Textos de Boca

Cerca de 2115 textos de Boca

Aquele alguém

Aquela voz forte, rouca que emanava daquela boca de dentes alvos, a pele morena como se queimada de sol e o cabelos grisalhos deliciosamente desalinhados, me tomaram de assalto os pensamentos, fazendo com que cada célula em mim vibrasse ao simples soar da voz.
Emudeci, pois a muito não sentia a vibração que emanou em meu corpo.
Não pude e nem quis fingir que não senti…
Me autorizo a ser, ter, fazer e sentir tudo que me faça bem ao coração e que me possa fazer expressar vida…

Eu escrevo porque não consigo falar.


As palavras se recusam a sair da minha boca,
então derramam-se no papel.


Queria poder me desfazer em teus braços,
encontrar neles um lugar onde o mundo
parasse de pesar.


Queria que cuidasses de mim,
como o Pequeno Príncipe cuidou de sua rosa.
Queria ser tua.
E, mais do que isso,
queria que escolhesses ser meu.


Não por obrigação,
mas por paixão.


Há quem me corteje.
Há quem tente conquistar meu olhar.
Mas de que me serve qualquer cortejo,
se o único que desejo
é o teu?


Se não tens intenção de permanecer,
tem a delicadeza de partir dos meus pensamentos.


Não é justo.


Toda vez que fecho os olhos,
és tu quem encontro.


Vejo tua postura ereta,
teus dedos ligeiros dançando sobre o teclado.
Revivo o nosso abraço,
o calor do teu corpo envolvendo o meu.


Vejo teus olhos por trás das lentes redondas,
e descubro, mais uma vez,
que teus óculos parecem ter sido feitos
para o contorno do teu rosto.


Então meu olhar encontra teus lábios.


E, nesse instante,
o mundo deixa de existir.

De olhos fechados

Beijos, mas não era a boca dela!
Toque, mas não eram as mãos dela!
Cheiro, mas não era o perfume dela!
Aconchego, mas não era o corpo dela!
Sussurros, mas não era a voz dela!
Carinho, mas não era a pele dela...
Então, ele fechou os olhos.
De olhos fechados, a encontraria, a tocaria, a sentiria...
De olhos fechados, sairia dali, iria onde quisesse...
De olhos fechados, sentiria os seios fartos, a cintura fina, a voz dengosa, o corpo trêmulo, o sorriso fácil, lânguido...
De olhos fechados!
E assim teria que viver...
De olhos fechados!
Só assim teria a chance de sentir outra vez tudo o que havia perdido...

Pecado Gostoso
Helaine Machado
Se beijo na boca fosse pecado…
oh Deus…
que pecado tão gostoso seria.
Pecado é sentir teu gosto
e não querer mais parar,
é perder o rumo do mundo
só por te tocar.
Tua boca na minha
não pede perdão,
não conhece limites,
não escuta razão.
É fogo calado,
é desejo aceso,
é o corpo inteiro
rendendo-se ao mesmo desejo.
Se for pecado, eu confesso…
eu peco sem medo,
peco de novo,
peco em segredo.
Porque tem beijos
que não se explicam,
se sentem…
se entregam…
e nunca se esquecem.
E se amar assim for errado,
então deixa ser…
porque entre o céu e o teu beijo,
eu ainda escolheria você.
Helaine Macha

O silêncio emite impropérios,
quando a boca cala,a folha fala,
rabiscada sobre cada página
Cheia de tintas e ódios,
existe uma alma calada.
Em sua dor e sina.

Mais um dia de trevas
nesta cidade de selvas
onde moram corações sem poesia
se debatendo entre subterfúgios,
o ácido de suas dores mesquinhas.

Andrea

Não é por acaso que temos dois olhos, dois ouvidos e apenas uma boca. Isso mostra que devemos observar e ouvir mais do que falar. Antes de dizer qualquer coisa, é preciso entender.

Escutar e olhar nos ensinam muito mais do que falar. Quem fala sem ouvir, quem fala sem olhar, fala sem saber. A boca é só um, porque falar deve ser a última etapa, depois de aprender.

