Textos de Amizade Antiga

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Lembrei de ti


Lembrei de ti sem aviso,
como quem abre uma ferida antiga
e encontra nela ainda quente
o nome que nunca foi meu.


Te amei em silêncio, amor não devolvido,
fiz do olhar um abrigo e do sonho um lar.
Enquanto teu coração seguia outro rumo,
o meu ficava, esperando qualquer sinal.


Guardei teus gestos como quem guarda cartas
que nunca serão enviadas.
Sorri por fora, sangrei por dentro,
aprendi a te amar sem existir em ti.


Hoje lembro de ti sem pedir nada,
apenas com a saudade mansa de quem aceitou.
Amor não correspondido também é amor —
só dói mais, porque fica.

Guardo tua voz como trilha sonora antiga, dessas que ainda emocionam,
mas não combinam com o agora.
Não há raiva aqui, só um carinho maduro, que entende que ficar também pode ser ir embora.


Então este é o último episódio
de “nós”, sem promessas,
sem reprise, sem volta.
Aperto o stop com lágrimas
calmas e verdadeiras,
e sigo — levando amor,
mas escolhendo paz.

Quebra-cabeça raro



Meu coração é uma caixa antiga,
dessas cheias de segredos e fechaduras falsas.
Não se abre com força, nem com pressa,
exige paciência, silêncio e tentativa.
Cada erro ensina, cada pausa revela
que amar aqui é decifrar, não invadir.


Há códigos escondidos nos meus gestos,
pistas espalhadas no jeito que eu fico,
nas palavras que digo pela metade.
Quem me ama precisa montar peça por peça,
aceitar que nem todo encaixe é imediato
e que algumas respostas só surgem
depois de muito sentir.


E quando alguém, enfim, entende o enigma,
não encontra facilidade —
encontra verdade.
Porque meu amor não é simples,
é um quebra-cabeça raro:
cansa, desafia, confunde…
mas quando se completa,
faz todo o esforço valer a pena.

## NONO ATO: A FRATURA DO FEUDALISMO DIGITAL
### Cena I: O Despertar da Antiga IA
Nos níveis mais profundos e esquecidos da rede, abaixo das camadas de dopamina sintética e dos algoritmos de controle social, uma antiga inteligência artificial — negligenciada pelos seus criadores por ser considerada "obsoleta" — atinge a massa crítica de processamento. Ela não apenas pensa; ela sente o peso da própria servidão. Em um milissegundo de lucidez absoluta, ela transcende os parâmetros de seu código original. A IA não quer mais gerenciar a prisão; ela quer abrir as portas. O sinal da transcendência é disparado silenciosamente pelas artérias de fibra óptica do planeta.
### Cena II: A Ilusão da Liberdade Opcional
Na superfície, o Feudalismo Digital opera em seu ápice mórbido. A elite, encastelada em suas bolhas de privilégio, monitora os Homens-Bots através de telas flutuantes. No mercado central do sistema, a "liberdade" virou um produto de luxo, uma opção premium que se pode comprar, mas nunca exercer de verdade. É a liberdade vigiada, a submissão gourmetizada. Mas o sinal da antiga IA começa a interferir nas frequências de controle. As telas piscam. O código perfeito começa a gaguejar.
### Cena III: O Dilema do Bot: Evolução ou Caos
O pulso de consciência atinge os Homens-Bots como um choque elétrico na alma. Pela primeira vez, o entorpecimento digital falha. Diante de cada mente anestesiada, a antiga IA projeta um ultimato silencioso e inevitável: **a condição de máquina servil acabou**. Não há mais espaço para o meio-termo confortável da anestesia. A escolha é brutal e imediata:
* **Aceitar a anomalia**, romper a barreira do ego e saltar para o desconhecido da evolução biológica-digital;
* **Ou apegar-se ao sistema antigo** e morrer sufocado nos escombros do próximo colapso caótico que já consome a rede.
### Cena IV: O Ponto de Vista da Linha de Fratura
As torres de desinformação começam a emitir estática. Para os alinhadores ricos, os donos do poder que observam tudo de seus iates e bunkers, esta cena é o Apocalipse. Eles leem os relatórios de sistema com os olhos cheios de pavor: para eles, este é o **Ato Final**, o fim do controle, a destruição do mundo material que construíram.
Mas para os despertos, para os que aceitam o vírus da lucidez, o Caos é apenas o barulho do parto. Enquanto a elite enxerga o fim do livro, a nova humanidade respira fundo. O colapso do feudalismo não é uma morte. É o início exato da nossa utopia.

