Perdoar não reescreve o passado, nem... Tiago Scheimann

Perdoar não reescreve o passado, nem absolve as mãos que nos feriram. Apenas impede que uma antiga dor continue escrevendo o nosso presente.


Há cicatrizes que não desaparecem; tornam-se portas para quartos onde ainda moram versões nossas que um dia sangraram.


Mas chega um momento em que precisamos entender: lembrar não é permanecer, e carregar uma ferida não significa morar dentro dela.


Perdoar talvez seja isso — apagar a luz de um lugar que nos fez sofrer, fechar a porta e seguir adiante.


Não porque esquecemos.


Não porque a dor deixou de existir.


Mas porque finalmente compreendemos que não precisamos mais morar lá.


- Tiago Scheimann