Textos de Amizade Distante
"Devemos amar ao próximo como a si mesmo, mas também devemos amar o distante, amar o diferente.
Não adianta amar quem se parece com você, segue sua cultura, religião, orientação sexual e odiar quem pertence a outros costumes, a outras religiões,culturas, tradições e outros estilos de vida"
Silêncio e Destino
Basta-me um olhar furtivo,
um suspiro, um eco distante,
para que sigas meus passos
e eu te guarde além do instante…
— Mas esse olhar, eu não darei.
Uma sílaba perdida
nos abismos da memória
poderia erguer impérios,
desfazer o tempo e a história…
— Mas essa voz, eu calarei.
Para que me desvendes,
sou neblina sobre o abismo,
sou um traço na alvorada,
sou mistério e exorcismo…
— Máscaras que eu mesmo fiz.
E enquanto não me percebes,
as marés dançam sozinhas,
os relógios perdem as horas,
os ventos rasgam as linhas…
— Até que eu desapareça.
VOCÊ... VOCÊ.. VOCÊ...
Aqui distante, eu penso
Em você, você, você
Você que um dia eu amei, e o destino nos separou
Você que sem nada me dizer, um dia me deixou
Você que disse que me amava, não sei por que me abandonou
Entre vocês
Penso que não tem ninguém que me ama.
Mas é por vocês, que meu coração reclama
Não sei qual de vocês, meu coração mais ama
Fico sempre à espera
Que uma de vocês venha me amar
Quem será que vem a minha dúvida tirar?
Aquela que vier primeiro, vai ser privilegiada
Com o amor que tenho por três
Somente uma vai ser contemplada
Edvaldo José / Mensagens & Poesias
Ontem sonhei com você
E se a gente se mudasse para uma casa distante, longe de tudo e a praia em frente?
Amor, por que a gente não se entende?
Se tudo que você faz e sente é movido a mim,
Se tudo que você menos quer é o nosso fim.
As noites seriam tranquilas e as taças de vinho seriam mais quentes
E sempre que entrelaçássemos nossos corpos, não seria apenas amor…
Seria pura poesia, aquela que agride, que toca bem no fundo
E me faz soltar o melhor suspiro do mundo.
E todas as vezes que você me faz sentir o seu amor eu sinto medo…
Sua paciência sempre cessa com todo esse receio.
"Por que sentes medo?"
Medo de que tudo não passe de um devaneio.
Eu desejo você todos os dias,
Todos os dias após eu ter conhecido você
Estamos tão distante
A distância entre nós, é semelhante a 384.400km
A mesma distância entre a "Terra e a Lua"
As vezes, eu faço companhia para a Lua
Quando na verdade,
É para você que eu gostaria de fazer companhia.
Droga, que injustiça! Não acha?
As vezes, eu penso em dar um basta em tudo que sinto,
Mas a emoção ao desejar você todos os dias falam mais alto,
E eu me sinto um covarde."
Quando pensamos no futuro, ele pode parecer distante, mas ao olharmos para o passado, nos surpreendemos com a velocidade com que o tempo passou.
A verdade é que o tempo de vida é o nosso bem mais precioso, e, muitas vezes, não damos a devida importância a isso.
Não deixe que ele se perca em coisas que não acrescentam valor real à sua vida.
Poema: "Real"
Autor: Diego Fernandes @devoidvessel
sempre tão distante,
me empenhando em permanecer
no controle,
pois aqui dentro tudo pesa,
e o ar sempre sufoca,
o peito dói e a garganta machuca
toda vez que lembro não querer mais lembrar.
todo dia, um novo dia,
fantasiando o que poderia ser
tão real, ser real.
será que sou real?
eu nunca me senti real.
te amo mesmo quando não digo,
penso em ti mesmo tendo-te tão distante.
teu toque arrepia minha pele,
sua voz daquele dia em setembro
ainda ecoa na minha alma.
preciso dizer que nunca te esqueci,
tu foste minha saudade
mais dolorosa e verdadeira.
ainda eras viva, e isso é o pior,
não porque quero a sua morte,
mas porque aquela versão contigo,
nas tardes e noites sombrias,
mas sempre tão vivas e calorosas,
não existem mais.
suas palavras, suas ações,
nossos planos daqueles dias,
nossas piadas internas,
as tatuagens “h” e “a”,
itália, veneza, atthis d’layla, benjamim —
já não existem mais.