E isso vale para a comunicação em geral. Ser fluente não é apenas saber outros idiomas ou escrever bonito. É saber falar a linguagem certa para cada pessoa. É explicar algo difícil de um jeito simples para sua avó, para uma criança, para um universitário, para um humilde, para quem nunca ouviu falar do assunto.

Cada pessoa entende de um jeito. Para comunicar bem, você precisa ouvir e observar qual é a linguagem dela. Só assim você vai conseguir falar para que ela realmente entenda.

Mas isso exige humildade. Se o ego falar mais alto, você só vai criar conflitos, porque não ouviu nem entendeu antes de falar.

Por isso, dois olhos, dois ouvidos e uma boca. Primeiro, observe. Depois, escute. Por último, fale.

Sem importância se a luz esteja acesa ou apagada para encontrar a direção de sua boca que tanto me enlouquece e faz-me ir pelo tato como um cego amor;
Não me importa se você esteja com uma lingerie preta ou vermelha ou até mesmo sem nada para importunar as intenções;
O que mais me importa realmente é a maneira de que vamos nos amar para alcançarmos o ápice do prazer em questão;

Ela sempre foi movimento.
Casa girando em torno dela.
Mão que fazia, boca que orientava, olho que via tudo.
Era dessas mulheres que acordam antes do sol
e dormem depois da vida.
Sabia onde estava cada coisa.
Cada conta.
Cada remédio.
Cada problema.
Ela era memória viva da família.
Era calendário, era agenda, era conselho.
E agora…
O tempo resolveu brincar ao contrário.
O nome das coisas escapa.
Os rostos às vezes embaralham.
As histórias ficam pela metade.
Mas tem uma coisa que não foi embora:
a essência.
O jeito de segurar a mão.
O olhar que ainda procura cuidado.
A doçura que aparece em lampejos.
O Alzheimer não apaga quem ela foi.
Ele embaralha caminhos,
mas não destrói o que foi construído em décadas de força.
Existe uma inversão silenciosa:
quem foi porto vira mar aberto.
Quem guiava agora precisa ser guiada.
E dói.
Dói porque a gente lembra de tudo.
E ela… às vezes não.
Mas amar alguém com Alzheimer é aprender outra língua.
É repetir sem irritação.
É contar a mesma história como se fosse a primeira vez.
É segurar firme quando o mundo dela fica confuso.
Ela continua sendo a minha mãe.
Mesmo quando não sabe dizer seu nome.
E talvez agora o papel seja meu:
ser memória por duas,
ser paciência por duas,
ser colo por duas.
O corpo pode esquecer.
Mas o amor não desaprende.
E isso, ninguém tira dela. Nem de mim.

Mel


O nome dela escorre lento
tipo coisa que não se esquece fácil
gruda na boca, na mente
e pelo visto… até nos teus dedos.
Mel não chega, invade.
Vem com história torta, vida rasgada,
dessas que o mundo tentou quebrar
e ela devolveu com riso meio louco.
Tem gente que passa…
ela fica.
Nem precisa tocar direito
e já bagunça tudo por dentro.
Teu corpo entrega antes da razão,
teu pensamento trai qualquer juízo,
porque tem gente que não é paz…
é vício com nome bonito.
E o pior?
Você sabe.
Sabe do caos, do passado, das grades,
das vezes que a vida mordeu ela sem dó…
e mesmo assim, tá aí,
respirando ela como se fosse ar.
Mel não é leve.
É doce que queima.
É perigo que chama pelo nome
e ainda te faz sorrir enquanto você cai.
E você cai.
Com gosto.

*DENTADA*
Te invadi.
Te ocupei.
Não foi guerra.
Foi convite.


A boca veio sem pedir licença
e assinou na pele o recibo:
estive aqui.
Com fome.


Não tem sangue, tem marca.
Roxo que vira amarelo,
depois some.
Efêmero como tudo que queima.


Ninguém bateu.
Ninguém prendeu.
Foi mordida de quem sabe
que a carne é fruta
e a noite é curta.