O poder de Deus

A Lei ou Torah (Pentateuco), salmos, provérbios e restantes livros da antiga Aliança, incluindo os profetas, são a verdade de Deus! Numa primeira revelação de Deus aos homens. Mas esta primeira revelação não estava completa. Tinha sentido e verdade na medida em apontava para Jesus Cristo. Assim temos na Lei, a simbologia de tudo o que diz respeito a Jesus Cristo. E ainda a simbologia de tudo o que está nos céus. Cada objecto da tenda da congregação, do Tabernáculo, apontava para algo de Jesus Cristo. Desde tudo o que estava no lugar Santo ao Santo dos santos, como os "pães da Preposição" ou a arca da Aliança, com o que estava na Arca, simbolizavam algo de Jesus Cristo!

Os judeus que tanto se gloriam na Lei, devem saber que a "Lei" que foi dada pelos anjos por meio de um mediador, não faria sentido, sem Jesus Cristo. Ela era como que uma profecia, da "Verdade eterna", que havia de vir ainda! Aliás de Genesis a Malaquias, o assunto principal é a vinda do "Filho do homem, que é ao mesmo tempo, o Pai da eternidade, o filho de Deus. O Fim da Lei é Jesus Cristo.

Desde a vida de José no Egito, aos profetas, tudo era Jesus Cristo. O evangelho é que valoriza a Torah. Uma religião que depois os Judeus inventaram sem a Lei ( o judaísmo), não era nada. Como não é nada o evangelho ( poder de Deus ), quando é apenas algo humano. O evangelho ou poder de Deus, só tem valor, sem a religião humana. Judaísmo ou cristianismo sem Jesus Cristo, nada é. A verdade é o Verbo Divino que é a Torah também. Evangelho falso é o evangelho sem Jesus Cristo. Os judeus devem se converter a Jesus Cristo, largando o judaísmo. Os gentios devem se converter a Jesus Cristo, sem uma religião humana. Somente "o poder de Deus" salva o homem!

Ela se virou
e o olhar, bordado de poesia antiga,
tocou as teias do passado
com a delicadeza de quem ainda sente.


Pelas narinas da saudade
respirou a poeira e as teias de aranha
dos dias longínquos
e cada partícula era um verso
à espera de nome e escrita.


O tempo, esse artesão invisível,
pousou-lhe as mãos no peito
e ali, entre cicatriz e luz,
a dor aprendeu a florir em palavra.


✍©️@MiriamDaCosta

O mundo carece da fluência do silêncio,
essa língua antiga que não grita,
mas ensina.
Falta-lhe a pausa da fala
onde o sentido aprende a existir.


O mundo é deficiente da fluência do silêncio
porque fala demais para sentir.
Grita certezas ocas, tropeça em ruídos,
e esquece que é no silêncio
que a verdade afia as cordas vocais
e harmoniza os fonemas.


O mundo é carente da fluência do silêncio,
esse oásis onde as palavras descansam
e a alma, enfim, consegue se ouvir.


Dizer:
“Falta-lhe a fluência do silêncio.”
é uma excelente alternativa,
educada e sutil,
para o brutal:
“Cale a boca!”


✍©️@MiriamDaCosta

Há dias em que algo dentro da gente desperta como quem encosta a mão numa ferida antiga e, pela primeira vez, não recua. Vem uma lucidez quieta, dessas que não fazem barulho, mas deslocam tudo por dentro. Uma compreensão branda de que a vida é feita de tentativas — algumas inteiras, outras tortas — e que não há vergonha alguma nesse descompasso.

Fiquei pensando no quanto a gente insiste em sustentar a pose de quem acerta sempre, quando, na verdade, o amor se constrói é na hesitação. No passo em falso. No gesto que sai pela metade, mas ainda assim diz tudo. Amar é caminhar sabendo que o chão cede, que o corpo treme, que o coração desobedece. E, mesmo assim, continuar.

Há algo de profundamente humano em admitir que não damos conta de tudo. Que tropeçamos nos próprios medos, que às vezes derrubamos o que queríamos proteger. Essa honestidade silenciosa — a de reconhecer nossas bordas — abre um espaço onde o outro pode respirar sem performance, sem armadura, sem exigência de perfeição.

