Textos
Eu quis fazer uma canção
que trouxesse alegria pro seu coração
eu procurei palavras e lugares e motivos
pra fazer você sorrir
Eu quis achar motivo, causa ou porquê
de trazer felicidade a você
Eu sonhei com o momento em que
você, deixando de chorar
Dissesse que mudei a sua vida
E eu só tenho a te dizer
Que neste mundo
Pra ser feliz é preciso
Ser criança, burro ou egoísta
E a minha alma de artista
Me disse: Desista!
E eu larguei a minha pena
e arranquei as cordas do meu violão
uma a uma
E não fiz canção nenhuma
Hoje eu queria
Apenas um pouco
um pouquinho só
daquela alegria
que um dia
vivemos juntos
Não peço muita
Porém, preciso muito
daquilo que alguém espalha
depois que a gente junta
Mas, juntando a gente vê
Que não fica mais
do mesmo jeito
Aquilo que um dia foi perfeito
de alguma maneira
você se esqueceu de cuidar
Aquilo que hoje pede a Deus
Ele te deu
Mas acho que alguém não quis
Às vezes parece irritante
o ato de ser feliz
Hoje eu queria
Mas penso sinceramente
Que pra gente
não é mais possível.
Como criança
Você lança a pedra pro alto
E ri de alegria incomum
Aquela que só tem quem desconhece
Taca fogo na floresta imaginária
E pula de felicidade e dança
Dança como quem dança na chuva
Chuva cai como uma pedra
Apaga a chama da floresta
Lança pro alto a fumaça
Qual criança, desconhece a direção
Deixa por conta dos ventos que levam palavras
Elas vão como a fumaça
O destino da pedra era o chão
Quem sabe, uma vidraça
Não te cabe a direção dos ventos
Não se sabe a profundeza da lagoa
Onde se lança a pedra a saltitar mil vezes
As águas sempre se evaporam
E as nuvens choram de comum tristeza.
Edson Ricardo Paiva.
Pra onde eu vou não precisa de dinheiro
Pra onde eu vou é alegria o tempo inteiro
Se você for não vai se arrepender
Mas se não for o que é que vão dizer?
"Cachorro Grande"
A minha maior alegria
É poder me sentir muito perto
Nos momentos em que pareço
Estar pra lá de distante
E ao mesmo tempo me sinto triste
Quando vejo diante de mim
Tanta coisa
Que não queria que fosse assim
Falta de chuva no deserto
Parece coisa errada
Que sempre esteve certa
Noites sem estrelas
Leitos sem rio
Rios sem peixe
Não há muito
que se possa mudar
Mas não deixo de ter esperança
Em poder fazer um pouco que seja
Pra mudar as coisas
Que não deviam ser
Tampouco acontecer
Todo mundo um dia pensou
Ao menos por um breve momento
Em ser rei
E todo rei um dia percebeu
Por um momento mais breve ainda
Que ele realmente não o era
Não existe no mundo
Corrente mais resistente
Que aquela vontade que nasce
dentro da gente
de maneira repentina
Nem existem laços mais fortes
Que aqueles surgidos
Num simples abraço sincero
E de repente
Muda tudo
Até mesmo a maneira de se encarar
o fim de mais um dia
Espero aquele que vai nascer
Como se antes dele
Eu nunca tivesse visto nada
E cada vontade que se apresenta
Que venha renovada
E que a gente nunca mais
Se sinta distante
de nada que a gente queira
Não existem lugares longe demais
Ou destinos
Que não possam ser mudados
Se você também
Enxergar as coisas assim
Haverá sempre um pouco de mim
Bem aí
Ao seu lado
Na alegria
das manhãs cinzentas
anunciando
A tempestade abençoada
As nuvens rosnam
Elétrons tisnam o Céu
Começa a trovejar
Como num prelúdio
E o azul se esconde
Ocultado por pesado véu
que veio lá
de não sei aonde
Ainda falta muito
Pro ponteiro do meio-dia
e já não sobra tempo
Pra mais nada
Relâmpagos cruzando os Céus
Como a rir da minha cara
Eu olho pra eles
devolvo a risada
enviando-lhes boas vindas
Percebo como a vida é linda
Percebo que recebo de volta
o desprezo
de quem não entendeu nada
retribuo com outro sorriso
e fim
Não preciso nem mais me importar
Com gente assim
Prefiro conversar com nuvens
Enquanto não chove.