Não me venha com culpa.
Culpa é pra quem reza.
Aqui a gente devora.
Sem faca, sem garfo,
só dente e vontade.


A marca fica dois dias.
A lembrança fica dois anos.
A tensão não conta tempo.
Ela mora entre a pele e o lençol,
naquele lugar onde o arrepio
ainda não decidiu
se é medo ou se é mais.


Não foi castigo.
Foi assinatura.
Um carimbo de "estive viva"
num corpo que esquece rápido
mas que, por um segundo,
quis ser banquete.


E se amanhã não tiver nome,
pelo menos teve gosto.
E o gosto,
ninguém tira.

Falta ainda a linguagem do gosto!
Que gosto terá sua boca quando
colada na minha?
Que indizível prazer devo sentir ao te percorrer?
Que doce delírio sentir tua boca,
todo o meu corpo morder...
Falta ainda a linguagem do tato!
Como será o entrelaçar das nossas
trêmulas mãos?
O abraço tão apertado que poderemos
ouvir nossos corações,
pulsando sôfregos e descompassados
em meio a tão arrebatadoras emoções...
Falta ainda a linguagem do cheiro!
Não o cheiro da minha ou da tua
preferida colônia.
Mas o nosso cheiro, natural,
hormonal, quase animal.
Falando da premência da entrega,
assim sem nenhuma cerimônia...
Porque eu já conheço a tua voz acariciante.
Porque eu já conheço a tua
melancólica expressão.
Porque eu já conheço o seu jeito complicado sentir.
Porque eu já conheço a tua férrea razão.
Mas que presunção a minha,
eu achar que te conheço.
Não porque falte o tato, o olfato e o paladar.
Eu só poderei dizer que realmente te conheço
quando, olhos nos olhos,
a tua Alma eu puder sondar.

O Controle da Boca é um Ato de Amor ao Próximo

Controlar a nossa boca é um ato de amor ao próximo.

As palavras que saem dos nossos lábios devem servir para edificar, consolar, incentivar e transmitir graça àqueles que as ouvem.

Uma palavra lançada de qualquer maneira pode causar grandes prejuízos, pois tem o poder de ferir e destruir. Por isso, precisamos aprender a controlar nossos pensamentos antes de falar. Quando educamos a mente e o coração, também educamos as nossas palavras.

A sabedoria é a chave para um falar saudável, respeitoso e cheio de amor, sem ofender ninguém. Que cada palavra pronunciada por nós reflita o caráter de Cristo e seja instrumento de paz, esperança e edificação.

"Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem." (Efésios 4:29)

Pedi ao Papai Noel:
-que me lembre de usar mais os meus ouvidos do que a minha boca
pois ouvindo os meus amigos posso fazer algo. Falando serão apenas palavras!
-que me dê firmeza no meu andar
pois sei que se exercitar os meus passos estarei mais forte e não me deixarei cair, mas se cair terei forças suficientes pra levantar!
-que me dê uma saúde impecável
para que eu possa trabalhar dia-a-dia e vencer pelo meu próprio esforço!
-que a minha casa seja firme
pois sei que se provações vierem, lá será a minha fortaleza e o meu refúgio!!!
Por fim pedi muito paz, beleza, dinheiro, amor e talento pro meus inimigos, pois assim talvez quem sabe eles sosseguem e vivam a vida deles felizes como eu sou!!!

Você


Hoje acordei com teu nome pousado na boca,
como quem sussurra um segredo ao amanhecer.
Abri a janela e o vento perguntou por ti,
e eu respondi com silêncio… mas pensando em você.


Pensei em dançar na chuva sem medo do frio,
em rir alto só porque o dia nasceu bonito,
em procurar no mundo um cheiro que me lembrasse
o abraço que só encontro quando te imagino comigo.


Por um instante doeu lembrar tua ausência,
esse espaço vazio na cadeira ao lado.
Mas até a saudade tem teu jeito manso —
ela me visita e diz que você nunca foi passado.


Porque mesmo distante dos meus braços,
você mora onde ninguém pode arrancar:
na parte mais viva do meu peito,
onde cada batida aprende a te amar.