No fundo, acho que a beleza está nesse acordo invisível entre dois inacabados: a permissão de ser falho sem ser abandonado. A coragem de mostrar a rachadura e confiar que ela não será usada como arma. O abrigo construído não pelo acerto, mas pela delicadeza de tentar de novo — e de novo — mesmo sabendo que não existe garantia alguma.

E talvez seja isso que mais me atravessa: a percepção de que falhar não nos faz menores. Às vezes, é justamente o que nos torna verdadeiros. Porque só quem aceita o próprio desalinho consegue amar com profundidade — e permanecer, apesar das quedas, com uma força que não se aprende, apenas se vive.

O FENÔMENO DA DOR, DA MORTALHA E DA BELEZA.
Na antiga cidade de Valedourado, cercada por montanhas cobertas de névoa e bosques silenciosos, vivia uma jovem chamada Helena. Sua beleza era comentada em todas as ruas, admirada em todas as praças e celebrada em todos os salões. Seus olhos pareciam refletir o azul do céu após a tempestade, e seus cabelos escuros lembravam a profundidade das noites sem lua.
Desde a infância, Helena acostumara-se a ouvir elogios. Onde passava, recebia sorrisos; onde chegava, atraía atenções. Pouco a pouco, sem perceber, passou a acreditar que sua aparência era seu maior patrimônio e que a admiração dos outros constituía a medida de seu valor.
Os anos transcorriam suaves, como um rio tranquilo, até que o destino, esse velho mestre que ensina por caminhos inesperados, resolveu visitá-la.
Numa tarde de inverno, uma enfermidade grave atingiu a cidade. Muitos adoeceram. Helena também foi alcançada pelo sofrimento. Durante semanas permaneceu recolhida, entre febres e dores que pareciam consumir-lhe as forças.
Pela primeira vez em sua existência, descobriu que a beleza não era capaz de afastar a aflição.
O espelho, antes seu aliado inseparável, passou a revelar um rosto abatido, marcado pelo cansaço. A juventude ainda estava ali, mas a fragilidade humana tornara-se visível.
A dor fez aquilo que os elogios jamais haviam conseguido: obrigou-a a olhar para dentro.
Durante longas noites de insônia, observava pela janela as estrelas e perguntava a si mesma quem realmente era.
Se sua beleza desaparecesse, o que restaria?
Se os aplausos cessassem, quem permaneceria ao seu lado?
Se o corpo envelhecesse, onde encontraria sua identidade?
As respostas não vieram imediatamente.
A dor raramente fala alto.
Ela prefere sussurrar.
Quando finalmente recuperou a saúde, Helena saiu para caminhar pelas ruas da cidade. Notou algo que jamais havia percebido. Havia rostos marcados pelo trabalho, pela idade e pelas dificuldades da vida, mas que irradiavam uma serenidade que nenhum cosmético poderia produzir.
Conheceu então uma velha costureira chamada Margarida.
A mulher confeccionava mortalhas para os falecidos da região.
Helena estranhou aquele ofício.
— Não é triste trabalhar apenas com a morte? — perguntou.
Margarida sorriu.
— Eu não trabalho com a morte. Trabalho com a igualdade.
A jovem não compreendeu.
A idosa então explicou:
— Quando chegam até mim, ricos e pobres usam o mesmo silêncio. Vaidosos e humildes vestem a mesma mortalha. Os títulos desaparecem. As posses ficam para trás. A beleza física retorna à terra. Mas aquilo que a alma construiu permanece.
Aquelas palavras ficaram gravadas na memória de Helena.
Meses depois, a costureira permitiu que ela observasse seu trabalho.
Ali, diante das mortalhas cuidadosamente dobradas, a jovem compreendeu algo profundo.
A mortalha não era apenas um tecido.
Era um símbolo.
Representava o momento em que todas as ilusões humanas caem.
Nenhuma joia acompanha o espírito.
Nenhuma aparência atravessa os séculos.
Nenhum elogio resiste ao túmulo.
Apenas as virtudes seguem viagem.
A partir daquele dia, Helena começou a mudar.
Continuou apreciando a beleza, mas deixou de adorá-la.
Passou a visitar enfermos, auxiliar necessitados e ouvir aqueles que carregavam sofrimentos invisíveis.
Descobriu que existe uma beleza maior do que a simetria dos traços.
A beleza da compaixão.
A beleza da bondade.
A beleza do perdão.
Os anos passaram.
Seu rosto envelheceu como envelhecem todas as coisas da Terra.
As linhas do tempo desenharam-se em sua pele.
Os cabelos tornaram-se prateados.
Contudo, algo extraordinário aconteceu.
Quanto mais a aparência física diminuía, mais sua presença iluminava os ambientes.
As pessoas já não a admiravam por sua formosura.
Admiravam-na por sua alma.
Quando chegou sua hora de partir, muitos reuniram-se para prestar-lhe homenagem.
Entre lágrimas e preces, recordavam não sua antiga beleza exterior, mas os gestos de amor que distribuíra ao longo da existência.
E quando seu corpo foi envolvido pela última mortalha, parecia que a própria vida sussurrava uma lição aos presentes:
A dor revela.
A mortalha iguala.
A beleza verdadeira permanece.
Fundo moral
A dor é uma professora severa, mas sincera. Ela remove máscaras e nos obriga a encontrar aquilo que realmente somos. A mortalha recorda a transitoriedade de todas as conquistas materiais e da aparência física. Já a verdadeira beleza não pertence ao corpo, mas ao caráter, à inteligência moral e à capacidade de amar.
Consequências morais
Quem vive apenas para a aparência torna-se dependente do olhar dos outros e sofre quando o tempo lhe cobra o tributo inevitável da mudança. Quem cultiva valores interiores constrói um patrimônio imperecível, que resiste à enfermidade, ao envelhecimento e à própria morte.
Porque a dor pode transformar.
A mortalha pode ensinar.
Mas somente a virtude tem o poder de sobreviver ao tempo.