Edson Ricardo Paiva
Tristeza, me diga
Da alegria que sentiu
Na primeira vez
Em que me viu
Qual foi o tipo de sentimento
Que despertou em ti
Tamanha vontade
de se aproximar
E aqui permanecer
deixando-me
de voz tão pálida
Na verdade
Aos poucos tem transformado
a vontade de viver
Numa pobre caquética
Minha esperança em cética
Matando a pupa
de qualquer alegria
Ainda no estágio de crisálida
Me diga, tristeza
Como podes ter prazer
e ver beleza
Nos irmãs iguais a ti
Quando as vê
de mim...sempre de mim
Se aproximarem
Todo dia
Me diga, tristeza
Por que é que tem
Que ser assim?
Edson Ricardo Paiva
Bom mesmo deve ser
Não ser e nem existir
Havendo assim
A alegria de ser o imenso nada
Cada qual sem outro igual
Sem história
Memória
Alma à venda
Condenada
Perdida ou achada
Bom mesmo deve ser
Não ser
Aquele que não sabe
Melhor ainda deve ser
Ser
Aquele que de nada quer saber
Saber do nada
Cada qual assim
Nem bom
Nem mal
Melhor
Pior
Igual
E mais nada
Além do nada
Que somos
Perdidos no espaço
Tempo e vida
Bom mesmo seria
Ter sido
Aquilo que a vida
Jamais permitiu que fôssemos
Por que será
Que cada coisa
Precisou ser assim ?
Bom mesmo seria
Que no lugar
Dessas falsas alegrias
Vividas nesta vida sem sentido
Que a vida
Não tivesse trazido nada
E o tempo não tivesse
Traduzido
Tanto
Nisto
Nisto tudo
Que por enquanto
Não passou de nada
Bom mesmo seria
Que o tempo, o espaço e a vida
Não tivessem traduzido
Tudo isso do qual não se esquece
Que bom seria
Se não tivesse havido
Nada
Edson Ricardo Paiva.
Alegria se torna tristeza
Tristeza se transforma em agonia
O coração aperta
Algo que vem de muito longe
E sempre acerta
me deixa calado
Vou seguindo mudo
Em meio à da sombra da cortina
Algo se move
Venta
Mas não chove
Um anjo vem
Pousa suave
Olha em mim
de sorriso leve
Me lembra
Que em razão
de algo errado
Que existe no passado
Somos todos relegados ao degredo
E eu fui
Condenado à vida
Mas
Que mesmo assim
Não existe motivo
Pra que haja um grande medo
E ninguém nunca está só
Basta saber
Que esta vida é um barbante
E cada instante
é um nó a ser desatado
Ali
É que estão escondidos
todos os segredos
do acesso ao mirante
de onde, um dia
poderemos contemplar
A linda paisagem que aguarda
Aqueles que guardam no coração
Aquela certeza latente
da qual, às vezes
A gente duvida
Sempre que tropeça
Nas sombras das cortinas
Que a vida apresenta
Essa esperança me ilumina
o medo me abandona
descortina um sorriso
A certeza desse dia
Transforma
A tristeza e a agonia
Em pura alegria.
Edson Ricardo Paiva
Pode acontecer
de o tempo do dia-a-dia
Trazer-te a esperada alegria
Aquela que vem do nada
Como quem confere nuvens
No Céu da madrugada
Espere, mas não a acelere
Cada risada tem seu tempo certo
Assim, como nem toda nuvem chove
Não é tudo que o tempo apruma
Tem dias que o silêncio das folhas
Fere mais intensamente
Que todos os vendavais passados
A quietude é uma alma viva
Mas o vento sopra
e não existe alternativa de direção
No teu pensamento
Alguma opção de escolha
Não se desespere
A quilha do destino
Fatalmente faz mudanças
Mantenha manso o coração
Atrás das nuvens da madrugada
Te alcança os olhares de Deus
Um redemoinho, a dança
No nada, atente pro orvalho que brilha
do horizonte o recado do novo dia
Enquanto sentir-se perdido
Procure prestar atenção
À grandeza das coisas pequenas
Que sempre estiveram aí
E apenas você que não viu
ou mentiu pra si mesmo
ao fingir que não via.