poemas da elaine baeta,
nossas conversas mais profundas,
seu primeiro te amo,
nosso primeiro oi com aquele livro —
não lembro o nome, mas lembro da capa
e do dia como se fosse ontem.
tudo ainda está ali guardado,
esperançosos e cheios de sonhos;
não com essa bagunça que criamos
por palavras não ditas, achismos, certezas—
que nos perderam em algum momento.
uma conexão que vai além do tempo;
meu amor, meu eu mais profundo ainda mora
naqueles momentos que nunca mais voltam
e em um eu mais velho e endurecido pelo tempo.
tenho tantas palavras, tantas ações
que quis te dizer;
podem sufocar a mente mais sã
e robusta da raça humana.
tantas lágrimas, tantos olhares
que não pude te dar;
guardo todos eles em uma caixa
de uma história tão libertadora—
linda, amada, angustiante e agonizante—
que já vivi.
ainda estou em algum momento;
em um quem sabe.
A pedra e o rio.
Em um lugar distante, afastado da civilização, havia uma montanha e no topo dela uma grande pedra. E esta pedra por estar integrada a natureza, era capaz de perceber, interagir e ouvir tudo ao seu redor. No começo a pedra a tudo questionava, de sua forma a sua imobilidade, tudo era motivo para questionamentos e muitas vezes, não obtinha uma resposta que lhe agradava. A montanha a qual ele ficava la em cima, lhe dizia que a natureza era assim e que tudo tinha um propósito, mas que a eles não lhe era revelado, e que a imobilidade a qual estavam submetidos, faziam parte de um plano maior.
Para a pedra isso não era o suficiente.
Porém, um belo dia antes do nascer do sol, percebeu que uma pequena formiga subiu nela e lá em cima, ficou.
A pedra perguntou a formiga:
- Ei! O que você está fazendo aí em cima?
- Estou aqui para apreciar um dos maiores espetáculos da vida.
- E qual é? Perguntou a rocha.
- O nascer do sol!
- E que beleza há nisso? Vejo-o todo os dias e não me encanto.
- Psiu! Retrucou a formiga, silêncio, será agora.
E a formiga ficou alí imóvel, olhando o nascer do sol, sentiu os primeiros raios de sol e agradeceu. Em silêncio fez uma pequena prece e um sentimento de júbilo lhe tocou. Ela ficou imóvel tal qual a pedra, e quando o sol, se tornou mais alto, ela agradeceu a pedra pela oportunidade de poder apreciar tal maravilha e desceu.
A pedra intrigada com o que havia acontecido, pediu a formiga explicações maiores sobre o que ela havia sentido e o que tinha alí acontecido.
A formiga pacientemente lhe respondeu: A vida tem muitos barulhos, e muitos barulhos são criados a partir de nossa própria perspectiva, credo ou pensamentos sobre algo. As coisas são simples, não é necessário estrondo ou barulho sobre qualquer assunto. Basta somente ver, ouvir e aceitar ou não aquela condição. Mas de qualquer forma o barulho que vem de fora, se em silêncio ficarmos, este retornará a quem o enviou. Saibamos apreciar o silêncio e aprender com a observação. E... pedra, você é de grande sorte, em sua imobilidade você melhor que qualquer coisa é capaz de ter um senso maior de observação, e tempo para reflexão. Meu tempo ante a ti é curto, eu passarei com pouca sabedoria, e espero que você adquira esta sabedoria e que o seu exemplo possa inspirar outros seres.
A pedra ao ouvir tudo que era dito pela formiga, entrou em profundo questionamento. Suas dúvidas naquele momento aumentaram, queria questionar mais a formiga, mas ela já ia embora. Ficou a pedra novamente sozinha com seus pensamentos.
Mas ela lembrou que a formiga lhe falara sobre o silêncio e a contemplação, sobre uma reflexão mais profunda sobre as coisas sem o julgo que carregamos.
E já era tarde quando a pedra pela primeira vez, de forma mais contemplativa observou o pôr do sol. Neste momento a pedra, entendeu a finitude da vida, com a escuridão que se aproximava. Durante a noite, refletiu sobre os mais diversos assuntos como: a escuridão, as estrelas, o universo que a cercava, a criação que tanto ouvira. E pela manhã ao nascer do sol, sentiu pela primeira vez o poder do sol, da claridade, da ampliação de sua visão pela luz do dia.