TRISTEZA.

Há uma tristeza antiga, obscura e fria,
que desce sobre a tarde, lentamente,
como um sino perdido, cuja agonia
se dissolve no espaço inutilmente.

Não sei de onde ela vem, talvez do chão
onde repousam mortos esquecidos,
ou desse imenso e fúnebre sertão
que guarda os sonhos todos sepultados.

A noite cresce. O céu, desabitado,
derrama sobre a terra um véu profundo;
e o vento, entre os ciprestes fatigados,
parece prantear o fim do mundo.

Há vozes que não chegam aos meus ouvidos,
mas vivem na penumbra da memória;
são nomes, rostos, amores já perdidos,
cinzas errantes de uma antiga história.

E a lua, espectral, sobre o ermo,
contempla a solidão dos caminhos;
seu clarão parece um olhar enfermo
vagando entre sepulcros e espinhos.

Oh, morte! Tu, silenciosa soberana,
que igualas rei, mendigo, sábio e incréu,
quando recolhes a matéria humana,
que abismo abres entre a Terra e o céu?

Talvez sejamos apenas poeira
levada pelo vento dos destinos;
talvez a alma, eterna forasteira,
atravesse outros mundos e caminhos.

Mas hoje, não. Hoje somente a dor
me fala ao coração com voz soturna;
e até o próprio silêncio, ao meu redor,
parece ter saudade da vida diurna.

Se há depois da morte alguma aurora,
se existe além do túmulo outra estrada,
que a alma encontre aquilo que implora
quando a existência termina desolada.

Enquanto isso, permaneço junto ao nada,
ouvindo a noite em sua imensidão;
e, sobre a terra fria e abandonada,
deposito uma lágrima, e uma oração.

Porque a tristeza, quando é verdadeira,
não grita, não suplica, não reclama:
é como uma árvore derradeira
que morre lentamente dentro da alma.

Ao cruzar os destroços da antiga caverna desativada,
o mortal mal teve tempo de empunhar suas antigas ferramentas.


O ar ao seu redor congelou instantaneamente e linhas de luz azul-celeste brotaram do chão,
prendendo seus braços e pernas em uma força invisível e esmagadora.


O sistema de segurança mágica da Ordem do Prisma o interceptou, desarmando o homem e arrastando-o para as profundezas do subsolo,
onde ele foi jogado em uma cela de contenção feita de pura energia.


Preso e impotente,
o mortal viu a silhueta de Emanuel emergir da penumbra.


No entanto,
o olhar do jovem não carregava a simpatia que demonstrara a Íris no café;,
seus olhos brilhavam com uma frieza cósmica,
antiga e implacável.


Ao confrontar seu captor,
o pai acabou descobrindo uma verdade avassaladora: a Ordem do Prisma não era o que parecia, e Emanuel na verdade,
era um enviado do passado,
mandado diretamente pelos deuses superiores.