Edson Ricardo Paiva
Eu tive um sonho pequeno
Era plena a alegria
Era noite de verão naquele dia
Eu sonhei que uma doce Lua
Brilhava no Céu, tão bela
Igual que se estrela fosse
Mas sonhei que era noite de inverno
E que tinha sopa de ervilha
Um prato de pão torrado
E uma estante cor de palha
Sonhei com a simplicidade
Não sei quanto tempo levou
Mas o instante levou
O tempo que a vida leva
Pois eu sei que a memória falha
Mas não sei se essa vida é verdade
Eu só sei que sonhar não é escolha
É como um vento, que varre as folhas
Então, só sonhei
Que eu estava sentado à mesa
E que tinha fogueira acesa
E também um amor ao meu lado
Eu tive um sonho bonito
Eu tive um poema escrito
E eu tocava um violão
Cantando pra Lua, tão bela
Mas não sei que Lua era aquela
Nem o nome do anjo que a trouxe
Mas, brilhava no Céu, tão doce
Igual que se estrela fosse!
Edson Ricardo Paiva.
Que a alegria do mundo venha
E que tenha o aroma
Do vinho mais puro
E a cor da luz do Sol
Se essa branca luz
A taça atravessa
Mesmo que o mundo a beba
E permaneça escuro e cego
e não perceba-lhe o cromo
Amor, aroma, o odor, a presença
E desconheça a dor que me causa a sua ausência
Eu só peço à alegria que o faça
E se ela tiver tempo pra fazê-lo
Lhe lanço ainda, outro apelo ...enfim:
Se possível e por favor
Eu lhe peço que venha linda
E que tenha pressa
De depressa juntar-se a mim.
Edson Ricardo Paiva.
A água cristalina
O copo
A colina que se vê de longe
O topo
A alegria de existirem
A gente as vê
Mas o olhar atravessa
São respostas
Goste a gente ou não
São só palavras
A água, por cristalina que seja
Não lhe sabe a essência
Conhece-lhe o gosto quem prova
E surgem só novas perguntas
Não há cor
E seu rosto é inexistente
Abstrata como a dor
Quem a sabe presente
Não nos cabe vê-las
Nem se podem tocá-las
Quem as sente
É tocado por elas
A vista lá do alto da colina
Só conhece quem subiu
E não se pode estar
No topo de todas elas ao mesmo tempo
Mas o tempo é sempre eterno
Pra quem sempre espera
Mesmo que a dor as devore
E que a água se transforme em chuva
Brilhante como as estrelas
E que todas as estrelas chorem
Mesmo que todas as pessoas
Enxerguem a chuva
E não neguem que sejam boas
Apesar de tanta transparência
Ninguém sabe a essência
Do que não é dado saber
Apesar
Da eternidade da espera
Não se sabe nada sobre a eternidade.
Edson Ricardo Paiva.
O sorriso
É uma obra do abraço
Um espaço que estava vazio
A alegria de bailar sozinho
Havendo ou não melodia
Se saber satisfeito da vida.