A pedra se transformara em outro ser. De questionadora implacável a um ser que procurava em si e ao seu redor todas as respostas sem barulho fazer. Aprendeu o poder do silêncio contemplativo e sua aceitação, entendeu que o barulho alheio era do outro e não seu, e que não carregaria para si, este ruído.
Em seu silêncio tornou-se sábia e começou a responder somente ao que sabiamente lhe era perguntado. Se as perguntas tivessem que ter um esclarecimento maior além da compreensão de quem perguntava, ela respondia; mas se as perguntas eram somente os gritos e os desejos do ser alheio, mergulhado em sua própria visão, a pedra ficava em silêncio, pois aprendera com o tempo que quem grita para si mesmo, não permite a si nenhuma palavra.
O tempo passou e em dia chuvoso, a pedra se deslocou da montanha, vindo a cair dentro de um rio com fortes correntes. O rio, por sua natureza, fazia muito barulho e ao sentir que a pedra caíra em seus domínios, questionou à mesma: O que fazes aqui? Quem te enviou? Por que me atrapalhas? Por que queres bloquear meu fluxo?
A pedra pacientemente pediu-lhe desculpas e disse que a natureza, através da chuva, a tinha feito cair no rio, e como não tinha condições de se mover, pediu que aceitasse tal condição.
O rio porém, não a aceitava e via na pedra somente algo a se questionar o por que? Por que me atrapalha? Por que me incomoda? Por que não responde? Por que não pergunta? Por que não faz nada? Por que o silêncio?
A pedra entendendo que os questionamentos eram somente os gritos internos do rio, nada respondia, ficando em silêncio. E isso incomodava ainda mais o rio, que começava muitas vezes, perguntar e dar respostas as suas próprias perguntas, chegando a conclusões muitas vezes equivocadas.
A pedra por sua vez, entendendo sua condição, apenas aceitou o seu destino, e ali, junto ao turbilhão de perguntas que o rio fazia, aprendeu a silenciar ainda mais a sua voz e a contemplar a beleza e a força que as águas traziam para a vida. Sentiu a extensão do rio, e a sua união com o mar, sentiu o quanto ela nutria a terra e saciava a sede dos seres vivos. Sentiu a sua grande importância.
Mas o rio, embora grande, ficava preso ainda a situação da pedra, aquela pedra pelo seu silêncio a incomodava. Gritava com a pedra todos os dias e nada de obter uma resposta.
Com o tempo, a pedra foi se desgastando pela força da água, foi ficando lisa, cada vez mais lisa, e diminuindo em seu tamanho, fragmentando aos poucos ela foi se findando, mas mesmo findando ela mantinha sua sabedoria, e quando seu último pedaço iria partir, ela finalmente levou sua voz para o rio: Tú és e sempre foi maior do que eu, eu estarei fazendo parte de ti agora e agradeço.
O rio sem muito entender e ainda gritando começou a lhe dizer: eu sempre soube que eu era melhor que você! Você é que esteve sempre errado! Você que foi um intruso em minha vida! Você! Você! Você! E naquele momento, a pedra sorriu e partiu.
Pense e reflita.
Obrigado, me desculpe, te aceito.
Massako 🐢
Num reino distante, bem lá no sertão,
Viviam duas irmãs de grande ambição,
A tal Demagogia, esperta e astuta,
E a Burocracia, com sua face oculta.
Viviam brigando, em pura vaidade,
Pra ver quem enganava mais a comunidade.
Uma com promessas, cheia de emoção,
Outra com papéis e muita enrolação.
A Demagogia se fez a primeira:
"Eu sou a rainha da fala certeira!
Prometo o futuro com brilho no olhar,
Faço o povo sonhar, sem nem precisar dar.
Minha arte é o verbo, que engana e embala,
Conquisto corações com minha fala.
Dou risada e abraço, me faço tão boa,
Mas por trás dos panos, minha trama ressoa."
A Burocracia não ficou calada:
"Tu iludes o povo, mas eu tenho a estrada!
Papéis, carimbos, e filas sem fim,
Confundo as mentes e mantenho assim.
Quem tenta comigo jamais vai vencer,
Regras e normas pra tudo envolver.
Meu poder é eterno, bem mais do que o teu,
Pois quem cai nos meus laços nunca se perdeu!"
O embate acirrado logo começou,
E o pobre do povo no meio ficou.
Demagogia vendia um mundo encantado,
Enquanto a outra fazia o futuro atrasado.
Uma dizia: "Eu prometo progresso!"
Outra gritava: "Tudo é só processo!"