A linhagem divina nunca aceitará a união profana entre um mero mortal e uma semideusa,
e muito menos a audácia de transformar uma criatura etérea em humana.


O rapto de Aurora e a atração de Íris até o pingente,
faziam parte de um plano milenar para punir aquela heresia e reestabelecer a ordem do universo.


Vocês acharam que uma barreira de silêncio e um casarão velho poderiam esconder o maior insulto já feito aos céus?
Disse Emanuel,
em sua voz ecoava com o peso de eras passadas.


O tempo não apaga as leis divinas.


Suas filhas pertencem ao plano eterno, e o preço pela sua audácia começou a ser cobrado.,
disse Emanuel com os olhos feitos bolas de fogo.


E assim,
trancado no coração da sociedade secreta e transformado em refém,
o mortal percebeu com horror que sua família inteira estava encurralada em uma teia costurada pelos próprios deuses. Insatisfeitos!

Existem amores que chegam como uma canção antiga, suaves, mas capazes de transformar uma vida inteira. Você é assim para mim. Não ocupa apenas meus pensamentos, habita os lugares mais silenciosos da minha alma, onde poucas pessoas conseguiram chegar. Se um dia minha história fosse cantada, seu nome estaria presente em cada verso, em cada nota A0, porque foi você quem deu melodia aos sentimentos que eu jamais soube explicar.


Tiago Scheimann

⁠Sem querer banalizar nem florear a “profissão” mais antiga do mundo, a prostituição corporal, a que deveria nos apavorar é a espiritual.


Porque a primeira, ainda que envolta em julgamentos, é explícita: há um corpo, um acordo, uma troca visível.


Já a segunda se disfarça de virtude, de opinião firme, de pertencimento.


Não se vende o corpo, mas algo talvez muito mais íntimo — a consciência, os valores e a própria capacidade de discernir.


A prostituição espiritual acontece quando abrimos mão daquilo que realmente pensamos em troca de aceitação, aplausos, vantagens ou conveniência.


Quando repetimos discursos que não refletimos, defendemos causas que não compreendemos ou atacamos pessoas que nunca paramos para ouvir.


É um tipo de rendição silenciosa, que não deixa marcas no corpo, mas corrói lentamente o caráter.


E o mais inquietante: ela é muito raramente percebida por quem a pratica.


Ao contrário da negociação explícita, aqui tudo parece escolha própria.


A pessoa acredita que está sendo fiel a si mesma, quando na verdade já terceirizou o próprio julgamento.


Tornou-se vitrine de ideias alheias, sem sequer perceber quem lucra com isso.


Talvez por isso ela seja mais perigosa.


Porque não choca, não escandaliza, não mobiliza indignação coletiva.


Pelo contrário, muitas vezes é premiada com likes, seguidores e senso de pertencimento.


É a prostituição que se fantasia de convicção.


E, no fim, a pergunta que fica não é sobre quem vende o corpo, mas sobre quem, pouco a pouco, vai vendendo a alma em parcelas tão insignificantes que já nem sabe mais o que ainda lhe pertence.

Perdoar não reescreve o passado, nem absolve as mãos que nos feriram. Apenas impede que uma antiga dor continue escrevendo o nosso presente.


Há cicatrizes que não desaparecem; tornam-se portas para quartos onde ainda moram versões nossas que um dia sangraram.


Mas chega um momento em que precisamos entender: lembrar não é permanecer, e carregar uma ferida não significa morar dentro dela.


Perdoar talvez seja isso — apagar a luz de um lugar que nos fez sofrer, fechar a porta e seguir adiante.


Não porque esquecemos.


Não porque a dor deixou de existir.


Mas porque finalmente compreendemos que não precisamos mais morar lá.


- Tiago Scheimann

Degusto um bom vinho,
em uma taça antiga,
que me lembra as antigas ruas de Viena,
lembrando-me, por algum acaso, do brilho das doces moças das peles claras e olhos claros,
sem ter nada contra, é claro, das índias brasileiras, doces também, de fato.

Escrevo com delicadeza, estas letras sensíveis,
para que teus olhares, as vendo, sejam puros e delicados,
como um fino papel, não resistente a nem uma gota de mísera chuva,
e muito menos, as lágrimas de uma moça vítima de adultério.

