocionalmente. É hora de olhar de frente,
se arriscar, e confiar. O primeiro passo é meu... Os outros
passos que eu der, já coloquei nas mãos de Deus..❞
Amém... Amém... Amém...
-----------------------Eliana Angel Wolf

Acima de Tudo, o Bem


Já vi dor e sofrimento serem justificados,
Em nome de deuses grandiosos e símbolos venerados.
E vi quem nada proclama, sem rótulo ou altar,
Espalhar amor sincero, apenas por se importar.


Já vi gente experiente, de carreira respeitada,
Semear ódio e desprezo ao longo de sua escalada.
E vi gente sem vivência, em início de trajetória,
Unir povos por meio de respeito, empatia e glória.


Já vi conhecimento e saber servirem à destruição,
Transformando palavras eruditas em munição.
E vi mãos simples, sem livros ou vaidade,
Encerrar conflitos e plantar humanidade.


Já vi poder e riqueza comprarem dor e coerção,
Levando inocentes à perda, sem compaixão.
E vi nomes esquecidos, humildes na luta diária,
Libertarem gerações com coragem e bravura solidária.


Aprendi que a boa ação, quando nasce do coração,
Está acima de poder, conhecimento ou religião.
Aprendi que praticar o bem é a linguagem universal,
Capaz de atravessar o tempo e tornar-se imortal.

A dor e sofrimento corrompem
aqueles que já nada têm a perder,
e os tornam fortes, forja-os,
na ânsia de um objetivo que os cega,


apagando memórias do que um dia
lhes trouxe paz e sentido.
Assim nascem vilçoes, não por escolha plena,
mas por caminhos feridos,


em um mundo que já lhes permitiu
sentir a delicadeza do amor,
antes que tudo se perdesse
no peso da própria dor.