O povo cansado, com tristeza no olhar,
Perguntava quem poderia os salvar.
E assim, as irmãs seguiram brigando,
Cada qual ao seu modo, o povo enganando.
Mas a lição que fica, no cordel contado,
É que o valor do trabalho não está no falado.
Cuidado com promessas ou com o excesso de normas,
O que faz diferença são ações que transformam.
Que o povo se una, buscando a verdade,
Pra fugir dessas irmãs que só trazem maldade.
Pai
Você é distante;
Parece solitário;
Você me ama mesmo? Ou só finge;
Você é cruel;
Você me deixa mau;
Você me dá tantos motivos pra te odiar;
Você me machuca;
mais me trata como uma princesa;
Será que eu deveria te odiar?, não sei
Mais eu não consigo;
Querendo ou não eu ainda TE AMO.
De I.S para A.B
No horizonte distante, meu céu se estende azul,
Um oceano sereno, onde a paz é a luz.
Nuvens brancas como plumas, flutuam sem pressa,
Em um céu azul, a vida é uma promessa.
O sol dourado pinta o céu com seu calor,
E a cada amanhecer, renova-se o esplendor.
As estrelas, pontinhos de luz a brilhar,
Decoram o céu azul, como pérolas a dançar.
Nesse vasto firmamento, a esperança se espalha,
E a beleza do universo, minha alma embala.
No silêncio celeste, encontro meu refúgio,
Sob o manto azul do céu, sinto-me em pleno sortilégio.
Oh, céu azul, guardião dos meus sonhos,
Em tuas profundezas, encontro meus arranjos.
E quando a noite chegar, e as estrelas brilharem,
Sob teu abraço celestial, meus sonhos se realizarão.
talvez,
em um passado distante
eu te reencontre.
talvez,
se nossos caminhos se cruzarem
eu consiga falar e expressar
tudo aquilo que um dia senti.
talvez,
aqui, em algum lugar, a qualquer momento
eu consiga olhar no seus olhos e dizer,
que sinto sua falta.
talvez,
mas só talvez
consiga expressar e te falar mais uma vez
que ainda amo você.
-ela só queria poder reencontra-lo e dizer tudo que á de mais romântico.
**Nas Órbitas do Não Correspondido**
Em teu olhar distante, vejo estrelas a brilhar,
Constelações que não alcanço, no firmamento a desenhar.
Minha alma, como um cometa em sua trajetória solitária,
Arde em chamas ao rasgar tua atmosfera imaginária.
Anseio por tua luz, como a Terra pelo Sol a girar,
Mas, em meu eclipse, somente tua sombra a passar.
Tua presença, como a lua, controla as marés do meu ser,
Nas noites de solidão, tua ausência é o que vem a crescer.
Tento decifrar-te, qual astrônomo ao céu profundo,
Buscando em teus gestos um sinal, um mundo.
Mas, como um buraco negro, teu coração oculta seu brilho,
Deixando-me a orbitar em torno do vazio, sozinho.
No entanto, como a esperança de uma nova aurora boreal,
Guardo o desejo de que um dia meu amor possas notar.
E embora sejamos dois corpos celestes em fuga orbital,
Sonho com o alinhamento que possa nos juntar.
Será que devo seguir este curso, persistir neste vão amor,
Ou como as marés mudam, devo encontrar nova direção?
No universo de possibilidades, procurar um novo calor,
Ou resignar-me nesta galáxia de tua eterna rejeição?
Astronomicamente falando, somos universos em expansão,
Movendo-nos juntos, ainda que apartados pela imensidão.
Cada estrela cadente, um desejo secreto em confissão,
Neste cosmos do sentir, buscando gravidade, encontro ou não.
Assim, permaneço um astronauta perdido no espaço de ti,
Navegando no escuro, guiado pelas estrelas de tua indiferença,
Até que talvez um dia, por algum milagre cósmico, aqui,
Encontres em minha órbita, tua casa, tua essência.