O sorriso de verdade
Vem no meio da madrugada
Surge assim, do nada
Sem contar pra ninguém
Porque foi que ele veio
Aparece quando a gente recorda
da criança que foi um dia
Vem no intervalo
entre um sonho e outro
E permanece
depois que a alma desperta
e glorifica a Deus pela vida
Um sorriso é como se fosse
Um cartão de visitas
Expressão de quem crê
Que existe muita coisa boa e doce
A ser vivida, ainda
Sem saber de onde veio, ou quem trouxe
Vem à toa, quando a gente vê
Uma árvore sem folhas
Ornamentando um Céu cinzento ao fundo
Tendo em si a alma plena
E, diferente da maioria das gentes
Acha linda, aquela cena
E de repente está feliz
Mais feliz que todo mundo
E mesmo não tendo a prece atendida
Esquece o que foi que queria
E agradece a tudo que veio
No lugar
Apesar de ser outro o lugar
Outro Mar
Outro vento
Outra vela
Vem daquela sensação
de que não foi esquecido
E mesmo que não tenha
nada pra mostrar
Tem junto a certeza
No estado de alerta
de que vai permanecer a mesma coisa
As mesmas dificuldades
Problemas e dores pequenas
A cara feia que esse mundo faz pra gente
Como se outra pipa surgisse do nada
E cortasse a nossa, sem aviso
Posto isso
Sentir-se fortalecido
Simplesmente
Botar um sorriso no rosto
E sair mostrando ele ao mundo
Sem nenhuma necessidade
de haver um motivo aparente.
Edson Ricardo Paiva.
A maior alegria que existe
É a de não saber-se triste
Receber calor do Sol
E boas recordações
Que haverão de vir no inverno
Receber de bom grado
A tudo que vier
Tristeza há de vir também
E passar
Vai passar sem ser vista
A eterna alegria
Não é algo que se conquiste
Se algum dia que a tristeza vier
Eu me agarro à alegria
Que estiver mais perto
Decerto essa vez
A tristeza nem vai perceber
O quão triste me fez.
Edson Ricardo Paiva.
Ser criança é levar alegria ao mundo.
A criança é um exemplo vivo de como deve-se viver: sem rancor, sem ódio, sem guardar nada que a fez chorar, sem discriminação de sexo, cor, idade, raça, etc.
A criança é o maior exemplo de pureza, honestidade e sinceridade.
Quisera que nós adultos fôssemos tão grandes como esses pequeninos. Que lembremos de despertar a criança que, por nossa escolha, vive eternamente adormecida dentro de nós, para que a vida seja mais alegre.
Ney Paula B.
Se a cada manhã grato eu for,
Viverei em constante alegria.
Esta sim,
É companheira da Harmonia.
Se a cada noite grato eu for,
a tristeza não me desafiaria.
Contra mim?
Ela não ousaria.
Se a gratidão for o meu guia
Mais a vida terá cor,
Revelando o Universo,
Inquebrantável professor.
Se a gratidão for o meu guia,
Repousarei em pleno amor.
E minha vida então seria,
O mais notável esplendor!
não sei o que aconteceu
com aquele teu sorriso
que iluminava meu dia
trazendo grandiosa alegria.
tudo ficou sem cor
e desapareceu o amor
ficamos marcados
com essa forte dor.
desapareceu o sorriso no rosto
como um corte exposto
eu via a tristeza no seu olhar
depois que deixamos tudo acabar.
NENHUM OLHAR
A primeira vez não percebi tristeza,
Não percebi alegria,
não percebi olhar,
não tinha o que se perceber...
estava sempre ali no ponto do ônibus
parecia esperar uma condução
que não chegava nunca...
sua roupa suja,
seus sapatos sujos,
sua pele suja...
e ali no ponto do ônibus, condomínio Belvedere,
Sargento Hermínio...
todos pegamos nossas conduções
para os nossos destinos e ele ficou ali...
no dia seguinte ele estava ali,
no ponto do ônibus e não tinha guarda-chuva,
não tinha chapeu, não tinha olhar...
não estava triste, não estava alegre,
nada percebia... todos partimos e ele ficou ali...
na manhã seguinte ele estava pálido...
e tinha um olhar, só um olhar,
um único olhar... um mísero olhar
ele partiu...no rabecão do I M L e ficamos ali,
a olhar, sem nenhum olhar...
Penso as vezes,
as vezes de ficar triste
Que se eu fosse alegria,
se é que alegria existe
Eu andaria nos guetos,
secando os olhos tristes
Que vivem ensaiando o samba,
desfilando fantasias
Tentando enganar a vida
mostrando tons e matizes
Formas brilhos e adornos
num carro de alegoria
escondendo todo o medo
cantando seus sambas enredos
inventando o carnaval
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