O Amor Pode Ser Traduzido?


O amor fala línguas que a boca não alcança,
vive nos silêncios, nos olhares demorados,
nas mãos que se procuram sem pedir permissão.
Como traduzir o que só o sentir entende?


Talvez seja verbo quando insiste,
talvez seja substantivo quando fica.
Amor é erro perdoado,
é escolha repetida mesmo cansado.


Se há tradução, ela não cabe em palavras:
é gesto, é presença, é ficar.
É quando dois corações se entendem
sem jamais precisar explicar.

Profundidade



Tua pele, tua boca,
quero beijar-te,
quero tocar-te,
entrelaçar-me contigo.


Quero um encontro contigo,
mergulhar na tua essência,
descobrir cada profundidade
onde teu ser se revela.


Que o tempo se faça lento
quando estivermos juntos,
e cada suspiro seja mapa
dos mistérios que habitam
teu corpo e alma.


Tua presença,
desejo e calma,
num só instante,
faz do teu abraço
o universo inteiro.

Não importa quem eu sou —
o nome dorme na boca do mundo.
Importa o gesto silencioso,
a escolha que não pede aplauso,
o passo firme quando ninguém olha.


É no escuro que o caráter acende.
Na mão que não rouba,
na palavra que não fere,
no “não” dito ao atalho fácil,
no “sim” dado ao que é justo.


Quando ninguém vê, eu me revelo.
Ali mora minha verdade inteira:
não o que digo ser,
mas o que faço em segredo
quando só a consciência assiste.

Pois a boca fala do que está cheio o coração, e o meu insiste em dizer teu nome sem perceber,
escapa em sussurros, em versos,
em silêncio também,
como se amar você fosse
o único jeito de viver.


Carrego teu riso guardado
no lado esquerdo do peito,
onde o tempo desacelera
só pra te sentir ficar,
e mesmo quando o mundo
pesa e tudo perde o jeito,
é em você que encontro
motivos pra continuar.


Te amo nos detalhes
que ninguém mais enxerga,
no jeito que teus olhos
conversam sem falar,
na calma que tua presença
traz pra minha alma,
como um abrigo que sempre
sabe me encontrar.


E se um dia me perguntarem
o que me completa,
não vou pensar duas vezes
antes de responder:


é você, em cada parte,
em cada linha da minha história,
porque tudo em mim transborda
só de amar você.

⁠Fala sem ter boca
Não é avião mais te faz voar
No silêncio é que te faz aprender
Além de tudo tem seu cheiro particular
Algo que nenhum dispositivo pode imitar
Te Faz ver, melhor te faz imaginar


Lugares que já andei, naveguei e desbravei
Imensidao é o que te define
Voraz me torno ao seu toque
Reflexivo me torna seus conselhos
Ouvinte atento dos seus provérbios.

O Manifesto do Sangue Digital
​O veneno escorre da boca do palanque,
Neurolinguística barata que anestesia o sangue.
Eles falam em progresso com sotaque importado,
Enquanto o povo paga o juro do plástico clonado.
​A boca cheia de formigas de quem calou a verdade,
Vendeu a nossa moeda, entregou a soberania da cidade.
O Pix é nosso, é do chão, é do Brasil, é corrente,
Mas a tarja magnética do império ainda dita o que a gente sente.
​Cada transação é um pedaço da pátria que vai embora,
Pedágio invisível que o norte geográfico devora.
Cartões de plástico, coleiras de chip e de senha,
Alimentando a fogueira com a nossa própria lenha.
​Eles dizem que modernizar é submeter,
Que para avançar, a nossa raiz tem que morrer.
Mas o país sangra na margem, no débito, no crédito, no absurdo,
Enquanto o algoritmo estrangeiro finge que é surdo.
​A revolução não será televisionada, nem impressa em dólar,
Ela nasce quando a colônia decide não mais se esmolar.
O sangue na boca agora é grito de rebeldia:
Nosso dinheiro, nossa terra, nossa própria soberania.