Quando você ler ou ouvir este poema estarei longe
mas não tão distante que não possa me sentir ao fechar os olhos
já sei que tu não vens
se foi como assim chegou
você me vê nas nuvens
mas a mim cegou
partiu como quem morre
não posso mais te ler
só posso mesmo morrer
foste tão de repente ainda não posso crer
se ainda estiver vivo
no reino onde vives
se ainda me sabes
acho penso e sinto
se ainda pensa ou sentes
é porque ainda te respiro
venhas logo não demore pois
perecer a cada dia a cada instante
e ainda ter a chama acesa
não é fácil estar na estante
se virei livro, poema ou piada
não importo com nada
se fui a primeira ou a última
às vezes triste ou magoada
se falas bem ou mal de mim
me basta saber que não passei impunemente assim
me afasto vou pra longe
oceanos de jasmim, alfazemas e capim
sigo meu caminho certo que um dia
hei de te encontrar sozinho
lá na frente mais contente
quem sabe me olhes sorrindo
quem sabe neste dia que ainda não existe
eu possa lhe dizer do amor que tive
eu possa lhe abraçar ao ar livre
onde haja apenas o verbo amar
pois sem amar não se vive
Eu estava apaixonada por ele, e como um nevoeiro ele se aproximou de mim com um olhar distante e disse.
_Eu não te amo mais!
Fiquei arrasada, mas não deixei que ele visse esse meu lado, então olhei nos olhos vazios que ele me colocou e disse com convicção.
_ O amor deve estar lado a lado, então se você não me ama mais, eu também não te amo; Isto é recíproco e o que nos resta no passado é apenas indiferença. Você se tornou para me um desconhecido na rua, alguém que eu não me lembrarei mas!
~Safira souza
Entre sonhos e suspiros, busca-se abrigo
Num amor distante, que o coração faz mendigo.
Seu anseio é simples, deitado ao seu lado,
Mas a indiferença dele me deixa assombrado.
Na cama fria, o vazio se alarga,
E a distância cruel como uma chaga.
Só deseja o calor, o toque, o carinho,
Mas ele se vai, sozinho no caminho.
O medo cresce, o peito se aperta,
Queria só aconchego, uma alma aberta.
Mas esse calor vai se apagando,
E o silêncio ecoa, tão cortante e tão brando.
Amor pelo jornalismo
Poderia dizer que essa profissão é distante da minha família, mas na verdade não é exatamente assim. Professores passam informações, então minha profissão não é totalmente distante da função que boa parte dos meus familiares exerce. No entanto, nenhum familiar me apresentou o jornalismo.
O amor começou descalço, no meio do asfalto, jogando bola com amigos de infância. Entre vitórias e derrotas, o futebol de rua é cercado de brincadeiras. As conversas, depois de muitas idas à casa dos vizinhos para pegar a bola — alguns bem nervosos, por sinal —, valem uma história à parte. Mas hoje não, não é sobre isso que vou falar. Arrebentar os tampões dos dedões... que época boa! Não lembro disso querendo voltar ao passado, mas sim grato por Deus ter me proporcionado uma infância mais na vida real do que nas telas de hoje em dia.
O futebol de rua foi uma das coisas que mais pratiquei quando moleque e foi justamente em um desses dias que descobri aquilo que passaria a buscar com um carinho diferente: o jornalismo.
Depois da pelada, um pouco de resenha, um zuando o outro e, de repente, vem a pergunta que engaja geral: “O que você quer ser quando crescer?”. Engenheiro, mecânico de avião, bombeiro, policial, astronauta — sim, teve um que encheu a boca pra falar astronauta. Eu não duvidei, mas é claro que a resenha já vem na ponta da língua pra dar uma gastada. Em meio às revelações, um dos mais velhos do grupo fala: “Quero ser jornalista esportivo, falar de esporte.”
Eu paro e pergunto: “O que é isso? Como faz?” Nunca havia ouvido aquele nome antes: Jornalista Esportivo. Tinha uns 13 anos, mas sim, mesmo já acompanhando um pouco de futebol na televisão, a palavra era nova para mim. Jornalista Esportivo.
“O que se faz nisso? Como que é?”, pergunto.
“Fala de esporte, pô. Igual esses jornais na TV, sabe? Só que fala dos esportes apenas.”
Fã do jovem em ascensão à época, El Shaarawy, esse amigo, que por dúvida, preservo o nome, despertava em mim um interesse de buscar mais sobre a profissão. Acabada a resenha pós-futebol, volto para casa e a primeira coisa que faço é buscar sobre essa profissão no pai dos burros: o Google.
Veículos de comunicação, cursos, faculdade, o que fazer, como fazer, onde fazer... perguntas atrás de perguntas. Vídeos, relatos sobre experiências e então começo a conhecer as referências da área. Pegar um pouquinho de cada um, entender os blocos do jogo.