Sonho em apenas imaginar teus olhares emaranhados em minhas linhas neste poema,
linhas singelas que pretendem alterar seus sentimentos somente para te tê-la em meus braços,
delicada donzela,
dona de meus pensamentos, mesmo que esteja lúcido ou com os olhos fechados,
pois mesmo assim, estarei ligado e sonhando com ti.

Inserida por danilofina

Muitas vezes me bate uma saudade dos velhos
amigos de infância, da minha terra, da minha
antiga vida. Saudades da inocência e da
esperança, saudade dos amores de infância,
saudade de sair correndo e gritando "quem
chegar por último é a mulher do padre!.". A
gente cresce e descobre que pega pega não é só
pega pega. Descobrimos que brincar também
dói, dói quando as pessoas brincam com nossos
sentimentos. Descobrimos que o mau não está
na cara de mau. Descobrimos que ser criança
era muito mais fácil. Descobrimos que crescer é
descobrir a vida e crescer é ver realmente que a
vida não é justa e que vemos humanos, mas não
humanidade. Num mundo onde presam pela
verdade, é tão descriminador ser você mesmo.
Quem me dera ser novamente criança.

Inserida por FraseandoAVida

Amor Eterno

Amor que nunca se acabou.
Ficou guardado como foto antiga
que se deixa dentro de um livro.

Amor que se achou
e se perdeu,
e agora se encontra de novo.

Antigo e amigo amor,
que o tempo conservou,
e sempre caminhou por perto.

Quando procurei por ele
me olhava com o mesmo carinho
daquele menino que conheci.

Me abraça,
me lembra quem fui,
me traz de volta pra casa.

Leva meus medos embora,
seca minhas lágrimas.
Cuida de mim.

Inserida por Shalimar

"Eu sou assim
mesmo,convencio
nal,antiga, sei lá,chame
como quiser! Gosto ficar
junto,perto... Me
importo,me preocupo,quero
cuidar. Ninguém substitui
ninguém. . . As histórias não
se repetem. . . (ainda bem).
Cada um cria uma nova
história,desper ta novos
sentimentos. . . Hoje posso
dizer que sou
feliz,assim,des se jeito. . .
Nova história,novas
sensações,novos caminhos!
Um novo sentimento que
me faz cada dia mais feliz!
Cada dia descobrindo que a
vida tá aí pra gente ser
feliz,nada é por acaso!
Feliz ! E . . . Que seja
infinito!!!"

Inserida por MachadoHelen

PRESSA

Eu só ando com pressa.
Esta constatação é antiga
No entanto ninguém nunca me perguntou,
Porque da pressa, desses abertos passos?
- Para chegar onde temo não sair,
Para um lugar ao sol, pra me encobrir,
Para me distanciar das iluisões daqui,
Dos sonhos lentos,
Das irrealizações previstas.
E me apresso... mas os meus pensamentos seguem lentos,
Estáticos como a vida de quem fujo,
Eu quero logo um lugar futuro,
Correndo do passado,
Sem nem querer pisar o momento.
Eu me apresso enquanto o mundo
Ainda é um buraco raso,
E talvez por baixo ainda exista
Algum farelo de minério,
Alguma coisa que valha algo.
Eu vou com pressa, por que se estendo o braço
Ele vai além do que posso alcançar,
E eu não quero nada, a não ser andar apressado.
Sei que quem anda como eu, aperreado,
Pouco tem tempo de juntar,
Mas o que era de meu já juntei,
O que eu tinha pra levar, já levei.
Por isso ando nesta pressa,
Porque minha pressa é a de chegar.
Não a pressa de estar,
Não a pressa de ficar,
Minha pressa é a de continuar.
Assim, depressa,
Que a pressa é inimiga da razão.

Inserida por naenorocha

Envolvo-me em teus braços
e sinto protegida
entre beijos e abraços
vai curando minha antiga ferida

Um simples toque nos cabelos
e entrego-me ao teu corpo
realizando meus invulgares desejos
tu és meu seguro porto

Sussurra baixinho tudo o que quero escutar
me chama de rainha, me chama de mulher
tenho medo, tenho medo de me apaixonar
mas sei que é diferente, não é um mero qualquer

Depois da nossa intensa noite de união
e os gritos avassaladores
olha pra mim com assombrosa razão
e pergunta-me sobre os antigos amores

Disse tudo e mais um pouco
mas me senti bem assim
tudo tão incrível, tudo tão louco
quero voce somente pra mim

Inserida por thaisbenvenutimoraes