Craques e mais craques. Eu? Apenas um gandula perto deles. Como fazer isso dar certo? “Deus, não sei como, mas vou dar meu melhor, seja feita a Tua vontade”, dizia com fé em algum milagre. “Deus ajuda quem trabalha”, “Quem procura acha”, “Quem quer dá um jeito”; palavras assim foram sustento em meio às aflições de um cidadão comum que começava a enfrentar desafios na passagem da adolescência para a vida adulta. A necessidade de trabalhar, mesmo que fora da área, não foi suficiente para me afastar do jogo, do campo, das quadras poliesportivas.
Trabalho, fé, foco, renúncias e muita mão de Deus. Não ouso tirá-Lo dessa receita! Provocações e deboches, isso não é exclusivo de um grupo. Também passei por algumas.
Mas estar em uma redação física pela primeira vez, participar de um programa de rádio, conhecer os primeiros grandes nomes do esporte como Bernardinho, Bruninho, Fernando Meligeni, pessoas que só via pela televisão... tudo isso foi convertido em combustível. Um prêmio, de fato, um privilégio. O som do teclado ao digitar uma nota, artigo, que seja... o cheiro de tinta da caneta que mais tarde estourará ou a aflição de escrever tudo antes da caneta morrer. Até ficar na externa correndo risco de participar de uma "queimada", mesmo que o esporte seja futebol, vôlei ou basquete.
O dinamismo, a pressão por mais engajamentos, ficar de olho nas tendências, os números dos outros veículos, pensar fora da caixa e as histórias que inspiram, acesso aos bastidores de vidas dignas de filmes... os ônus e bônus.
É um privilégio poder aprender e conversar com algumas referências. Existe uma grande responsabilidade nessa profissão. Como cristão que sou, logo lembro dos versículos de Tiago 2:20-22: “Mas, ó homem vão, queres tu saber que a fé sem as obras é morta? Porventura o nosso pai Abraão não foi justificado pelas obras, quando ofereceu sobre o altar o seu filho Isaque? Bem vês que a fé cooperou com as suas obras, e que pelas obras a fé foi aperfeiçoada.”
Com isso, lembro da frase: “É justo que muito custe o que muito vale”, frequentemente ligada a Teresa D'Ávila.
Não sei exatamente em que posso contribuir nesse jogo, e se posso, muito menos o que acontecerá amanhã. O que sei é que essa coceira por olhar o que poucos viram, mastigar a informação de uma maneira que mais pessoas possam entender, trazer assuntos pertinentes e principalmente cuidar para não passar nada além da verdade, além de aprender com todos, são tópicos que me prendem ao jornalismo.
Lembrando dos ônus e bônus, é quase uma antítese, logo lembro da primeira estrofe do soneto de Luís Vaz de Camões:
“Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.”
No fim, não é exclusivo do jornalismo. Toda profissão tem seus desafios, mas, mesmo que às vezes possa ser uma dor que desatina sem doer, é justo que muito custe o que muito vale.
Certo dia, encontrei um senhor que, com o pensamento distante, perguntava a Deus o porquê de tantas provações.
Ele se considerava uma pessoa de boas atitudes e posturas, alguém de grande valor.
No entanto, a vida não correspondia às suas expectativas. Na verdade, ele não esperava muito, apenas queria viver o que lhe era permitido.
No contexto, havia outras pessoas que o acompanhavam e, mesmo percebendo que a vida não fluía, demonstravam insatisfações. Até ele, em alguns momentos, apresentava essa insatisfação, mas seguia em frente.
Depois de muito tempo alternando entre resiliência, resignação e ressignificação, esse senhor decidiu mudar suas atitudes. Deixou de se preocupar com opiniões alheias e resolveu viver, mesmo sem saber o que o esperava.
Percebeu que sua vida não estava trazendo nada de significativo e, além disso, causava insatisfação e infelicidade às pessoas próximas. Assim, optou por abrir mão de seus objetivos e sonhos.
Ele abriu mão de tudo, mas não quer mais reter. Que sua atitude gere uma energia tão grande que a felicidade invada e tome conta das pessoas que não acreditam nele.
Serei eu o reflexo de um passado distante,
Uma sombra que caminha comigo?
Serei eu o espelho de um futuro errante,
Um sonho que se apaga ao amanhecer?
Ou sou apenas o reflexo de agora,
Um instante que mal se segura,
Que nasce, respira e logo vai embora,
Sem deixar rasto, sem moldura?
Serei eu reflexo ou serei origem?
Sou a pergunta ou a vertigem?
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